Substituição de vaso sanitário convencional por vaso sanitário triturador em edifício residencial

Texto

(1)

22

Substituição de vaso sanitário convencional por vaso sanitário triturador em edifício residencial

Zacarias Caetano Vieira

IFS

Carlos Gomes da Silva Júnior

IFS

Marleide de Góis Paula

IFS

10.37885/210303850

(2)

A Construção Civil: em uma perspectivas econômica, ambiental e social

332

Palavras-chave: Bacia, Descarga, Entupimento.

RESUMO

Dentre os aparelhos sanitários que compõem as instalações prediais destacam-se por seu elevado consumo de água as bacias sanitárias. Percebe-se que esses aparelhos vem passando por um processo de evolução, desde as bacias mais antigas que consu- miam de 12 a 15 litros por descarga, passando pelas bacias com caixa acoplada que consome 6 litros por descarga, chegando até as bacias sanitárias com caixa e sistema dual de descarga com volume de 3 e 6 litros. Recentemente foi lançado no Brasil vasos sanitários trituradores que utilizam um sistema muito parecido com os trituradores de pia de cozinha para tratar os despejos, além de apresentar um consumo por descarga de 1,8 a 3 litros. Diante do exposto, o presente trabalho objetiva simular a substituição das bacias sanitárias convencionais com caixa de descarga de volume nominal de 6 litros por bacias sanitárias trituradoras. Para a realização deste trabalho, utilizou-se o Condomínio Residencial Mar de Aruana II, localizado na Av Canal, N° 1697, bairro Aruana, Aracaju – SE, que possui 11 (onze) blocos com 6 (seis) pavimentos cada, e 6 (seis) apartamentos por pavimento. Os resultados obtidos mostram que a implantação desses aparelhos implica numa redução de 63,33% do consumo de água potável, gerando uma economia mensal de R$ 14.302,28, tendo um período de amortização de aproximadamente 16 me- ses. Conclui-se com base nos resultados que o uso de aparelhos trituradores gera ganhos financeiros e ambientais, além de reduzir consideravelmente o risco de entupimentos.

(3)

A Construção Civil: em uma perspectivas econômica, ambiental e social

333

A Construção Civil: em uma perspectivas econômica, ambiental e social

332

INTRODUÇÃO

Aparelho sanitário é um componente da instalação destinada ao uso de água ou ao recebimento de dejetos líquidos ou sólidos, incluindo-se nessa definição aparelhos como lavatórios, bacias sanitárias, bidês, banheiras de hidromassagem, pias, tanques, máquinas de lavar roupa e de lavar pratos etc. (CARVALHO JUNIOR, 2012). Dentre esses aparelhos destaca-se por seu elevado consumo de água as bacias sanitárias; as quais segundo Marinho (2007) são responsáveis por cerca de 30% do consumo em residências; e em edifícios co- merciais e públicos esse índice pode chegar a mais de 60% em alguns casos.

Alencar et al (2012) relata que os modelos mais antigos consumiam de 12 a 15 litros de água por descarga; sendo que em 2003 criou-se um novo modelo, com caixa acoplada que consome 6 litros por descarga. Observou-se então um aumento no uso de bacias com caixa de descarga, devido aos fatores apresentados por Oliveira (2007) tais como: preferência do usuário por sistema de medição individualizada de água, que em alguns locais, é obrigató- rio por determinação legal; menor custo do sistema em função de menores diâmetros das tubulações; bem como pela melhoria da qualidade e da estética desses produtos.

Posteriormente, surgiu no mercado brasileiro a bacia sanitária com caixa e sistema dual de descarga com volume de 3 e 6 litros, as quais ainda segundo Oliveira (2007) gerou um impacto de redução de 18% no consumo em relação ao sistema de 6 litros. Observa-se, que por serem responsáveis por uma parcela significativa do consumo de água nas mais variadas edificações (residenciais, comerciais, públicas, etc.), os vasos sanitários continuam sendo alvos de esforços e investimentos financeiros em pesquisas na busca de produtos que consumam cada vez menos o recurso hídrico em seu uso. Recentemente foi lançado no Brasil vasos sanitários trituradores que utilizam um sistema muito parecido com os tritu- radores de pia de cozinha para tratar os despejos e diminuir a ocorrência de entupimentos.

