Técnicas Observacionais em Astrofísica
Prof. Gabriel Hickel
Aula 3 – Detectores Ópticos O que são?
Dispositivos que detectam radiação visível (400 a 900 nm). São detectores incoerentes.
Existem dois tipos básicos de detectores: * quânticos
Interação fóton – elétron Mais sensíveis
ex: olho, filme fotográfico, CCD * térmicos
Aquecimento radiativo Maior cobertura espectral
Técnicas Observacionais em Astrofísica
Prof. Gabriel Hickel
Aula 3 – Detectores Ópticos Olho Humano
Utilizado profissionalmente até meados do séc. XX. Problemas: Subjetividade e Deterioração temporal Substituído progressivamente pela fotografia
Técnicas Observacionais em Astrofísica
Prof. Gabriel Hickel
Aula 3 – Detectores Ópticos Olho Humano
Problemas de Definição
Em regiões de alto contraste,
existe tendência de
Técnicas Observacionais em Astrofísica
Prof. Gabriel Hickel
Aula 3 – Detectores Ópticos Olho Humano
Problemas de Orientação Espacial
Dependendo da situação, o padrão de imagem pode induzir a interpretação errada da disposição espacial de elementos.
Técnicas Observacionais em Astrofísica
Prof. Gabriel Hickel
Aula 3 – Detectores Ópticos Olho Humano
Problema na
complementação de cores
A ausência de cores pode
gerar uma falsa
Técnicas Observacionais em Astrofísica
Prof. Gabriel Hickel
Aula 3 – Detectores Ópticos Olho Humano
Técnicas Observacionais em Astrofísica
Prof. Gabriel Hickel
Aula 3 – Detectores Ópticos Olho Humano
Receptores na retina: * Bastonetes
Super sensíveis à luz, repondem basicamente à intensidade (não distinguem cores). São responsáveis pela percepção lateral e definição. Utilizam uma molécula foto-sensível (rodopsina) que responde às variações de luz em 10-15
segundos (reação foto-química reversível – até 30 minutos). * Cones
100x menos sensíveis que os bastonetes, mas capazes de distinguir cores. Existem três tipos de cones com moléculas que fazem reações foto-químicas com fótons de comprimentos de onda diferentes.
Técnicas Observacionais em Astrofísica
Prof. Gabriel Hickel
Aula 3 – Detectores Ópticos Olho Humano
Receptores na retina: * Bastonetes
Existem cerca de 100 milhões de bastonetes, espalhados pela retina.
* Cones
Existem cerca de 6 milhões de cones, concentrados na parte central (fovea centralis).
Técnicas Observacionais em Astrofísica
Prof. Gabriel Hickel
Aula 3 – Detectores Ópticos Olho Humano
* Bastonetes
Técnicas Observacionais em Astrofísica
Prof. Gabriel Hickel
Aula 3 – Detectores Ópticos Olho Humano
Técnicas Observacionais em Astrofísica
Prof. Gabriel Hickel
Aula 3 – Detectores Ópticos Olho Humano
A resolução angular do olho humano leva em conta não só a ótica do olho, mas também a resolução dos bastonetes-cones. Ela é cerca de 1 minuto de arco (1/60 de grau).
A granulação da imagem é anulada por oscilações rápidas do olho e pela interpretação do cérebro.
A resposta do olho humano à intensidade da luz é logarítmica (Lei de Weber-Fechner)
Técnicas Observacionais em Astrofísica
Prof. Gabriel Hickel
Aula 3 – Detectores Ópticos Olho Humano
Sejam fontes A e B, de modo que o fluxo luminoso delas não sejam iguais. Seja R a resposta do olho humano. Então teremos:
Daí surgiu a escala de magnitudes, utilizada pelos astrônomos desde a antiga Grécia.
B A B A B B A AF
F
k
R
R
F
k
R
F
k
R
log
log
log
Técnicas Observacionais em Astrofísica
Prof. Gabriel Hickel
Aula 3 – Detectores Ópticos Olho Humano
A escala original tinha 6 grandezas para o brilho das estrelas. As mais brilhantes eram de primeira grandeza e as mais fracas, de sexta grandeza (escala invertida). A constante
k vem da igualdade:
Uma estrela de sexta grandeza é o limite do olho humano e corresponde a aproximadamente 3×10-15 W.
A sensibilidade do olho humano degrada com a idade. Ela é máxima aos 15 anos e começa a decair por volta dos 30 anos. Aos 60 anos ela é 30% do que era aos 30.
5
,
2
...
50627
,
2
log
1
k
k
k
Técnicas Observacionais em Astrofísica
Prof. Gabriel Hickel
Aula 3 – Detectores Ópticos Emulsão Fotográfica
A emulsão fotográfica foi o principal detector astrofísico até os anos 1980. A fotografia surgiu por volta de 1820 e foi utilizada pela primeira vez na astrofísica em 1839 (Loius Daguerre).
daguerreótipo da Lua 1851
Técnicas Observacionais em Astrofísica
Prof. Gabriel Hickel
Aula 3 – Detectores Ópticos Emulsão Fotográfica
O processo é foto-químico. Fótons são absorvidos pelos grãos de prata (inúmeras receitas, com tamanhos de 0,1 a 10m). A intensidade luminosa transforma-se em densidade (opacidade), através do processo de revelação. A eficiência quântica é muito pequena (cerca de 1%).
