Data de Criação: 18/05/2020
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Sumário das
Matérias:
Alta do dólar traz perdas bilionárias às empresas Valor ––18 de maio...01 Derrotas na Justiça inibem novas ações para pandemia Valor ––18 de maio...04 MP que permite corte de salário pode ter prorrogação setorial
Valor ––18 de maio...07 Auxílio ajuda na crise, mas embute risco fiscal Valor ––18 de maio...09 Decreto da ‘Conta Covid’ de energia atrasa Valor ––18 de maio...11 Fabricantes de alumínio tentam barrar onda chinesa Valor ––18 de maio...15 Movimento falimentar
Valor ––18 de maio...17 Caso Atvos traz suposto conflito no BNDES à tona Valor ––18 de maio...18 Nota promissória se destaca na crise
Valor ––18 de maio...21 CVM edita ‘sandbox’ para estimular inovação Valor ––18 de maio...23 TRF em SP paralisa processos sobre PIS/Cofins Valor ––18 de maio...27 TRF em SP paralisa processos sobre PIS/Cofins Valor ––18 de maio...30 A imprescritibilidade do dano ambiental
'Fomos atingidos por um meteoro que impacta o equilíbrio fiscal', diz secretário da Fazenda
Folha ––18 de maio...36 Governo planeja revisão de contratos de estradas e aeroportos, com aval até para alta de tarifa
Globo ––18 de maio...38 Aumento na inadimplência de empresas preocupa bancos e entra no radar do BC
OESP ––18 de maio...43 Secretários de Fazenda pedem urgência no auxílio a Estados
OESP ––18 de maio...45 Novas diretrizes sobre comunicação de operações suspeitas ao Coaf têm prazo postergado
OESP ––18 de maio...48 Pragmatismo do STF garante estados e municípios no "orçamento de guerra"
Conjur ––18 de maio...51 Cidade paulista deve restabelecer mais de 500 contratos de estágio suspensos na pandemia
Migalhas ––18 de maio...53 Juiz restabelece carência de planos de saúde mesmo em casos de covid-19
Migalhas ––18 de maio...56 STF define critério de incidência do ICMS-Importação e decisão impacta mercado
Valor Econômico
Caderno: Primeira Página,
segunda-feira 18 de maio de 2020.
Alta do dólar traz perdas
bilionárias às empresas
Choque cambial de quase 30% do real bateu forte nos balanços das
companhias brasileiras no
primeiro trimestre
Por Nelson Niero e Rita
Azevedo — De São Paulo
O choque cambial de quase 30% do real bateu forte nos balanços das empresas brasileiras no primeiro trimestre. Foram quase R$ 21 bilhões em prejuízo, comparado a um lucro líquido de R$ 11,7 bilhões no mesmo período do ano passado.
Além do efeito da desvalorização do real sobre as dívidas em moeda estrangeira, um fator recorrente nas várias crises vividas pelo país na era do real, o início
01
da pandemia reduziu as vendas e trouxe incertezas sobre os próximos meses. “A desvalorização do real no período
afetou fortemente o resultado
financeiro das companhias. As despesas financeiras líquidas cresceram mais de quatro vezes em comparação aos três primeiros meses do ano passado, para R$ 56,5 bilhões”, diz William Volpato, coordenador do Valor Data, que compilou os dados da pesquisa. São 112 companhias de capital aberto, entre as maiores do país, que publicaram as demonstrações financeiras até sexta-feira.
Se o resultado financeiro foi um desastre, o operacional manteve-se acima da linha d’água, apesar de março já ter sido prejudicado pelo avanço da covid-19. A receita de vendas cresceu 11%, para R$ 304,9 bilhões, e o lucro
operacional dessa amostra ficou
praticamente estável em R$ 30,4 bilhões. O problema é que, depois do choque financeiro, que tende a se dissipar nos próximos trimestres com uma possível estabilização ou reversão cambial, as empresas enfrentam neste segundo trimestre uma segunda onda, desta vez nas operações, com o reflexo direto do efeito sobre a atividade econômica das medidas tomadas para combater a pandemia.
Com a exceção de setores como varejo alimentar e de medicamentos, liberados da quarentena, as empresas enfrentam uma preocupante redução de receita, ao mesmo tempo que buscam adaptar seu pessoal e seus processos às novas regras de convívio virtual. A primeira reação foi preservar o caixa, com medidas como cancelamento ou postergação de dividendos e redução de investimentos.
Choque cambial provoca
prejuízo bilionário no primeiro
trimestre
Despesa financeira causa estrago nas contas; resultado operacional ainda resiste
Por Nelson Niero e Rita
Azevedo — De São Paulo
A combinação do real desvalorizado com o início da pandemia cobrou uma conta alta das empresas brasileiras no primeiro trimestre. Foram R$ 21 bilhões em prejuízo, considerando-se 112 companhias de capital aberto que
publicaram suas demonstrações
financeiras até a manhã de sexta-feira. No mesmo período do ano passado, essas empresas tiveram juntas um lucro líquido de R$ 11,7 bilhões.
Para evitar uma distorção na análise, a amostra não inclui a Petrobras, que fez uma reavaliação gigantesca de seus ativos de exploração e produção depois da reviravolta nos preços dos petróleo e fechou o trimestre com prejuízo recorde
de quase R$ 50 bilhões (ver Petróleo
barato dá tônica de balanços). A
mineradora Vale também ficou de fora
02 por causa da baixa contábil que fez no primeiro trimestre de 2019, quando aconteceu o desastre em Brumadinho (MG).
O efeito do câmbio sobre as dívidas, um fator recorrente nas várias crises vividas pelo país na era do real - a maxidesvalorização de 1999 é o marco inicial -, voltou a desarrumar os balanços no trimestre em que o real desvalorizou-se quase 30% em relação ao dólar, moeda com a qual é fechada a maior parte dos contratos de dívidas externas das empresas.
Como a contabilidade tenta refletir com a maior fidelidade possível os fatos econômicos, a cada fim do período fiscal esse estoque de dívida é
convertido em reais para ser
apresentado nas demonstrações
financeiras, “marcado” ao valor de mercado. Vencendo ou não naquele exercício, o valor é corrigido na totalidade. O efeito na maior parte se restringe aos livros, sem se materializar
num dispêndio de caixa (ver
reportagem abaixo), mas as manchetes
assustam e o choque pode, sim, ter efeitos práticos, como forçar o vencimento antecipado de dívidas. “A desvalorização do real no período
afetou fortemente o resultado
financeiro das companhias. As despesas financeiras líquidas cresceram mais de quatro vezes em comparação aos três primeiros meses do ano passado, para R$ 56,3 bilhões”, diz William Volpato, coordenador do Valor Data, que compilou os dados da pesquisa.
Se o financeiro foi problemático, o operacional manteve-se acima da linha d’água, apesar de março já ter sido prejudicado pelo avanço da covid-19. O lucro operacional dessa amostra foi de
R$ 30,4 bilhões, estável em relação ao mesmo período de 2019 - apesar de a receita de vendas ter subido 11% (R$ 304,9 bilhões), o que mostra uma deterioração nos controles de custos e despesas.
O perigo está aí. Depois do choque financeiro, que tende a se dissipar nos próximos trimestres com uma possível estabilização ou reversão cambial, teremos neste segundo trimestre - já estamos na metade dele - uma segunda onda, desta vez nas operações, com o reflexo amplo e irrestrito do efeito sobre a atividade econômica das medidas que foram tomadas para combater a pandemia.
