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ABRIGOS MULTIFUNCIONAIS PARA ANIMAIS SILVESTRES

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Academic year: 2021

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ABRIGOS MULTIFUNCIONAIS PARA ANIMAIS SILVESTRES

Área temática: Meio Ambiente. Autores (as): Brunna Ribeiro Silva1, Adriana Cristina de Faria2, Ingrid Lima da Silva3,

Janaína Januário da Silva4, Sandra Helena Ramiro Corrêa5. Coordenador (a): José Ricardo de Souza6.

RESUMO: Procurar melhorar as condições físicas de recintos para animais silvestres

em zoológicos ou afins é sempre um desafio, pois nada se compara a sua vida livre no ambiente natural. O bem-estar não pode ser dado a nenhum animal, entretanto, as condições oferecidas devem permitir a expressão do comportamento natural da espécie, conforto e segurança ao máximo possíveis. Nesta perspectiva, o projeto ZooAÇÃO, que integra ações de educação ambiental e enriquecimento ambiental com foco no bem-estar-animal, desenvolveu abrigos multifuncionais no Centro de Medicina e Pesquisa de Animais Silvestres (CEMPAS) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Com objetivo de promover o bem-estar animal no CEMPAS, antigo zoológico da UFMT, por meio do enriquecimento ambiental, foi realizado de forma interdisciplinar envolvendo as áreas de biologia, medicina veterinária e zootecnia. Assim, foram planejados e construídos abrigos multifuncionais que pudessem atender os fundamentos de: conforto (térmico, sonoro e luminoso), biossegurança, abrigo e refúgio para o espécime, cambiamento (para contenção segura do espécime), facilidade de manejo, baixo custo, funcionalidade e portabilidade. Foram construídos três abrigos multifuncionais a partir do aproveitamento de madeiras apreendidas e doadas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. A avaliação termográfica dos abrigos multifuncionais com os espécimes, comparada com a área do recinto, revelou amplitude térmica entre 8,4°C a 8,8°C. Os enriquecimentos físicos realizados auxiliarão as atividades de ensino, pesquisa e extensão sobre a fauna brasileira.

Palavras-chave: Animal Silvestre. Abrigo Multifuncional. Enriquecimento Ambiental.

1Acadêmica do curso de Ciências Biológicas, Instituto de Biociências, Universidade Federal de Mato Grosso - campus de Cuiabá. E-mail: [email protected]

2Acadêmica do curso de Zootecnia, Faculdade de Agronomia e Zootecnia, Universidade Federal de Mato Grosso - campus de Cuiabá. E-mail: [email protected]

3Acadêmica do curso de Zootecnia, Faculdade de Agronomia e Zootecnia, Universidade Federal de Mato Grosso - campus de Cuiabá. E-mail: [email protected]

4Docente, doutora, curso de Medicina Veterinária, Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade Federal de Mato Grosso - campus de Cuiabá. E-mail: [email protected]

5Docente, doutora, curso de Medicina Veterinária, Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade Federal de Mato Grosso - campus de Cuiabá. E-mail: [email protected]

6Docente, doutor, curso de Medicina Veterinária, Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade Federal de Mato Grosso - campus de Cuiabá. E-mail: [email protected]

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1 INTRODUÇÃO

O enriquecimeno ambiental reduz os efeitos do estresse em animais cativos (ZARAGOZA et al., 2011, MEAGHER e MASON, 2012; CHARLOTE et al., 2016), principalmente em animais mantidos em zoológicos, cujos indicadores se expressam pelo aumento do cortisol sérico (MÖSTL e PALME, 2002) e comportamento estereotipado (REAMER et al., 2010). O Centro de Medicina e Pesquisa em Animais Silvestres (CEMPAS), antigo Zoológico, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) possui em seu plantel 671 espécimes representantes de aves, mamíferos e répteis que destinam-se as atividades de ensino, pesquisa e extensão. O CEMPAS integra o campus da UFMT e está situado no perímetro urbano da cidade de Cuiabá, estado de Mato Grosso. Diversos fatores abióticos como estresse térmico (McDOWELL, 1974), poluição sonora e condições físicas no recinto expõem os espécimes ao estresse e suas consequências clínicas e comportamentais (ANDERSON, BERZINS E FOGARTY, 2011; ABLIMIT et al. 2013). Para mitigar os efeitos do estresse nos espécimes no CEMPAS foi desenvolvido abrigos multifuncionais para jaguatiricas, jabutis, lobo guará e macacos pregos, em substuição aos abrigos anteriores, desprovidos de cambiamento e pontos de refúgio para os espécimes. Os abrigos multifuncionais foram elaborados para prover aos espécimes: conforto (térmico, sonoro e luminoso), biossegurança, ponto de abrigo e refúgio, cambiamento (contenção segura do espécime), praticidade no manejo, baixo custo, funcionalidade e portabilidade, uma vez que pode ser remontado em outro recinto.

