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CIVILIZAÇÃO A SOCIEDADE E SEUS VALORES

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Academic year: 2021

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CIVILIZAÇÃO

A SOCIEDADE E SEUS VALORES

Expediente

Fronteiras do Pensamento© Temporada 2017

Curadoria Fernando Schüler Direção Comercial Pedro Longhi Coordenação Editorial Luciana Thomé Marketing Karina Roman Equipe Denise Donicht Francisco Azeredo Michele Marten Pesquisa Juliana Szabluk Editoração e Design Lampejo Studio Revisão Ortográfica Renato Deitos www.fronteiras.com

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O Fronteiras do Pensamento, em seus 10 anos de história e mais de duas centenas de conferências internacionais realizadas, traz ideias, fomenta debates e estimula a inquietação e o questionamento, apontando os caminhos para as questões fundamentais da atualidade.

Desde 2007, o projeto oportuniza um espaço para a discussão a respeito do mundo em que vivemos e daquilo que está ao nosso alcance fazer pelo nosso futuro. A cada temporada, a série de encontros com intelectuais reconhecidos em suas áreas de atuação concretiza o objetivo de promover educação de alta qualidade, enaltecendo preceitos como liberdade de expressão, diversidade geográfica e pluralidade de ideias.

Em 2017, o projeto realiza oito eventos internacionais com renomados pensadores para discutir o que nos conecta enquanto civilização. O tema da temporada é Civilização – A sociedade e seus valores. O conceito de civilização está representado no conjunto que nos define e que, em momentos de crise e a partir dele, pode gerar novas ideias.

Muitos são os valores que ditam ritmos, constroem relações e determinam minúcias e grandezas em nosso mundo. Na CIÊNCIA, uma teoria física que ousa conceber um espaço-tempo onde o infinito não existe. A respeito da LEVEZA, a discussão sobre o culto contemporâneo à felicidade em contraposição à rotina veloz que enfrentamos. O olhar da literatura como forma de disseminar a COMPAIXÃO e a MEMÓRIA, retratando conflitos e conquistas a partir do olhar do outro. A busca por IGUALDADE e por condições justas a todos. A importância do DINHEIRO e o peso que ele representou para o progresso e a modernidade ao longo da história. Cada um com sua IDENTIDADE, analisada a partir do espelho que ressalta nossas diferenças e nossas semelhanças. Cada um em sua busca por DIGNIDADE, construindo um novo cenário a partir das nossas diferenças e semelhanças. Quando o que mais ansiamos é um futuro de LIBERDADE. Valores que, por meio dos conferencistas internacionais convidados e dos temas que serão apresentados, o Fronteiras do Pensamento vai resgatar, analisar e debater.

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CONFERENCISTAS

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THOMAS PIKETTY

(França, 1971)

Economista francês. Autor do best-seller O capital no século XXI, é reconhecido mundialmente por suas pesquisas sobre economia da desigualdade e redistribuição da riqueza.

“Não se pode responsabilizar os outros pelo que acontece. Os cidadãos e os governos são responsáveis por suas decisões e pelas consequências de suas políticas.”

Piketty é reconhecido mundialmente por suas pesquisas sobre economia da desigualdade e redistribuição da renda. O assunto foi tema de sua tese de doutorado, defendida na Escola de Estudos Avançados em Ciências Sociais da França e na London School of Economics, e agraciada com o prêmio da Associação Francesa de Economia.

Em 2013, tornou-se uma celebridade mundial após lançar o livro O capital no século XXI, best-seller que vendeu milhões de exemplares. Partindo de uma fórmula simples, consta-tou que não há como escapar do aumento da desigualdade, visto que a renda sobre o capital avança em ritmo mais ace-lerado do que o crescimento econômico. Ganhou a simpatia de vencedores do Prêmio Nobel como Joseph Stiglitz e Paul Krugman, mas também acompanhou a consistência dos dados do livro ser contestada na internet e em análises da imprensa. Em 2014, publicou A economia da desigualdade.

