nesse encontro em que temos estudado a Palavra do Senhor e especificamente hoje nos alegramos

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Data da gravação: Produtor: Itamir Neves Locutor: Itamir Neves

Olá amigo estamos iniciando mais um programa da série Através da Bíblia, quero saudá-lo, desejando

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sobre você e toda a sua família as mais preciosas bênçãos do Senhor. É um prazer estar junto com você nesse encontro em que temos estudado a Palavra do Senhor e especificamente hoje nos alegramos muito quando iniciamos os nossos estudos no 1º livro poético do Antigo Testamento, o livro de Jó.

Como temos repetido, para nós é muito bom saber que você está dedicando esse tempo específico para a meditação na Palavra de Deus. Você sabe que o estudo contínuo da Bíblia é um privilégio, mas é também um dever, pois ela é nosso alimento espiritual. No início desse programa quero registrar as palavras do AWSF nosso irmão de Potim em São Paulo. Ele nos enviou a seguinte mensagem: “Sou ouvinte do Através da Bíblia e acho os estudos muito bons, muito bem explicados. Irmãos, antes eu vivia fora da lei e cometi muitos crimes, mas estou pagando por isso. Aceitei a Jesus e hoje sou pregador da Palavra de Deus e faço a obra de Deus para com outros criminosos. Vejo que as pessoas, as almas são muito carentes e precisam de Jesus. Parabéns pelo programa. Continuem sempre assim”.

Querido amigo, muito obrigado por suas palavras. Ficamos muito alegres quando recebemos essas palavras de apoio, afinal esse é o nosso propósito. Ficamos contentes também quando ouvimos que temos irmãos que estão envolvidos no ministério de proclamar a Palavra de Deus. Nossa oração é que esses estudos possam ajudá-lo na divulgação da boa semente divina. Obrigado por suas orações em favor do programa. Saiba também que estaremos orando por você. Conte com o nosso apoio. Por isso mesmo quero convidar a todos vocês e você especificamente a nos colocar então diante do Senhor com nossos pedidos e agradecimentos. Por isso oramos assim: "Querido Deus e Pai, chegamos à tua presença reconhecendo tua soberania, teu poder, tua onisciência. Reconhecemos que tudo conheces e sabes que necessitamos da iluminação do teu Espírito para o nosso estudo de hoje. Pai misericordioso, te pedimos então que tenhamos nossas mentes abertas para ouvirmos Tua Palavra e capacitação para obedecê-la. Pedimos isso em nome de Jesus Cristo, Amém"!

Querido amigo, damos graças a Deus porque iniciamos mais uma jornada dentro do projeto que temos,

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de estudar toda a Palavra de Deus. Você sabe que o alvo desse programa é estudar toda a Bíblia

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Sagrada, nos seus sessenta e seis livros. Os trinta e nove livros do Antigo Testamento e os vinte e sete livros do Novo Testamento compõe este livro que é a Palavra de Deus, o único livro que revela o querer de Deus para nós. Hoje temos como alvo conhecermos os aspectos introdutórios deste primeiro livro da divisão do Antigo Testamento que recebe o nome de livros poéticos. Vamos conhecer o livro de Jó e faremos isso através de diversas considerações iniciando com uma:

1.Introdução aos livros poéticos e aos livros de sabedoria

A Bíblia, conforme cremos é a Palavra de Deus, que nos chega por intermédio das experiências do povo de Deus. Ela expressa todas as emoções da vida de fé e trata de muitas áreas da experiência humana que podem parecer seculares ou não espirituais. E, em nenhum lugar isso é mais verdadeiro que na literatura poética e de sabedoria. Esses livros poéticos expressam todas as emoções que o fiel encontra na vida, sejam elas emoções de louvor ou amor a Deus, sejam elas de ira contra aqueles que praticam a violência e o dolo, ou sejam elas de lamento e perplexidade pessoal ou apreço pela verdade de Deus. Tradicionalmente, falamos de Salmos e de Cântico dos Cânticos como os livros de poesia bíblica, e de Jó, Provérbios e Eclesiastes como os livros de sabedoria bíblica. Os cinco livros chamados poéticos: Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cântico dos Cânticos ainda nos fornecem os melhores exemplos de como ler hinos, cânticos, provérbios e reflexões da Bíblia.

