• Nenhum resultado encontrado

ADOLESCÊNCIA: VIDA SEXUAL E ANTICONCEPÇÃO

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "ADOLESCÊNCIA: VIDA SEXUAL E ANTICONCEPÇÃO"

Copied!
27
0
0

Texto

(1)

ADOLESCÊNCIA:

VIDA SEXUAL E ANTICONCEPÇÃO

Néia Schor1 Ana Paula França2 Arnaldo A. F. da Siqueira1 Kátia Cibelle Machado Pirotta3 Augusta Thereza de Alvarenga4

1 INTRODUÇÃO

A adolescência é uma fase da vida do ser humano de profundas transformações físicas, psicológicas e sociais. Conceitual-mente entende-se como adolescência a segunda década da vida (10 a 19 anos), momento em que se estabelecem novas relações com ele mesmo, nova imagem corporal, novas relações com o meio social, com a família e com outros adolescentes.

O MINISTÉRIO DA SAÚDE (1989), nas bases programá-ticas do “Programa Saúde do Adolescente” (PROSAD), define a ado-lescência como o período da vida caracterizado por intenso crescimento e desenvolvimento que se manifesta por transformações anatômicas, fisiológicas, psicológicas e sociais. Elege como áreas prio-ritárias: o crescimento e desenvolvimento; sexualidade; saúde bucal; saúde mental; saúde reprodutiva; saúde do escolar adolescente; e prevenção de acidentes.

1 Professor do Departamento de Saúde Materno-Infantil da Faculdade de Saúde Pública da USP.

2 Bolsista de Iniciação Científica/CNPq, Departamento de Materno-Infantil da Faculdade de Saúde Pública da USP.

3 Doutoranda do Departamento de Materno-Infantil da Faculdade de Saúde Pública da USP.

4 Professora do Departamento de Saúde Materno-Infantil da Faculdade de Saúde Pública da USP.

(2)

No Brasil, são poucos os estudos referentes à idade da primeira relação sexual e sobre uso de métodos anticoncepcionais entre adolescentes. Alguns pesquisadores, e a própria sociedade, ale-gam que a orientação sobre contraceptivos na adolescência é uma maneira de se estar estimulando a prática sexual que, como se sabe, tem se iniciado cada vez mais cedo (Schor, 1995). Outros acham importante a existência de uma educação sexual entendida como “informação” que transmita conhecimentos essenciais à compreensão da própria sexualidade e dos processos normais de crescimento e transformações que ocorrem na puberdade, com o objetivo de evitar problemas emocionais, doenças sexualmente transmissíveis e gravi-dezes indesejadas (BEMFAM, 1992).

Mundialmente, na literatura, a idade da primeira relação sexual vem sido referida como um fenômeno cada vez mais precoce e em jovens solteiros, diferentemente do início do século até a década de 60. Alguns autores, em trabalhos com gestantes adolescentes, referem que a idade da primeira relação sexual quase coincide com a idade na primeira gravidez (Schor, Alegria, 1990; Schor 1993).

Tendo em vista essa realidade, Schor (1984; 1993; 1994; 1995) enfatiza a importância de se estudar as relações das idades média e mediana da menarca com a da primeira relação e com a da primeira gestação, como indicador do comportamento reprodutivo em grupos com características semelhantes, com a finalidade de prever a partir da idade média e mediana da menarca qual a idade provável da primeira relação sexual, identificando assim o melhor momento para se iniciar uma orientação sobre reprodução e anticoncepção, visando cada realidade e maximizando os recursos.

A situação de namoro também é um fator importante a ser considerado, pois quase todos os estudos sobre anticoncepção se refe-rem à mulheres que mantêm algum tipo de união, sendo que as adolescentes são majoritariamente solteiras e parte delas refere estar namorando (Schor, 1995).

Neste trabalho, procurou-se identificar e caracterizar al-gumas variáveis, além das já citadas, com o propósito de levantar algumas questões relativas ao conhecimento de métodos anticoncep-cionais e ao início da vida sexual em adolescentes de 15 a 19 anos.

(3)

2 OBJETIVOS

Caracterizar as adolescentes de 15 a 19 anos da Região Sul da Cidade de São Paulo, Brasil, segundo algumas variáveis de ordem biológica, social e demográfica que possam estar relacionadas com o início da vida sexual.

3 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

• Caracterizar as adolescentes de 15 a 19 anos que já tinham iniciado ou não a vida sexual, segundo idade no momento da entrevista, escolaridade, situação conjugal, situação de namoro, posição que ocupam na família, colaboração na renda familiar, hábito de beber e fumar e idade da menarca.

• Identificar o conhecimento de métodos anticoncepcio-nais pelas adolescentes que já tinham iniciado ou não a vida sexual.

• Identificar os tipos de métodos anticoncepcionais (MACs) e a maneira de conhecimento dos mais citados pelas adolescentes que já tinham iniciado ou não a vida sexual.

• Verificar a relação entre o conhecimento de MACs e a idade.

4 METODOLOGIA

O presente estudo está inserido no projeto maior intitula-do “Morbidade e Mortalidade Maternas, Qualidade da Assistência e Estrutura Social: Estudo da Região Sul do Município de São Paulo – Brasil” parte 2 – Morbidade – (Siqueira et al., 1994).

O referido projeto subdividiu-se em duas partes, inician-do-se com o estudo de todos os óbitos de mulheres entre 10 a 49 anos residentes na Região Sul do Município de São Paulo. Em seguida, foi feito um estudo da morbidade de mulheres dessa faixa etária, enfati-zando a morbidade materna e saúde reprodutiva.

(4)

A região pesquisada é a mais extensa do Município de São Paulo, correspondendo a 42% de sua área. A sua população, segundo o Censo de 1991, era de aproximadamente 1.600.000 habitantes distribuídos de forma heterogênea no distrito de Parelheiros e nos subdistritos de Santo Amaro e Capela do Socorro.

Considerando-se as taxas de mortalidade infantil (Unglert

et al., 1990) e feminina (Siqueira et al., 1991) procedeu-se uma

subdivisão por áreas, visando a segunda parte do projeto (morbidade). Segundo um critério de subdivisão do território, proposto por Unglert (1986), a região foi desmembrada em 31 áreas com características comuns.

Foram sorteadas 11 áreas, formando agrupamentos com diferentes níveis de mortalidade. Estas foram subdivididas e foram sorteados sessenta quarteirões, que posteriormente passaram por um processo de reconhecimento. A unidade amostral por área sorteada foi a residência com mulheres em idade fértil, isto é, de 10 a 49 anos. A amostra foi determinada pelo número de habitantes, respeitando-se o critério da aplicação de um questionário para cada dois mil habitantes. No subgrupo em que a população era menor que 10.000 habitantes, definiu-se que seriam aplicados questionários em no mínimo cinco casas com mulheres de 10 a 49 anos.

