Igbo Ifa Orisa Ogbe Meji. Babalawo Ifá Olaifa Alberto Junior.

Texto

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Igbo Ifa Orisa Ogbe Meji

Babalawo Ifá Olaifa Alberto Junior http://www.ileaxeifaorixa.com.br

Afinal quem é Exú, este Grande Orixá?.

Por: Babalawo Ifa Olaifa Tunde Alberto Junior Xamâ.

Extraido da Apostila Ifá Olokun a Pratica de Jogo de Buzios.

Infelizmente Exú perdeu seu verdadeiro significado ao chegar no Brasil, os negros escravos, tiveram que sincretizar com santos católicos seus Orixás, para poderem praticar sua religião, Exú foi quem mais sofreu neste processo, a igreja e os católicos associaram Exú ao Diabo, a coisa ruim.

Na crença Yoruba, Olórum Deus Criador, não possui um opositor a ele como a maioria das religiões, o mal é um sentimento humano, Exú seria o seu fiscal, guardião dos portais entre o Òrun (Além) e o Àiyé

(Terra), além de ser o guardião do corpo, e, neste aspecto é chamado de Bara, é o mensageiro dos Orixás.

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Muitos mitos foram criados a respeito deste grande arquétipo, o Orixá Exú, ele tem muitos poucos filhos aqui no Àiyé, muitos religiosos confundem Exú Orixá com os compadres e comadres (Tranca Rua, Veludo, Caveira, Maria Padilha, Mulambo etc) como eram chamados pelos mais antigos, Exú Orixá é uma coisa totalmente diferente. Os Orixás

ancestrais ou Irunmales não fazem parte do processo de reencarnação são seres divinos criados por Olórum para ajudarem a administrar sua criação, são Deuses do fogo, ar, trovão, terra, morte, tempo, destino, etc, não fazem parte do sistema de reencarnação.

Os nossos maravilhosos comadres e compadres, hoje também chamados de Exús, fazem parte do sistema da reencarnação.

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Sem Exú o culto dos Orixás não existiria, ele é o mensageiro dos jogos oraculares de Ifá, é ele que vem buscar e levar as oferendas para os Orixás, e estas até Olódùmarè Deus Supremo, é o primeiro a ser saudado no culto dos Orixás.

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Por um outro lado, segundo as próprias palavras de Ifá, segundo a tese antropologia de J.Elbein dos Santos:

"cada um tem seu próprio Èsù e seu próprio Olórun (Deus Criador), em seu corpo" ou "cada ser humano tem seu Èsù individual, cada cidade, cada casa (linhagem), casa entidade, cada coisa e cada ser tem seu

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próprio Èsù, e mais, "se alguém não tivesse seu Èsù em seu corpo, não poderia existir, não saberia que estava vivo, porque é compulsório que cada um tenha seu Èsù individual". Olórum representa o princípio da existência genérica, Èsù é o principio da existência diferenciada. Assim foi criado Exú por Olódumarè, além de complexo é o grande arcano do culto um Eró (segredo), guardado a sete chaves ate hoje.

Veja o que a Historia do Odù (signo) Ogbè diz quando apareceu para Orúnmìlà, Extraída da tese antropologica, O nâgo e a Morte:

"Níjó ti nlo rèé tóro omo,

Lódó Òrisà igbò-wújì. dia em que ele foi requerer uma criança A Òrìsà Igbò-wúji (Òrinsàlà).

A história conta que nas remotas origens, Olódúmarè e Òrìsànlá estavam começando a criar o ser humano. Assim criaram Èsù, que ficou forte, mais difícil que seus criadores:

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Olódùmarè enviou Èsù para viver com Òrìnsàlá; este colocou-o à entrada de sua morada e o enviava como seu representante para efetuar todos os trabalhos necessários. Foi então que Òrúnmìlà, desejoso de Ter um

filho, foi pedir um a Òrìsànlá. Este lhe diz que ainda não tinha acabado o trabalho de criar seres e que deveria voltar um mês mais tarde. Òrúnmìlà insistiu, impacientou-se querendo a qualquer preço levar um filho consigo. Òrìsàlá repetiu que ainda não tinha nenhum. Então perguntou:

"Que é daquele que vi à entrada de sua casa?"

É aquele mesmo que ele quer. Òrìsalá lhe explicou que aquele não era

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precisamente alguém que pudesse ser criado e mimado no àiyé. Mas Òrúnmìlà insistiu tanto que Òsàlá acabou por aquiescer. Òrúnmìlà

deveria colocar suas mãos em Èsù e, de volta ao àiyé, manter relações com sua mulher Yebìirú, que concebera um filho. Doze meses mais tarde, ela deu a luz um filho homem e, porque Òsàlá dissera que a criança seria Alágbára, Senhor do Poder, Òrúnmìlà decidiu chamá-la Elégbára. Assim desde que Òrúnmìlà pronunciou seu nome a criança, Èsù mesmo respondeu e disse:

Mãe, mãe

Eu quero comer preás. A mãe respondeu:

Filho, come, come, Filho, come, come,

Um filho é como contas de coral vermelho, Um filho é como cobre,

Um filho é como alegria inestinguível.

