• Nenhum resultado encontrado

ACÓRDÃO-AC - Nº 12311/2012

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "ACÓRDÃO-AC - Nº 12311/2012"

Copied!
23
0
0

Texto

(1)

___________________________________________________________________________

_____________________________________________________________________________________________ Rua 68 nº 727 – Centro – fone 3216-6000 FAX 3212-0177 CEP: 74055-100 Goiânia – Goiás

www.tcm.go.gov.br

Processo nº : 14504/10 (2 volumes) Município : VALPARAÍSO DE GOIÁS Assunto : Inspeção Simples

Período : 2008/2010

Gestor : Francisco de Carvalho Martins CPF : 692.937.243-91

Controle Interno : Caroline de Oliveira Geraldo CPF : 949.011.121-04

ACÓRDÃO-AC - Nº 12311/2012 – TCM/GO – PLENO

EMENTA: Inspeção determinada pelo Acórdão AC nº 03743/10 no Fundo Municipal de Saúde. Denúncias: 1. Acumulação de cargo comissionado de Diretor Técnico com contratos de credenciamento pelo médico Leonardo Esteves Ramos; 2. Despesas com aquisição de equipamentos e com serviços de terraplanagem e plantio de grama, sem relação com as ações e serviços públicos de saúde; 3. Despesas sem serem precedidas do competente procedimento licitatório; 4. Precariedade no funcionamento das Unidades de Saúde do Município de Valparaíso de Goiás. Homologação parcial do Relatório de Inspeção n º 4/12. Improcedência da denúncia. Arquivamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos acordam os Conselheiros integrantes do Pleno do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado de Goiás, por unanimidade, nos termos da Proposta de Decisão nº 431/2012 – GABMOA do Relator, Conselheiro Substituto Mauricio Oliveira Azevedo, em conhecer do Processo 14504/10, relativo à Inspeção realizada no Fundo Municipal de Saúde do Município de Valparaíso de Goiás, para:

1. HOMOLOGAR PARCIALMENTE o Relatório Conclusivo de Inspeção nº 004/2012 (fls. 535/547, vol. II), acompanhando-o para i - CONSIDERAR IMPROCEDENTE a denúncia nos seguintes pontos porque: a) a realização de despesas com aquisição de equipamentos e com serviços de terraplanagem e plantio de grama, constatou-se ter relação com as atividades relacionadas às ações e serviços públicos de saúde e, portanto, podem ser empenhada no âmbito do FMS; b) não constatou-se a precariedade no funcionamento das Unidades de Saúde do Município de Valparaíso de Goiás; c) os contratos com Belcar Veículo Ltda. , Atlanta Segurança Ltda. , e Super W. G Locação de Mão de Obra Ltda. foram precedidos dos competentes procedimentos licitatórios; bem como para ii - CONSIDERAR que: d) houve a regular liquidação das despesas do FMS selecionadas pela Comissão de Inspeção; no entanto, divergir do mencionado Relatório para também CONSIDERAR IMPROCEDENTE a denúncia no seguinte ponto: e) acumulação indevida de cargos públicos pelo Dr. Leonardo Esteves Ramos como Diretor Técnico do CAIS, Médico Pediatra e Clínico Gera; também divergir do citado Relatório para CONSIDERAR PREJUDICADA a denúncia quanto f) ao contrato com a empresa

(2)

___________________________________________________________________________

_____________________________________________________________________________________________ Rua 68 nº 727 – Centro – fone 3216-6000 FAX 3212-0177 CEP: 74055-100 Goiânia – Goiás

www.tcm.go.gov.br

Red Falcon Transportes Ltda. de modo deixar de aplicar multa de R$5.000,00, ao Sr. Francisco Carvalho Martins, Gestor do Fundo Municipal de Saúde, referente ao contrato celebrado em 02/01/2009 com a empresa Red Falcon Transportes Ltda, no valor de R$ 117.344,27, pois tal contrato já foi objeto de apreciação neste Tribunal, com o julgamento pela ilegalidade, por meio da RS nº 04522/09, e na época não foi imputada multa porque a Lei Estadual nº 16.467/09, que prevê a aplicação de multas pelo TCM, ainda não estava vigente;

2. ENCAMINHAR cópia do presente ato resolutivo ao Gestor do FMS de Valparaíso de Goiás, Sr. Francisco de Carvalho Martins, bem como ao Conselho Municipal de Saúde de Valparaíso de Goiás;

3. JUNTAR cópia do presente acórdão ao Processo nº 04660/10 que trata do Balancete de Dezembro de 2009 do FMS de Valparaíso de Goiás;

4. DETERMINAR o arquivamento dos autos.

Sala das Sessões do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado de Goiás, em, em Goiânia, aos 07/11/2012.

Presidente Conselheira Maria Teresa Fernandes Garrido

Votantes: Paulo Ernani Miranda Ortegal Jossivani de Oliveira Conselheiro Conselheiro

Virmondes Borges Cruvinel Conselheiro

Honor Cruvinel de Oliveira Francisco José Ramos Conselheiro Conselheiro

Relator: Mauricio Oliveira Azevedo Conselheiro Substituto (não votante)

(3)

___________________________________________________________________________ Processo nº : 14504/10 (2 volumes)

Município : VALPARAÍSO DE GOIÁS Assunto : Inspeção Simples

Período : 2008/2010

Gestor : Francisco de Carvalho Martins CPF : 692.937.243-91

Controle Interno : Caroline de Oliveira Geraldo CPF : 949.011.121-04

PROPOSTA DE DECISÃO N° 431/2012 – GABMOA

EMENTA: Inspeção determinada pelo Acórdão AC nº 03743/10 no Fundo Municipal de Saúde. Denúncias: 1. Acumulação de cargo comissionado de Diretor Técnico com contratos de credenciamento pelo médico Leonardo Esteves Ramos; 2. Despesas com aquisição de equipamentos e com serviços de terraplanagem e plantio de grama, sem relação com as ações e serviços públicos de saúde; 3. Despesas sem serem precedidas do competente procedimento licitatório; 4. Precariedade no funcionamento das Unidades de Saúde do Município de Valparaíso de Goiás. Homologação parcial do Relatório de Inspeção n º 4/12. Improcedência da denúncia. Arquivamento.

I – RELATÓRIO

I.I – INTRODUÇÃO

A título de introdução adoto o relatório do Ministério Público junto ao TCM, contido no Parecer nº 4415/2012 (fls. 571/573-vol. II):

“Tratam os presentes autos de Inspeção Simples realizada junto ao Fundo Municipal de Saúde de Valparaíso de Goiás, em especial para apuração de supostas irregularidades atinentes aos seguintes pontos:

1. acumulação indevida de cargos públicos pelo Dr. Leonardo Esteves Ramos, diretor técnico do CAIS, médico pediatra e clínico geral;

2. realização de despesas com aquisição de equipamentos, prestação de serviços de terraplanagem e plantio de grama, sem relação com serviços públicos de saúde;

3. realização de despesas sem o devido procedimento licitatório;

4. precariedade no funcionamento das unidades de saúde de Valparaíso de Goiás; 5. verificação de liquidação de despesas.

Referida inspeção se deu por determinação do Acórdão nº 03743/10 (fls. 04/06, vol. 01), em virtude de denúncia veiculada neste Tribunal via dos autos de nº 11626/09.

Devidamente nomeada a Comissão de Inspeção, foi exarado o Plano de Trabalho Referencial nº 0015/2011, trazendo as especificações dos trabalhos a serem realizados.

Realizados os trabalhos de campo foi emitido o Relatório Preliminar de Inspeção nº 031/2011 (fls. 452/459, vol. 02), no sentido de restar aparentemente evidenciado a acumulação indevida de cargos públicos pelo Sr. Leonardo Esteves Ramos que além de ocupar o cargo de diretor técnico do CAIS municipal também mantinha vínculo com o

(4)

___________________________________________________________________________

____________________________________________________________________________________________________________

FMS do município via de três outros contratos durante os exercícios de 2009 e 2010; improcedência da denúncia referente a suposta realização de despesas não relacionadas com as ações e serviços de saúde; devida execução de contratos celebrados com Belcar Veículos, Atlanta Segurança Ltda., Super W. G. Locação de Mão de Obra Ltda. e Red Falcon Transporte Ltda., este útimo julgado pela ilegalidade por este Tribunal; funcionamento satisfatório das unidades de saúde do município de Valparaíso de Goiás, considerando improcedente a denúncia quanto ao referido ponto. Ao final, sugere abertura de vista ao gestor do FMS para manifestação.