A amostra foi composta por 727 domicílios, onde residiam 750 famílias totalizando 3.268 indivíduos. Destes, 1.733 eram do sexo feminino, sendo que 1.261 estavam na faixa etária de 10 a 49 anos. Haviam 413 adolescentes de 10 a 19 anos na amostra, o que corres-ponde a 32,8% do número de mulheres de 10 a 49 anos. O número de entrevistas completas, contendo dados referentes à vida reprodutiva das adolescentes, totaliza 387 entrevistas, pois 26 jovens não foram encontradas no local de residência após 3 visitas.

Como orientação da pesquisa, as adolescentes de 10 a 14 anos só seriam entrevistadas quanto a idade na primeira relação sexual se já tivessem tido uma gravidez, independentemente do resul-tado da mesma. Portanto, para se estudar esta questão, a idade da adolescente no momento da entrevista está compreendida entre 15 a 19 anos, pois nenhuma das adolescentes referiu ter ficado grávida antes dos 15 anos (Schor, 1995).

Para as finalidades do presente estudo, as adolescentes de 15 a 19 anos foram separadas em 2 grupos: um composto por aquelas

(5)

que, até o momento da entrevista, não tinham iniciado a vida sexual e ou outro composto por aquelas que já tinham iniciado a vida sexual, pois pretende-se estudar, sob vários aspectos, as semelhanças e dife-renças existentes entre as jovens que compõe esses dois grupos.

A população deste estudo é composta por 180 adolescentes de 15 a 19 anos, sendo que 62 (34,4%) referiram ter iniciado a vida sexual e 118 (65,6%) referiram não ter iniciado a vida sexual até o momento da entrevista.

O programa EPI-INFO foi utilizado para análise do banco de dados coletado nessa pesquisa. Foram retiradas freqüências e cruzamentos de variáveis importantes para o objetivo do estudo. A análise estatística compreendeu um estudo descritivo das variáveis por meio de distribuição de freqüência, cálculo de média e desvio padrão, determinação de moda e mediana. Os valores percentuais foram aproximados para uma casa decimal. Para se verificar a exis-tência de associação entre duas variáveis, utilizou-se os coeficientes Odds ratio, respeitando-se o intervalo de confiança de cada cruzamen-to (Breslow, Day, 1980).

Na apresentação dos resultados a seguir, todas as tabelas e gráficos se referem às adolescentes de 15 a 19 anos, residentes na Região Sul do Município de São Paulo em 1993.

5 RESULTADOS E DISCUSSÃO

5.1 Caracterização das adolescentes (15 a 19 anos) e o contexto familiar

5.1.1 Idade

Na Tabela 1, tem-se a distribuição das adolescentes segun-do idade no momento da entrevista e início da vida sexual.

A média de idade das adolescentes que não tinham iniciado a vida sexual foi de 16,8 anos, sendo que as que tinham iniciado a vida sexual apresentaram média de idade maior (17,7 anos). A média de idade de todas as adolescentes de 15 a 19 anos foi de 17,1 anos.

(6)

Nessa tabela pode-se observar que a maior parte das adolescentes que não iniciaram a vida sexual, tinha 15 e 16 anos no momento da entrevista (45,8%) e, a maior parte das adolescentes que, no momento da entrevista, relataram já ter iniciado a vida sexual, tinha 19 anos (37,1%).

Observa-se que há um “salto” na passagem de 16 para 17 anos quanto ao início da vida sexual. A proporção de jovens que não tinham iniciado a vida sexual, cai conforme há aumento de idade.

Schor (1984, 1990), em estudo sobre aborto provocado em 2.570 mulheres, de 1978 a 1982, refere que a idade média da primeira relação sexual foi de 17,3 anos. Constatou ainda que 81,4% da popu-lação de estudo iniciou sua vida sexual antes dos 20 anos. D’oro (1992) em um estudo realizado com puérperas na Cidade de São Carlos, constatou que, em geral, a idade na primeira relação (15,3 anos) quase coincide com a idade na primeira gravidez (16,2 anos), ocorrendo em média um pequeno intervalo de aproximadamente dez meses entre os dois eventos.

Tabela 1

DISTRIBUIÇÃO DO NÚMERO E PORCENTAGEM DAS ADOLESCENTES DE 15 A 19 ANOS,

QUE JÁ TINHAM INICIADO OU NÃO A VIDA SEXUAL, SEGUNDO IDADE

Idade

Não iniciaram vida

sexual Iniciaram vida sexual Total

N. % N. % N. % 15 28,0%33 86,8 8,1%5 13,2 21,1%38 100,0 16 17,8%21 80,8 8,1%5 19,2 14,4%26 100,0 17 18,6%22 59,5 24,2%15 40,5 20,6%37 100,0 18 17,8%21 60,0 22,6%14 40,0 19,4%35 100,0 19 17,8%21 47,7 37,1%23 52,3 24,4%44 100,0 Total 100,0%118 65,6 100,0%62 34,4 100,0%180 100,0 Média Mediana Desvio padrão Moda 16,8 anos 17,0 anos 1,5 anos 15,0 anos 17,7 anos 18,0 anos 1,27 anos 19,0 anos 17,1 anos 17,0 anos 1,48 anos 19,0 anos

(7)

5.1.2 Escolaridade

Segundo Schor (1995), a escolaridade é tida como impor-tante em face a questão da orientação sexual, inclusive as questões ligadas à reprodução, principalmente no aspecto de prevenção da gravidez e de doenças sexualmente transmissíveis e AIDS, mediante a utilização de métodos anticoncepcionais adequados a este grupo etário.

No Gráfico 1 apresenta-se a distribuição dos dois grupos de adolescentes segundo escolaridade.

Gráfico 1

DISTRIBUIÇÃO DO NÚMERO E PORCENTAGEM DAS ADOLESCENTES DE 15 A 19 ANOS, QUE JÁ TINHAM INICIADO OU NÃO A VIDA SEXUAL,

SEGUNDO IDADE

Observou-se, no presente estudo, que a maioria das ado-lescentes entrevistadas (53,9%), independente de ter iniciado ou não a vida sexual, tinham estudado ou estavam estudando da 5ª à 8ª série do 1º grau, portanto esse grupo apresenta escolaridade abaixo do esperado para a média de idade que é de 17,1 anos.

