Data de Criação: 13/01/2021
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Os artigos reproduzidos neste clipping de notícias são, tanto no conteúdo quanto na forma, de inteira responsabilidade de seus autores. Não traduzem, por isso mesmo, a opinião legal ou manifestação de integrante da SiqueiraCastro.
Sumário das
Matérias:
Justiça aprova reajuste menor para aluguel
Valor ––13 de janeiro...01 Comprar soja brasileira é endossar desmate, diz Macron Valor ––13 de janeiro...04 Alemanha quer acordo de tributação corporativa global com governo Biden
Valor ––13 de janeiro...06 Projeto de autonomia da polícia demanda debate amplo e público
Valor ––13 de janeiro...08 Ford terá de indenizar sua rede de revendas
Valor ––13 de janeiro...10 Caso Ford é alerta para modelo industrial
Valor ––13 de janeiro...12 BNDES desembolsou R$ 6,6 bi em empréstimos à montadora desde 2002
Valor ––13 de janeiro...14 Movimento falimentar
Valor ––13 de janeiro...16 SUS cobra R$ 450 milhões de Hapvida e NotreDame Valor ––13 de janeiro...18 Buser chega agora à estação rodoviária
Valor ––13 de janeiro...20 Mudança na Lei das S.A. por meio de medida provisória gera polêmica
Valor ––13 de janeiro...26 Empresas paulistas questionam revogação de benefícios fiscais
O novo protagonismo dos gestores de fundos Valor ––13 de janeiro...31 Fechamento da Ford pode gerar baque de R$ 5 bilhões na economia da Bahia
Folha ––13 de janeiro...33 Bolsonaro sanciona projeto que cria o programa Casa Verde e Amarela
Globo ––13 de janeiro...35 Hospitais particulares querem anular exclusão de isenções do ICMS em SP
Conjur ––13 de janeiro...37 PIS e Cofins não compõem sua própria base de cálculo, diz juíza
Conjur ––13 de janeiro...38 Operadora deve manter benefícios de filhos de 38 e 41 anos em plano de saúde familiar
Migalhas ––13 de janeiro...39 ICMS/SP: O fim da isenção para o setor da saúde? Jota ––13 de janeiro...41
Valor Econômico
Caderno: Primeira Página,
quarta-feira 13 de janeiro de 2021.
Justiça aprova reajuste menor
para aluguel
Primeira decisão que se tem notícia beneficia uma loja no Shopping Morumbi, em São Paulo, que obteve o direito de reajuste pelo IPC, medido pela Fipe
Por Beatriz Olivon — De Brasília
Um lojista do Shopping Morumbi conseguiu na Justiça o direito de mudar o índice de correção de seu contrato de aluguel. Em vez do IGP-DI, que em 2020 variou muito acima de outros indicadores de inflação, poderá usar o IPC, medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Em 2020, o IGPM e o IGP-DI subiram, respectivamente, 23,14% e 23,08%, enquanto o IPC registrou alta de 5,6%. A justificativa para a troca foi o impacto da pandemia.
Ontem, o IBGE divulgou que, em 2020, o IPCA (índice oficial da inflação) acumulou alta de 4,52%, acima dos 4,31% de 2019 e da meta de 4% prevista para o ano passado.
01
Lojista consegue na Justiça
alterar índice de correção de
aluguel
Decisão autoriza aplicação do IPC no lugar do IGP-DI, que variou 23% em 2020
Por Beatriz Olivon — De Brasília
Advogado José Nantala Bádue Freire: não seria adequada a correção do aluguel pelo IGP-DI, que rendeu mais do que alguns
investimentos em 2020 — Foto:
Divulgação
Lojistas decidiram ir ao Judiciário para questionar a correção de aluguéis pelo IGP-M ou IGP-DI, índices divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e que em 2020 variaram muito acima de outros que medem a inflação. A primeira decisão que se tem notícia beneficia uma loja no Shopping Morumbi, em São Paulo. Obteve o direito de reajuste pelo IPC, medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).
A diferença é grande e compensa a ida do lojista ao Judiciário em caso de fracassarem as negociações com o locador, segundo advogados. Em 2020, o IGP-M e o IGP-DI variaram, respectivamente, 23,14% e 23,08, enquanto o IPC registrou 5,62%. O
IGP-M e o IGP-DI são calculados da mesma forma pela FGV, só muda o período em que os preços são consultados.
A decisão favorável ao lojista do Shopping Morumbi foi dada pela 12ª Vara Cível de São Paulo. A juíza Celina Dietrich e Trigueiros Teixeira Pinto determinou em tutela antecipada (espécie de liminar) a aplicação do IPC por constar no contrato como índice alternativo ao IGP-DI.
Antes de a ação ser ajuizada, foi tentado um acordo com o shopping, segundo o advogado da empresa, José Nantala Bádue Freire, do escritório Peixoto e Cury Advogados. A tutela antecipada foi solicitada em ação revisional de aluguel.
A loja pediu a mudança de índice com base nas dificuldades enfrentadas pelo comércio na pandemia, com fechamento de lojas e redução do atendimento presencial. Inicialmente, o pedido foi negado. Para a juíza, apesar de ter razão no mérito, a loja não comprovou estar em dia com o pagamento dos aluguéis e nem havia especificado o índice a ser aplicado. Com a apresentação das informações, a liminar foi concedida. Na decisão, a magistrada afirma que a crise deflagrada pela pandemia demanda medidas urgentes e excepcionais para o reequilíbrio das relações contratuais atingidas.
Ainda segundo ela, diante da alteração “inesperada e inevitável” da situação em que foi estabelecido o contrato, gerando desproporção por motivo imprevisível entre o valor da prestação originalmente contratada e
02 o momento de sua execução, o Código Civil autoriza a readequação pelo juiz (artigo 317).
Ela também citou entre os argumentos o artigo 393 do Código Civil. O dispositivo determina que o devedor não responde pelo prejuízo decorrente de caso fortuito ou força maior, se expressamente não se obrigou.
De acordo com o advogado José Nantala Bádue Freire, o reajuste de 23% seria desproporcional e descolado da realidade. “O IGP-DI não tem a finalidade de remunerar, mas de recompor o valor do dinheiro no tempo, o poder de compra”, afirma. Por isso, acrescenta, não seria adequada a correção pelo índice, que rendeu mais do que alguns investimentos em 2020.
No caso, diz o advogado, não se trata de pedido para pagar parte do aluguel ou adiar os vencimentos, como algumas empresas tentaram fazer. “Pedimos um reajuste baseado na realidade”, afirma ele, que considera a decisão um bom precedente para lojistas que não conseguiram renegociar seus aluguéis.
Em nota, a Multiplan
Empreendimentos Imobiliários, que administra o Shopping Morumbi, informa que mantém medidas de apoio aos lojistas, com reduções e isenções desde os primeiros sinais da pandemia e que a decisão foi proferida por juiz integrante do Plantão Judiciário, possui caráter liminar e que irá recorrer. “De acordo com o Código Civil, nas relações contratuais privadas deve haver intervenção mínima do Judiciário, sendo a mesma ilegal”, afirma.
No Superior Tribunal de Justiça (STJ), há precedente desfavorável à troca de índices. Em 2003, a 4ª Turma decidiu a favor da correção pelo IGP-M em caso que uma empresa alegou ilegalidade no reajuste de prestações de um imóvel (REsp 403.028). O argumento era o de que o índice era abusivo e com variação muito superior a do INPC (IBGE) e, por isso, tornou-se inadimplente. Na época, o IGP-M variou 20,10% e o INPC, 8,43%. O Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF) havia aceitado o pedido.
Para a 3ª Turma, a abusividade precisaria de demonstração efetiva da disparidade em período certo, diante de circunstância anormal, como foi o caso da adoção da variação cambial em contratos de arrendamento mercantil em face da inesperada desvalorização da moeda.
