Patrocínio, MG, outubro de 2016
ENCONTRO DE PESQUISA & EXTENSÃO, 3., 2016, Patrocínio. Anais... Patrocínio: IFTM, 2016.
ATIVIDADE LABORAL E O RISCO DA SÍNDROME BURNOUT
EM PROFISSIONAIS BANCÁRIOS
Pollyane Elias Reis (IFTM)1; Rafael Henrique Constantino (IFTM) 2; Marlúcio Anselmo Alves (IFTM)3
Modalidade: Pesquisa
Resumo:
A Síndrome de Burnout caracteriza-se por esgotamento profissional, perda do interesse pelo trabalho, exaustão emocional, distanciamento das relações pessoais e diminuição do sentimento de realização pessoal. Esse artigo tem como objetivo conhecer a susceptibilidade em bancários da sua ocorrência e identificar as causas, sintomas e consequências. Trata-se de um estudo exploratório, descritivo que recorre à revisão da literatura a fim de indagar questões e buscar informações sobre a Síndrome de Burnout. Os resultados apontam para o aumento desta ocorrência em alguns grupos e destaca o profissional bancário com uma susceptibilidade maior em relação a estes tendo em vista a crise econômica e política atravessada pelo país.
Palavras-chave: síndrome; burnout; bancários. Introdução
A notória e fatídica mudança nos aspectos tecnológico, econômico, social, cultural e seu dinamismo direcionam as pessoas a uma tentativa de acompanharem este processo. E não podendo ir à contramão desta transformação, as organizações cada vez mais competitivas, buscam por profissionais que assumam o comportamento competitivo e a efetividade vinculada ao alcance de metas. Dessa maneira as instituições financeiras públicas e privadas também sofreram grandes mudanças na forma que
1
Estudante do Curso de Tecnologia em Gestão Comercial. [email protected] 2
Estudante do Curso de Tecnologia em Gestão Comercial. [email protected] 3
521
prestam seus serviços e a tecnologia talvez seja uma das grandes responsáveis por essas mudanças.
A quantidade de funcionários inversamente proporcional ao número de clientes que demandam por serviços com uma maior agilidade. A cobrança por maior agilidade e o alcance de metas elevadas recai sobre os funcionários que estão dentro das agências atendendo diretamente ao público. Para alguns este modelo pode gerar um estado de tensão levando a um quadro de insegurança, agressividade, isolamento, mudanças bruscas de humor, irritabilidade, dificuldade de concentração, lapso de memória, depressão, pessimismo, ansiedade, baixa autoestima, dentre outros.
Todos estes sintomas podem ser caracterizados como estresse, depressão ou algo de maior dificuldade de diagnóstico como, por exemplo, a Síndrome de Burnout, que acaba várias vezes sendo confundidas com outras patologias e tratadas de forma errada.
Burnout é um tipo de estresse de caráter persistente vinculado a situações de trabalho, resultante da constante e repetitiva pressão emocional associada com intenso envolvimento com pessoas por longos períodos de tempo, que acomete profissionais envolvidos com qualquer tipo de cuidado em uma relação de atenção direta, contínua e altamente emocional (HARRISON, 1999).
Objetivos
- Conhecer a susceptibilidade de bancários à Síndrome de Burnout. - Identificar as causas, sintomas e consequências desta síndrome.
Metodologia
O estudo exploratório, descritivo aqui proposto recorre à revisão da literatura a fim de indagar questões e buscar informações sobre a Síndrome de Burnout. A realização deu-se por busca em base de dados nacionais e internacionais, com o objetivo de encontrar o que existe de consenso ou contraditórios no assunto.
Com este intuito foi efetuada uma busca das publicações na área de saúde, sendo utilizado artigos, dissertações, teses e publicações nas revistas eletrônicas como a Scielo, InterAção Psy e Revista Brasileira de Atividade
522
Física & Saúde, o critério para inclusão foram as publicações dos últimos 5 anos usando como descritores de busca, burnout em bancários e ocorrência.
Desenvolvimento
A ocorrência das doenças psicossociais vem assumindo patamares relevantes na sociedade de modo geral, porém, em algumas profissões se despontam de forma mais acentuada. As conjunturas políticas e econômicas são fatores intervenientes importantes e os momentos de crises econômicas predispõem os envolvidos em algumas atividades laborais a uma maior susceptibilidade. Neste contexto, os profissionais que atuam no mercado financeiro estão vulneráveis à conjuntura apontada.