Das adolescentes que não tinham iniciado a vida sexual, a maior parte (51,6%), até o momento da entrevista, estudou da 5ª à 8ª série do 1º grau (ginásio) e entre as que já tinham iniciado a vida sexual, a maioria (58,0%) também relatou ter estudado da 5ª à 8ª série

0 , 0 %1 , 6 % 1 3 , 6 % 2 5 , 8 % 5 1 , 7 % 5 8 , 1 % 3 3 , 1 % 1 2 , 9 % 1 , 7 %1 , 6 % A n a lf a b e t a 1 º a 4 º s é r ie d o 1 º g r a u 5 º a 8 º s é r ie d o 1 º g r a u 1 º a 3 º s é r ie d o 2 º g r a u S u p e r io r in c o m p le t o E s c o l a r i d a d e N ã o in ic ia r a m v id a s e x u a l I n ic ia r a m v id a s e x u a l

(8)

até o momento da entrevista. Ainda nesse grupo, constatou-se a presença de 1 adolescente analfabeta, isto é, sem nenhuma instrução, que corresponde a 1,6% da amostra.

A partir dos dados apresentados acima, pode-se inferir que a escolaridade não é um fator diferencial neste grupo populacional, pois nota-se uma defasagem de escolaridade nos dois grupos de jovens. Considerando-se como situação ideal o ingresso na 1ª série escolar aos 7 anos de idade, sem interrupção dos estudos e com aprovação em todas as séries, as jovens que não tinham iniciado a vida sexual deveriam estar cursando o 2º ano do 2º grau e, as que tinham iniciado a vida sexual deveriam estar cursando o 3º ano do 2º grau, pois apresentam média de idade de 16,8 e 17,7 anos, respectivamente. 5.1.3 Continuação dos estudos

Na Tabela 2 tem-se a distribuição das adolescentes em relação ao fato de continuarem ou não estudando. Do total da popula-ção deste estudo, 61,5% continuavam os estudos e 38,5% tinham-nos interrompido.

Tabela 2

DISTRIBUIÇÃO DO NÚMERO E PORCENTAGEM DAS ADOLESCENTES QUE JÁ TINHAM INICIADO OU NÃO A VIDA SEXUAL,

SEGUNDO IDADE E SE CONTINUAVAM ESTUDANDO

Idade

Não iniciaram a vida sexual

Continuavam estudando Continuavam estudandoIniciaram a vida sexual Total

Sim Não Sim Não

N. % N. % N. % N. % N. % 15 28,7%25 65,8 25,8%8 21,1 4,3%1 2,6 10,5%4 10,5 21,2%38 100,0 16 20,7%18 69,2 9,7%3 11,5 17,4%4 15,4 2,6%1 3,8 14,5%26 100,0 17 23,0%20 54,1 6,5%2 5,4 26,1%6 16,2 23,7%9 24,3 20,7%37 100,0 18 20,7%18 51,4 9,7%3 8,6 30,4%7 20,0 18,4%7 20,0 19,6%35 100,0 19 6,9%6 14,0 48,4%15 34,9 21,7%5 11,6 44,7%17 39,5 24,0%43 100,0 Total 100,0%87 48,6 100,0%31 17,3 100,0%23 12,8 100,0%38 21,2 100,0%179 100,0

(9)

De acordo com esses dados 73,3% das adolescentes que não tinham iniciado a vida sexual continuavam estudando, enquanto entre as adolescentes que já tinham iniciado a vida sexual, 37,7% estavam estudando no momento da entrevista.

Entre as 62 adolescentes que já tinham iniciado a vida sexual, 34 (54,8%) já tinham tido pelo menos uma gravidez. Schor, Alegria (1990), obtiveram resultados semelhantes ao de D’oro (1992), que verificou que 71,8% das adolescentes haviam interrompido os estudos há mais de 24 meses da gravidez. Nesse mesmo estudo, realizado na Cidade de São Carlos, verificou-se que as razões alegadas pelas adolescentes que tinham abandonado os estudos foram: neces-sidade de trabalhar, cuidar da casa e falta de motivação em relação à escola e aos estudos.

Portanto, não é possível concluir que o início da vida sexual e a gravidez estão diretamente relacionados ao abandono dos estudos em idades jovens, como vem sendo preconizado por alguns orgãos e grupos de pesquisa (Who, 1978; Opas, 1990), que relacionam a gravi-dez como uma das causas da interrupção dos estudos e, portanto, com a falta de profissionalização da jovem.

5.1.4 Situação de namoro

A situação de namoro também é um fator cada vez mais importante a ser considerado, pois assume especial relevância neste grupo de idade, principalmente nas mais jovens (menores de 17 anos) e tendo em vista o início cada vez mais precoce da menarca e da vida sexual (Schor, 1984; Schor, 1990; Schor 1993; D’oro, 1992; Schor et al., 1994a).

A Tabela 3 mostra os grupos de adolescentes que iniciaram ou não a vida sexual segundo a situação de namoro.

Observa-se que 33,5% referiram estar namorando e 66,5% não estavam namorando. Entre as adolescentes que não tinham iniciado a vida sexual, a maioria (72,9%) não estava namorando. Entre as jovens que já tinham iniciado a vida sexual 54,1% referiram estar namorando e 45,9% referiram não estar namorando, no momento da entrevista.

A situação de namoro também se altera consideravelmente de acordo com a faixa etária analisada. Sabe-se que a proporção de jovens que namoram é bem maior entre as mais velhas (18 e 19 anos), comparando-se às jovens de 15 anos.

(10)

5.1.5 Situação conjugal

Do total das adolescentes de 15 a 19 anos, a grande maioria (86,1%), relatou não manter nenhum tipo de união no momento da entrevista, portanto eram solteiras. Dentre as adolescentes que ti-nham iniciado a vida sexual, a proporção de solteiras cai para 59,7%, ou seja, quase metade das adolescentes desse grupo mantinha algum tipo de união, como pode-se observar no Gráfico 2.

Gráfico 2

DISTRIBUIÇÃO DO NÚMERO E PORCENTAGEM DAS ADOLESCENTES, COM IDADE MAIOR OU IGUAL A QUINZE ANOS,

QUE JÁ TINHAM INICIADO A VIDA SEXUAL, SEGUNDO SITUAÇÃO CONJUGAL

Tabela 3

DISTRIBUIÇÃO DO NÚMERO E PORCENTAGEM DAS ADOLESCENTES, COM IDADE MAIOR OU IGUAL A QUINZE ANOS,

QUE JÁ TINHAM OU NÃO INICIADO A VIDA SEXUAL, SEGUNDO SITUAÇÃO DE NAMORO

Situação de Namoro

Não iniciaram

vida sexual vida sexualIniciaram Total

N. % N. % N. %

Sim 27,1%32 61,5 54,1%20 38,5 33,5%52 100,0

Não 72,9%86 83,5 45,9%17 16,5 66,5%103 100,0

Total 100,0%118 76,1 100,0%37 23,9 100,0%155 100,0

N.A. = 25 adolescentes que já tinham iniciado a vida sexual mantinham algum tipo de união.