“A decisão deixa uma brecha dizendo que se a parte tivesse demonstrado que haveria um ganho financeiro com o IGP-M e não mero reajuste do valor seria possível, em tese, a revisão do contrato”, afirma o advogado Rodrigo Pedrosa, sócio do escritório Chiarottino e Nicoletti Advogados. Para ele, o IGP-M hoje não representa uma atualização monetária, para a recomposição da moeda. Tem característica remuneratória.
Marcelo Guimarães, sócio da Swot Global, consultoria de economia, engenharia e contratos especializada em litígios e arbitragens da área de construção, considera o IGP-M um índice ligado a uma cultura inflacionária do passado. Ele acrescenta que o uso do índice, em algumas situações, precisa ser revisto
03 “porque não representa o verdadeiro custo dos insumos”.
Guimarães explica que o IGP-M teve forte variação em razão da alta das commodities e do dólar, que não têm relação com os aluguéis. “Gera um sentimento de enriquecimento sem causa”, afirma. Para ele, deve ser
observado o princípio da
comutatividade dos contratos, segundo o qual deve haver um equilíbrio entre prestação e contraprestação. “As grandes empresas têm maior facilidade para negociar contratos de aluguéis do que as pessoas físicas. Deve ser considerado o movimento do mercado de maior oferta de espaços.”
https://valor.globo.com/legislacao/noticia/2 021/01/13/lojista-consegue-na-justica-alterar-indice-de-correcao-de-aluguel.ghtml
Valor Econômico
Caderno: Brasil, quarta-feira 13de
janeiro de 2021.
Comprar soja brasileira é
endossar desmate, diz Macron
França volta a sinalizar forte oposição a acordo com Mercosul Por Assis Moreira — De GenebraPresidente Emmanuel Macron: produção da soja na França será estimulada — Foto: Christophe Ena/AP Photo
O presidente Emmanuel Macron voltou a vincular a produção de soja brasileira ao desmatamento da Amazônia, e prometeu estimular a produção da commodity na França para não depender mais do Brasil nesse caso.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Macron afirmou que “continuar a depender da soja brasileira seria
04
endossar o desmatamento da Amazônia”. E que, quando a França importa a soja produzida a um ritmo rápido a partir da floresta destruída no Brasil, “nós não somos coerentes”. “Você é contra os incêndios na
Amazônia, mas vive das
consequências disso. A maneira concreta de colocar fim [a isso] não é apenas dizer, mas agir. E agir é dizer: nós precisamos hoje da soja brasileira para viver. E, portanto, vamos produzir a soja europeia ou o equivalente”, acrescentou.
No ano passado, a França foi apenas o 27º maior mercado para a soja exportada pelo Brasil.
As declarações voltam a ilustrar a intenção da França de forte oposição à assinatura do acordo de livre-comércio da União Europeia com o Mercosul - pelo menos até a eleição presidencial do ano que vem, na qual Macron terá forte dificuldade para se reeleger.
Para ocorrer uma ratificação do acordo EU-Mercosul, será preciso ação concreta do governo de Jair Bolsonaro para proteção da Amazônia, e não apenas discursos. O Departamento de Agricultura dos EUA, em avaliação sobre o acordo EU-Mercosul, publicada na semana passada, constatou também que a ratificação do tratado pelo Conselho Europeu e pelo Parlamento Europeu não é certa, dadas as enormes preocupações ambientais. Lembrou
que, num movimento sem
precedentes, o Parlamento Europeu rejeitou simbolicamente o acordo em
outubro de 2020 por causa de preocupações com as políticas ambientais do atual governo do Brasil.
“Devido a essas preocupações, se o acordo for ratificado e o Brasil obtiver maior acesso ao mercado, poderá enfrentar sanções futuras por quaisquer ações que comprometam os serviços ambientais que sua floresta tropical e outros ecossistemas fornecem.”
Para o Departamento de Agricultura dos EUA, acima de tudo está a preocupação global com a mudança climática e o papel essencial que a floresta tropical do Brasil desempenha. A biodiversidade é outra área de preocupação. As sanções no acordo birregional podem incluir o desinvestimento em ativos brasileiros por gestores de fundos na Europa e de outras regiões procurando atender às crescentes demandas dos investidores por melhor gestão ambiental e sustentabilidade.
No ano passado, varejistas francesas anunciaram que não aceitariam soja brasileira de áreas desmatadas, mesmo legalmente, em 2021.
Como o Valor já publicou, o governo Macron delineou um programa para aumentar a produção de soja. Com o dinheiro de emergência que recebeu da Comissão Europeia para retomada da economia pós-pandemia, a França destinou € 100 milhões para o projeto.
O ministro da Agricultura, Julien Denormandie, explicou na ocasião que a França não podia aceitar ser tão dependente das importações de soja brasileira.
05 Porém, o ceticismo é forte no setor agrícola francesa. O presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Nutrição Animal, François Cholat, declarou em outubro ao Valor que “o objetivo é bom, mas não acredito. É o quinto projeto nos últimos 20 anos. E cada vez esbarra no problema econômico”.
Segundo ele, a soja francesa é 25% mais cara que a brasileira ou americana. Num contexto econômico complicado, é difícil o produtor abrir mão da soja especialmente rica em proteínas do Brasil.
As importações de soja brasileira caíram de 5 milhões de toneladas para 3 milhões nos últimos anos. Parte do farelo de soja importado foi substituída por farelo de colza produzido na Europa.
A superfície destinada à soja na Europa dobrou para mais de 1 milhão de hectares, desde a reforma da Política Agrícola Comum em 2013, e a produção atingiu o recorde de 2,8 milhões de toneladas em 2017/2018. Os principais produtores são Itália, França e Romênia.
https://valor.globo.com/brasil/noticia/2 021/01/13/comprar-soja-brasileira-e-endossar-desmate-diz-macron.ghtml
Valor Econômico
Caderno: Mundo, quarta-feira 13de
janeiro de 2021.
Alemanha quer acordo de
tributação corporativa global
com governo Biden
Alemanha quer chegar a um acordo sobre um modelo tributário anunciado no ano passado pela OCDE até o terceiro trimestre
Por Guy Chazan — Financial Times, de Berlim
Olaf Scholz, ministro das Finanças da Alemanha, vai tentar buscar um acordo com o governo de Joe Biden, sobre regras globais para a tributação corporativa, enquanto aumentam as esperanças em Berlim de que o fim do governo Trump prenunciará uma nova era de cooperação multilateral. Num seminário promovido ontem pela Reuters em Berlim, Scholz disse que o plano é chegar a um acordo até o terceiro trimestre sobre um modelo tributário anunciado no ano passado pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), o clube das nações ricas. O conjunto de princípios apresentado pela OCDE em outubro, com grande apoio da Alemanha, revolucionaria a tributação das corporações multinacionais e poderia levantar US$ 100 bilhões em receitas tributárias extras ao redor do mundo.
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A OCDE vem buscando um consenso entre mais de 135 nações para as reformas, que segundo ela permitirá às autoridades fiscais coletar até 4% em impostos corporativos. O objetivo do projeto da OCDE é assegurar que as multinacionais - incluindo os grupos de tecnologia altamente lucrativos dos Estados Unidos e as empresas de artigos de luxo da
Europa - paguem impostos
corporativos sobre alguns de seus produtos nos lugares em que elas fazem negócios, em vez de onde elas registram as subsidiárias. A ideia é introduzir ainda uma taxa mínima mundial de imposto corporativo para se evitar uma guerra fiscal.
O plano recebeu grande apoio em Paris, Madri, Londres e Roma, que afirmam que empresas como Apple, Facebook e Google obtêm lucros enormes no mercado europeu, ao mesmo tempo em que pagam contribuições mínimas aos tesouros nacionais.
A questão do endosso ou não ao modelo da OCDE será um dos primeiros testes do governo de Joe Biden. A oposição dos EUA tem sido um dos principais motivos por trás da falta de progresso sobre um acordo político.
