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Maria na Bíblia Introdução
Com as devidas autorizações do nosso Pai criador e com o consentimento de Jesus Cristo, auxiliados e orientados pela luz maravilhosa do Espírito Santo, vamos estudar e descobrir a presença de Maria nas Sagradas Escrituras.
É nossa intenção refletir sobre a importância e o espaço que ocupa a Mãe de Jesus e nossa Mãe no plano divino da salvação. Vamos aprender muita coisa sobre Maria.
Creio firmemente que o seu carinho e o amor por Maria vão aumentar. Que ela te oriente. Que ela se revele para você. Que sejamos fiéis em transmitir um pouco da sua vida, sua mensagem e sua importância sempre atual para os dias de hoje e de todos os tempos.
Começaremos delineando a seqüência cronológica (linha do tempo) do nosso estudo a partir de algumas passagens do Antigo Testamento e principalmente da riqueza dos textos do Novo Testamento.
Tudo porque esta seqüência nos permite ver de que modo, os autores inspirados tomaram consciência do papel de Maria no decorrer de toda a história da salvação, antes em suas prefigurações (modelos) vetero- testamentárias (Antigo Testamento) e depois em sua missão materna em relação a Cristo e à Igreja.
Como material bibliográfico, recomendo, para este estudo bíblico de Maria, os seguintes livros:
Bíblia Sagrada (Jerusalém, Ave Maria, CNBB).
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Dicionário de Mariologia. Dirigido por Stefano de Fiores e Salvatore Meo.
Edição Paulus, 1995.
Quem é esta mulher? Maria na Bíblia. Irmão Afonso Murad, São Paulo, Editora Paulinas, 1996.
Com Maria rumo ao Novo Milênio. Editado pela CNBB, Paulus, 1997.
Breve Tratado de Teologia Mariana. René Laurentin, Vozes, 1965.
Traços Marianos no Antigo Testamento
Um esclarecimento importante: Maria pertence ao Novo Testamento. Ela nasceu no tempo do Novo Testamento. Todos os relatos específicos e diretos que falam dela estão no Novo Testamento. E tudo isso estudaremos com muito carinho mais adiante. Porém, podemos formular-nos perguntas:
O Antigo Testamento referiu-se alguma vez a Mãe do Messias esperado?
Existem textos bíblicos que mesmo em sentido figurado, mencionam algo sobre a Mãe do Filho de Deus?
Podemos associar alguns textos do Antigo Testamento e aplicarmos a Maria?
É isso que vamos tentar descobrir agora.
Muitos estudiosos afirmam que o tema mariano está “escondido” sob três modos no Antigo Testamento: preparação moral, preparação tipológica e preparação profética.
Preparação moral: como a humanidade estava corrompida pelo pecado, Deus escolhe uma linhagem de fé e santidade para que o seu filho possa nascer da raça humana.
Preparação tipológica (linguagem simbólica): constatamos que no Antigo Testamento, muitas mulheres foram favorecidas com nascimentos milagrosos (Sara,
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Judite, entre outras). Todas estas mulheres fazem parte dos ancestrais do Messias esperado. Maria aparece com símbolo da “Filha de Sião” (Sof 3, 14- 17), o lugar da residência de Javé. Maria também é simbolizada com a nova Arca da Aliança (dentro da Arca era depositada a Lei), que vai trazer dentro de si a Lei definitiva (revelação) de Deus, seu próprio Filho, Jesus. Eis o texto:
14 Rejubila- te, filha de Sião, solta gritos de alegria, Israel! Alegra-te e exulta de todo o coração, filha de Jerusalém! 15 O Senhor revogou tua sentença, eliminou teu inimigo. O Senhor, o rei de Israel, está no meio de ti, não verás mais a desgraça.
16 Naquele dia será dito a Jerusalém: Não temas, Sião! Não desfaleçam as tuas mãos! 17 O Senhor teu Deus está no meio de ti, como um herói que salva! Ele exulta de alegria por tua causa, ele te renova por seu amor, ele se regozija por causa de ti com gritos de alegria, 18 como nos dias de festa. (Sof 3, 14-18).
Preparação profética: Além do texto acima, temos mais alguns que podem ser aplicados a Maria: Ct 4,7: Tu és toda formosa, amada minha, e em ti não há mancha.
O texto pode fazer alusão à concepção imaculada de Maria; Jer 31,22: Até quando andarás errante, ó filha rebelde? Pois o Senhor criou uma coisa nova na terra: uma mulher protege a um varão; Gn 3,15: Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a sua descendência; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.
Uma consideração sobre este texto:
O texto é muito significativo e apresenta, numa primeira leitura, a luta até o fim dos tempos entre a humanidade e o demônio. O termo “Ela te ferirá a cabeça”
pode aludir tanto a Maria, a nova Eva, como a Igreja.
Is 7,14: Portanto o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel.
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Maria no Novo Testamento: Introdução e Gálatas
Faremos um estudo mais detalhado, em ordem cronológica, dos livros bíblicos do Novo Testamento que falam explicitamente de Maria. São eles:
• Gálatas (as informações mais antigas sobre Maria. Livro escrito por volta do ano 50 d.C.)
• Marcos (escrito por volta do ano 60 d.C)
• Mateus (escrito por volta do ano 70 d.C)
• Lucas (escrito por volta do ano 70 d.C.)
• Atos (também escrito por volta do ano 70 d.C), João (escrito por volta dos anos 90-100 d.C), e Apocalipse (também escrito por volta dos anos 90-100 d.C)
Um estudo especial: a pessoa de Maria
Antes de estudarmos os livros bíblicos acima citados, vamos juntos refletirmos um pouco sobre a pessoa de Maria. Para isso algumas perguntas que são bem oportunas:
• Que sabemos da pessoa de Maria?
• Quem são seus pais?
• Onde nasceu?
• Como foi o seu nascimento?
• Como foi sua infância?
• Como foi o seu "namoro" e o seu "noivado" com José?
• Qual idade ela tinha quando o anjo Gabriel lhe apareceu?
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São muitas perguntas, pois se vamos conhecer um pouquinho mais sobre Maria a partir dos escritos bíblicos, temos a curiosidade de saber mais a fundo a própria pessoa de Maria.
Mas uma coisa deve ficar bem clara a partir de agora: vamos conhecer um pouquinho mais sobre Maria. Usaremos algumas bibliografias que estão “fora” dos evangelhos. Você já ouviu falar em “Escritos Apócrifos?” Não? Então não se preocupe porque vamos esclarecer o que significa e qual a origem destes “escritos apócrifos”.
1) Livros Oficiais da Santa Bíblia (Também chamados livros “Canônicos”) Sabemos que a nossa Bíblia (Palavra de Deus) católica possui 73 livros: 46 livros no Antigo Testamento (ou Antiga Aliança) e 27 livros no Novo Testamento (ou Nova Aliança)
Sabemos, também, que todos estes 73 livros são inspirados por Deus, ou seja, foi o próprio Deus quem inspirou alguns escritores sagrados (em várias épocas e lugares) a escreverem o que Ele queria dizer para a humanidade de todos os tempos e lugares. Por isso dizemos que a Bíblia é a palavra de Deus.