Com a provável exceção de setores
como varejo alimentar e de
medicamentos, liberados da
quarentena, as empresas foram
atingidas em cheio pela queda de receita, ao mesmo tempo que buscam adaptar seu pessoal e seus processos às novas regras de convívio virtual. A primeira reação foi preservar o caixa - e a sobrevivência -, com medidas como
cancelamento ou postergação de
dividendos e redução de investimentos. A têxtil Cambuci diz, no balanço, que “caminhava para um crescimento robusto”, mas essa jornada foi
interrompida pela covid-19. Em
resposta, a empresa reduziu a
capacidade operacional e cancelou, por tempo indeterminado, investimentos e contratações previstos para o ano. “A maior parte das indústrias já mostra queda de volume, o que deve ser traduzido em uma menor diluição dos custos fixos no segundo trimestre”, diz Ricardo Schweitzer, analista da Nord
Research. “Como pouquíssimos
segmentos tiveram desempenho melhor
03 no cenário de pandemia, o esperado é que, na média, os resultados sejam bastante afetados no financeiro pela variação cambial e, do lado operacional, pela queda das vendas.”
https://valor.globo.com/empresas/noticia/2020/05/1 8/choque-cambial-provoca-prejuizo-bilionario-no-primeiro-trimestre.ghtml
Valor Econômico
Caderno: Primeira Pagina,
segunda-feira 18 de maio de 2020.
Derrotas na Justiça inibem
novas ações para pandemia
Percentual de êxito da Fazenda é
de aproximadamente 80%,
segundo coordenador-geral da representação judicial da PGFN Por Beatriz Olivon — De Brasília
As ações que pedem a postergação do pagamento de tributos vêm perdendo força no Judiciário. O motivo principal são as derrotas nos tribunais. Nos processos, as empresas pedem para adiar vencimentos por prazo maior que o oferecido, além de estender o benefício para impostos e tributos relativos a importações.
A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) afirma que há 5.212 processos pelos quais contribuintes tentam obter alívio financeiro durante a pandemia. O percentual de êxito da Fazenda é de aproximadamente 80%, segundo Manoel Tavares de Menezes Netto, coordenador-geral da representação judicial da PGFN.
As ações são baseadas em 48 teses tributárias, mas a maior parte delas é para adiar o pagamento de tributos ou para substituição dos depósitos judiciais. A PGFN estima que só os pedidos para postergar pagamentos
04
com base na Portaria nº 12, de 2012, uma das teses defendidas, poderiam gerar um rombo de R$ 355 bilhões. “As teses principais perderam força”, afirma o procurador.
Revés na Justiça inibe novas
ações por pandemia
PGFN afirma que há 5.212
processos pelos quais
contribuintes tentam obter alívio financeiro
Por Beatriz Olivon — De Brasília
Gabriela Lemos: poucas decisões favoráveis aos contribuintes ainda poderão ser reformadas na segunda instância — Foto: Divulgação
As ações que pedem a postergação do pagamento de tributos vêm perdendo força no Judiciário. O motivo principal não é a autorização do governo para prorrogá-los, mas as derrotas nos tribunais. Nos processos, as empresas pedem para adiar vencimentos por prazo maior que o oferecido, além de estender para impostos e tributos relativos à importação o benefício. A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) afirma que há 5.212 processos pelos quais contribuintes
tentam obter alívio financeiro durante a pandemia. O percentual de êxito da Fazenda é de aproximadamente 80%, segundo Manoel Tavares de Menezes Netto, coordenador-geral da representação judicial da PGFN.
São 48 teses tributárias, mas a maior parte dos pedidos é para adiar o pagamento de tributos ou a substituição dos depósitos judiciais. A PGFN estima que só os pedidos para postergar pagamentos com base na Portaria nº 12, de 2012, uma das teses defendidas, poderiam gerar um rombo superior a R$ 355 bilhões.
“As teses principais perderam força”, afirma o procurador. Se a primeira onda de ações foi para adiar os tributos, agora o principal assunto tem sido a substituição de depósitos judiciais. A PGFN acompanha de perto os processos que chegam na segunda instância. Outros pedidos comuns são para obter Certidão Negativa de Débitos (CND) e levantar valores bloqueados no Bacenjud. Há ainda casos que contemplam situações específicas de empresas ou de municípios.
Segundo levantamento realizado pelo escritório Mattos Filho, pedidos sobre postergação de tributos praticamente já se encerraram. A advogada Gabriela Lemos, sócia do escritório, diz que as poucas decisões favoráveis ainda poderão ser reformadas na segunda instância.
Ao perder em pedido liminar, as procuradorias recorrem aos Tribunais Regionais Federais (TRFs) que têm se posicionado de forma contrária aos contribuintes. Além disso, há os pedidos de suspensão de segurança, que cassam decisões favoráveis em bloco.
05 “Com isso, a expectativa de ter diferimento no pagamento de tributos na pandemia, além do que prevê a legislação federal, é muito pequena”, afirma Gabriela. Para ela, a substituição de depósitos judiciais por outras garantias ainda é uma tese viável. “O volume [de ações] já foi maior, mas os tribunais começaram a julgar de forma desfavorável, o que desestimulou as empresas”, afirma Flávia Ganzella, do escritório Felsberg Advogados. No começo da pandemia foram feitas muitas consultas, as empresas queriam entender quais as consequências de não pagar tributos sem entrar com ação, segundo Rafael Malheiro, do mesmo escritório. Agora, há também pedidos para diferir o imposto na importação de mercadorias e sobre adiamento de IR e CSLL, segundo Malheiros.
As decisões em suspensão de segurança não costumam ser precedentes fortes, segundo Felipe Salomon, do escritório Levy e Salomão, já que podem ser concedidas sem que seja necessário entrar no mérito. Mas o advogado pondera que esse não é o caso da suspensão de segurança em que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) se manifestou contra os contribuintes em pedido de ICMS. A liminar suspensa por Toffoli facilitava o adiamento do pagamento de ICMS durante a pandemia ao afastar multas, permitir o ingresso em parcelamento e a obtenção de certidão de regularidade. Na decisão, Toffoli afirmou que não cabe ao Poder Judiciário decidir quem deve ou não pagar impostos, ou mesmo quais políticas públicas devem ser adotadas, substituindo os gestores responsáveis (SS 5363).
Segundo Salomon, mesmo sem precisar, o ministro entrou no mérito sobre os adiamentos. “O ministro é muito categórico dizendo que não cabe ao Judiciário decidir quem deve ou não pagar imposto”, afirma.
No caso dos Estados, os pedidos para postergar o pagamento de ICMS têm sido um problema. Em São Paulo, até 28 de abril haviam sido propostas 386 ações. Cerca de 5% das liminares foi concedida. As ações para não pagar impostos durante a pandemia têm potencial de inviabilizar a arrecadação do ICMS, segundo a Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo (PGE). Segundo o órgão, o Estado espera um impacto financeiro de R$ 16 bilhões em razão da covid-19 e considerando-se a retração do PIB e aumento da inadimplência. A arrecadação de ICMS por mês no Estado é de cerca de R$ 12 bilhões e o tributo responde por 80% da receita de São Paulo. A PGE estima que se liminares fossem solicitadas e concedidas por todos os contribuintes, o Estado veria quase todo o orçamento de 2020 ser adiado para 2021. “Ficaríamos sem nenhum recurso”, afirma João Carlos Pietropaolo, subprocurador-geral do Estado de São Paulo na área do contencioso tributário-fiscal. https://valor.globo.com/legislacao/noticia/2020/05/1 8/reves-na-justica-inibe-novas-acoes-por-pandemia.ghtml Retorne ao índice 06
Valor Econômico
Caderno: Politica, segunda-feira 18 de
maio de 2020.
MP que permite corte de
salário pode ter prorrogação
setorial
Relator da MP 936, Orlando Silva quer ampliar o número de casos que precisarão de acordo coletivo para redução salarial
Por Raphael Di Cunto e Edna Simão — De Brasília
18/05/2020 05h00 Atualizado há 4 horas
Relator da Medida Provisória (MP) 936, o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) definiu com o governo que o presidente Jair Bolsonaro poderá propor, por decreto, a prorrogação do corte de salários e jornada de trabalho enquanto durar a calamidade pública causada pela covid-19. O adiamento poderá ser geral ou apenas para alguns setores, a depender do Executivo. Por outro lado, adiar exigirá um novo acordo com entre
empresas e trabalhadores, e o
parlamentar quer ampliar o número daqueles que precisarão de acordo coletivo.