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Ajudou a criar, em 2006, e tornou-se o primeiro diretor da Escola de Economia de Paris. Meses depois, deixou o cargo para atuar na campanha presidencial do Partido Socialista na França. Atualmente, integra o Instituto Internacional de Desigualdades (III), criado em 2015 pela London School of Economics. Em 2013, recebeu o Prêmio Yrjö Jahnsson, que destaca economistas com contribuição significativa à pesquisa econômica na Europa. Foi escolhido para receber a Legião de Honra do governo francês em 2015, mas recusou em tom de protesto.

Thomas Piketty defende que cidadãos e governos são res-ponsáveis por suas decisões e pelas consequências de suas políticas. Lançado no Brasil em 2017, seu livro mais recente, Às urnas, cidadãos!, faz um balanço dos mandatos de Nico-las Sarkozy e François Hollande na França, propondo a revi-são de políticas e da aplicação de alíquotas, que privilegiam as grandes empresas e os mais ricos.

Resultado de 15 anos de pesqui-sas, o livro O capital no século XXI aponta que o capitalismo tende a criar um círculo vicioso de desigualdade. No longo prazo, a taxa de retorno sobre os ativos é maior que o ritmo do crescimento econômico, gerando uma concen-tração cada vez maior da rique-za, um descontentamento geral e até uma ameaça aos valores democráticos. Mesmo os mais críticos ou céticos a respeito das análises de Piketty reconhecem a sua contribuição para mudar o pensamento em temas polêmi-cos da economia e da política.

Resenha de O capital do século XXI, publicada em abril de 2014 no jornal Folha de S.Paulo, mostra que a evolução da desigualdade no mundo acontece desde a Revolução Indus-trial. O abismo entre aqueles que concentram a riqueza e os mais vulneráveis sempre existiu. E, mesmo com o desenvol-vimento tecnológico e econômico, estamos longe de reduzir estes parâmetros. https://is.gd/Piketty1 http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/04/1445830-livro-o-capital-no-seculo-21-revoluciona-ideias-sobre-desigualdade.shtml 11 DESTAQUES

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No Brasil, Piketty também pu-blicou A economia da desigual-dade. No livro, o autor demons-tra que o antagonismo esquer-da/direita do debate político não discorda necessariamente em suas noções de justiça so-cial, mas sim nos mecanismos econômicos que produzem a desigualdade e em como mino-rá-la. A edição apresenta dados sobre distribuição de renda e o cenário econômico mundial. https://is.gd/Piketty2

http://www.intrinseca.com.br/autor/221/

Em novembro de 2014, Piketty concedeu entrevista à revis-ta Época, na qual abordou questões sobre o seu trabalho e o livro O capital no século XXI. “Não tenho problema com a desigualdade, desde que seja do interesse comum, em particular do interesse dos segmentos mais pobres da so-ciedade. Não há nenhuma dúvida, do meu ponto de vista, que algum grau de desigualdade é desejável. Mas, quando a desigualdade se torna extrema, ela não é mais útil para o crescimento. Pode até atrapalhar.”

https://is.gd/Piketty3

http://www.fronteiras.com/entrevistas/thomas-piketty-esclarecendo-um-dos-maiores-best-sellers-de-economia

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“As lições de história são importantes, as elites que não querem pagar mais impostos no Brasil, nos EUA e na Europa devem se lembrar que não é uma boa solu-ção esperar a crise. Todo o mundo precisa de uma glo-balização que seja mais justa, que beneficie diferen-tes grupos sociais em proporção equilibrada. Senão, é a própria globalização que arrisca ser questionada.”

(Folha de S.Paulo, novembro de 2014)

Em junho de 2014, Piketty participou de um evento do TED. O vídeo, com mais de 1,3 milhão de visualizações, traz infor-mações sobre a base de um conjunto de dados em massa que o levou a concluir: a desigualdade econômica não é nova, mas está ficando pior, com possíveis impactos radicais. https://is.gd/Piketty4

https://www.ted.com/talks/thomas_piketty_new_thoughts_on_capital_in_the_twenty_first_ century?language=pt-br

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Em Às urnas, cidadãos!, Piketty faz um balanço detalhado dos mandatos de Nicolas Sarkozy e François Hollande na França. Em suas avaliações, propõe rever diversas políticas que debilitam programas e instituições de grande relevância social e critica a forma de aplicação das alíquotas, que em geral privilegia as grandes empresas e os indivíduos mais ri-cos, ampliando as já imensas desigualdades. A seguir, segue trecho do livro, publicado no Brasil em fevereiro de 2017.