Os EUA apoiavam o processo, mas em junho eles suspenderam as discussões com os países europeus, alegando que as discussões haviam chegado a um “impasse”. Steven Mnuchin, o secretário do Tesouro americano, também ameaçou impor tarifas a quaisquer países que cobrassem seus próprios impostos digitais.
A abordagem da OCDE tem dois pilares: ela permitiria aos países ter alguns direitos de taxar lucros obtidos com base nas vendas em suas jurisdições. Isso se aplicaria não apenas às operações internacionais das gigantes tecnológicas dos EUA, como também daria aos EUA, por exemplo, o direito de tributar as companhias europeias de artigos de luxo.
O segundo pilar é um imposto corporativo global mínimo. Isso teria como objetivo evitar que países
reduzissem seus impostos
corporativos em uma tentativa de atrair sedes de empresas para suas jurisdições.
A França se recusou a esperar pelo apoio de outros Estados à proposta da OCDE e no ano passado seguiu adiante com seu próprio imposto sobre serviços digitais. Em novembro, autoridades fiscais francesas começaram a exigir milhões de euros de companhias americanas como Facebook e Amazon em pagamentos do novo imposto para 2020.
O governo americano condenou o imposto francês, classificando-o de um exemplo de prática comercial injusta, por ele afetar em grande parte empresas americanas. Inicialmente, os EUA disseram que iriam retaliar impondo tarifa de 25% sobre as bolsas francesas e produtos de maquiagem a partir de janeiro. Mas o escritório do representante comercial dos EUA, o USTR, disse na semana passada que vai suspender as tarifas e, em vez disso, coordená-las com eventuais sobretaxas que surgirem de uma série de
07 investigações sobre impostos digitais em outros países.
Scholz opôs-se à decisão de Paris de seguir sozinha e apoiou os planos da OCDE. Ele disse no ano passado que um acordo não só fortaleceria os orçamentos nacionais e reduziria a evasão fiscal, como também ajudaria as empresas a reduzirem as incertezas legais.
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https://valor.globo.com/mundo/noticia/2021 /01/13/alemanha-quer-acordo-de-tributacao-corporativa-global-com-governo-biden.ghtml
Valor Econômico
Caderno: Brasil, quarta-feira 13de
janeiro de 2021.
Projeto de autonomia da
polícia demanda debate amplo
e público
Não se pode criar poder policial paralelo ao poder civil
As íntegras dos projetos de lei que pretendem dar maior autonomia às polícias militar e civil ainda não são conhecidas. Nesta semana, tomou-se conhecimento, por meio do jornal “O Estado de S. Paulo”, de algumas ideias que vêm sendo discutidas pelo governo federal com as corporações do setor de segurança. O debate intramuros de um assunto dessa importância e complexidade levanta desconfiança sobre as reais intenções de seus defensores. Como trata de segurança pública, a discussão deve ser pública, ampla e aberta.
Pelo que foi noticiado até agora, os projetos de lei alteram as estruturas das polícias, dando a elas maior autonomia administrativa e financeira. Determinam, por exemplo, mandato de dois anos para o comandante-geral da polícia militar e para o delegado-geral da polícia civil de cada Estado.
No caso de destituição, o governador teria que justificar o ato e o motivo teria que ser devidamente
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comprovado. Mesmo neste caso, a dispensa teria que ser ratificada pela respectiva Assembleia Legislativa, por maioria absoluta de seus membros. O comandante-geral de cada Polícia Militar seria nomeado pelo governador a partir de uma lista tríplice apresentada pelos oficiais. Cada delegado-geral seria escolhido pelo governador entre aqueles de classe mais alta na carreira.
Os dois projetos não contemplam soluções específicas para os graves problemas de segurança pública que afligem os brasileiros, como, por exemplo, a eficácia do policiamento. Como disse o diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sergio de Lima, as propostas representariam, se aprovadas, a “blindagem” das corporações. “Esse projeto significa a blindagem definitiva e irreversível das polícias e a declaração de sua independência”, afirmou Lima ao Valor.
A Constituição atual diz que os membros das polícias militar e civil são militares dos Estados. E acrescenta que as polícias militares e os corpos de bombeiros militares subordinam-se, juntamente com as polícias civis e as polícias penais estaduais e distrital, aos governadores dos Estados e do Distrito Federal. No Estado democrático de direito, todo o Poder emana do povo e em seu nome é exercido por representantes legitimamente eleitos. A autoridade máxima de um Estado é o governador, que foi eleito para isso, e ele deve ser o responsável pela
segurança de seus concidadãos. Os projetos em discussão pelas corporações com o governo federal pretendem restringir o poder e a autoridade dos governadores, que passariam a não ter o controle sobre as forças de segurança.
Os projetos são vistos nas polícias como forma de defesa das corporações das ingerências e perseguições políticas. São preocupações legítimas e que devem ser analisadas, mas a solução para isso não pode ser a criação de um poder paralelo dentro dos Estados. O poder policial não pode se sobrepor ao poder civil; como determina a atual Constituição, a ele se subordina. As polícias militar e civil são apenas executoras de políticas públicas, definidas pelos governadores.
Outro aspecto da proposta que precisa ser considerado diz respeito à questão financeira. Um órgão que ganha autonomia quer, acima de tudo, definir o seu próprio Orçamento. Não existe autonomia efetiva sem independência financeira. Ao ganhar autonomia, as corporações policiais vão querer também definir suas estruturas de carreiras e suas remunerações, como já ocorre com outros órgãos públicos, que criam grande dificuldades para as gestões das contas públicas estaduais e federal. É bom lembrar que outras corporações de servidores também defendem a autonomia da Polícia Federal e da Receita Federal.
Alguns analistas acreditam que as propostas em discussão no Legislativo estariam em sintonia ideológica com o governo Jair Bolsonaro, que sempre procurou atender às reivindicações das corporações militares. Desde a
09 campanha eleitoral de 2018, Bolsonaro adota um discurso de valorização das forças de segurança e de maior endurecimento das ações policiais.
Quaisquer que sejam as motivações ideológicas das propostas de autonomia das polícias militar e civil, há limites que não podem ser ultrapassados. Não se pode criar poder policial paralelo ao poder civil e a autoridade máxima, em cada Estado, é a do governador, eleito pelo povo. Qualquer proposta que não
respeite esses preceitos
constitucionais não merece ser apreciada.
https://valor.globo.com/opiniao/noticia/202 1/01/13/projeto-de-autonomia-da-policia-demanda-debate-amplo-e-publico.ghtml
Valor Econômico
Caderno: Economia, quarta-feira
13de janeiro de 2021.
Ford terá de indenizar sua rede
de revendas
Montadora americana tem no país 285 concessionários que comercializam produtos da marca
Por Ana Paula Machado — De São Paulo
Para Flávio Padovan, ex-executivo da
montadora, decisão de fechar as
operações fabris no país já havia sido tomada desde a saída do negócio de caminhões — Foto: Divulgação
Após a decisão do fechamento das operações da Ford no Brasil, anunciada na segunda-feira, a rede de concessionários da companhia terá uma longa negociação pela frente. A relação comercial entre montadora e revenda é regida por uma lei de 1979, a Lei Renato Ferrari. Ela prevê uma indenização ao concessionário caso a fabricante decida parar de produzir no Brasil.
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Esse ressarcimento deve ser celebrado com cada revendedor, apurou o Valor, e deverá ser considerado um percentual sobre o faturamento de cada casa, tendo um valor adicional para cada cinco anos de contrato com a marca. A Ford tem 285 lojas no país.
Um revendedor, que há 42 anos representa a marca no país, disse ao Valor que toda a rede foi surpreendida com a decisão da montadora e já começou a se mobilizar, por meio da Associação Brasileira de Distribuidores Ford (Abradif). As reuniões ocorreram na segunda-feira e ontem. “Houve uma quebra absurda de confiança. Sabíamos que a Ford estava com dificuldade em renovar a linha de produtos de Camaçari (BA), mas imaginávamos que um novo ciclo, com produtos novos aconteceria em três ou quatro anos”, relata.