Oportunizada manifestação ao responsável via do Despacho nº 0159/2011 (fls. 460, vol. 02), este carreou justificativas e documentação às fls. 464/531-vol.2, no sentido de os contratos celebrados com o Sr. Leonardo Esteves referem-se à realização de um único cargo de médico plantonista, não se enquadrando na previsão do art. 37, XVI, c, da CF/88, além de a nomeação do mesmo para ocupar cargo de Diretor Técnico se adequar a referido permissivo legal.

No que tange ao contrato celebrado com Red Falcon Transporte Ltda., manifesta que as irregularidades apontadas foram meramente formais e serão melhor elucidadas quando do julgamento do recurso em trâmite nesta casa.”

I.II – MANIFESTAÇÃO DA COMISSÃO DE INSPEÇÃO

A Comissão de Inspeção manifestou-se conclusivamente por meio do Relatório Conclusivo de Inspeção nº 004/2012 (fls. 535/547, vol. II), no qual ratificou o inteiro teor do Relatório Preliminar de Inspeção nº 031/2011 (fls. 452/459, vol. II). Seguem abaixo os principais trechos:

TEMA: Contratos com Dr. Leonardo Esteves Ramos:

Da defesa apresentada (fls. 464/531 vol. II) pela Prefeita Leda Borges de Moura (via Procurador):

“9.1. Acerca do sub-item 6.1, o Interessado alegou que, não obstante o apontamento de três numerações referentes aos contratos realizados entre o Município e o Dr. Leonardo Esteves, no período de fevereiro a dezembro de 2009 (n.º 33/2009, n..º 55/2009 e n.º 68/2009), após detida análise da documentação que segue acostada, restou concluído pela Secretaria de Saúde Municipal que, o que de fato ocorreu, foi um erro no preenchimento do histórico do empenho referente ao contrato n.º 055/09. Dessa forma, na ordem de pagamento onde se lê “contrato n.º 33/2009”, deveria ter constado “contrato n.º 55/2009”.

Ressaltou, ainda, que o erro pode ser facilmente comprovado pelo simples fato de que inexistem pagamentos realizados ao contrato n.º 33/2009, bem como pode ser comprovado que o valor total pago a cada um dos contratos é correspondente ao valor dos mesmos, conforme documento em anexo.

Prosseguiu argumentando que à época da formalização dos contratos, ou seja, início de 2009, não existia, ainda, o Hospital Municipal, contando a população somente com Postos de Saúde para atendimentos médicos e que por ser um período de transição de Governos, não havia também médicos suficientes para atender à demanda do Município.

Dessa forma, para possibilitar o atendimento da demanda do CAIS II, o Município necessitou aumentar a carga horária de trabalho do Dr. Leonardo Esteves. Entretanto, ao invés de majorar o contrato n.º 55/2009, em relação ao horário de trabalho e sua

(5)

___________________________________________________________________________ remuneração, celebrou outro contrato contendo a mesma função, mesmo local de trabalho e mesmo período de duração contratual.

Salientou ser de fácil verificação que os contratos não se referem a acúmulo de cargos, pois como se vê, ambos foram realizados para o Dr. Leonardo prestar serviço de médico plantonista 24 (vinte e quatro) horas do CAIS II. Demonstrando que os contratos celebrados como o Dr. Leonardo referem-se apenas ao cargo de médico plantonista do CAIS II, situação que nem mesmo se enquadra na permissibilidade prevista no Artigo 37 inciso XVI letra “c” da Constituição Federal.

Observou que o parágrafo único do artigo 3º da Lei n.º 8112/90, estabelece que “os cargos públicos acessíveis a todos os brasileiros, são criados com denominação própria e vencimentos pagos pelos cofres públicos, para provimento em caráter efetivo ou em comissão”. Possibilitando a conclusão de que houve realmente um mero erro formal da Administração Municipal, pois os contratos n.٥ 055/09 e 068/09 referem-se a um só cargo, qual seja médico plantonista do CAIS II.

Concluindo, ainda, que está revestida de legalidade a nomeação do mencionado profissional para ocupar o cargo de Diretor Técnico do CAIS II do Município de Valparaíso de Goiás, conforme o permissivo Constitucional que possibilita o acúmulo de dois cargos na área de saúde.”

Da análise da Comissão de Inspeção:

“10.1.Quanto aos contratos celebrados entre o Fundo Municipal de Saúde e o Dr. Leonardo Esteves Ramos, verifica-se que o Recorrente argumentou apenas em relação aos contratos celebrados no exercício financeiro de 2009, não se pronunciando acerca dos instrumentos contratuais avençados em 2010.

A documentação acostada ao processo possibilita concluir que durante o período de 01 de fevereiro a 31 de dezembro de 2009, o Dr. Leonardo esteve vinculado ao Fundo Municipal de Saúde por força de 02 (dois) contratos, ou seja, Contratos n.º 055/09 e n.º 068/09, sendo que o contrato n.º 033/09, mencionado no Relatório Preliminar 031/2011 (fls. 452/459), na realidade não existe, tendo ocorrido, apenas, erro na aposição da numeração nas notas de pagamentos (fls. 004/013, vol. II), tendo em vista que ao invés de constar nas mencionadas notas “contrato n.º 055/2009”, constou “contrato n.º 033/2009”.

Verifica-se, ainda, que a partir de 06 de novembro de 2009, por força do contrato n.º 567/2009 (fls. 042/046, vol. II), o Dr. Leonardo passou a estar vinculado com o FMS de Valparaíso de Goiás, como médico plantonista 24 (vinte e quatro) horas do CAIS, com carga horária de 24 (vinte e quatro) horas semanais.

Impende ressaltar que o Dr. Leonardo também esteve vinculado ao FMS a partir de 15 de janeiro de 2009, como Diretor do Centro de Atendimento Integrado à Saúde – CAIS, da secretaria Municipal de Saúde, conforme Decreto n.º 101/2009 (fl. 002, vol. II).

Dessa forma, em que pesem as alegações do Recorrente, o fato é que o Dr. Leonardo esteve vinculado ao Fundo Municipal de Saúde – FMS, do Município de Valparaíso de Goiás, durante o exercício financeiro de 2009, por força de até 03 (três) contratos e, ainda, ocupando o cargo de Diretor Técnico do CAIS II, do Município de Valparaíso.

No exercício financeiro de 2010 foi verificado que além do contrato n.º 567/2009, que teve vigência a partir de 06 de novembro de 2009 até 04 de novembro de 2010, portanto durante quase todo o exercício financeiro de 2010, o Dr. Leonardo Ramos manteve vínculo com o FMS por força de mais dois contratos: 225/10 e 226/10 (fls. 063/093, vol. II), ambos com termo inicial em 01/04/2010 e termo final em 31 de dezembro de 2010. Dessa forma, foi constatado que durante os meses de abril a outubro de 2010 o referido profissional manteve vínculo o FMS por força de 03 (três) contratos de prestação de serviços médicos, além de ocupar o cargo de Diretor Técnico CC-04 do Centro de Atendimento Integrado de Saúde – CAIS.

(6)

___________________________________________________________________________

____________________________________________________________________________________________________________

Em pesquisa ao Sistema TCM – SICOM (fls. 434/445, vol. II), bem como por meio da documentação colhida e acostada aos autos quando da realização dos trabalhos de campo (fls. 063/093, vol. II), foi apurado que os contratos n.º 567/09 e 226/10 foram totalmente pagos, sendo que o contrato n.º 225/10 foi pago parcialmente.

Por conseguinte, constata-se que o Dr. Leonardo no desempenho das suas atividades como Diretor do Centro de Atendimento Integrado à Saúde – CAIS, da Secretaria Municipal de Saúde, teria uma carga horária a cumprir de 48 (quarenta e oito) horas semanais. Constata-se, ainda, que como médico plantonista 24 (vinte e quatro horas), durante todo período dos exercícios financeiros de 2009 e 2010, por estar vinculado ao FMS por força de no mínimo 02 (dois) contratos, estaria obrigado a cumprir, uma carga horária de pelo menos 48 (quarenta e oito horas) semanais.