OBJETIVO

Simular a substituição das bacias sanitárias convencionais com caixa de descarga de volume nominal de 6 litros por bacias sanitárias trituradoras em um condomínio residen- cial, estimar a economia mensal gerada, bem como determinar o período de amortização do investimento.

(4)

A Construção Civil: em uma perspectivas econômica, ambiental e social

334

MÉTODOS

Área de Estudo

Para realização desse trabalho utilizamos o Condomínio Residencial Mar de Aruana II, localizado na Av Canal, N° 1697, bairro Aruana, Aracaju – SE. O condomínio possui 11 (onze) blocos com 6 (seis) pavimentos cada, e 6 (seis) apartamentos por pavimento. Cada apartamento dois banheiros com uma bacia sanitária, um lavatório e um chuveiro cada, totalizando assim, 792 bacias sanitárias.

Produto escolhido

O produto escolhido para simulação neste trabalho foi apresentado na Revista Arquitetura & Construção, edição de Abril de 2015, ver figura 01- abaixo.

Figura 01. Vaso Tritutador Sanicompact

Fonte: Arquitetura & Construção (2015)

O Sanicompact é um vaso sanitário com triturador embutido que apresenta como principais vantagens: um sistema dual de descarga (sendo 1,8 litros na descarga parcial e 3 litros na descarga total); podendo ser instalado praticamente em qualquer lugar, longe da canalização principal e mesmo sem evacuação gravitacional. A evacuação é garantida por um tubo PVC de 32 a 40 mm de diâmetro; existindo apenas um único imperativo que consiste em prever junto à implementação uma entrada de água fria e uma tomada elétrica.

Esse sistema é indicado como um vaso sanitário comum, sem exigir manutenção particu- lar, permitindo a instalação de um novo banheiro em diferentes áreas, evitando reformas, cortes e rupturas em paredes, mudanças nas instalações ou alterações no projeto original (SANITRIT, 2015).

(5)

A Construção Civil: em uma perspectivas econômica, ambiental e social

335

A Construção Civil: em uma perspectivas econômica, ambiental e social

334

Metodologia

Nesse trabalho, para estimarmos o volume de água economizado com a substituição das bacias sanitárias convencionais com caixa de descarga de volume nominal de 6 litros por bacias sanitárias trituradoras, estimaremos o consumo mensal utilizando ambas as bacias, e com o volume mensal de água economizado, e tomando como base o Quadro Tarifário da Companhia de Saneamento de Sergipe (DESO), calcularemos a economia mensal obtida.

Com base no preço de aquisição desses aparelhos e na demanda de mão-de-obra fornecidos pelo fabricante, calculamos o custo para substituição dos vasos, e finalmente, o período de amortização do investimento.

Estimativa do Consumo de Água em Bacias Sanitárias Convencionais

Sendo utilizadas no condomínio bacias sanitárias convencionais com caixa de descarga de volume nominal de 6 litros, para estimarmos o consumo diário com descargas nessas bacias a indicação de Gonçalves e Bazzarella (2005) que considera uma frequência por pessoa de 3 descargas/dia, sendo o consumo por descarga de 6 litros.

Estimativa do Consumo de Água em Bacias Sanitárias Trituradoras

Para estimarmos o volume diário consumido com descargas nas Bacias Trituradoras consideraremos que da frequência média diária de 3 descargas, duas serão dadas utilizando a descarga parcial, que consome 1,8 litros e uma será total, que consome 3,0 litros.

