VI-161-ANÁLISE COMPARATIVA DA REALIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM DUAS ESCOLAS PÚBLICAS MUNICIPAIS NA CIDADE DE CAMPINA GRANDE/PB

Loading....

Loading....

Loading....

Loading....

Loading....

Texto

(1)

22º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental 14 a 19 de Setembro 2003 - Joinville - Santa Catarina

VI-161-ANÁLISE COMPARATIVA DA REALIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO

AMBIENTAL EM DUAS ESCOLAS PÚBLICAS MUNICIPAIS NA CIDADE DE CAMPINA GRANDE/PB

Maria Ribeiro de Araújo (1)

Bióloga pela Universidade Estadual da Paraíba.

Simone Araújo Sousa

Bióloga pela Universidade Estadual da Paraíba.

Mônica Maria Pereira da Silva (2)

Bióloga pela Universidade Estadual da Paraíba.Especialista em Educação Ambiental/UEPB. Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pelo PRODEMA/UFPB/UEPB. Professora da UEPB/CCBS/DFB-NEEA.

Endereço:

(1) Rua Montevidéu, 193 – Prata – Campina Grande-PB. CEP-58102108. Tel: (83) 322-7039.

(2) Rua Maria Barbosa de Albuquerque, 690 – Bodocongó II, Campina Grande-PB. CEP-58108320. Tel: (83) 333-1436.

Email: monicaea@terra.com.br

(2)

A forma difusa e complexa pela qual os recursos naturais, vêm sendo abordados e degradados é alarmante. Sendo reconhecidas as atitudes humanas como a forma mais preocupante deste processo. De maneira que acreditamos na inserção da Educação

Ambiental no âmbito escolar. Este trabalho constituiu uma pesquisa participativa, realizada no período de maio a dezembro de 2001, em duas intuições educativas do ensino

fundamental na cidade de Campina Grande no estado da Paraíba, na região Nordeste do Brasil. O motivo da escolha destas duas unidades escolares teve caráter comparativo e avaliativo. Por ser uma pesquisa participativa compreendeu momentos de sensibilização, os quais aconteceram à medida que os dados foram coletados. Como metodologia usamos as estratégias sugeridas por SILVA (2000), que compreenderam dinâmicas, músicas,

desenhos, observações participantes e entrevistas semi-estruturadas. Nos resultados

identificamos que as percepções ambientais dos educandos dessas duas escolas mostraram-se diferentes em vários aspectos. Acreditamos que a metodologia usada no

desenvolvimento da Educação Ambiental pelas educadoras refletiu em tal resultado. Constatamos também a viabilidade da Educação Ambiental nas escolas, pois aquela onde o trabalho com a Educação Ambiental estava acontecendo continuadamente, os educandos apresentaram uma maior evolução de percepção ambiental. Enquanto na escola em que o processo foi estrategicamente interrompido, estes apresentaram em sua maioria uma percepção ecológica de meio ambiente, denotando uma visão reducionista. Desta forma, torna-se imprescindível incluir a Educação Ambiental às escolas, e através de metodologias dinâmicas e criativas, venham a valorizar os conhecimentos de seus protagonistas.

Favorecendo a verdadeira construção e reconstrução do conhecimento, afinal é através deste intercâmbio entre a escola e a vida que se molda um novo mundo.

PALAVRAS-CHAVE: Educação Ambiental, comparação, sensibilização, escola, percepção, formação de educadores, dinamismo, criatividade, sobrevivência.

INTRODUÇÃO

O processo de modernização, o avanço tecnológico, a busca do ter e a ilusão do progresso, juntamente com o crescimento populacional têm contribuído para o agravamento das questões ambientais.

Diante de um modelo de desenvolvimento baseado na exploração desmedida dos recursos naturais, que até pouco tempo não eram considerados como exauríveis, e após toda uma interferência na homeostase planetária é preciso repensar a relação que existe entre ser

(3)

humano e meio ambiente. Capra (1990) afirma que "modificamos a tal ponto nosso meio ambiente que perdemos o contato com nossa base biológica e ecológica".

Nesse sentido, deve-se investir em uma mudança de percepção, de pensamentos e atitudes que busquem o respeito à natureza, pois a Terra como grande ecossistema precisa ser cuidada, caso contrário, estaremos arriscando nossa própria sobrevivência. Uma vez que desde a sua formação, o nosso planeta passa por um processo em que o meio abiótico e biótico interagem, de maneira intrínseca, o que "faz dele um sistema cibernético complexo, porém unificado" (ODUM, 1988).

Atualmente, é tão preocupante as questões ambientais que a sua preservação e/ou

conservação passou a ser Lei em vários países. A própria Constituição Federal do Brasil em seu artigo 225 Capítulo VI versa sobre O Meio Ambiente e enuncia: "Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, cabendo ao poder público e a coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações".