Solteira 59,7% Com união

(11)

No Gráfico 2 apresenta-se a distribuição das adolescentes que já tinham iniciado a vida sexual em função da situação conjugal.

Nota-se que até o momento da entrevista, 59,7% das adolescentes que relataram já ter iniciado a vida sexual estavam solteiras e 40,3% mantinham algum tipo de união (legal ou livre). A proporção de adolescentes que mantinham algum tipo de união au-menta nas adolescentes que já tinham iniciado a vida sexual e também à medida que há aumento de idade.

5.1.6 Posição na família

Na Tabela 4, apresenta-se a distribuição dos dois grupos de adolescentes analisados segundo a posição que ocupam na família.

De acordo com os dados apresentados nessa tabela, não se pode observar uma relação entre a questão de uma jovem ser respon-sável pela família e o início da vida sexual.

Tabela 4

DISTRIBUIÇÃO DO NÚMERO E PORCENTAGEM DAS ADOLESCENTES, QUE JÁ TINHAM INICIADO OU NÃO A VIDA SEXUAL,

SEGUNDO POSIÇÃO NA FAMÍLIA

Posição na família

Não iniciaram

a vida sexual a vida sexualIniciaram Total

N. % N. % N. % Responsável 2,5%3 50,0 4,8%3 50,0 3,3%6 100,0 Esposa/Comp. 0 0,0% 0,0 32,2%20 100,0 11,1%20 100,0 Filha 82,2%97 80,2 38,7%24 19,8 67,2%121 100,0 Irmã 10,2%12 70,6 8,1%5 29,4 9,5%17 100,0 Parente 0 0,0% 0,0 8,1%5 100,0 2,8%5 100,0 Outra 5,1%6 60,0 8,1%5 40,0 6,1%11 100,0 Total 100,0%118 65,6 100,0%62 34,4 100,0%180 100,0

(12)

A maioria das adolescentes de 15 a 19 anos, são “filhas”, tendo em vista que são majoritariamente solteiras e vivem com a família. Essa posição é ocupada por 82,2% das que não tinham iniciado a vida sexual e 38,7% das que já tinham iniciado a vida sexual.

Entre as que já tinham iniciado a vida sexual, 32,3% eram esposas ou companheiras e, nesse grupo, passam a existir os papéis de parente (nora ou cunhada), criando um novo tipo de família.

5.1.7 Contribuição no orçamento

Entre as adolescentes que tinham ou não iniciado a vida sexual, a maioria referiu não trabalhar e ser portanto totalmente dependente da família.

Do total das adolescentes de 15 a 19 anos, 72,2%, incluindo as jovens que exerciam algum tipo de ocupação, não contribuíam com o orçamento doméstico, e 27,8% delas contribuíam sendo responsáveis ou co-responsáveis pela família.

A proporção de adolescentes que tinham e que não tinham iniciado a vida sexual, que contribuíam com o orçamento de alguma maneira foi de 42,0% e 58,0%, respectivamente.

5.2 Características Epidemiológicas

Apresentam-se a seguir alguns dados, chamados tradicio-nalmente de “indicadores de saúde”, sobre a população de estudo, que são adolescentes do sexo feminino em idade fértil.

5.2.1 Hábito de fumar

Notou-se que 16,7% das adolescentes de 15 a 19 anos tinham o hábito de fumar. Das adolescentes que não tinham iniciado a vida sexual, 7,6% fumavam e das que já tinham iniciado a vida sexual, 33,9% mantinham esse hábito.

Foi observado um valor de Odds ratio diferente e maior que 1, indicando associação positiva (Breslow, Day, 1980), o que relaciona o hábito de fumar com as adolescentes que já tinham iniciado a vida sexual. O intervalo de confiança confirma a existência dessa associação, já que ele varia de 2,64 a 18,94.

(13)

Segundo Schor (1995), o hábito de fumar não está presente num número grande de jovens. Praticamente dois terços das fumantes começaram a fumar após os 16 anos, com um consumo de mais de dez cigarros por dia.

5.2.2 Hábito de beber

Entre as adolescentes que não tinham iniciado a vida sexual, 26,3% mantinham o hábito de beber e entre as adolescentes que já tinham iniciado a vida sexual, 43,5% mantinham esse hábito.

Segundo a medida Odds ratio, podemos notar a associação entre essas duas variáveis existe e é positiva, pois o valor é diferente e maior que 1. O intervalo de confiança de 95% também confirma a existência dessa associação positiva, pois o limite inferior é maior que 1 (Breslow, Day, 1980).

Das 58 adolescentes que referiram fazer uso de bebidas alcoólicas, 1 (1,7%) referiu fazê-lo freqüentemente e 57 (98,3%) decla-raram beber esporadicamente.

A existência das associações entre os hábitos de fumar e beber com a vida sexual, podem estar relacionados com o fato de que a grande maioria das adolescentes que mantinham esses hábitos, os tinham iniciado após os 16 anos. “Normalmente”, essa idade coincide com o período da vida no qual a adolescente sai do âmbito do “lar” para a vida social (Schor, 1990).

Segundo Schor (1995), quando se analisa estas variáveis com o uso de métodos anticoncepcionais, estas associações desaparecem. A mesma autora interpreta a questão de beber e fumar como um ato social, onde a presença de um relaciona-se com a do outro, sem no entanto, estar diretamente relacionado com o uso ou não de anticoncepcional.

5.2.3 Menarca

A idade da menarca constitui-se nos dias de hoje um impor-tante indicador na análise da saúde reprodutiva, e não somente em relação às questões de crescimento. Sabe-se que nos últimos decênios a idade da menarca tem sido cada vez mais precoce. Parkes (1983), em estudo entre puérperas adolescentes, assinala que a idade da menarca tem diminuído cerca de dez meses a cada geração, sendo que em 1845 metade das mulheres menstruava a partir dos 15 anos de idade.

(14)

Hunt (1976) e Nelson (1978) atribuem essa tendência universal ao amadurecimento mais precoce e a fatores hereditários do ambiente, particularmente às melhorias nutricionais.

A menarca também é apontada como fenômeno capaz de estimular o início da atividade sexual, já que o corpo da jovem vai adquirindo características de amadurecimento, tornando-a apta a conceber (Monroy de Velasco, 1988).

Na Tabela 5 têm-se a distribuição das adolescentes segun-do idade da menarca.

O início da vida sexual neste grupo foi bastante precoce e próximo da menarca.