Uma emulsão fotográfica é na verdade uma suspensão sob o ponto de vista físico-químico. Sais de brometo de prata (AgBr) estão em suspensão em uma gelatina. A prata isolada é a chamada imagem latente.
-Técnicas Observacionais em Astrofísica
Prof. Gabriel Hickel
Aula 3 – Detectores Ópticos Emulsão Fotográfica
Estes átomos de prata funcionam como marcadores para o processo de revelação, onde mais prata é adicionada ao marcador.
Técnicas Observacionais em Astrofísica
Prof. Gabriel Hickel
Aula 3 – Detectores Ópticos Emulsão Fotográfica
Enretanto, a emulsão fotográfica é capaz de “acumular” fótons e com o tempo adequado, ir mais fundo que o olho humano. Também é um registro impessoal e permanente.
Grãos maiores tornam a emulsão mais sensível, mas desta forma, a resolução cai. O compromisso entre os dois faz com que o tamanho dos grãos seja limitado.
Técnicas Observacionais em Astrofísica
Prof. Gabriel Hickel
Aula 3 – Detectores Ópticos Emulsão Fotográfica
A resposta espectral do AgBr pende para o azul. Algumas substâncias corantes presas aos cristais fazem com que a reação também aconteça para outros comprimentos de onda.
Rosa
AgBr
Amarelo
Técnicas Observacionais em Astrofísica
Prof. Gabriel Hickel
Aula 3 – Detectores Ópticos Emulsão Fotográfica
Técnicas Observacionais em Astrofísica
Prof. Gabriel Hickel
Aula 3 – Detectores Ópticos Emulsão Fotográfica
A resposta à exposição de luz não é sempre linear e existe saturação:
Técnicas Observacionais em Astrofísica
Prof. Gabriel Hickel
Aula 3 – Detectores Ópticos Emulsão Fotográfica
Além da baixa sensibilidade, existem outros problemas que minaram a utilização da emulsão fotográfica:
* repetibilidade;
* resultados somente após revelação; * análise demorada;
* digitalização.
Mesmo assim, o acervo de placas de todos os observatórios do mundo ainda é um conjunto de dados que não pode ser desprezado. Alguns dos catálogos de fontes astrofísicas atuais ainda são baseados em placas fotográficas passadas.
Técnicas Observacionais em Astrofísica
Prof. Gabriel Hickel
Aula 3 – Detectores Ópticos Fotomultiplicadoras
As fotomultiplicadoras são baseadas no efeito foto-elétrico.
Técnicas Observacionais em Astrofísica
Prof. Gabriel Hickel
Aula 3 – Detectores Ópticos Fotomultiplicadoras
Ainda têm importância na astrofísica atual para observações de variações rápidas e na região do UV (10 a 300nm) onde os CCDs não são muito sensíveis.
Técnicas Observacionais em Astrofísica
Prof. Gabriel Hickel
Aula 3 – Detectores Ópticos Fotomultiplicadoras
Têm um alto poder de amplificação do sinal, para cada e- produzido na entrada, até 106 e- decorrem na saída. A
amplificação é feita com o uso de alta voltagem (~1.000 V), mas de forma contralada para que os elétrons não escapem sozinhos (corrente de escuro).
O material do cátodo fornece a frequência de corte. Pode ir de NaCl (150 nm) até Ag (1100 nm).
As desvantagens são:
* sensibilidade não é linear * muitas fontes de ruído
Técnicas Observacionais em Astrofísica
Prof. Gabriel Hickel
Aula 3 – Detectores Ópticos
Detetores de estado sólido (CCDs)
Antes de entendermos o funcionamento dos CCDs e outros detectores de estado sólido, é necessário compreender o papel dos semicondutores.
Relembrando, nas ligações moleculares temos átomos doadores e átomos receptores, dependendo da valência:
H + Cl HCl onde o H “cede” um elétron ao Cl Ca + S CaS onde o Ca “cede” dois elétrons ao S
Técnicas Observacionais em Astrofísica
Prof. Gabriel Hickel
Aula 3 – Detectores Ópticos
Detetores de estado sólido (CCDs)
Entretanto, existe um grupo de átomos com 4 elétrons na camada de valência, que não são bons doadores, nem receptores. São eles: C, Si, Ge, Sn, Pb. Esses átomos reunem-se em estruturas cristalinas (C é excessão).
Técnicas Observacionais em Astrofísica
Prof. Gabriel Hickel
Aula 3 – Detectores Ópticos
Detetores de estado sólido (CCDs)
Aplicando-se um potencial, pode-se arrancar um elétron da camada de valência para a de condução (formação de pares). A dopagem pode aumentar a condutividade do material. Vantagem: condução controlada!