O objetivo desse trabalho é possibilitar, a partir da construção dos abrigos multifuncionais, abrigos com conforto térmico, segurança para o espécime e equipe do CEMPAS, além de facilitar o manejo dos espécimes e atividades de ensino, pesquisa e educação ambiental.

2 METODOLOGIA

2.1 CARACTERIZAÇÃO DO LOCAL E DAS ATIVIDADES

O presente trabalho foi desenvolvido no CEMPAS/UFMT, antigo zoológico, localizado no campus Cuiabá, estado de Mato Grosso, a única universidade no Brasil a abrigar espécies silvestres da fauna brasileira para atividades de ensino, pesquisa e extensão. O CEMPAS possui um plantel de 671 espécimes silvestres da fauna brasileira

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e distribuídos em parte dos 35 recintos disponíveis.

2.2 ESTRATÉGIA DAS AÇÕES

Os abrigos multifuncionais foram construídos com portais de madeira apreendidos e doados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiverisdade (ICMBio). Foram selecionados quatro recintos para o enriquecimento físico priorizados pela equipe técnica do CEMPAS. Os abrigos multifunionais foram planejados de acordo com as características biológicas e comportamentais de cada espécie visando proporcionar aos espécimes ponto de fuga, confortos térmico, luminoso e ventilatório e, ao mesmo tempo, cambiamento para contenção do espécime e segurança para a equipe do CEMPAS durante o manejo de captura ou mesmo, a manutenção do recinto. Foram priorizados os recintos da Jaguatirica (Leopardus pardalis) com dois espécimes, Jabuti (Chelenoide sp) com 44 espécimes jovens e Lobo Guará (Crysocyon brachyurus) com um espécime. Após a construção acompanhou-se a habituação do espécime ao novo abrigo, bem como a avaliação térmica de ambos por meio da termografia.

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Após a instalação dos abrigos multifuncionais observou-se a interação e o início do processo de habituação em até 24 horas, comportamento esperado e típico após o enriquecimento físico em que se estabelece a interação do espécime com a nova estrutura no recinto. A plasticidade neste período de interação é variável e é denominada na literatura como habituação (LEIBRECHT, 1974; KHLEBOVICH, 2002; CHARLOTE et al., 2016).

Avaliações termográficas mostraram que amplitudes na temperatura, das partes interna e extena dos abrigos multifuncionais, variaram, aproxidamente, entre 8,4 a 8,8°C. A redução na temperatura no interior do abrigo e a escolha do espécime em ocupar de forma espontânea e permanente o abrigo funcional, revela que um ou mais fatores ou mesmo a combinação entre eles, influenciou satisfatoriamente na escolha do espécime.

No recinto dos espécimes de Leopardus pardalis, com 90 m2, foi construído um abrigo funcional de formato triangular em dois pisos, sendo o piso inferior, aberto

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para facilitar a ventilação e superior, fechado, para abrigar nos dias frios ou chuvosos ou mesmo cumprir a função de cambiamento. No piso superior foi projetada uma rampa móvel (porta invertida) e duas outras transversais fixas para acomodação dos felinos que buscam lugares mais altos. Nas laterais foram previstas escotilhas, uma espécie de portinhola, para permitir o acesso visual da equipe do CEMPAS e uso de zarabatana na contenção química (Figura 1).

