http://tede.mackenzie.br/jspui/bitstream/tede/4378/6/ANA%20CL%C3%81UDIA%20FREITAS%20DE%20OLIVEIRA
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(2) ANA CLÁUDIA FREITAS DE OLIVEIRA. FORMAÇÃO PARA A CIDADANIA, VALORES HUMANOS E O DIÁLOGO COM OS PRINCÍPIOS DA UNESCO: AGENDA 2030. Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em Educação, História da Cultura e Arte da Universidade Presbiteriana Mackenzie de São Paulo, como requisito parcial à obtenção de título de Mestre em Educação, História da Cultura e Arte.. ORIENTADORA: Profa. Dra. Rosana Maria Pires Barbato Schwatz. São Paulo 2020.
(3) O48f. Oliveira, Ana Cláudia Freitas de. Formação para a cidadania, valores humanos e o diálogo com os princípios da Unesco: agenda 2030 / Ana Cláudia Freitas de Oliveira. 158 f. ; 30 cm Dissertação (Mestrado em Educação, Arte e História da Cultura) – Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2020. Orientadora: Profa. Dra. Rosana Maria Pires Barbato Schwatz Referências bibliográficas: f. 110-121. 1. Mackenzie confessional. 2. Educação integral. 3. UNESCO. 4. Rede PEA. 5. Agenda 2030. I. Schwatz, Rosana Maria Pires Barbato, orientador. II. Título. CDD 371. Bibliotecária Responsável: Silvania W. Martins – CRB 8/7282.
(4) Folha de Identificação da Agência de Financiamento. Autor: Ana Cláudia Freitas de Oliveira Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação, Arte e História da Cultura Título do Trabalho: Formação para a cidadania, valores humanos e o diálogo com os princípios da UNESCO: Agenda 2030. O presente trabalho foi realizado com o apoio de 1: CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico FAPESP - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo Instituto Presbiteriano Mackenzie/Isenção integral de Mensalidades e Taxas MACKPESQUISA - Fundo Mackenzie de Pesquisa Empresa/Indústria: Outro: 1. Observação: caso tenha usufruído mais de um apoio ou benefício, selecione-os..
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(6) Aos meus filhos, minha neta Helena e aos próximos netos que virão, fica o legado. E a todas as mulheres de fé que se dedicam à educação, nada nunca foi e será em vão!.
(7) AGRADECIMENTOS. Em primeiro lugar, agradeço a Deus pelo dom da vida e pela oportunidade de desenvolver este trabalho. Agradeço aos meus filhos, Carol e Guto, pela parceria, pelo incentivo, pelo apoio e pelo amor incondicional. Agradeço a minha nora Raissa e ao meu genro Paulo, pelos momentos que tivemos juntos, ambos procurando me tranquilizar através de muitas prosas e boas risadas. Agradeço aos meus pais, pelo dom da vida e por minha formação, em especial minha mãe, companheira de todos os momentos mais difíceis de minha vida e dos mais alegres e que caminhou junto comigo dando apoio irrestrito, especialmente neste trabalho. Ao meu pai, já falecido, que sempre me incentivou a prosseguir sem medo de ser feliz! Agradeço à minha avó Hilda, que sempre me amou e a quem eu devo tudo de mais intenso na minha vida: o AMOR. Agradeço cada familiar, cada amigo e cada pessoa que participou junto ou parcialmente deste momento de pesquisa e escrita e que foram um constante bálsamo em cada etapa deste trabalho. Agradeço em especial à minha querida amiga e colega de profissão, Profa. Sueli de Almeida, que sempre me incentivou e que me validou em cada momento, sempre acreditando que “tudo é possível para aquele quem crê em Deus”, a quem dedico este trabalho. Agradeço a D. Myriam Tricate, Coordenadora Nacional do PEA/UNESCO, companheira de jornada educacional e que sempre me acolheu e estimulou a realização deste trabalho, bem como todos os queridos colegas da UNESCO/Brasil e UNESCO/Internacional, na oportunidade de visitar as escolas nos países que visitamos. Agradeço à minha gestora Thiciana Zaher, Vice-Presidente do Instituto SEB, que além do incentivo, sempre acreditou em mim e nas minhas capacidades, com a tranquilidade e energia do BEM, tão características dela. Agradeço ao Instituto Presbiteriano Mackenzie, motivo que me inspirou e me fez “conectar” tantos valores importantes para a formação do ser humano e do qual sou uma aluna muito grata. Agradeço à minha orientadora profa. Rosana Schwartz, que me deu a tranquilidade necessária para a realização deste trabalho, conduzindo os processos com muito respeito, ética, delicadeza, competência e amor pela profissão. E, finalmente, agradeço à minha neta Helena, por entender que a vovó precisava viajar pra estudar e que apesar das ausências sentidas, tivemos tempo pra colocar nosso amor em dia e colhermos os frutos deste trabalho, deixando um legado na família..
(8) “Ante os múltiplos desafios do futuro, a educação surge como um trunfo indispensável à humanidade na sua construção dos ideais da paz, da liberdade e da justiça social.” (Jacques Delors)..
(9) RESUMO. O Instituto Presbiteriano Mackenzie é uma instituição confessional que se associou a UNESCO, em 2003, fazendo parte da Rede PEA e seguindo a Agenda 2030. A UNESCO propõe alguns temas a serem trabalhados com alunos que se referem a questões do planeta, das pessoas, da paz, da prosperidade e da parceria. Problematiza-se nesta pesquisa, como uma escola confessional que segue a Agenda 2030 pode contribuir para uma educação integral dos educandos. O objetivo foi mostrar como as atividades pedagógicas de uma escola confessional podem se articular com as questões propostas pela UNESCO. A concepção de educação integral foi a de Anísio Teixeira. Proposta de educação escolar emancipadora de indivíduos e sociedade. Optou-se construir a problematização em duas partes, sendo que a primeira, composta por discussão sobre a UNESCO e seus planos de ação, apresentados pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), as metas da Agenda 2030 e os temas propostos pela Rede PEA. Também percorrer pela história do Instituto Presbiteriano Mackenzie, para entrelaçar com a Agenda 2030. A segunda parte, apresentação do trabalho realizado por essa escola confessional que se associou a UNESCO e as propostas para o desenvolvimento sustentável. Considerou-se após análise que tanto a instituição quanto a organização prezam pela educação de qualidade e a formação integral do ser humano, como também fazem com que o ser humana seja uma pessoa compromissada com o bem social, com a vida solidária e comunitária. Palavras-chave: Mackenzie Confessional, Educação Integral, UNESCO, REDE PEA, Agenda 2030. Palavras-chave: Mackenzie Confessional. Educação Integral. UNESCO. REDE PEA. Agenda 2030..
(10) ABSTRACT. The Mackenzie Presbyterian Institute is a confessional institution that joined UNESCO in 2003, being part of the PEA Network and following the 2030 Agenda. UNESCO proposes some themes to be worked with students that refer to issues of the planet, people, society and peace, prosperity and partnership. It is problematized in this research, how a confessional school that follows the 2030 Agenda can contribute to an integral education of students. The objective was to show how the pedagogical activities of a confessional school can be articulated with the questions proposed by UNESCO. The concept of integral education was that of Anísio Teixeira. School education proposal emancipating individuals and society. It was decided to construct the problematization in two parts, the first being composed of discussions about UNESCO and its action plans, presented the Sustainable Development Goals (SDGs), the goals of the 2030 Agenda and the themes proposed by the PEA Network. Also go through the history of the Mackenzie Presbyterian Institute, to intertwine with the 2030 Agenda. The second part, presentation of the work carried out by this confessional school that joined UNESCO and the proposals for sustainable development. After analysis, it was considered that both the institution and the organization value quality education and the integral training of human beings, as well as making the human being a person committed to social good, to solidary and community life. Keywords: Mackenzie Confessional. NETWORK. 2030 Agenda.. Integral. Education.. UNESCO.. PEA.