Dessa forma, verifica-se que durante todo exercício financeiro de 2009, bem como de 2010, o Dr. Leonardo Esteves exerceu o cargo de Diretor Técnico CC-04 do Centro de Atendimento Integrado de Saúde – CAIS e atuou, ainda, como médico plantonista 24 (vinte e quatro) horas, por força de no mínimo dois contratos ao mesmo tempo, implicando que o mencionado profissional exerceu atividades laborativas 96 (noventa e seis) horas semanais, por dois anos consecutivos.

Assim, pode se inferir que o Dr. Leonardo, em diversos momentos, não poderia ter prestado satisfatoriamente o serviço para o qual foi contratado e/ou nomeado, tendo em vista a impossibilidade estar em seu local de trabalho – como Diretor do CAIS e nos ambulatórios – tendo em vista a quantidade de horas semanais que estaria obrigado a cumprir.

Ademais, ressalta-se que a Administração do Fundo Municipal de Saúde ao celebrar os contratos para prestação de serviços médicos e nomear o Dr. Leonardo Esteves Ramos para o cargo de Diretor Técnico, não observou o disposto no artigo 28, §§ 1º e 2º, da Lei Federal n.º 8080/90, que estabelece o seguinte:

“Artigo 28 – Os cargos e funções de chefia, direção e assessoramento, no âmbito do Sistema Único de Saúde – SUS, só poderão ser exercidos em regime de tempo integral”.

§ 1º Os servidores que legalmente acumulam 2 (dois) cargos ou empregos poderão exercer suas atividades em mais de um estabelecimento do Sistema Único de saúde.

“§ 2º O disposto no parágrafo anterior aplica-se também aos servidores em regime de tempo integral, com exceção dos ocupantes de cargos ou funções de chefia, direção ou

assessoramento”.

Dessa forma, a contratação do Dr. Leonardo Esteves Ramos, para prestação de serviços médicos e de Diretor do CAIS, sem observar o disposto na Lei n.º 8080/90, caracteriza prática de ato ilegal, ilegítimo ou antieconômico, sujeitando o Gestor do Fundo Municipal de Saúde - FMS de Valparaíso de Goiás, Sr. Francisco Carvalho Martins, CPF n.º 692.937.243-91, à multa prevista no art. 47-A, inciso IV da LOTCM.” TEMA: Contrato com a empresa Red Falcon Transportes Ltda.:

Da defesa apresentada (fls. 464/531 vol. II) pela Prefeita Leda Borges de Moura (via Procurador):

“9.2. Em relação ao sub-item 6.3, resaltou que o contrato celebrado entre o Município de Valparaíso de Goiás e a Empresa Red Falcon Transportes Ltda., no valor de R$ 117.344,27 (cento e dezessete mil trezentos e quarenta e quatro reais e vinte e sete centavos), que fora julgado ilegal por meio da Resolução n.º 04522/09, encontra-se tramitando nesta Corte de Contas, em sede de Embargos de Declaração.

Dessa forma, conforme serão apreciados e conclusos nos autos dos Embargos Declaratórios, motivos não restam para a manutenção da ilegalidade do contrato, pois, embora ausente o Decreto de Dispensa de Licitação, houve a justificativa por parte do Chefe do Executivo, em todos os necessários termos afirmando a necessidade de

(7)

___________________________________________________________________________ dispensa de licitação e, ademais, conforme ficou demonstrado, a Empresa retificou o contrato regularizando o objeto contratado.

Concluindo que as irregularidades apontadas são meramente formais e não tem o condão de ensejar a ilegalidade do contrato em espeque. Entretanto, entende que as questões atinentes ao contrato serão elucidadas quando do julgamento dos Embargos de Declaração.

Da análise da Comissão de Inspeção:

“10.2. Acerca do contrato celebrado entre o Município de Valparaíso de Goiás e a Empresa Red Falcon Transporte Ltda., no valor de R$ 117.344,27 (cento e dezessete mil trezentos e quarenta e quatro reais e vinte e sete centavos), não obstante as alegações apresentadas pelo Recorrente verifica-se que o mencionado instrumento contratual foi julgado Ilegal por este Tribunal de Contas, por meio da Resolução 04522/09 – ILE. Posteriormente, foi interposto Recurso Ordinário (processo n.º 20834/10), tendo sido negado provimento, conforme Acórdão AC n.º 05821/11.

Em seguida, foram opostos Embargos de Declaração (processo n.º 04622/09 F2), com o objetivo de reformar a decisão proferida no Acórdão supramencionado. Entretanto, aos referidos Embargos foi negado provimento, mantendo o julgamento pela Ilegalidade do instrumento contratual avençado, de acordo com o Acórdão AC n.º 01052/12 (fls. 534/540, vol. II).

Assim sendo, conclui-se que, apesar de ter sido verificado pela Comissão de Inspeção que os serviços contratados estavam sendo prestados, nos procedimentos anteriores à contratação, ou seja, na fase do procedimento licitatório visando à contratação, a Administração do Fundo Municipal de Saúde não observou o disposto nos artigos 26 e 30, inciso II, da Lei Federal 8.666/93, pois não fizeram constar o Ato de Dispensa de Licitação e sua devida publicidade, bem como não se comprovou a qualificação técnica da Empresa Contratada.

Destarte, constata-se a não observância na formalização do procedimento licitatório, de formalidade determinada em Lei, sujeitando o Gestor do Fundo Municipal de Saúde - FMS de Valparaíso de Goiás, Sr. Francisco Carvalho Martins, CPF n.º 692.937.243-91, à multa prevista no art. 47-A, inciso XVI da LOTCM”.

Por fim, a Comissão de Inspeção concluiu nos seguintes termos:

“Por tudo que restou demonstrado, conclui-se que as contratações do Dr. Leonardo Esteves Ramos para prestação de serviços como médico plantonista 24 (vinte e quatro) horas e, ainda, a sua nomeação para o cargo de Diretor Técnico CC-04 do Centro de Atendimento Integrado de Saúde – CAIS, durante os exercícios financeiros de 2009 e 2010, não observaram os dispositivos consubstanciados no artigo 28, §§ 1º e 2º, da Lei Federal 8.080/90, sujeitando o Gestor do Fundo Municipal de Saúde - FMS de Valparaíso de Goiás, Sr. Francisco Carvalho Martins, CPF n.º 692.937.243-91, à multa prevista no artigo 47-A, inciso IV, da LOTCM.

Conclui-se, ainda, que o contrato celebrado entre o Município de Valparaíso de Goiás e a Empresa Red Falcon Transporte Ltda., mesmo após a interposição de Recurso Ordinário e de Embargos de Declaração, permanece com o julgamento pela ilegalidade, por esta Corte de Contas, conforme Acórdão AC n.º 01052/12, sujeitando o Gestor do Fundo Municipal de Saúde - FMS de Valparaíso de Goiás, Sr. Francisco Carvalho Martins, CPF n.º 692.937.243-91, à multa prevista no artigo 47-A, inciso IV, da LOTCM”.

Do exposto, em razão das duas irregularidades informadas nos dois parágrafos acima transcritos, a Comissão de Inspeção sugeriu a aplicação de duas

(8)

___________________________________________________________________________

____________________________________________________________________________________________________________

multas de R$ 5.000,00 cada, em desfavor do Sr. Francisco Carvalho Martins, quais sejam: a- Celebrar contrato para prestação de serviços médicos, nomeando, ainda, o mesmo profissional para ocupar cargo de Direção, b- Celebrar contrato para prestação de serviços por dispensa de licitação, sem, contudo, fazer constar o Ato de Dispensa de Licitação e sua devida publicidade, bem como não se comprovar a qualificação técnica da Empresa Contratada.

I.III – MANIFESTAÇÃO DA SECRETARIA DE FISCALIZAÇÃO

A Secretaria de Fiscalização emitiu, primeiramente, o Parecer nº 006/12 (fls. 554/556-vol.II)., onde oportunizou ao Gestor do FMS, Francisco Carvalho Martins, nova abertura de vista, para que exercesse o direito do contraditório e da ampla defesa quanto às multas sugeridas pela Comissão de Inspeção no Relatório Conclusivo de Inspeção nº 004/12.