Técnicas Observacionais em Astrofísica
Prof. Gabriel Hickel
Aula 3 – Detectores Ópticos
Detetores de estado sólido (CCDs)
Pode-se unir os tipos P e N em uma junção PN (diodo). Esta junção tem um potencial mínimo associado para a condução.
Aplicando-se luz nesta junção, pode-se mover elétrons da camada de valência para a de condução.
A recíproca é verdadeira (LEDs).
Técnicas Observacionais em Astrofísica
Prof. Gabriel Hickel
Aula 3 – Detectores Ópticos
Detetores de estado sólido (CCDs)
Um detector tipo CCD é uma matriz de pequenos elementos feitos de junções PN e que funcionam com base no efeito foto-elétrico.
CCD é a abreviação de Charge-Coupled Devices. Foi inventado em 1969 por Boyle e Smith. Uso na astronomia começou na década de 70 do século passado. Hoje dominam a aquisição de imagens no óptico.
Primeira Imagem: Urano – 1975 University of Arizona / JPL
Técnicas Observacionais em Astrofísica
Prof. Gabriel Hickel
Aula 3 – Detectores Ópticos
Detetores de estado sólido (CCDs)
Como um elemento de CCD funciona (pixel).
Técnicas Observacionais em Astrofísica
Prof. Gabriel Hickel
Aula 3 – Detectores Ópticos
Detetores de estado sólido (CCDs)
Técnicas Observacionais em Astrofísica
Prof. Gabriel Hickel
Aula 3 – Detectores Ópticos
Detetores de estado sólido (CCDs)
Como um CCD é lido.
Transferência de carga Mudança de potencial
Técnicas Observacionais em Astrofísica
Prof. Gabriel Hickel
Aula 3 – Detectores Ópticos
Detetores de estado sólido (CCDs)
Técnicas Observacionais em Astrofísica
Prof. Gabriel Hickel
Aula 3 – Detectores Ópticos
Detetores de estado sólido (CCDs)
to output amplifier
output
register
pixel
Técnicas Observacionais em Astrofísica
Prof. Gabriel Hickel
Aula 3 – Detectores Ópticos
Detetores de estado sólido (CCDs)
Técnicas Observacionais em Astrofísica
Prof. Gabriel Hickel
Aula 3 – Detectores Ópticos
Detetores de estado sólido (CCDs)
Características importantes de um CCD.
•Iluminação: front ou back-illuminated
•Cosmética: qualidade dos elementos (pixels) •Ruído de Leitura (read-noise): cargas adicionais •Ganho: reposta por ADU
•Eficiência Quântica: produção de pares •Faixa Dinâmica: poço de potencial
Técnicas Observacionais em Astrofísica
Prof. Gabriel Hickel
Aula 3 – Detectores Ópticos
Detetores de estado sólido (CCDs)
Técnicas Observacionais em Astrofísica
Prof. Gabriel Hickel
Aula 3 – Detectores Ópticos
Detetores de estado sólido (CCDs)
•Cosmética: qualidade dos elementos (pixels)
Técnicas Observacionais em Astrofísica
Prof. Gabriel Hickel
Aula 3 – Detectores Ópticos
Detetores de estado sólido (CCDs)
Técnicas Observacionais em Astrofísica
Prof. Gabriel Hickel
Aula 3 – Detectores Ópticos
Detetores de estado sólido (CCDs)
Técnicas Observacionais em Astrofísica
Prof. Gabriel Hickel
Aula 3 – Detectores Ópticos
Detetores de estado sólido (CCDs) Vantagens do CCDs:
* Grande eficiência quântica
* Cobrem praticamente todo o vísível * Produzem imagens já digitalizadas * Boa resolução espacial
* Pequeno ruído
* Grande faixa dinâmica * Alta precisão fotométrica * Linearidade
Técnicas Observacionais em Astrofísica
Prof. Gabriel Hickel
Aula 3 – Detectores Ópticos
Detetores de estado sólido (CCDs) Problemas do CCDs:
* Saturação
* Raios-Cósmicos
* Refrigeração (ruído térmico)
* Tamanho reduzido (mudando com o tempo) * Tempo de leitura (mudando com o tempo)
Técnicas Observacionais em Astrofísica
Prof. Gabriel Hickel
Aula 3 – Detectores Ópticos
Detetores de estado sólido (CCDs)
Recentemente foram inventados os EB-CCDs ou ICCDs. São CCDs precedidos de fotomultiplicadoras inidividuais nos pixels. São muito mais sensíveis e rápidos (alto ganho).
Técnicas Observacionais em Astrofísica
Prof. Gabriel Hickel
Aula 3 – Detectores Ópticos
LEITURA RECOMENDADA (versão nova):
•Observational Astrophysics (Lená, Lebrun, Mignard) – pags.
323 a 351, 356 a 363, 366 a 376