ÀS URNAS, CIDADÃOS!

– CRÔNICAS 2012-2016

TRECHO

THOMAS PIKETTY

(Intrínseca, 2017 – 192 páginas)

Na França, como em qualquer outro país, o engajamento político não se resume às eleições. A democracia repousa, acima de tudo, no confronto permanente de ideias, na recu-sa das certezas prontas, no questionamento sem concessão das posições de poder e dominação. Questões econômicas não são questões técnicas que poderiam ser delegadas a uma pequena casta de especialistas; são questões eminen-temente políticas, com as quais todos devem se envolver para formar sua opinião, sem se deixar impressionar.

Não existe lei econômica: existe apenas uma série de expe-riências históricas e trajetórias ao mesmo tempo nacionais e globais, compostas de bifurcações imprevistas e remen-dos institucionais instáveis e imperfeitos, em cujo escopo as sociedades humanas escolhem e criam diferentes modos de organização e regulação das relações de produção e também sociais. Estou convencido de que a democratização do saber econômico e histórico e da pesquisa em ciências sociais pode contribuir para alterar as relações de força e estimular a de-mocratização da sociedade em seu conjunto. Sempre existem alternativas: esta é sempre a primeira lição de uma perspec-tiva histórica e política sobre a economia. Um exemplo espe-cialmente claro é o da dívida pública: querem nos impingir que a Grécia e outros países do sul da Europa não têm outra escolha senão comprometer por décadas enormes superávits orçamentários, ao passo que, justamente, a Europa se esta-beleceu nos anos 1950 com base no cancelamento das dívidas do passado, o que beneficiou em particular a Alemanha e a França, permitindo-lhes investir no crescimento e no futuro.

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Essas conversas também reforçaram minha hipótese de que as desigualdades promovidas pelo atual capitalismo globali-zado e desregulado não têm qualquer relação com o ideal de mérito e eficiência descrito pelos privilegiados do sistema. Com variações infinitas entre os países, a desigualdade mo-derna combina elementos antigos, que incluem brutais rela-ções de dominação e discriminarela-ções raciais e sociais, com ele-mentos mais recentes, o que às vezes resulta em formas de sacralização da propriedade privada e de estigmatização dos perdedores, de modo ainda mais extremo do que durante as fases anteriores da globalização. Tudo isso num contexto em que o progresso do conhecimento e da tecnologia, bem como a diversidade e a inventividade das criações culturais, pode-ria gerar um progresso social sem precedentes. Infelizmente, por falta de uma regulação adequada das forças econômicas e financeiras, a escalada das desigualdades ameaça exacerbar as tensões identitárias e os isolamentos nacionais, tanto nos países ricos como nos pobres e emergentes.

Se fizermos um rápido balanço do período de 2012 a 2016, os acontecimentos mais marcantes e dramáticos são, sem dú-vida, a guerra na Síria e no Iraque e a conflagração do Oriente Médio, que surgem acompanhados de um questionamento radical, e talvez duradouro, do sistema de fronteiras implan-tado na região pelas potências coloniais por ocasião do acor-do Sykes-Picot de 1916. As origens desses conflitos são com-plexas, envolvendo ao mesmo tempo antigos antagonismos religiosos e trajetórias modernas malsucedidas de constru-ção do Estado. Contudo, é mais do que evidente que as inter-venções ocidentais recentes – em especial por ocasião das duas guerras do Iraque, de 1990 a 1991 e de 2003 a 2011 –