Em seguida, a Secretaria de Fiscalização manifestou conclusivamente por meio do Certificado nº 049/12-SF (fls. 566/570, vol.II). Seguem abaixo os principais trechos:

TEMA: Contratos com Dr. Leonardo Esteves Ramos:

Quanto ao item 2.1, a SF emitiu o Parecer nº 0006/12 (fls. 541/543, vol. 2), com a finalidade de dar conhecimento ao Gestor do Fundo Municipal de Saúde de Valparaíso de Goiás acerca da multa sugerida pela Comissão de Inspeção no Relatório Conclusivo de Inspeção pela contratação do Dr. Leonardo Esteves Ramos para prestação de serviços médicos e de Diretor do CAIS sem observância da Lei nº 8.080/90.

O gestor limitou-se a repetir a manifestação, já apresentada quando do conhecimento do Relatório Preliminar de Inspeção, pela constitucionalidade do acúmulo dos cargos de médico plantonista e Diretor Técnico do CAIS.

Esta especializada observa que a Lei nº 8.080/90, em seu art. 28, é transparente em expor que os cargos de chefia, direção e assessoramento, no âmbito do sistema único de saúde, só poderão ser exercidos em regime de tempo integral.

Verificam-se precedentes desta Corte de Contas firmando a necessidade de compatibilidade de horários para acumulação de cargos, ainda que privativos de médicos (AC-CON nº 06085/10; RC nº 067/01; RC nº 059/98; RC nº 016/98; RC Nº 049/97; RC Nº 017/97; RC Nº 089/96; RC Nº 167/93; RC Nº 149/93).

Assim, a SF, quanto à acumulação indevida de cargos, acata o entendimento da Comissão de que a contratação do Dr. Leonardo Esteves Ramos, para prestação de serviços como médico plantonista em até três contratos simultâneos e, ainda, como Diretor do CAIS caracterizou prática ilegal, visto que os horários do cargo de médico plantonista 24h são incompatíveis com a exigência de tempo integral no cargo de Diretor do CAIS.

(9)

___________________________________________________________________________ TEMA: Contrato com a empresa Red Falcon Transportes Ltda.:

Quando ao item 2.3, esta Secretaria observa que a Comissão de Inspeção realizou análise superficial do contrato com a empresa Red Falcon e sugeriu a aplicação de multa ao gestor do FMS pela ausência de ato de dispensa de licitação e sua publicação e não comprovação da qualificação técnica da empresa contratada.

Esta Secretaria verifica que as falhas apontadas pela Comissão já foram objeto de análise de mérito quando do julgamento do contrato pela ilegalidade e na apreciação do recurso (RS 04522/09, AC 05821/11, AC 01052/12). Assim, a SF entende que para aplicação de multa necessária seria maior fundamentação da análise realizada pela Comissão, e dessa forma, não corrobora a sugestão de aplicação de multa da Comissão neste item.”

TEMA: Liquidação das despesas:

Em relação ao item 2.5, quanto à sugestão do Procurador de Contas para verificação da efetiva execução das despesas, esta Secretaria considera que da forma apresentada pela Comissão suas conclusões não foram respaldadas ou fundamentadas e, assim, esta Secretaria não corrobora o entendimento da Comissão neste item.

Nesse sentido, em divergência parcial com a Comissão de Inspeção, a Secretaria de Fiscalização pugnou somente pela aplicação de multa ao Gestor do FMS de Valparaíso de Goiás, no valor de R$5.000,00, relativo ao item 2.1 – acúmulo ilegal de cargo pelo médico Leonardo Esteves Ramos.

I.IV – MANIFESTAÇAO DO MINISTÉRIO PÚBLICO JUNTO AO TCM

O Ministério Público junto ao TCM manifestou conclusivamente por meio do Parecer nº 4415/2012 (fls. 571/573, vol. II). Seguem abaixo os principais argumentos:

“Dadas as conclusões a que chega a Comissão de Inspeção, bem como a Secretaria de Fiscalização, corroboramos parcialmente de tais entendimentos, pelo seguinte:

Como bem levantado pela Comissão de Inspeção na análise dos atos promovidos pelo gestor do Fundo Municipal de Saúde de Valparaíso de Goiás, são claras as irregularidades notadas, em especial quanto às infrações à Lei nº 8080/90.

Inobstante a previsão constitucional quanto à possibilidade de cumulação de cargos pelos profissionais de saúde com profissões regulamentadas, na forma do art. 37, XVI, c, da CF/88, a Lei nº 8080/90 que dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes, em seu art. 28, prevê a necessidade de exercício da função de direção em tempo integral, o que gera efetiva incompatibilidade de tal exercício com a prestação de serviço no cargo de médico plantonista 24 horas, de acordo com a situação verificada relativamente ao Sr. Leonardo Esteves Ramos, em clara infração à disposição legal supramencionada.

Tal conduta enseja imputação de multa ao gestor responsável na forma do art. 47-A, VIII, da Lei nº 15.958/07.

Quanto à contratação da empresa Red Falcon Transportes Ltda., como bem notado pela Comissão de Inspeção, inobstante ter se constatado a efetiva execução do contrato, tal se mostra julgado pela ilegalidade junto a este Tribunal, inclusive mantido tal julgamento em vias recursais. Ressalta-se, porém, que em nenhum momento fora

(10)

___________________________________________________________________________

____________________________________________________________________________________________________________

levantada sanção em desfavor do gestor responsável pela contratação considerada ilegal, o que se faz necessário e devido para o momento, também na forma do art. 47-A, VIII, da Lei nº 15.958/07.

No que tange aos demais tópicos objeto da Inspeção realizada, verifica-se não ter havido qualquer constatação relevante que demande maior atenção por parte deste Tribunal.

De tal forma, manifesta este Parquet pela homologação do Relatório Conclusivo de Inspeção nº 0004/2012 (fls. 117/129, vol. 01), pela multa levantada quanto à infração ao art. 28 da Lei nº 8080/90, acrescentando-se imputação de multa por infração à Lei nº 8.666/93, constatada da ilegalidade da contratação com Red Falcon Transportes Ltda. (RS nº 04522/09, AC nº 05821/11 e AC nº 01052/12), na forma do acima levantado.”

Ante o exposto, o MPjTCM corroborou integralmente com o entendimento manifestado pela Comissão de Inspeção.

É o Relatório.

II – FUNDAMENTAÇÃO

II.I – INTRODUÇÃO

Tratam-se os presentes autos de Inspeção Simples, no Fundo Municipal de Saúde de Valparaíso de Goiás, determinada pelo Acórdão nº 03743/10 (fls. 04/06, vol. I) prolatado em 30/07/2009 por este TCM, no Processo nº 11626/09 (juntado aos presentes autos) que tratou de denúncia contida no Relatório de Irregularidades (fls. 09/16-vol.I) produzido pelo Conselho Municipal de Saúde de Valparaíso de Goiás. Portanto, os presentes autos foram autuados para realização de inspeção visando a apuração de possíveis irregularidades praticadas no Fundo Municipal de Saúde, nos exercícios 2008/2010.

Foi realizada a inspeção in loco nos dias 14 a 18 de março de 2011.

Os fatos a serem apurados são, em síntese, os seguintes:

1. Possível acúmulo indevido de cargo pelo Sr. Leonardo Esteves Ramos, Diretor Técnico do CAIS, médico pediatra e clínico geral;

2. Realização de despesas com aquisição de equipamentos – roçadeiras – e com serviços de terraplanagem e plantio de grama, que não teriam relação com as atividades relacionadas às ações e serviços públicos de saúde e, portanto, não poderiam estar empenhadas no âmbito do FMS;

3. Realização de despesas sem serem precedidas do competente procedimento licitatório, contrariando o disposto na lei federal 8.666/93.

