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EXMOJUIZO DE DIREITO XXXXXXXX DA VARA DE FAZENDA PÚBLICA

PRIORIDADE:XXXXXXX

__________________________, brasileira, casada, policial militar do Estado do Rio de Janeiro, portadora da carteira _____________, inscrita no CPF sob o n° ______________ residente e domiciliadana Rua , XXXXXXX, Rio de Janeiro, RJ, e-mail XXXXXX, neste ato representada por sua filha, _______________________, brasileira, solteira, estudante, portadora da carteira de identidade nº ___________ expedida pelo DETRAN/RJ, inscrita no CPF sob o nº __________________, residente e domiciliada na Rua___________________________________, vem, por intermédio do(a) Defensor(a) Público(a) em exercício noXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX, com fulcro no art. 196 e seguintes da Constituição Federal, propor a presente:

AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER

COM PEDIDO DE ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA

em face doMUNICÍPIO DEXXXXXXX, pessoa jurídica de direito público interno, inscrita no CNPJ sob o nº XXXXXXX, com sede na Rua XXXXXX, pelos fatos e fundamentos jurídicos a seguir expostos:

01)

DA GRATUIDADE DE JUSTIÇA:

Inicialmente, afirma, para os fins dosarts.98 e 99 do CPC, art. 115 do Decreto-lei estadual nº 5/75 e arts.17, X, e 43, IX, da Lei Estadual nº 3350/1999,que não possui recursos financeiros para arcar com o pagamentodas custas processuais e dos honorários advocatícios, sem prejuízo do próprio sustento e do de sua família, razão pela qual FAZ JUS AO BENEFÍCIO DA GRATUIDADE DE JUSTIÇA, e indicaa DEFENSORIA PUBLICA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO para o patrocínio dos seus interesses.

De tal modo, informa, desde já, que o Defensor Público utilizará a prerrogativa do prazo em dobro conferida pelo artigo 128, I, da LC 80/94, artigo 5º, parágrafo 5º, da Lei nº 1.060/50 (que não foi revogado pelo NCPC), pelos arts.186 e §§ da Lei n.º13.105/15,tendo em vista a inexistência de dispositivo em contrário:

“Art. 186. A Defensoria Pública gozará de prazo em dobro para todas as suas manifestações processuais.

§ 1o O prazo tem início com a intimação pessoal do defensor público, nos termos do art. 183, § 1o.

(....)

§ 4o Não se aplica o benefício da contagem em dobro quando a lei estabelecer, de forma expressa, prazo próprio para a Defensoria Pública”.

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“Art. 128. São prerrogativas dos membros da Defensoria Pública do Estado, dentre outras que a lei local estabelecer:

I – receber, inclusive quando necessário, mediante entrega dos autos com vista, intimação pessoal em qualquer processo e grau de jurisdição ou instância administrativa, contando-se-lhes em dobro todos os prazos; (Redação dada pela Lei Complementar nº 132, de 2009)”.

02)

DA PRIORIDADE NA TRAMITAÇÃO DO FEITO:

Ainda de início, é de se ressaltar que a Autora possui XX (XXXX) anos de idade (ou é portadora de XXXXX, doença grave descrita no art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88), e faz jus à prioridade na tramitação do feito, o que desde já requer, nos exatos termos do art. 1.048 do Código de Processo Civil.

03)

DA CURATELA:

AAutoraestáem casa, em repentino surto psicótico, impossibilitada de se locomover e providenciar os trâmites indispensáveis à propositura da presente demanda.

Dessa forma, é necessária a nomeação de sua filha, VIVIANE DE SOUZA SILVA,como sua representante para o ato/curadora, para que a represente no presente feito, na forma dosarts. 4º, III, e 1767, I, do Código Civil.

04)

DOS FATOS:

AAutora, quepossui _________________anos de idade,é portadora de transtornos mentais/dependência química e está em casa, em total descontrole, sob repentino surto psicótico, colocando em risco a sua vida e de toda a sua família. Os documentos inclusos (exames, prontuários, receituários, etc.) dão conta de que ela possui XXXXX, faz uso contínuo dos medicamentos XXX. Todavia, hoje, às XX horas, a Autora entrou em surto psicótico agressivo, quebrando todos os móveis da casa, com ameaças recorrentes de suicídio, em situação de total descontrole.

