uma ação na Delegacia da Mulher de Porto Alegre/RS
Raquel da Silva Silveira1 O tema das desigualdades vivenciadas pelas mulheres tem sido tratado de forma intensa pelo movimento feminista e pela academia, sendo os anos 60 do século XX, o marco temporal de maior visibilidade e de consolidação de conquistas mais amplas. Nesse contexto, forjou-se o conceito de gênero para designar a construção social dessa desigualdade, a qual se expressa numa divisão sexual do trabalho e numa desvalorização e inferiorização da mulher em relação ao homem. O objetivo de trabalhar com a categoria gênero é que se possa demonstrar o caráter social dessas desigualdades, deslocando-as do âmbito biológico/genético, em que as possibilidades de transformação seriam impossíveis e situá-las no campo da política, e, conseqüente luta por direitos (Haraway, 2010, Scott, 2010).
É nesse contexto social que as agressões vivenciadas por grande parte das mulheres no mundo começam a ser tematizadas como uma violência específica no processo de dominação masculina. Saffioti (2009) é uma das autoras que analisa de que forma o patriarcado tem marcado a vida das mulheres em suas experiências de subordinação e violação de direitos. Em grande parte dessas situações, a violência pode se expressar de forma mais pública, integrada nas relações entre o Estado e seus cidadãos, como no caso do estupro como arma de guerra, as mutilações da genitália feminina, as restrições de direitos civis, ou, no campo da vida privada (Côrrea, 2001). Nos estados democráticos de direitos, a violência doméstica tem sido o maior desafio a ser enfrentado, visto que as violências de ordem pública, de um modo geral, foram minimizadas pela positivação de princípios jurídicos universais de igualdade e liberdade.
Apesar das garantias constitucionais, segundo Scharaiber (2005), o campo da saúde pública tem sido um local importante para a problematização da permanência de práticas de dominação masculina, sendo o uso da violência um recurso ainda muito visível nos corpos das mulheres que chegam aos serviços de saúde. Algumas marcas são imediatamente correlacionáveis com as violências sofridas por seus familiares, mas as conseqüências das agressões, que nem sempre são de ordem física, podem ser encontradas, de forma indireta, no aparecimento de diversas patologias.
Nos casos mais graves de violência contra mulher, como o homicídio, Pasinato (2004) demonstrou como a justiça brasileira, até início do século XXI,
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Psicóloga. Mestre e Doutoranda em Psicologia Social e Institucional/Ufrgs. Professora do Curso de Direito do UniRitter.
tinha uma certa complacência com os assassinos, em virtude de sua condição de maridos ou companheiros das vítimas. Em nome da preservação da família, a maioria desses casos acabava sendo tratada de forma mais branda do que quando o mesmo crime não era de ordem doméstica, tampouco a vítima era a esposa ou a companheira.
A partir dessas constatações e de uma situação específica no Brasil de demora excessiva na punição de um ex-marido, por tentativa dupla de homicídio, com conseqüência de paraplegia em sua ex-esposa Maria da Penha, em 2006 foi sancionada a Lei 11.340. Essa legislação provocou muitas alterações na forma como o Poder Judiciário deve encaminhar as situações de violência contra mulher no âmbito doméstico e familiar. Numa proposta de articulação nos níveis de punição, proteção e prevenção, essa lei propõe a criação de Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra mulher, os quais terão competência jurídica civil e criminal, bem como a criação de Centros Integrados de Atendimento as mulheres vítimas, em que haverá desenvolvimento de ações interdisciplinares a todos/as envolvidos/as na situação de violência, para que a mesma não se reproduza novamente, dentre tantas outras novidades2. Todavia, na prática, alguns estudos3 têm demonstrado as dificuldades que a implementação e efetivação dessa nova legislação têm enfrentado.
Desde 2005, temos desenvolvido ações de extensão nessa temática. Iniciamos esses trabalhos a partir de uma demanda de um juiz que atuava no Juizado Especial Criminal (JeCrim) do bairro Restinga, localidade em que o UniRitter possui um Serviço de Assistência Judiciária Gratuita (SAJUIR). Em virtude de atuarmos de forma interdisciplinar direito-psicologia no atendimento às pessoas que procuravam o Sajuir, esse magistrado solicitou que desenvolvêssemos uma parceria, pois a maioria dos casos que chegavam ao JeCrim eram de violência doméstica contra mulheres. Como na época, havia se institucionalizado a prática de transação penal para os agressores com o pagamento de cestas básicas, sendo que as questões cíveis de separação conjugal, pensão alimentícia e visitas aos filhos não podiam ser tratadas pelo JeCrim, o problema daquela família não era efetivamente enfrentado. Assim sendo, começamos a desenvolver uma metodologia de trabalho interdisciplinar no atendimento a famílias em situação de violência doméstica, a qual tem sofrido alterações em virtude das mudanças legislativas e de reorganizações do poder judiciário gaúcho.