(11)

___________________________________________________________________________

Também foi analisado um quinto item:

5. Verificação de liquidação de despesas em consideração ao acrescentado pelo Procurador de Contas ao Plano de Trabalho, sendo que quanto a este ponto a Comissão de Inspeção informa o seguinte:

“A Comissão de Inspeção, além das aferições constantes dos sub-itens 6.1, 6.2, 6.3 e 6.4 que também foram analisados levando em consideração o que foi acrescentado pelo Nobre Procurador de Contas ao Plano de Trabalho elaborado para a Inspeção em epígrafe, selecionou mais algumas despesas a fim de verificar suas efetivas liquidações (fls. 221, 421 e 423), constatando que os materiais foram recebidos e integrados ao patrimônio do Município, conforme fotos (fls. 458/459, vol. 2).” ( ver Relatório Preliminar de Inspeção nº 031/2011 - fls. 452/460, vol. II)

II.II – MÉRITO

Nos relatos apresentados no Relatório Preliminar de Inspeção nº 31/2011-AFISC (fls.452/459, vol.II) evidenciaram-se as seguintes irregularidades:

1 – Possível acúmulo indevido de cargo pelo Sr. Leonardo Esteves Ramos, Diretor Técnico do CAIS, médico pediatra e clínico geral.

Comissão de Inspeção (análise preliminar): O Dr. Leonardo Esteves Ramos foi nomeado mediante Decreto n.º 101/2009 (fl. 002, vol. II), de 15/01/2009, para o cargo de Diretor Técnico CC-04 do Centro de Atendimento Integrado de Saúde – CAIS.

Ainda no exercício financeiro de 2009, o referido profissional esteve vinculado ao Fundo Municipal de Saúde de Valparaíso de Goiás, como médico plantonista, por força dos Contratos n.º 33/09, 55/09 e 68/09 (fls. 004/038, vol. II), sendo que em 06/11/2009 foi celebrado o Contrato n.º 567/09 (fls. 042/046, vol. II), com termo inicial em 06/11/2009 e termo final em 04/11/2010. Verifica-se, portanto, que durante o exercício financeiro de 2009 houve períodos em que o Dr. Leonardo esteve vinculado ao FMS de Valparaíso de Goiás por força de até 4 contratos e, ainda, ocupando o cargo de Diretor Técnico. Entretanto, compulsando o Sistema de Informática deste Tribunal de Contas (fls. 425/433, vol. II), foi constatado que não foram efetuados pagamentos relativos ao Contrato nº 33/2009.

No exercício financeiro de 2010 foi verificado que além do Contrato n.º 567/2009, que teve vigência a partir de 06/11/2009 até 04/11/2010, portanto durante

(12)

___________________________________________________________________________

____________________________________________________________________________________________________________

quase todo o exercício financeiro de 2010, o Dr. Leonardo manteve vínculo com o FMS por força de mais dois Contratos: 225/10 e 226/10 (fls. 063/093, vol. II), ambos com termo inicial em 01/04/2010 e termo final em 31/12/2010. Dessa forma, foi constatado que durante os meses de abril a outubro de 2010 o referido profissional manteve vínculo o FMS por força de 3 contratos de prestação de serviços médicos, além de ocupar o cargo de Diretor Técnico CC-04 do Centro de Atendimento Integrado de Saúde – CAIS. Em pesquisa ao Sistema TCM – SICOM (fls. 434/445, vol. II), bem como por meio da documentação colhida e acostada aos autos quando da realização dos trabalhos de campo (fls. 63/93, vol. II), foi apurado que os Contratos nº 567/09 e nº226/10 foram totalmente pagos, sendo que o Contrato nº225/10 foi pago parcialmente.

O Art. 37 da Constituição Federal prevê a possibilidade do acúmulo de dois cargos privativos de médicos, desde que haja compatibilidade de horário. Entretanto, o que está aparentemente evidenciado é a ocorrência de acúmulo indevido de cargos, posto que o Dr. Leonardo além de ocupar cargo de Diretor Técnico, manteve, em determinados períodos dos exercícios financeiros de 2009 e 2010, vínculo com o FMS de Valparaíso de Goiás por força de 3 contratos.

A Comissão de Inspeção obteve cópias de procedimentos realizados pelo Dr. Leonardo durante os meses de agosto a outubro de 2010, com cerca de 130 atendimentos realizados pelo referido profissional (fls. 103/219, vol. II), em diversas situações clínicas, evidenciando que o médico vem efetuando a prestação dos serviços avençados. Constatou-se que o Dr. Leonardo está inscrito no Conselho Regional de Medicina–CRM, n.º 13.996/GO, conforme Certidão expedida pelo CRM (fl. 072, vol. II).

Comissão de Inspeção (análise conclusiva): Exercício de 2009: durante o período de 01/02/2009 a 31/12/2009, o Dr. Leonardo esteve vinculado ao Fundo Municipal de Saúde por força de 2 contratos: Contratos nº 55/09 e nº 68/09, sendo que o Contrato nº 33/09, mencionado no Relatório Preliminar 31/2011 (fls. 452/459, vol. II), na realidade não existe, tendo ocorrido, apenas, erro na aposição da numeração nas notas de pagamentos (fls. 004/013, vol. II), tendo em vista que ao invés de constar nas mencionadas notas “Contrato n.º 55/2009”, constou “Contrato nº 33/2009”.

(13)

___________________________________________________________________________ A partir de 06/11/2009, por força do Contrato n.º 567/2009 (fls. 042/046, vol. II), o Dr. Leonardo passou a estar vinculado com o FMS de Valparaíso de Goiás, como médico plantonista 24 horas do CAIS, com carga horária de 24h semanais.

O Dr. Leonardo também esteve vinculado ao FMS a partir de 15/01/2009, como Diretor do Centro de Atendimento Integrado à Saúde – CAIS, da Secretaria Municipal de Saúde, conforme Decreto n.º 101/2009 (fl. 002, vol. II).

No exercício de 2010 foi verificado que além do Contrato n.º 567/2009, que teve vigência a partir de 06/11/2009 até 04/11/2010, portanto durante quase todo o exercício de 2010, o Dr. Leonardo manteve vínculo com o FMS por força de mais dois Contratos: 225/10 e 226/10 (fls. 063/093, vol. II), ambos com termo inicial em 01/04/2010 e termo final em 31/12/2010. Dessa forma, ficou constatado que durante os meses de abril a outubro de 2010 o referido profissional manteve vínculo o FMS por força de 3 contratos de prestação de serviços médicos, além de ocupar o cargo de Diretor Técnico CC-04 do Centro de Atendimento Integrado de Saúde – CAIS.

Em pesquisa ao Sistema TCM – SICOM (fls. 434/445, vol. II), bem como por meio da documentação colhida e acostada aos autos quando da realização dos trabalhos de campo (fls. 63/93, vol. II), foi apurado que os Contratos nº 567/09 e nº226/10 foram totalmente pagos, sendo que o contrato nº 225/10 foi pago parcialmente.

Dessa forma, verifica-se que durante todo exercício financeiro de 2009, bem como de 2010, o Dr. Leonardo exerceu o cargo de Diretor Técnico CC-04 do Centro de Atendimento Integrado de Saúde – CAIS e atuou, ainda, como médico plantonista 24horas, por força de no mínimo dois contratos ao mesmo tempo, implicando que o mencionado profissional exerceu atividades laborativas 96 horas semanais, por dois anos consecutivos. Assim, pode se inferir que o Dr. Leonardo não poderia ter prestado o serviço para o qual foi contratado e/ou nomeado, tendo em vista a impossibilidade estar em seu local de trabalho – como Diretor do CAIS e nos ambulatórios – tendo em vista a quantidade de horas semanais que estaria obrigado a cumprir.

Portanto, o Fundo Municipal de Saúde ao celebrar os contratos para prestação de serviços médicos e nomear o Dr. Leonardo Esteves Ramos para o cargo de Diretor Técnico, não observou o disposto no art. 28, §§ 1º e 2º, da Lei Federal n.º 8080/90, que estabelece o seguinte:

(14)

___________________________________________________________________________

____________________________________________________________________________________________________________

“Artigo 28 – Os cargos e funções de chefia, direção e assessoramento, no âmbito do Sistema Único de Saúde – SUS, só poderão ser exercidos em regime de tempo integral”.

§ 1º Os servidores que legalmente acumulam 2 (dois) cargos ou empregos poderão exercer suas atividades em mais de um estabelecimento do Sistema Único de saúde.

§ 2º O disposto no parágrafo anterior aplica-se também aos servidores em regime de tempo integral, com exceção dos ocupantes de cargos ou funções de chefia, direção ou assessoramento”.