A MP diz que para corte de 25% do salário, independentemente da faixa de renda, o acordo pode ser individual. Se
07
for uma redução maior, de 50% ou 70%, é necessária uma convenção coletiva, negociada com o sindicato para toda a categoria, para quem ganha entre R$ 3 mil e R$ 12 mil. O funcionário que ganha mais ou menos poderá fechar acordo diretamente com a empresa, sem participação do sindicato. O relator pretende reduzir o piso a R$ 1,5 mil, enquanto o governo aceitaria R$ 2 mil. Para os salários acima de R$ 12 mil, nada mudaria. Até agora, 7,5 milhões de acordos foram fechados para redução de salário.
Por outro lado, já é consenso que o governo poderá prorrogar, por decreto presidencial, o prazo de vigência da MP - de três meses para o corte de salários e de dois meses para a suspensão dos
contratos, ações que garantem
estabilidade por igual período. Com isso, a decisão será acelerada, já que não dependerá de nova votação pelo Legislativo. Bolsonaro poderá decidir, inclusive, prorrogar só para alguns setores mais atingidos, como da aviação, e deixar os demais de fora. O parecer permitirá que os funcionários que tiverem os contratos de trabalho suspensos, mas desejarem continuar a pagar a previdência pública para se aposentarem possam fazer isso com um pagamento menor do que o desejado inicialmente pelo governo. A ideia do Ministério da Economia era que eles contribuíssem como facultativos, igual aos autônomos, o que exige pagar 20% sobre o salário (até o teto do INSS, de R$ 6,1 mil).
A proposta dele é reduzir esse percentual, utilizando as mesmas alíquotas pagas como funcionário da empresa, que variam entre 7,5% a 14%, dependendo da faixa de salário. “Isso seria um estímulo a que o trabalhador, mesmo com redução de renda, continua a contribuir. Pode servir a quem está próximo de se aposentar, por exemplo”, comentou.
Essa proposta foi apresentada junto com o restante do parecer à equipe econômica do governo em reunião na sexta-feira, com a participação do presidente da Câmara, Rodrigo Maia
(DEM-RJ). Ao Valor, fontes do
Ministério da Economia disseram que receberam o parecer, mas ainda está em avaliação e não quiseram comentar. Oficialmente, a Pasta respondeu que não comenta projetos em tramitação no Congresso.
A ideia do relator é finalizar o parecer até quarta-feira e levá-lo a votação ainda nesta semana -a proposta, com as mudanças, será apresentada direto no plenário. O texto ainda precisará passar por aprovação do Senado e, se houver alterações, voltar à Câmara para uma última análise antes de seguir à sanção presidencial.
Dois temas geram bastante divergência entre o relator e o governo. O primeiro é o valor que o Executivo compensará do corte de salários. O ministério quer um teto que tem como base o seguro-desemprego, de R$ 1,8 mil, mas os deputado defendem três salários mínimos (R$ 3.135). O objetivo dele, apoiado pela maioria dos partidos, é garantir uma perda de renda menor. O governo, porém, reclama que isso ampliará os gastos com o programa, estimados em R$ 51 bilhões, em mais R$ 20 bilhões.
08 O segundo ponto de grande divergência é facilitar o acesso ao seguro-desemprego. Hoje, o funcionário da CLT precisa cumprir um tempo mínimo de contribuição para receber o benefício - na primeira requisição, é preciso ter trabalhado com carteira assinada por 12 dos últimos 18 meses. O relator quer dispensar esses prazos, mas o governo é contra. “O problema é que não importa
quantas medidas se tome, o
desemprego vai aumentar e não tem
muita perspectiva dessa pessoa
encontrar outra vaga”, disse.
https://valor.globo.com/politica/noticia/2020/05/18/
mp-que-permite-corte-de-salario-pode-ter-prorrogacao-setorial.ghtml Retorne ao índice
Valor Econômico
Caderno: Brasil, segunda-feira 18 de
maio de 2020.
Auxílio ajuda na crise, mas
embute risco fiscal
Benefício de R$ 600 é importante, mas tem problemas de concepção e custo muito alto, diz Ibre/FGV Por Marta Watanabe e Bruno Villas Boas — De São Paulo e do Rio
Botelho: com prorrogação provável, é importante discutir distorções do programa — Foto: Divulgação
Com mais de 50 milhões de brasileiros beneficiados, o auxílio emergencial de R$ 600 é instrumento importante e necessário para amortecer o avanço da pobreza e evitar tombo maior da economia em meio à crise do coronavírus. O programa, porém, foi mal desenhado, resultou em distorções entre beneficiários e ficou grande do ponto vista fiscal. Com validade inicial
09
por três meses, sua iminente
prorrogação ou a discussão sobre sua
perenização demandam
aperfeiçoamentos, sob pena de resultar em gasto insustentável.
Essas foram as conclusões de
conferência virtual promovida
pelo Valor com pesquisadores do
Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV). O debate contou com a apresentação de estudo sobre o auxílio emergencial feita pelo especialista em políticas públicas Vinícius Botelho. Caso o programa se estenda, estima ele, a despesa chegaria em 12 meses a R$ 600 bilhões, o equivalente a 20 vezes o Bolsa Família e a dez vezes o Benefício de Prestação Continuada (BPC, voltado para idosos de baixa renda e pessoas com deficiência). A projeção considera 70 milhões de beneficiários. Um cálculo conservador, diz, já que o tamanho do gasto depende de como as regras poderão ser alteradas pelo Congresso e pelo Judiciário no debate sobre a prorrogação do auxílio.
Schymura: nenhuma força política vai levantar a bandeira do impacto fiscal da medida — Foto: Ana Paula Paiva/Valor
Cálculos de analistas que consideram a perenização do programa apontam para déficit primário em 2020 superior a R$ 1 trilhão, diz Manoel Pires, pesquisador do Ibre. O número, lembra, era a meta inicial de economia da reforma previdenciária em uma década. “No final das contas usaremos a reforma previdenciária para pagar o déficit primário. Sairemos da pandemia com dívida mais alta, juros mais baixos, níveis de crescimento que não se sabe
quais serão e sem reforma
previdenciária a fazer. A discussão fiscal se tornará mais complexa.”
O auxílio emergencial vai custar em três meses mais de 2% do PIB., afirma Pires. “Em um ano são 8% do PIB. Não tem o menor cabimento pensar em tornar o programa permanente [nos atuais moldes], mas a pressão política existe, a crise vai durar mais do que se imaginava inicialmente”, diz ele, ex-secretário de Política Econômica. A questão é o que cabe ao governo propor nesse cenário e qual o espaço político para fechar algumas brechas em uma negociação para prorrogar o programa, avalia.
Fernando Veloso, economista do Ibre/FGV, lembra que a falta de protagonismo do governo na tramitação e aprovação do auxílio resultou na falta de um limite de custo definido, diferentemente de outros programas. “Como o governo entrou a reboque, não contribuiu para o desenho do programa e não conseguiu estabelecer teto fiscal.”
https://valor.globo.com/brasil/noticia/2020/05/18/a uxilio-ajuda-na-crise-mas-embute-risco-fiscal.ghtml Retorne ao índice
Valor Econômico
Caderno: Empresas, segunda-feira 18
de maio de 2020.
Decreto da ‘Conta Covid’ de
energia atrasa
Texto que regulamentará
empréstimo às distribuidoras já foi aprovado pelo Ministério da Economia e está na Casa Civil Por Letícia Fucuchima e Rodrigo Polito — De São Paulo e do Rio
Prometido para a semana passada, o decreto que regulamentará o programa de apoio do governo ao setor elétrico acabou atrasando e pode ser publicado hoje. O Valor apurou que o texto já foi aprovado pelo Ministério da Economia e está na Casa Civil. Segundo uma fonte ouvida, a pasta trabalha para incluí-lo numa edição extra do Diário Oficial da União (DOU) de hoje.
