GEOGRAFIA
ÁFRICANeocolonialismo:
A presença européia na África sempre se fez presente, desde o século XV. Porém, é a partir do século
XIX que as potências europeias passam a exercer influência ainda maior. Após a primeira revolução industrial, os europeus precisavam de mais matéria-prima, mão de obra, fontes energéticas, novos mercados, etc. o que fez com que a África e Ásia se tornassem seus principais alvos. Essa fase de
maior domínio após a revolução industrial foi denominada Neocolonialismo.
Conferência de Berlim – Um marco do Neocolonialismo:
Em 1885 as potências europeias se unem e, literalmente, dividem o território africano entre si, para determinar áreas de influência e domínio sem que houvesse disputa entre eles. Nessa conferência ocorreu o que chamamos de Partilha da África.
Consequências socioeconômicas da Partilha da África:
Como a divisão em territórios buscou atender somente às necessidades dos países europeus, para os africanos houve uma série de consequências negativas decorrentes dessa divisão:
1) As fronteiras artificiais criadas pelos europeus não respeitavam os limites das tribos que já existiam no território africano. Por vezes a mesma tribo ficava separada entre dois territórios ou tribos diferentes e inimigas ficavam dentro de um mesmo território.
2) A retirada de matéria prima do território africano se deu de maneira acelerada, fazendo com que a disponibilidade de recursos diminuísse drasticamente.
3) Grande dependência econômica dos africanos com relação aos europeus.
4) Grande parte da infraestrutura do território africano foi construída somente para facilitar o escoamento da produção, sem pensar em benefícios para a integração regional ou para a população.
TUTORIAL – 13B
Aluno (a):
Data:
Série: 3ª Ensino Médio
África – países jovens:
A permanência europeia na África vai perdurar até o final da Segunda Guerra Mundial. Somente depois do fim da guerra é que os países africanos começam a surgir, aproveitando a oportunidade que se abria pelo fato de os países europeus estarem enfraquecidos no pós-guerra.
África atualmente:
Mesmo depois da independência política desses países ainda existem diversos problemas que a África precisa enfrentar.
1) A dependência econômica com relação aos países europeus ainda continua.
2) As fronteiras políticas dos países que surgiram ainda se sobrepõe às fronteiras das tribos, o que ainda gera uma série de disputas étnicas dentro desses países. Em alguns casos, essas disputas já se transformaram em guerras civis.
3) A organização política e social nesses países ainda é muito precária, visto que alguns deles só se tornaram independentes há pouquíssimo tempo.
4) É o continente que apresenta as maiores taxas de problemas sociais e de saúde no mundo. Muito disso se deve ao fato de que em seus territórios o bem-estar social nunca foi foco de atenção dos colonizadores europeus. Hoje isto é um dos maiores desafios para os países do continente. Condições precárias de infraestrutura de saúde, educação, saneamento básico, etc. fazem com que a população viva em péssimas condições, dependendo, muitas vezes, da ajuda econômica de outros países do mundo.
O Apartheid: África do Sul
O apartheid foi uma política que se tornou oficial na África do Sul a partir de 1948. Ela institucionalizava a separação entre brancos e negros, destacando vantagens para a população branca. A ideologia principal dessa política era salientar que os brancos eram superiores aos negros. Durante a vigência desse regime político os negros não tinham acesso à educação de qualidade, eram excluídos do sistema político (não podiam votar), não tinham acesso às terras, dentre outras desvantagens.
A resistência do povo africano negro sempre existiu, mas a superioridade econômica e bélica do regime mantinha o sistema político. As autoridades não hesitavam em eliminar manifestantes, como foi no caso de Soweto (um bairro africano onde dezenas de pessoas foram assassinadas). Os líderes do movimento de resistência geralmente eram presos, torturados e mortos.
Os países que se diziam contrários ao apartheid não manifestavam isso em suas transações econômicas. Estados Unidos e Grã-Bretanha, por exemplo, se manifestavam contrárias ao regime, mas continuavam a realizar transações comerciais, focando seu interesse nos recursos minerais que o país possui.
A partir de 1980 o regime não mais conseguiria suportar as pressões internacionais e internas. Com uma guerra civil na iminência de acontecer, Nelson Mandela é libertado da prisão, depois de 28 anos. Ele, que foi um dos maiores líderes da resistência negra viria a se tornar presidente quando as eleições de 1994 aceitaram a participação dos negros no processo eleitoral. É o fim do apartheid, mas até hoje permanecem alguns resquícios de sua presença no país.
Exercícios:
1. (Cesgranrio) "Morre um homem por minuto em Ruanda. Um homem morre por minuto numa nação
do continente onde o Homo Sapiens surgiu há um milhão de anos... Para o ano 2000 só faltam seis, mas a Humanidade não ingressará no terceiro milênio, enquanto a África for o túmulo da paz."