Dessa forma, a contratação do Dr. Leonardo Esteves Ramos, para prestação de serviços médicos e de Diretor do CAIS, sem observar o disposto na Lei n.º 8080/90, praticou ato ilegal, ilegítimo ou antieconômico, sujeitando o Gestor do Fundo Municipal de Saúde - FMS de Valparaíso de Goiás, Francisco Carvalho Martins, CPF n.º 692.937.243-91, à multa prevista no art. 47-A, inciso IV da LOTCM, no valor de R$5.000,00.

Secretaria de Fiscalização: Concordou com a Comissão de Inspeção, acordando com a sugestão de multa de R$5.000,00 ao Gestor do FMS de Valparaíso de Goiás.

Ministério Público junto ao TCM: Concordou com a Comissão de Inspeção e Secretaria de Fiscalização, acordando com a sugestão de multa de R$5.000,00 ao Gestor do FMS de Valparaíso de Goiás.

Relator: Divirjo da manifestação da Comissão de Inspeção e daqueles que a seguiram.

Vejamos como tudo começou. Provavelmente em julho de 2009 o Conselho Municipal de Saúde de Valparaíso de Goiás emitiu um Relatório de Irregularidades (fls. 09/16-vol. I) por meio do qual apontou as irregularidades objeto da presente inspeção simples, entre elas a suposta irregularidade concernente à contratação do médico Dr. Leonardo Esteves Ramos. Cumpre notar que a Comissão de Inspeção em suas conclusões quanto a este ponto apenas corrobora tudo o que apontado no mencionado Relatório de Irregularidade. Vejamos o que o citado Relatório de Irregularidades disse sobre a situação do Dr. Leonardo: que a principal causa da precariedade dos serviços de saúde é a forma de composição do quadro de pessoal da Secretaria Municipal de Saúde na medida em que predomina a contratação de profissionais de saúde sem concurso público de moda a favorecer a prevalência de interesses corporativos sobre interesses coletivos; que a título de exemplo cita o caso do Dr. Leonardo; que o Dr. Leonardo teve acesso ao serviço público sem concurso público; que com base em informação do TCM o Dr. Leonardo firmou em 2009 os Contratos nº 55/2009 (fls. 14-vol. II) e nº 68/2009 (fls. 20-vol.II), ambos de médico plantonista 24h,

(15)

___________________________________________________________________________ sendo um Clínico Geral e outro Pediatra; que o Dr. Leonardo é também Diretor Técnico do Cais; que o Dr. Leonardo não tem registro no CRM/GO; que o Dr. Leonardo discute e grita com os pacientes; que o Dr. Leonardo permite que enfermeiros façam a triagem dos pacientes para atendimento emergencial, serviço que deve ser feito por um médico; que não a controle de frequência do médico; que a remessa ao Conselho das folhas de frequência foram negadas; que o Dr. Leonardo tem forte apoio da Prefeita e por isso ameaça de exoneração outros profissionais; que na atual gestão o Dr. Leonardo indicou todos os médicos contratados; que os médicos são contratados sem concurso público; que não sabe se as contratações obedecem a Lei nº 8666/93; que outros profissionais de saúde (enfermeiros, auxiliares de enfermagem) também são contratados sem concurso público; que segundo o art. 37, inc. II, da CF, existe a obrigatoriedade do concurso público; que a forma de contratação que se realiza no município tem por objetivo desviar-se da obrigatoriedade do concurso público; que a situação do Dr. Leonardo contraria o espírito moralizador do art. 28, §§1º e 2º, da Lei Federal nº 8080/90; que o art. 39 da CF obriga a organização dos servidores em carreiras; que a administração municipal anda na contramão da vontade da sociedade pois não faz concurso público nem organiza os servidores em carreiras; que a administração municipal não cumpre a Portaria nº 1318/2007 do Ministério da Saúde que estabelece diretrizes nacionais para a instituição de planos de carreiras no âmbito do SUS.

Cabe informar que no Relatório de Irregularidades do CMS-Valparaíso de Goiás consta inclusive a transcrição do art. 28, §§1º e 2º, da Lei Federal nº 8080/90, que foi o fundamento que serviu de base para que a Comissão de Inspeção chegasse à conclusão de que a contratação do Dr. Leonardo seria ilegal. Incumbe evidenciar que nem mesmo o Relatório de Irregularidades chega ao ponto de afirmar que a contratação do Dr. Leonardo viola o texto da lei, se limitando a afirmar que “a situação do médico Leonardo Esteves Ramos que ocupa diversas funções contraria o espírito moralizador da legislação pertinente à administração pública, inclusive, tendo em vista o disposto no art. 28, da Lei Federal nº 8080, de 19 de setembro de 2009 e seus respectivos parágrafos 1º e 2º”.

(16)

___________________________________________________________________________

____________________________________________________________________________________________________________

Perspicaz a interpretação da norma legal feita pelo CMS-Valparaíso de Goiás quando não detectou a violação ao texto da lei, mas somente ao seu espírito moralizador. Vejamos o texto da Lei nº 8080/90:

“Artigo 28 – Os cargos e funções de chefia, direção e assessoramento, no âmbito do Sistema Único de Saúde – SUS, só poderão ser exercidos em regime de tempo integral.

§ 1º Os servidores que legalmente acumulam 2 (dois) cargos ou empregos poderão exercer suas atividades em mais de um estabelecimento do Sistema Único de saúde.

§ 2º O disposto no parágrafo anterior aplica-se também aos servidores em regime de tempo integral, com exceção dos ocupantes de cargos ou funções de

chefia, direção ou assessoramento”.

Cumpre notar que a situação do Dr. Leonardo não se enquadra na vedação legal, pois o Dr. Leonardo ocupa um cargo comissionado de Diretor Técnico e simultaneamente foi contratado em dois contratos como médico plantonista de 24h (contrato de credenciamento). Portanto, sua situação não se enquadra no disposto no §1º acima transcrito porque ele ocupa apenas um cargo ou emprego público que é o cargo comissionado de Diretor Técnico, enquanto os dois contratos firmados são contratos de prestação de serviço, que não se confundem com cargo ou emprego público. Assim, a vedação contida no §2º, que estabelece que o ocupante de um cargo de direção (regime de tempo integral = 8 horas diárias) não pode acumular com outro cargo ou emprego público, não se aplica ao caso do Dr. Leonardo. Portanto, não restou violado o disposto no art. 28 e §§1º e 2º, da Lei Federal nº 8080/90. Não prospera a conclusão a que chegou a Comissão de Inspeção, que inclusive serviu de fundamento para a sugestão de multa, de que houve violação ao art.28, §§1º e 2º, da Lei nº 8080/90. Improcedente a denúncia.

2 – Realização de despesas com aquisição de equipamentos – roçadeiras – e com serviços de terraplanagem e plantio de grama, que não teriam relação com as atividades relacionadas às ações e serviços públicos de saúde e, portanto, não poderiam estar empenhadas no âmbito do FMS.

Comissão de Inspeção (análise preliminar): As roçadeiras adquiridas com recursos oriundos do Fundo Municipal de Saúde foram vistoriadas pela Comissão de Inspeção, sendo que uma estava na Sede do referido Fundo e a outra estava sendo utilizada na

(17)

___________________________________________________________________________ poda do gramado localizado no Hospital que está sendo construído no bairro denominado Céu Azul, fato inspecionado fisicamente pela Comissão.

Os serviços de terraplanagem e plantio de grama foram efetuados na área externa no Hospital CAIS, localizado no Bairro denominado Céu Azul sendo, portanto, despesas destinadas ao benefício de Unidades de Saúde do Município.

Ademais, cumpre destacar que no exercício financeiro de 2008, período em que as referidas despesas foram realizadas, as aplicações nas ações e serviços públicos de saúde superaram o índice mínimo de 15%, estabelecido legalmente, conforme certificação da Auditoria de Contas Mensais de Gestão (fls. 446/447, vol. II), mesmo com a exclusão das mencionadas despesas, dentre as consideradas para fins de aplicação.

Dessa forma, a comissão considerou improcedente a denúncia no que concerne a este item.

Comissão de Inspeção (análise conclusiva): Improcedência da denúncia no que concerne este item.

Secretaria de Fiscalização: Concordou com a Comissão de Inspeção.

Ministério Público junto ao TCM: Concordou com a Secretaria de Fiscalização.