O Ministério de Minas e Energia (MME) e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) correm para viabilizar toda a documentação necessária do empréstimo ao setor o mais rápido possível, uma vez que os bancos já sinalizaram que poderiam liberar a primeira parcela dos recursos até o último dia útil de maio.
O decreto trará artigos definindo as regras e estabelecendo condições às distribuidoras que quiserem acessar a “Conta Covid”, empréstimo que está
11
sendo costurado pelo BNDES junto a um sindicato de bancos. Segundo a minuta do texto, para aderir ao apoio, as empresas terão que concordar em não solicitar redução do volume contratado de seus contratos, limitar a destinação de dividendos e pagamentos de juros sobre capital próprio ao percentual mínimo legal, em caso de
inadimplência intrassetorial, e
renunciar ao direito de discutir no âmbito judicial qualquer um desses itens.
O texto também prevê que eventuais pedidos de reequilíbrio econômico-financeiro das concessões deverão ocorrer na forma prevista hoje na legislação, ou seja, via processo administrativo específico da Aneel. Porém, não estará explícito no decreto o tamanho da operação de crédito. A expectativa é que essa informação seja divulgada até terça-feira, afirmou a secretária-executiva do MME, Marisete Pereira, na sexta-feira. “Não será nada inferior a R$ 10 bilhões”, disse a secretária.
Os cálculos do montante ainda estão sendo finalizados pela Aneel, que identificará quanto cada distribuidora de energia realmente precisará para fazer frente ao descasamento de caixa causado pela pandemia. A operação terá como garantia um conjunto de ativos regulatórios que compõem a parcela A da tarifa de energia, referente aos custos não gerenciáveis das distribuidoras, como os encargos setoriais pagos pelo consumidor.
Estuda-se ainda o uso de um percentual da parcela B da tarifa para os casos em que as distribuidoras não tenham ativos
suficientes na parcela A e precisem complementar sua necessidade. Essas definições constarão numa resolução da Aneel que também deve ser publicada em breve.
Os mecanismos da “Conta Covid” são similares aos da “Conta ACR”,
instrumento que socorreu as
distribuidoras de energia em 2014 e 2015. Assim como naquela época, o empréstimo será administrado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Os recursos serão injetados no caixa das distribuidoras, para garantir a manutenção do fluxo de pagamentos do setor, e o financiamento será pago por meio da tarifa de energia. Por outro lado, agentes do setor ressaltam que a situação de hoje é diferente da observada em 2014, quando as distribuidoras sofreram com subcontratação em meio a uma crise gerada no próprio setor elétrico. Além disso, com a queda da taxa Selic nos últimos anos, o custo financeiro da operação também deverá ser inferior ao daquela época.
Na opinião do presidente da comissão de energia do conselho federal da OAB, Gustavo de Marchi, a medida é importante para que as distribuidoras tenham condições de manter o fluxo de pagamentos da cadeia do setor. “Em linhas gerais, o decreto será mais um ato que traduz a intenção do governo em dotar as distribuidoras com recursos para continuar a arcar com as obrigações fixas mensais apesar da redução de recebíveis a curto prazo”, disse ele.
Segundo Raphael Gomes, sócio da área de Energia e Recursos Naturais do escritório Demarest, é importante que a solução discutida pelo governo com o
12 setor respeite os contratos firmados. Caso contrário, disse, será colocada em risco a atratividade do setor para novos investimentos privados no futuro. “Temos que pensar na estabilidade. Não podemos quebrar as fundações.”
Gomes avalia ainda que, o fato de a
CCEE ficar responsável pela
operacionalização da “Conta Covid” é positivo, devido à governança e transparência da instituição, o que traz um aspecto importante ao processo. A perda financeira da crise para as distribuidoras já alcança R$ 4,62 bilhões, segundo cálculos do MME com dados desde o início das medidas de quarentena até o dia 10 de maio. Dessa cifra, R$ 3,48 bilhões vem do aumento da inadimplência no pagamento da conta de luz, que subiu para 15% - em condições normais, o índice fica em torno de 3%. O restante do prejuízo reflete a redução do faturamento com a queda do consumo de energia.
Valor Econômico — Foto: Imagem Valor Econômico
A dificuldade em relação ao auxílio emergencial, diz Luiz Guilherme Schymura, diretor do Ibre, é que o socorro serviu para mitigar efeitos da pandemia no trabalho informal e ao
mesmo colocou em debate a
distribuição de renda, “uma pauta da qual será difícil fugir”. Para ele, nenhuma força política vai levantar a bandeira do impacto fiscal da medida. “O momento é muito delicado para esse
jogo.” (ver Bolsonaro e Congresso
devem disputar os dividendos políticos do benefício)
Ex-secretário de Avaliação e Gestão da Informação do Ministério da Cidadania, Botelho avalia que a prorrogação do programa é o cenário muito provável e pode ser aproveitado para discutir as distorções do auxílio. Ele chama a atenção para eventual necessidade de
suplementação de recursos ao
programa. Segundo Botelho, os
beneficiários do programa, que hoje somam 50,5 milhões, podem chegar a 79,1 milhões, número estimado de potenciais beneficiários. O orçamento prevê espaço para cerca de 58 milhões de pessoas. O cálculo dos beneficiários em potencial baseou-se em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua.
Botelho analisou também os efeitos do auxílio emergencial ainda com base na Pnad Contínua de 2019. Considerou-se que dentro da economia informal não há como verificar o nível de renda e a entrada de pessoas fora da população
economicamente ativa. Também
considera premissa de que os
trabalhadores formais serão protegidos pelo seguro-desemprego.
Pelas estimativas, os 79,1 milhões em potenciais beneficiários tinham, antes da pandemia, R$ 64,2 bilhões ao mês
13 em rendimentos habituais do trabalho. A folha do auxílio emergencial, destaca ele, é de R$ 35,5 bilhões mensais. “Mais da metade da massa de rendimentos habituais já está sendo colocada de volta na economia por meio do auxílio emergencial.”
Dentro do Bolsa Família, explica Botelho, há beneficiários com emprego formal ou informal. A parcela dos informais, elegível para o auxílio
emergencial, soma rendimentos
habituais de R$ 6 bilhões. Isso, somado à folha de benefícios do programa, resulta em R$ 8,7 bilhões de valor total recebido habitualmente antes da crise do coronavírus.
A transferência de recursos do auxílio emergencial para o público do Bolsa Família, compara ele, é de R$ 15,2
bilhões. “Para esse público
especificamente o programa não é de compensação por perda de renda e sim de transferência de renda. A magnitude da diferença entre os dois valores é muito grande.”
Botelho também faz a comparação por trabalhador. O rendimento mensal de cada ocupado dentro do Bolsa Família era de R$ 675 mensais antes da pandemia. O benefício médio do auxílio emergencial para o público do Bolsa Família é de R$ 791 mensais. A média mais alta do auxílio emergencial, diz ele, é em boa parte explicada pela cota dupla. Ele salienta que mais de 90% dos responsáveis do Bolsa Família são mulheres. A cota dupla garante dois auxílios (o que soma R$ 1,2 mil mensais) às mulheres sem cônjuge e com pelo menos um filho menor.
O especialista em políticas públicas também estudou o potencial de expansão do auxílio fora do grupo do Bolsa Família. Nesse público, o potencial de beneficiários seria de 60,6 milhões com massa de rendimentos habituais de R$ 54,8 bilhões antes da pandemia, segundo Botelho. O total da folha do auxílio emergencial para esse grupo, compara, é de R$ 20,6 bilhões. “Ou seja, a reposição dos rendimentos habituais do trabalho no pré-crise para esse público fora do Bolsa Família é de 37%, uma parcela significativa.”