Tabela 5

DISTRIBUIÇÃO DO NÚMERO E PORCENTAGEM DAS ADOLESCENTES DE 15 A 19 ANOS, QUE JÁ TINHAM INICIADO OU NÃO A VIDA SEXUAL,

SEGUNDO IDADE DA MENARCA

Idade da menarca

Não iniciaram

a vida sexual a vida sexualIniciara Total

N. % N. % N. % Até 12 anos 49,6%57 63,3 53,2%33 36,7 50,8%90 100,0 13 anos 20,0%23 56,1 29,0%18 43,9 23,2%41 100,0 14 anos 23,5%27 75,0 14,5%9 25,0 20,3%36 100,0 15 anos ou mais 8 7,0% 80,0 3,2%2 20,0 5,6%10 100,0 Total 100,0%115 65,0 100,0%62 35,0 100,0%177 100,0 Média Mediana Desvio padrão Moda Amplitude 12,6 anos 13,0 anos 1,4 anos 12,0 anos 9 a 16 anos 12,3 anos 12,0 anos 1,3 anos 12,0 anos 9 a 15 anos 12,5 anos 12,0 anos 1,4 anos 12,0 anos 9 a 16 anos N.A.= 1 adolescente.

(15)

A média da idade da menarca entre todas as adolescentes de 15 a 19 anos foi de 12,5 anos. Entre as adolescentes que não tinham iniciado a vida sexual, a média foi de 12,6 anos e entre as que já tinham iniciado a vida sexual, a média foi de 12,3 anos.

Dentre as adolescentes que não tinham iniciado a vida sexual, 69,6% tinha tido a primeira menstruação até os 13 anos. Até essa mesma idade, 82,2% das adolescentes que já tinham iniciado a vida sexual tinham tido a sua primeira menstruação. Das adolescentes que tiveram a primeira menstruação com 15 anos ou mais, 7,0% não tinham iniciado a vida sexual e 3,2% já tinham iniciado a vida sexual. Entre as adolescentes que não tinham iniciado a vida sexual, 3 não referiram a idade da menarca. Duas delas, o que corres-ponde a 1,1% das adolescentes de 15 a 19 anos, não lembraram a idade da menarca e 1, que no momento da entrevista tinha 15 anos, não tinha tido a primeira menstruação.

Pode-se dizer que a idade da adolescente na menarca é um “ponto” importante para prever o início da vida sexual em jovens, e que, de certa maneira, dependendo das condições sócio-econômicas, será ou não um preditor de futura gravidez. Esta gravidez também depende do extrato social no qual a jovem está inserida e poderá terminar em um nascimento ou em aborto.

5.3 ANTICONCEPÇÃO NA ADOLESCÊNCIA:

CONHECIMENTO DE MÉTODOS ANTICONCEPCIONAIS

A preocupação referente à vida sexual dessas jovens tem em vista o pequeno número de trabalhos em nosso meio e ao aumento significativo de fecundidade nesse grupo, diferentemente das mulhe-res adultas (com idade maior ou igual a 20 anos).

Berquó (1993) assinala que apesar da inexistência, em número e qualidade, de programas nacionais de planejamento fami-liar, o país assiste ao declínio da fecundidade. Ela coloca, ainda, que a esterilização é hoje um dos “métodos” mais utilizados no controle da fecundidade da mulher brasileira, e cada vez mais em idades mais jovens. Wong, Melo (1987), referem que a partir dos anos 70, quando a fecundidade caiu em todo o país, em contraposição, constatou-se um crescimento de mães de 15 a 19 anos em relação aos nascidos vivos.

(16)

No Brasil, a anticoncepção constitui um importante sub-programa do Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM), de 1983, considerado de extrema importância na área de saúde, no qual a mulher é assistida integralmente, não somente como gestante ou puérpera, mas em todos os momentos de sua vida (MINIS-TÉRIO DA SAÚDE, 1984).

Em relação ao grupo de adolescentes, o MINISTÉRIO DA SAÚDE (1989) criou o Programa de Saúde do Adolescente (PROSAD), que também faz da anticoncepção uma área de atuação.

Entretanto, estes programas não se concretizaram para uma parcela majoritária da população, sobretudo para as adolescentes. Embora preconizem atenção integral à saúde da mulher e do adoles-cente, não estão se voltando para a prevenção e orientação como seria de se esperar. Além disso, não estão implantados em muitos estados e municípios.

Como se sabe, a grande maioria das adolescentes só pro-curam os serviços de saúde quando a gestação já é uma realidade ou quando elas apresentam alguma patologia.

Tendo em vista o panorama descrito, isto é, o aumento do número de gestantes adolescentes e o da fecundidade neste grupo etário, procurou-se estudar alguns aspectos referentes ao conhecimen-to de anticoncepcionais pelas jovens de 15 a 19 anos, que tinham ou não iniciado a vida sexual até o momento da entrevista.

Deve-se ressaltar que o conhecimento de MAC não foi avaliado quanto ao modo correto de utilização do anticoncepcional referido, mas sim para verificar as possibilidades contraceptivas que a adolescente sabia referir.

O Gráfico 2 apresenta os dados a respeito do conhecimento de MACs pelas adolescentes de 15 a 19 anos.

Através dessa distribuição, pode-se verificar que, entre todas as adolescentes de 15 a 19 anos, mais de 90% referiu conhecer pelo menos algum tipo de MAC, enquanto que menos de 10% delas não conheciam nenhum tipo de MAC.

Pode-se notar que não há diferença significativa no conhe-cimento de MACs entre as adolescentes que já tinham ou não iniciado a vida sexual. Essa diferença surge se estas adolescentes forem com-paradas com adolescentes menores de 15 anos, pois, segundo Schor

(17)

(1995), praticamente metade das jovens dessa faixa etária nunca ouviu falar em algum tipo de MAC.

Schor (1995), afirma que as adolescentes maiores de 16 anos já estão mais atentas à questão de evitar filhos do que em idades mais jovens, pois muitas delas já iniciaram ou estão prestes a iniciar a vida sexual, como mostram as Tabelas 6 e 7.

Nota-se por essa distribuição que 92,4% das jovens tinham conhecimento de algum tipo de MAC e que a proporção de adolescentes que conhece algum tipo de MAC se acentua a partir dos 17 anos.

Também nesse caso, a proporção de jovens que já tinham iniciado a vida sexual e que referiram conhecer algum MAC é bastante alta e não se altera muito na faixa etária de 15 a 19 anos. Observa-se que a questão do conhecimento de MAC está influenciada pela idade, já que a alta porcentagem de conhecimento que se verifica a partir dos 15 anos não é a realidade em adolescentes mais jovens. Schor (1995), trabalhando o conhecimento e uso de MAC nas adolescentes de 10 a 19 anos, notou que praticamente a metade (44,9%) das adolescentes menores de 15 anos declarou não conhecer nenhum MAC.

Esses dados parecem indicar que é apenas em idades mais “velhas” que as adolescentes estão mais receptivas às mudanças biopsicossociais, em especial as que se referem à sua sexualidade e de seu grupo.