Evangelho de Marcos: a família de Jesus
Marcos escreve o seu evangelho por volta do ano 60 d.C. Acredita-se que o escritor, ao preparar o seu livro, teve em mente os cristãos gentios. O evangelista tem com preocupação primeira mostrar que Jesus é o Filho de Deus. Esse é a sua grande tese verificada a partir do primeiro versículo:
“Princípio do evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus”. Um Filho de Deus que é confirmado pelos discípulos, através da pessoa de Pedro (Mc 8, 29) e testemunhado pelo centurião na morte de Jesus (Mc 15,39); um Filho de Deus que
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se deixa reconhecer na medida em que se caminha ao seu lado assumindo o seu projeto de vida.
O Evangelho de Marcos está tecido em duas grandes partes:
• Primeira parte: (Mc 1,1 - 8, 26). Neste primeiro bloco Jesus aparece na Galiléia inaugurando o Reino de Deus que vem com toda força. A prática de Jesus é contestada pelos escribas e fariseus. Diante da sua proposta vão se formando dois grupos: os que seguem Jesus (discípulos e multidão) e os que não aceitam a proposta de Jesus.
• A segunda parte: (restante do evangelho) apresenta as condições e os elementos necessários para seguir Jesus. Seguimento que não significa “ir atrás”, mas entrar no caminho de sua vida, identificar-se com ele, deixar tocar pela sua pessoa, fazer parte de sua missão de inaugurar o Reino e vencer as forças do anti- reino.
Maria aparece duas vezes durante todo o seu relato. As citações são poucas, mas muito significativas onde ela é apresentada como a discípula fiel que faz parte essencial da família de Jesus porque cumpre a vontade do Pai e a mulher que acolhe a todos como filhos e irmãos de Jesus.
I - Textos marianos: 1) Mc 3, 20-21. 31-35 (A família de Jesus)
20 Depois entrou numa casa. E afluiu outra vez a multidão, de tal modo que nem podiam comer. 21 Quando os seus ouviram isso, saíram para o prender; porque diziam: Ele está fora de si. 31 Chegaram então sua mãe e seus irmãos e, ficando da parte de fora, mandaram chamá-lo. 32 E a multidão estava sentada ao redor dele, e disseram-lhe: Eis que tua mãe e teus irmãos estão lá fora e te procuram. 33 Respondeu-lhes Jesus, dizendo: Quem é minha mãe e meus irmãos! 34 E olhando
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em redor para os que estavam sentados à roda de si, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos! 35 Pois aquele que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe.
Contexto:
• No tempo de Jesus, a estrutura familiar exercia importante influência na definição dos papéis e no lugar social ocupado pelo individuo. No judaísmo, as famílias eram classificadas conforme seu grau de pureza de origem, ou seja, se eram imaculadas de cruzamento com sangues de estrangeiros ou atingidas por mancha de mistura étnica.
• A cena bíblica é a seguinte: Jesus e os Doze, recém eleitos, vão a uma casa em Cafarnaum. Havia uma multidão acirrada, a tal ponto que eles nem podiam e não tinham tempo nem para alimentar-se. E quando os “seus” ficaram sabendo disso, saíram para proteger Jesus, porque diziam que Ele tinha “perdido o juízo”. E neste grupo que vai até Jesus, está a figura de Maria, sua mãe. Os parentes de Jesus consideram que Ele estava exagerando no modo como se dedicava à sua missão, porque Jesus desleixa até as suas necessidades mais elementares, como a de comer (v.20). “Os seus” (mãe e irmãos), tomaram conhecimento disso: não sabemos se é entusiasmo pela pregação de Jesus, a ponto de impedir que ele e os Apóstolos se alimentem, ou se era a conspiração para matar Jesus mencionada em 3,6. (“E os fariseus, saindo dali, entraram logo em conselho com os herodianos contra ele, para o matarem”). “Saíram”, Marcos usa com sentido amplo de vir. A mentalidade semítica ir e vir inclui o sair para ir a outro lugar. Marcos mostra aqui o caminho progressivo de Maria na fé. O evangelista revela o traço tão humano de Maria de Nazaré que se preocupa pelo Filho, o que denota uma preocupação normal.
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Evangelho de Marcos: O profeta na sua pátria
Mc 6, 1-6: Jesus de Nazaré (O Profeta na sua pátria)
1 Saiu Jesus dali, e foi para a sua terra, e os seus discípulos o seguiam. 2 Ora, chegando o sábado, começou a ensinar na sinagoga; e muitos, ao ouví-lo, se maravilhavam, dizendo: Donde lhe vêm estas coisas? e que sabedoria é esta que lhe é dada? e como se fazem tais milagres por suas mãos? 3 Não é este o carpinteiro, filho de Maria, irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? e não estão aqui entre nós suas irmãs? E escandalizavam-se dele. 4 Então Jesus lhes dizia: Um profeta não fica sem honra senão na sua terra, entre os seus parentes, e na sua própria casa. 5 E não podia fazer ali nenhum milagre, a não ser curar alguns poucos enfermos, impondo-lhes as mãos. 6 E admirou-se da incredulidade deles. Em seguida percorria as aldeias circunvizinhas, ensinando.
Contexto:
O texto de Marcos refere-se a um acontecimento concreto: a rejeição dos Moradores de Nazaré ao anúncio de Jesus e à sua pessoa. Eles não se colocam como inimigos de Jesus, mas se escandalizam dele por sua incredulidade. A fé é um grande requisito para o seguimento de Jesus.
a) Mc 6, 3-4: (O “Filho de Maria”)
3 Não é este o carpinteiro, filho de Maria, irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? E não estão aqui entre nós suas irmãs? E escandalizavam-se dele. 4 Então Jesus lhes dizia: Um profeta não fica sem honra senão na sua terra, entre os seus parentes e na sua própria casa.
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No costume judeu, o nome da pessoa era conferido ou vinha relacionado por referência ao Pai. Temos alguns exemplos:
• Simão, filho de Jonas (Mt 16,13)
• Tiago, filho de Zebedeu (Mt 4,21)
• Levi, filho de Alfeu (Mc 2,13)
Sendo assim, surge a grande pergunta: Por que Jesus não é chamado “filho de José?” Para esta pergunta há quatro tipos de respostas:
• Marcos queria enfatizar os traços humanos de Jesus. É uma referência à concepção virginal de Jesus (obra do Espírito Santo);
• Foi um intento de difamação contra Jesus (desvalorizar a sua pessoa pela profissão humilde de José);
• José não é citado porque já havia morrido.
b) “Os irmãos e as irmãs de Jesus” (Versículo 3):
Versículo de caráter polêmico principalmente entre os “evangélicos” onde se afirma a existência de outros filhos de Maria. A verdade é que para os conceitos orientais tradicionais, não se define a família como pequeno núcleo “pai-mãe- filhos”, como conhecemos hoje, mas num amplo leque no qual se incluem tanto os parentes próximos como os distantes. No aramaico falado, usado por Jesus e seu povo, não havia uma diferenciação nos conceitos de parentesco (primo, tio, tia, irmão, sobrinho, etc). A palavra que exprimia e englobava todo este parentesco era
“irmãos”, que os gregos traduziram por “adelfos”. Assim, quando lemos que “tua mãe e teus irmãos estão lá fora...”, significa que Maria e os parentes de Jesus queriam protegê-lo um pouco da multidão.