Botelho lembra ainda que, segundo dados oficiais, houve 96,9 milhões de pedidos de auxílio analisados. Desse grupo, 50,5 milhões foram habilitados,
13,7 milhões tiveram análises
inconclusivas e 32,8 milhões foram indeferidos. Os dois últimos grupos,
diz, mostram que o total de
beneficiários pode efetivamente chegar aos 79,1 milhões, já que os candidatos de casos inconclusivos podem ser ainda aceitos e os com pedidos indeferidos, buscar o Judiciário.
14 “A necessidade do programa é inquestionável. Sua construção num período de tempo curto é algo a ser comemorado. Sem ele estaríamos vendo um genocídio social, com risco de caos gigantesco. Mas fazer algo nessa velocidade gera ineficiências”, pondera Pires. Um programa de caráter geral para um público tão diverso, avalia, traz o desafio sobre como tratar os trabalhadores informais. “É muito pouco trivial entender como na crise criamos um programa que melhora a vida de tanta gente. Por outro lado, o mesmo programa não compensa a renda adequadamente em outros casos.” São problemas que precisam ser colocados em discussão, afirma ele.
https://valor.globo.com/empresas/noticia/2020/05/1 8/decreto-da-conta-covid-de-energia-atrasa.ghtml Retorne ao índice
Valor Econômico
Caderno: Empreas, segunda-feira 18
de maio de 2020.
Fabricantes de alumínio
tentam barrar onda chinesa
Produtos semi-elaborados e
avabados chegam ao país com subsídios do governo chinês e
recebem benefícios, como
redução de ICMS, de estados como SC e ES
Por Ivo Ribeiro — De São Paulo
Milton Rego, da Abal: além de competição desleal e de incentivos da China, enfrentamos atalhos tarifários oriundos da ‘guerra dos portos’ que ocorre no Brasil — Foto: Nilani Goettems/Valor
A indústria de produtos manufaturados e semi-transformados de alumínio do país vê com muita preocupação o avanço da China sobre o mercado brasileiro. Estudo realizado pela FGV, a pedido da Associação Brasileira do Alumínio (Abal) e finalizado em janeiro, traça um retrato da situação do setor.
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No total, o Brasil importa 300 mil toneladas desses produtos. Na última década, houve avanço forte do material estrangeiro. De 2017 para cá, materiais oriundos da China ampliaram sua fatia no bolo ao deslocar concorrentes - na média, nesse período, mais do que dobrou, para além de 40%.
Mas, em alguns casos, a entrada do material chinês é arrasadora. Em folhas para uso doméstico atinge 90% do total importado.
“Atualmente, de cada 10 rolos de papel em alumínio expostos nas gôndolas dos supermercados, nove são chineses. E desses nove, ao menos seis estão fora do padrão mínimo de espessura exigido pelas normas da ABNT, que é de 0,08 milímetro”, afirma Milton Rego, presidente-executivo da Abal. Com a perda de competitividade frente aos importados, o Brasil já não fabrica mais folha de alumínio, diz o executivo. Os produtos que mais têm entrado no país são bobinas, chapas, folhas e perfis de alumínio. De 9%, a China hoje responde por 57% da produção mundial de semi-manufaturados e transformados de alumínio. O país leva matéria-prima (alumina, de menor valor agregado), faz o metal e o transforma em produtos (de alto valor agregado), que são exportados para o Brasil e para onde der.
O Brasil passou a ser importador líquido de alumínio primário desde 2014. E caminha para ser também de produtos finais. Sem uma política industrial para este e outros segmentos industriais, diz o dirigente, o país vai se transformar num exportador bens primários - minério e grãos.
Entre os fatores que favorecem os chineses, aponta o estudo da FGV, está o desvio de comércio. A China concede incentivos e subsídios cruzados que tornam seus produtos imbatíveis numa relação de competição normal. Não à toa, o país é o campeão de ações comerciais antidumping em vários mercados: Estados Unidos, Europa, México, Índia e Japão.
Como há um excesso de oferta mundial, fruto de aumento constante de produção chinesa, à medida que portas vão se fechando, avançam sobre outros mercados. O Brasil -décimo maior consumidor de alumínio do mundo - é um dos alvos dos chineses.
A Abal entrou com pedido de ação anti-dumping, mas não ganhou. Argumento: não conseguiu comprovar o dano e a causalidade e origem (China) do problema. Segundo Rego, as autoridades brasileiras ligadas ao comércio exterior, à frente a Secex, não têm acatado ações de defesa comercial, como outras nações.
E o que alegam os burocratas brasileiros da Secretaria de Comércio Exterior? “São todos muito atenciosos, mas afirma que em primeiro lugar está o interesse público e que é preciso liberalizar a economia nacional para o Brasil ser uma grande nação”, afirma Rego. “Não estão preocupados com fechamento de fábricas e perda de empregos”, acrescenta.
Para o executivo, o Brasil ainda está jogando um tipo de jogo, dos anos 1980, que o mundo já não joga mais”. Os EUA, ao contrário, agem com medidas pela segurança de seu mercado. Um exemplo é a Seção 232, impondo sobretaxas e cotas às importações de vários produtos, como
16 alumínio e aço, tendo a China como principal alvo.
A tarifa média de importação no Brasil, explica o executivo, é de 9%, parecida com a dos países em desenvolvimento, mas a efetiva fica de 2,5% a 5%. “A principal questão são os atalhos tarifários ou benefícios fiscais na ‘guerra dos portos’ que ocorre no Brasil”, afirma Rego. Com benefícios no pagamento de ICMS concedidos por governos como de Santa Catarina e Espírito Santo, portos desses dois estados concentram entre 75% e 80% da entrada de produtos de alumínio. “O Brasil precisa adotar uma nova realidade para a indústria - um ambiente que incentive investimento e que a insira no comércio internacional”, afirma. Mas, segundo o dirigente da Abal, o que se percebe em Brasília é que política industrial virou palavrão. “O mantra na Secex é liberalização”.
Para a FGV, “a política comercial brasileira para o setor tornou-se, em termos relativos, muito mais liberal e muito menos defensiva. Destaca que a lógica da oferta chinesa não se pauta pelos mecanismos tradicionais de mercado. Está submetida aos objetivos estratégicos do governo local, tanto para o mercado interno quanto da inserção no mercado internacional. https://valor.globo.com/empresas/noticia/2020/05/1 8/fabricantes-de-aluminio-tentam-barrar-onda-chinesa.ghtml
Valor Econômico
Caderno: Empresas, segunda-feira 18
de maio de 2020.
Movimento falimentar
Falências Requeridas
Requerido: Cuiabá Comércio de Papéis Ltda. - CNPJ: 52.734.720/0001-84 - Endereço: Rua Cuiabá, 243, Bairro da
Mooca - Requerente: Nobel
Securitizadora Ltda. - Vara/Comarca: 1a Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo/SP
Requerido: J. K. M7 Publicidade e
Marketing Ltda. ME - CNPJ:
13.578.931/0001-13 - Endereço: Av. Francisco Rodrigues Filho, 657, Bairro Mogilar, Mogi Das Cruzes/sp - Requerente: Klebiana Alves Dos Santos - Vara/Comarca: 2a Vara Regional de Competência Empresarial e de Conflitos Relacionados À Arbitragem da 1ª
Raj/SP - Observação: Pedido
redistribuído.
Requerido: Jpb Serviços Terceirizados Ltda. - CNPJ: 23.801.645/0001-29 - Endereço: Rua Cabo Diogo Oliver, 2971, Sala 02, Bairro Vila Mogilar, Mogi Das Cruzes - Requerente: Margareth Rose Abud de Almeida - Vara/Comarca: 2a
Vara Regional de Competência
Empresarial e de Conflitos
Relacionados À Arbitragem da 1ª
Raj/SP - Observação: Pedido
redistribuído.
