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Braz. j. . vol.83 número1

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Academic year: 2018

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www.bjorl.org

Brazilian

Journal

of

OTORHINOLARYNGOLOGY

ARTIGO

ORIGINAL

Prevalence

of

dizziness

in

the

population

of

Minas

Gerais,

Brazil,

and

its

association

with

demographic

and

socioeconomic

characteristics

and

health

status

Tiago

Ferreira

Martins

a,∗

,

Patrícia

Cotta

Mancini

a

,

Luiza

de

Marilac

de

Souza

b

e

Juliana

Nunes

Santos

a,c

aUniversidadeFederaldeMinasGerais(UFMG),ProgramadePós-Graduac¸ãoemCiênciasFonoaudiológicas,BeloHorizonte,

MG,Brasil

bFundac¸ãoJoãoPinheiro,BeloHorizonte,MG,Brasil

cUniversidadeFederaldosValesdoJequitinhonhaeMucuri(UFVJM),TeófiloOtoni,MG,Brasil

Recebidoem9desetembrode2015;aceitoem5dejaneirode2016 DisponívelnaInternetem29dedezembrode2016

KEYWORDS

Dizziness; Epidemiology; BrazilianUnified HealthSystem

Abstract

Introduction:ThestateofMinasGerais,Brazilhasnodataontheprevalenceofdizzinessin

thepopulationandthisinformationcanbefundamentalasthebasisofpublichealthpolicies, promotion,preventionandrehabilitationcampaigns.

Objective: InvestigatetheprevalenceofthesymptomofdizzinessinthepopulationofMinas

GeraisaccordingtoSampleSurveyofHouseholds,aswellasdescribetheprofileofinterviewed individualsandtheassociationbetweendizzinessandsocioeconomic,demographicfeatures andhealthstatus.

Methods:Thiswasacross-sectionalobservationalstudythatanalyzedindividualswithdizziness

symptomreportedinthepreviousmonth.ThedataenteredintheSampleSurveyofHouseholds of2011wereanalyzed.An independentstatistical associationwasdeterminedbetweenthe selectedvariablesanddizzinessthroughmultivariateanalysis.

Results:Dizzinesswasthethirdmajorcomplaintamongindividualswhomentionedanyhealth

problemsinthepreviousmonth,withanestimatedpopulationof209,025individualsand repor-tedby6.7%ofsymptomaticones,withhigherprevalencevaluesonlyreportedforthesymptoms offeverandheadache.Amongindividualswhoreporteddizziness,94%wereadultsorelderly (p≤0.001)and63%werefemales(p=0.003).Astatisticallysignificantassociation(p<0.001)

DOIserefereaoartigo:http://dx.doi.org/10.1016/j.bjorl.2016.01.015 夽

Comocitaresteartigo:MartinsTF,ManciniPC,deSouzaLM,SantosJN.PrevalenceofdizzinessinthepopulationofMinasGerais,Brazil, anditsassociationwithdemographicandsocioeconomiccharacteristicsandhealthstatus.BrazJOtorhinolaryngol.2017;83:29---37.

Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](T.F.Martins).

ArevisãoporparesédaresponsabilidadedaAssociac¸ãoBrasileiradeOtorrinolaringologiaeCirurgiaCérvico-Facial.

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wasobservedbetweentheresponsevariableandthevariables:self-perceivedhealth, hyper-tension,heartdisease,diabetes,depression,seekingorrequiringmedicalorhealthcareinthe previousmonth andprivatehealthcareplanorinsurance.Amongindividualswithdizziness, 84.2%soughtorrequiredmedicalorhealthcareand80.1%didnothaveaprivatehealthplan orinsuranceintheassessedperiod.

Conclusion:ThedizzinesssymptomwashighlyprevalentinthepopulationofMinasGeraisduring

theassessedmonthoftheinvestigation.Dizzinesswasprevalentinadultsandtheelderlyand showedastatisticalassociationwithsocioeconomicanddemographiccharacteristics,aswell astheassessedhealthstatus.

© 2016 Associac¸˜ao Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia C´ervico-Facial. Published by Elsevier Editora Ltda. This is an open access article under the CC BY license (http:// creativecommons.org/licenses/by/4.0/).

PALAVRAS-CHAVE

Tontura; Epidemiologia; SistemaÚnico deSaúde

Prevalênciadetonturanapopulac¸ãodoEstadodeMinasGerais,Brasil,esuas

relac¸õescomascaracterísticassocioeconômicasdemográficasecondic¸õesdesaúde

Resumo

Introduc¸ão:OEstadodeMinasGerais,Brasil,nãotemdadossobreaprevalênciadetonturana

populac¸ãoeessasinformac¸õespodemserfundamentaisparabasearpolíticasdesaúdepública, campanhasdepromoc¸ãoeprevenc¸ãoeareabilitac¸ão.

Objetivo:Investigar a prevalênciado sintomade tontura napopulac¸ãodo Estadode Minas

GeraissegundoaPesquisaporAmostradeDomicílio(PAD-MG),assimcomodescreveroperfil dos indivíduosentrevistados eas relac¸ões entretontura e características socioeconômicas, demográficaecondic¸õesdesaúde.