Desesperada, sem os recursos e a qualificação necessários para conter a Autora, de forma adequada, sua família ligou inúmeras vezes para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – SAMU (192), mas, surpreendentemente, a EQUIPE DO SAMU AFIRMOU QUE NÃO IRÁ ATÉ A RESIDÊNCIA PORQUE NÃO POSSUE OS RECURSOS NECESSÁRIOS!!

Como se vê, a Autora necessita, com urgência, de primeiros socorros por equipe de saúde para estabilização imediata de seu quadro e condução, em transporte adequado, para atendimento, avaliação e tratamento em uma unidade de saúde, conforme indicado pelo médico responsável. Do contrário, poderá vir a óbito ou, lamentavelmente, levar a óbito alguém de sua família.

Ressalta-se que a exordial não está instruída com laudo médico atualizado, pois o que a Autora objetiva, exatamente, é ser atendida e avaliada por um médico! Seja como for, é certo que os documentos

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acostados demonstram que a Autora é portadora de XXXXX, possui quadro grave de saúde, e as regras de experiência comum, por si, corroboram os fatos ora relatados.

No entanto, a despeito da gravidade do quadro, do direito fundamental à saúde e do correlato dever jurídico do Estado de prestá-la,com a máxima eficiência e efetividade, a Autora não recebeu, até o presente momento, o atendimento de saúde necessário e adequado. O SAMU, por absurdo, alega que não possui a estrutura e o aparato necessários ao atendimento emergencial de saúde para o qual foi criado pela União Federal e implementado pelo Município. Nada, absolutamente nada foi feito para preservar a saúde e a própria vida da Autora. E é certo que tal postura, diante do quadro de urgência narrado, configura grave e inaceitávelviolação negativa à Constituição, norma fundamental do Estado.

Ora, a vida e a saúde da Autora não podem esperar. Ainda que ponderados os interesses em jogo, só há uma saída admissível: a pró-cidadão, pró-vida, pró-dignidade humana (arts. 1º, III, e 5º da CRFB/88).

Desta forma, não resta outra saída à Autora senão provocar o Poder Judiciário para que o ente público réu cumprao seu compromisso constitucional,e envie, imediatamente, uma unidade móvel equipada para prestar o primeiro atendimento à Autora, estabilizá-la, e transportá-la para uma unidade de saúde que a avalie e preste o tratamento indicado pelo médico responsável, à luz da Política Antimanicomial (Lei n° 10.2016/01).

05)

DO DIREITO FUNDAMENTAL À SAÚDEE DA RESPONSABILIDADE CIVIL DO RÉU

O art. 196 da Constituição de 1988, ao cuidar da ordem social, assegura a todos os indivíduos o direito à saúde, e estipula o correlato dever jurídico do Estado de prestá-la. Trata-se, enquanto direito fundamental de segunda geração, de liberdade real ou concreta que impõe ao Estado uma prestação positiva, consistente em um facere. Sua inadimplência, consoante já advertiu diversas vezes o Supremo Tribunal Federal, importa em flagrante e inescusável violação negativa à Constituição:

“O DIREITO À SAÚDE REPRESENTA CONSEQÜÊNCIA CONSTITUCIONAL INDISSOCIÁVEL DO DIREITO À VIDA.

- O direito público subjetivo à saúde representa prerrogativa jurídica indisponível assegurada à generalidade das pessoas pela própria Constituição da República (art. 196). Traduz bem jurídico constitucionalmente tutelado, por cuja integridade deve velar, de maneira responsável, o Poder Público, a quem incumbe formular - e implementar - políticas sociais e econômicas idôneas que visem a garantir, aos cidadãos, o acesso universal e igualitário à assistência farmacêutica e médico-hospitalar.

- O direito à saúde - além de qualificar-se como direito fundamental que assiste a todas as pessoas - representa conseqüência constitucional indissociável do direito à vida. O Poder Público, qualquer que seja a esfera institucional de sua atuação no plano da organização federativa brasileira, não pode mostrar-se indiferente ao problema da saúde da população, sob pena de incidir, ainda que por censurável omissão, em grave comportamento inconstitucional.

A INTERPRETAÇÃO DA NORMA PROGRAMÁTICA NÃO PODE TRANSFORMÁ-LA EM PROMESSA CONSTITUCIONAL INCONSEQÜENTE.