Requerido: Mega Shopping da
Construção Ltda. - CNPJ:
26.300.748/0001-01 - Endereço: Av. Nove de Julho, 1399, Sala 05, Centro,
Poá/sp - Requerente: Balthy
Consultoria em Gestão Empresarial e Participações Ltda. - Vara/Comarca: 5a Vara de Mogi Das Cruzes/SP - Observação: Pedido redistribuído.
Requerido: Onepack Comércio,
Importação e Exportação Ltda. - CNPJ: 04.510.468/0001-87 - Endereço: Av. Brigadeiro Faria Lima, 2013, 11º Andar, Bairro Jardim Paulistano - Requerente: Sul Brasil Securitizadora S/A - Vara/Comarca: 1a Vara de Falências e
Recuperações Judiciais de São
Paulo/SP
Requerido: Portal do Aço de Abadiania Ltda. Epp - CNPJ: 07.907.311/0001-88 - Endereço: Rua Ari Aps, 404, Bairro Jardim Bonfiglioli - Requerente:
Gerdau Aços Longos S/A -
Vara/Comarca: 1a Vara de Falências e
Recuperações Judiciais de São
Paulo/SP
Falências Decretadas
Empresa: Showpet Distribuidora de Produtos Agroveterinários Ltda. ME -
CNPJ: 08.332.500/0001-32 -
Endereço: Av. Portugal, 2312, Lojas 04, 05 e 6, Salas 01, 02 e 03, Galpão 01, Bairro Santa Amélia - Administrador Judicial: A Própria Administradora Judicial da Recuperação Judicial Rescindida, Drm Gestão Empresarial Ltda., Representada Pelo Dr. Giovanio Aguiar - Vara/Comarca: 2a Vara Empresarial de Belo Horizonte/MG -
Observação: Recuperação Judicial
Processos de Falência Extintos
Requerido: Efrata Elevadores e Serviços Ltda. Epp - CNPJ: 21.390.409/0001-31 - Endereço: Rua Miguel Gustavo, 06, Bairro Vila Maria Luisa - Requerente:
Ace Schmersal Eletromecânica
Industrial Ltda. - Vara/Comarca: 1a Vara de Falências e Recuperações
Judiciais de São Paulo/SP -
Observação: Homologado acordo
celebrado entre as partes.
Reformas de Sentença de Falência
Empresa: Efrata Elevadores e Serviços Ltda. Epp - CNPJ: 21.390.409/0001-31 - Endereço: Rua Miguel Gustavo, 06, Bairro Vila Maria Luisa - Requerente:
Ace Schmersal Eletromecânica
Industrial Ltda. - Vara/Comarca: 1a Vara de Falências e Recuperações
Judiciais de São Paulo/SP -
Observação: Revogado o despacho de quebra da requerida.
Recuperação Judicial Deferida
Empresa: Evers Indústria e Comércio de Produtos Nutracêuticos S/A - CNPJ: 07.430.661/0001-04 - Endereço: Rua José de Resende Meirelles, 3829, Vinhedo/sp - Administrador Judicial: Aj Ruiz Consultoria Empresarial Ltda., Representada Pela Dra. Joice Ruiz Bernier - Vara/Comarca: 1a Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo/SP
Empresa: Ncs Suplementos S/A -
CNPJ: 04.892.290/0001-86 -
Endereço: Rua Fidêncio Ramos, 100, 4º
Andar, Bairro Vila Olímpia -
Administrador Judicial: Aj Ruiz
Consultoria Empresarial Ltda.,
Representada Pela Dra. Joice Ruiz Bernier - Vara/Comarca: 1a Vara de
17 Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo/SP
https://valor.globo.com/empresas/noti cia/2020/05/18/1bdd55f6-movimento-falimentar.ghtml
Valor Econômico
Caderno: Agronegócios,
segunda-feira 18 de maio de 2020.
Caso Atvos traz suposto
conflito no BNDES à tona
Recuperação judicial da Atvos tem discussão sobre suposto conflito de interesses de presidente do conselho do BNDES
Por Francisco Góes e Camila Souza Ramos — Do Rio e São Paulo
Marcelo Serfaty, do BNDES: nega qualquer irregularidade e se diz ‘indignado’ — Foto: Silvia Costanti/Valor
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A disputa societária envolvendo a Atvos, empresa de açúcar e etanol criada pela Odebrecht, colocou um novo personagem no centro do debate sobre a companhia, que encontra-se em recuperação judicial com dívidas totais que somam R$ 15 bilhões. Nos últimos dias, ao se aproximar a assembleia de credores da Atvos, prevista para amanhã, sugiram questionamentos sobre possível conflito de interesses nesse caso por parte do presidente do conselho de administração do Banco
Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES), o advogado Marcelo Serfaty, que refutou ao Valor a existência de qualquer irregularidade: “Me sinto indignado”, afirmou.
Além de presidir o conselho do BNDES, Serfaty é sócio da gestora de recursos G5 Private Equity. Outro sócio dessa empresa é a G5 Partners, consultoria que atua como assessora financeira do fundo americano Lone Star na recuperação judicial da Atvos. Lone Star e Odebrecht travam “batalha” judicial pelo controle da companhia, que tem o BNDES como um dos principais interessados, com créditos a receber de cerca de R$ 4 bilhões na recuperação judicial em curso.
Outro indício para se apontar um eventual conflito de interesses de Serfaty - além da sociedade na G5 - surge da agenda da diretoria do BNDES em 10 de fevereiro deste ano, quando o
executivo ocupava o cargo de
conselheiro do banco há mais de dois meses (ele foi eleito em assembleia em 20 de novembro de 2019). Na agenda daquele dia, o nome de Serfaty aparece em reunião com “G5 Partners” e com o superintendente da área de gestão de riscos do banco, Paulo Henrique Barbosa Pegas. Pegas é uma das pessoas que mais conhecem de Atvos no BNDES.
Serfaty disse que a G5 Partners é “mera acionista” da gestora de recursos na qual a consultoria entrou com duas finalidades: ajudar a captar recursos e dar suporte administrativo. Disse que a gestora tem nível de governança com padrão internacional e acrescentou: “Não participo de conselho ou diretoria de qualquer outra G5. Não conheço os mandatos da outra G5.” Serfaty afirmou que está dedicado ao BNDES e que acompanha alguns investimentos que fazem parte da G5 Private Equity. A G5 Partners disse que Serfaty nunca
representou a empresa perante
qualquer órgão, entidade ou autoridade
governamental, “especialmente no
BNDES”. Afirmou que a participação do executivo se dá na área de venture capital, segmento da gestora focado na aquisição de fatias de empresas de médio porte, conforme informado ao Comitê de Elegibilidade do BNDES, e que Serfaty não tem qualquer relação com as atividades da G5 Partners. A Lone Star disse que nunca teve contato ou relacionamento com Serfaty. “A Lone Star contesta qualquer suspeita de conflito de interesses. Algumas das
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premissas observadas para a
contratação da G5 Partners foram sua reputação e os rigorosos mecanismos de compliance com que conduz suas atividades”, disse o fundo.
Em nota, o BNDES disse que houve “erro” no registro de agenda do superintendente Pegas. O equívoco teria sido motivado pelo fato de Serfaty usar, em alguns casos, o e-mail da G5 nas comunicações com o banco, daí que o nome da consultoria tenha aparecido na reunião. Mas ele garante que não tratou de temas da G5 ou da Atvos. O objetivo do encontro foi entender a estrutura de risco e de compliance do banco, disse Serfaty.
O BNDES acrescentou que também participaram da reunião o diretor de compliance e riscos do banco, Claudenir Brito, e o superintendente Carlos Frederico Rangel, responsável pelo compliance. Fontes do banco dizem que, apesar de não entender as razões para a agenda de Serfaty em 10 de fevereiro, o executivo não atua nas discussões de Atvos, nem faz parte do dia a dia do caso.