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Não podemos confundir: “irmãos de Jesus” significa “parentes próximos”
dele. Tiago e José, chamados de “irmãos de Jesus” são considerados, dentro desta lógica explicativa, de “parentes próximos” de Jesus e não “irmãos carnais” dele.
Se assim não fosse, qual seria a necessidade de Jesus, no alto da cruz, entregar a João, o discípulo a quem amava, os cuidados de Maria quando disse:
“Filho, eis aí a tua mãe” (Jo 19,27)? Não seria mais comum, Tiago e José, se fossem realmente filhos carnais de Maria, tomarem conta de sua “mãe” após a morte do
“irmão” Jesus?
Evangelho de Mateus: genealogia de Jesus
Mateus (também chamado de Levi), um dos doze apóstolos, foi sem dúvida um judeu que também era publicano romano.
Mateus escreveu o seu evangelho por volta do ano 70 d.C. Tinha como destinatários principalmente os judeus. Este ponto de vista está confirmado pelas referencias às profecias hebraicas, cerca de sessenta e pelas aproximadamente quarenta citações do Antigo Testamento. Ressalta especialmente a missão de Cristo aos judeus.
A intenção de Mateus é a de mostrar que Jesus foi o Messias prometido no Antigo Testamento através do cumprimento das promessas feitas a Abraão e a Davi, passando por todos os profetas.
Maria é apresentada como a mãe virginal de Jesus que o concebe pela ação do Espírito Santo sem intervenção humana, mostrando a gratuidade da iniciativa divina.
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O Evangelho de Mateus amplia bastante a imagem de Maria. Ela aparece na narrativa da origem e da infância de Jesus (Mt 1-2) e em alguns textos referentes à vida pública de Jesus (Mt 12, 46-50 e Mt 13, 53-58).
I – Genealogia de Jesus (Mt 1, 1-25)
1 Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão. 2 A Abraão nasceu Isaque; a Isaque nasceu Jacó; a Jacó nasceram Judá e seus irmãos; 3 a Judá nasceram, de Tamar, Farés e Zará; a Farés nasceu Esrom; a Esrom nasceu Arão; 4 a Arão nasceu Aminadabe; a Aminadabe nasceu Nasom; a Nasom nasceu Salmom; 5 a Salmom nasceu, de Raabe, Booz; a Booz nasceu, de Rute, Obede; a Obede nasceu Jessé; 6 e a Jessé nasceu o rei Davi. A Davi nasceu Salomão da que fora mulher de Urias; 7 a Salomão nasceu Roboão; a Roboão nasceu Abias; a Abias nasceu Asafe; 8 a Asafe nasceu Josafá; a Josafá nasceu Jorão; a Jorão nasceu Ozias; 9 a Ozias nasceu Joatão; a Joatão nasceu Acaz; a Acaz nasceu Ezequias; 10 a Ezequias nasceu Manassés; a Manassés nasceu Amom; a Amom nasceu Josias; 11 a Josias nasceram Jeconias e seus irmãos, no tempo da deportação para Babilônia. 12 Depois da deportação para Babilônia nasceu a Jeconias, Salatiel; a Salatiel nasceu Zorobabel; 13 a Zorobabel nasceu Abiúde; a Abiúde nasceu Eliaquim; a Eliaquim nasceu Azor; 14 a Azor nasceu Sadoque; a Sadoque nasceu Aquim; a Aquim nasceu Eliúde; 15 a Eliúde nasceu Eleazar; a Eleazar nasceu Matã; a Matã nasceu Jacó; 16 e a Jacó nasceu José, marido de Maria, da qual nasceu JESUS, que se chama Cristo. 17 De sorte que todas as gerações, desde Abraão até Davi, são catorze gerações; e desde Davi até a deportação para Babilônia, catorze gerações; e desde a deportação para Babilônia até o Cristo, catorze gerações. 18 Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de se ajuntarem, ela se achou ter concebido do Espírito Santo. 19 E como José, seu esposo, era justo, e
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não a queria infamar, intentou deixá-la secretamente. 20 E, projetando ele isso, eis que em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, pois o que nela se gerou é do Espírito Santo; 21 ela dará à luz um filho, a quem chamarás JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados. 22 Ora, tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que fora dito da parte do Senhor pelo profeta: 23 Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, o qual será chamado Emanuel, que traduzido é: Deus conosco. 24 E José, tendo despertado do sono, fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu sua mulher; 25 e não a conheceu enquanto ela não deu à luz um filho; e pôs-lhe o nome de Jesus.
Primeiramente o objetivo desta genealogia é o de mostrar que Jesus descende de Abraão e Davi e que, portanto, Ele herda as promessas feitas a esses dois patriarcas de Israel. De Abraão, a promessa da numerosa descendência (Gn 12);
de Davi, a promessa da eterna realeza (2 Sam 7).
A genealogia de uma pessoa e de uma família tinha enorme importância jurídica e trazia conseqüências para a vida social e religiosa. A pureza de uma linha genealógica dava participação ao descendente nos méritos de seus antepassados.
Mateus remonta a origem de Cristo a partir de Abraão passando por todas as gerações até chegar a José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus. Esse elenco de nomes que vai de Abraão a Cristo é subdividido em três grupos e cada grupo abrange 14 gerações:
Primeiro grupo: de Abraão a Davi
Segundo grupo: de Davi a Jeconias( exílio na Babilônia) Terceiro grupo: de Jeconias a Cristo
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Maria no Novo Testamento: Evangelho de Mateus
Adoração dos magos e fuga para o Egito
Mt 2, 10-23: (Adoração dos magos e fuga para o Egito)
10 Ao verem eles a estrela, regozijaram-se com grande alegria.11 E entrando na casa, viram o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro incenso e mirra.12 Ora, sendo por divina revelação avisados em sonhos para não voltarem a Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho. 13 E, havendo eles se retirado, eis que um anjo do Senhor apareceu a José em sonho, dizendo: Levanta-te, toma o menino e s sua mãe, foge para o Egito, e ali fica até que eu te fale; porque Herodes há de procurar o menino para o matar. 14 Levantou-se, pois, tomou de noite o menino e sua mãe, e partiu para o Egito. 15 e lá ficou até a morte de Herodes, para que se cumprisse o que fora dito da parte do Senhor pelo profeta: Do Egito chamei o meu Filho. 16 Então Herodes, vendo que fora iludido pelos magos, irou-se grandemente e mandou matar todos os meninos de dois anos para baixo que havia em Belém, e em todos os seus arredores, segundo o tempo que com precisão inquirira dos magos. 17 Cumpriu-se então o que fora dito pelo profeta Jeremias: 18 Em Ramá se ouviu uma voz, lamentação e grande pranto: Raquel chorando os seus filhos, e não querendo ser consolada, porque eles já não existem. 19 Mas tendo morrido Herodes, eis que um anjo do Senhor apareceu em sonho a José no Egito, 20 dizendo: Levanta-te, toma o menino e sua mãe e vai para a terra de Israel; porque já morreram os que procuravam a morte do menino. 21 Então ele se levantou, tomou o menino e sua mãe e foi para a terra de Israel. 22 Ouvindo, porém, que Arquelau reinava na Judéia em lugar de seu pai Herodes, temeu ir para lá; mas avisado em sonho por divina
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revelação, retirou-se para as regiões da Galiléia, 23 e foi habitar numa cidade chamada Nazaré; para que se cumprisse o que fora dito pelos profetas: Ele será chamado nazareno.