(11) LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS. APA. Área de Preservação Ambiental. CAME. Conferência dos Ministros Aliados da Educação. CICI. Comissão Internacional de Cooperação Intelectual. EAD. Educação à Distância. EJA. Educação de Jovens e Adultos. EPT. Educação para Todos. GRI. Global Reporting Initiative. IIIC. Instituto Internacional de Cooperação Intelectual. IPEA. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. LDB. Lei de Diretrizes e Bases. MOBRAL. Movimento Brasileiro de Alfabetização. OCI. Organização da Cooperação Intelectual. ODS. Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. ONG. Organização Não Governamental. ONU. Organização das Nações Unidas. PCNs. Parâmetros Curriculares Nacionais. PEA. Programa de Escolas Associadas. UATU. Universidade Aberta do Tempo Útil. UNESCO. Organização das Nações Unidas para Educação, a Ciência e a Cultura. UNICEF. United Nations Children's Emergency Fund / Fundo das Nações Unidas para a Infância. UPM. Universidade Presbiteriana Mackenzie.
(12) SUMÁRIO. 1. INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 11. 1.1. PROBLEMA DE PESQUISA ................................................................................. 12. 1.2. JUSTIFICATIVA .................................................................................................... 12. 1.3. OBJETIVOS ............................................................................................................ 14. 1.3.1 Objetivo Geral ........................................................................................................ 14. 1.3.2 Objetivos Específicos ............................................................................................. 14. 1.4. METODOLOGIA .................................................................................................... 14. 1.5. REFERENCIAL TEÓRICO .................................................................................... 15. 2. A EDUCAÇÃO E A UNESCO ............................................................................. 16. 3. MACKENZIE 1870 ............................................................................................... 44. 3.1. HISTÓRIA DO MACKENZIE ............................................................................... 44. 3.2. ESCOLA CONFESSIONAL ................................................................................. 65. 3.3. ENTRELAÇAMENTO ENTRE A AGENDA 2030 E A HISTÓRIA DO MACKENZIE .......................................................................................................... 4. DISCUSSÃO ENTRE O COLÉGIO PRESBITERIANO MACKENZIE E A UNESCO ................................................................................................................. 4.1. 74. 84. RELAÇÃO ENTRE O COLÉGIO PRESBITERIANO MACKENZIE E A UNESCO ................................................................................................................. 84. 4.2. COLÉGIO PRESBITERIANO MACKENZIE E A AGENDA 2030 ..................... 87. 4.3. COLÉGIO PRESBITERIANO MACKENZIE E A REDE PEA ............................ 93. 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................ 105. REFERÊNCIAS .................................................................................................... 112 APÊNDICE A – FOTOS DOS PROJETOS ENTRE O MACKENZIE E A AGENDA 2030 .................................................................................................. 123. APÊNDICE B – MACKENZIE E A REDE PEA ............................................... 127. ANEXO A - FORMULÁRIO DE MANIFESTAÇÃO DE INTERESSE E ADESÃO ............................................................................................................ 137. ANEXO B – RELATÓRIO ANUAL DAS ESCOLAS ASSOCIADAS DA UNESCO (2019) ..................................................................................................... 142.
(13) 11 1 INTRODUÇÃO. Há um questionamento: onde se “encontra” o aluno neste volume de informações, conteúdos e metodologias? Como fica a formação de valores deste aluno frente a tantos desafios na vida escolar? E depois? Como será que ele vai se adaptar ao “mundo” fora dos muros da escola? Quais os valores pessoais que ele vai “levar” para a vida adulta, do trabalho, das relações pessoais e com o mundo? Como trazer oportunidades para o aluno poder pensar um pouco em si e trazer um olhar para o outro? A partir de olhar para o outro, o aluno deverá desenvolver sentimentos e atitudes de compaixão, empatia, solidariedade, entre outros, e assim, começar a ver e sentir que além de si, tem o outro que está ao lado. Com a ampliação desse “olhar”, pode-se despertar um olhar comunitário, do eu para a comunidade e da comunidade para a vida. Segundo Delors (1998, p. 11, grifo do autor), A educação não pode contentar-se em reunir as pessoas, fazendo-as aderir a valores comuns forjados no passado. Deve, também, responder à questão: viver juntos, com que finalidades, para fazer o quê? e dar a cada um, ao longo de toda a vida, a capacidade de participar, ativamente, num projeto de sociedade.. As demandas do mundo contemporâneo modificaram o papel social da escola e com isso, novas possibilidades de pensamento e atuações foram surgindo. De acordo com Silva e Weide (2004, p.47), Evidencia-se em Saviani um conceito de educação como mediação em meio a prática social, isto é, a educação torna-se uma importante ferramenta na transformação da prática social. Não considerando a educação como aquela mediação que poderia transformar diretamente a sociedade, mas de forma mediatizada, passando primeiro pela transformação das consciências. E as consciências despontando como sujeitos que atuam na prática social. É o conjunto da prática social que gerará a transformação da sociedade.. A escola também tem se revisitado, buscando meios de se adaptar aos desafios que o mundo vem apresentando e com isso reformulando seu modus operandi, tanto com os alunos, quanto com os professores, equipe técnica e comunidade escolar. A educação integral desse aluno perpassa pela formação intelectual, artística, desportiva, espiritual e humana, e a escola, em suas possibilidades, pode colaborar continuamente com essa intencionalidade de formação, inserindo em seus currículos práticas que permitam tais desenvolvimentos. Para isso, [...] é importante que a escola reconheça os outros territórios do exercício da vida, do conhecer e do fazer. Assim, a Educação Integral, em questão, não se restringe à possibilidade de ampliação do tempo que a criança ou o jovem passa na escola, mas à possibilidade de integração com outras ações.
(14) 12 educativas, culturais e lúdicas presentes no território e vinculadas ao processo formativo. Dessa forma, busca garantir a eles o direito fundamental à circulação pela cidade, como condição de acesso as oportunidades, espaços e recursos existentes, como direito à ampliação contínua do repertório sociocultural e à expressão autônoma e crítica da sociedade e como possibilidade de projeto mais generoso de nação e de país (BRASIL, 2009, p.47).. Devido à evolução da educação, a Organização das Nações Unidas (ONU), por meio da UNESCO, tem proposto preparar o aluno para que possa ser um agente transformador, cidadão do mundo, mais preparado para os desafios. A UNESCO tem um suporte no seu escopo de trabalho e que se chama Programa de Escolas Associadas – PEA/UNESCO – nos quais muitas orientações são passadas para que as escolas, ao desenvolverem seus planejamentos, possam inserir propostas que contribuam no desenvolvimento do pensamento desse aluno. E tem um plano de ação denominado Agenda 2030 que possui 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e 169 metas que tratam de temas para a prosperidade, para as pessoas, para o planeta, pela paz e pela parceria. Este trabalho tem por objetivo mostrar como são as práticas educativas de uma escola de Educação Básica na cidade de São Paulo, que é associada da UNESCO.. 1.1 PROBLEMA DE PESQUISA Como as atividades pedagógicas de uma escola confessional podem se articular e expressar os objetivos da Agenda 2030, principalmente o Objetivo do Desenvolvimento Sustentável 4, que trata da educação inclusiva, equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos, contribuindo para a educação integral dos alunos? 1.2 JUSTIFICATIVA. Ao refletir sobre educação, é necessário pensar no aluno através de suas inúmeras dimensões para a ampliação de responsabilidade e a necessidade de ações pontuais que são necessárias para o século XXI, tais como pensar no planeta, na humanidade, na prosperidade, na paz e na parceria..