“Minhas reuniões são sempre com os diretores e com os técnicos que eles acharem que devem participar. Não faço reunião isolada com funcionário do banco, não tem cabimento”, disse Serfaty. Em fevereiro, a Atvos estava reelaborando seu plano de recuperação judicial depois de o BNDES exigir, na metade de janeiro, que a Odebrecht saísse do controle da companhia. O novo plano, prevendo a saída do conglomerado em até dois anos, foi protocolado no processo de recuperação em 1º de abril deste ano (ver
matéria Disputa por controle determinará votação de plano)
Levantamento nas agendas do banco mostra que Serfaty teve duas reuniões com a diretoria do BNDES depois de ser eleito para o conselho: a de 10 de fevereiro e outra em 6 de fevereiro. Nessa data consta: “videoconferência com G5 Partners”, com participações de Serfaty e do superintendente Carlos Frederico Rangel, do compliance. Entre outubro e novembro de 2019, antes de entrar para o conselho, Serfaty também aparece, como representante da G5, em outras agendas do banco: com o presidente, Gustavo Montezano, com o
diretor de infraestrutura, Fábio
Abrahão, e com o superintendente Paulo Henrique Barbosa Pegas.
Naquela ocasião, Serfaty havia sido indicado para o conselho do BNDES aonde chegaria depois de ficar cerca de
seis meses no conselho de
administração do Banco do Brasil. As reuniões com Montezano e Abrahão se deram no contexto da indicação para o conselho. “Foi para entender as áreas do banco”, disse. Segundo o BNDES, o conselheiro, uma vez eleito, passa a fazer parte do “Sistema BNDES” e há reuniões internas, sem necessidade de oficializar os encontros na agenda pública da diretoria. O banco insistiu que a agenda do superintendente Pegas de 10 de fevereiro deste ano foi um “erro”.
Até chegar ao BNDES, Serfaty havia enfrentando oposição dos funcionários do Banco do Brasil, que tentaram barrar sua indicação e de outros nomes para o conselho do BB, alegando conflitos de interesses. A Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (Anabb) enviou ofícios sobre o tema aos órgãos de controle, ao Banco Central e à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), instância em que
20 ainda há um processo de análise de informações em curso. Serfaty disse, porém, que o Tribunal de Contas da União (TCU) se manifestou em acórdão
considerando “improcedente” a
denúncia sobre possíveis
irregularidades na nomeação para o conselho do BB.
No BNDES, a associação de
funcionários (AFBNDES) enviou pedido de informações à área jurídica do banco sobre Serafty depois da indicação do executivo ao conselho, em 2019, mas
não obteve respostas. Mais
recentemente, surgiram informações que Serfaty estaria tentando “abrandar” regras sobre conflito de interesses nas indicações de novos conselheiros, o que ele também nega. A discussão está em ata da reunião do conselho do banco de 13 de abril, quando se discutiu a renúncia de um conselheiro. Serfaty pediu a dois conselheiros com experiência em governança - Heloísa Bedicks e João Laudo de Camargo -
para revisitarem normativos e
proporem ajustes sobre o tema ao colegiado.
https://valor.globo.com/agronegocios/noticia/2020/0 5/18/caso-atvos-traz-suposto-conflito-no-bndes-a-tona.ghtml
Valor Econômico
Caderno: Empresas, segunda-feira 18
de maio de 2020.
Nota promissória se destaca na
crise
Volume de emissões sobe 182% para R$ 15,9 bilhões de janeiro a abril; papel tem prazo médio de um ano
Por Ana Paula Ragazzi — De São
Paulo
As emissões de notas promissórias
comerciais cresceram
significativamente nos últimos meses. Conforme dados da B3, de janeiro a abril o volume captado pelas empresas com esses papéis subiu 182%, para R$ 15,9 bilhões - 74% do total saiu em abril. As operações começaram a crescer para a casa do bilhão em março, com a chegada da crise.
Fabio Zenaro, diretor de produtos de balcão, commodities e novos negócios da B3, avalia que a nota promissória se adequa às necessidades deste momento. “Estamos falando de emissões de prazo médio curto, normalmente próximo a
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um ano. Ou seja, parecem mirar um reforço de caixa para transição nesse período de crise”, afirma Zenaro. O executivo diz que a maioria das empresas que emitiu os papéis já acessava o mercado de capitais. E diz ainda que elas estão inseridas em vários segmentos, com algum destaque para elétricas e varejistas.
Assim como nas debêntures, não há imposto sobre operações financeiras (IOF) nas notas promissórias. Mas há várias diferenças entre os títulos, que facilitaram essas emissões diante das mudanças trazidas pela crise.
Diego Gonçalves Coelho, sócio do Coelho Advogados, afirma que o título é cartular e não precisa ser registrado na junta comercial. Normalmente, é usado para reforço de capital de giro, daí o foco no curto prazo. Ele pode ter prazo maior do que um ano e ser vendido por meio de uma oferta pública de esforços restritos de distribuição, seguindo a instrução 476 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
A nota promissória pode ser emitida por qualquer empresa não financeira, seja ela de capital aberto ou fechado, incluindo as sociedades limitadas (Ltda). As debêntures só podem ser lançadas pelas sociedades anônimas (S.A.). O pagamento de principal e juros ocorre só no vencimento da nota.
“Estruturamos algumas operações com séries de prazos menores, de seis meses, por exemplo, para replicar os pagamentos de remuneração que existem nas debêntures”, diz Coelho. No começo da crise, ele diz que as notas também foram opção porque havia um prazo de quatro meses entre as
captações de debêntures por uma mesma empresa. Uma das medidas emergenciais da CVM na crise foi extinguir temporariamente esse prazo. José Eduardo Laloni, vice-presidente da Anbima, destaca que as notas são menos complexas para serem estruturadas. “Por não contarem com garantias, são colocadas de pé mais rapidamente, ainda mais no momento em que estão todos em home office”, diz Laloni. Por essas característica, ele avalia que grande parte das emissões foram feitas pelas grandes empresas, para reforçar o caixa. Laloni afirma ainda que quase todas elas foram encarteiradas pelos bancos, uma vez que os fundos que compram crédito privado sofreram com muitos resgates nos últimos meses.
“Na crise, secou a demanda pelos papéis de prazo mais longo e mais estruturados que são alvo desses fundos. É uma pena porque o aumento da participação do mercado no financiamento das empresas era um fator a se comemorar”, afirma Laloni. Ele destaca que, futuramente, quando a crise passar, a tendência é que os bancos devolvam ao mercado as notas e debêntures que acabaram encarteiradas.
As notas podem ser depositadas para a negociação na B3, porém como a maioria delas tem o prazo de um ano essa possibilidade de o papel trocar de mãos é menor.
Papéis mais curtos para reforçar caixa na crise também embutiram taxas mais altas, nesse momento de estresse dos mercados. Elas ficaram ao redor de CDI mais um prêmio entre 3% e 4%.
22 Nos primeiros dias de maio, as operações continuaram a sair, mas sinalizam menor velocidade. De acordo com dados da CVM, a Oncoclínicas do Brasil captou R$ 175 milhões em notas de dois a CDI mais 3,75%. Também de capital fechado, a Energest levantou R$ 100 milhões a CDI mais 2,75% por um ano. Está em andamento uma operação da locadora de veículos Movida, de R$ 80 milhões, a CDI mais 3,50%.
Entre os instrumentos de renda fixa, segundo dados da B3, as debêntures continuaram respondendo pelo maior volume de captações. De janeiro a abril, esses títulos movimentaram R$ 30,7 bilhões, mas o valor é 28% inferior ao registrado em igual intervalo do ano passado. Também caíram as operações com certificados de recebíveis do agronegócio (CRA), que somaram R$ 1,8 bilhão (-68%). Houve alta de 65% nas emissões de certificados de recebíveis imobiliários (CRI), com R$ 5 bilhões.
https://valor.globo.com/financas/noticia/2020/05/18 /nota-promissoria-se-destaca-na-crise.ghtml Retorne ao índice
Valor Econômico
Caderno: Finanças, segunda-feira 18
de maio de 2020.