Nas cenas (adoração dos Magos e Fuga para o Egito) se repete várias vezes “o menino e sua mãe” (versículos 13, 14, 20). Isso reforça a real maternidade de Maria não aludindo à “paternidade real” de José.
Leia atentamente o texto, medite sobre ele, aprofunde-se nos textos bíblicos citados.
Novo Testamento: Maria na vida pública de Jesus
Apesar de usar a mesma fonte de Marcos quando fala de Maria e dos “irmãos de Jesus” e a cena da casa e da rejeição em Nazaré, Mateus interpreta num outro sentido.
1) Mt 12, 46-50: a família de Jesus e os seguidores.
46 Enquanto ele ainda falava às multidões, estavam do lado de fora sua mãe e seus irmãos, procurando falar-lhe. 47 Disse-lhe alguém: Eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos, e procuram falar contigo. 48 Ele, porém, respondeu ao que lhe falava: Quem é minha mãe? e quem são meus irmãos? 49 E, estendendo a mão para os seus discípulos disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos. 50 Pois qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, irmã e mãe.
Aqui aparece claro a idéia e a importância de seguir a Jesus e fazer a sua vontade. Não há, portanto, referencia negativa à família biológica de Jesus.
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2) Mt 13, 53-58: O profeta rejeitado em sua pátria.
53 E Jesus tendo concluído estas parábolas, se retirou dali. 54 E, chegando à sua terra, ensinava o povo na sinagoga, de modo que este se maravilhava e dizia:
Donde lhe vem esta sabedoria, e estes poderes milagrosos? 55 Não é este o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão, e Judas? 56 E não estão entre nós todas as suas irmãs? Donde lhe vem, pois, tudo isto? 57 E escandalizavam-se dele. Jesus, porém, lhes disse: Um profeta não fica sem a honra senão na sua terra e na sua própria casa. 58 E não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles.
Mateus substitui aqui o “filho de Maria” que aparece em Marcos por “filho do carpinteiro” e suprime a palavra “parentes”.
Há dois motivos fundamentais nestas mudanças operadas por Mateus:
• Tiago, que aparece como sendo “o irmão do Senhor” que na verdade é primo de Jesus, é um membro ativo na comunidade atual onde Mateus vive (composta de natureza judeu-cristã)
• Mateus parece ter uma idéia bem clara sobre a concepção virginal de Maria. Com isso tudo, fica claro que Maria é vista como mãe virginal do Messias, por ação do Espírito Santo.
Maria no Novo Testamento: evangelho de Lucas e atos dos apóstolos
O livro de Lucas foi escrito por volta dos anos 79-80 d.C. Teve como destinatário primeiro um certo “Teófilo” (Lc 1, 1 e At 1, 1- 2), cuja identidade é desconhecida. A evidência mostra que o livro foi escrito especialmente para os
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gentios. Lucas se esforça para mostrar os costumes judaicos e algumas vezes substitui nomes gregos por hebraicos. Como bom médico que foi, Lucas retrata a figura de Cristo mostrando todo o seu lado humano e misericordioso que socorre, cura, liberta e salva a todos sem distinção.
Como também é autor do livro dos Atos dos Apóstolos, Lucas compreende a História da Salvação em três tempos ou etapas e organiza toda a sua obra a partir desta perspectiva:
1ª etapa: período preparatório à vinda de Jesus Salvador (O antigo Israel espera com alegria a manifestação do Messias e prepara a sua vinda)
2ª etapa: A vida de Jesus: sua encarnação, sua presença, sua manifestação, paixão, morte, ressurreição e glorificação.
3ª etapa: tempo da Igreja que se faz por obra do Espírito Santo. A Igreja é a grande portadora da salvação a todos os povos. Estes três períodos ou etapas se articulam a partir de Jerusalém. Segundo os estudiosos do tema, Lucas é o evangelista que mais citou sobre Maria. Num total de 152 versículos do Novo Testamento sobre Maria, 90 são de Lucas (1 versículo aparece no livro dos Atos e 89 no terceiro evangelho).
Lucas nos apresenta muitas qualidades de Maria. Ela é o exemplo vivo do discípulo e seguidor de Jesus, que acolhe a Palavra de Deus com fé, guarda e medita em seu coração e põe em prática, produzindo muitos e bons frutos.
Maria é apresentada como a grande peregrina na fé. O “sim” dado a Deus na sua juventude é renovado constantemente no decorrer de toda a sua vida. Maria não nasce como uma santa pronta e acabada. Ela passa por crises e situações difíceis e desafiadoras contribuindo para o seu crescimento na fé.
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Por outro lado, Maria nos lembra que Deus escolhe preferencialmente os pobres e os pequenos para iniciar seu Reino. Maria é uma pessoa de coração pobre todo aberto para Deus, tem um coração solidário e serviçal sempre disponível a ajudar os mais necessitados.
Anunciação (Lc 1, 26-38)
Lucas usa um esquema literário de Aliança. Aliança é o desejo de Deus de estar com o ser humano. Por isso, Jesus será chamado de “Emanuel = Deus conosco”, aquele que vai nos dar uma lei e um Templo. Aqui a Nova Aliança, é um modo novo de estar conosco. Deus por meio do anjo, fala a Maria que responde sim. Esse “sim” de Maria encontra-se na primeira Aliança no monte Sinai. Como Abraão (Ex 19,38) coração do Antigo Testamento, Deus através de seu porta voz fala ao povo. No Sinai o porta voz de Deus é Abraão que fala ao povo. Em Nazaré é o anjo que fala a Maria. No monte Sinai, está lá um povo. Em Nazaré, Maria uma representante do povo.
O mediador deve recordar as coisas que Deus fez por seu povo. Maria é o novo Sinai.
No Sinai todo o povo respondeu junto. Faremos tudo o que o Senhor disse. O Fiat de Israel é o primeiro “sim” de Israel. Moisés voltou ao Senhor e relatou a resposta do povo. Sem o “sim” não acontece a aliança, momento importante da história do povo. Josué que renova a promessa através do chefe que fala ao povo o conteúdo da aliança ou parte da aliança. Como? Existe o diálogo entre o mediador, pois o povo deve compreender para poder dizer sim com responsabilidade. Após o esclarecimento vem a resposta.
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Na anunciação o anjo (porta voz) vem anuncia a Maria e retorna a Deus. O anjo propõe o plano de Deus a Maria que pergunta, esclarece, o anjo explica a Maria que em seguida responde sim. “Eis aqui a Serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra”. Fórmula que exprime o desejo. Aqui quem é interpelada não é um povo, mas uma pessoa daquele povo, ela dá o “sim” em nome do povo. (Dt 5, 27)
“fala tu ao Senhor e aquilo que dizes nós o faremos”. Maria é o novo monte Sinai, através dos Israelitas a Torah será doado a todos. Maria em Nazaré encarna a universalidade.