(15) 13 O espaço que é disponibilizado à educação tem sido pensado e refletido em suas amplas dimensões e é necessário trazer conhecimento que faça sentido ao aluno em todo seu processo de formação. Segundo Delors (1998, p. 16), A educação deve encarar este problema, pois, na perspectiva do parto doloroso de uma sociedade mundial, ela se situa no coração do desenvolvimento tanto da pessoa humana como das comunidades. Cabe-lhe a missão de fazer com que todos, sem exceção, façam frutificar os seus talentos e potencialidades criativas, o que implica, por parte de cada um, a capacidade de se responsabilizar pela realização do seu projeto pessoal.. A educação pode contribuir para fortalecer a formação do aluno no sentido de integrarse ao mundo. Ao entender que o ser humano faz parte de um ecossistema e que as atitudes refletirão nesta dinâmica chamada vida, faz-se urgente refletir como andam as relações e o que se tem feito realmente para o avanço que se dá ao seu entorno e, consequentemente, para o mundo. Delors (1998, p. 51) enfatiza que, Em todo o mundo, a educação, sob as suas diversas formas, tem por missão criar, entre as pessoas, vínculos sociais que tenham a sua origem em referencias comum. Os meios utilizados abrangem as culturas e as circunstâncias mais diversas; em todos os casos, a educação tem como objetivo essencial o desenvolvimento do ser humano na sua dimensão social. Define-se como veículo de culturas e de valores, como construção de um espaço de socialização, e como cadinho e preparação de um projeto comum.. O trabalho irá se fundamentar nos conceitos do papel da escola na educação integral. E irá se aprofundar nos conceitos que a UNESCO traz para a educação no século XXI, quais recursos que oferece às Escolas Associadas – PEA/UNESCO. Os temas propostos pela UNESCO têm sido trabalhados nas diferentes escolas, porém, a maioria das escolas associadas são laicas. E os resultados que as contribuições que o PEA traz para as escolas são efetivos. Ainda não foram abordados nas atividades educativas de uma instituição confessional. Nesse sentido, buscou-se, por meio de um estudo de caso, mostrar as práticas educativas na Educação Básica de uma escola confessional na cidade de São Paulo, após ser associada ao PEA/UNESCO e trazer à discussão como as atividades pedagógicas de uma escola confessional podem se articular e expressar os objetivos da Agenda 2030 – Objetivo do Desenvolvimento Sustentável 4 (ODS 4), contribuindo para a educação integral dos alunos. Este trabalho focará exclusivamente os objetivos do PEA e da Agenda 2030 - ODS 4, reconhecendo que a amplitude de objetivos da UNESCO contribui nesse momento, para o que se objetivou aqui..
(16) 14 1.3 OBJETIVOS. 1.3.1 Objetivo Geral Descrever como as atividades pedagógicas de uma escola confessional podem se articular e expressar os objetivos da Agenda 2030, principalmente o Objetivo do Desenvolvimento Sustentável 4, que trata da educação inclusiva, da equitativa e de qualidade, promovendo oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos, contribuindo para a educação integral dos alunos.. 1.3.2 Objetivos Específicos. Os objetivos específicos são: - especificar as orientações que a UNESCO traz para a educação do século XXI, por meio da Agenda 2030, com enfoque no Objetivo do Desenvolvimento Sustentável 4; - demonstrar como foram trabalhadas as questões pedagógicas numa escola associada da PEA/UNESCO; - relacionar os princípios propostos pela PEA/UNESCO incorporados pelo Colégio Presbiteriano Mackenzie, através das práticas educativas no ano letivo de 2019: 1.4 METODOLOGIA Esta pesquisa se configurou como um estudo de caso. Buscou-se identificar as possibilidades de trabalho pedagógico com o PEA. Para tanto, se estruturou na análise dos conceitos que subjazem as propostas de educação da UNESCO em articulação com as discussões sobre educação integral. A partir dessa análise, buscou-se identificar modos de concretização das proposições da UNESCO nas atividades pedagógicas propostas para o ano 2019 da educação básica do Colégio Presbiteriano Mackenzie, apontando e discutindo as possibilidades de trabalho pedagógico que as escolas podem desenvolver com o PEA UNESCO. O presente trabalho é constituído de três capítulos: No primeiro capítulo tratará das proposições da UNESCO para a educação no século XXI, com as metas propostas pela Agenda 2030, principalmente a ODS 4 que trata da.
(17) 15 Educação de Qualidade e o Programa de Escolas Associadas (PEA-UNESCO), com as contribuições dos documentos da UNESCO. No segundo capítulo será mostrada a História do Instituto Presbiteriano Mackenzie e o entrelaçamento da Agenda 2030 com a história da escola. O terceiro capítulo demonstrará as atividades da educação básica que concretizaram as orientações e os temas propostos pela UNESCO, no ano letivo de 2019. A base principal da metodologia foi a pesquisa bibliográfica e a análise de documentos, bem como o relatório de atividades propostas pela instituição, o que trouxe a fundamentação necessária para a abordagem da parte histórica e para validar as ações educacionais intencionais da Instituição. 1.5 REFERENCIAL TEÓRICO Para o embasamento teórico serão utilizadas publicações da ONU e da UNESCO. E serão consultados os seguintes autores: Jean Jacques Delors, Edgar Morin, Cândido Alberto Gomes, Benedito Novaes Garcez, Marcel Mendes, dentre outros. Além de documentos disponibilizados pelo Colégio Presbiteriano Mackenzie..
(18) 16 2 A EDUCAÇÃO E A UNESCO. A Organização das Nações Unidas para Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) foi constituída de fato, a partir da Segunda Guerra Mundial. Sua estrutura foi gestada na Liga das Nações, durante a Primeira Guerra Mundial em decorrência da necessidade de se estabelecer um tratado de paz. Os países que venceram a guerra foram Inglaterra, França, Rússia1, Estados Unidos e aliados que se reuniram para negociar esse acordo de paz e, em 16 de janeiro de 1920, ocorreu a primeira reunião. Uma comissão para estudar Educação e Cultura foi criada em 21 de setembro de 1921, e em 4 de janeiro de 1922 foi estabelecida a Comissão Internacional de Cooperação Intelectual (CICI), em Genebra, que visava a realização da cooperação internacional de pessoas das áreas de educação, da ciência e da cultura a fim de promover a paz (UNESCO, 2020a). No dia 9 de agosto de 1925, foi criado, em Paris, o Instituto Internacional de Cooperação Intelectual (IIIC) para ser uma agência executora para a CICI. A CICI e o IIICI foram chamados, a partir de 1931, de Organização da Cooperação Intelectual (OCI), sendo considerada a antecessora direta da UNESCO. O trabalho da Liga das Nações foi interrompido com o início da Segunda Guerra Mundial, isto é, essa organização surgiu após a Primeira Guerra Mundial para a promoção da paz. Porém com o advento da Segunda Guerra Mundial, os países não conseguiram seu objetivo que era manter a paz. E com o fracasso houve a dissolução da Liga das Nações. Almejar a paz não era algo próprio no século XX. Já havia sido esboçada a “paz dos cem anos” que se estenderia do final das Guerras Napoleônicas2, Congresso de Viena3, até o atentado de Saravejo de 19144.. 1. A Rússia fez parte da aliança com a Inglaterra e França desde o início da Primeira Guerra Mundial, até o ano de 1917 quando houve a deflagração da Revolução Comunista e a queda do Czarismo, fazendo a Rússia sair da guerra (BURIGANA, 2014). 2 Guerras Napoleônicas foram vários conflitos resultado da Revolução Francesa, no qual Napoleão Bonaparte tornou-se imperador e queria expandir o território francês. Através disso, os países vizinhos se uniram para frear Bonaparte e travaram várias coalizões. Bonaparte ganhou quase todas as coalizões, perdendo apenas a última, o que fez com que essa derrota sofresse exílio na ilha de Elba (JESUS, 2015). 3 Congresso de Viena surgiu para decidir qual seria o fim da Europa após a derrota de Bonaparte e queriam que voltasse a ter a mesma estrutura do Antigo Regime, com repressão às ideias liberais e às manifestações revolucionarias. Quem participou foi a Áustria, a Prússia, a Rússia e a Grã-Bretanha (ALAMINO, 2017). 4 Atentado de Saravejo foi um incidente que vitimou o arquiduque Franz Ferdinand, do império Austro-Húngaro, durante uma visita a cidade. O arquiduque foi assassinado por Gavrilo Princip e isso provocou o atentado em Savarejo pelo império Austro-Húngaro. Esse atentando marcou o início da Primeira Guerra Mundial (NETO, 2009)..