- O caráter programático da regra inscrita no art. 196 da Carta Política - que tem por destinatários todos os entes políticos que compõem, no plano institucional, a organização federativa do Estado

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brasileiro - não pode convertê-la em promessa constitucional inconseqüente, sob pena de o Poder Público, fraudando justas expectativas nele depositadas pela coletividade, substituir, de maneira ilegítima, o cumprimento de seu impostergável dever, por um gesto irresponsável de infidelidade governamental ao que determina a própria Lei Fundamental do Estado.

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA, A PESSOAS CARENTES, DE MEDICAMENTOS ESSENCIAIS À PRESERVAÇÃO DE SUA VIDA E/OU DE SUA SAÚDE: UM DEVER CONSTITUCIONAL QUE O ESTADO NÃO PODE DEIXAR DE CUMPRIR.

- O reconhecimento judicial da validade jurídica de programas de distribuição gratuita de medicamentos a pessoas carentes dá efetividade a preceitos fundamentais da Constituição da República (arts. 5º, „caput‟, e 196) e representa, na concreção do seu alcance, um gesto reverente e solidário de apreço à vida e à saúde das pessoas, especialmente daquelas que nada têm e nada possuem, a não ser a consciência de sua própria humanidade e de sua essencial dignidade. Precedentes do STF.”

(RE 393.175-AgR/RS, Rel. Min. CELSO DE MELLO)

Como se vê, embora assegurada fora do rol exemplificativo do artigo 5º da Constituição Federal, o direito à saúde, conseqüência indissociável do direito constitucional à vida e à dignidade humana (art. 1º, III, da CRFB/88), constitui prerrogativa jurídica indisponível e de extrema importância.

Verifica-se, assim, a manifesta existência de um dever jurídico primário do Estado, a ser cumprido pelos três centros de competência independentemente de eventual repartição interna de atribuição administrativa: a prestação da saúde pública (Enunciado nº 65 da Súmula do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro). Nesse sentido, a lição da Professora Márcia Cristina Gutiérrez Slaibi na Revista de Direito do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, v. 55, 2003, sobre o Direito Fundamental à Saúde – Tutela de Urgência:

“O federalismo cooperativo acolhido pela Constituição Federal de 1988 consagrou, no tema da saúde pública, a solidariedade das pessoas federativas, na perspectiva de que a competência da União não exclui a dos Estados e dos Municípios (inciso II do artigo 23 da CRFB/88). É que se extrai do disposto no artigo 196 e seguintes.”

“A solidariedade é instituto do Direito Civil e está prevista no art. 896 do Código Civil brasileiro de 1916 e no artigo 265 do novo Código Civil de 2002, cabendo ao credor escolher qual dos devedores deseja acionar (art. 898 do Código Civil brasileiro de 1916 e art. 267 do novo Código Civil de 2002).

Tal destaque é de grande relevância, pois o cidadão hipossuficiente poderá escolher qual dos entes federativos irá acionar para ver efetivado o seu direito fundamental à saúde e de nada adiantará, como sói acontecer, as argüições, pelo Estado e pelo Município, de ilegitimidade passiva ad causam ou mesmo ospedidos de chamamento ao processo dos demais entes federados”.

Note-se que o legislador constituinte não se satisfaz com a mera existência deste serviço; ele deve ser efetivamente prestado, e de forma eficiente (art. 37 da CRFB/88).

Em tal contexto, é de se afirmar: o dever estatal de atribuir efetividade ao direito fundamental à saúde qualifica-se como expressiva limitação à discricionariedade administrativa. Vale dizer, o administrador não possui discricionariedade para deliberar sobre a conveniência e a oportunidade de concretização de um

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compromisso constitucional. Notadamente quando em jogo o direito à vida e à dignidade humana, que são imponderáveis.

Não é a toa que, para concretizá-lo, a União Federal estabeleceu políticas públicas cogentes de estruturação dos serviços públicos de saúde, com parâmetros de cobertura, de estrutura física, de composição da equipe de recursos humanos e de atuação funcional que devem ser observados pelos Estados e Municípios no exercício de seu múnus constitucional.

E mais: ainda destina verbas federais para construção, qualificação e custeio das unidades de saúde como incentivo financeiro, o que só reforça a inadmissibilidade de argumentos que invoquem dificuldades financeiras e/ou a reserva do possível.