Dessa forma, surge a Educação Ambiental como proposta de mudança, a mesma oferece condições de formação de uma consciência crítica, holística e de compromisso para com o meio e os problemas que o envolvem, levando o indivíduo a se perceber como parte integrante dessa comunidade de vida que chamamos natureza.

E reconhecendo a escola como o espaço onde ocorre a formação de cidadãos é que a Educação Ambiental visa a construção de "comportamentos ambientalmente corretos" (BRASIL, 1997) os quais devem ser aprendidos desde o inicio da formação escolar. Assim, "a escola é um dos agentes fundamentais para desenvolver os princípios da Educação Ambiental" (ibid).

Por conseguinte, nosso principal objetivo neste trabalho foi realizar uma análise

comparativa, da realização da Educação Ambiental em duas escolas públicas municipais de Campina Grande, Paraíba, visto que tais escolas passaram por um processo de formação de educadores ambientais, porém as estratégias utilizadas foram diferenciadas. Em uma das escolas o trabalho de Educação Ambiental vem ocorrendo continuamente, na outra o trabalho foi interrompido estrategicamente.

METODOLOGIA

O presente trabalho foi realizado no período de maio a dezembro de 2001 em duas escolas públicas do Ensino Fundamental na cidade de Campina Grande - PB, Escola Municipal Lafayete Cavalcanti e Escola Municipal Advogado Otávio Amorim, ambas localizadas no conjunto Álvaro Gaudêncio, popularmente chamado de Malvinas, este possui uma

população atual de 40 mil habitantes e conta com apenas estas duas escolas municipais, as quais foram escolhidas, devido terem passado por um processo prévio de formação de educadores, bem como de sensibilização. Porém, salientamos que na Escola Lafayete Cavalcanti a realização de Educação Ambiental tem ocorrido de forma continuada,

(4)

enquanto que na Escola Advogado Otávio Amorim não contempla do mesmo ritmo de trabalho, em decorrência de estratégia utilizada para a avaliar os resultados obtidos com a continuidade dos trabalhos.

De qualquer forma as duas escolas conhecem a importância da Educação Ambiental, e sua contribuição na formação de cidadãos. O envolvimento das escolas citadas teve como principal propósito uma análise comparativa. Todos os educandos do 2º ciclo dos turnos manhã e tarde das duas escolas participaram da pesquisa.

Com o objetivo de coletar os dados, usamos como instrumentos: entrevistas não

estruturadas, matriz, análise de desenhos, dinâmicas, construção de cartilhas e observação direta. Os instrumentos utilizados para à coleta de dados, possibilitaram o processo simultâneo de sensibilização, conforme propõe Silva (2000, 2002)

No Quadro 01 estão apresentadas de forma sucinta, os instrumentos utilizados para coleta de dados.

QUADRO 01: Instrumentos usados para coleta de dados e respectivos objetivos Instrumentos utilizados para coleta de dados

Objetivos

Produção de desenhos, dinâmica do sol e das bexigas. Percepção Ambiental e Sensibilização Ambiental Músicas: "O indiozinho" e "Oh que tarde linda". Incentivo à Afetividade e Sensibilização Ambiental Matriz

Percepção e Sensibilização Ambiental Charges

Motivação para cidadania e Sensibilização Ambiental Construção e defesa de cartilhas

(5)

Os dados foram analisados de forma quantitativa e qualitativa, utilizando-se da triangulação, que segundo Sato (1997) e Thiollent (1998) consiste em quantificar e descrever os dados obtidos.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Através dos dados coletados, percebemos claramente a evolução e as repercussões positivas e benéficas quanto às mudanças de percepção e postura dos educandos da Escola Municipal Lafayete Cavalcanti em relação aos educandos da Escola Municipal Advogado Otávio Amorim. Naquela os educandos apresentaram uma visão que ultrapassa, e muito a visão ecológica. Eles percebem o ser humano e seus aspectos sócio-econômicos, não apenas como fazendo parte do meio ambiente, mas também como desencadeadores do processo de degradação ambiental.

Ainda a respeito da Escola Lafayete Cavalcanti, um dado interessante e que respalda os nossos resultados é que em nenhum momento observamos, sob a ótica destes educandos a concepção de ser humano como ser superior aos demais seres vivos e sim como agente destruidor do meio ambiente, correspondendo a um percentual de 70% da amostra desta escola. Fato este que revela consciência de comportamentos e atitudes antropogênicas na crise planetária.

No entanto, na Escola Advogado Otavio Amorim, verificamos que 34% do total de

educandos desta, considera o ser humano como sendo superior aos demais, um ser incrível que merece respeito. E apenas 24% o apontaram como sendo um ser destruidor. Dentre as concepções que evidenciam a visão de ser humano como ser superior destacamos:

"O ser humano merece respeito"

"O ser humano é uma coisa preciosa e muito importante"

Outro fato que reforça nossos resultados é quanto à abordagem de meio ambiente. Baseada na classificação sugerida pelo Ministério de Educação e Desporto, MEC (BRASI, 1997), conhecemos as diferentes concepções apresentadas pelos educandos das duas escolas. Assim, enquanto a Escola Advogado Otávio Amorim retratou um meio ambiente natural com 77%, na Escola Lafayete Cavalcanti apenas 30% o percebem naturalmente, conforme os dados apresentados nas Tabela 01 e 02.