(19) 17 O século XIX carregou, em sua temporalidade, ações de equilíbrio internacional entre as grandes potências com o Tratado de Metternich 5, crescimento das instituições liberais, econômicas e dos mercados nacionais, com base na adoção do padrão ouro (gold standard), mas como afirma Hobsbawm (1998), como uma época de “permanência do Antigo Regime”. No plano econômico o segmento social denominado como burguesia se consolidou como grupo dominante, não obstante, as estruturas mentais, ou seja, seu estilo de vida demonstrava subordinação aos modelos aristocráticos até 1914 com a Primeira Guerra Mundial. Hobsbawm (1998), em sua tetralogia, apresenta a Europa do século XIX e a necessidade de paz, matiza sua análise entre dominação social burguesa e poder político aristocrático, ou seja, na hegemonia social burguesia e “permanência mental do Antigo Regime”, e as continuidades e transformações provenientes das “revoluções burguesas francesas”, entre 1789 e 1848. O “longo século XIX”, de Hobsbawm (1998), apresenta correntes políticas que acreditavam em uma missão civilizadora, baseada numa cultura eurocêntrica, considerada superior, ideias de progresso moral e material advindos do trabalho, disciplina e das proposições das ciências biológicas e exatas. Em “A era dos extremos”, o autor descreve o início do século XX num clima apocalíptico que literalmente coloca em dúvida as certezas da paz e da prosperidade almejadas no século XIX. Assim, o novo século abriu-se como uma “era das catástrofes” (1914-1945) marcada pelas duas grandes guerras mundiais, nas quais a Europa vivenciou a devastação humana e suas instituições políticas. E, em meio a isso, o desafio da revolução bolchevique em gestar uma nova sociedade. O desejo de paz se decompunha a olhos vistos, principalmente ante ao avanço dos fascismos e as ditaduras militares na Itália, Alemanha, Áustria, Portugal, Espanha e países da Europa central. A ordem, o progresso e a paz do século XIX se revelaram ilusórias. A Europa não era mais o centro do mundo. A Segunda Guerra Mundial trouxe a urgência em se pensar a reconstrução de valores, da cultura e da educação, bem como das cidades, e para isso, centrar-se nos indivíduos se tornou fundamental. Foi necessário reorganizar o futuro da humanidade, com cuidado e atenção ao humano e, para isso, criar mecanismos que assegurassem a promoção da paz. Em 1942, em Londres, foi realizada a Conferência dos Ministros Aliados da Educação (CAME) na qual se debateu sobre a importância da consolidação de uma educação e ciência voltadas para a paz, que seria estabelecida com base na solidariedade intelectual e moral da 5. Metternich foi um príncipe austríaco e primeiro ministro que participou do Congresso de Viena (QUEIROZ FILHO, 2008)..
(20) 18 humanidade (UNESCO, 2020b). Como resultado, a CAME encaminhou à Liga das Nações uma proposta para que houvesse a formação de uma organização para promover a educação internacional. Porém, houve a dissolução da Liga das Nações, que se tornara incapaz de encaminhar medidas efetivas. Formou-se a Organização das Nações Unidas (ONU), em 24 de outubro de 19456. Com a criação da ONU, foi convocada a Conferência das Nações Unidas, em Londres, para o estabelecimento de uma Organização Educacional e Cultural que tivesse como finalidade a criação de outra organização para a promoção da cultura da paz, ou seja, promover a “solidariedade intelectual e moral da humanidade”, a UNESCO. (UNESCO, 2017a). Nesse sentido, a UNESCO foi criada como forma de construir a paz duradoura por meio da educação, cultura e ciência. Para tanto, atua nas seguintes áreas: Educacional, Ciências Naturais, Ciências Humanas e Sociais, Cultura e Comunicação, e Informação, promovendo estudos e desenvolvendo estratégias em prol dos países mais necessitados. Na área da educação, a principal diretriz da UNESCO é auxiliar os países membros a atingir as metas de Educação para Todos, promovendo o acesso e a qualidade da educação em todos os níveis e modalidades, incluindo a educação de jovens e adultos. Para isso, a Organização desenvolve ações direcionadas ao fortalecimento das capacidades nacionais, além de prover acompanhamento técnico e apoio à implementação de políticas nacionais de educação, tendo sempre como foco a relevância da educação como valor estratégico para o desenvolvimento social e econômico dos países (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 2019a).. Na Ciência Natural, o objetivo foi promover o desenvolvimento científico e tecnológico, como forma de ocorrer a transformação social, bem como a conservação ambiental e o desenvolvimento sustentável. Na área das Ciências Humanas e Sociais, a missão foi promover o conhecimento e a cooperação intelectual para a transformação social alinhada a valores universais de justiça, liberdade e dignidade humana. Na Cultura, a UNESCO promoveu instrumentos normativos no âmbito cultural, salvaguarda o patrimônio cultural, promoveu a diversidade cultural e o diálogo entre as civilizações. Na área de Comunicação e Informação, teve como objetivo promover a liberdade de expressão e de imprensa; direito à informação; e estimular o desenvolvimento de meios de comunicação livre, plurais e independentes (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 2019a). 6. A Organização das Nações Unidas era composta pelos seguintes países: Arábia Saudita, Argentina, Bielorrússia, Brasil, Chile, China, Cuba, Dinamarca, Egito, El Salvador, Estados Unidos, Filipinas, França, Haiti, Irã, Líbano, Luxemburgo, Nicarágua, Nova Zelândia, Paraguai, Polônia, República Dominicana, Rússia, Síria, Turquia, Ucrânia (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 2019g)..
