• Nenhum resultado encontrado

Braz. j. . vol.75 número4 pt v75n4a22

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2018

Share "Braz. j. . vol.75 número4 pt v75n4a22"

Copied!
1
0
0

Texto

(1)

617

Brazilian Journalof otorhinolaryngology 75 (4) Julho/agosto 2009 http://www.bjorl.org.br / e-mail: [email protected]

CASE REPORT RELATO DE CASO

Braz J Otorhinolaryngol. 2009;75(4):617.

Disfunção respiratória no

pós-operatório imediato de

adenoamigdalectomia

Adenotonsillectomy -

immediate post operative

respiratory distress

Denise Manica1, Mariana Magnus Smith2

INTRODUÇÃO

O edema pulmonar pós-obstrutivo, uma forma de edema pulmonar não-cardiogênico1, é uma patologia rara. Tal condição foi primeiramente descrita em humanos em 19732 e sua incidência é difícil de precisar já que a maioria dos estudos são relatos de caso. Dois mecanismos distintos têm sido descritos na literatura. O tipo I é aquele que segue uma obstrução aguda de via aérea, como laringoespasmo, que pode ocorrer após qualquer procedimento cirúr-gico, sendo mais comum após cirurgias otorrinolaringológicas3. O tipo II ocorre após alívio de uma obstrução crônica da via aérea, sendo considerado menos comum que o tipo I4. Apresentamos relato de pa-ciente submetido à adenoamigdalectomia que evoluiu com disfunção respiratória no pós-operatório imediato.

APRESENTAÇÃO DO CASO

Paciente masculino, 2 anos e 8 me-ses, foi atendido em emergência pediátrica por disfunção respiratória. Mãe referia his-tória de roncos e episódios de apnéia há 1 ano, com piora nas últimas 2 semanas. Ao exame físico, esforço ventilatório inspirató-rio, com retração subcostal. A saturação se mantinha entre 98 e 100% enquanto acor-dado, apresentando episódios de queda até 82% durante sono. À orofaringoscopia foi observada hipertrofia de tonsilas palatinas grau 45, sendo a ausculta pulmonar normal. O paciente foi submetido à adenoamigda-lectomia, realizada sem intercorrências. No pós- operatório imediato, a criança apre-sentou agitação, com queda de saturação, sem resposta à oxigenioterapia por cateter nasal. Não havia estridor ou outro sinal de obstrução respiratória alta. O paciente foi colocado em máscara de Venturi e foi realizada nebulização com adrenalina, ha-vendo melhora do padrão ventilatório. RX de tórax demonstrou infiltrado intersticial difuso, sem aumento de volume cardíaco

(Figura 1). O paciente necessitou de su-porte ventilatório por aproximadamente 24 horas. RX de tórax repetido após 2 dias foi normal.

DISCUSSÃO

A história clínica do paciente apre-sentado sugere fortemente o diagnóstico de edema pulmonar pós-obstrutivo tipo II, uma vez que havia obstrução crônica da via aérea resolvida rapidamente através de cirurgia e a ausência de sinais de obstrução de via aérea alta. O edema pulmonar tipo II é explicado pela pressão expiratória final positiva gerada pela obstrução crônica da via aérea. Quando esta é aliviada, a dimi-nuição brusca da pressão intratorácica faz com que o retorno venoso aumente, au-mentando a pressão hidrostática e gerando edema6. Já no tipo I, o esforço ventilatório para vencer a obstrução aguda gera uma pressão negativa suficiente para aumentar o volume sangüíneo, aumentando a pressão hidrostática e gerando edema6.

Os dois tipos de edema apresen-tam quadro clínico similar com disfunção respiratória, taquipnéia, taquicardia, queda de saturação, roncos e crepitantes à aus-culta pulmonar. No entanto, esses quadros podem se apresentar como um achado radiológico isolado, assintomático4.