de-sempenharam um papel decisivo. De uma perspectiva a lon-go prazo, impressiona constatar que o Oriente Médio – aqui definido como a região que vai do Egito ao Irã, passando por Síria, Iraque e península Arábica, ou seja, aproximadamente trezentos milhões de habitantes – constitui não só a região mais instável do mundo, como também a mais desigualitá-ria. Levando em conta a extrema concentração dos recursos petrolíferos em territórios despovoados (desigualdades ter-ritoriais que, por sinal, estão na origem da tentativa de ane-xação do Kuwait pelo Iraque em 1990), podemos estimar que 10% dos indivíduos mais favorecidos da região se apropriam de 60% e 70% do total da renda, ou seja, número maior do que nos países mais desigualitários do planeta (entre 50% e 60% da renda para os mais favorecidos no Brasil e na África do Sul, cerca de 50% nos Estados Unidos), e muito mais do que na Europa (entre 30% e 40%, em comparação com cerca de 50% um século atrás, antes que as guerras e o Estado social e fiscal viessem equiparar as condições).

É igualmente relevante constatar que as regiões que apresen-tam mais desigualdades no planeta herdaram de suas origens um grande passivo histórico em termos de discriminações ra-ciais (isso é evidente no caso da África do Sul e dos Estados Unidos, mas da mesma forma no Brasil, que possuía aproxima-damente 30% de escravos na época da abolição, em 1888), o que não é o caso no Oriente Médio. Nesta região, as fortíssimas desigualdades têm uma origem muito mais “moderna”, direta-mente ligada ao capitalismo contemporâneo, trazendo, em seu cerne, o papel-chave do petróleo e os fundos de riqueza sobera-nos (bem como, com certeza, fronteiras coloniais amplamente arbitrárias quanto à sua definição e, desde então, sob a prote-ção militar dos países ocidentais).

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Se acrescentarmos a isso as constantes discriminações pro-fissionais (e às vezes de vestimenta) enfrentadas na Europa pelas populações de origem árabe e muçulmana, e também o fato de que uma fração ociosa e fanatizada dessa juven-tude tenta importar para o continente europeu os conflitos do Oriente Médio, o coquetel torna-se literalmente explosi-vo. A solução, na França e na Europa, evidentemente, não é acrescentar outra camada de estigmatização, como alguns se sentem tentados a fazer com esse triste caso do burkini (quer dizer que podemos exprimir tudo com nossas roupas, saias curtíssimas, saias pregueadas, cabelos coloridos, ca-misetas de rock ou revolucionárias, menos nossas convic-ções religiosas? Claro, tudo isso não faz sentido algum), e sim promover o acesso à formação profissional e ao empre-go. Devemos igualmente parar de privilegiar nossas relações venais com os emires e nos interessar mais pelo desenvolvi-mento igualitário da região.

A solução no Oriente Médio, decerto, não é a invasão gene-ralizada do território vizinho. Mas é fundamental aceitar um debate ponderado sobre o sistema de fronteiras e o desen-volvimento de formas regionais de integração política e de redistribuições de recursos. Concretamente, o Egito hoje se encontra à beira da asfixia financeira, correndo o risco de so-frer um expurgo orçamentário destruidor por parte do FMI, ao passo que a prioridade deveria ser investir na juventude do país, diante de infraestruturas públicas e um sistema educacional e sanitário totalmente precários. Esse país com mais de noventa milhões de habitantes, à beira de uma nova explosão social e política poucos anos depois de os países ocidentais ratificarem a anulação das primeiras eleições

de-mocráticas já realizadas, aproveita para abocanhar alguns bilhões pela venda de armas ao novo regime militar e, sem dúvida, vai tentar mendigar um novo empréstimo aos vizi-nhos sauditas e emirados, que têm bilhões e não sabem com que gastá-los, mas que muito provavelmente não cederão muito. Mais dia, menos dia, essas redistribuições de recur-sos e atos de solidariedade no seio do Oriente Médio deverão se efetuar num âmbito mais democrático e previsível, pare-cido com os fundos regionais europeus, que, mesmo longe de serem perfeitos, em termos comparativos ainda são um pouco menos insatisfatórios.