Muitos dos temas e das características das literaturas egípcia, cananéia e mesopotâmica são encontrados no Antigo Testamento, particularmente nas passagens poéticas e de sabedoria. Entre os mais comuns estão: 1) O paralelismo, recurso em que uma linha de poesia é seguida por uma segunda que de algum modo reitera ou reforça a primeira; 2) O quiasmo, onde a segunda linha reforça a primeira com inversão da seqüência de palavras ou frases; 3) Os provérbios numéricos enumeram um número de elementos ou ocorrências que partilham de uma característica comum; 4) Num poema acróstico, cada

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verso ou seção começa com uma letra sucessiva do alfabeto hebraico; e, 5) finalmente nos recursos

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retóricos. A linguagem da poesia e da sabedoria bíblica visa torná-los interessantes e mnemônicos.

Muito bem, agora, depois desses esclarecimentos, podemos nos ocupar com os aspectos introdutórios específicos, relativos ao livro de Jó.

2.Introdução ao livro de Jó

O livro de Jó é talvez um dos livros que mais sofre criticas dos estudiosos que se ocupam com a compreensão do conteúdo bíblico. Certamente esses comentários, essas críticas se deve ao fato de Jó abordar assuntos bem delicados como: 1) O conceito sobre a maneira de Deus agir mediante a Sua soberania e determinação; e, 2) O problema do sofrimento humano. O livro conta a história de um homem reto: Jó, a quem Deus, por insistência de Satanás, permitiu que fosse afligido para lhe testar a fidelidade e a integridade.

3. O ambiente histórico e geográfico do livro

1. É importante distinguirmos entre a data em que Jó viveu e o tempo quando o livro de Jó foi escrito.

2. Jó aparentemente viveu durante o tempo dos patriarcas, possivelmente perto do tempo de Abraão.

Podemos concluir este fato pelas seguintes informações:

2.1. Não há no livro referências claras à lei de Moisés ou suas instituições. Isto seria incomum se Jó vivesse virtualmente em qualquer tempo depois de Moisés.

2.2. Jó mesmo oferecia sacrifícios em favor de sua família, uma prática característica dos dias patriarcais, quando não havia sacerdócio estabelecido comparável com aquele sob a lei mosaica.

2.3. A duração da vida de Jó se ajusta bem ao período dos patriarcas. Mais de 140 anos (42.16-17).

2.4. Parte da linguagem (mesmo o uso de certas palavras) sugere um ambiente nos dias patriarcais.

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2.5. Deve se notar que a força de alguns argumentos depende em parte da localização da terra de Uz.

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3. A localização da "terra de Uz" é incerta. Há duas possibilidades principais:

3.1. Uz era a descrição de uma área entre Damasco e o rio Eufrates e na orla do deserto Arábico.

3.2. Uz era localizada na fronteira de Edom, no deserto Arábico. Esta possibilidade coloca Jó mais perto das localizações comumente aceitas para os lugares de origem dos três amigos.

4. O ambiente do livro e os paralelos literários do livro de Jó

Fora da Bíblia. Os antigos sábios escreveram muito acerca do sofrimento humano. Por isso é possível admitirmos que a antiga literatura de lamentos com certeza influenciou Jó, em especial na maneira pela qual ele expressou suas queixas.

Dentro da Bíblia. Alguns estilos do material bíblico encontrados em Jó são: Lamentos, Hinos de Louvor, Provérbios, Discurso Profético, Poemas de Sabedoria, Ditados Numéricos, Questionamento reflexivo, Apocalíptica. Assim, Jó, de fato não é um livro convencional.

5. Informação sobre poesia hebraica percebida no livro de Jó

A. Não é surpreendente que uma grande parte do livro de Jó esteja na forma de poesia hebraica. A poesia tem sido descrita como a linguagem do coração e o livro evidencia um personagem que está em grande angústia, tanto pelo sofrimento real como pela ignorância da razão do seu sofrimento. É, portanto, imperativo que o leitor tenha algum conhecimento da poesia hebraica.

B. Diferente do verso moderno que é reconhecido como poesia por causa de rima ou de metro, a poesia hebraica não depende de nenhum deles. Em vez disso, neste livro de Jó a poesia hebraica emprega um artifício conhecido como paralelismo, como já nos referimos. Há três tipos de paralelismo em Jó:

1. Sinônimo - a 2ª linha do dístico (grupo de dois versos) repete o pensamento da 1ª linha (por exemplo, 4:7; este é o tipo mais comum de paralelismo no livro de Jó).