TABELA 01. Percepção Ambiental dos educandos da Escola Advogado Otavio Amorim baseado na classificação do MEC (BRASIL, 1997)

Classificação do Meio Ambiente Percentual (%)

(6)

Natural 77 Construído 23

TABELA 02. Percepção ambiental dos educandos da Escola Lafayete Cavalcanti baseada na classificação do MEC (BRASIL, 1997).

Classificação do Meio Ambiente Percentual (%) Natural 30 Construído 70

Evidenciamos, através do paralelo entre estas duas unidades de ensino a necessidade de um trabalho continuado para a Educação Ambiental, dessa maneira atribuímos nossos

resultados primeiramente, ao modo pelo qual o mesmo vem sendo desenvolvido e estimulado pelas educadoras, pois apesar de todo um trabalho de sensibilização

desenvolvido por Silva (2000) poucas foram as mudanças na metodologia das docentes, visto que, ao sugerir a proposta do Modelo Dinâmico para Construção e Reconstrução do Conhecimento.(MEDICC) como instrumento gerador de novas concepções, esperávamos que as educadoras continuassem o trabalho iniciado, valorizassem mais a participação dos educandos, de modo a promover a construção do conhecimento.

Contudo, a partir de entrevistas não estruturadas conseguimos obter algumas opiniões no que se refere à realização e credibilidade na Educação Ambiental. Logo, enquanto algumas educadoras se diziam muito tímidas para desenvolver aulas mais dinâmicas, criativas e lúdicas, outras externaram total descrédito. Dentre as concepções mais relevantes destacamos a seguinte:

(7)

Porém, algumas educadoras mesmo que precariamente adotaram métodos inovadores ao processo educativo, utilizando músicas, dinâmicas e interpretações musicais e teatrais em suas aulas. Consideramos como pontos positivos, bem como interesse e vontade de sair do obsoleto tradicionalismo, do ceticismo que alguns insistem em permanecer, estes imunes à esperança, à coragem de lutar por uma educação e mundo diferentes, negam ou por

comodismo ou por omissão a urgência de repensar o caótico modelo educacional. O confronto entre essas duas escolas demonstra além da viabilidade da Educação Ambiental, também a necessidade de uma formação docente que contemple melhor preparação e sensibilização sobre a temática ambiental. Apenas o conhecimento da

problemática não é suficiente, até porque o educador além de ser um agente transformador ele é exemplo e influência positiva ou negativa ao educando.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A crise planetária é conhecida por toda a humanidade e abrange vários paradigmas, várias facetas, que queiramos ou não, está implícita nas relações que o ser humano estabeleceu ao longo do processo evolutivo com o meio ambiente. E em meio a essa fase que de certa forma obriga a espécie Homo sapiens, a repensar suas atitudes, surge a Educação

Ambiental, como recurso a ser adotado agora, hoje, imediatamente, uma vez que a situação pede soluções contundentes.

Não é justo, que o egoísmo humano prive as demais gerações de desfrutar dos recursos naturais os quais correspondem a um bem comum, somente por se considerarem superiores aos demais seres vivos. Como podemos falar em desenvolvimento sustentável, se antes não resgatarmos nossas relações com a natureza, com o próximo, com nós mesmos.

Nosso trabalho demonstra que de acordo com a forma pela qual se processa e se investe principalmente, a Educação Ambiental pode reverter a percepção distorcida dos seres humanos quanto ao meio ambiente, inibe, portanto questionamentos que venham negar seu poder transformador. E apesar da morosidade do processo educativo tais resultados nos estimulam a continuar, e cabe aos que a defendem e nela acreditam, lutar, buscar meios que viabilizem sua continuidade.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL. Implantação da Educação Ambiental no Brasil. Ministério da Educação e Desportos. Brasília, 1997.

(8)

BRASIL. Constituição Federal do Brasil. Brasília, 1988.

CAPRA. Fritjof. O Ponto de Mutação. 11º edição. São Paulo: Cultrix, 1990. ODUM. Eugene. P. Ecologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1988.

SATO, Michele. Educação para o ambiente amazônico. 1997. Tese (Doutorado em Ecologia e Recursos Naturais) Universidade Federal de São Carlos. São Paulo SILVA, Monica Maria Pereira da. Instrumentos de pesquisa para identificação da percepção ambiental. In IV Simpósio de Etnobiologia e Etnoecologia. Recife, 2002 SILVA.Mônica Maria Pereira da. Estratégia em Educação Ambiental. 2000. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento e Meio Ambiente).UEPB. Campina Grande.

Imagem

Referências

temas relacionados :