Para ele, o correto a se fazer é indenizar todos os revendedores terminar esse contrato e a Ford celebrar outro acordo nas praças que julgar adequadas ao seu novo tamanho no país. A Ford, segundo ele, vendia por mês de 12 mil a 14 mil veículos. Com o fim da linha Ka e do Ecosport, essa comercialização deverá chegar quatro mil carros mensais. “O resultado já vinha muito ruim há muitos anos. As perdas na América do Sul aconteceram em 2014 e de lá para cá não conseguiu mais se recuperar. Os produtos ficaram defasados e foram tirados de linha, sem reposição.
Segundo afirmou, essa decisão foi uma resposta aos investidores da montadora em Wall Street. “A região (América do Sul) é vista como um problema. A partir do momento que a Ford corta isso, apesar do trauma que causa, ele vê como uma boa medida. Tem mais rentabilidade. Espero que a reserva para o pagamento das indenizações de para pagar a rede de forma correta, como tem que ser.” Para Flávio Padovan, que foi durante muito tempo da direção da montadora - ele comandou a operação de caminhões no país -, a fabricante já vinha com dificuldades há tempos. “Para mim a decisão da Ford de sair do Brasil foi tomada lá trás quando fechou a operação de caminhões em São Bernardo do Campo.”
Segundo ele, quando acabou a parceria com a Volkswagen na Autolatina, a Ford saiu com um caixa forte, mas sem produto e por isso, o seu grande desafio na época era construir um portfólio interessante para a região. “A fábrica de Camaçari veio para isso. E esse projeto se baseou em incentivos fiscais, mas precisava de um volume mínimo de vendas para pagar a conta. E a Ford foi perdendo competitividade. A pandemia somente acelerou a decisão de sair do país. “
Para Padovan, a Ford se tornou uma empresa pequena no Brasil: seu portfólio terá apenas carros importados. “Tudo bem que os modelos que virão da Argentina e México não devem ter a pressão das tarifas de importação, mas tem o dólar.” Segundo o ex-executivo e sócio da MRD Consulting, talvez a solução para a fabricante seja a fusão com outra grande montadora. “A saída da
11 Ford do Brasil representa um marco para a indústria automotiva mundial.”
https://valor.globo.com/empresas/notici a/2021/01/13/ford-tera-de-indenizar-sua-rede-de-revendas.ghtml
Valor Econômico
Caderno: Empresas, quarta-feira 13de
janeiro de 2021.
Caso Ford é alerta para modelo
industrial
Incentivos setoriais falham em transformar competitividade das empresas, avaliam especialistas Por Anaïs Fernandes — De São Paulo
A troca de companhias de países e mercados ao longo do tempo é um processo econômico natural, mas, no caso da saída da Ford do Brasil, tem um peso simbólico e serve de alerta para governos e empresas repensarem políticas e estratégias de atuação, avaliam especialistas.
Por mais de seis décadas a indústria
automotiva no Brasil foi
impulsionada por incentivos governamentais, uma política industrial clássica que ficou desatualizada na visão de Claudio Frischtak, sócio da Inter.B. “O que foi demonstrado é que isso não conduz a
uma transformação de
competitividade da indústria, ela se apoia como em uma bengala e cresce com base em muletas.”
Outros países emergentes também tiveram sua fase de “nacional desenvolvimentismo”, como a Coreia do Sul, mas “descobriram que a modernização da economia e da
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indústria passa pela integração global”, diz Frischtak. No Brasil, porém, “não houve esforço de fato” nesse sentido, segundo ele. “Houve espasmos de tentativas de abertura.” Mesmo que o comércio mundial não cresça mais como no auge da globalização, Frischtak diz que a integração é o único caminho para empresas no Brasil. O movimento, porém, precisa ser acompanhado por reformas que modernizem o Estado e a economia, gerando ganhos de
produtividade e reduzindo
desigualdades, acrescenta ele.
Para Rafael Cagnin, economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), o Brasil chegou a um ponto de desempenho econômico e nível de atividade em que são esses aspectos estruturais, capazes de oferecer condições de competitividade efetiva, que precisam ser enfrentados. “Não é mais o momento de paliativos”, afirma.
Ainda que seja possível pensar em políticas mais direcionadas para uma ou outra atividade, dependendo da geração de empregos e do dinamismo inovativo, se as questões estruturais pendentes não forem atacadas, a eficácia dessas políticas também tende a se perder, diz Cagnin. “Não podemos mais remendar, empurrar com a barriga. Se não enfrentarmos essas questões, notícias como essa [saída da Ford do Brasil] podem se multiplicar.”
Cagnin refere-se, sobretudo, à reforma nos impostos. “O nó tributário é o principal problema da
nossa baixa competitividade internacional. Ele corrói a rentabilidade das empresas, seja diretamente, porque é um ônus, seja indiretamente, porque faz perder vendas e parcela de mercado em um mundo cada vez mais competitivo.” A agenda de competitividade, no
entanto, “vem sendo
sistematicamente procrastinada”, afirma Cagnin. Para ele, seriam necessárias boas sinalizações ainda em 2021, inclusive para ajudar a recuperação da economia. Em outra frente, o economista diz ser fundamental uma agenda de política de inovação. “O debate econômico coloca tecnologia e inovação em segundo plano, mas são questões fundamentais.”
Sem deixar de lado a necessidade de reformas “para agora”, Sérgio Lazzarini, professor do Insper, chama a atenção para comportamentos paradoxais das empresas. “No caso da indústria automobilística, acontece uma coisa curiosa, porque é um dos setores que mais recebem apoio governamental, benefícios fiscais, só que as empresas querem benefícios e depois reclamam da carga tributária alta. Essa conta não fecha”, diz Lazzarini. “Se você quer benefício, vai ter carga mais alta, se quer carga menor, tem que ter menos benefícios.”
Esse modelo de incentivo é um exemplo de política industrial sem critério claro e que não resolve os problemas, segundo Lazzarini. “A empresa quer benefício, mas agrava o quadro fiscal, que deteriora o quadro econômico”, observa. Além disso, os benefícios não têm gerado estímulos
13 para que as firmas sejam, de fato, melhores, diz o professor.
Para ele, os setores precisam de outra lógica, com menos “lobby” em Brasília e mais busca por resultados e integração na cadeia. Pela ótica do governo, se necessárias, políticas industriais poderiam ser feitas dentro do regime orçamentário explícito. “Você diz que vai alocar determinado recurso para incentivos em inovação, por exemplo, e, idealmente, isso é feito de forma horizontal, vale para todo mundo", diz o professor, citando como exemplo a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii).
https://valor.globo.com/empresas/noticia/20 21/01/13/caso-ford-e-alerta-para-modelo-industrial.ghtml
Valor Econômico
Caderno: Empresas, quarta-feira 13de
janeiro de 2021.
BNDES desembolsou R$ 6,6 bi
em empréstimos à montadora
desde 2002
São R$ 343,74 milhões em empréstimos ativos e R$ 6,26 bilhões em financiamentos já liquidadosPor Rodrigo Carro — Do Rio
Ao todo, desde agosto de 2002, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) desembolsou R$ 6,6 bilhões em financiamentos para a Ford Motor
Company Brasil, segundo
informações disponíveis no portal de transparência da instituição financeira.
Dados tabulados pelo Valor Data indicam um total de R$ 343,74 milhões em empréstimos ativos e R$ 6,26 bilhões em financiamentos já liquidados. A maior parte dos recursos desembolsados (R$ 5,99 bilhões) se deu em operações na modalidade de pré-embarque, que consiste em linhas de crédito para financiar a produção de bens a serem exportados.
Ontem, em nota divulgada à noite, o BNDES informou que possui atualmente com a Ford dois contratos
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de financiamento direto, no valor total de R$ 335 milhões, firmados em 2014 e 2017. Segundo a instituição financeira, os contratos tiveram como objeto projetos destinados ao desenvolvimento de novos produtos da companhia no Brasil, para o fortalecimento da engenharia nacional.