Desde a promulgação da lei Maria da Penha o Poder Judiciário de Porto Alegre começou a trabalhar a construção do Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra Mulher. Nesse processo, estiveram envolvidas três juízas e um
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Porto (2007), Pasinato (2008), Campos (2008).
juiz, as/os quais pudemos acompanhar de forma variada, às vezes com ações de observações, às vezes com algumas intervenções. Foi nesse contexto de trocas com o Poder Judiciário que se deu a elaboração das atuais ações que desenvolvemos junto à Delegacia da Mulher de Porto Alegre.
Refletindo sobre uma metodologia em construção
A extensão universitária integra o pilar de sustentação das Instituições de Ensino Superior no Brasil. O trio ensino-pesquisa-extensão continua a ser um dos grandes desafios da formação de nível superior, vigorando como temática importante nos estudos pedagógicos brasileiros4. Paulo Freire5 já se questionava no final dos anos 60, sobre os limites do nome e das práticas que eram desenvolvidas pela extensão nas universidades. Ao se proporem a estender os conhecimentos científicos às comunidades, Freire alertava as IES para a necessidade de comunicação, de respeito aos saberes populares e de construção de um espaço de trocas efetivas, em que o conhecimento produzido nas academias pudesse fazer algum sentido e, dessa forma, ser apropriado pelas pessoas como forma de empoderamento e não, mero assujeitamento.
Além desse trabalho citado, a obra de Freire continua sendo fundamental para a construção de ações de extensão que almejem produzir algum tipo de transformação social. Ao trabalharmos com a temática da violência de gênero intrafamiliar esse referencial teórico crítico se torna necessário, pois potencializa práticas atentas aos tensionamentos entre as relações de saber-poder que se estabelecem em qualquer atividade humana. Outro autor basilar de nossas ações é Michel Foucault6, justamente por fortalecer um posicionamento constante de questionamento diante da vida, entendendo-a como um campo de possibilidades em que estão em jogo forças de dominação e práticas reflexivas de liberdade.
No campo universitário que discute o papel da extensão na formação acadêmica, Demo (2004) tem sido um crítico feroz no sentido de denunciar o quanto a extensão continua marginal e menos valorizada do que a pesquisa e o ensino. Além disso, esse autor propõe que se termine com a divisão desse tripé (ensino-pesquisa-extensão), pois por mais que se fale em articulação entre os três níveis, poucos são os alunos e professores que acabam se envolvendo e se dedicando às práticas extensionistas. Para ele, o aprendizado que a extensão possibilita, através da confrontação dos estudantes e docentes com os problemas concretos vivenciados pelas comunidades populares, bem como pelos saberes construídos por elas não pode ser algo facultativo. Em função disso, Demo (2004) afirma que a extensão deveria ser extinta e
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Freire (1983), Demo (2004), Thiollent (2000). 5
Freire (1983). 6 Foucault (2001).
incorporada definitivamente e efetivamente como algo intrínseco ao processo de ensino-aprendizado de toda comunidade acadêmica.
A partir do compartilhamento com as inquietações que esses autores nos produzem, temos desenvolvido ações de extensão que possam potencializar a formação crítica, comprometida e humilde de nossos estudantes e docentes. A interdisciplinaridade prática, a qual se efetiva na atuação conjunta de estudantes e professoras de áreas diferentes, como direito, psicologia e ciências sociais, assim como a parceria com outras IES (Ufrgs-Unisinos), é um dos recursos de trabalho que tem proporcionado reflexões importantes sobre a delicadeza que é a construção de uma metodologia para o trabalho com mulheres vítimas de violência doméstica. Estudos especializados7 nessa área foram discutidos por nossa equipe de trabalho a fim de qualificar-nos em temática tão complexa.
Importante destacar que essa ação junto à Delegacia da Mulher surgiu de uma demanda do juiz titular do Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra Mulher, quando, no início de 2010, apontou a mudança de direção na condução dos processos judiciais daquele Juizado. Em direções passadas, tinha-se dado um enfoque mais conciliatório, com trabalhos desenvolvidos diretamente com as vítimas e agressores, os quais resultavam num enorme encaminhamento de “renúncias” dos processos penais. Atualmente, o Juizado está interessado em mudar essa orientação, tratando de dar um enfoque mais Penal aos processos, efetivando punições aos agressores. Nesse contexto, o magistrado responsável entendeu que deveriam ser suspensos os trabalhos junto às vítimas no Juizado. Contudo, ele entendia que havia a necessidade de um trabalho na Delegacia da Mulher, tanto no sentido de esclarecimentos às mulheres sobre o funcionamento do Judiciário, da Lei Maria da Penha, quanto no sentido de melhorar as informações que lhe chegavam junto às medidas protetivas solicitadas pelas vítimas, como afastamento do agressor do lar, proibição de aproximação das vítimas, proibição de uso de armas, dentre outras medidas possíveis.
