Fractal: Revista de Psicologia, v. 21 – n. 1, p. 197-198, Jan./Abr. 2009 197
C
IDADE ACESSÍVEL:
IGUALDADE E SINGULARIDADE DA DEFICIÊNCIA VISUAL+
Jéssica da Silva David
++Veronica Torres Gurgel
+++Ximene Martins Antunes
++++Virginia Kastrup
+++++Palavras-chave: defi ciência visual – acessibilidade – locomoção na cidade
A maior parte das discussões acerca das defi ciências (motoras e sensoriais) tende a tomar uma de duas direções. A primeira delas se refere às políticas de inclusão que, focadas no direito das pessoas com defi ciência, enfatizam a igualdade entre defi cientes e não defi cientes. A segunda direção vai em sentido oposto e destaca a diferença. Sob tal perspectiva, na maioria das vezes a defi ciência é vista como um défi cit, um empecilho, desconsiderando o que ela tem de potência de recriar a subjetividade, de aprender e conhecer, de se relacionar e habitar a cidade. Numa orientação mais interessante, a pessoa com defi ciência é vista como portadora de necessidades especiais. No campo da defi ciência visual, estudos cognitivos apontam para as particularidades do cego, atentando também para suas potencia-lidades. A diferença cognitiva entre cegos e videntes diz respeito ao modo como eles se movimentam e sua percepção do espaço, o que tem conseqüências para a locomoção na cidade. A especifi cidade da pessoa com defi ciência visual se dá não como efeito de uma falta de competência cognitiva espacial, mas como decorren-te da ausência de dados perceptivos proveniendecorren-tes do ambiendecorren-te. Para os videndecorren-tes, o que permite se locomover no espaço de maneira organizada é a relação entre movimentos realizados e as progressivas mudanças de distância e direção entre os objetos e si mesmo. Para os defi cientes visuais não há um fl uxo visual contí-nuo, mas um signifi cativo embasamento em outros sentidos, como tato, audição e propriocepção. Numa cidade feita prioritariamente para os que enxergam surgem diversas difi culdades para os cegos. Dessa forma, o projeto teve como objetivo investigar três situações do cotidiano: pegar um ônibus, atravessar uma rua e desviar de um orelhão. Visou-se observar de que maneira essas situações se dão,
+ Trabalho apresentado na Jornada de Iniciação Cientí
fi ca Giulio Massarani, realizada no período de 03/11/2008 a 11/11/2008, na Universidade Federal do Rio de Janeiro.
++ Graduanda em Psicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro [UFRJ] e Bolsista de
Iniciação Cientifi ca PIBIC | CNPQ | UFRJ.
+++ Aluna do curso de graduação em Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro e
bolsista de iniciação científi ca pelo CNPq.
++++ Aluna da graduação de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Estagiária do projeto Atenção e invenção na produção coletiva de imagens: um estudo com cegos em uma ofi cina de cerâmica, do programa de pós-graduação do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
+++++Doutora em Psicologia, professora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da
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que difi culdades podem surgir e quais os dispositivos e estratégias criadas. As observações foram feitas nos arredores do Instituto Benjamin Constant e do Cam-pus da Praia Vermelha da UFRJ. Foram também realizadas entrevistas-passeio com os próprios defi cientes visuais. Ao fi nal, foi realizada uma discussão sobre de que forma a acessibilidade ocorre nos contextos investigados, considerando tanto a situação da cidade quanto a do usuário defi ciente visual. Concluiu-se que os direitos são para todos, mas para que a igualdade seja alcançada é preciso criar condições que atendam as singularidades do defi ciente.