Método: Estudodecaráterobservacionaltransversalcomanálisedosindivíduoscomrelatode

sintomadetontura noúltimomês.Foramanalisados osdadosinseridosnaPAD-MGde2011. Determinou-seassociac¸ãoestatísticaindependenteentreasvariáveisselecionadaseatontura porintermédiodeanálisemultivariada.

Resultados: A tontura foi a terceira queixaprincipal entre osindivíduos que mencionaram

algumproblemadesaúdenoúltimomês,comestimativapopulacionalde209.025indivíduos erelatadapor6,7%dossintomáticos,comvaloresinferioressomenteaossintomasdefebree doresdecabec¸a,respectivamente.Dentreindivíduoscomrelatodetontura,94%sãoadultos ouidosos(p≤0,001)e63%dosexofeminino(p=0,003).Foiencontradaassociac¸ão

estatistica-mentesignificante(p<0,001)entreavariávelrespostaeasvariáveisautopercepc¸ãodesaúde, hipertensão,doenc¸ascardíacas,diabetes,depressão,procuraounecessidadedeatendimento médicooudesaúdenoúltimomêsepresenc¸adecoberturadeplanoouseguro-saúde.Dentreos indivíduoscomtontura,84,2%procuraramouprecisaramdeatendimentomédicooudesaúde e80,1%nãotinhamcoberturadeplanoouseguro-saúdenoperíodopesquisado.

Conclusão:Osintomadetonturasemostroualtamenteprevalentenapopulac¸ãodeMinasGerais

nomêsde referênciadapesquisa. A tontura foiprevalente nos indivíduosadultos eidosos eapresentou associac¸ão estatísticacomascaracterísticas socioeconômicas, demográficase condic¸õesdesaúdeestudadas.

© 2016 Associac¸˜ao Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia C´ervico-Facial. Publicado por Elsevier Editora Ltda. Este ´e um artigo Open Access sob uma licenc¸a CC BY (http:// creativecommons.org/licenses/by/4.0/).

Introduc

¸ão

Quandoocorreconflitonaintegrac¸ãodasinformac¸ões sen-soriaisqueauxiliamocontrolepostural,deparamo-noscom umadisfunc¸ãodoequilíbriocorporal,quepodesertraduzida como tontura. Segundo o Comitê de Audic¸ão e Equilíbrio da Academia Americana de Otorrinolaringologia e Cirur-gia de Cabec¸a e Pescoc¸o, tontura é ‘‘toda e qualquer sensac¸ão ilusóriade movimento semque haja movimento

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usodecincooumaismedicac¸ões,presenc¸adehipotensão posturalehistóriadeinfartoagudodomiocárdio.4

Atonturatemsidocaracterizadacomocondic¸ãodesaúde multifatorial que decorre do efeito acumulativo de défi-citsemmúltiplossistemas,ocasionamaiorvulnerabilidade, principalmenteemidosos.4,5Existeassociac¸ãoentretontura crônicaesintomasdepressivos,autoavaliac¸ãodecondic¸ões de saúdeprejudicada e restric¸ão na participac¸ão em ati-vidadessociais.4,6 Emestudo longitudinaldedois anos,os principaisfatoresrelacionadosàqueixadetonturaem ido-sos foram: idade, sexo feminino, doenc¸a cardiovascular, osteoporose,depressão, distúrbiosdosonoe dememória, visãocomprometida, incontinência,trêsoumais comorbi-dades,polimedicac¸ão,autopercepc¸ãodesaúdeequivocada, quedaseproblemasdemobilidade.7

A tonturaé um sintoma comum, muitas vezes subesti-madoenãotratadoporprofissionaisdesaúde.Estima-seque 23,3%dospacientesqueprocuramoclínicogeralentre18e 64anosapresentaramalgumtipodetonturanoúltimomês equase30%dessesindivíduossentiramtonturanosúltimos cincoanos.8Emestudocomacompanhamentolongitudinal de1.000pacientes,tonturafoiaterceiraqueixaclínicamais frequente em um ambulatório geral, perdeu apenas para dor no peito e fadiga.9 A incidência da tontura aumenta significativamente com o avanc¸ar da idade.7,10---13 Em um estudo longitudinal com 620 idosos habitantesda Alema-nha,observou-sequeaprevalênciadequeixadetonturanos últimosseis mesesfoide27%entreosindivíduos comaté 70 anos e de 54% entre osde 90 anos e mais.7 O Estudo NacionalSuecosobreEnvelhecimentoeCuidados,com1.273 indivíduos,apontouprevalênciadetonturaem31%dos indi-víduoscommaisde80anos.14

Segundoestudos,astaxasdeconsultaanualno atendi-mento primáriodevido atontura variamde2,5% entreos pacientes entre 25 e 44 anos para 8,3% entre os pacien-tes com65 anosoumaise para18,2% entreaqueles com 85anosoumais.8,15 Grandepartedoscuidadosdopaciente com tontura é feita na atenc¸ão primária; em umestudo feitonaHolanda,entre1985 e1995,osmédicos de famí-liarelataramqueapenas3%dosidososcomtonturaforam encaminhadosparaummédicoespecialista.16

