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Seminário Aborto

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Academic year: 2021

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1.0. INTRODUÇÃO

O referido trabalho aborda o tema aborto, interrupção espontânea ou intencional da gravidez, sendo esta última a qual daremos ênfase, discorrendo, assim, sobre diversos fatores, bem como: embriologia, antropologia, religião, filosofia, psicologia de base humanista, visão jurídica e, por fim, a visão da bioética, a ética da vida. 2.0. EMBRIOLOGIA

A perpetuação da vida em nosso planeta deve-se à característica mais típica dos seres vivos: sua capacidade de se reproduzir. O zigoto recém-formado é levado para o útero pelas contrações musculares da tuba e pelo movimento de cílios existentes nas células da parte interna da tuba. Esse percurso dura de três a quatro dias. Pelo caminho, o zigoto se divide várias vezes e, quando chega ao útero, já é um embrião. Ele está pronto para se implantar no endométrio. No útero, o embrião vai se desenvolver dentro de uma cavidade cheia de líquido que o protege contra os movimentos bruscos da mãe. Além disso, logo nas primeiras semanas de gravidez, forma-se a placenta. Aos poucos, as células do embrião se especializam. Na terceira semana depois da fecundação começam a se formar os primeiros órgãos dos sistemas: nervoso, digestório e circulatório. O coração começa a bater. No final da oitava semana, depois da fecundação, os primeiros órgãos do embrião já estão formados e ele passa a ser chamado de feto. O feto continua a crescer e a se desenvolver. Sendo assim, o ser humano conclui uma das etapas do seu ciclo vital, que é nascer, crescer, reproduz-se ou não, envelhecer e morrer. Através de estudos realizados por diversos professores e mestres universitários da área da ciência humana, podemos afirmar que, realmente, a vida se inicia na fertilização do óvulo com o espermatozoide.

3.0. O QUE É O ABORTO?

O aborto consiste na interrupção da gravidez causada pela expulsão do feto ou do embrião do útero, podendo ser provocado ou espontâneo. Há diversos fatores antecedentes a prática do aborto proposital, dentre eles destacam-se o abuso sexual, a gestação indesejada, a anencefalia e o risco de vida da gestante. Ocorre, também, a utilização deste recurso como método contraceptivo, isto é, ao invés do

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Neste caso, fica ainda mais evidente a necessidade de uma educação acerca dos meios de se evitar uma gravidez indesejada para que, desse modo, os índices de aborto provocado por negligência preventiva sejam reduzidos significativamente. 4.0. VISÃO ANTROPOLÓGICA

George Devereux – Antropólogo Social e Psicanalista foi o primeiro a estudar, de modo sistemático, a prática do aborto, considerando-as em suas dimensões gerais e, ao mesmo tempo, nas formas específicas que ela assumiu em diferentes sociedades. Por existir uma relação direta entre os comportamentos culturais e os afetos, pode-se afirmar que há a compatibilidade da abordagem antropológica e a abordagem Psicanalítica. Devereux destaca a existência possível de um meio que ele denomina psicossomático, isto é, o desejo intenso de abortar teria, por si só, efeito abortivo. Em sociedades cuja informação está disponível e os meios usados para abortar são de ordem de um saber comum, as gestantes não deixam de praticá-lo quando a necessidade se impõe ao receio que o ato pode gerar. É muito raro que se façam grandes esforços para identificar as pessoas responsáveis pelo aborto, a fim de persegui-las e puni-las. Esse traço vale, também, para as sociedades ocidentais medievais. Toda cultura encara o aborto com certa naturalidade, desde que haja uma necessidade que impulsione para a realização deste ato.