(21) 19 No dia 16 de novembro de 1945, os representantes de 37 países, após se reunirem em Londres, assinaram o Ato Constitutivo da UNESCO, entrando em vigor no dia 4 de novembro de 1946, após ser ratificado por vinte países signatários. Esse ato propôs trabalhar a educação como forma de manter a paz, como determinou o preâmbulo: “que, como as guerras nascem no espírito dos homens, é no espírito dos homens que devem ser erguidas as defesas da paz” (UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, 2019a). Após 13 anos do surgimento da UNESCO, em 1958, foi inaugurada a sede permanente em Paris, na França, mantendo seus objetivos, auxiliando os países membros a atingir suas metas em relação à educação, promovendo acesso à educação de qualidade em todos os níveis, desde a criança, passando pelos jovens e adultos. O foco foi promover a educação para que haja o desenvolvimento social e econômico dos países. Atualmente, a UNESCO possui 195 Estados-membros e 8 membros associados. Os países-membros que não integram a UNESCO são: Estados Unidos, Israel e Liechtenstein. No Brasil, a UNESCO foi estabelecida em 1964 e iniciou suas atividades em 1972, tendo como objetivo prioritário a defesa da educação com qualidade para todos, bem como a promoção do desenvolvimento humano e social. Desde o surgimento da UNESCO, a preocupação foi promover a educação a todas as pessoas, sendo um “direito humano essencial e fundamental para o exercício de todos os direitos” (UNESCO, 2018a). Nesse sentido, o papel da UNESCO foi garantir uma educação de qualidade ao longo da vida, tanto das crianças, quanto dos jovens e adultos. Para isso, a UNESCO elaborou planos de desenvolvimento educacional, além de acompanhar o desenvolvimento mundial e auxiliar os Estados-membros nos problemas relacionados à Educação. Isto é, no campo da educação, as ideias e princípios da UNESCO foram “disseminadas por meio da realização de encontros, conferências e seminários, nos quais são produzidos documentos (relatórios, declarações, carta de princípios, dentre outros) [...]” (SILVA; CZERNISZ; PERRUDE, 2012, p. 4). Dentre os trabalhos da UNESCO/ONU e colaboradores no campo da educação encontram-se: a) Programa de Escolas Associadas (PEA) criado, em 1953, com a finalidade de dar continuidade ao objetivo da UNESCO que é trabalhar no campo da educação; b) Relatório de Faure que ocorreu na Europa, em 1972, e foi presidido pelo Ministro da Educação Edgar Faure e estabelecido pela UNESCO. Faure et al. (1972 apud SILVA; CZERNISZ; PERRUDE, 2012) defendiam mudanças na educação a qual argumentava que deveria ser permanente;.
(22) 20 c) Conferência Mundial sobre Educação para Todos, realizada em Jomtien, na Tailândia, em 1990, que tinha como objetivo lançar a educação básica a todas as crianças, jovens e adultos; d) Relatório Delors que ocorreu entre 1993 e 1996 na Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI, e teve como objetivo tratar sobre a educação e aprendizagem do século XXI; e) “Os sete saberes necessários à educação do futuro” escrito, em 1999, por Edgar Morin, e publicado em 2000 pela UNESCO. Essa obra trata de reflexões sobre educação; f) Fórum Mundial da Educação, de 2000, realizado em Dakar, no Senegal, e tinha como missão fazer com que os governos se comprometessem em alcançar a educação básica até 2015; g) Agenda 2030 realizada em Nova York, em setembro de 2015, no qual foi determinado um plano com 17 objetivos e 169 metas que tratam das pessoas, do planeta e da prosperidade. O Programa de Escolas Associadas (PEA), com sede em Paris, foi criado em 1953 para dar continuidade à UNESCO no pós-guerra. De acordo com a UNESCO (2019a), “a guerra nasce na mente dos homens, e é lá que deve ser combatida”. A Rede PEA tem a finalidade de criar uma rede internacional de escolas que trabalham para fortalecer a educação e dar continuidade à cultura da paz, ao “respeito à diversidade cultural, desenvolvimento sustentável, cooperação internacional e valores democráticos em todos os países membros da ONU” (MARUM et al., 2016, p. 55). No Brasil, o foco foi “fazer com que as escolas associadas assumissem uma postura de liderança diante da promoção da cultura de paz na comunidade local e nacional” (SHULTZ; GUIMARAES-IOSIF, 2009, p. 4). A meta da UNESCO foi fazer com que as escolas se associassem ao PEA, se caracterizando da seguinte forma: como um laboratório de ideias, que promove novas abordagens de ensino e aprendizagem baseadas nos valores e prioridades da Unesco. Apresenta-se, também, como um polo de formação e aprendizagem colaborativa, permitindo aos diretores das escolas, professores, estudantes e a comunidade escolar integrar os valores da Unesco e se tornar modelos em sua comunidade (REVISTA PEA-UNESCO, 2017, p. 5).. O benefício do PEA, de acordo com a UNESCO (2019a), é “participar de uma comunidade que trabalha pelo mesmo objetivo, trocar informações, compartilhar projetos e ideias”. Isso catalisa os esforços e repercute positivamente nas escolas, que podem ampliar o trabalho pela cultura da paz, em todas as suas formas..
(23) 21 O escopo é promover uma educação de qualidade e para isso deve basear-se nos quatro pilares da educação de Delors: aprender a saber, aprender a fazer, aprender a ser e aprender a conviver, assunto que será discorrido mais adiante. Para valorizar e incentivar a educação de qualidade, o PEA buscou contribuir com a efetivação dos objetivos que foram determinados na Agenda 2030, assunto que também será discutido no decorrer do capítulo. O PEA tem projetos ligados ao Ano Internacional da ONU, proposto pela UNESCO ou dirigidos pela ampliação da consciência de cidadania. Ou seja, além de promover a cultura da paz, as escolas associadas devem focar suas atividades no Ano Internacional. Os temas abordados nas escolas serão temas da atualidade como: as preocupações mundiais e o papel do Sistema das Nações Unidas; o desenvolvimento sustentável; a paz; os Direitos Humanos, a Democracia e a tolerância; aprendizagem intercultural, patrimônio e criatividade; meio ambiente e desenvolvimento sustentável. Além desses temas, as escolas poderão trabalhar datas comemorativas e anos internacionais adotados pela ONU. De acordo com Shultz e Guimaraes-Iosif (2009, p. 13), os impactos educacional e social do PEA nas escolas são importantes pelos seguintes motivos: porque reforçam o trabalho com valores na escola; valorizam a dimensão humana da educação; fazem com que a escola discuta problemas sociais locais e internacionais relevantes; renovam a política e o currículo escolar, aproximando-os da realidade do aluno e de sua comunidade; promovem uma prática educativa mais inovadora, criativa, interdisciplinar e contextualizada; motivam e aproximam professores, alunos e comunidade; melhora a aprendizagem e assiduidade de professores e alunos da escola pública; cria espaço para a pesquisa; ajuda a resgatar a qualidade da educação e imagem da escola pública diante da sociedade brasileira; contribuem para a formação de cidadãos conscientes, responsáveis e críticos.. Isto é, a Rede PEA contribui para a melhoria da aprendizagem dos alunos oriundos dessas escolas porque o currículo se torna mais próximo de sua realidade e faz com que o aluno se envolva mais com as atividades da escola e da sua comunidade (SHULTZ; GUIMARAES-IOSIF, 2009, p. 7).. Para fortalecer a Rede PEA nas escolas é preciso fortalecer a comunicação e construção de parcerias; melhorar os mecanismos de participação e inclusão social; colocar em prática a filosofia do PEA; investir na formação continuada de educadores; repensar o papel da UNESCO e do PEA no Brasil (SHULTZ; GUIMARAES-IOSIF, 2009, p. 23).. Para melhorar os mecanismos de participação, o projeto deve permitir que ocorra uma interação entre professores, alunos e pais, pois o objetivo do PEA é trabalhar com valores democráticos. Do ponto de vista da inclusão social, é preciso formar cidadãos que tenham consciência dos problemas sociais, bem como possam intervir diante deles e promover a justiça social..