NoBrasil,nãohámuitosestudosdebasepopulacionalna áreadasaúdeesãorarosaquelesqueinvestigamsintomas dapopulac¸ão,comdestaqueparaaPNAD(PesquisaNacional porAmostradeDomicílios,doInstitutoBrasileirode Geogra-fiaeEstatística---IBGE),cujaabrangênciaénacionaldesde 2004eteminvestidoemedic¸õesvoltadasparaascondic¸ões de saúde da populac¸ão brasileira.17 As informac¸ões atu-alizadas de base populacional são essenciais ao processo de planejamento e acompanhamento pela sociedade em diferentesrecortesgeográficosesocioeconômicosdo cum-primento dos princípios constitucionais da saúde, como direitoaacessoigualitário,usoefinanciamentodeservic¸os de saúde.A disseminac¸ão desses dados tambémamplia a possibilidade de incorporac¸ão das informac¸ões de saúde pordiferentesáreasdogoverno,aspectoimportante para o fortalecimento de ac¸ões intersetoriais que devem pau-taraspolíticasvoltadasàmelhoriadasaúdedapopulac¸ão brasileira.18

AsredespúblicaeprivadadesaúdenoEstadodeMinas Gerais,Brasil, nãotêmdadossobreaprevalência de ton-turanapopulac¸ão.Dessaforma,aanáliseeadisseminac¸ão

dessasinformac¸õespodemcontribuirparadelinear o per-fil da populac¸ão sintomática, fornecer dados adicionais sobrefatoresdeterminantesecomorbidadesassociadasque podem ser fundamentais para basear políticas de saúde pública, obtenc¸ão de recursos, campanhas de promoc¸ão, prevenc¸ãoe reabilitac¸ãodapopulac¸ão-alvo.Umavez que maisde170milhõesdebrasileirosnãotêmplanosprivados desaúdeedependemapenasdoSUSparaatendimentos,17---19 tornam-seimprescindíveisestudoscomoestapesquisa.

Assim,opresenteestudotevecomoobjetivoinvestigara prevalênciadosintomadetonturanapopulac¸ãodoEstado deMinaGeraisedescreveroperfildosindivíduos entrevista-dospelaPAD-MGquerelataramtonturanosúltimos30dias, assimcomo verificarrelac¸õesentretonturae característi-cassocioeconômicasdemográficasecondic¸õesdesaúdedos entrevistados.

Método

Estudo de caráter observacional transversal com análise dosindivíduosdoEstadodeMinasgeraisqueapresentaram relatode sintoma detontura nomês anterior.A pesquisa consta daanálise de dadosda PAD-MG daFundac¸ão João Pinheiro,que éumapesquisa feitanosmesmosmoldesda Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, a PNAD do IBGE,etemoperac¸ãoestatísticaamostral.17

NoEstadodeMinasGerais(MG) foidesenvolvidaa Pes-quisaporAmostradeDomicílio(PAD-MG),projetoqueteve inícioem 2007,e em 2009foifeitaaprimeira tomadade dados,concebida como objetivodeproduzir informac¸ões regionalizadascapazesdecolaborarcomomonitoramento e a avaliac¸ão das políticas públicas. A PAD visa a captar informac¸ões que permitam conhecer a populac¸ão de MG emsuasdiversas regiões,constituiumpassoemdirec¸ãoà construc¸ãodentrodoestadodeumaestruturaágileflexível capazderesponderàsdemandasespecíficasdassuasac¸ões. APAD-MGéumpassofundamentalnaconsolidac¸ãodeuma visãodeestadoqueacompanhaosprocessoseosresultados dasac¸ões.20

A segunda rodada da PAD-MG, feita em 2011, foi um levantamento socioeconômico baseado em amostra de 18 mil domicílios distribuídos em 1.200 setores censitá-riose428municípios,comrepresentatividaderegionalpara as12 mesorregiões do estado. A PAD coleta, a cada dois anos,informac¸õessobresaúde,educac¸ão,trabalho,renda ebenefícios,entreoutrostemas,alémdascaracterísticas dasresidênciase dosindivíduos.Osdadosservemdebase paraorientarodirecionamentodeesforc¸oserecursos espe-cíficos para as regiões do estado. A PAD-MG abrangeu a populac¸ãoresidenteem domicíliosparticulares permanen-tes,foramexcluídososresidentesem domicílioscoletivos deestabelecimentosinstitucionais.20

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alocac¸ãoinicial,levou-seemconsiderac¸ãoaestimativade erros-padrãoproduzidaapartirdosmicrodadosdaPAD-MG 2009.Alémdisso,foiaplicadoummétododeestratificac¸ão adicional,queconsistiunaordenac¸ãodossetoresem micror-região,município,distrito,subdistritoebairro.20