O recinto dos espécimes de Chelenoide sp possui cerca de 50 m2, com grandes áreas de sombreamento. O abrigo funcional consistiu numa cobertura parcial com os portais e pé-direito alto para facilitar a ventilação, proteção à radiação e precipitação pluviométrica, além de refúgio compatível com a densidade populacional e facilidade no manejo. Na figura 2 o abrigo consegue reter a irradiação, representada pela cor branca (maior temperatura), com temperatura máxima em 43,1°C, em oposição ao seu interior que revela gradientes de faixas com menor irradiação, portanto temperaturas menores. Isso permite aos espécimes, que depende da temperatura ambiente para regular o metabolismo, escolher espontâneamente o melhor gradiente de faixa térmica. Este abrigo multifuncional foi projetado para ampliar a área de sombreamento e reduzir a irradiação no recinto.

Figura 1 – A) vista da frente e lateral do abrigo multifuncional para Leopardus pardalis com destaque para os pisos superior e inferior, rampas fixas e escotilhas; B) habituação dos espécimes sendo observado no interior do piso superior e na rampa móvel, tipo alçapão, que serve como ponto de fuga, observação e cambiamento; C) Termografia do abrigo multifuncional para Leopardus pardalis cujo gradiente em azul e verde correspondem as faixas baixas de temperatura, enquanto em branco ou avermelhadas as faixas maiores de temperatura, que chegaram a 46,4°C. O espécime corresponde a um ponto em azul escuro acomodado sobre o piso inferior.

A

C B

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O recinto do Crysocyon brachyurus possui cerca de 1500 m2 com cobertura arbórea e piso com cobertura parcial de gramíneas. Foi construído um abrigo multifuncional com formato triangular e pé direito alto e instalado no recinto de modo que apenas a entrada permanece aberta, além das ecotilhas no fundo e laterais. Mesmo o recinto naturalmente enriquecido, o espécime iniciou o processo de habituação rapidamente, como os demais espécimes, num período inferior a 24 horas (Figura 3). Figura 2 – A) Vista frontal do abrigo multifuncional para Chelenoide sp e B) avaliação termográfica do abrigo com gradientes de temperatura maiores na superfície lateral, com valor máximo de 43,1°C e menores no piso interior, onde é oferecida a alimentação.

Figura 3 - Vista frontal do abrigo multifuncional para Crysocyon brachyurus após o processo de habituação.

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4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O abrigo multifuncional se coloca como uma proposta potencialmente capaz de proporcionar refúgio para os espécimes no CEMPAS, gerar conforto térmico e gerar maior segurança para a equipe do CEMPAS na captura e manejo dos espécimes no recinto, uma vez que eram desprovidos de áreas de cambiamento.

5 REFERÊNCIAS

CHARLOTTE, G. E.; HENRICI1, G.; VERMAAK, P.; BOLHUIS, J. E.;

NORDQUIST1, R. E.; van der STAAY, F. J. Effects of environmental enrichment on cognitive performance of pigs in a spatial holeboard discrimination task. Animal Cognitive, v. 19, p. 271-283, 2016.

McDOWELL, R.E. Bases biológicas de la producción animal em zonas tropicales. 1.ed. Zaragoza: Acribia, 1974. 692p.

KHLEBOVICH, V. V. Long-Term Habituation as Particular Case of Acclimation. Doklady Biological Sciences, v. 384, p. 224-226, 2002.

LEIBRECHT, B. C. Habituation: suplemental bibliography. Physiological Psycology, vol. 2 (3B), p. 1-19, 1974.

REAMER, LISA; TOOZE, ZENA; COULSON, CLAIRE; SEMPLE,

STUART.Correlates of self-directed and stereotypic behaviours in captive red-capped mangabeys (Cercocebus torquatus torquatus). Applied animal behaviour science, Vol.124, n. 1, p.68-74, 2010.

ZARAGOZA, FELIX; IBANEZ, MIGUEL; MAS, BLANCA; LAIGLESIA,

SANTIAGO; ANZOLA, BERNADETTE. Influencia del enriquecimiento ambiental de chimpances (Pan troglodytes spp.) y gorilas (Gorilla gorilla gorilla) en

cautividad: comportamiento y niveles de cortisol en heces. Revista Cientifica de la Facultad de Ciencias Veterinarias, v. 21, n. 5, p.447-457, set -out., 2011.

Referências

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