Estimativa dos habitantes

Para estimativa da população do condomínio consideramos a taxa de ocupação indicada pelo Código de Obras de Aracaju (1966), que indica para edificações de uso residencial: 02 (dois) habitantes para os 02 (dois) primeiros dormitórios sociais e 01 (um) habitante para cada dormitório social subsequente, ou seja, teremos 05 (cinco) pessoas por apartamento.

Assim sendo teremos 30 (trinta) pessoas por pavimento, 180 (cento e oitenta) pessoas por bloco, 1980 (mil novecentos e oitenta pessoas) em todo o condomínio.

Economia mensal estimada e período de retorno

Para estimativa da economia mensal E, em reais, obtida pela substituição dos apare- lhos convencionais por aparelhos poupadores ou implantação de um dispositivo poupador, utilizaremos a equação apresentada abaixo:

E = N x T

(6)

A Construção Civil: em uma perspectivas econômica, ambiental e social

336

Onde:

–N é a quantidade de metros cúbicos economizados por mês;

–T é o valor, em reais, da tarifa (que varia de acordo com a categoria e com o con- sumo de água mensal).

Para relacionar os gastos envolvidos e o retorno financeiro usamos a seguinte equação apresentada em Alencar et al. (2012):

t = I/E

Onde t é o tempo, em meses, de amortização em relação ao custo dos materiais do siste- ma somado a mão de obra; I é este custo em reais; e E é a economia mensal média em reais.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Resultados

A utilização das bacias convencionais com caixa de descarga de 6 litros, resultou em um consumo médio diário de 35.640 litros, resultando em um consumo mensal médio de 1.069.200 litros. O uso de bacias sanitárias trituradoras com descarga dual (1,8 e 3 li- tros) resultou em um consumo médio diário de 13.068 litros, ou seja, um consumo mensal de 392.040 litros.

Considerando a tarifa de água cobrada pela Companhia de Saneamento de Sergipe - DESO para edificações residências, com consumo acima de 100 m³/mês, que é de R$ 21,31 (vinte e um reais e trinta e um centavos) por m³ de água, teremos então uma economia mensal de R$ 14.302,28.

Toledo (2015) ressalta que o sistema custa aproximadamente R$ 2,8 mil. Como te- mos em todo o condomínio 792 bacias sanitárias, o custo de aquisição dos vasos será de R$ 2.217.600,00. Considerando a simplicidade de instalação dos mesmos, adotaremos para implantação de cada aparelho, a indicação da TCPO (2010) de 3 horas de um encana- dor e 3 horas de ajudante. Assim sendo, teremos de cada profissional 2376 horas. Tomando como base os preços de R$ 14,56 hora/encanador e R$ 11,84 hora/ajudante de acordo com o SINAPE – Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil para Sergipe em Abril /2015, teremos um custo com mão-de-obra de R$ 62.726,40. Finalmente chegaremos a um custo total de R$ 2.280.326,40.

(7)

A Construção Civil: em uma perspectivas econômica, ambiental e social

337

A Construção Civil: em uma perspectivas econômica, ambiental e social

336

Discussão

O uso de bacias sanitárias trituradoras gera uma redução do consumo, conforme a simulação que resultou em uma redução mensal no consumo com bacias de 677.160 litros, ou seja, 63,33%. A economia na conta de água, dependerá da faixa de consumo da edifi- cação onde serão implantadas as bacias sanitárias trituras, tendo em vista que, é cobrada uma tarifa (R$/m³) para cada faixa de valores de consumo.

O custo total calculado foi relativamente alto, e considerando o custo por unidade autô- noma (apartamento) chegamos a um valor de aproximadamente, R$ 5.759,26 onde a maior parte (R$ 5.600,00) refere-se aos dois vasos sanitários, que é um valor considerável, mas a avaliação financeira mostrou que é investimento viável pelo período de retorno apresentado.

O período de retorno, em uma análise de forma individual (por apartamento), pode sofrer variações, devido a faixa de consumo da unidade e a tarifa praticada pela concessionária local, mas mesmo assim, ainda mostra-se viável, pois o período de retorno fica abaixo de 20 anos, que é segundo Dias, Júnior e Gadelha (2007) a vida útil ou alcance de projeto das instalações prediais.