(Augusto Nunes, in: jornal O GLOBO, 6.8.94) A situação de instabilidade no continente africano é o resultado de diversos fatores históricos, dentre os quais destacamos o(a):
a) fortalecimento político dos antigos impérios coloniais na região, apoiado pela Conferência de Bandung.
b) declínio dos nacionalismos africanos causado pelo final da Guerra Fria.
c) acirramento das guerras intertribais no processo de descolonização que não respeitou as características culturais do continente.
d) fim da dependência econômica ocorrida com as independências políticas dos países africanos, após a década de 50.
e) difusão da industrialização no continente africano, que provocou suas grandes desigualdades sociais.
2. (Fgv) O genocídio que teve lugar em Ruanda, assim como a guerra civil em curso na República
Democrática do Congo, ou ainda o conflito em Darfur, no Sudão, revelam uma África marcada pela divisão e pela violência. Esse estado de coisas deve-se, em parte:
a) às diferenças ideológicas que perpassam as sociedades africanas, divididas entre os defensores do liberalismo e os adeptos do planejamento central.
b) à intolerância religiosa que impede a consolidação dos estados nacionais africanos, divididos nas inúmeras denominações cristãs e muçulmanas.
c) aos graves problemas ambientais que produzem catástrofes e aguçam a desigualdade ao perpetuar a fome, a violência e a miséria em todo o continente.
d) à herança do colonialismo, que introduziu o conceito de Estado-nação sem considerar as características das sociedades locais.
e) às potências ocidentais que continuam mantendo uma política assistencialista, o que faz com que os governos locais beneficiem-se do caos.
3. (Fuvest) Assolado pela miséria, superpopulação e pelos flagelos mortíferos da fome e das guerras
civis, a situação de praticamente todo o continente africano é, neste momento de sua história, catastrófica. Este quadro trágico decorre:
a) de fatores conjunturais que nada têm a ver com a herança do neocolonialismo, uma vez que a dominação colonial européia se encerrou logo após a segunda guerra mundial.
b) exclusivamente de um fator estrutural, posterior ao colonialismo europeu, mas interno ao continente, que é o tribalismo, que impede sua modernização.
c) da inserção da maioria dos países africanos na economia mundial como fornecedores de matérias-primas cujos preços têm baixado continuamente.
d) exclusivamente de um fator estrutural, externo ao continente, a espoliação imposta e mantida pelo Ocidente que bloqueia a sua autodeterminação.
e) da herança combinada de tribalismo e colonialismo, que redundou na formação de micro-nacionalismos incapazes de reconstruir antigas formas de associação bem como de construir novas.
4. (Pucsp) "A economia dos países africanos caracteriza-se por alto endividamento externo, elevadas
taxas de inflação, constante desvalorização da moeda e grande grau de concentração de renda, mantidos pela ausência ou fraqueza dos mecanismos de redistribuição da riqueza e pelo aprofundamento da dependência da ajuda financeira internacional, em uma escala que alguns países não tiveram nem durante o colonialismo".
Leila Leite Hernandez. "A África na sala de aula". São Paulo: Selo Negro Edições, 2005, p. 615. O fragmento caracteriza a atual situação geral dos países africanos que obtiveram sua independência na segunda metade do século XX. Sobre tal caracterização pode-se afirmar que:
a) deriva sobretudo da falta de unidade política entre os Estados nacionais africanos, que impede o desenvolvimento de uma luta conjunta contra o controle do comércio internacional pelos grandes blocos econômicos.
b) é resultado da precariedade de recursos naturais no continente africano e da falta de experiência política dos novos governantes, que facilitam o agravamento da corrupção e dificultam a contenção dos gastos públicos.
c) deriva sobretudo das dificuldades de formação dos Estados nacionais africanos, que não conseguiram romper totalmente, após a independência, com os sistemas econômicos, culturais e político-administrativos das antigas metrópoles.
d) é resultado exclusivo da globalização econômica, que submeteu as economias dos países pobres às dos países ricos, visando à exploração econômica direta e estabelecendo a hegemonia norte-americana sobre todo o planeta.
e) deriva sobretudo do desperdício provocado pelas guerras internas no continente africano, que tiveram sua origem no período anterior à colonização européia e se reacenderam em meio às lutas de independência e ao processo de formação nacional.
5. (Uerj) A África subsaariana conheceu, ao longo dos últimos quarenta anos, trinta e três conflitos
armados que fizeram no total mais de sete milhões de mortos. Muitos desses conflitos foram provocados por motivos étnico-regionais, como os massacres ocorridos em Ruanda e no Burundi.
(Le Monde Diplomatique, maio/1993 - com adaptações.)