“Esses contratos dispõem de cláusulas-padrão que visam à manutenção do emprego durante a implementação dos projetos, que já ocorreram. Os financiamentos já passaram da metade do prazo total, estando com pagamentos em dia”, explica o banco de fomento no texto. O BNDES informou que na segunda-feira, em contato com a Ford, pediu mais esclarecimentos sobre o fechamento das fábricas da montadora. “O banco aguarda as respostas para avaliar os impactos da decisão da companhia sobre os financiamentos diretos ainda em curso”, informa a nota.
Ainda de acordo com o BNDES, também estão em vigor 30 contratos de financiamento indiretos da instituição para a Ford, no valor total contratado de R$ 54,2 milhões. Esses contratos são realizados por meio de parceiros, agentes financeiros previamente credenciados que são responsáveis pela análise cadastral e de crédito dos clientes, assumindo o risco das operações financeiras perante o BNDES.
Os montantes totais levantados pelo Valor se referem ao período de 26 de agosto de 2002 até ontem no caso das operações indiretas automáticas e de exportação pré-embarque. Para as operações de renda variável, foram consideradas aquelas efetivadas até 30 de setembro do ano passado, ressalva o banco em seu site. Por fim, no caso das demais operações, o levantamento considera as contratadas até 30 de novembro de 2020. https://valor.globo.com/empresas/noticia/20 21/01/13/bndes-desembolsou-r-66-bi-em-emprestimos-a-montadora-desde-2002.ghtml Retorne ao índice 15
Valor Econômico
Caderno: Empresas, quarta-feira 13de
janeiro de 2021.
Movimento falimentar
Falências Requeridas
Requerido: Aap Administração
Patrimonial S/A - CNPJ:
00.362.938/0001-51 - Endereço: Av. Dom Jaime Barros Câmara, 300, Sala 08, São Bernardo do Campo/sp - Requerente: Maria Helena Alves Melo - Vara/Comarca: 2a Vara Regional de Competência Empresarial e de Conflitos Relacionados À Arbitragem da 1ª Raj/SP
Requerido: Colégio Santa Maria de Nazaré S/C Ltda. - CNPJ: 00.282.029/0001-03 - Endereço: Rua Uacuma, 50, Bairro Jardim Santa Maria - Requerente: Colégio Santa Maria de Nazaré S/C Ltda. - Vara/Comarca: 2a Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo/SP - Observação: Pedido de auto falência.
Requerido: Construtora Lenine Eireli - CNPJ: 19.680.922/0001-15 - Endereço: Rua Caçapava, 411, Bairro Jardim América - Requerente: Ocel do Brasil Indústria e Comércio Ltda. - Vara/Comarca: 1a Vara de Várzea Paulista/SP
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Requerido: Hill International Brasil Sp S/A - CNPJ: 62.218.615/0001-46 - Endereço: Av. Das Nações Unidas, 11633, 15º Andar, Cjtos. 151 e 152, Bairro Brooklin Paulista - Requerente: Hill International Brasil Sp S/A - Vara/Comarca: 2a Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo/SP - Observação: Pedido de auto falência.
Requerido: Hospital Vitalidade Ltda. - CNPJ: 05.434.158/0001-93 - Endereço: Rua Vicente Aletto, 31, Bairro Vila Assis Brasil, Mauá/sp - Requerente: Urano Serviços e Investimentos - Vara/Comarca: 2a Vara Regional de Competência Empresarial e de Conflitos Relacionados À Arbitragem da 1ª Raj/SP
Requerido: Minasçúcar S/A - CNPJ: 16.973.000/0001-08 - Endereço: Av. Paulista, 2278, Bairro Bela Vista - Requerente: Sergio Mariano Dos Santos - Vara/Comarca: 2a Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo/SP - Observação: Pedido redistribuído.
Requerido: Navarro Sanchez Comércio de Artigos do Vestuário Ltda. Epp - CNPJ: 23.247.684/0001-26 - Endereço: Rua Tirana, 100, Sobreloja, Bairro Vila Formosa -
Requerente: Dfg Fundo de
Investimento em Direitos Creditórios Multissetorial - Vara/Comarca: 2a Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo/SP - Observação: Pedido redistribuído. Requerido: Pombo Indústria, Comércio e Exportação Ltda. - CNPJ: 02.327.775/0001-00 - Endereço: Av.
João Paulo Ablas, 777, Bairro Jardim da Glória, Cotia/sp - Requerente: Zione Ionilly Ceotto Pilar Papéis Eireli ME - Vara/Comarca: 2a Vara Regional de Competência Empresarial e de Conflitos Relacionados À Arbitragem da 1ª Raj/SP
Requerido: Rossi Residencial S/A - CNPJ: 61.065.751/0001-80 - Endereço: Rua Henri Dunant, 873, Cjtos. 601 a 605, Bairro Santo Amaro - Requerente: Construtora Modelo Ltda. - Vara/Comarca: 1a Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo/SP - Observação: Pedido redistribuído.
Requerido: Saraiva S/A Livreiros Editores - CNPJ: 60.500.139/0001-26 - Endereço: Rua Henrique Schaumann, 270, 3º Andar, Bairro Cerqueira César - Requerente: Culturama Editora e Distribuidora Ltda. - Vara/Comarca: 2a Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo/SP
Requerido: Tov Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários Ltda. em Liquidação Extrajudicial - CNPJ: 74.451.022/0001-04 - Endereço: Rua Joaquim Antunes, 246, Bairro Pinheiros - Requerente: Clea Corrêa
Sociedade de Advogados -
Vara/Comarca: 2a Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo/SP - Observação: Pedido redistribuído.
Requerido: Valdac Ltda. - CNPJ: 45.842.622/0001-03 - Endereço: Av. Onze de Junho, 1528, Bairro Vila Clementino - Requerente: Marco Antonio Pastre - Vara/Comarca: 1a Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo/SP - Observação: Pedido redistribuído.
17 Requerido: Wow Nutrition Indústria
e Comércio S/A - CNPJ:
02.338.823/0001-57 - Endereço: Rua Geraldo Flausino Gomes, 78, Cjto 152 Parte, Bairro Cidade Monções - Requerente: Promoção Clear Ltda. -
Vara/Comarca: 1a Vara de
Caçapava/SP - Observação: Pedido redistribuído.
Falências Decretadas
Empresa: Hka Brasil Consultoria em Gestão de Riscos de Construção Ltda. - CNPJ: 20.246.233/0001-86 - Endereço: Av. Das Nações Unidas, 11633, Bairro Brooklin Paulista - Administrador Judicial: Galazzi & Associados Consultoria e Serviços de
Gestão Empresarial Ltda.,
Representada Pelo Sr. Luiz Claudio Salgueiro Galeazzi - Vara/Comarca: 2a Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo/SP
Processos de Falência Extintos Requerido: Extrutec Extrusão e Consultoria Eireli - CNPJ: 29.919.535/0001-42 - Endereço: Estrada Marica Marques, 1055, Galpão 06, Bairro Jardim Represa, Santana de Parnaíba/sp - Requerente: Hércules Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Multissetorial - Vara/Comarca: 1a Vara Regional de Competência Empresarial e de Conflitos Relacionados À Arbitragem da 1ª Raj/SP - Observação: Desistência homologada.