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2. Antitético - a 2ª linha do dístico forma um contraste com a 1ª linha (por exemplo, 16:20).

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3. Sintético - a 2ª linha completa ou aumenta o pensamento da 1ª (por exemplo, 4:9, 19:21).

6. A questão da autoria do livro de Jó

O texto de Jó não revela a identidade do seu autor, mas o conteúdo do livro revela que ele era um pensador profundo que trata do problema mais difícil e essencial da existência humana, sob uma perspectiva espiritual e madura.

O autor era, também, uma pessoa de educação elevada e bem familiarizada com os temas e com a natureza da literatura de sabedoria, e com as culturas de outros países.

1. Como acabamos de mencionar, é quase certo que o livro de Jó não foi composto no mesmo tempo em que seu personagem histórico viveu.

2. O autor não se identifica claramente. Sugestões de escritores especialistas incluem Moisés, Salomão, Jeremias, Baruque (servo de Jeremias), Isaías ou ainda, o próprio Jó.

3. Naturalmente, mesmo que não saibamos explicitamente quem escreveu o livro de Jó, a consideração importante é que ele foi inspirado. Se aceitarmos o livro como inspirado, então ele faz parte da palavra de Deus e a pessoa específica que compôs o livro não é tão importante.

7. Data

Ninguém sabe quando se escreveu o livro de Jó. Alguns consideram que ele foi escrito no exílio babilônico, mas o livro não faz alusão a esse fato ou a algum fato da história de Israel. Os antecedentes culturais e históricos parecem remontar aos tempos de Gn 12 a 50, isto é, o segundo milênio a. C.

Portanto, é provável que a data dos seus acontecimentos seja situada na época dos patriarcas. Assim, a história de Jó foi transmitida oralmente, de geração em geração, e só depois registrada por escrito.

8. Unidade e integridade

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Alguns estudiosos asseveram que algumas partes do livro são acréscimos posteriores, ou seja, não

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foram escritas pelo autor original e não são sinceras em suas intenções. Mas o livro fica sem sentido, caso essas partes sejam eliminadas. Portanto, nossa convicção é que o conteúdo do livro seja íntegro.

9. Resumo sobre as questões da localização, da data e do valor do livro de Jó

Ninguém sabe onde era que ficava Uz. O tempo e o lugar que são essenciais para qualquer livro em qualquer literatura, não podem ser identificados aqui no livro de Jó. Não temos o tempo nem o lugar.

Nós podemos sugerir algumas possibilidades, como, por exemplo, que este livro foi produzido no tempo dos patriarcas, pois vivendo uma vida de muita longevidade ele se coloca junto com os patriarcas na sua época. No fim do livro nós lemos o seguinte no capítulo 42, e versículo 16: "Depois disto viveu Jó cento e quarenta anos, e viu aos seus filhos e aos filhos de seus filhos, até a quarta geração. Nós vemos também, que Jó fazia o trabalho de sacerdote no meio de sua família. Não há menção dos filhos de Israel, é possível que Jó tenha vivido antes que Jacó tivesse surgido, e, dentro do livro encontramos um nome muito enfático que é o de Elifaz. Não seria este o filho de Esaú? Mesmo com outras dúvidas, o importante a respeito do livro de Jó é o seguinte: há muita verdade, há muito ensino para as nossas vidas. É um livro profundamente filosófico e profundo.

10. O problema do tema central do livro de Jó

O livro de Jó confunde os leitores de hoje. Decerto, alguns leitores crêem o assunto do prólogo resolve o problema: o sofrimento é um teste da humanidade num julgamento cósmico diante de Deus e Satanás.

Na realidade, é consideravelmente pouco o que Jó fala do problema do sofrimento. Entretanto, ainda que o sofrimento seja um fator importante no livro, a questão central não é por que os justos sofrem, mas por que servir a Deus.

11. Razões para o estudo do livro de Jó

O livro deve ser usado para explorar as perguntas mais difíceis da vida. Essas sãos algumas das

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perguntas que a maioria das pessoas faz numa ou noutra ocasião:

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1.Por que há o mal no mundo? 2. Por que há dor, sofrimento e mágoa? 3. Por que os justos sofrem?

Se você já fez essas perguntas; ou se você já teve respostas simplistas para essas perguntas, certamente, o estudo desse livro fará você conhecer ao exame que o autor faz dos misteriosos caminhos de Deus.