CONCLUSÃO

As bacias sanitárias trituradoras consomem menos água por descarga em relação as bacias com caixa acoplada, pela existência da bomba trituradora no interior da mesma, evitando inclusive, em alguns casos a necessidade de mais de uma descarga por uso.

Mesmo sendo o investimento inicial relativamente alto, o uso desses aparelhos justificasse pelo reduzido consumo de água, bem como redução dos riscos de entupimento na rede.

Uma avaliação financeira mais detalhada deveria levar em consideração o custo com ener- gia elétrica, visto que esse aparelho depende da mesma para funcionar, então, esperasse com isso uma redução nos ganhos financeiros, mesmo assim mantem-se um significativo ganho ambiental.

AGRADECIMENTOS

À Pró Reitoria de Pesquisa e Extensão do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Sergipe (PROPEX/IFS), pelo apoio concedido aos autores desse artigo.

(8)

A Construção Civil: em uma perspectivas econômica, ambiental e social

338

REFERÊNCIAS

1. ALENCAR, A, C, M, G, de et al. SISTEMA PARA APROVEITAMENTO DE ÁGUA PLUVIAL EM DESCARGAS DE VASOS SANITÁRIOS. Revista Ciências do Ambiente On-line, Campi- nas - SP, v. 8, n. 2, p.99-106, out. 2012.

2. ARACAJU. Código de Obras do Município de Aracaju. Lei n. 13 de 03/06/1966. Prefeitura Municipal de Aracaju. Aracaju. 1966

3. Arquitetura & Construção. São Paulo: Editora Abril, Ano 31 N° 4, Abril de 2015.

4. CAVALHO JÚNIOR, Roberto de. Instalações hidráulicas e o projeto de arquitetura. 5ª Ed revista e ampliada. São Paulo, Blucher, 2012. 315p.

5. COMPANHIA DE SANEAMENTO DE SERGIPE. Quadro tarifário. 2015. Disponível em: <http://

www.deso-se.com.br/v2//index.php//clientes/quadro-tarifario>. Acesso em: 09 de Maio de 2015.

6. DIAS, I. C. S.; ATHAYDE JÚNIOR, G. B.; GADELHA, C. L. M. Análises da Viabilidade Eco- nômica de Sistemas de Aproveitamento de Águas Pluviais para Fins Não-Potáveis em Residências na Cidade de João Pessoa – PB. Revista Econômica do Nordeste, Fortaleza, v. 38, n. 4, p.542-562, 2007.

7. GONÇALVES, R.F. e BAZZARELLA, B.B. (2005) - Reuso de águas cinza e gerenciamento alternativo das águas amarelas (urina) em áreas urbanas, Anais eletrônicos do Workshop sobre Reuso. Campina Grande, PB.

8. MARINHO, Elizabeth Cândida de Araújo. Uso racional de água em edificações públi- cas. 2007. 72 f. Monografia (Especialização) - Curso de Especialização em Construção Civil, Departamento de Engenharia de Materiais e Construção, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2007.

9. OLIVEIRA, Lúcia Helena de. Bacias sanitárias com sistema dual de descarga: quanto é possível reduzir o consumo de água? Revista Hydro, São Paulo; Aranda Editora, Ano 01 N°

05, p.66-68, março 2007.

10. SANITRIT. Vasos e aparelhos trituradores. Disponível em: <www.sanitrit.com.br>. Acesso em: 08 jun. 2015

11. TCPO 13. Tabelas de composições de Preços para Orçamentos. São Paulo: Pini, 2010.

12. TOLEDO, Camila. Dia de feira. Arquitetura & Construção, São Paulo Ano 31 N° 4, p.112- 115, abril 2015.

Imagem

Referências

  1. 10.37885/210303850
temas relacionados :