Diante do cenário de diversas transformações socioculturais e econômicas, as agências bancárias, tanto as públicas quanto as privadas vêm recebendo um número considerável de clientes e usuários que demandam por atendimentos ágeis e de qualidade. Com isso cabe aos funcionários de bancos criarem mecanismos para que mesmo com um atendimento rápido e de qualidade, ele consiga criar no cliente a necessidade da compra de determinados produtos ou serviços que os bancos ofertam como seguros, investimentos, empréstimos, dentre outros.
Silva (2012), aponta como fatores estressantes neste ambiente o contato com a pressão da rigorosa meta, sobrecarga de trabalho, diferenças de caixas, medo, insegurança, exigência de uma qualificação pessoal, agressões dos clientes e cobranças por resultados que possibilitam a punição por meio de mecanismos de avaliação de desempenho, intensas reestruturações produtivas potencialmente nocivas ao indivíduo, elevando os riscos de estresse ocupacional nesta categoria profissional.
De acordo com Oliver (2011), o estresse ocupacional, está relacionado a situações onde a pessoa percebe um grande volume e disputa diária no trabalho, falta de percepção e tolerância do chefe, pressões sofridas pelo funcionário, na qual, inadequadamente o ambiente se torna desfavorável a pessoa e ao seu exercício, ameaçando as suas necessidades de realização pessoal e profissional. Esses fatores, aliados à escassez das condições de trabalho, podem colocá-losem risco para a Síndrome de Burnout. Diante desta relação percebe-se o ambiente bancário como propício a esta condição.
523
Para Zorzanelli (2016), a Síndrome de Burnout, surgiu em 1974, como objeto científico, descoberta pelo Herbert Freudenberger que descreve um quadro de esgotamento físico e mental, energias negativas ligadas ao desgaste profissional no trabalho. A Síndrome vai além do estresse, sendo encarada como uma reação ao estado crônico no ambiente de trabalho não alterando em períodos de descanso ou afastamento temporário, por ser um excessivo desgaste de energia, indicando um alto nível de tensão e insatisfação no trabalho, as quais têm uma relação de atenção direta, contínua e altamente emocional (MOREIRA et al., 2009).
Burnout tem sido considerada um problema social de extrema relevância, devido a uma maior rotatividade dos trabalhadores, problemas e qualidade da produtividade, a baixa psicologicamente ao desligamento, levando a grandes custos na organização. Geralmente, as pessoas ao se instalar essa doença, elas não sabem, pois acomete no início de forma insidiosa. Progressivamente o estado do sujeito tem uma relação com o seu exercício profissional (GARCIA, 2003).
O diagnóstico é um processo exagerado e prolongado dos níveis de estresse no trabalho. Etimologicamente, existem quatro concepções teóricas: clínica, sociopsicológica, organizacional, sócio-histórica. A mais utilizada nos estudos atuais é a concepção sociopsicológica, na qual as características do individuo agregadas ao ambiente e ao trabalho caracterizam em três fatores relacionados independentemente: os sinais de exaustão emocional (EE), despersonalização (DE), decepção e diminuição da realização pessoal (RP), devido a grande e estressante carga tensional (SANTOS, 2013).
A exaustão emocional compreende o esgotamento da energia, recursos, na qual a pessoa não pode dedicar mais de si afetivamente, por lidar diretamente com o problema. Por despersonalização consistem da falta de realização pessoal no trabalho e de sentimentos e situações negativas no atendimento com os clientes ou usuários em relação ao serviço que deve ser prestado.
A decepção e diminuição da realização pessoal a partir da negativa capacidade de desempenho no trabalho, no atendimento com os usuários ou clientes, bem como uma semelhança da instituição gestora aos serviços (COSTA, 2003).
524
O burnout em bancários advém de estresse crônico, típico do cotidiano do trabalho, em que há pressões excessivas e pouco reconhecimento dos seus superiores. Essa síndrome associa-se a cefaleia, depressão, insônia, fadiga crônica, tensão muscular, problemas cardiovasculares e um aumento do consumo de tranquilizantes e antidepressivos.