5.0. VISÃO RELIGIOSA  Catolicismo

A Igreja Católica, desde o século IV, condena o aborto em qualquer estágio e em qualquer circunstância. O direito à vida de um feto é igual ao da mulher e toda medida anticoncepcional é considerada um “crime contra a natureza”. Em 1976, o Papa Paulo VI disse que o feto tem “pleno direito à vida” a partir do momento de sua concepção. A mulher não tem nenhum direito de abortar, mesmo para salvar sua própria vida. Essa posição se baseia em quatro princípios: Deus é o autor da vida; a vida se inicia no momento da concepção; ninguém tem o direito de tirar a vida humana inocente; o direito à vida é um elemento constitutivo da sociedade civil e de sua legislação.

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 Evangélicos

Os Evangélicos são contra o aborto, não somente por questões teológicas, mas, também, pelos fatores biológicos, onde a vida começa na concepção, sendo assim, abortar um ser humano, em qualquer estágio da vida dele, é assassinato. O feto não é um prolongamento da mulher. Os grupos favoráveis ao aborto costumam evocar situações de estupro ou de risco de morte da mulher, mas esses casos são uma minoria e já são respaldados pela lei, não devem servir como argumento para a destruição de uma vida inocente, que não pediu para ser gerada e nada pode fazer para se defender contra os que se opõem a ela.

 Espiritismo

Por que o Espírita é contra o aborto? Por que está convencido de que a vida é um bem indisponível; sabe que a vida tem um planejamento maior; todo espírito tem o direito de passar pelo crisol das encarnações sucessivas; tem convicção de que o zigoto ou célula-ovo é um sujeito de direito; reconhece os direitos do embrião, deficiente ou não; respeita no feto a grandeza do continuum; abomina a violência; defende um amplo programa de planejamento familiar.

A Doutrina Espírita trata clara e objetivamente a respeito do abortamento em sua obra básica “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, nas seguintes questões:

Questão 344: Em que momento a alma se une ao corpo? A união começa na concepção, mas só é completa por ocasião do nascimento.

Questão 358: Constitui crime a provocação do abortamento, em qualquer período da gestação? Há crime sempre que transgredis a lei de Deus. A mãe, ou quem quer que seja, cometerá crime sempre que tirar a vida a uma criança antes do seu nascimento, por isso que impede uma alma de passar pelas provas a que serviria de instrumento o corpo que se estava formando.

Questão 880: Qual o primeiro de todos os direitos naturais do homem? O de viver. Por isso é que ninguém tem o de atentar contra a vida de seu semelhante, nem de fazer o que quer que possa comprometer-lhe a existência corporal.

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6.0. VISÃO FILOSÓFICA  Materialismo Epicurista

A vida só se conta do momento do nascimento até a morte, a verdade só é captada pelos sentidos humanos e deixa de existir após a morte, portanto, a fase do feto não é considerada.

 Niilista

Não define o certo do errado. Enfatiza a ideia de que nada sabemos e nada entendemos. Sente que não temos capacidade de afirmar o verdadeiro. Não julga as pessoas por suas atitudes. Todos têm o direito a escolha do que quer ou não fazer, contanto que também tenham total consciência de serem responsáveis por seus atos.

 Metafísico Ontológico

O aborto não é recriminado, pois todas as ações que ocorrem na terra, ocorrem pela vontade de Deus e, assim sendo, acontecem quando devem acontecer e da forma que devem.

 Metafísico Referencial

Deus deu o livre arbítrio para ser usado, cada ser humano elabora sua vontade. No caso, o aborto torna-se uma decisão da pessoa e, como tal, não tem direito a contestação, já que isso faz parte do livre arbítrio dado por Deus a todos os seres humanos.