Das alternativas abaixo, aquela que identifica uma das raízes históricas desses conflitos no continente africano é:
a) a chegada dos portugueses, que, em busca de homens para escravização, extinguiram inúmeros reinos existentes
b) a Guerra Fria, que, ao provocar disputas entre EUA e URSS, transformou a África num palco de guerras localizadas
c) o Imperialismo, que, ao agrupar as diferentes nacionalidades segundo tradições e costumes, anulou direitos de conquista
d) o processo de descolonização, que, mantendo as mesmas fronteiras do colonialismo europeu, desrespeitou as diferentes etnias e nacionalidades
e) à Globalização, que fez com que países africanos se tornassem cada vez mais incluídos nos processos econômicos mundiais.
6. (Ufv) O vasto império colonial português na África, cujas origens se encontram na expansão
ultramarina no século XV, começou a ruir a partir da década de 50 do século XX, quando suas colônias iniciam as lutas pela independência. Esse processo estava associado ao fim do Imperialismo e do Colonialismo, com a emancipação das colônias européias na África e na Ásia. Dentre as opções abaixo, assinale aquela que NÃO está diretamente associada ao fim do Imperialismo e do Colonialismo. afro-asiático:
a) A ampliação do poder econômico e político dos Estados Unidos e da União Soviética.
b) As transformações políticas, econômicas, sociais e ideológicas causadas pela Segunda Grande Guerra.
c) A ampliação dos movimentos de caráter nacionalista.
d) O declínio da hegemonia europeia iniciado na Primeira Guerra Mundial.
e) As pressões da China comunista pela ampliação de sua área de influência na Ásia e na África ocidental.
7. (Ufes) O presidente sul-africano ficou surpreso ao saber que, no Brasil, o maior país de população
negra fora da África, se fala uma só língua e se pratica o sincretismo religioso.
("O Globo" - 23/7/98)
O texto se refere à visita ao Brasil do presidente sul-africano, Nelson Mandela, que combateu duramente os sérios problemas enfrentados pela África do Sul após se libertar da sujeição efetiva à Inglaterra. Uma das dificuldades por que passou o país foi a política de "apartheid", que consistia no(a): a) resistência pacífica, que previa o boicote aos impostos e ao consumo dos produtos ingleses.
b) radicalismo religioso, que não permitia aos brancos professar a religião dos negros, impedindo o sincretismo religioso que interessava aos ingleses.
c) manutenção da igualdade social, que facilitava o acesso à cultura a brancos e negros, desde que tivessem poder econômico e político.
d) segregacionismo oficial, que permitia que uma minoria de brancos controlasse o poder político e garantisse seus privilégios diante da maioria negra.
e) desarmamento obrigatório para qualquer instituição nacional e exigência do uso exclusivo do dialeto africano nas empresas estrangeiras.
8. (FUVEST) O rio São Francisco, no Brasil, e o Nilo, na África, apesar de suas diferenças de extensão,
traçado e paisagens percorridas, oferecem algumas sugestivas analogias geográficas. Isto ocorre porque apresentam:
a) trechos terminais em forma de estuários, situados em regiões intertropicais secas, e nascentes em áreas equatoriais úmidas.
b) trechos terminais fertilíssimos, em forma de grandes deltas intensivamente cultivados, situados em oceanos abertos.
c) médios e baixos cursos em zonas desérticas que se beneficiam com a regularidade de suas cheias, obtidas graças aos grandes represamentos realizados nos altos cursos.
d) longos cursos permanentes de direção Sul-Norte, cortando zonas de climas quentes muito contratantes, inclusive secos, alimentados por cabeceiras situadas em áreas úmidas.
e) cursos típicos de planaltos com climas tropicais de estações alternadas, só atingindo cotas abaixo de 200m em trechos bem próximos da foz.
9. Identifique as características que se referem ao clima africano, referente à parte do Continente que é
cortada pela linha imaginária do Trópico de Câncer:
1. Elevada amplitude térmica.
2. Predomínio de baixas temperaturas e elevada umidade relativa do ar. 3. Elevada exposição à radiação solar.
4. Radiação solar amainada pela cobertura vegetal.
5. Índices pluviométricos elevados e bem distribuídos durante todo o ano.
Assinale a alternativa que contém as afirmações corretas: a) 1 e 3 b) 2 e 3 c) 4 e 2 d) 5 e 3 e) 2 e 5 10. PUC-RIO.
"O continente condenado” “África em chamas"
As manchetes que atualmente são publicadas sobre a África, como as apresentadas acima, expressam o trágico quadro socioeconômico desse continente. Assinale a opção que NÃO inclui um aspecto desse quadro.
a) A baixa expectativa de vida de grande parte da população. b) O número significativo de africanos contaminados com a AIDS. c) Os conflitos e guerras tribais envolvendo nações africanas.
d) As guerras civis estimuladas pelas potências imperialistas europeias.
GABARITO 1. C 2. D 3. E 4. C 5. D 6. E 7. D 8. D 9. A 10. D