A partir dessa sugestão, em maio de 2010, dirigimo-nos à Delegacia da Mulher para verificarmos a possibilidade de construção deste projeto. Fomos bem recebidos pela delegada responsável, mas cabe ressaltar que inicialmente ela foi resistente a idéia de que as ações fossem desenvolvidas por estudantes, sem a presença da professora. Avaliamos isso como positivo, pois demonstrava todo um cuidado e preocupação dessa delegada com a responsabilidade que está em jogo no atendimento às mulheres que procuram a delegacia para registrar um boletim de ocorrência policial. Trabalhamos com ela o propósito institucional das IES envolvidas na importância de que a extensão pudesse oferecer aos estudantes e docentes um espaço diferenciado
no processo de ensino-aprendizagem. A autonomia dada aos estudantes no trabalho de campo da extensão é fundamental para uma formação crítica e responsável dos mesmos. Todavia, esclarecemos à delegada que esta autonomia “no campo” seria respaldada por espaços semanais de estudos, reflexões e compartilhamento com as docentes coordenadoras do projeto, no caso, uma professora de Psicologia e uma professora de Direito, de forma coletiva, em que se assegure a troca de experiências entre os/as estudantes e as professoras. Também foi firmado o compromisso institucional de que as docentes envolvidas no projeto seriam as responsáveis formais pelas ações realizadas pelos estudantes. Assim sendo, tivemos o aceite da delegacia.
Feita a contratação do trabalho, começamos a discutir com a delegada a construção da metodologia, em virtude de nossa orientação teórica dos princípios da educação popular crítica. A primeira etapa acertada foi a de observações de nossos estudantes nas atividades desenvolvidas pela Delegacia, desde o funcionamento do balcão de recepção até o preenchimento do Boletim de Ocorrência (B.O.). Nesses primeiros espaços de conhecimento do campo em que atuaríamos, foi acertado que seria uma observação clássica, sem interferência de nossos estudantes. A partir dessas observações, proporíamos as atividades que poderíamos desenvolver em nível de extensão universitária. Desde esta etapa tinha sido definido que poderíamos desenvolver atividades com as mulheres antes do preenchimento do B.O.
Depois de um mês de observações, discussões das mesmas nos espaços coletivos da equipe e das reuniões de qualificação, retornamos à Delegacia com uma proposta de ações. Basicamente propusemos um atendimento interdisciplinar, em duplas com estudantes de áreas diferentes (direito-psicologia-ciências sociais) às mulheres envolvidas em casos da Lei Maria da Penha. Significativo informar que nem todas as mulheres que procuram a Delegacia estão envolvidas em situações de violência de gênero intrafamiliar, as quais são o foco da lei 11.340/06. O objetivo do nosso atendimento é acolher essa mulher, abrir um espaço de fala em que ela possa ser esclarecida sobre seus direitos, ser orientada sobre acesso à justiça e iniciado um processo de reconhecimento de que seu problema individual está inserido numa problemática maior de violência de gênero. Também nos propusemos a instaurar espaços coletivos mensais na Delegacia de debates sobre a temática dos direitos das mulheres e formas de violação dos mesmos e as possíveis maneiras de resistência já identificadas pelos estudos feministas.
Como já afirmado anteriormente, o trabalho de extensão possibilita uma formação diferenciada dos atores acadêmicos. Exige uma postura mais crítica e comprometida de todos, tanto com as leituras, o tempo dedicado ao trabalho de campo e ao trabalho interno de equipe. No UniRitter, em função de sermos uma instituição de ensino privado, muitos de nossos estudantes necessitam trabalhar para custear seus estudos. Essa realidade produz algumas
dificuldades de encontrarmos estudantes com disponibilidade de tempo para atuarem em projetos de extensão. Alguns alunos interessam-se, propõem-se a integrar os projetos, mas quando iniciam os compromissos, vários deles precisam desligar-se. Deste modo, esta ação não fugiu a algo recorrente em nossa extensão universitária: uma grande rotatividade de estudantes do curso de direito. Assim sendo, ainda que tenhamos iniciado a contratação da ação com a Delegacia no mês de maio, da qual participaram os estudantes das outras universidades envolvidas, que geralmente tem um perfil diferenciado dos nossos alunos, os meses de junho, julho e agosto foram utilizados para novos processos de seleção e qualificação dos integrantes da equipe. Assim sendo, temos análises muito parciais dos resultados iniciais desta ação.