7.0. VISÃO PSICOLÓGICA (HUMANISMO)

Para a Psicologia de base humanista, as experiências passadas, inclusive as infantis, podem ajudar ou prejudicar, mas, de forma alguma, podem ser consideradas determinantes. Desta forma, um dos preceitos da Psicologia Humanista é sempre trabalhar com o que é trazido hoje. Todo indivíduo tem a capacidade e pode decidir-se acerca de sua vida; todo ser humano é um ser consciente e pode desenvolver sua percepção, entre outras. Para que o processo terapêutico dentro desta abordagem seja bem sucedido, é necessário expressar

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empatia e, também, aceitação incondicional por parte do Psicólogo, sem julgamentos morais e com a prontidão para aceitar do cliente o que este trouxer. Pouco importa as decisões do cliente, de onde vem os seus estímulos, quão favorável ou desfavorável o ambiente pode ser. Seja qual for a condição, acredita-se que todo comportamento do indivíduo está sempre voltado para a sua manutenção, seu crescimento e sua reprodução, como parte da tendência realizadora que nos habita. A partir disto, para a Psicologia Humanista, o tema aborto é contemplado da mesma forma que qualquer outro tema que o cliente possa vir a trazer para os encontros: com aceitação incondicional. Todo ser humano é livre para fazer suas escolhas. Todo indivíduo tem a capacidade de administrar suas próprias decisões. Todos nós temos a tendência da autorrealização e não faríamos conosco o que não nos fosse impulsionado para tal.

8.0. VISÃO JURÍDICA

O código penal permite o aborto em algumas situações específicas, sendo elas:  Risco de vida para a mulher

Quando a gravidez apresenta riscos de vida para a gestante, ela pode buscar apoio da justiça, que irá atestar ajuda médica para que o procedimento seja feito com segurança.

 Estupro

No caso de estupro é necessário que, rapidamente, a mulher registre um boletim de ocorrência do crime e faça o exame de corpo de delito, para comprovar a agressão sexual, assim, será registrado o crime contra o estuprador e irá permitir que seja feita a interrupção da gravidez.

 Penas para quem praticar o aborto no Brasil

Reclusão de três a dez anos para a pessoa que praticar o aborto sem o consentimento da gestante; detenção de um a três anos para a mulher que fizer o aborto ou para quem influenciar que outra pessoa faça; prisão de até dez anos para quem praticar o aborto mesmo com o consentimento da gestante menor de quatorze anos, deficiente mental ou alienado; em casos em que a gestante sofra lesões

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corporais graves, as penas são duplicadas e, também, em caso de morte por causa de lesões; atos de violência física, como agressões na região do estômago, para provocar o aborto, são considerados atos de lesão corporal de natureza gravíssima. 9.0. VISÃO BIOÉTICA

Apesar de bastante difundido, o problema da moralidade do aborto é histórica e contextualmente localizado e qualquer tentativa de solucioná-lo tem que levar em consideração a diversidade moral e cultural das populações atingidas. Como pode ser constatado, seja pela diversidade legal acerca da temática quanto pela multiplicidade argumentativa do debate bioético, o aborto é uma das questões paradigmáticas da Bioética exatamente porque nele reside a essência trágica dos dilemas morais, que, por sua vez, são o “nóconflitivo” da Bioética. Para certos dilemas morais não existem soluções imediatas. Os dilemas-limite, segundo Engelhardt, dos quais, talvez, o aborto componha um de seus melhores exemplos, são situações que desafiam os inimigos morais à coexistência pacífica.

10.0. Conclusão

Ao final desse trabalho, pudemos constatar que o tema abordado é amplamente discutido por diversas áreas do conhecimento. Existem vários aspectos para analisar e compreender o mesmo assunto, de modo que a visão de cada um depende de crenças, culturas, religiões, conhecimentos e, também, acesso a informações. Por ser um tema que engloba discussões moralistas, nenhuma forma de pensar deve ser julgada sem antes levarmos em consideração o caminho percorrido para que houvesse determinada conclusão, afinal, somos frutos de uma sequência de acontecimentos e influências a partir do momento em que nascemos. Devemos respeitar as diferenças e aprender com as divergências, de forma a chegarmos a um denominador comum, sem nos prender aos pré-julgamentos morais que cercam a questão destes tipos de “dilemas-limite”.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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