O monte Sinai foi envolvido pela nuvem, Maria pela nuvem do Espírito Santo.
Maria se comporta como o seu povo. O anjo ilumina e depois Maria exprime o seu sim. “Eis aqui a serva do Senhor, se faça segundo a tua palavra”.
26 Ora, no sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, 27 a uma virgem desposada com um varão cujo nome era José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria. 28 E, entrando o anjo onde ela estava disse: Salve, agraciada; o Senhor é contigo. 29 Ela, porém, ao ouvir estas palavras, turbou-se muito e pôs-se a pensar que saudação seria essa. 30 Disse-lhe então o anjo: Não temas, Maria; pois achaste graça diante de Deus. 31 Eis que conceberás e darás à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. 32 Este será grande e será chamado filho do Altíssimo; o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi seu pai; 33 e reinará eternamente sobre a casa de Jacó, e o seu reino não terá fim.
34 Então Maria perguntou ao anjo: Como se fará isso, uma vez que não conheço varão? 35 Respondeu-lhe o anjo: Virá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso o que há de nascer será chamado santo, Filho de Deus. 36 Eis que também Isabel, tua parenta concebeu um filho em sua velhice; e é este o sexto mês para aquela que era chamada estéril; 37 porque
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para Deus nada será impossível. 38 Disse então Maria. Eis aqui a serva do Senhor;
cumpra-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela.
É comum a idéia entre vários estudiosos que a mensagem central deste relato é a iniciativa de Deus que vai ao encontro de Maria, pedindo o seu consentimento para que o seu Filho se encarne no meio da humanidade.
O relato tem característica de anúncio, vocação e de missão que segue os esquemas de formulários típicos dos ritos de aliança entre Deus e o seu povo com as seguintes características:
. A figura de um Mediador: onde Deus propõe e não impõe um projeto de vida, (por exemplo - vocação de Abraão, Moisés, Sansão, Gedeão, entre outros), onde se proclama que acontecerá algo extraordinário que vai transformar a vida das pessoas.
Evangelho de Lucas: a visitação
39 Naqueles dias levantou-se Maria, foi apressadamente à região montanhosa, a uma cidade de Judá, 40 entrou em casa de Zacarias e saudou a Isabel. 41 Ao ouvir Isabel a saudação de Maria, saltou a criancinha no seu ventre, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo,42 e exclamou em alta voz: Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre! 43 E donde me provém isto, que venha visitar-me a mãe do meu Senhor? 44 Pois logo que me soou aos ouvidos a voz da tua saudação, a criancinha saltou de alegria dentro de mim.45 Bem-aventurada aquela que creu que se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor lhe foram ditas.
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O lugar ou cenário: a região de Judá. Davi se levantou, Maria se levantou, verbo que indica ressurreição. Maria se levantou e foi com solicitude à casa de Zacarias, casa de Israel. Maria se torna evangelizadora. O que faz Maria deve ser feito por nós seus filhos. Nos dois lugares aparecem manifestações de alegria. A dança em Obde-edom, com alegria o menino exultou no seio materno. Gregório Nazianzeno, Giacomo de Sarug e Pedro de Blois, comparam a relação de Davi que dança perante a Arca do Senhor e João Batista que dança perante a Maria a nova Arca da Aliança. Davi exclamou “Como virá a mim a arca de Javé para ficar em minha casa?” (2 Sam 9). Isabel levantou a voz, pois sabe que está perante aquela que carrega a Santa presença da Nova Arca. Levantar voz exprime ação litúrgica.
Temor de Davi: quem pode tocar a arca, somente o levítico. Como pode vir a mim a arca do Senhor.
Isabel: “Como pode vir a mim a Mãe do meu Senhor”. Senhor da Aliança, que vem de modo íntimo no seio de Maria.
Tempo: a arca permanece três meses na casa de Obed-edom. Lucas quer conduzir ao paralelismo com 2 Sam 6, 11 (E ficou a arca do Senhor três meses na casa de Obede- Edom, o gitita e o Senhor o abençoou e a toda a sua casa). Maria permaneceu aproximadamente três meses na casa de Isabel. Maria com o Filho de Deus encarnado no seu seio é a Nova Arca da Aliança. Intenção teológica (Midrash), ler um texto novo à luz de um velho, citar um texto do Antigo Testamento como eco de forma indireta.
Embora possamos pensar, num primeiro momento, que o relato da visitação revele todo o caráter da ajuda e da disponibilidade de Maria à sua prima Isabel, Lucas vai um pouquinho mais além. Sua intenção é a de mostrar a acolhida do povo de Israel (representados por Isabel e Zacarias) à novidade Messias que estava
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chegando. O encontro das duas mães simboliza e testifica o encontro das profecias de Israel (João) com o advento da grande novidade (Jesus).
A acolhida de Isabel (“bendita és tu entre as mulheres”) recorda duas passagens do Antigo Testamento (Jz 5, 24 e Jt 13, 18) lembrando as figuras de Débora e de Judite por sua coragem na participação vitoriosa do povo de Deus.
Maria é, portanto, esta mulher forte, protagonista dos grandes acontecimentos na história de Israel.
Já a frase dita por Isabel “e bendito é o fruto do teu ventre” lembra o texto de Deuteronômio (Dt 28, 2. 4. 9) que corresponde à bênção de Deus àqueles que escutam sua palavra, cumprem a aliança e realizam a sua vontade. A desobediência era sinal de maldição. A Benção de Deus se traduz em fertilidade e uma vida feliz e realizada. A razão da bênção sobre Maria está no fato de Ela ter acreditado “Bendita és tu que acreditaste”. Ela confiou inteiramente na ação de Deus e se colocou disponível ao seu projeto.
Evangelho de Lucas: magnificat (Lc 1, 46- 55)
46 Disse então Maria: A minha alma engrandece ao Senhor, 47 e o meu espírito exulta em Deus meu Salvador; 48 porque atentou na condição humilde de sua serva. Desde agora, pois, todas as gerações me chamarão bem-aventurada, 49 porque o Poderoso me fez grandes coisas; e santo é o seu nome. 50 E a sua misericórdia vai de geração em geração sobre os que o temem. 51 Com o seu braço manifestou poder; dissipou os que eram soberbos nos pensamentos de seus corações; 52 depôs dos tronos os poderosos, e elevou os humildes. 53 Aos famintos encheu de bens, e vazios despediu os ricos. 54 Auxiliou a Isabel, seu servo,
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lembrando-se de misericórdia 55 (como falou a nossos pais) para com Abraão e a sua descendência para sempre.
O Magnificat (tradução= engrandece, glorifica) de Maria é uma profissão de fé transformada em cântico cheio de gratidão. Maria é a serva do Senhor, a escolhida, a eleita para inaugurar o grande acontecimento na história da humanidade. O seu canto exprime os anseios de todo o povo de Israel. Canta a ação de Deus na história em favor do seu povo. O povo reconhece as maravilhas que Deus realiza.