(24) 22 Colocar em prática a filosofia do PEA significa não apenas adotar os temas sugeridos pela UNESCO, mas discuti-los a partir da realidade da escola. É preciso que os gestores do programa garantam que as escolas estejam comprometidas com a redução das desigualdades sociais e com a justiça social. Repensar o papel da UNESCO e do PEA no Brasil requer da coordenação esforço no sentido de criar parcerias e realizar as atividades do projeto, promovendo Encontros Nacionais todos os anos, realizados a cada ano em um determinado local do país, com o objetivo de integrar cada vez mais as escolas e membros participantes. Nesses eventos são divulgados os temas dos Anos Internacionais. Os temas das palestras versam sobre os princípios da Rede PEA, possibilitando a troca de experiências realizadas no decorrer do ano letivo com cases apresentados pelas escolas e contando com as participações de demais integrantes das coordenações nacionais de outros países, promovendo a integração e a preservação dos princípios da UNESCO. Complementando essa importante participação em nível nacional, há a realização de missões internacionais a cada ano, no qual um grupo de educadores participa de viagens aos demais países que também fazem parte do PEA, ampliando os laços de princípios comuns, tendo a oportunidade de conhecer e visitar as escolas e seus educadores, ampliando a troca de experiências e de vivências sob os aspectos educacionais, culturais, sociais e de cidadania. O programa tem se expandido nas últimas décadas como forma de atender as demandas da escola e da sociedade devido à globalização neoliberal e os problemas globais, tais como desigualdade social, degradação do meio ambiente, exclusão, racismo, fome, desemprego e analfabetismo. A base educativa é promover uma educação de qualidade que promova inclusão e justiça social e eduque cidadãos responsáveis e conscientes de seu papel tanto na comunidade local como global e que essa aprendizagem, bem como suas competências e habilidades, sejam para toda a vida (MARUM et al., 2016). Para Starrat (2003 apud SHULTZ; GUIMARAES-IOSIF, 2009), a sociedade cujas escolas não preparam o indivíduo para entender o mundo físico, social e humano colabora para a formação de um futuro disfuncional. O desafio da escola é fazer com que o aluno aprenda a empenhar-se sobre o significado de aprendizado e sua relação com os problemas da humanidade. Ainda deve mostrar para o aluno que o mundo está em constante transformação e que é necessário participar da comunidade para que essa seja construída de forma mais justa e humana. Outro desafio da escola é promover a responsabilidade pela promoção da justiça social, de forma a contribuir para a formação de um cidadão que tenha habilidade para.
(25) 23 responder ativamente diante de situações de injustiça social e assuma a posição de liderança na luta em busca de um mundo melhor. O ensino de uma “escola PEA deve procurar meios inovadores e criativos para tornar o currículo e aprendizagem escolar mais dinâmicos e próximos da realidade dos alunos” (SHULTZ; GUIMARÃES-IOSIF, 2009, p. 3). O desenvolvimento do programa nas escolas deve ter a participação dos gestores da escola, dos professores, dos alunos, da família e da comunidade. Conforme Shultz e Guimaraes-Iosif (2009, p. 32), “caberá aos gestores da escola garantir o espaço dialógico e democrático necessário para que professores, alunos e pais possam pensar criticamente, ter voz ativa e participar de todos os processos de decisão e implantação dos projetos adotados pela escola”. A não participação da família e da comunidade são “fatores desagregadores e colocam em risco a qualidade dos projetos pedagógicos adotados pela escola” (SHULTZ; GUIMARAES-IOSIF, 2009, p. 9). Além dessas pessoas, o sucesso do Programa também depende da gestão política do município, do estado e da nação, como também da política educacional que é adotada pela Secretaria de Educação. A Rede PEA tem crescido no Brasil em “decorrência de sua consistência, de sua identidade, do fortalecimento dos seus projetos, como expressão de um amadurecimento institucional”, como constata Tricate (2018, p. 3). O Relatório Faure foi um debate que ocorreu na Europa em 1972, na Comissão Internacional para o Desenvolvimento da Educação e foi estabelecido pela UNESCO. O debate foi dirigido pelo Ministro da Educação da França, Edgar Faure, no qual foi redigido o Relatório “Aprender a ser”, que é reconhecido internacionalmente como referência para abordar sobre educação, sendo uma porta de entrada da temática da educação permanente, nas políticas públicas e em seus múltiplos discursos (CAMOZZATO; COSTA, 2017). Nesse documento há a preocupação com a educação, determinando que deve ser ao longo da vida ou uma educação permanente. Faure et al. (1972 apud SILVA; CZERNISZ; PERRUDE, 2012, p. 4) apresentam a educação como “um continuum existencial”. A educação permanente “surge como uma resposta às instabilidades de vida contemporânea como uma forma de supervisionar e administrar seus efeitos” (CAMOZZATO; COSTA, 2017, p. 153), ou seja, como uma resposta às impermanências da vida. A educação permanente tem relação com o “aprender a ser”. O relatório determina que “não basta reunir o Homo sapiens e o Homo faber. É preciso que ele se sinta em harmonia com os outros e consigo próprio: Homo concors” (FAURE, 1972, p. 40 apud SILVA; CZERNISZ; PERRUDE, 2012, p. 10). De acordo com Silva,.
(26) 24 Czernisz e Perrude (2012, p. 10), “esse excerto explicita uma valorização da educação para a convivência, para a paz e para a solidariedade entre os homens. Há que ser destacada a importância de valores que visem a formação para a cidadania responsável, justa e humana”. Outros pontos defendidos no relatório são sobre a tecnologia e informação. A sociedade pós-moderna passou por profundas transformações no estado da cultura, incidindo sobre os saberes que afetaram a ciência, a literatura e a arte. Essa mudança do saber recaiu sobre as sociedades informatizadas (LYOTARD, 1990 apud CAMOZZATO; COSTA, 2017). Faure et al. (1972, p. 21 apud CAMOZZATO; COSTA, 2017, p. 156) comentam sobre a revolução científico-técnica argumentando que conquistou o “campo do pensamento não só pela transmissão imediata das informações a qualquer distância como também pela invenção, cada dia mais aperfeiçoadas as máquinas calculadoras e racionais”. Pelo fato de a sociedade passar por mudanças, há a necessidade de demandar outros tipos de habilidades, fazendo com que a educação responda a isso para formar o ser humano. Sobre isso Faure et al. (1972 apud SILVA, CZERNISZ, PERRUDE, 2012) denominaram de “desformalização da instituição”, ou seja, o ministro determinou que a educação não deve ocorrer somente dentro da escola, mas também fora. Assim, a ampliação das instituições e a era da tecnologia, estão articuladas com duas tendências que são: uma para a diversificação e a multiplicação das instituições educativas; a outra para a desformalização das estruturas tradicionais. Estas orientações não são de modo algum incompatíveis. A “dessacralização” de algumas instituições escolares pode acompanhar a manutenção e o desenvolvimento de estruturas escolares fortemente elaboradas; a extensão dos circuitos de ensino pode realizar-se tanto pela multiplicação dos estabelecimentos escolares do tipo existente como pela criação de escolas de tipos diferentes, pelo ensino a tempo parcial e por modalidades extraescolares. Desde logo, todas as vias – formais e não formais, inter-institucionais ou extrainstitucionais – poderiam em princípio reconhecer-se como igualmente válidas. É nesse sentido que convém aceitar os termos “desformalização” e “desinstitucionalização”. (FAURE et al., 1972, p. 277 apud CAMOZZATO; COSTA, 2017, p. 158).. Nesse sentido, a educação opera em diferentes lugares sociais e faz com que os indivíduos aprendam em todos os momentos de suas vidas, ou seja, a mudança na sociedade fez com que os indivíduos passassem por formações contínuas, ampla e permanente, tornando-o global. Faure et al. (1972 apud SILVA; CZERNISZ; PERRUDE, 2012) são favoráveis para que cada um escolha sua forma de aprendizagem, optando pela forma tradicional de ensino ou pela autodidaxia. Para os autores.