Relator: Comungo com as manifestações da Comissão de Inspeção, da Secretaria de Fiscalização e do Ministério Público junto ao TCM.

3 – Realização de despesas sem serem precedidas do competente procedimento licitatório, contrariando o disposto na Lei nº 8.666/93.

Comissão de Inspeção (análise preliminar): a Comissão de Inspeção elegeu as seguintes despesas do FMS do Município de Valparaíso de Goiás, visando aferir se as mesmas haviam sido precedidas das respectivas licitações: Belcar Veículo, no valor de R$ 138.550,00 (2009); Atlanta Segurança Ltda., no valor de R$ 70.400,00 (2010); Super W. G Locação de Mão de Obra Ltda., no valor de R$ 76.800,00 (2010) e Red Falcon Transporte Ltda., no valor de R$ 117.344,27 (2009), constatando as seguintes situações:

- a despesa com a Belcar Veículo Ltda. destinou-se a aquisição de 3 veículos, foi precedida de licitação na modalidade “Pregão Eletrônico”, sendo que o referido

(18)

___________________________________________________________________________

____________________________________________________________________________________________________________

procedimento foi registrado neste Tribunal de Contas e julgado LEGAL, conforme Resolução RS nº 05818/09 (fl. 221, vol. II).

- a despesa com a Atlanta Segurança Ltda., no valor de R$ 70.400,00, visando à contratação de empresa especializada na prestação de serviços de vigilância armada no Hospital localizado no Bairro Céu Azul, foi precedida de licitação na modalidade “Convite” (fls.232/304-vol.II), formalizada conforme consubstancia a Lei nº 8.666/93. Cumpre ressaltar que dentre os aspectos reportados nos autos da denúncia há referência sobre a contratação de prestação de serviços de vigilância sem que os serviços correspondentes estivessem sendo prestados. Assim, cabe esclarecer que os serviços foram contratados para a realização de vigilância armada no Hospital que está sendo construído no Bairro Céu Azul, em fase de acabamento. Segundo servidores e o próprio Gestor do FMS, a contratação foi necessária tendo em vista que a mencionada Unidade de Saúde já faz bastante tempo que vem sendo construída e em Administrações anteriores, sofria reiteradas ações de vândalos que depredavam o local e furtavam peças que já haviam sido instaladas, como vasos sanitários, lavatórios, janelas, instalações elétricas, dentre outros. A Comissão inspecionou fisicamente o referido Hospital, em dois horários distintos e verificou que em ambas as oportunidades, havia a presença do Agente responsável pela segurança do local. - a despesa com o Super W. G Locação de Mão de Obra Ltda., no valor de R$ 76.800,00, para a contratação de prestação de serviços de limpeza no Hospital CAIS e no Posto de Saúde do Jardim Céu Azul foi precedida de licitação na modalidade “Convite” (fls.305/402-vol.II), formalizada conforme consubstancia a Lei nº 8.666/93. A Comissão realizou inspeção física nas Unidades de Saúde mencionadas constatou que os serviços de conservação e limpeza são realmente terceirizados, não havendo servidores do município realizando serviços dessa natureza.

- a despesa com a Red Falcon Transportes Ltda., no valor de R$ 117.344,27, para capina, limpeza de terreno e transporte de entulhos, foi objeto de dispensa de licitação com fundamento no que dispõe o Art. 24 inc. IV, da Lei nº 8.666/93 e na Decisão Plenária nº 89/08 - TCM, sendo que o contrato foi enviado a esta Corte de Contas para efeito de análise e registro (Processo nº 04622/09), tendo sido julgado ILEGAL (Resolução RS nº 04522/09 – fls. 117/118-vol.I).

Comissão de Inspeção (análise conclusiva): o contrato com a empresa Red Falcon Transporte Ltda., no valor de R$ 117.344,27, para capina, limpeza de terreno e

(19)

___________________________________________________________________________ transporte de entulhos, foi julgado ILEGAL pelo TCM (Resolução 04522/09 - fls. 117/118-vol.I). Posteriormente, foi interposto Recurso Ordinário (Processo nº 20834/10), tendo sido negado provimento (Acórdão AC n.º 05821/11). Em seguida, foram opostos Embargos de Declaração (Processo nº 04622/09-Fase2), tendo sido negado provimento (Acórdão AC nº 01052/12 -fls. 534/540, vol. II). Assim, apesar de a Comissão de Inspeção ter verificado que os serviços contratados estavam sendo prestados, constatou-se que, na fase do procedimento licitatório visando à contratação, o Fundo Municipal de Saúde não observou o disposto nos art. 26 e art.30, inc. II, da Lei nº 8666/93, pois não fez constar do procedimento o Ato de Dispensa de Licitação e sua devida publicação, bem como não se comprovou a qualificação técnica da empresa contratada. Destarte, concluiu que a não observância, na formalização do procedimento licitatório, de formalidade determinada em lei, sujeita o Gestor do Fundo Municipal de Saúde de Valparaíso de Goiás, Francisco Carvalho Martins, CPF n.º 692.937.243-91, à multa prevista no art. 47-A, inciso XVI da LOTCM, no valor de R$5.000,00.

Secretaria de Fiscalização: A Secretaria verificou que as falhas apontadas pela Comissão já foram objeto de análise de mérito quando do julgamento do contrato pela ilegalidade e na apreciação do recurso (RS 04522/09 - fls. 117/118-vol.I, AC 05821/11, AC 01052/12). Dessa forma, não corrobora a sugestão de aplicação de multa da Comissão.

Ministério Público junto ao TCM: Concordou com a Comissão de Inspeção sugerindo a aplicação de multa, no valor de R$5.000,00.

Relator: Comungo com a manifestação da Secretaria de Fiscalização, não corroboro a sugestão de aplicação de multa da Comissão neste item porque a análise da legalidade do procedimento licitatório já foi submetida a apreciação deste TCM quando do julgamento como ILEGAL do referido contrato no Processo nº 04622/09 (Resolução nº 04522/09 – fls. 117/118-vol.I), inclusive um dos motivos da ilegalidade foi justamente a ausência do ato de dispensa sem que se tenha aplicado multa. Cabe também observar que o contrato foi celebrado em 02/01/2009, quando a Lei Estadual nº 16.467/2009, que passou a prever a aplicação de multas pelo TCM, ainda não vigia.

(20)

___________________________________________________________________________

____________________________________________________________________________________________________________

4 – Suposta precariedade no funcionamento das Unidades de Saúde do Município de Valparaíso de Goiás.

Comissão de Inspeção (análise preliminar): Com o objetivo de apurar a realidade dos aspectos reportados na denúncia, a Comissão de Inspeção, utilizando o pouco tempo de que dispunha, realizou inspeção física em duas dentre as Unidades de Saúde do Município de Valparaíso de Goiás, ou seja, Hospital CAIS e Posto de Saúde do Jardim Céu Azul, com o intuito de verificar a suposta precariedade no funcionamento das referidas Unidades.

Tanto no Hospital CAIS quanto no Posto de Saúde, a Comissão percebeu um número muito grande de pacientes a espera de atendimento, embora houvesse profissionais de saúde em pleno desenvolvimento de suas atividades, ocupando todos os consultórios existentes.

Verificou que as dependências são constantemente higienizadas pelos profissionais que prestam serviço na limpeza, possui cozinhas amplas e arejadas, com refeitório para os profissionais que prestam serviços no local. Contam com farmácia básica dirigida por farmacêutica devidamente habilitada que mantém, por meio de fichas próprias, o efetivo controle de entrada e saída de medicamentos, cuja entrega só se realiza mediante receita médica.

Constatou, ainda, que no prédio onde funciona o FMS há uma central devidamente climatizada onde os medicamentos são armazenados e, conforme a demanda, distribuídos para as Unidades de Saúde do Município, havendo um rigoroso controle acerca da guarda e entrega de medicamentos controlados, bem como quanto ao estoque em geral, de maneira que os medicamentos que chegam primeiro à central são, também, os primeiros a sair, mantendo sempre um estoque dentro da data de validade, evitando, consequentemente, o desperdício de medicamento.

Na oportunidade da visita às Unidades de Saúde, a Comissão solicitou cópias de 3 Guias de Atendimentos de Emergência – GAE, referentes a procedimentos efetuados naquele dia, ou seja, 16 de março de 2011, em pacientes selecionados de forma aleatória, com objetivo de verificar o nível de satisfação dos mencionados pacientes com os serviços prestados (fls. 416/418, vol. II).