Após,foidefinidoototaldezonasdeamostragem,como o tamanhodaamostra desetores noestrato divididopor dois,comoobjetivodeselecionardoissetoresporzonade amostragem.Aselec¸ãodosdoissetoresporzonafoifeitapor amostragemsequencialdePoisson.Ototaldedomicíliosno setorfoiadotado como medida detamanho. Cabe ressal-tarqueessenúmerofoitruncadoem 30nolimiteinferior e 600 nolimite superior, parareduzir a variabilidade das probabilidadesdeinclusãodossetores.Paraaselec¸ãodos domicíliosemcadasetordaamostradoprimeiroestágio,foi propostoo usodaamostrageminversadedomicílios.Esse procedimentopermitecontrolar otamanhofinal da amos-tradedomicíliosefetivamenteentrevistados,asseguraque otamanhoefetivodaamostraficaráigualoumuitopróximo dotamanhoespecificadonodimensionamentoinicial.20

Acoletadedadosaconteceude1◦deoutubrode2100a

29defevereirode2012,comousodecomputadorportátil ementrevistapresencial.Osentrevistadoreserampessoas contratadase treinadaspelaFundac¸ão JoãoPinheiropara entrevistasdomiciliares.20

Oquestionáriofoidivididoem dezsec¸ões: característi-casdodomicílio;característicasdosmoradores;educac¸ão; saúde,trabalhoetrabalhoinfantil;rendimentos; empreen-dedorismo; gastos coletivos do domicílio (oitava e nona); e gastos individuais de cada morador dodomicílio. Neste estudo, foi dada ênfase na análise de questões da sec¸ão ‘‘saúde’’,considerou-secomovariávelarespostasentiu-se maleapresentoutonturanosúltimos30dias.Asvariáveis explicativas foram:sexo,faixa etária,necessidadee pro-cura por atendimento de saúde no último mês, presenc¸a decoberturadeplanoouseguro-saúde,autopercepc¸ãoda saúde, segue orientac¸ão nutricional, fuma atualmente e presenc¸adeproblemadesaúdequeexigeacompanhamento constante.

Para adescric¸ão dapergunta‘‘[Nome]sentiu-se mal e apresentoualgum sintoma deproblemaem suasaúdenos últimos30dias?(Citeoprincipalsintomaapresentadonesse período)’’,o entrevistadorespondeutonturaououtras14 opc¸ões de resposta, entre elas nenhum sintoma. Como a variávelrespostadoestudo étontura,osindivíduos foram separadosemdoisgrupos:osquesentirameosquenão sen-tiramtonturanomêsanterior.Paraadescric¸ãodavariável sexo,arespostafoimasculinooufeminino;paraadescric¸ão da variável faixa etária, o entrevistado respondeu a sua idadee,após,entrevistadoroclassificoudeacordocomas categorias:adulto(19-59anos)ouidoso(60anosoumais). Paraadescric¸ãodaperguntadeautopercepc¸ãodesaúde,o entrevistadorespondeu‘‘Comoavaliaoestadodesaúdede [nome]?’’,queteveasrespostasobtidasemescalaLikertde cincopontos (Muito bom/Bom/Regular/Ruim/Muito ruim). Contudo,paraanálisedosdados,asrespostasforam agru-padasemboa (muitoboae boa)e emruim(regular ruim emuito ruim).Para adescric¸ão dasperguntas ‘‘E[Nome] seguiuessaorientac¸ão(nutricionaldeummédicoou nutri-cionista)?’’,‘‘[Nome]fumacigarrosatualmente?’’,‘‘Algum médico ou profissional de saúde disse que [Nome] tem doenc¸ascardíacas(doenc¸asdocorac¸ão)?’’,‘‘Algummédico

ou profissional de saúde disseque [Nome] tem hiperten-são (pressão alta)?’’, ‘‘Algum médico ou profissional de saúdedisseque[Nome]temdepressão?’’,‘‘Algummédico ouprofissionaldesaúdedisseque[Nome]temdiabetes?’’, ‘‘[Nome]precisououprocurouatendimentomédicooude saúdenos últimos30 dias?’’e‘‘[Nome] temcoberturade planoouseguro-saúde?’’.Paraanálisedosdados,as respos-tasdosentrevistadosforamagrupadasemsimounão.

AsrespostasàsquestõesdaPAD-MGsobreprocuraeuso deservic¸osdesaúdeconsideraram1◦desetembrode2011

comodatadereferência.Agostoeasemanacompreendida entre28e31deagostoa1◦ e2desetembroforam

consi-derados,respectivamente,omêseasemanadereferências doestudo.

NaPAD/MG,otermodeconsentimentolivreeesclarecido foisubstituídopeloconsentimentoverbaldoentrevistado, obtidonomomentodaentrevista.Osentrevistadores escla-receramosmoradores sobreosaspectosdapesquisa,seus benefícios,suasrepercussõesesuaimportâncianaavaliac¸ão daspolíticasestaduaisesolicitaramoconsentimentopara participac¸ãonapesquisa.Osmoradorestinhamaopc¸ãode nãoaceitarouparticipardapesquisa.Essapesquisafoi apro-vadapeloComitêdeÉticaePesquisasoboprotocoloETIC 0347.0.203.000-10.