Os tipos de MACs mais citados pelas adolescentes de 15 a 19 anos que referiram conhecer algum MAC estão no Gráfico 3.

Os tipos de MAC citados pelos 2 grupos de adolescentes foram: Camisinha, Pílula, Esterilização, Tabelinha, DIU e Coito In-terrompido (Gráfico 4).

Foram apresentadas, pelos dois grupos de adolescentes, proporções bem semelhantes de conhecimento, para quase todos os MACs mais citados, exceto o coito interrompido, que é mais citado pelas adolescentes que já tinham iniciado a vida sexual. Esta é uma diferença entre a “teoria” e a “prática” em relação à vida sexual. Muitas adolescentes que iniciam a vida sexual acabam utilizando o coito interrompido como uma tentativa de evitar a gravidez.

A pílula e a camisinha são os MACs mais citados pelos dois grupos de adolescentes.

(18)

Tabela 6

DISTRIBUIÇÃO DO NÚMERO E PORCENTAGEM DAS ADOLESCENTES, DE 15 A 19 ANOS,

QUE NÃO TINHAM INICIADO A VIDA SEXUAL, SEGUNDO IDADE NO MOMENTO DA ENTREVISTA

E CONHECIMENTO DE MAC Idade Conhecimento de MAC Total Sim Não N. % N. % N. % 15 27,5%30 90,9 33,3%3 9,1 28,0%33 100,0 16 16,5%18 85,7 33,3%3 14,3 17,8%21 100,0 17 21 19,3% 95,5 1 11,1% 4,5 22 18,6% 100,0 18 18,3%20 95,2 11,1%1 4,8 17,8%21 100,0 19 18,3%20 95,2 11,1%1 4,8 17,8%21 100,0 Total 109 100,0% 92,4 9 100,0% 7,6 118 100,0% 100,0 Tabela 7

DISTRIBUIÇÃO DO NÚMERO E PORCENTAGEM DAS ADOLESCENTES DE 15 A 19 ANOS,

QUE JÁ TINHAM INICIADO A VIDA SEXUAL, SEGUNDO IDADE NO MOMENTO DA ENTREVISTA

E CONHECIMENTO MAC Idade Conhecimento de MAC Total Sim Não N. % N. % N. % 15 8,8%5 100,0 0,0%0 0,0 8,1%5 100,0 16 8,8%5 100,0 0,0%0 0,0 8,1%5 100,0 17 24,6%14 93,3 20,0%1 6,7 24,2%15 100,0 18 21,1%12 85,7 40,0%2 14,3 22,6%14 100,0 19 36,8%21 91,3 40,0%2 8,7 37,1%23 100,0 Total 100,0%57 91,9 100,0%5 8,1 100,0%62 100,0

(19)

Gráfico 3

DISTRIBUIÇÃO DA PORCENTAGEM DAS ADOLESCENTES DE 15 A 19 ANOS, QUE TINHAM INICIADO OU NÃO A VIDA SEXUAL,

SEGUNDO CONHECIMENTO DE MAC

Gráfico 4

DISTRIBUIÇÃO DA PORCENTAGEM DAS ADOLESCENTES COM IDADE MAIOR OU IGUAL A QUINZE ANOS, QUE JÁ TINHAM INICIADO OU NÃO A VIDA SEXUAL,

SEGUNDO TIPOS E MAC MAIS CITADOS

9 2 , 4 % 9 1 , 9 % 7 , 6 % 8 , 1 % S im N ã o C o n h e c im e n t o d e M A C N ã o in ic ia ra m v id a s e x u a l In ic ia ra m v id a s e x u a l 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100%

Camisinha Pílula Esterilização Tabelinha DIU Coito Interr.

MACs mais conhecidos

(20)

A maior referência à pílula deve estar ligada ao fato da mesma ter um histórico “feminista”, além de ser de fácil acesso e manipulação. A camisinha, embora não esteja tão associada a contra-cepção, está sendo muito divulgada na mídia em função das campa-nhas de prevenção da AIDS.

No Gráfico 5 está a distribuição dos MACs mais conhecidos pelas adolescentes que não tinham iniciado a vida sexual, segundo principais maneiras de conhecimento desses MACs.

Gráfico 5

DISTRIBUIÇÃO DA PORCENTAGEM

DAS ADOLESCENTES COM IDADE MAIOR OU IGUAL A QUINZE ANOS, QUE NÃO TINHAM INICIADO A VIDA SEXUAL,

SEGUNDO MANEIRA DE CONHECIMENTO DOS MÉTODOS ANTICONCEPCIONAIS MAIS REFERIDOS

O MAC mais citado como conhecido pelas adolescentes que não tinham iniciado a vida sexual é a camisinha. O veículo que mais contribui para a alta proporção de conhecimento desse método é a mídia, principalmente pela grande divulgação para a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. A escola também está funcionan-do, nesse caso, como um importante veículo de informação. Schor (1995), ressalta o fato de que as adolescentes mais velhas, das quais muitas já se encontram fora do sistema educacional, têm como refe-rência principal o círculo feminino.

A pílula em todos os grupos de idade, é o método mais referido espontaneamente, segundo o estudo anteriormente citado. A contribuição da mídia é bem menor para a divulgação desse método do que no caso da camisinha, mas exerce proporção significativa. Os

0 % 1 0 % 2 0 % 3 0 % 4 0 % 5 0 % 6 0 % 7 0 % 8 0 % 9 0 % Camisinha Pílula Esterilização Tabelinha DIU Coito Interr. M A C s m a i s c i t a d o s A m i g a s / V i z i n h a s M í d i a P a r e n t e s E s c o l a

(21)

veículos de informação mais importantes são as amigas, vizinhas e parentes, principalmente devido ao histórico “feminista” que esse método carrega consigo.

Em relação à esterilização, nota-se uma grande contribui-ção de parentes como veículo de informacontribui-ção. Este é o método mais citado na modalidade de resposta estimulada, pois as adolescentes geralmente lembravam de pessoas da família ou próximas do núcleo de vivência que eram esterilizadas.

A tabelinha, o DIU e o coito interrompido, são citados por uma importante proporção de adolescentes, que referiram principal-mente a escola e a mídia como veículos de informação desses métodos. Outros métodos, que foram pouco citados, ficaram sendo conhecidos da mesma maneira que a camisinha e a pílula. A escola, a mídia e o círculo feminino próximo são as principais fontes de infor-mação.

O Gráfico 6 apresenta os métodos mais conhecidos pelas adolescentes que já tinham iniciado a vida sexual e as principais maneiras de conhecimento desses métodos.