(27) 25 a mutação do processo de ensino (teaching), que tende a predominar sobre o processo de aprendizagem (learning). Ao contrário da formação baseada na instrução, a perspectiva de formação centrada na aprendizagem corroboraria no estabelecimento de uma relação de responsabilidade do sujeito frente à sua própria educação e não mais de obrigação. Com isso, a responsabilidade passaria a ser situada enquanto dimensão ética (FAURE et al., 1972 apud CRUZ, 2014, p. 158).. A educação não deve ser exata e definitiva, mas preparar o indivíduo para toda sua vida com um saber em constante evolução e “aprender a ser”. De acordo com Camozzato e Costa (2017, p. 160), “pensar em educação significa investir sobre a vida das pessoas, gerenciando-as e almejando conduzi-las e produzi-las para, assim, atender as necessidades e exigências da sociedade”. Frente a essas transformações, Faure et al. (1972 apud SILVA; CZERNISZ; PERRUDE, 2012) determinam que não basta reformular a parte tradicional, mas de compreender o período e saber que a educação atualmente é diferente do passado. Por isso, é necessário se voltar para os fatos do futuro e sua inovação global, o que provoca a formação do homem como um ser presente e do futuro. O Relatório de Faure tem mais de quarenta anos e possui conceitos pertinentes para a educação atual, sendo que o principal é o “aprender a ser”, que é tornar o indivíduo transcendente. Esse relatório foi um marco importante na história do pensamento educacional da Organização e contribuiu para o Relatório de Delors. A Conferência Mundial sobre Educação para Todos ocorreu em Jomtien, Tailândia, de 5 a 9 de março de 1990. Participaram dessa conferência a UNESCO e a UNICEF, com apoio do Banco Mundial, organizações intergovernamentais, regionais e organizações não governamentais (ONGs). O motivo dessa reunião foi oferecer educação básica para as crianças, os jovens e os adultos. De acordo com Silva, Czernisz e Perrude (2012, p. 3), A declaração teve como foco a educação básica e tratou, em especial, do papel da educação e da forma como esta poderá ser desenvolvida, enfatizando a necessidade tanto de adquirir conhecimentos, habilidades, valores e atitudes, como de ampliar os espaços educativos e confirmar o envolvimento da sociedade civil no compartilhamento de suas responsabilidades. Os motivos que não permitem acesso à educação nos países subdesenvolvidos foram: problemas econômicos, aumento da população, guerras, morte de milhões de crianças e a degradação do meio ambiente. Enquanto nos países desenvolvidos, a economia permitiu investir em educação, mesmo assim ainda há pessoas que são privadas de escolaridade ou.
(28) 26 analfabetos. Apesar desses problemas sociais, o mundo tem caminhado para um progresso na educação, pois os países têm como meta viável a educação básica para todos. Devido a essas questões sociais, os participantes se reuniram para debater sobre a educação ser um direito de todos e contribuir para um progresso social, econômico, cultural e pessoal. Admitiram que a educação apresenta graves deficiências, que é necessário torná-la mais relevante e melhorar sua qualidade, como também torná-la universal e disponível. Também reconheceram que a educação básica é fundamental para fortalecer o ensino superior,. a. formação. científica. e. tecnológica. e,. consequentemente,. alcançar. o. desenvolvimento autônomo. Dessa forma, os participantes da Conferência reconheceram que é necessário promover a educação básica e para isso redigiram a Declaração Mundial sobre Educação para Todos que propõe dez artigos cujos princípios abordados visavam satisfazer as necessidades básicas de aprendizagem (UNESCO, 2017d). Os artigos são: a) artigo 1: as pessoas têm direito de aproveitar as necessidades básicas de ensino que são aprendizagem e conteúdos básicos de aprendizagem necessários para desenvolver o ser humano, suas potencialidades, trabalhar com dignidade, participar do desenvolvimento, melhorar a qualidade de vida, participar plenamente do desenvolvimento, tomar decisões e continuar aprendendo; respeitar e desenvolver a herança cultural, linguística e espiritual para promover a educação; promover o enriquecimento dos valores culturais e morais comuns, sendo que é nesses valores que a sociedade encontra sua identidade e sua dignidade; a educação básica é a base para a aprendizagem e para o desenvolvimento humano permanente; b) artigo 2: expandir o enfoque abrangente de educação; lutar pela educação exige ir além dos níveis atuais e ir em busca de possibilidades que resultam da convergência do crescimento da informação e de sua capacidade de comunicação sem precedente. O enfoque abrangente compreende as seguintes prioridades que são universalizar o acesso à educação e promover a equidade; concentrar a atenção na aprendizagem; ampliar os meios e o raio de ação da educação básica; propiciar um ambiente adequado à aprendizagem; fortalecer alianças; c) artigo 3: a importância de promover a universalização do acesso à educação e a promoção da equidade, isto é, a educação básica deve ser proporcionada a todas as pessoas, sendo necessária universalizá-la e torná-la melhor em sua qualidade e reduzindo as desigualdades e discriminação. Para que a educação se torne.
(29) 27 equitativa, é necessário que as pessoas tenham uma aprendizagem de qualidade. Melhorar a educação e seu acesso é uma prioridade urgente; d) artigo 4: concentrar a atenção na aprendizagem, visando apreenderem conhecimentos úteis, habilidades de raciocínio, aptidões e valores, ou seja, trata de garantir a aprendizagem e esgotar suas potencialidades; e) artigo 5: a aprendizagem inicia-se no nascimento, devendo proporcionar estratégias que envolvam a família e a comunidade ou programas institucionais. A educação fundamental deve ser universal, garantir a satisfação das necessidades básicas de aprendizagem e levar em consideração a cultura. Programas complementares podem ajudar na necessidade de aprendizagem. A alfabetização de jovens e adultos deve ser atendida e outras necessidades podem ser satisfeitas através da capacidade técnica, de ofícios e de programas de educação formal e não formal. Os instrumentos que estão disponíveis e os canais de informação, comunicação e ação social podem contribuir para que ocorra a transmissão de conhecimentos essenciais; f) artigo 6: a aprendizagem não ocorre isolada, devendo a sociedade garantir a todos educandos que aprendam sobre sua própria educação e dela se beneficiem. Os programas devem estar integrados à aprendizagem das crianças. No ambiente de aprendizagem deve haver calor humano e vibração; g) artigo 7: as autoridades em níveis nacional, estadual e municipal têm obrigação de proporcionar a educação básica a todos e manter alianças entre eles. Deve também haver aliança entre educadores e família; h) artigo 8: a educação básica necessita de um compromisso político e de uma vontade política, respaldada por medidas fiscais adequadas e ratificadas por reformas na política educacional e pelo fortalecimento institucional. A sociedade deve ainda garantir um ambiente intelectual e científico à educação básica, trazendo melhoria no ensino superior e no desenvolvimento da pesquisa científica; i) artigo 9: a mobilização de recursos financeiros e humanos, públicos, privados ou voluntários, faz com que a aprendizagem seja satisfeita através de ações com alcance mais amplo. O apoio amplo no setor público significa atrair recursos orçamentários de todos os órgãos governamentais para o desenvolvimento humano; j) artigo 10: a satisfação da necessidade básica de aprendizagem deve ser universal a todos os povos, implicar solidariedade internacional e relações econômicas honestas e equitativas. É necessário um aumento substancial dos recursos que são destinados à educação básica, fazendo com que sejam atenuadas as limitações que.