Combasenasrespostasdosentrevistados,foigeradoum bancodedadosnoprogramaSPSS19.0(StatisticalPackage for the Social Sciences). Por meio do processo de amos-tragemusadonaPAD-MG,fez-seaestimativapopulacional para o Estado de MG.20 Primeiramente, foi conduzida a análisedescritivadosdados.Procedeu-se,então,àanálise dos fatores associados à tontura, com análise inferencial pormeiodotesteestatísticoqui-quadradodePearsonpara asvariáveiscategóricas,foiconsideradasignificância esta-tística o intervalo de 95% de confianc¸a (primeira etapa). Posteriormente, todas as variáveis associadas à tontura ao nível de p ≤ 0,10 foram testadas. No modelo final,

foram retidasas variáveis que permaneceram estatistica-menteassociadasàtonturanoníveldep≤0,05.Aanálise

foi feitaem duas etapas,por meiode regressão logística binária.

Resultados

EmestimativapopulacionalbaseadanaamostradoPAD/MG 2011, de 19.442.971 indivíduos, 3.586.973 (18,44%) apre-sentaramalgumsintomadeproblemadesaúdenosúltimos 30diaseossintomasmaisfrequentesestãoobservadosna tabela1.

A média de idade dos sintomáticos foi de 41,08 anos e do totaldaamostra foide 35,8 anos.A distribuic¸ão da porcentagem estratificadaem escalaacada dez anos dos indivíduosquesentiramtonturanoúltimomês,comparando apopulac¸ãodos indivíduosque relatamalgumsintoma de problemaemsuasaúdecomapopulac¸ãototaldaamostra, podeservisualizadanafigura1.

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Tabela1 Estimativapopulacionaldosindivíduos entrevis-tadosnaPAD-MG2011quesesentirammal,apresentaram algum sintomade problemaem sua saúdenos últimos30 dias,foicitadoapenasoprincipalsintomaapresentadonesse período

Sintoma n Frequência

relativa(%)

Frequência acumulada (%)

Febre 316.004 7,88 7,88

Diarreia 109.900 2,87 10,75

Dordedente 70.035 1,93 12,68

Doresdecabec¸a 611.080 16,13 28,81

Dornopeito 99.983 3,29 32,10

Dorabdominal 178.654 4,97 37,06

Dordeouvido 29.953 0,93 37,99

Faltadear 109.370 3,16 41,15

Sangramento 16.805 0,53 41,68

Tontura 209.025 6,70 48,38

Tosse 136.264 3,65 52,03

Vômito 51.523 1,42 53,45

Outro 1.648.377 46,55 100,00

Total 3.586.973 100,00

Fonte:PesquisadeAmostraporDomicíliosdeMinasGerais (PAD--MG).Fundac¸ãoJoãoPinheiro,2011.

sexoediabetesnãoapresentaramassociac¸ãoestatísticaem análisemultivariada,mesmocommaiorprevalênciadosexo feminino e presenc¸a de diabetes nos indivíduos com ton-turaemrelac¸ãoàpopulac¸ãototal,foram,respectivamente, 131.686 (63%) e 37.209 (17,9%) dentre os indivíduos com tonturaemestimativapopulacional.

Aanálisemultivariadadapresenc¸adatonturanoúltimo mêsesuarelac¸ãocomasvariáveisdemográficas,condic¸ões de saúde e características socioeconômicas que apresen-taram associac¸ão estatística podem ser visualizadas na

tabela2.

18

16

14

12

10

8

6

4

2

0 0-9

anos anos anos anos anos anos anos anos anos 10-19 20-29 30-39 40-49 50-59 60-70 71-80 81-90 Acima de

90 anos

P

orcentagem de indivíduos com tontur

a

População sintomáticos População geral

Figura1 Prevalênciadetonturadeacordocomaidade. Fonte: Pesquisa de Amostra por Domicílios de Minas Gerais (PAD-MG).Fundac¸ãoJoãoPinheiro,2011.

Discussão

A populac¸ão entrevistada é representativa do Estado de MinasGerais e osintoma detontura foia terceiraqueixa maisprevalenteentreosindivíduosquemencionaramalgum problemadesaúdenoúltimomês,relatadapor6,7%dos sin-tomáticos,comvaloresinferioressomenteaossintomasde febreedoresdecabec¸a,respectivamente.Estima-seque, da populac¸ão de 19.442.871 indivíduos, 209.025 tenham apresentadotonturacomosintomamaisprevalentenomês pesquisado.SegundoKroenkeetal.,9 tonturaé aterceira queixa clínica mais frequente em um ambulatório geral. Autores de estudos populacionais internacionais apontam prevalênciasdetonturaquevariamentre11a32,5%.8,15,21,22 Em estudo na cidade de São Paulo, Brasil, Bittar et al.23 estabeleceram prevalência da tontura de 42%, proporc¸ão superior à encontrada em outros estudos. Contudo, em estudocom 4.869indivíduos, aprevalência detonturade origemvestibulardeterminadaparaadultosfoiestimadaem 7,4%.11 Essavariac¸ão deprevalênciapodeserinfluenciada por vieses metodológicos,inclusive a forma de coletade dados,adescric¸ãodosintomae,principalmente,damedida deprevalênciausada,naqualalgunsestudosusam prevalên-ciadetodaavida,comconsequenteaumentodosvalores encontrados,eopresenteestudousouapenasprevalência noperíodoestudado.OsindivíduosentrevistadosnaPAD-MG responderamapenassobreoprincipalproblemadesaúdeno últimomês,podemtambémtersentidoatonturacomo sin-tomasecundárioe,poressemotivo,nãoomencionaramna pesquisa.