Requerido: Irmãos Roman Indústria e
Comércio Ltda. - CNPJ:
57.530.925/0001-61 - Endereço: Av. Pereira Barreto, 716, Bairro Vila Gilda - Requerente: Marcelo Aparecido Teixeira - Vara/Comarca: 1a Vara Regional de Competência Empresarial
e de Conflitos Relacionados À Arbitragem da 1ª Raj/SP - Observação: Desistência homologada. Recuperação Judicial Requerida Empresa: C. T. A. Administração e Participações Ltda. - CNPJ: 04.795.163/0001-69 - Endereço: Rua Pedro Procópio, 88, Cjto, 292,
Santana de Parnaíba/sp -
Vara/Comarca: 1a Vara Regional de Competência Empresarial e de Conflitos Relacionados À Arbitragem da 1ª Raj/SP
Empresa: Cipapel Comércio e Indústria de Papel Eireli - CNPJ: 50.053.602/0001-85 - Endereço: Via Duque de Caxias, 330, Centro, Itararé/sp - Vara/Comarca: 1a Vara Regional de Competência Empresarial e de Conflitos Relacionados À Arbitragem da 1ª Raj/SP
Empresa: Donnoplast Manufaturados de Papéis e Plásticos Ltda. - CNPJ: 96.240.114/0001-88 - Endereço: Av. Vitorino Monteiro, 962, Distrito
Industrial, Itararé/sp -
Vara/Comarca: 1a Vara Regional de Competência Empresarial e de Conflitos Relacionados À Arbitragem da 1ª Raj/SP
Empresa: Marcmed Distribuidora de Medicamentos Ltda. - CNPJ: 22.962.793/0001-62 - Endereço: Rua Santa Mônica, 1078, Bairro Parque Industrial San José - Vara/Comarca: 2a Vara Regional de Competência Empresarial e de Conflitos Relacionados À Arbitragem da 1ª Raj/SP - Observação: Pedido redistribuído.
18 Empresa: Transdonno Rent a Truck Ltda. - CNPJ: 04.965.721/0001-97 - Endereço: Rua Lázaro José Gonçalves, 225, Bairro Jardim
Avelino, São Paulo/sp -
Vara/Comarca: 1a Vara Regional de Competência Empresarial e de Conflitos Relacionados À Arbitragem da 1ª Raj/SP
Empresa: Valdenir Roberto Lopes ME - CNPJ: 09.013.840/0001-63 - Endereço: Av. Moacir da Silveira, 38, Bairro Jardim Isaura, Santana de Parnaíba/sp - Vara/Comarca: 1a Vara Regional de Competência Empresarial e de Conflitos Relacionados À Arbitragem da 1ª Raj/SP
Empresa: Visão Projetos e Engenharia Eireli - CNPJ: 26.199.140/0001-24 - Endereço: Rua Guarani, 938, Bairro Conceição, Diadema/sp - Vara/Comarca: 2a Vara Regional de Competência Empresarial e de Conflitos Relacionados À Arbitragem da 1ª Raj/SP
Recuperação Judicial Deferida Empresa: Center Fit Fitness Maria Amália Eireli ME - CNPJ: 24.636.254/0001-69 - Endereço: Rua Maria Amália Lopes Azevedo, 2085, Bairro Vila Albertina - Administrador Judicial: Expertisemais Serviços Contábeis e Administrativos Ltda., Representada Pela Contadora Sra. Eliza Fazan - Vara/Comarca: 2a Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo/SP
Empresa: Center Fit Maria Amália Eireli - CNPJ: 14.278.340/0001-93 - Endereço: Rua Maria Amália Lopes Azevedo, 2085, Bairro Vila Albertina -
Administrador Judicial:
Administrativos Ltda., Representada Pela Contadora Sra. Eliza Fazan - Vara/Comarca: 2a Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo/SP
Empresa: Jump & Jump Fitness Eireli ME - CNPJ: 24.625.344/0001-54 - Endereço: Av. Pompeia, 568, Bairro Vila Pompeia - Administrador Judicial: Expertisemais Serviços Contábeis e Administrativos Ltda., Representada Pela Contadora Sra. Eliza Fazan - Vara/Comarca: 2a Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo/SP
Empresa: Jump & Jump Fitness Eireli ME Filial, Nome Fantasia Jump
Maria Amália - CNPJ:
24.625.344/0002-35 - Endereço: Rua Maria Amália Lopes Azevedo, 2085, Bairro Vila Albertina - Administrador Judicial: Expertisemais Serviços Contábeis e Administrativos Ltda., Representada Pela Contadora Sra. Eliza Fazan - Vara/Comarca: 2a Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo/SP
Empresa: Jump Academia Eireli - CNPJ: 02.332.825/0001-39 - Endereço: Av. Pompeia, 568, Bairro Vila Pompeia - Administrador Judicial: Expertisemais Serviços Contábeis e Administrativos Ltda., Representada Pela Contadora Sra. Eliza Fazan - Vara/Comarca: 2a Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo/SP
Homologação de Desistência de Recuperação Judicial
Empresa: Marcelo Jorge Dau ME - CNPJ: 13.227.347/0001-13 - Endereço: Rua Vinte e Quatro de Outubro, 3043, Bairro Vila Beca,
19 Itararé/sp - Vara/Comarca: 2a Vara Regional de Competência Empresarial e de Conflitos Relacionados À Arbitragem da 1ª Raj/SP
Recuperações Judiciais Indeferidas
Empresa: Hotel & Pousada Chalés de Lagoinha Ltda. ME - CNPJ: 14.267.703/0001-95 - Endereço: Rua Joaquim Pereira Azevedo, S/nº, Bairro Lagoinha - Vara/Comarca: Vara Única de Paraipaba/CE - Observação: Face a não Instrução do pedido com a documentação pertinente.
https://valor.globo.com/empresas/noticia/20
21/01/13/dbf5ba9f-movimento-falimentar.ghtml
Valor Econômico
Caderno: Empresas, quarta-feira 13de
janeiro de 2021.
SUS cobra R$ 450 milhões de
Hapvida e NotreDame
Operadoras questionam valores e apelam à Justiça
Por Murillo Camarotto — De Brasília
As operadoras de planos de saúde Hapvida e NotreDame Intermédica, que estão negociando a fusão de seus negócios, deixaram de pagar pouco mais de R$ 450 milhões ao Sistema Único de Saúde (SUS). A quantia é referente aos ressarcimentos que os planos privados devem fazer ao governo quando seus clientes são atendidos na rede pública.
Os dados são da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), órgão responsável pela fiscalização dos planos.
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Um levantamento feito pela autarquia mostra um saldo de R$ 229,6 milhões devido pela NotreDame, e outro de R$ 221,6 milhões, cobrado da Hapvida. Entre as cinco maiores operadoras de planos do país, elas são as únicas que apresentam o Índice de Efetivo Pagamento (IEP) de 0%. O indicador, criado pela ANS, traduz o percentual de valores pagos ou parcelados em relação ao total supostamente devido pelas empresas. As outras três principais operadoras do país em número de beneficiários - Bradesco Saúde, Amil e Sulamérica - aparecem acima dos 99%.
Esses dados são acumulados pela ANS desde 2001, mas o processo de consolidação ficou mais robusto nos últimos cinco anos.
Quando o beneficiário de um plano é atendido na rede pública, a unidade de saúde faz a devida identificação e encaminha os valores do serviço para
a ANS, que cobra
administrativamente o ressarcimento. Uma vez pago, o montante é encaminhado ao SUS. Apenas em 2019, mais de R$ 1 bilhão foram repassados.
O ressarcimento foi alvo de questionamentos por parte das operadoras, mas a questão acabou pacificada no ano passado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou que as empresas devem pagar o SUS. Ainda assim, algumas seguem discordando do formato de cobrança e postergando os valores devidos.
Segundo fontes do setor, Hapvida e NotreDame optam por não fazer os pagamentos e discutir na Justiça. Para isso, fazem depósitos judiciais em valores correspondentes à cobrança, evitando assim qualquer tipo de confisco.
Em nota, a NotreDame informou que não deve nada ao SUS. Segundo a empresa, os pagamentos considerados devidos são feitos diretamente por suas afiliadas, enquanto que aqueles tidos como improcedentes são discutidos em âmbito judicial, mediante depósitos de garantia. Entre as afiliadas mencionadas pelo grupo, o painel da ANS mostra a Santamália Saúde com IEP de 44% e R$ 13,6 milhões pagos até junho de 2020. Já a Samed apresenta 100% de quitação, com pagamentos de R$ 3,6 milhões. Esses valores, entretanto, não interferem no índice da holding e estão longe do montante total reivindicado pela agência.