(30) 28 impedem que algumas nações alcancem a meta de educação para todos. Os países menos favorecidos e de baixa renda devem receber atenção especial em relação à questão da cooperação internacional. As nações devem resolver os conflitos e disputas, pois somente em um ambiente estável e pacífico é que se pode haver condições para que o ser humano se beneficie da proposta dessa declaração. Nesse documento, que trata da necessidade básica de aprendizagem, das metas a serem atingidas e os compromisso que os Governos devem ter, ficou determinado que os países devem elaborar Planos de Ação para Satisfazer as Necessidades Básicas de Aprendizagem de acordo com seus objetivos, sua determinação e o interesse de seus representantes. No Brasil, foi elaborado o Plano Decenal de Educação para Todos que teve como meta assegurar que no prazo de dez anos, 1993 a 2003, as crianças, jovens e adultos tivessem uma aprendizagem elementar da vida, através da universalização da educação fundamental e da erradicação do analfabetismo. O Relatório Delors foi um debate que ocorreu, entre 1993 e 1996, na Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI e foi presidida por Jacques Delors. Nessa comissão foi elaborado o relatório “Educação, um tesouro a descobrir” que teve como objetivo refletir sobre educação e aprendizagem no século XXI. Segundo Souza (2009, p. 21), o prefácio do relatório procura evidenciar o papel da educação na construção de um mundo melhor em que vicejem desenvolvimento humano sustentável, compreensão mútua entre os povos e vivência concreta da democracia. Mudanças que só serão alcançadas pela ultrapassagem das principais tensões que marcam o início do século XXI.. Assim, a educação deve ser global e permanente, devendo o indivíduo se educar ao longo de toda a sua vida. Essa questão de educação durante toda a vida seguiu a mesma concepção do Relatório de Faure. De acordo com Delors (2000, p. 104, grifo do autor), [...] às vésperas do século XXI, as missões que cabem à educação e as múltiplas formas que pode revestir fazem com que englobe todos os processos que levem as pessoas, desde a infância até ao fim da vida, a um conhecimento dinâmico do mundo, dos outros e de si mesmas [...]. É este continuum educativo, coextensivo à vida e ampliado às dimensões da sociedade, que a comissão entendeu designar, no presente relatório, pela expressão “educação ao longo de toda vida”.. Delors (2000) determina que a educação tenha a duração de vida do indivíduo e que deve ir além da escola, ou seja, a educação deve ser ampliada, devendo passar a ser educação não formal, tal como educação informal, educação fora da escola e educação extraescolar. Não sendo a educação pautada somente no processo de adquirir conhecimento, também deve ensinar o indivíduo a pensar, a saber conviver, a saber se comunicar, a ter.
(31) 29 raciocínio lógico, a ser autônomo e independente. Ou seja, a educação não deve ser baseada apenas no ensinar, mas na aprendizagem. Conforme Delors (2000, p. 82), Um dos principais papéis reservados à educação consiste, antes de mais nada, em dotar a humanidade da capacidade de dominar o seu próprio desenvolvimento. Ela deve, de fato, fazer com que cada um tome o seu destino nas mãos e contribua para o progresso da sociedade em que vive, baseando o desenvolvimento na participação dos indivíduos e as comunidades.. A educação, ao longo da vida, é baseada em quatro pilares que são: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver, aprender a ser. Apesar de estarem divididos, não estão dissociados e têm como finalidade a formação do indivíduo. Aprender a conhecer refere-se a necessidade de superar a visão tradicional da educação, cujo processo de ensino e aprendizagem sempre foi realizado de modo fragmentado e desvinculado da realidade. O aprendizado no ensino tradicional resume-se à capacidade de o aluno armazenar sincreticamente os conteúdos (FLORO; BRITO NETO; RUFINO, 2011, p.7016).. De acordo com Delors (2000), aprender a conhecer é um tipo de aprendizado que visa tanto à aquisição de repertório de saberes codificados quanto o domínio dos próprios instrumentos de conhecimento, e são considerados como meio e como uma finalidade na vida humana. Meio porque o que se pretende é que “cada um aprenda a compreender o mundo que o rodeia, pelo menos na medida em que isso lhe é necessário para viver dignamente, para desenvolver as suas capacidades profissionais, para comunicar” (DELORS, 2000, p. 91). E finalidade porque “o seu fundamento é o prazer de compreender, de conhecer, de descobrir” (DELORS, 2000, p. 91). Aprender para conhecer é aprender a aprender, exercitando a atenção, a memória e o pensamento. As pessoas devem prestar atenção às coisas e às pessoas, algo que não tem ocorrido devido à rápida informação mediatizada. A mudança constante não permite o aprofundamento no saber. A aprendizagem da atenção é benéfica para a vida das pessoas (estágios nas empresas, viagens, etc.). O exercício da memória é necessário para evitar a submersão das informações instantâneas que são difundidas pelos meios de comunicação social, ou seja, a memória deve ser seletiva e armazenar conteúdos relevantes. O exercício de pensamento é iniciado pelos pais e depois pelos professores, devendo comportar avanços e recuos entre o concreto e o abstrato. Também devem ser trabalhados os pensamentos dedutivo e indutivo, que são pertinentes para o encadeamento do pensamento. Aprender a conhecer e aprender a fazer são indissociáveis. Aprender a fazer está ligado à formação profissional..
(32) 30 Desde o século XVIII, com a era industrial e uma sociedade assalariada, o trabalho manual humano foi substituído pelas máquinas, acentuando a divisão do trabalho e o cognitivo das tarefas. Assim, os empregadores substituíram uma qualificação ligada à competência material por uma qualificação adquirida por uma formação técnica e profissional, uma especialização, um comportamento social individualizado, mas com aptidão para o trabalho em partes. As qualidades adquiridas do “saber-ser” se juntam ao saber-fazer, compondo a competência exigida para a produção. De acordo com Delors (2000, p. 94), a partir do século XX, as qualidades como a capacidade de se comunicar, de trabalhar com os outros, de gerir e de resolver conflitos, tornaram-se cada vez mais exigidas. E essa tendência torna-se ainda mais forte, devido ao desenvolvimento do setor de serviços.. Dessa forma, aprender a fazer passou a “significar posicionar-se com competência frente aos problemas que o mundo do trabalho exige, exercendo ocupações laborais num mundo no qual a tecnologia vem transformando o trabalho” (FLORO; BRITO NETO; RUFINO, 2011, p. 7018). Aprender a conviver constitui o princípio da política da igualdade. Porém, aprender a conviver é um dos maiores desafios da educação. Para lidar com os conflitos cotidianos da vida em sociedade, a educação pode criar mecanismos conscientizadores que evitem tensões nas resoluções dos problemas, que as questões sejam debatidas democraticamente e de maneira pacífica. Conforme Delors (2000, p. 97), o contato entre os indivíduos deve ser realizado num “contexto igualitário, e se existirem objetivos e projetos comuns, os preconceitos e hostilidade latente podem desaparecer e dar lugar a uma cooperação mais serena”. Delors (2000, p. 97), afirma que a educação “tem por missão levar as pessoas a tomar consciência dos semelhantes e da interdependência entre todos os seres humanos do planeta”. A escola deve aproveitar-se do encontro entre o “eu” e o “outro” em processo de aprendizagem. Quando a pessoa passa a conhecer o outro, passa a conhecer a si mesmo, e pensar em suas atitudes, com isso consegue ter empatia. A partir de então, conseguirá desenvolver o comportamento social de respeito e sem preconceito ao longo de toda vida; sendo essas formas de se evitar as incompreensões geradoras de violência e ódio. A educação formal deve realizar projetos de cooperação e respeito tanto no campo das atividades desportivas, quando culturais e estimular a participação em atividades sociais. Esses projetos promovem a “aprendizagem de métodos de resolução de conflitos e constituir.
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