Deve se reconhecer que os desafios de atingir as metas, na qual, a ação de vender, possibilita a punição através da avaliação de desempenho, com abusivas cargas horárias, agressões verbais dos clientes, isso tudo leva a realidade dos bancários, que são pressionados a se relacionar entre si e com os outros, com predomínio na elevação da síndrome (REATTO et al., 2014).
Considerações Finais
A síndrome de burnout é uma doença caracterizada como estado crônico no ambiente de trabalho com alto nível de tensão e desgaste de energia, desta forma ações neste ambiente são essenciais para a promoção da saúde.
O burnout em bancários origina de pressões exercidas pelas instituições financeiras, cada vez mais exigente, seletivas e que buscam uma maior lucratividade em seus negócios, e que podem causar sérios danos à saúde desses colaboradores.
Os bancários talvez sejam um dos grupos ocupacionais que estejam mais susceptíveis à síndrome de burnout, devido a fatores enfrentados no dia-a-dia para atender aos clientes, cumprir metas, horas extras realizadas sem remuneração devida, agressões sofridas por clientes que desejam um atendimento ágil e diferenciado, ambiente de trabalho desfavorável, além de todo o estresse enfrentado com a burocratização na execução de suas tarefas.
Tendo em vista a amplitude e necessidade de melhor conhecimento este trabalho ainda não se deu por encerrado, os autores pela inquietação e interesse em conhecer a ocorrência prosseguirão com a pesquisa em campo tendo como título: Estudo Comparativo da Ocorrência da Síndrome de Burnout em Bancários da Rede Pública e Privada no Município de Patrocínio- MG, em fase de aprovação pelo Comitê de Ética, na plataforma Brasil.
525
COSTA, A.E.B. Auto-Eficácia e Burnout. Apresentado como Conferência no I Seminário Internacional sobre Estresse e Burnout. Curitiba, 30 e 31 de agosto de 2002. Revista Eletrônica Interação Psy, ano 1, n.1, p.34-67, ago. 2003. GARCIA, L.P; PEREIRA, A.M.T.B. Investigando o Burnout em Professores Universitários. Faculdade de Psicologia, Centro Universitário de Maringá – PR, Departamento de Psicologia, Universidade Estadual de Maringá – PR. Revista
Eletrônica Interação Psy, ano 1, n.1, p.76-89, ago. 2003.
HARRISON, B.J. Are you to burn out? Fund Raising Management, v.30, n.3, p. 25-28,1999.
MOREIRA, H. de R. et al. Qualidade de Vida no Trabalho é Síndrome de Burnout em Professores de Educação Física do Estado do Rio Grande do Sul, Brasil. Revista Brasileira de Atividade Física & Saúde, v.14, n.2, p.115-122, 2009.
OLIVER, M.; PEREZ, C.S; BEHR, S. da C.F. Trabalhadores Afastados por Transtornos Mentais e de Comportamento: o Retorno ao Ambiente de Trabalho e suas Consequências na Vida Laboral e Pessoal de Alguns Bancários. RAC, Curitiba, v.15, n. 6, p.993-1015, nov/dez. 2011. Disponível em:<
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-65552011000600003 >. Acesso em: jun. 2016.
REATTO, D. Prevalência da Síndrome de Burnout no setor bancário no município de Araçatuba (SP). Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo-SP, Brasil, Centro Universitário Toledo, Araçatuba-SP. Arch Health
Invest, v. 3, n. 2, p.1-8, 2014.
SANTOS, M.R. da S. Síndrome de Burnout entre médicos atuantes na
estratégia de saúde da família: uma análise no município do Rio de Janeiro.
2013. 80f. Dissertação (Mestrado em Saúde da Família) – Universidade Estácio de Sá, Rio de Janeiro, 2013.
SILVA, F.C. da; BRAGA, P.S; ALVES, L. de O. A Síndrome de Burnout e a Qualidade de Vida no Setor Bancário. Simpósio de Excelência em Gestão e
Tecnologia. IX SEGeT, 2012.
TAMAYO, M.R.; TRÓCCOLI, B.T. Construção e validação fatorial da Escala de caracterização do Burnout (ECB). Estudos de Psicologia, 14 (3), p. 213-221, 2009.
ZORZANELLI, R.; VIEIRA, I; RUSSO, J.A. Diversos nomes para o cansaço: categorias emergentes e sua relação com o mundo do trabalho. Interface: Comunicação, Saúde e Educação, Botucatu, 20(56), p.77-88, 2016. Disponível em:<