O tratamento utilizado no

pacien-te apresentado, com monitorização em unidade de terapia intensiva pediátrica e administração de oxigênio suplementar está de acordo com o recomendado na literatura4,6.A infusão de líquidos deve ser cuidadosa e o uso de diurético deve ser feito com parcimônia6. O uso de corticóide pode ser útil, considerando dano alveolar na patogênese do edema. A completa re-solução do edema em geral se dá em 24 horas3, tendo sido esta a evolução obser-vada no caso clínico apresentado.

COMENTÁRIOS FINAIS

Éfundamental que os profissionais que prestam assistência a pacientes pedi-átricos portadores de doença obstrutiva crônica da via aérea tenham conhecimen-to da possibilidade de desenvolvimenconhecimen-to deedema pulmonar pós-obstrutivo no pós-operatório de tais pacientes. Apesar de esta ser uma complicação autolimitada na maioria das vezes, necessitando apenas de monitorização e suplementação de oxigênio, o início rápido pode levar a um quadro potencialmente fatal se um reco-nhecimento e intervenção precoces não forem realizados.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Tarrac SE. Negative Pressure Pulmonary Edema - A Postanesthesia Emergency. J Perianesth Nurs. 2003; 18(5): 317-23.

2. Capitanio MA, Kirkpatrick JA. Obstructions of the upper airway in children as reflec-ted on the chest radiograph. Radiology. 1973;107:159-61.

3. Mehta VM, Har-El G, Goldstein NA. Posto-bstructive Pulmonary Edema After Laryn-gospasm in the Otolaryngology Patient. Laryngoscope. 2006;116:1693-6.

4. Kooy MAV, Gargiulo RF. Postobstructive Pul-monary Edema. Am Fam Physician. 2000; 62: 401-4.

5. Brodsky L. Modern assessment of tonsils and adenoids. Pediatr Clin North Am. 1989; 36: 1551-69.

6. Guffin TN, Har-El G, Sanders A, Lucente FE, Nash M. Acute postobstructive pulmona-ry edema. Otolapulmona-ryngol Head Neck Surg. 1995;112:235-7.

Palavras-chave: adenoidectomia, amigdalectomia, apnéia, edema pulmonar.

Keywords: adenoidectomy, apnea, pulmonary edema, tonsillectomy.

1 Médica Residente do Serviço de Otorrinolaringologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. 2 Mestre em Pediatria pela UFRGS. Médica Otorrinolaringologista do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.

Este artigo foi submetido no SGP (Sistema de Gestão de Publicações) da BJORL em 29 de maio de 2007. cod. 4562. Artigo aceito em 1 de setembro de 2007.

Imagem

Figura 1. RX de tórax durante quadro de disfunção respiratória  demonstrando infiltrado intersticial bilateral.

Referências

Documentos relacionados

I ntroduction and Aims: the Internet is the world’s fastest growing source of health related information. Parents and guardians are increasingly turning to the

The following data were selected for analysis: age range, origin, gender, ethnic group, education level, oc- cupation, life habits (drinking alcohol and smoking), site of

Subjects aged over 50 years had a higher risk of Presbycusis, as did subjects with diabetes mellitus and a positive family history of hearing loss..

Surgical intervention in patients with bilateral clefts cause great repercussion, especially regarding a procedure done to the premaxilla, considering impact on maxillary

The goal of the present study was to check the correlation of p53 and Ki-67 immunohistochemical ex- pression in oral cavity and tongue epidermoid carcinomas with lymph node

Finding such taste alterations can justify the most frequent complaint of taste disorders after otosclerosis surgery, clearly shown by many surgeons, when compared to

To evaluate the characteristics of swallowing after total laryngectomy and pharyngolaryngectomy with pharyngeal T closure, correlating them with the Quality of

Tone audiometry tests identified the following types of hearing loss among case group members: sensorineural (38%), mixed (24%), and conductive (1%); 37% of the au- diograms in