A origem deste canto remonta-se aos cânticos do Antigo Testamento, principalmente ao cântico de Ana (1 Sam 2, 1- 10), onde, após a travessia do Mar Vermelho, Ana cantou a vitória dada por Deus ao povo frente à opressão do Egito.
Pode-se dividir o relato em três partes:
1) Maria lembra as maravilhas que Deus fez em seu favor;
2) Maria lembra a ação salvífica de Deus em favor dos pobres e oprimidos.
Maria lembra o cumprimento das promessas de Deus na história. Em síntese, o relato do magnificat expressa as características essências de Maria e também de Deus:
3) Maria é apresentada como “serva” e “humilde”.
Deus se mostra com sendo justo e misericordioso.
Evangelho de Lucas: o nascimento de Jesus (Lc 2, 1- 20)
1) O recenseamento (Lc 2, 1- 7):
1 Naqueles dias saiu um decreto da parte de César Augusto, para que todo o mundo fosse recenseado. 2 Este primeiro recenseamento foi feito quando Quirínio era governador da Síria. 3 E todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade. 4
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Subiu também José, da Galiléia, da cidade de Nazaré, à cidade de Davi, chamada Belém, porque era da casa e família de Davi, 5 a fim de alistar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida. 6 Enquanto estavam ali, chegou o tempo em que ela havia de dar à luz, 7 e teve a seu filho primogênito; envolveu-o em faixas e o deitou em uma manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem.
O recenseamento foi uma espécie de contagem da população que o Império Romano resolveu fazer para saber as procedências de cada habitante de Jerusalém.
Foi uma medida inventada com a intenção de arrecadar mais impostos para o Império.
O texto revela o modo pobre como Jesus nasceu longe de casa. Mostra, também, o cumprimento da profecia do profeta Miquéias sobre o lugar onde Jesus deveria nascer:
2 Mas tu, Belém Efrata, posto que pequena para estar entre os milhares de Judá, de ti é que me sairá aquele que há de reinar em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade. 3 Portanto os entregará até o tempo em que a que está de parto tiver dado à luz; então o resto de seus irmãos voltará aos filhos de Israel. 4 E ele permanecerá, e apascentará o povo na força do Senhor, na excelência do nome do Senhor seu Deus; e eles permanecerão, porque agora ele será grande até os fins da terra. 5 E este será a nossa paz.
Um detalhe muito interessante que o texto apresenta é sobre o lugar onde Maria depositou Jesus: numa manjedoura. Sabemos que numa manjedoura se colocavam os alimentos dados aos animais. Ao colocar Jesus numa manjedoura, Maria estava apresentando Jesus como o novo alimento para a humanidade faminta do verdadeiro pão que sacia de verdade. Jesus é este novo alimento. Um sinal da Eucaristia!
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2) A visita dos pastores (Lc 2, 8- 20):
8 Ora, havia naquela mesma região pastores que estavam no campo, e guardavam durante as vigílias da noite o seu rebanho. 9 E um anjo do Senhor apareceu-lhes, e a glória do Senhor os cercou de resplendor; pelo que se encheram de grande temor. 10 O anjo, porém, lhes disse: Não temais, porquanto vos trago novas de grande alegria que o será para todo o povo: 11 É que vos nasceu hoje, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor. 12 E isto vos será por sinal:
Achareis um menino envolto em faixas, e deitado em uma manjedoura. 13 Então, de repente, apareceu junto ao anjo grande multidão da milícia celestial, louvando a Deus e dizendo: 14 Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens de boa vontade. 15 E logo que os anjos se retiraram deles para o céu, diziam os pastores uns aos outros: Vamos já até Belém, e vejamos isso que aconteceu e que o Senhor nos deu a conhecer. 16 Foram, pois, a toda a pressa, e acharam Maria e José, e o menino deitado na manjedoura; 17 e, vendo-o, divulgaram a palavra que acerca do menino lhes fora dita; 18 e todos os que a ouviram se admiravam do que os pastores lhes diziam. 19 Maria, porém, guardava todas estas coisas, meditando-as em seu coração. 20 E voltaram os pastores, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes fora dito.
O nascimento de Jesus provoca alegria em todo o povo. Jesus se revela aos pastores da região. Povo simples que ganhavam a vida cuidando dos rebanhos. Os pastores eram desprezados e considerados impuros porque levavam, na maioria das vezes, a fama de saqueadores e ladrões de rebanhos alheios. Mais tarde, Jesus vai dizer que Ele é o bom pastor que dá a vida pelas ovelhas. Por outro lado, os pastores também representam os apóstolos que terão a missão de testemunhar ao mundo
“tudo o que viram e ouviram” de Jesus.
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O texto revela a existência de um sinal (versículo 12): Jesus envolto em panos colocado numa manjedoura. Apesar da simplicidade da cena, revela que toda a glória de Deus está escondida no simples.
A Atitude de Maria, era de quem guardava e meditava todas estas coisas em seu coração. Tal atitude significa que Maria tentava entender o significado de tudo o que estava acontecendo com ela ao seu redor. Maria, neste sentido é chamada de
“Peregrina na Fé”.
3) A apresentação de Jesus no Templo ( Lc 2, 22- 35):
22. Concluídos os dias da sua purificação segundo a Lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém para o apresentar ao Senhor, 23. conforme o que está escrito na lei do Senhor: Todo primogênito do sexo masculino será consagrado ao Senhor (Ex 13,2);
24. e para oferecerem o sacrifício prescrito pela lei do Senhor, um par de rolas ou dois pombinhos. 25. Ora, havia em Jerusalém um homem chamado Simeão. Este homem, justo e piedoso, esperava a consolação de Israel, e o Espírito Santo estava nele. 26. Fora-lhe revelado pelo Espírito Santo que não morreria sem primeiro ver o Cristo do Senhor. 27. Impelido pelo Espírito Santo, foi ao templo. E tendo os pais apresentado o menino Jesus, para cumprirem a respeito dele os preceitos da lei, 28.
tomou-o em seus braços e louvou a Deus nestes termos: 29. Agora, Senhor, deixai o vosso servo ir em paz, segundo a vossa palavra. 30. Porque os meus olhos viram a vossa salvação 31. que preparastes diante de todos os povos, 32. como luz para iluminar as nações, e para a glória de vosso povo de Israel. 33. Seu pai e sua mãe estavam admirados das coisas que dele se diziam. 34. Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará
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contradições, 35. a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada transpassará a tua alma.
Evangelho de Lucas – a vida pública de Jesus
Antes de entrarmos na vida pública propriamente dita de Jesus, é necessária uma pequena nota acerca de sua vida no que tange os períodos de 12 aos 30 anos.
Sabemos que Jesus começou o seu ministério público com a idade de uns trinta anos. E antes, o que ele fez, sendo que o último registro de sua aparição foi exatamente quando ele tinha doze anos. A resposta também é simples: Jesus foi uma pessoa normal como todas as outras pessoas de sua época. Trabalhava com o pai na carpintaria, estudava, era um excelente observador de tudo aquilo que acontecia ao seu redor, gostava de se retirar a sós pelo deserto, caminhava bastante de uma aldeia a outra, enfim, foi um perfeito Nazareno.