Gráfico 6

DISTRIBUIÇÃO DA PORCENTAGEM DAS ADOLESCENTES COM IDADE MAIOR OU IGUAL A QUINZE ANOS,

QUE JÁ TINHAM INICIADO A VIDA SEXUAL, SEGUNDO MANEIRA DE CONHECIMENTO DOS MÉTODOS ANTICONCEPCIONAIS MAIS REFERIDOS

0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90%

Camisinha Pílula Esterilização Tabelinha DIU Coito Interr.

MACs mais citados

(22)

A pílula apresenta uma proporção um pouco maior de conhecimento do que a camisinha, nesse grupo de adolescentes. Os principais veículos de informação citados por essas adolescentes foram as amigas e parentes.

A camisinha é o segundo método mais citado pelas adoles-centes que já tinham iniciado a vida sexual e, a exemplo do que foi referido pelas adolescentes que não tinham iniciado a vida sexual, a mídia apresenta contribuição maior na divulgação desse método. Também contribuem significativamente para a divulgação desse mé-todo, o marido e as amigas.

A esterilização, como já foi dito anteriormente, é o método mais citado nas respostas estimuladas, pois a adolescente que o citou, referiu conhecer pessoas próximas que já haviam se esterilizado. Por essa razão, a maneira de conhecimento da esterilização está sempre muito ligada à amigas, parentes e vizinhas.

No caso da tabelinha, as amigas atuam como principal fonte de informação para aquelas que referiram conhecer esse método. A escola, a exemplo do ocorrido com as adolescentes que não tinham iniciado a vida sexual, também foi bastante citada como veículo de informação desse método.

Para as adolescentes que já tinham iniciado a vida sexual, que referiram conhecer o DIU, os veículos de informação são princi-palmente parentes e a mídia, em proporções semelhantes.

O coito interrompido também é um dos métodos mais citados, principalmente para as adolescentes desse grupo, mais uma vez, tendo se em vista a diferença que existe entre a “teoria” e a “prática” em relação à vida sexual. O mais importante veículo de informação para as adolescentes que já tinham iniciado a vida sexual e que referiram conhecer esse método é o parceiro (marido ou namo-rado), pois muitos deles fazem uso desse recurso, acreditando que é um método eficaz para evitar a gravidez.

Para todos os métodos mais citados, os profissionais ou instituições de saúde representam muito pouco ou nada como veículo de informação. No caso da pílula e do DIU esses meios assumem uma pequena e quase insignificante relevância.

Como afirmam vários autores, os serviços de saúde prati-camente não têm nenhuma atuação neste grupo. A sua presença em

(23)

termos de ações de planejamento familiar/reprodutivo só aparece quando a jovem engravida (Schor, 1984; Berquó, 1988 e 1993; D’oro, 1992; Schor, 1995). Costa (1992), em trabalho sobre o Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM), refere que este não responde às necessidades de esclarecimento da população acerca das várias opções de MAC, e apresenta baixa cobertura em âmbito nacio-nal.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O objeto principal do presente estudo foi caracterizar as adolescentes de 15 a 19 anos, residentes na Região Sul da Cidade de São Paulo, segundo alguns fatores que possam estar relacionados com o início da vida sexual.

Foram estudadas 180 adolescentes de 15 a 19 anos. Dentre essas 118 (65,6%) não tinham iniciado a vida sexual e 62 (34,4%) tinham iniciado a vida sexual, no momento da entrevista.

As características gerais da população de estudo estão apresentados a seguir, de acordo com os dados obtidos pela pesquisa. As adolescentes encontram-se na faixa etária de 15 a 19 anos, com uma média de idade de 17,1 anos e mediana de 17 anos. No grupo das adolescentes que não tinham iniciado a vida sexual (65,6%) a média de idade foi de 16,8 anos e no grupo das que tinham iniciado a vida sexual (34,4%) a média foi de 17,7 anos.

Em relação à escolaridade, 53,9% das adolescentes tinham estudado ou estavam estudando da 5ª à 8ª série do 1º grau, portanto apresentam escolaridade abaixo do esperado para a média de idade, caracterizando uma defasagem nos dois grupos. Entre as adolescentes que não tinham iniciado a vida sexual, 73,3% continuavam estudando, enquanto que apenas 37,7% das que tinham iniciado a vida sexual estavam estudando no momento da entrevista. No entanto a interrup-ção dos estudos não pode ser atribuída ao início da vida sexual, pois fatores como necessidade de trabalhar, cuidar da casa e falta de motivação em relação à escola e aos estudos foram as principais causas relatadas por puérperas no estudo de D’oro (1992), como responsáveis pelo abandono dos estudos.

(24)

Observou-se que 40,3% das adolescentes que tinham ini-ciado a vida sexual mantinham algum tipo de união (legal ou livre) e 59,7% delas eram solteiras, sendo que destas, 54,1% namoravam no momento da entrevista. Entre as que não tinham iniciado a vida sexual, a porcentagem de jovens que namorava cai para 27,1%. Pode-se concluir que a situação de namoro é um fator cada vez mais importante a ser considerado, principalmente por assumir especial relevância neste grupo de idades e, tendo em vista o início cada vez mais precoce da menarca e da vida sexual.

No grupo das adolescentes que tinham iniciado a vida sexual, grande parte ocupava a posição de esposa/companheira (38,7%) ou era filha (32,2%). Entre as jovens que não tinham iniciado a vida sexual, predominava a posição de filha (82,2%). Observa-se que com o advento da vida sexual e da gravidez, que ocorre muitas vezes na adolescência, há uma mudança no papel social no interior da família.

Entre as adolescentes que tinham ou não iniciado a vida sexual, a maioria referiu não trabalhar, e ser portanto totalmente dependente da família.

Notou-se que 16,7% das adolescentes de 15 a 19 anos tinham o hábito de fumar. Das adolescentes que não tinham iniciado a vida sexual, 7,6% fumavam e das que tinham iniciado a vida sexual, 33,9% mantinham esse hábito. A medida de associação Odds ratio confirmou a existência da associação entre fumar e início da vida sexual. O hábito de beber foi referido por 26,3% das adolescentes que não tinham vida sexual e por 43,5% das adolescentes que já tinham iniciado a vida sexual. Segundo a medida Odds ratio, foi constatada associação positiva entre essas variáveis.

A existência das associações entre os hábitos de fumar e beber com a vida sexual, podem estar relacionados com o fato de que a grande maioria das adolescentes que mantinham esses hábitos, os tinham iniciado após os 16 anos, coincidindo com o período da vida no qual a adolescente sai do âmbito do “lar” para a vida social (Schor, 1990).

A média de idade da menarca entre todas as adolescentes foi de 12,5 anos. Entre as adolescentes que não tinham iniciado a vida sexual a média foi de 12,6 anos e entre as que tinham iniciado a vida sexual foi de 12,3 anos.