No caso do Serviço de Atendimento Móvel (SAMU), as Portarias MS nº 1600/2011 e 1010/2012 são claras: o SAMU 192 é o componente assistencial móvel da Rede de Atenção às Urgências que deve ser implementado pelos Municípios de uma mesma região de saúde com o objetivo de chegar precocemente à vítima após um agravo à sua saúde (de natureza clínica, cirúrgica, traumática, obstétrica, pediátrica, psiquiátrica, entre outras) que possa levar a sofrimento, à sequelas ou mesmo à morte, mediante o envio de veículos tripulados por equipe capacitada, acessado pelo número "192" e acionado por uma Central de Regulação das Urgências. Confira-se:

Portaria MS nº 1600/2011:

“Art. 4º A Rede de Atenção às Urgências é constituída pelos seguintes componentes: I - Promoção, Prevenção e Vigilância à Saúde;

II - Atenção Básica em Saúde;

III - Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) e suas Centrais de Regulação Médica das Urgências;

IV - Sala de Estabilização;

V - Força Nacional de Saúde do SUS;

VI - Unidades de Pronto Atendimento (UPA 24h) e o conjunto de serviços de urgência 24 horas; VII - Hospitalar; e

VIII - Atenção Domiciliar.”

Portaria MS nº 1010/2012:

“Art. 1º Esta Portaria redefine as diretrizes para a implantação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) e sua Central de Regulação das Urgências, componentes da Rede de Atenção às Urgências.

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I - SAMU 192: componente assistencial móvel da Rede de Atenção às Urgências que tem como objetivo chegar precocemente à vítima após ter ocorrido um agravo à sua saúde (de natureza clínica, cirúrgica, traumática, obstétrica, pediátrica, psiquiátrica, entre outras) que possa levar a sofrimento, à sequelas ou mesmo à morte, mediante o envio de veículos tripulados por equipe capacitada, acessado pelo número "192" e acionado por uma Central de Regulação das Urgências;”

E o Capítulo V da Portaria MS nº 1010/2012 estabelece como os Municípios podem receber da União incentivos financeiros para implantação, custeio, habilitação e qualificação do SAMU em seu território. Portanto, nada justifica que, agora, o Município se recuse a prestar o serviço público essencial de saúde solicitado, com urgência, pela Autora.

Em suma, da dinâmica dos fatos narrados, não há dúvida de que se verifica, no caso, flagrante violação do dever estatal de prestação do serviço público de saúde. Como se viu, a Autora, que possui quadro clínico gravíssimo, está padecendo emsua casa, sem receber o tratamento médico adequado para o restabelecimento de sua saúde e resguardo de sua própria vida.

Aliás, a deficiência/insuficiência do serviço público de saúde como um todo é fato público e notório. São recorrentes nos meios de comunicação notícias sobre a falta de materiais, aparelhos, médicos, assepsia, e péssimo atendimento prestado àqueles que mais necessitam da atenção do Estado. O que está em jogo, relembre-se, é a vida, direito indisponível e de estatura constitucional.

Tal quadro, por óbvio, não pode ser chancelado pelo Poder Judiciário. Os entes públicos réus possuem uma missão constitucional,e devem arcar com as conseqüências de sua inércia.

Admitiro contrário é restringir o direito à saúde somente a uma ínfima parcela da população, representada por aqueles que apresentam condições financeiras para arcar com os custos de um plano de saúde. É condenar a maior parte da população a sofrer atendimentos desumanos, a aguardar, nos corredores das instituições públicas de saúde, despida de dignidade, sua própria morte, e a ser tratada como desafortunados que não possuem voz sequer para pedir socorro de forma digna!

Em suma, verificada, no caso, a violação do compromisso constitucional de prestação do serviço público de saúde, compete ao Poder Judiciário fazer prevalecer a primazia da Constituição da República, com o acolhimento do pedido ora formulado.

O ente público réu deve ser condenadoa enviar, imediatamente, uma unidade móvel equipada para prestar o primeiro atendimento à Autora, estabilizá-la, e transportá-la para uma unidade de saúde que a avalie e preste o tratamento indicado pelo médico responsável.

Afinal, repita-se, descumpriram um dever jurídico primário de envergadura constitucional: o de prestar a saúde, com eficiência, e velar pela segurança, incolumidade física e psíquica de todos os seus administrados.

