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Rev. Bras. Ginecol. Obstet. vol.24 número5

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RBGO - v. 24, nº 5, 2002

Editorial

PLANOS DE SAÚDE

O dia 28 de maio de 2002 foi escolhido como o de mobilização nacional dos médicos contra os planos de saúde. O fato, obrigatoriamente, enseja algumas reflexões.

Quem está satisfeito com os Planos de Saúde? Os Médicos? Os Pacientes? As Operado-ras?

Ficamos surpresos à verificação de que nenhuma das facções sente-se gratificada. Ana-lisemos.

Os Médi cos

Como existir euforia se a liberdade na solicitação dos exames, a marcação de consultas julgadas convenientes, entre numerosos outros quesitos, são tolhidos e limitados pelas ope-radoras de Saúde? Como sentir-se-ão satisfeitos se, após anos de dedicação ao estudo (a me-dicina como qualquer outra atividade intelectiva requer contínua atualização), após obtenção de título de especialista (TEGO), após freqüência a numerosos Congressos Médicos, realiza-ção de Concursos, recebem atualmente cerca de R$ 20,00 (vinte reais) por consulta médica e sem reajuste há muitos anos? Como estariam eles satisfeitos se recebem como honorários em operação cesariana (maio e mais relevante procedimento em Obstetrícia) cerca de R$ 400,00 (quatrocentos reais) após cerca de 45 dias da realização do ato operatório, incluídas todas as visitas médicas realizadas em ambiente hospitalar? Seria digna esta remuneração? Os outros procedimentos, na totalidade, poderiam aqui ser arrolados, não escapando da vergo-nhosa norma de remuneração.

Est ar i am sat i sfei t os os Paci ent es?

Com absoluta convicção diríamos que não. Não têm eles a liberdade de escolher seu médico e submeter-se-ão aos indicados pelos planos de saúde. Gostariam de dialogar mais pausadamente com seus médicos no ato da consulta. Malgrado os médicos, o tempo deverá ser limitado a cerca de 20-30 minutos. Por que? Estudo realizado mostrou que sobra para o profissional médico com a consulta de R$ 20,00 (vinte reais), R$ 4,38 (quatro reais e trinta e oito centavos) pagos por estas entidades denominadas Planos de Saúde. Pode estar satisfeito o segurado do Plano de Saúde ao lhe ser negado a realização de exame julgado conveniente pelo médico ou internação hospitalar para realização de determinado procedimento?

E as Oper ador as? Est ar i am el as Sat i sfei t as?

Também não. Por que? Muito reclamam que os médicos lhes subtraem muito dos seus lucros com a realização de exames, marcação de consultas ou realização de procedimentos. Que os médicos reclamam por REAJUSTE do preço das Consultas e dos Procedimentos e que as operadoras não têm como elevar a remuneração de cerca de R$ 20,00 (vinte reais), nem dos procedimentos pois estão imersas em dívidas. Malgrado isto verificamos que algumas operadoras estendem seus domínios para fora do País e exibem Prédios e Instalações suntuo-sas. “Que Contraste!”

Urge pois, que os Setores Organizados da Sociedade, Governo e Entidades Médicas todas se posicionem, e urgentemente, para sanar este caos, pois a Assi st ê nc i a Mé di c a é Prioritariamente Função e Obrigação do Estado.

Referências

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