CVM edita ‘sandbox’ para
estimular inovação
Nova instrução permite que as
empresas aprovadas testem
modelos de negócios inovadores em atividades reguladas
Por Adriana Cotias — De São Paulo
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) publicou na sexta-feira as regras que disciplinam o “sandbox” no Brasil, mecanismo que prevê um atalho para inovações no mercado de capitais brasileiro por meio de um ambiente regulatório experimental.
A instrução 626 permite que as empresas aprovadas testem modelos de negócios inovadores em atividades reguladas. As diretrizes passam a valer em 1º de junho. O participante aprovado terá autorização temporária para desenvolver seu projeto, sendo dispensado de certos requisitos regulatórios.
Segundo Marcelo Barbosa, presidente da CVM, não há nada, por ora, engatilhado, mas o que pôde perceber durante o preparo da minuta e a audiência pública é que as empresas novatas de tecnologia financeira, as chamadas “fintech”, também vêm se organizando.
23
“É um setor que está ficando bastante maduro e para nós é um indício de que o sandbox pode ajudar a catalisar um potencial bom de maior concorrência, maior inovação porque elas [as empresas] vão ficar mais ou menos protegidas durante esse período do sandbox”, diz Barbosa. As companhias vão poder se provar sem passar por incertezas que teriam, por ter que forçar um crescimento muito rápido para ganhar porte e vir para a regulação normal ou sendo asfixiadas numa fase muito prematura.
Segundo Antonio Berwanger, superintendente de desenvolvimento de mercado da CVM, a autarquia vai abrir janelas de admissão de projetos. Depois da análise e escolha, os participantes terão um ano para desenvolver seus modelos de negócios, prorrogáveis por mais um. Nesse meio tempo, nada impede que faça outras chamadas. Com a regra editada, o próximo passo é criar um comitê de sandbox composto por servidores da CVM e que vai conduzir todo o processo, desde a comunicação inicial, passando pela análise dos projetos e o monitoramento dos participantes aprovados.
Dentre as principais alterações em relação à minuta que foi para a audiência pública no ano passado está que a promoção de ganhos de eficiência, redução de custos ou ampliação de acesso seja um requisito, tanto nos casos de inovação tecnológica como de mercado. Haverá ainda a exigência de que o projeto tenha sido validado de alguma forma, não podendo estar em fase puramente conceitual.
Após análise preliminar, haverá a possibilidade de o candidato ajustar eventuais falhas. A instrução trata ainda da questão de sigilo, para que o proponente indique o que considera sensível do ponto de vista comercial e concorrencial.
Empresas estrangeiras também vão poder participar, sendo avaliados pelos mesmos critérios que as brasileiras. Mas será condicionado a projetos que visem o desenvolvimento do mercado de capitais brasileiro, prevendo atuação local.
A CVM analisará propostas de outros reguladores. Conforme Berwanger, isso foi previsto porque algumas empresas ficam debaixo da competência de mais de um supervisor, como Banco Central ou Susep. A autarquia poderá acolher o participante que entrar por outro sandbox. “É uma via de mão dupla para facilitar a fintech que perpasse por mais de um regulador, para que tenha um caminho mais suave”, diz Berwanger. Em outros países, a via regulatória mais flexível permitiu, por exemplo, a emissão de valores mobiliários sob o modelo blockchain e a interação de empresas para captação de recursos com investidores, cita Berwanger. Possibilitou ainda a criação de “regtech”, o compliance tecnológico, que prepara todo o ferramental de serviço de aderência a normas.
“É uma iniciativa que foi muito trabalhada junto ao mercado para a gente entender também como é que se transpõe o modelo que deu certo de outros países para cá, não é simplesmente você repetir as regras, a gente fez isso com atenção à realidade do mercado aqui, às nossas
24 possibilidades e características”, diz Barbosa.
No Brasil, um projeto que poderia ser submetido ao sandbox regulatório é o cadastro único de investidores, conforme sinalizou o chefe da assessoria de análise econômica e gestão de risco da CVM, Bruno Luna, no fim do ano passado. A autarquia estuda formas de adotar o chamado “open broker” que, à semelhança do “open banking” do sistema bancário, permitiria o compartilhamento de dados dos clientes das corretoras. Se as novas tecnologias viabilizarem isso, seria um atalho para a portabilidade de investimentos. Berwanger diz não haver clareza ainda se essa questão está mais atrelada à inovação ou a ajustes regulatórios.
Para Alexei Bonamin, sócio da área de mercado de capitais do TozziniFreire Advogados, haverá temas, de fato, que dependerão de legislação específica e de regras da autorregulação. Ele cita como exemplo as plataformas (“exchange”) que transacionam criptoativos, ou os próprios criptoativos, que podem ter característica de valor mobiliário, ativo financeiro ou token de pagamento para serviços diversos, e que estão debaixo da supervisão de diversos reguladores. “Só com o sandbox, muito provavelmente não vai endereçar todas as questões relacionadas a criptoativos”, diz. “Talvez resolva algumas, mas outras, cada uma dentro da sua caixa, têm outras repercussões e precisam de outras leis para proteger o consumidor ou prevenir a lavagem de dinheiro.”
O especialista diz esperar que o sandbox considere não só projetos que envolvam tecnologia, mas também inovação de produtos. Ele cita a oferta pública de debêntures sociais como um exemplo de inovação recente no mercado e que não tem um viés tecnológico.
https://valor.globo.com/financas/noticia/2020/05/18 /cvm-edita-sandbox-para-estimular-inovacao.ghtml Retorne ao índice
Valor Econômico
Caderno: Legislação e Tributos,
segunda-feira 18 de maio de 2020.
TRF em SP paralisa processos
sobre PIS/Cofins
Sem o trânsito em julgado das ações sobre a exclusão do ICMS do cálculo das contribuições, empresas ficam impedidas de habilitar seus créditos
Por Laura Ignacio — De São Paulo
Luiz Peroba: havia uma alta expectativa entre as empresas de registro desses valores no ativo do balanço deste ano — Foto: Claudio Belli/Valor
Recursos extraordinários de empresas que discutem a exclusão do ICMS do cálculo do PIS e da Cofins foram represados no Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região - São Paulo e do Mato Grosso do Sul. Empossada vice-presidente da Corte em março, a desembargadora Consuelo Yoshida já suspendeu cerca de 450 processos.
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Com isso, os recursos deixaram de transitar em julgado na 3ª Região e as empresas foram impedidas de habilitar créditos aos quais teriam direito - o que reduziria a carga tributária do PIS e da Cofins.
O vice-presidente anterior do TRF da 3ª Região, Nery Júnior, aplicava a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), de março de 2017, a favor da exclusão do ICMS (RE nº 574.706) e o processo se encerrava ali. Como só a vice-presidência dos TRFs analisam esse tipo de recurso, no biênio 2020-2022, passa a valer em SP e MS o posicionamento de Consuelo Yoshida. A desembargadora afirma que passou a adotar o sobrestamento “em função de recentes decisões proferidas pela ministra Cármen Lúcia, relatora do RE 574.706 (Tema 69), e por outros ministros do STF, que têm determinado
o sobrestamento de recursos
extraordinários sobre o tema até o julgamento dos embargos declaratórios interpostos pela União”.
As decisões que Consuelo menciona são de setembro (RE 1229510) e outubro de 2019 (RE 1212746, 1238731) e de janeiro deste ano (RE 1237357), proferidas pelos ministros Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e Lewandowski. Mas, caso o Plenário do STF decida-se
contra o sobrestamento, a
desembargadora diz que “a
vice-presidência fará o exame de
admissibilidade dos recursos
extraordinários”.
Por meio dos embargos, a União tenta reduzir o impacto financeiro da decisão do STF para os cofres da União. Os ministros poderão delimitar a partir de