06)

DA ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA:

Configurados os requisitos autorizadores da antecipação dos efeitos da tutela previstos nos arts. 300 do Código de Processo Civil, haja vista a probabilidade do direito (que se extrai de plano dos documentos acostados e das regras de experiência do dia a dia - é pública e notória a falta de estrutura e as

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graves deficiências dos serviços públicos de saúde), e o perigo de dano e risco ao resultado útil do processo (já que a demora no socorro e início do tratamento adequado pode acarretar lesões irreparáveis à saúde e acarretar a morte prematura da Autora, sem falar, é claro, na prorrogação da sua dor e sofrimento, situações irreversíveis ao final da demanda), a concessão do pleito liminar, nos termos abaixo postulados, é de rigor.

Até porque, é importante relembrar que antecipação dos efeitos da tutela em face da Fazenda Pública só é restringida nas hipóteses taxativamente previstas nas Leis nº 12.016/2009 e 8.437/92. E não é o caso.

07)

DO DESINTERESSE NA AUTOCOMPOSIÇÃO:

Para os fins do disposto no art. 334, §5º, do CPC, a Autora afirma que não possui interesse na autocomposição da lide, de modo que é desnecessária, inútil e protelatória (atentando contra o princípio constitucional da duração razoável do processo – art. 5º, LXXVIII, da CRFB/88c.c. art. 1º do CPC – que deve ser, inclusive, velado pelo juiz - art. 139, II, do CPC), a realização de audiência de conciliação ou de mediação.

08)

DO PEDIDO:

Do exposto, requer:

a) a prioridade na tramitação do feito, em razão de a Autora ser idosa/criança/adolescente ou portadora de doença mental grave, e a concessão do benefício da gratuidade de justiça;

b) a nomeação de sua filha, _______________________, como curadora para o fim de representar a Autorana presente demanda, na forma dosarts. 4º, III, e 1767, I, do Código Civil;

c) a concessão, inaudita altera parte e com fulcro no artigo 300do Código de Processo Civil, da antecipação dos efeitos da tutela pretendida, para determinar que o Réuforneça,imediatamente, uma unidade móvel equipada com profissionais de saúde para prestar o primeiro atendimento à Autora, estabilizá-la, e transportá-la para uma unidade de saúde que a avalie e preste o tratamento indicado pelo médico responsável,à luz da Política Antimanicomial (Lei n° 10.2016/01), sob pena de imposição de multa cominatória horária, no valor de R$ 1.000,00 (mil reais), nos termos do art. 297, 500 e 537 do CPC;

d)não cumprida a obrigação de fazer, (i) a fixação de multa dirigida ao Secretário de Saúde do Município, na forma do artigo 77, §2º, do CPC, por ato atentatório ao exercício da jurisdição; e (ii) com fulcro nos artigos 297 e 536, §1º, do CPC, o arresto do valor correspondenteao custeio do transporte por uma ambulância equipada privada e de todos os procedimentos indispensáveis à efetivação da tutela, diretamente dos fundos Estadual e Municipal de saúde, sob pena de prisão imediata da autoridade responsável;

e) a citação do Município, na pessoa de seus representantes legais, para responder a presente, sob pena de revelia;

f) a intimação da central reguladora de emergência do Município;

g) a procedência do pedido, confirmando-se a tutela antecipada, nos moldes do item C, para condenar o Réu forneça, imediatamente, uma unidade móvel equipada para prestar o primeiro atendimento à

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Autora, estabilizá-la, e transportá-la para uma unidade de saúde que a avalie e preste o tratamento indicado pelo médico responsável, à luz da Política Antimanicomial (Lei n° 10.2016/01), sob pena de imposição de multa cominatória horária, no valor de R$ 1.000,00 (mil reais), bloqueio em conta bancária da verba pública necessária para tanto (Enunciado Nº 2 DO AVISO TJ Nº 94/2010), nos termos dosarts. 536, parágrafo 1º, e 537 do CPC, fixação de multa dirigida ao Secretário de Saúde do Município, na forma do artigo 77,§2º, do CPC, por ato atentatório ao exercício da jurisdição, e prisão por crime de desobediência;

h) a condenação do réu ao pagamento dos ônus da sucumbência, recolhendo-se as verbas honorárias, fixadas em seu grau máximo, ao Centro de Estudos Jurídicos da Defensoria Pública Geral deste Estado, nos termos da Lei nº 1.146/87 (Banco Bradesco -237, Agência 6898-5, Conta 214-3); e

Protesta pela produção de prova documental suplementar, oral, testemunhal e pericial, se necessárias.

Dá-se à causa o valor de R$ xxxxxxx.

Rio de Janeiro, XXXXde XXXXXXde 2017.

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