Especialista no tema, o advogado Ricardo Ramires, sócio do escritório Dagoberto Advogados, explica que ainda há muitas dúvidas relacionadas à cobrança, entre elas o valor dos serviços prestados pela rede pública. Segundo ele, as operadoras reivindicam o pagamento da tabela SUS, enquanto a ANS utiliza uma tabela com valores 50% maiores. Há ainda indagações contratuais, como casos de clientes que usam a rede pública no período de carência do plano.
Representando a Hapvida, A Associação Brasileira dos Planos de Saúde (Abramge) alegou que discordâncias relacionadas à forma e
19 aos valores das cobranças têm levado a operadora a optar pelo pagamento na Justiça.
“A judicialização não é uma estratégia das operadoras de planos, e sim um direito. Ademais, os valores estão 100% provisionados de acordo com a legislação vigente, incluindo eventuais juros, multas e correção monetária”, argumenta a entidade.
Quando o pagamento do
ressarcimento não é efetuado, a ANS procura a Advocacia-Geral da União (AGU), que é a responsável por representar judicialmente o SUS na cobrança dos valores.
A avaliação na ANS é que, pelas características das empresas, que possuem uma rede verticalizada e com acesso mais controlado, muitos clientes acabam optando, vez ou outra, pelo SUS. Com isso, as operadoras reduzem os índices de sinistralidade, o que seria positivo para os negócios.
Desde o anúncio das negociações para a fusão, as duas operadoras registraram uma valorização de R$ 32,5 bilhões na B3. Juntas, Hapvida e NotreDame atingiram na segunda-feira valor de mercado de R$ 129,4 milhões.
A nova empresa passaria a contar com 7,1 milhões de usuários de convênio médico e outros 5,3 milhões, de plano dental. A rede própria seria formada por 300 clínicas e 70 hospitais. O negócio ainda será analisado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). https://valor.globo.com/empresas/noticia/20 21/01/13/sus-cobra-r-450-milhoes-de-hapvida-e-notredame.ghtml Retorne ao índice 21
Valor Econômico
Caderno: Empresas, quarta-feira 13de
janeiro de 2021.
Buser chega agora à estação
rodoviária
Em meio a ações judiciais, companhia repete o ‘efeito Uber’ no setor de ônibus
Por Daniela Braun — De São Paulo
Fundada há três anos e meio, Buser tem 160 empresas de fretamento em sua plataforma e 4 viações rodoviárias — Foto: Divulgação
A Buser, empresa de tecnologia que vende viagens de ônibus por fretamento, tem seu modelo de negócios questionado na Justiça por companhias de transporte de passageiros, praticamente desde sua fundação, há três anos e meio. Mas agora conseguiu atrair quatro viações rodoviárias interestaduais para sua plataforma, abrindo um flanco no “inimigo”. Além do fretamento, que
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tem desde junho de 2017, a Buser começa a vender passagens de
empresas que operam nas
rodoviárias.
As viações Adamantina, Luxor Turismo, Viação Esmeralda e Viação São Luiz, que oferecem viagens interestaduais com autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), são as primeiras parceiras do Buser Passagens. O novo serviço cobre viagens para 20 cidades em cinco Estados (MG, MT, MS, GO, SP), além do Distrito Federal. Hoje a Buser opera em 170 cidades com uma frota de 550 ônibus de 160 parceiros ativos no aplicativo.
A expansão do modelo de negócios para a venda de passagens “tradicionais” se assemelha ao modelo de marketplaces (plataformas na internet que reúnem diversas companhias, como um shopping center), adotado por empresas como ClickBus e Guichê Virtual.
A Buser vem crescendo e já vendeu 5 milhões de passagens, oferecendo viagens de graça e preços inferiores aos das linhas que atuam por concessão pública ou autorização da ANTT.
Marcelo Vasconcellos, co-fundador do Buser, lembra que a ideia de criar a startup surgiu por experiência própria, após uma viagem para um evento, em Salvador. “O trecho de ônibus custava R$ 400, claramente pela falta de competição.”
A Buser não revela números, mas segundo Vasconcellos ainda não atingiu o equilíbrio financeiro por estar usando o caixa no processo de crescimento.
Sobre as disputas judiciais, o executivo diz que “toda tecnologia, quando surge, gera questionamentos de todos os lados”, lembrando da disputa entre Uber e o sindicato dos taxistas. “Operamos com decisões que respaldam nosso funcionamento”, ressalta.
Na última semana, a Justiça do Rio de Janeiro impediu o uso da plataforma da Buser por três empresas de fretamento, alegando que o serviço público de transporte interestadual e internacional deve ser prestado mediante permissão, autorização ou concessão. A 23ª Camara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro negou recurso das três empresas e confirmou a liminar na ação proposta pela Associação Brasileira de Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati). Mas em dezembro, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo julgou improcedente um recurso do
23 Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado de São Paulo (Setpesp), que acusava a Buser de transporte ilegal e irregular de passageiros. “Além de recolher menos impostos, por ser uma empresa de tecnologia, a Buser não tem as mesmas obrigações das empresas que atuam por concessão pública”, diz Gentil Zanoivello, presidente do Setpesp.
Os encargos embutidos no valor de uma passagem de ônibus no Estado de São Paulo são taxa de embarque (R$ 6,25), ICMS (12 %), PIS/Cofins (3,65 %), Taxa Artesp (2%) - de fiscalização dos terminais rodoviários - e gratuidades (R$ 1,25), referentes ao subsídio de passagens a grupos como idosos, estudantes e crianças. Uma fretadora em São Paulo deve pagar ICMS (12 %) e PIS/Cofins (3,65 %). Empresas como Buser e 4Bus, que também atua como plataforma de intermediação de viagens fretadas, recolhem ISS (5%), PIS e Cofins (9,25%), por serem empresas de serviços de tecnologia.
Ao contrário das linhas públicas, Zanoivello explica que a Buser não tem obrigação de atender localidades que não são lucrativas. Segundo ele, 70% das linhas regulares que atendem 645 municípios do Estado de São Paulo são deficitárias. “Quando uma empresa opera somente as boas linhas, ela tira a receita que é essencial para o equilíbrio econômico do sistema”, afirma. O sindicato também argumenta que a Buser oferece destinos regulares pré-estabelecidos. “Hoje, a empresa abre o horário sem interessados, define o preço e as pessoas passam a aderir
àquela viagem, o que não é diferente do transporte regular”.
Além do transporte intermunicipal, a Buser também vende viagens entre 16 Estados. De acordo com a Abrati, em 2020, por conta da pandemia, o setor faturou R$ 3,78 bilhões, 46% menos do que os R$ 7 bilhões registrados em 2019 por conta da queda do fluxo de passageiros.
Considerando que o transporte interestadual requer autorização, e não concessão, a Abrati defende não há impeditivos para a adequação dos parceiros e da Buser junto à ANTT. “As ações do setor frente à Buser vêm ocorrendo porque a empresa não quer se submeter às regras”, diz Letícia. O pedido de registro junto à agência reguladora inclui o envio de certidões negativas da empresa, de registro de funcionários e exames toxicológios regulares de condutores.
Em 2020, a ANTT autorizou a operação de 56 empresas de transporte terrestre de passageiros. A maioria, segundo a agência, é de
empresas que já possuíam
autorização anterior e foram autorizadas a operar novos pares de origem-destino.
Vasconcellos, da Buser, diz que todos os parceiros da empresa têm autorização para operar e são inspecionados antes de ingressarem na plataforma. “Todas as empresas parceiras passam por uma fiscalização da nossa equipe, incluindo a qualidade da garagem, do tipo de ônibus, além de serem monitoradas com câmeras internas nos veículos”, informa.