Desse ponto de vista, é lícito pensar que o Brexit (ou pelo menos a votação, em maio de 2016, de 52% da população do Reino Unido a favor da saída do país da União Europeia, já que o Brexit de verdade ainda está bem longe de ocorrer) é o segundo acontecimento mais marcante do período de 2012 a 2016. Menos dramático, evidentemente, que o desenrolar da guerra na Síria e no Iraque, o Brexit não é uma derrota terrí-vel apenas para a União Europeia.

Trata-se, da mesma maneira, de uma triste notícia para to-das as regiões do mundo, que, mais do que nunca, carecem de formas originais e bem-sucedidas de integração política regional. Uma União Europeia bem-sucedida poderia ser uma inspiração para uma Liga Árabe mais integrada, bem como para futuras uniões políticas regionais sul-america-nas, africanas ou asiáticas, uniões regionais que poderiam igualmente desempenhar um papel central no debate, com vistas a desafios e redistribuições de recursos com amplitu-de amplitu-de fato mundial, a começar, claro, pela questão da

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dança climática. Esse cenário inverso, com uma União Eu-ropeia em xeque e cuja população consultada deseja sair o mais depressa possível dela, apenas alimenta o ceticismo quanto à superação do Estado-nação e reforça pelo mundo os isolamentos identitários e nacionalistas.

Eis o paradoxo. Mais do que nunca, os diferentes países constatam a necessidade de acordos e tratados internacio-nais para assegurar seu desenvolvimento, em especial sob forma de regras que garantam a livre circulação de bens, serviços e capitais (e, em menor escala, de pessoas), e, a propósito, o Reino Unido vai se apressar para renegociar essas regras com os países da União Europeia. Ao mesmo tempo, contudo, batalhamos para desenvolver espaços de deliberação democrática que permitam discutirmos não só o teor dessas regras, como também mecanismos de toma-da de decisão coletiva e transnacional, em que os povos e as diferentes classes sociais possam se reconhecer, em vez de se sentirem incessantemente sacrificados em prol dos mais ricos e que possuem maior mobilidade. O voto a favor do Brexit não é consequência apenas da xenofobia crescente de um eleitorado inglês envelhecido e da fraca participação eleitoral da juventude; traduz um profundo cansaço frente à incapacidade da União Europeia de se democratizar e se interessar pelos mais frágeis.

A sucessão de governantes alemães e franceses desde 2008 tem também grande parcela de responsabilidade: com sua ges-tão catastrófica da crise da zona do euro, despertaram objeti-vamente a vontade de fugir dessa máquina infernal. Com uma gestão egoísta e uma visão de curto prazo da crise (consistindo,

grosso modo, em se refugiar atrás das baixíssimas taxas de ju-ros de seus países para recusar ao sul da Europa uma verdadeira reestruturação das dívidas públicas; recusa, aliás, que persiste nos dias de hoje), eles conseguiram a proeza de transformar uma crise inicialmente oriunda do setor financeiro privado americano numa duradoura crise europeia das dívidas públicas, no exato momento em que, às vésperas da crise de 2008, essas dívidas na zona do euro não eram mais elevadas do que nos Estados Unidos, no Reino Unido e no Japão.

Quero, no entanto, concluir com uma observação otimista, pois no fundo tudo é reversível, e o mais importante é discutir o que vem em seguida. Sou otimista sobretudo porque penso que ho-mens e mulheres têm uma capacidade infinita de cooperação e criação, desde que se dediquem a boas instituições. Homens e mulheres são bons; as instituições é que são ruins e podem ser melhoradas. A esperança subsiste, pois nada há de natural ou imanente na solidariedade ou em sua ausência: tudo depende dos compromissos institucionais a que nos dedicamos. Nenhu-ma lei natural leva os franciliens – habitantes da Île-de-Fran-ce – ou os bávaros a terem mais solidariedade pelos berrichons – da região agrícola de Berry – ou saxões do que pelos gregos ou catalães. São as instituições coletivas que criamos – insti-tuições políticas, regras eleitorais, sistemas sociais e fiscais, infraestruturas públicas e educacionais – que permitem à soli-dariedade existir ou desaparecer.

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