1) Jesus, Filho de José (Lc 3, 23):
23 Ora, Jesus, ao começar o seu ministério, tinha cerca de trinta anos; sendo (como se supunha) filho de José, filho de Eli (...) filho de Enós, filho de Set, filho de Adão, filho de Deus (38).
O evangelista, Lucas, não afirma que Jesus é filho de José, mas aponta a descendência. Por isso usa o “conforme se supunha”.
2) Rejeição de Jesus em Nazaré (Lc 4, 16-30):
“Dirigiu-se a Nazaré, onde se havia criado. Entrou na sinagoga em dia de sábado, segundo o costume e levantou-se para ler. Foi lhe dado o livro do profeta
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Isaías. Desenrolando o livro, escolheu a passagem onde está escrito (61, 1s): “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu; e enviou-me para anunciar a boa nova aos pobres, para sarar os contritos de coração, para anunciar aos cativos a redenção, aos cegos a restauração da vista, para pôr em liberdade os cativos, para publicar o ano da graça do Senhor. E enrolando o livro, deu-o ao ministro e sentou- se; todos quantos estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. Ele começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu este oráculo que vós acabais de ouvir”.
Todos lhe davam testemunho e se admiravam das palavras de graça, que procediam da sua boca, e diziam: “Não é este o filho de José”?
Então lhes disse: “Sem dúvida me citareis este provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo; todas as maravilhas que fizeste em Cafarnaum, segundo ouvimos dizer, faze-o também aqui na tua pátria.” E acrescentou: “Em verdade vos digo: nenhum profeta é bem aceito na sua pátria. Em verdade vos digo: muitas viúvas havia em Israel, no tempo de Elias, quando se fechou o céu por três anos e meio e houve grande fome por toda a terra; mas a nenhuma delas foi mandado Elias, senão a uma viúva em Serepta, na Sidônia. Igualmente havia muitos leprosos em Israel, no tempo do profeta Eliseu; mas nenhum deles foi limpo, senão o sírio Naamã.”
A estas palavras, encheram-se todos de cólera na sinagoga. Levantaram-se e lançaram-no fora da cidade; e conduziram-no até o alto do monte sobre o qual estava construída a sua cidade, e queriam precipitá-lo dali abaixo. Ele, porém, passou por entre eles e retirou-se”.
Percebemos que ao contrário de Mateus e Marcos, o texto não acrescenta muita novidade Mariana. Não menciona o nome de Maria e dos “irmãos de Jesus”
ou qualquer referência negativa à família de Jesus. Apenas indica a rejeição do profeta em sua própria terra.
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3) A mãe e a família de Jesus (Lc 8, 19-21):
19 Vieram, então, ter com ele sua mãe e seus irmãos, e não podiam aproximar-se dele por causa da multidão. 20 Foi-lhe dito: Tua mãe e teus irmãos estão lá fora, e querem ver-te. 21 Ele, porém, lhes respondeu: Minha mãe e meus irmãos são estes que ouvem a palavra de Deus e a observam.
Como já vimos este texto também está em Mateus e em Marcos. A diferença, talvez, é que Jesus não aponta os braços para a multidão, ao contrário dos dois evangelistas. Jesus indica com isso que Maria faz parte da sua família por dois motivos: é mãe de sangue e faz a vontade do Pai, critério essencial para ser membro desta santa família. Maria é a terra boa, segundo a parábola do semeador, que ouve a Palavra de Deus e faz produzir bons frutos (Lc 8,15).
4) A homenagem feita a Maria (Lc 11,27-28):
27 Ora, enquanto ele dizia estas coisas, certa mulher dentre a multidão levantou a voz e lhe disse: Bem-aventurado o ventre que te trouxe e os peitos em que te amamentaste. 28 Mas ele respondeu: Antes bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus, e a observam.
Maria nos Atos dos Apóstolos
Como sabemos, Lucas é autor do livro dos Atos dos Apóstolos. O nome de Maria aparece uma única vez, mas com um destaque todo especial e fundamental.
Ela aparece junto com os discípulos, no meio da comunidade, após a Ressurreição e Ascensão de Jesus.
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At 1, 14: “Todos estes perseveravam unanimemente em oração, com as mulheres, e Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele”.
Lucas descreve a continuidade e a consolidação dos discípulos de Jesus que formam a comunidade dos primeiros cristãos. E Maria está com eles, no inicio da Igreja de Jesus. Maria aqui é recordada com o seu nome próprio e com uma característica muito particular: “mãe de Jesus”. Ela não está fora da Igreja. Apesar de aparecer uma única vez no livro dos Atos, Lucas quer mostrar que Maria é parte integrante da Igreja e participa com a sua presença, oração e missão.
Há também uma correlação muito grande e estreita entre o evento Pentecostes e a Anunciação de Maria. Em Pentecostes o Espírito desceu sobre
“todos” os que estavam presentes, planificando ainda mais a Virgem Maria. Maria, junto com a Igreja nascente, se torna testemunha do seu Filho.
Pentecostes e a anunciação:
Lucas faz uma analogia entre a descida do Espírito Santo sobre Maria na anunciação e sobre a Igreja de Pentecostes.
O Espírito que realiza o primeiro Pentecostes sobre Maria na anunciação (Lc 1, 35) é o mesmo que vem pousar sobre os apóstolos (At 1, 8; 1, 14; cf At 2). Na anunciação Maria parte apressadamente (Lc 1, 39), e os discípulos saem do cenáculo (onde se reuniam por medo dos judeus (Jo 20, 16 e At 1, 13) e começaram a anunciar com coragem e franqueza a palavra de Deus e a ressurreição dos mortos (anunciavam com destemor aquilo que viram e ouviram (At 5, 20), com muito vigor davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus.
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Maria no Evangelho de João
João escreveu o seu evangelho por volta dos anos 90- 100 d.C. É também autor do livro do Apocalipse. Tanto o quarto evangelho como o livro do Apocalipse apresentam, por serem os escritos mais tardios, uma reflexão bem mais madura sobre Jesus.
O Evangelho de João está dividido em três partes:
. Prólogo (Jo1, 1-18)
. Livro dos Sinais (Jo 1,19 - 12,50) . Livro da Exaltação (Jo 13-20)
Menciona a Mãe de Jesus em três ocasiões: uma indiretamente, na encarnação do Filho de Deus (Jo 1, 14), e as duas de uma maneira bem explicita: as Bodas de Caná (Jo 2, 1-12) e na Morte de Jesus (Jo 19, 25-27).
1) Jo 1,14 (Prólogo):
“E o Verbo divino se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai”. Embora o texto não mencione Maria, porque a intenção do autor é mostrar a origem divina de Jesus (Verbo de Deus), dá-se a entender que Ela está implícita no processo da encarnação de Jesus (“e habitou entre nós”). Não podemos, em hipótese alguma, afirmar que este é um texto mariano, mas quando se fala em “encarnação” do Verbo Divino, Maria é lembrada.