24 No início de dezembro, a Buser foi buscar respaldo do governo federal participando de uma manifestação de empresas de fretamento em frente ao Palácio da Alvorada. “O presidente Jair Bolsonaro viu a manifestação e nos colocou em contato com o ministro da Infraestrutura [Tarcísio Gomes de Freitas] para avaliar as barreiras à liberdade econômica em alguns decretos do passado”, conta Vasconcellos.
A ANTT informou que a empresa Buser Brasil Tecnologia Ltda deve se submeter à disciplina de autorização do serviço regular de transporte rodoviário coletivo interestadual e internacional de passageiros, conforme a resolução nº 4.770/2015. “Importante lembrar que depende do
Congresso Nacional e dos
formuladores de política pública reverem a legislação para que o pleito da Buser possa ser levado adiante”, diz a ANTT.
Em dezembro, o Senado aprovou o PL 3.819/2020, que estabelece alterações na Lei de Reestruturação dos Transportes Aquaviário e Terrestre (Lei nº10.233/2001), criando regras de outorga para a autorização do transporte rodoviário interestadual e internacional de passageiros que barram a operação de empresas como a Buser. Um dos dispositivos da proposta, relatada pelo senador Acir Gurgacz (PDT-RO), cuja família é dona da viação Eucatur, suspende todas as autorizações concedidas a empresas de transportes rodoviário após outubro de 2019, quando foi instituído o marco regulatório do transporte interestadual de passageiros. A matéria segue para
análise das comissões da Câmara dos Deputados.
Na Câmara há pelo menos quatro projetos de lei sobre o tema. Em dezembro, o deputado Kim Kataguiri (DEM-SP) apensou o projeto de lei 4497/2020 ao PL 148/2020, do deputado Abou Anni (PSL-SP), que também propõe a alteração da Lei nº 10.233/2001. O objetivo, segundo Kataguiri é “prever o uso de plataforma digital no serviço de transporte rodoviário por ônibus, zelar pela livre concorrência e incentivar boas práticas e soluções inovadoras”. O projeto aguarda definição de um relator na Comissão de Viação e Transportes (CVT).
B“Defendemos uma regulação olhando para o futuro”, diz Diogo de Sant'Ana, diretor executivo da Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que conta com oito associados, incluindo Buser, iFood, 99, Rappi e Uber. “A Câmara está mais favorável à modernização do setor do que o Senado.”
BA associação, que discute regulações específicas de serviços de mobilidade com base tecnológica, vem atuando junto ao poder legislativo para mostrar os benefícios econômicos da abertura do modelo de transporte
rodoviário atual. “É uma
oportunidade de renda e de ocupação do transporte rodoviário de forma mais eficiente”, argumenta Sant'Ana. “Não há necessidade de combater uma empresa que usa tecnologia e sim modernizar seu serviço porque tem espaço para todo mundo”.
A ANTT propõe uma nova
regulamentação para o setor, em consulta pública até 23 de janeiro,
25 contemplando condições de entrada e de operação, “para que mais empresas possam operar e ter maior flexibilidade na criação de sua malha de atendimento”.
https://valor.globo.com/empresas/noticia/20 21/01/13/buser-chega-agora-a-estacao-rodoviaria.ghtml
Valor Econômico
Caderno: Empresas, quarta-feira 13de
janeiro de 2021.
Mudança na Lei das S.A. por
meio de medida provisória
gera polêmica
Operação ‘relevante’ entre partes relacionadas poderá ter de ser submetida a assembleia Por Ana Paula Ragazzi — De São Paulo
Gustavo Gonzales, diretor da CVM: temerário trazer tema para assembleia sem definir se o controlador vota ou não — Foto: Leo Pinheiro/Valor
Mudanças previstas para a Lei das S.A. por meio de medida provisória (MP) dentro da iniciativa do governo para melhorar a nota do Brasil no ranking “Doing Business”, do Banco Mundial, estão sendo vistas com ressalvas por especialistas do mercado de capitais.
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Em um debate virtual sobre o tema promovido pela Abrasca, o advogado Nelson Eizirik destacou o temor de mudanças sem o devido debate sobre o assunto. “Isso tem o poder de criar incertezas regulatórias”, afirmou. Os especialistas já identificam uma proposta que, se for levada adiante como está, deverá criar instabilidade. A MP deve alterar o artigo 122 da lei, que trata das assembleias gerais. O novo texto vai estabelecer que operações “relevantes” entre partes relacionadas passarão a ser submetidas à assembleia. Caberá à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) definir o que será uma transação “relevante”. Essa mudança tem potencial de gerar um problema, identificado pela própria autarquia, apurou o Valor, dentro das discussões do grupo de trabalho que trata do tema e tem representantes de B3, Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), Junta Comercial de São Paulo, Coppead/UFRJ e da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia.
O entendimento da CVM, de acordo com fontes, é que essa mudança do artigo 122 da lei exigiria também uma nova redação para o artigo 115, que trata do voto do acionista em situação de potencial conflito de interesses, como é uma operação com parte relacionada.
Esse artigo 115, no entender de muitos no mercado, tem uma redação ruim, que deixa em aberto a interpretação do voto do controlador em situação de potencial conflito de interesses. Há quem entenda que o
controlador está previamente impedido de votar, pelo risco de ele priorizar os interesses próprios em detrimento dos da companhia, o que seria um conflito “formal”. Mas há quem interprete que o conflito é “material”, ou seja, ele pode votar e o conflito efetivo vai depender do voto dele, se for comprovado que privilegiou interesses próprios.
A CVM costuma se manifestar previamente sobre o tema quando consultada no âmbito de operações de reorganizações societárias. Há dez anos, sinalizou o entendimento de que o conflito é formal; mas houve decisões em casos específicos, e dependendo da composição de seu colegiado, que foram na linha do conflito material.
A questão é que, hoje, a CVM se depara com esse tema uma ou duas vezes por ano. Mas, se as operações com partes relacionadas passarem a ser submetidas à assembleia, o tema vai passar a ser muito mais frequente. Daí a necessidade de dar maior clareza ao mercado sobre sua interpretação.
A autarquia, apurou o Valor, sugeriu uma nova redação para o artigo 115 que, de certa forma, vai no meio do caminho entre o conflito material e o formal. A lei passaria a liberar o voto do controlador nesse tipo de operação desde que ela seja submetida primeiro à aprovação de conselheiros independentes. E, se ainda assim algum acionista minoritário continuar questionando os termos, o ônus de provar que a operação aconteceu em condições comutativas ficaria a cargo do próprio controlador.
27 O Valor apurou que não houve consenso do grupo sobre a alteração do 115 e, a princípio, a MP não vai propor nova redação para o artigo. “Ano passado houve uma tentativa de colocar na MP da Liberdade Econômica o conflito material, sem essas salvaguardas aos minoritários, e o tema criou muita polêmica. Acho que não quiseram voltar a mexer nesse tema via MP agora”, avalia uma fonte que prefere não se identificar. Procurada, a CVM informou que tem participado do grupo de trabalho e que não faria comentários adicionais, sinalizando que as discussões ainda podem estar em aberto. No evento promovido pela Abrasca, Gustavo Gonzalez, diretor da CVM, dizendo manifestar sua opinião pessoal e não a da autarquia, afirmou ser “temerário” trazer novos temas para decisão assemblear sem definir se o controlador vota ou não. “Um artigo
que admite interpretações
antagônicas precisa ser alterado, ainda mais por tratar de um aspecto crucial da lei, que é o direito de voto. Se não estamos prontos para discutir essa questão de conflito, também não estamos prontos para decidir que essas operações sejam submetidas à assembleia”, afirmou Gonzalez, no debate. Ele propôs a solução com as salvaguardas sugeridas pela CVM, posição que já vem defendendo desde que entrou na autarquia, em 2017. Apesar de destacarem que a ideia de melhorar o ambiente de negócios no Brasil, atendendo aos requisitos do “Doing Business”, é positiva, os especialistas de mercado de capitais criticaram a adoção de medidas que não fazem sentido ou podem causar impacto relevante no mercado local