O Sr. Altamir Silva Pereira dos Santos (fl. 416, vol. II), foi visitado pessoalmente em sua residência, sendo-lhe solicitado que fizesse uma avaliação sobre

(21)

___________________________________________________________________________ o grau de satisfação com o atendimento que lhe fora dispensado, respondendo que em uma escala de zero a dez, atribuiria dez, tendo em vista que foi atendido e medicado, verificando, inclusive, melhoras nos sintomas que o afligia.

O Sr. Sebastião Martins Coelho (fl. 417, vol. II), foi visitado pessoalmente, entretanto quem respondeu por ele foi sua filha que considerou o atendimento muito bom, posto que seu pai fora prontamente atendido, medicado e já apresentava melhoras no quadro de hipertensão que o levou a procurar atendimento médico.

A Sra. Regina Célia Morais Ferreira (fl. 418, vol. II), foi contatada por telefone, reclamou de demora do atendimento, entretanto afirmou ter sido atendida e medicada.

Por conseguinte, em que pesem as peculiaridades que são inerentes aos municípios do entorno do Distrito Federal, a Comissão considerou que as Unidades de Saúde inspecionadas fisicamente funcionam de maneira satisfatória.

Ademais, ressaltou que os valores aplicados pelo Município de Valparaíso de Goiás nas Ações e Serviços Públicos de Saúde nos exercícios financeiros de 2008, 2009 e 2010 superaram o limite estabelecido na Constituição, conforme certificação da Auditoria de Contas Mensais de Gestão (fls. 446/450, vol. II).

Dessa forma, a Comissão de Inspeção considerou improcedente a denúncia no que tange a este item.

Comissão de Inspeção (análise conclusiva): manteve a manifestação pela improcedência da denúncia.

Secretaria de Fiscalização: Concordou com a Comissão de Inspeção.

Ministério Público junto ao TCM: Concordou com a Secretaria de Fiscalização.

Relator: Comungo com as manifestações da Comissão de Inspeção, da Secretaria de Fiscalização e do Ministério Público junto ao TCM.

No Plano de Trabalho Referencial nº 015/2011-AFISC (fls. 110/112, vol. 1), o MPjTCM solicitou que fossem verificados se os bens adquiridos foram entregues e/ou serviços prestados:

(22)

___________________________________________________________________________

____________________________________________________________________________________________________________

5 - Verificação de liquidação de despesas.

Comissão de Inspeção (análise preliminar): em consideração ao acrescentado pelo Procurador de Contas ao Plano de Trabalho, algumas despesas foram selecionadas a fim de verificar suas efetivas liquidações. Foram selecionadas despesas com as empresas Belcar Veículos Ltda., M.R.B. da Silva Informática Ltda. e RGB de Oliveira EPP, sobre as quais a Comissão informou ter constatado que os materiais foram recebidos e integrados ao patrimônio do Município.

Comissão de Inspeção (análise conclusiva): manteve sua manifestação de que as despesas foram regularmente liquidadas.

Secretaria de Fiscalização: Quanto à sugestão do Procurador de Contas para verificação da efetiva execução das despesas, esta Secretaria considerou que da forma apresentada pela Comissão suas conclusões não foram respaldadas ou fundamentadas e, assim, não corroborou o entendimento da Comissão neste item. Ministério Público junto ao TCM: Entende que não houve qualquer constatação relevante que demande maior atenção por parte deste Tribunal.

Relator: Comungo com a manifestação do Ministério Público junto ao TCM.

Observação: Cabe informar que o Balancete de Dezembro de 2009 do FMS de Valparaíso de Goiás (Processo nº 04660/10) se encontra sobrestado neste TCM em razão do presente inspeção.

III – PROPOSTA

Amparado na fundamentação supra, nos termos do artigo 85, § 1º da Lei 15.958/2007, com redação acrescida pela Lei 17.288/2008/2010, art. 83 do Regimento Interno, regulamentado pela Resolução Administrativa nº 232/2008/2010, em conformidade com a Portaria nº 557/2008/2010 que disciplina a aplicação do inciso IV do art. 6º da referida Resolução Administrativa 232/2008/2010, faço a seguinte PROPOSTA DE DECISAO para estes autos:

1. HOMOLOGAR PARCIALMENTE o Relatório Conclusivo de Inspeção nº 004/2012 (fls. 535/547, vol. II), acompanhando-o para i - CONSIDERAR IMPROCEDENTE a denúncia, nos seguintes pontos, porque: a) a realização de despesas com aquisição de equipamentos e com serviços de terraplanagem e plantio de grama, constatou-se ter relação com as atividades relacionadas às ações e serviços

(23)

___________________________________________________________________________ públicos de saúde e, portanto, podem ser empenhada no âmbito do FMS; b) não constatou-se a precariedade no funcionamento das Unidades de Saúde do Município de Valparaíso de Goiás; c) os contratos com Belcar Veículo Ltda. , Atlanta Segurança Ltda. , e Super W. G Locação de Mão de Obra Ltda. foram precedidos dos competentes procedimentos licitatórios; bem como para ii - CONSIDERAR que: d) houve a regular liquidação das despesas do FMS selecionadas pela Comissão de Inspeção; no entanto, divergir do mencionado Relatório para também CONSIDERAR IMPROCEDENTE a denúncia no seguinte ponto: e) acumulação indevida de cargos públicos pelo Dr. Leonardo Esteves Ramos como Diretor Técnico do CAIS, Médico Pediatra e Clínico Gera; também divergir do citado Relatório para CONSIDERAR PREJUDICADA a denúncia quanto f) ao contrato com a empresa Red Falcon Transportes Ltda. de modo deixar de aplicar multa de R$5.000,00, ao Sr. Francisco Carvalho Martins, Gestor do Fundo Municipal de Saúde, referente ao contrato celebrado em 02/01/2009 com a empresa Red Falcon Transportes Ltda, no valor de R$ 117.344,27, pois tal contrato já foi objeto de apreciação neste Tribunal, com o julgamento pela ilegalidade, por meio da RS nº 04522/09, e na época não foi imputada multa porque a Lei Estadual nº 16.467/09, que prevê a aplicação de multas pelo TCM, ainda não estava vigente;

2. ENCAMINHAR cópia do presente ato resolutivo ao Gestor do FMS de Valparaíso de Goiás, Sr. Francisco de Carvalho Martins, bem como ao Conselho Municipal de Saúde de Valparaíso de Goiás;

3. JUNTAR cópia do presente acórdão ao Processo nº 04660/10 que trata do Balancete de Dezembro de 2009 do FMS de Valparaíso de Goiás;

4. DETERMINAR o arquivamento dos autos.

É a proposta.

Mauricio Oliveira Azevedo Conselheiro Substituto – Relator

Referências

Documentos relacionados

Para aprofundar a compreensão de como as mulheres empreendedoras do município de Coxixola-PB adquirem sucesso em seus negócios, aplicou-se uma metodologia de

esta espécie foi encontrada em borda de mata ciliar, savana graminosa, savana parque e área de transição mata ciliar e savana.. Observações: Esta espécie ocorre

O valor da reputação dos pseudônimos é igual a 0,8 devido aos fal- sos positivos do mecanismo auxiliar, que acabam por fazer com que a reputação mesmo dos usuários que enviam

2.1. Disposições em matéria de acompanhamento e prestação de informações Especificar a periodicidade e as condições. A presente decisão será aplicada pela Comissão e

Para preparar a pimenta branca, as espigas são colhidas quando os frutos apresentam a coloração amarelada ou vermelha. As espigas são colocadas em sacos de plástico trançado sem

5 “A Teoria Pura do Direito é uma teoria do Direito positivo – do Direito positivo em geral, não de uma ordem jurídica especial” (KELSEN, Teoria pura do direito, p..

O presente trabalho tem como objetivo geral analisar como instrumentos interativos podem contribuir no processo de aprendizado e do desenvolvimento do indivíduo,

O CES é constituído por 54 itens, destinados a avaliar: (a) cinco tipos de crenças, a saber: (a1) Estatuto de Emprego - avalia até que ponto são favoráveis, as