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2) Jo 2, 1-12 (As Bodas de Caná):
1 Três dias depois houve um casamento em Caná da Galiléia, e estava ali a mãe de Jesus; 2 e foi também convidado Jesus com seus discípulos para o casamento. 3 E, tendo acabado o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Eles não têm vinho. 4 Respondeu-lhes Jesus: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora. 5 Disse então sua mãe aos serventes: Fazei tudo quanto ele vos disser. 6 Ora, estavam ali postas seis talhas de pedra, para as purificações dos judeus, e em cada uma cabiam duas ou três metretas. 7 Ordenou-lhe Jesus: Enchei de água essas talhas. E encheram- nas até em cima. 8 Então lhes disse: Tirai agora, e levai ao mestre-sala. E eles o fizeram. 9 Quando o mestre-sala provou a água tornada em vinho, não sabendo donde era, se bem que o sabiam os serventes que tinham tirado a água, chamou o mestre-sala ao noivo. 10 e lhe disse: Todo homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho. 11 Assim deu Jesus início aos seus sinais em Caná da Galiléia, e manifestou a sua glória; e os seus discípulos creram nele. 12 Depois disso desceu a Cafarnaum, ele, sua mãe, seus irmãos, e seus discípulos; e ficaram ali não muitos dias.
Este relato encontra-se inserido no chamado “bloco dos sinais”. É cheio de uma simbologia muito grande. Os sinais apresentam um sentido de revelação da pessoa de Jesus e têm uma intima relação com a fé. Quando Jesus realiza um milagre, este serve de sinal para que as pessoas vendo possam acreditar em Jesus.
Em Mateus, Marcos e Lucas, os milagres que Jesus realiza indicam o poder de Deus sobre as forças do mal.
Os sinais que o quarto evangelho menciona também expressam a Glória de Deus, que com Jesus, aos poucos vai se manifestando ao mundo.
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Analisando o texto:
No evento de Caná, João sublinha que Maria já estava presente nas núpcias, quando Jesus chegou, indicando que a presença de Maria não é uma simples coincidência.
Um primeiro dado interessante que se percebe à primeira vista é que João não menciona o nome “Maria”. Ele refere-se a Maria chamando-a de “Mulher” ou
“Mãe de Jesus” (seis vezes). A explicação é simples: João gosta de apresentar certas pessoas como modelos de seguidores do projeto de Jesus. Maria, portanto, é um modelo, uma figura símbolo que aceitou a mensagem de Jesus. Segundo João o termo “mulher” dado a Maria por Jesus indica algo mais das relações familiares entre Jesus e sua Mãe Maria, indica que ela é mãe também da humanidade.
Naquela época as festas de casamento duravam normalmente sete dias, e era celebrada na casa do noivo. Daí a necessidade de ter grande quantidade de vinho.
A falta de vinho foi percebida por Maria, que prontamente entra em ação e leva ao conhecimento de Jesus (Jo 2, 1- 3). Jesus atendeu ao pedido da mãe e transformando a água em vinho realiza o seu primeiro sinal (que fortaleceu a fé frágil dos apóstolos. (versículo 11).
Apesar de ser uma festa de casamento, os personagens principais não são os noivos e sim Jesus e Maria.
Maria no Livro do Apocalipse
Todo o livro do Apocalipse é repleto de uma linguagem de muitas imagens e símbolos. Numa primeira vista, parece que o livro é enigmático, assustador e cheio de mistérios. Mas, apesar de usar uma linguagem “não muito clara”, o autor quer
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reforçar a fé e a esperança dos cristãos frente às perseguições e dificuldades na qual se encontrava a Igreja primitiva.
O uso deste tipo de linguagem (gênero literário) é bem simples de se explicar:
João está preso. Ele manda cartas para os cristãos. Usa linguagem simbólica que só os cristãos entendiam. Caso contrário, as correspondências não chegariam ao seu destino. Portanto, cada imagem, número e ação, têm o seu significado. Mas nós vamos nos ater somente naquelas passagens que podem fazer referência à pessoa de Maria. Neste caso, o capítulo 12, principalmente porque tem algumas referências sobre uma “mulher vestida de sol”.
O Capítulo pode muito bem ser dividido em três partes que apresentam três cenas com os seguintes personagens:
1ª cena (Ap 12, 1-6): a mulher, o dragão e a criança.
2ª cena (Ap 12, 7-12): a guerra entre as forças de Deus (Miguel) e do mal (Satanás).
3ª cena (Ap 12, 13-17): a mulher perseguida pelo dragão que é vencido.
Análise da 1ª Cena (Ap 12, 1-6)
1 E viu-se um grande sinal no céu: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça. 2 E estando grávida, gritava com as dores do parto, sofrendo tormentos para dar à luz. 3 Viu-se também outro sinal no céu: eis um grande dragão vermelho que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre as suas cabeças sete diademas; 4 a sua cauda levava após si a terça parte das estrelas do céu, e lançou-as sobre a terra; e o dragão parou diante da mulher que estava para dar à luz, para que, dando ela à luz, lhe devorasse o filho.
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5 E deu à luz um filho, um varão que há de reger todas as nações com vara de ferro;
e o seu filho foi arrebatado para Deus e para o seu trono. 6 E a mulher fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus, para que ali fosse alimentada durante mil duzentos e sessenta dias.
• Este “grande sinal” significa a importância do acontecimento. “Céu”, mais que morada de Deus, simboliza o lugar onde estão as forças transcendentais que interferem na história da humanidade;
• “Mulher vestida de sol” numa primeira leitura não se refere a Maria (Maria não apareceu no céu, não deu à luz no céu e muito menos o menino foi levado para junto de Deus. Foi exatamente o contrário. Ele veio de Junto de Deus, no mistério da encarnação) faz alusão à glória de Deus que reveste o seu povo. O sol que ilumina;
• “Tem a lua debaixo de seus pés” significa o domínio sobre as coisas temporais;
• “Coroa de doze estrelas” lembra as doze tribos de Israel, bem como os doze Apóstolos recompensados no final dos tempos;
• “Dores de parto” recordam todo o sofrimento vivido pelo povo do Antigo Testamento, bem como as perseguições da comunidade do Novo Testamento que quer continuar gerando Jesus para a humanidade através do seu testemunho;
• “Dragão de sete cabeças e dez chifres” representa o poder político e dominador da época. As “sete cabeças” simboliza a plenitude (o número sete significa a plenitude, a totalidade) de poder. Os “dez chifres” representam os dez governadores senatoriais do Império Romano; o “diadema” sobre cada uma das cabeças refere-se à linhagem nobre de cada um dos governadores.
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Conclusão
Parabéns !
Você está concluindo o Módulo “Maria na Bíblia”. Assim como você, estamos contentes por sua vitória. Acreditamos que você tenha aprendido muito e esteja muito mais sábio e fascinado pelos conhecimentos da história de Nossa Senhora, nossa Mãe.
Esperamos que você continue interessado e fascinado por esta personagem humilde, vivente e peregrina na fé, que mudou e construiu a história de nossa humanidade.
Esperamos que você, continue ampliando seus conhecimentos e se tornando, cada vez mais, um cristão consciente e ciente das características e história de nossos santos.
Continue seus estudos sobre Maria! Participe de nosso próximo módulo:
Maria na Tradição da Igreja.