Opresenteestudoobservouque94%dosindivíduoscom relato de tontura eram adultos ou idosos, o que repre-senta196.548indivíduos.Dentreeles,osidosostêm1,111 vez a chance de sentir tontura como principal problema desaúdedoqueadultos,comassociac¸ãoestatisticamente significante(p<0,001)entreavariávelrespostaea variá-velfaixa etária. O estudo observou que a prevalência da tontura aumenta em proporc¸ão direta com a idade, com pico entre71 e 80 anos, corroborou os achados de Char-lesetal.10 eNeuhauseretal.,11 queafirmarampicoentre 65e 75anos. Moraesetal.24 encontraramprevalênciade tontura de 45% em estudo com 391 idosos e Olsson Möl-leretal.14 encontraramprevalência detonturade17,8 e 31%em indivíduos comidadeinferior a80 ecom maisde 80anos,respectivamente.Osachados demaior prevalên-ciadetonturaem idososconcordamcominúmerosrelatos deliteraturamundial10---12,15,21---23,25---27e podemser explica-dospeloenvelhecimentodosistemadeequilíbrio,múltiplos déficitssensoriaiscomunsempacientesidososeacúmulode comorbidades,comodoenc¸ascardiovasculares,metabólicas e neurológicas. Em estudo feito no Hospital Universitário deZurique,naSuíc¸a,com266indivíduosacimade65anos com tontura, 37,6% apresentaram diagnóstico de tontura multissensorial,5oquereforc¸aoimpactodoenvelhecimento naaumentodaprevalênciadessesintoma.

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Tabela2 Regressãologísticabináriamultivariadadosfatoresassociadosàpresenc¸adetonturanos30diasqueantecederam aentrevistadaPAD-MG,2011

Sintomadetonturanosúltimos30dias

Sim Não Valor-pb Oddsratiob

Variáveis n(%) n(%) Totaln 95%ICb

Faixaetária

Adultos 128.237(65,2) 11.669.927(83.9) 11.798.164(83,7) <0,001 1,111 1,089---1,113 Idososa 68.311(34,8) 2.239.402(16.1) 2.307.713(16,3)

Total 196.548(100) 13.909.329(100,0) 14.105.877(100,0)

Autopercepc¸ãodesaúde

Boa 71.140(34,0) 15.937.853(82.9) 16.008.993(82,4) <0,001 1,498 1,464---1,563 Ruima 137.885(66,0) 3.292.153(17.1) 3.430.038(17.6)

Total 209.025(100,0) 19.230.006(100,0) 19.439.031(100,0)

Hipertensão

Não 97.918(46,9) 16.245.918(84,6) 16.343.836(84,2) <0,001 2,000 1,965---2,053 Sima 111.034(53,1) 2.953.669(15,4) 3.064.703(15,8)

Total 208.952(100,0) 19.199.587(100,0) 19.408.539(100,0)

Doenc¸ascardíacas

Não 166.636(79,9) 18.340.070(95,5) 18.506.706(95,4) <0,001 1,166 1,141---1,191 Sima 42.004(20,1) 860.293(4,5) 902.297(4,6)

Total 208.640(100,0) 19.200.363(100,0) 19.409.003(100,0)

Depressão

Não 156.072(74,8) 18.389.068(95,8) 18.545.140(95,5) <0,001 1,963 1,923---2,005 Sima 52.687(25,2) 812.086(4,2) 864.773(4,5)

Total 208.759(100,0) 19.201.154(100,0) 19.409.913(100,0)

Fumaatualmente

Não 168.817(83,4) 13.189.748(86,9) 13.358.565(86,9) <0,001 1,134 1,105---1,164 Sima 33.669(16,6) 1.988.328(13,1) 2.021.997(13,1)

Total 202.486(100) 15.178.076(100) 15.380.562(100)

Segueorientac¸ãonutricional

Sim 15.499(30,0) 699.773(37,2) 715.272(37,0) <0,001 1,416 1,388---1,444

Nãoa 36.215(70,0) 1.180.612(62,8) 1.216.827(63,0) Total 51.714(100) 1.880.385(100) 1.932.099(100)

Procurououprecisoudeatendimentonoúltimomêsc

Não 33.115(15,8) 15.805.500(82,2) 15.838.615(81,5) <0,001 8,900 8,677---9,129 Sima 175.910(84,2) 3.419.065(17,8) 3.594.975(18,5)

Total 209.025(100) 19.224.565(100) 19.433.590(100)

Temcoberturadeplanoouseguro---saúde

Sim 41.613(19,9) 4.065.960(21,2) 4.107.573(21,1) <0,001 1,069 1,048---1,091 Nãoa 167.412(80,1) 15.150.814(78,8) 15.318.226(78,9)

Total 209.025(100) 19.216.774(100) 19.425.799(100)

Fonte:PesquisadeAmostraporDomicíliosdeMinasGerais(PAD-MG).Fundac¸ãoJoãoPinheiro,2011. aCategoriasdereferência.

b Resultadosobtidosapósanálisesmultivariadas;omodelofinalincluiuavariáveldependenteprincipalajustadapelasdemaisvariáveis,

quepermaneceramnomodelofinal. c Médicooudesaúde.