Uma honra apresentável, que nos representará depois da morte.

Então Òrúnmìlà trouxe todas as preás que pôde encontrar. Èsù acabou com elas. No dia seguinte, a cena se reproduziu com Exú pedindo e devorando todos os

peixes frescos, defumados, secos etc. que existiam na cidade. No

terceiro dia, Exú quis comer aves. Gritou e comeu até acabar com todas as espécies de aves. E sua mãe cantava todos os dias os versos acima e ainda acrescentava:

Visto que consegui Ter um filho,

O que acorda e usa duzentas vestimentas diferentes, Filho, continue a comer.

No quarto dia, Exú disse que queria comer carne. Sua mãe contou como de hábito, e Òrúnmìlà touxe-lhe todos os animais quadrúpedes que pôde achar:

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No quinto dia Exú disse: Mãe, mãe,

Eu quero comê-la!

A mãe repetiu sua canção: filho come, come, filho come, come e foi assim que Exú engoliu sua própria mãe.

Orúnmìlà. Alarmado, correu a consultar os Babaláwo, que lhe recomendaram fazer a oferenda de

uma espada, de um bode e de quatorze mil cauris. Orúnmìlà fez a oferanda.

No sexto dia depois de seu nascimento, Exú disse: Pai, pai,

Eu quero comê-lo!

Òrúnmìlà cantou a canção da mãe de Exú e quando este se aproximou, Òrúnmìlà lançou-se em sua perseguição com a espada e Exú fugiu. Quando Òrúnmìlà o reapanhou, começou a cortar pedaços de seu corpo, a espalhá-los, e cada pedaço transformou-se em um Yangi.

Òrúnmìlà cortou e espalhou pedaços e eles se transformaram em duzentos Yangi. Quando Òrúnmìlà se deteve, o que restou de Èsù erqueu-se e

continuou fugindo. Òrúnmìlà só pôde reapanhá-lô no segundo òrun e lá Èsù estava inteiro de novo. Òrúnmìlà voltou a cortar duzentos pedaços que se transformaram em duzentos Yangi. Isto repetiu-se nos nove Òrun, que ficaram assim povoados de Yangi. No último Órun, depois de Ter sido talhado, Èsù decidiu pactuar com Òrúnmilà: este não devia mais persegui-lo; todos os Yangi seriam seus representantes e Òrúnmìlà

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poderia consultá-los cada vez que fosse necessário enviá-los a executar os trabalhos que ele lhes ordenasse fazer, como se fossem seus verdadeiros filhos. Èsù assegurou-lhe que seria ele mesmo quem responderia por meio dos Yangi (pedaços de laterita) cada vez que o chamasse. Òrúnmìlà perguntou-lhe sobre sua mãe que havia sido

devorada. Èsù devolveu sua mãe a Òrúnmìlà.

Òrúnmìlà e Yéìírú reinstalaram-se na cidade de Iworo, e a partir desse momento ela começou a dar à luz muitos filhos de ambos os sexos. A história continua com o translado para Kétu, a invocação de Èsù para os proteger da guerra, a vinda de Èsù do Órun para os defender, a

volta a Iworo, ensinando-lhes Èsù como preparar e sagrar seu "assento" transferindo-lhe seu agbára que executaria todos os "trabalhos" que lhe fossem solicitados e acaba por uma saudação, um oriki alusivo a suas características:

Èsùj òkó j elédè

Bara nyan gbégí gbégí gbégí Ogun gbogbo nlo

Kóró, Kòrò-kòrò

Assim e Èsù, polemico, complexo e ao mesmo tempo simples.

Muitos de seus segredos são guardados até hoje, pelos sacerdotes

sérios, só os iniciados tem acesso a estes Erós. Devo advertir que Èsù pode se apresentar com sua energia destrutiva, só um iniciado

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certos cantigas, orações, saudações e gestos, para que poça fazer a sua evocação. É através de seu assentamento, feito por outro iniciado, que ele é cultuado.

Dizer a verdade para aqueles que não podem entendê-la, é mentir para eles.

Desvelar a Verdade para estas pessoas, é profaná-la.

O que as águas não refletem, na superficialidade não reside

Tenham sempre em mente que Exú não precisa dos Orixás para realizar as coisas; porém, os Orixás não fazem nada sem Exu.

Cada Orixá tem seu "Exú pessoal".

Existe um Itán que diz: Só Exu pode fazer o erro virar acerto e o acerto virar erro.

Por: Babalawo Ifa Olaifa Tunde Alberto Junior Xamâ.

Extraido da Apostila Ifá Olokun a Pratica de Jogo de Buzios.

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