12. Os propósitos do livro de Jó

Além do sofrimento humano, o autor quis tratar sobre outros temas importantes. Mas, ao contar a história de Jó, o autor faz com que seus leitores se identifiquem com as lutas espirituais e filosóficas desses personagens. Os personagens do livro são: 1) Deus (prólogo e epílogo). 2) Satanás (prólogo). 3) Jó e sua família. 4) Os três amigos de Jó: Elifaz, Bildade e Zofar. 5) A participação de Eliú.

Como conselheiro de quem sofre, o autor do livro ilustra de modo bem claro a insuficiência da lógica humana para explicar a realidade e a natureza do mal no mundo e em nossas vidas. São cinco os aspectos que compõe o propósito do livro:

1. Naturalmente, o livro inteiro trata do problema da dor e do sofrimento. Jó volta-se particularmente para o problema do sofrimento inocente.

2. Ao mesmo tempo, parece que este problema é ocasião para uma lição sobre viver pela fé. O livro é uma afirmação da glória e perfeição do Senhor, aquele que é digno de ser adorado e louvado. Observe que a acusação de Satanás concernente ao "serviço egoísta" de Jó é, na realidade, uma acusação contra o próprio Deus. Satanás está afirmando que não há outra razão para um homem servir a Deus a não ser pelas bênçãos físicas e assim Deus precisa subornar o homem com bênçãos materiais para receber adoração dele. A fidelidade de Jó no meio da tribulação prova que Satanás está errado e mostra como Deus é correto.

3. Há um bom número de outras doutrinas bíblicas que recebem atenção no livro e às quais daremos

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atenção nas lições que tratam do texto.

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4. Jó não entende porque está sofrendo e assim está posto o cenário para uma discussão do problema do sofrimento humano em geral.

4.1. Os três amigos de Jó partilhavam uma idéia comum, mas errônea, quanto à razão do sofrimento do homem, e de Jó em particular.

4.2. O raciocínio deles é resumido claramente assim: 1. O sofrimento é o resultado direto dos pecados pessoais e está em proporção com a magnitude dos pecados. 2. Jó, naturalmente, está sofrendo muito. 3.

Portanto, Jó deve ter pecado gravemente. 4. O problema com o raciocínio dos amigos é que a sua premissa maior (o sofrimento é o resultado direto dos pecados pessoais) nem sempre é verdadeira. 5.

Há outras causas de sofrimento.

5. Às vezes é sugerido que o livro de Jó é meramente um poema elaborado sem ter nenhuma base histórica. O escritor simplesmente inventou estas personagens com o propósito de ensinar Israel sobre o sofrimento. Não obstante, outras referências bíblicas a Jó apontam-no em companhia de personagens históricas reais e aceitas.

13. A Estrutura do texto

PRÓLOGO – Jó e suas circunstâncias 1.1—2.13

O DIÁLOGO COM OS TRÊS AMIGOS 3.1—31.40

OS DISCURSOS DE ELIÚ 32.1—37.24

OS DISCURSOS DE DEUS 38.1—42.6

EPÍLOGO: JÓ É RESTAURADO 42.7-17

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14.O valor teológico

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O sofrimento em si não é o tema central do livro, na realidade a atenção é focalizada naquilo que Jó aprende com o seu sofrimento, isto é, o Deus soberano sobre toda a sua criação pode ser conhecido.

Jó não servia a Deus à toa. Ele aprendeu que o benefício real de sua piedade não era a saúde, a riqueza e os filhos; era o próprio Deus. Deus, o Criador e Juiz de tudo, está concretizando o triunfo da justiça.

Lições do livro de Jó

Eu creio que a verdadeira lição ou o verdadeiro ensino no livro de Jó, não é sobre o sofrimento ou sobre a paciência. Eu penso que a lição do livro de Jó é ensinar arrependimento para o justo, para o crente.

Deus usa as provações, Deus testa a todos, amorosamente, inclusive aquele que se acha justo, com o propósito de levá-lo ao conhecimento de si mesmo, em humildade e com o propósito de que ele conheça verdadeiramente a Deus, e ao seu amor, que redundam em graça e misericórdia. Essa verdade não se revela rapidamente no texto, porém, poderá ser percebida assim que o nosso estudo se aprofundar no texto sagrado. Até diríamos que não chegamos a esta verdade, a esta lição preciosa a não ser no final do livro, assim como aconteceu com o próprio Jó.

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