#Númerodeinformac¸õesdiferedototaldaamostradevidoadadosfaltantes.

pelosciclosovarianoseclimatério32,33emaiorprevalência demigrânea,12,29fatorespelosquaisasmulheresmais pro-curammaisassistênciamédica,23,28emaiorprevalênciado sexofeminino em idososna populac¸ão mundial.Contudo, assimcomonopresenteestudo,algunspesquisadores tam-bémnãoencontraramassociac¸ãoestatísticaentretontura

e sexo,15,27 com destaqueparao estudo inglêscom 2.925 indivíduoscomidadesuperiora65anos.21

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hipertensão, doenc¸as cardíacas e depressão. Observa-se que 66% dos indivíduos que relataram tontura no último mês apresentaram autopercepc¸ão de saúde ruim, o que representa137.885 indivíduos,muitoacimados17,1%dos indivíduosqueapresentaramoutrosintomadeproblemade saúde, o que representa importante impacto negativo da tonturanaqualidadedevida.

Verificou-se tambémque quem tem autopercepc¸ão de saúde ruim tem 1,498 vez a chance de sentir tontura como principal problema de saúde do que quem relatou autopercepc¸ãodesaúdeboa.Amápercepc¸ãodesaúde asso-ciadaàqueixadetonturacorroboraoutrosestudos.7,24,34 osindivíduoscomhipertensão,doenc¸ascardíacase depres-são apresentaram, respectivamente, 100, 16,6 e 96,3% mais chances de sentir tontura como principal problema de saúde, quando comparados com os que não têm esse sintoma.Em estudocom493 idosos,Lopes etal.28 encon-traramassociac¸ãoestatísticaentretonturae hipertensão. Dross et al.30 estudaram 417 idosos com tontura atendi-dos na atenc¸ão primária na Holanda e observaram que 49%tinhamdoenc¸ascardíacase57%hipertensão.Os acha-dosconcordamcomoutrosestudos,32,35,36querelatamque as tonturas podem ser efeito secundário da hipertensão arterialsistêmicaededoenc¸ascardíacas.Estudoscom ido-sosencontraramrelac¸ãodaqueixadetonturacomescore positivo para sintomas depressivos.6,13,30 Em acompanha-mentoprospectivodecoortedeseteanoscom681idosos, Maarsinghetal.31encontraramansiedadeoudepressãoem 33,6% dos indivíduos com tontura e em apenas 15,1%dos indivíduos sem tontura, fato que apresentou associac¸ão estatisticamentesignificante.SegundoEkwalletal.,13 exis-temevidênciasdequedisfunc¸õesotoneurológicasestejam relacionadasaansiedadeeaumentodeproblemas psicoló-gicos, que, por sua vez, podem agravar a intensidade da queixadetontura.NoestudodeNeuhauseretal.,11 depres-sãoeváriasdoenc¸ascardiovascularesforamassociadascom vertigemvestibular.Apesardeeste estudo evidenciarque acondic¸ãodesaúdeé multifatoriale resultantedos efei-tos cumulativos de déficits em vários sistemas, o que os tornaaolongodoenvelhecimentomaisvulneráveise sujei-tosavariac¸õesinadequadasnafisiologiadoequilíbrio,não foi encontrada associac¸ão estatística em análise multiva-riadaentrea variávelresposta e presenc¸ade diabetes,o quecorroboraoutrosestudos.30,36Emestudobrasileirocom 391 indivíduos com mais de 65 anos, Moraes et al.24 não encontraramassociac¸ãoestatísticadetonturacomdiabetes eobesidade.

Opresenteestudoobservouassociac¸ãoestatisticamente significante(p<0,001)entreavariávelrespostaeavariável fumaatualmente,naqual16,6%dosindivíduoscomrelato detonturasãotabagistaseesses têm13,4%maischances desentirtonturacomoprincipalproblemadesaúdedoque osindivíduos que nãofumam. Esse achado concorda com estudodebasecomunitáriaemambulatóriouniversitário.36 EmestudodeCruzetal.37com751indivíduosadultosjovens e uso análise multivariada, foi encontrada associac¸ão do tabagismocomalterac¸ãoemprovadeequilíbriodinâmico. Pereiraetal.38 sugeremqueanicotinapodeinduzir dese-quilíbrio no reflexo vestíbulo-ocular e vestíbulo-espinhal; contudo,investigac¸õesepidemiológicassobretalassociac¸ão sãoaindamuitoincipientes.Apesardeo estudobrasileiro

nãoencontrarassociac¸ãoentretonturaetabagismo,24 sabe--se que esse último está associado ao aumento do risco dedoenc¸ascrônicasnãotransmissíveis,comodoenc¸as car-diovasculares,pulmonarese neoplasias,com consequente impactonafisiologiadosistemavestibular.