Contudo, ainda que de forma incipiente com este grupo de trabalho, mas em virtude de toda uma trajetória de ações extensionistas nesta temática, podemos afirmar que o trabalho interdisciplinar é sempre um grande desafio. Por mais que sejam proporcionados espaços teóricos de discussão e problematização sobre seus propósitos, quando se passa a compor o trabalho de campo, as dificuldades aparecem. A proposta de uma metodologia interdisciplinar, tanto de compreensão teórica, quanto de atendimento em duplas de áreas diferentes é algo difícil, pois a habilidade para realmente escutar o outro e dispor-se a construir um lugar no “entre” das disciplinas não é tarefa fácil e rotineira. Aliado a isso, quando iniciamos as ações na delegacia de atendimento, outra demanda emergiu. Em função da precariedade das condições de trabalho dos órgãos policiais, assim que conquistamos um lugar de respeito e de parceria das IES com a Delegacia, começaram a produzir-se demandas para que pudéssemos atender um número maior de mulheres. Nessas situações, nossos/as estudantes tiveram que esclarecer o nosso propósito de ação de extensão e não de servidores públicos, sendo a qualidade mais importante do que a quantidade de pessoas a serem atendidas.
No atendimento às mulheres vítimas de violência temos dois questionários a preencher, um que tenta avaliar a nível de risco da situação de violência, o qual vai anexado ao BO, e outro com questões abertas sobre as expectativas que a mulher tem com relação à delegacia e ao poder judiciário. Esses questionários vão sendo preenchidos durante o atendimento interdisciplinar, com intuito de colaborarem na condução dos esclarecimentos e reflexões iniciais sobre os direitos das mulheres. Depois de realizado o atendimento, a mulher é informada de que o UniRitter desenvolve uma pesquisa sobre violência doméstica contra mulher, lei Maria da Penha e as relações de gênero e raça. Caso ela permita que seus dados sejam utilizados pela pesquisa, é firmado um Termo de Consentimento Informado e lhe é solicitado que faça uma auto-classificação com relação a sua raça/cor, sendo anotada a expressão que ela usar. Posteriormente, a dupla de estudantes faz a sua classificação a partir das categorias do IBGE (branca, negra, parda,
amarela e indígena). Nas reuniões de equipe esses dados são disponibilizados para a equipe que trabalha na pesquisa. Em função do objetivo institucional de articularmos ensino-pesquisa-extensão, quinzenalmente realizamos espaços coletivos de estudos teóricos e trocas de experiências entre os estudantes e professoras dos projetos de pesquisa e de extensão.
À Guisa de conclusão
Trabalhar com a violência de gênero intrafamiliar já não era uma novidade para este núcleo de extensão universitária, todavia, as especificidades que a Delegacia da Mulher apresenta produziram novos desafios. A metodologia prática de um atendimento interdisciplinar, que neste ano ampliou-se com a presença de um estudante do curso de ciências sociais, visto que direito e psicologia já atuavam juntos na extensão do UniRitter desde 2005, também tem se constituído como um motor de desassossegos e desnaturalizações dos discursos em que estamos imersos.
As reflexões apresentadas neste texto ainda são muito incipientes, mas carregam a potência dos encontros que as práticas extensionistas objetivam alcançar. Esta ação tem se mostrado profícua na articulação com a pesquisa, pois a partir dos atendimentos realizados às vítimas no sentido de esclarecimentos e fortalecimento das mesmas, se solicita que o seu depoimento possa integrar um banco de dados que vai trabalhar de forma coletiva com essas informações. Como Foucault nos alerta de que a vida é um campo de batalhas e de que tudo é perigoso, claro que podemos pensar no quanto essa forma de transversalizar pesquisa e extensão pode ser tendenciosa, pois a mulher atendida seria influenciada a permitir a pesquisa. Pode ser, e por isso estamos nos questionando sobre isso. Contudo, também podemos pensar que esse deslocamento do individual para o coletivo pode ser um dispositivo para uma percepção crítica quanto a sua situação, passando a se reconhecer no sofrimento das outras mulheres e podendo contribuir para novos conhecimentos.
Para finalizar, afirmamos a crença de que este tipo de trabalho necessita intensamente de espaços coletivos de trocas entre os/as estudantes envolvidos/as e as professoras, não só no sentido de afinar as atividades e informações técnicas a serem transmitidas às mulheres atendidas, mas principalmente como um momento em que se possam dividir as dificuldades, as ansiedades, as emoções que são acionadas quando se atua na área da violência doméstica contra mulher. A partir dessa experiência, certamente estamos formando atores sociais do mundo acadêmico mais sensíveis às demandas sociais significativas e abertos aos desafios que o trabalho interdisciplinar proporciona.
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