(25)

O presente estudo denota que mais de 90% das adolescen-tes de 15 a 19 anos conhecem algum tipo de método anticoncepcional (MAC), pois segundo Schor (1995), as adolescentes maiores de 16 anos já estão mais atentas à questão de evitar filhos. A mesma autora refere que praticamente metade das jovens menores de 15 anos nunca ouviu falar em algum tipo de MAC.

As principais maneiras de conhecimento de MACs citadas pelas adolescentes foram as amigas/vizinhas, a mídia, parentes e a escola. No grupo das adolescentes que já tinham iniciado a vida sexual, também foram citados como fonte de informação o marido/companhei-ro e uma contribuição irrisória dos pmarido/companhei-rofissionais ou instituições de saúde.

Sabe-se que a prática de contracepção entre as adolescen-tes é mínima, embora a proporção de conhecimento de MAC seja alta. Portanto, pode-se concluir que existe uma lacuna entre conhecer e usar o MAC.

Na atualidade, elevadas taxas de gravidez na adolescência, resultante da não utilização de métodos anticoncepcionais, faz com que o aborto se torne, muitas vezes, a única opção contraceptiva. A partir deste trabalho, pode-se concluir que o estudo sobre a não utilização de métodos anticoncepcionais pelas adolescentes deve ser uma prioridade de saúde pública, pois vários autores afirmam que os serviços de saúde praticamente não têm nenhuma atuação nesse grupo e que, portanto, há a necessidade de uma implantação efetiva de programas de planejamento reprodutivo em nível nacional.

(26)

7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BERQUÓ, E. A anticoncepção no Brasil hoje. Rio de Janeiro, 1988.

(Trabalho apresentado no World Congress of Gynecology and Obstetrics).

---. Brasil um caso exemplar: anticoncepção e partos cirúrgicos.

Campinas: Núcleo de Estatística Populacional da UNICAMP, 1993. (Apresentado ao Seminário “A situação da mulher e o desenvolvimento”).

BRESLOW, N. E., DAY, N. E. Statistical methods in cancer research.

Vol 1 – The analysis of case control studies. IARC Scientific Publications, 1980.

COSTA, A. M. O PAISM: Uma política de assistência integral à saúde

da mulher a ser resgatada. São Paulo: Comissão da Cidadania e Reprodução, 1992.

D’ORO, A. C. D’A. Gravidez e adolescência: estudo de adolescentes

atendidas em serviços de saúde da Cidade de São Carlos, Estado de São Paulo. São Paulo: FSP/USP, 1992. (Dissertação de mestra-do).

HUNT II, W. B. A fertilidade na adolescência – riscos e consequências.

Pop. Rep. sér. J., v. 10, p. 169, 1976.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Assistência integral à saúde da mulher:

bases de ação programática. Brasília: Centro de Documentação do Ministério da Saúde, 1984. (Série B, Textos Básicos de Saúde, 6). ---. Secretaria Nacional de Programas Especiais. Programa de Saúde

do adolescente: bases programáticas. Brasília, 1989.

---. Normas de atenção à saúde integral do adolescente. Brasília,

1993.

MONROY DE VELASCO, A. et al. Fecundidad en la adolescência:

causas, riesgos y opciones. Washington: OPS, 1988. (Cuad. Técn. n. 12).

NELSON, R. M. Physiologic correlates of puberty. Clin. Obstet. Gyne-col., v. 21, p. 1137-1149, 1978.

(27)

PARKES, V. apud VITELLO, N. Antecedentes sexuais de puérperas

adolescentes. Rev. Bras. Ginecol. Obstet., p. 247-250, 1983.

POPULATION REFERENCE BUREAU (PRB). La actividad sexual y la maternidad entre las adolescentes en América Latina y el Caribe: Riesgos Y Consecuencias. El Proyecto de Encuestas

Demo-gráficas y de Salud (DHS) de Macro International y la División de Salud Reproductiva de los Centros para el Control de las Enferme-dades (CDC). Washington, D.C., nov. 1992.

SCHOR, N. Aborto como questão de saúde pública estudo da demanda de mulheres que recorrem ao hospital por complicações do aborto.

São Paulo: Faculdade de Saúde Pública da USP, 1984. (Tese de doutorado).

---, ALEGRIA L. V. F. Adolescência e Anticoncepção. 1 – Estudo de conhecimento e uso em puérperas internadas por parto ou aborto.

Rev. Saúde Pública, v. 24, p. 506-511, 1990.

---. Abortion and adolescence: relation between the menarche and sexual activity. Int. J. Adolesc. Med. Health, v. 6, p. 225-240, 1993.

---. et al. Adolescência e anticoncepção, conhecimento e uso. In:

CONGRESSO BRASILEIRO DE SAÚDE COLETIVA, 4, 1994, Recife. Anais... Recife: ABRASCO – Associação Brasileira de

Pós-Graduação em Saúde Coletiva, jun. 1994a.

---. Adolescência e anticoncepção: conhecimento e uso São Paulo:

Faculdade de Saúde Pública da USP, 1995. (Tese para obtenção do título de Livre Docente).

WONG, L. R., MELO, A. V. A gravidez na adolescência. São Paulo em Perspectiva, São Paulo, v. 1, n. 1, p. 30-36, 1987.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Risk approach for maternal and child health care. Geneva, 1978. (WHO, Off set Publication,

Referências

Documentos relacionados

Assista ao vídeo em nosso canal e descubra por que faz muito mais sentido você trazer os seus recursos para uma Entidade com mais de 50 anos de experiência no assunto.. Você

O presente trabalho tem como objetivo fazer a prospecção de patentes de produtos desenvolvidos com Morinda Citrifolia, através do sistema Orbit e A61K36/746 (IPC), que

Os dados evidenciam que as mulheres ainda se encontram em posição mais desfavorável: são maioria entre as pessoas sem cobertura social, com renda inferior a um salário mí-

Dentro do contexto apresentado, o objetivo deste trabalho ´e mostrar como fun- ciona o ambiente de apoio para submiss˜ao e avaliac¸˜ao autom´atica de trabalhos pr´aticos dos

Os profissionais que não estão atuando na área puderam se desligar do CRF/MG até o dia 31 de março sem pagar a anuidade de 2018.. Conforme um parecer jurídico da Advocacia-Geral

O teste de patogenicidade cruzada possibilitou observar que os isolados oriundos de Presidente Figueiredo, Itacoatiara, Manaquiri e Iranduba apresentaram alta variabilidade

Na fachada posterior da sede, na parte voltada para um pátio interno onde hoje há um jardim, as esquadrias não são mais de caixilharia de vidro, permanecendo apenas as de folhas

Coeficiente de partição n-octanol/água Não determinado por ser considerado não relevante para a caracterização do produto Temperatura de auto-ignição Não determinado por