Ao avaliar a relac¸ão entrea variável segue orientac¸ão nutricional com a variável resposta, foi encontrada associac¸ãoestatisticamentesignificante(p<0,001)eos indi-víduos que não seguem orientac¸ão nutricional têm 1,416 vez mais chance de sentir tontura como principal pro-blemadesaúde,emrelac¸ãoàquelesqueseguemorientac¸ão. Nãoforamencontradosestudoscomassociac¸ão estatística entre seguir orientac¸ão nutricional e sintomas de tontu-ras;contudo,autoresrelatamaimportânciadaorientac¸ão nutricionalnotratamentonosindivíduoscomtontura,com o objetivo de evitar erros alimentares ou modificar hábi-tos inadequados,39,40 o que permite melhor controle do sistema de equilíbrio e de doenc¸as cardiovasculares e metabólicas.

A relac¸ão entre as variáveis procurou ou precisou de atendimento médico ou de saúde no último mês e tem cobertura de plano ou seguro-saúde com a variável respostaapresentaramassociac¸ãoestatisticamente signifi-cante(p<0,001).Observou-seque,entreosindivíduoscom tontura,84,2%procuraramouprecisaramdeatendimento, valormuitosuperioraos17,8%deindivíduos que apresen-taramoutro sintoma/problemade saúdeeprocuraram ou precisaramdeatendimento.Esses indivíduos representam 175.910daqueles comtontura emMinas Geraise têm8,9 vezesmais chancesde sentirtontura como principal pro-blemadesaúdedoque osindivíduos quenãoprocuraram atendimento.

EmpesquisadeBittaretal.,23 54%dossintomáticosnão procuraramatenc¸ãomédica,mesmoquandoatontura afe-tavaaqualidadedevida.Contudo,emestudonaAlemanha, 80% dos indivíduos com tontura foram submetidos a con-sultamédica,interrupc¸ãodasatividadesdiáriasoulicenc¸a médica.11 Essa diferenc¸a podeser justificada por valores culturais e facilidade de acesso à saúde nos diferentes países.

Já em relac¸ão à variávelsocioeconômica, observou-se que80,1%dospacientesque sentiramtonturanãotinham cobertura de plano ou seguro-saúde, o que representa 167.412indivíduosatendidospeloSUSemcasodeprocura deatendimentonaqueleperíodo,comconsequenteimpacto nosgastospúblicoscomasaúde.Essesdadoscorroboramas informac¸õesdejunhode2014daAgênciaNacionaldeSaúde Suplementar,19 de que apenas 26,1% da populac¸ão brasi-leira têmcobertura por planosprivados de saúde.Assim, observa-sequeoSUScontinuaaseroprincipalprovedordos servic¸osdesaúdeusadospelapopulac¸ãobrasileiraea ton-turatemimpactoelevadonademandadosistemadesaúde emvirtudesuaprevalência.

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Conclusão

Atonturacomoprincipalproblemadesaúdenapopulac¸ão sintomáticasemostroualtamenteprevalentee afeta6,7% dapopulac¸ãodeMinasGerais,estimam-semaisde209mil indivíduoscomsintomadetonturanomêsdereferênciada pesquisa.

Dentreosindivíduos comtontura,94%eramadultosou idosos, os idosos têm 11,1% mais chances de sentir ton-turacomo principalproblemadesaúdedo queadultos.A incidênciadatonturaaumentaemproporc¸ãodiretacoma idade,compicodeprevalênciaentre71e80anoseaumento importanteapartirdos50anos.Entreosindivíduoscom ton-tura,66%relataram autopercepc¸ão desaúderuimeesses tinham1,498vezmaischancedesentirtonturacomo princi-palproblemadesaúdedoquequemrelatouautopercepc¸ão desaúde boa. Em análise multivariada, houve associac¸ão estatisticamente significante da tontura com as variáveis hipertensão, doenc¸as cardíacas, depressão e fuma atual-mente e esses indivíduos apresentavam mais chance de sentirtonturacomoprincipalproblemadesaúde.Os indiví-duosquenãoseguiamorientac¸ãonutricionaltinham49,8% maischancesdesentirtonturacomoprincipalproblemade saúdeemrelac¸ãoàquelesqueseguiamorientac¸ão.

Dentreosindivíduoscomtontura,84,2%procuraramou precisaram de atendimento médico ou de saúde, o que representou 175.910 indivíduos de Minas Gerais. Estima--se ainda que, entre os sintomáticos com tontura, 80,1% ou 160.412 indivíduos não tinham cobertura de plano ou seguro-saúdenoperíodopesquisado.

Assim, observamos grande impacto da tontura no SUS e evidenciamos a importância de projetos e ac¸ões de promoc¸ãodesaúde,prevenc¸ãoeintervenc¸ãodetonturana populac¸ãovulnerável.

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

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Imagem

Figura 1 Prevalência de tontura de acordo com a idade.
Tabela 2 Regressão logística binária multivariada dos fatores associados à presenc ¸a de tontura nos 30 dias que antecederam a entrevista da PAD-MG, 2011

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