Exerc´ıcios de matem´
atica - revis˜
ao
Renato Assun¸c˜
ao - DCC, UFMG
2015
Esta lista de exerc´ıcios visa a uma revis˜ao de fatos b´asicos de matem´atica e probabilidade que ser˜ao necess´arios durante a disciplina.
1. Teoria de Conjuntos: O objetivo ´e apenas verificar se vocˆe est´a informado sobre a diferen¸ca con-ceitual entre conjuntos enumer´aveis e n˜ao-enumer´aveis. N˜ao ´e necess´ario saber provar que um conjunto ´e n˜ao-enumer´avel. Diga quais dos conjuntos abaixo ´e um conjunto enumer´avel e qual ´e n˜ao-enumer´avel:
• {0, 1, 2}
• naturais: N = {0, 1, 2, . . .}
• inteiros: Z = {. . . , −2, −1, 0, 1, 2, . . .}
• reticulado inteiro no plano: {(x, y); x ∈ Z, y ∈ Z} • racionais: Q = {p/q; q > 0, p ∈ Z, q ∈ N}
• reais: R
• irracionais: R − Q.
2. Propriedades b´asicas de expoentes. Identifique abaixo quais igualdades est˜ao corretas: • xaya= (xy)a • a x+y = a x+ a y • (xa)b = xab • (x/y)a= xa/yb • (x + y)a= xa+ ya • xayb= (xy)a+b • (−x)2= −x2 • p x2+ y2= |x| + |y| • x+ya = xa +ya
3. Complete as senten¸cas abaixo:
• Os pontos (x, y) ∈ R2que satisfazem a equa¸c˜ao x2+ y2= 1 formam ?? no plano real.
• Os pontos que satisfazem a equa¸c˜ao x2+ y2= 4 formam ??.
• Os pontos que satisfazem a equa¸c˜ao (x − 2)2+ (y + 1)2= 1 formam ??. • Os pontos que satisfazem a equa¸c˜ao x−22 2
+ y+11 2
= 1 formam ??. 4. Propriedades b´asicas das fun¸c˜oes exp e log.
• Esboce o gr´afico das fun¸c˜oes f (x) = log(3x + 1) e f (x) = exp(3x). Identifique o maior dom´ınio na reta em que as fun¸c˜oes podem ser definidas.
• Obtenha as derivadas f0(x) das duas fun¸c˜oes acima.
• Verifique quais das seguintes igualdades s˜ao v´alidas: – log(xy) = log(x) + log(y).
– log(x + y) = log(x) × log(y). – exp(x + y) = exp(x) + exp(y). – exp(x + y) = exp(x) × exp(y). – log(x/y) = log(x) − log(y). – exp(xy) = (exp(x))y. – exp(xy) = exp(x) + exp(y).
5. Esboce o gr´afico da fun¸c˜ao f (x) = exp −3(x − 1)2 e obtenha a sua derivada f0(x).
6. Expans˜ao de Taylor at´e segunda ordem. Esta ´e uma das f´ormulas mais ´uteis em matem´atica pois ela permite aproximar uma fun¸c˜ao f (x) que pode ser muito complicada por uma fun¸c˜ao muito simples, um polinˆomio de segundo grau. A aproxima¸c˜ao de Taylor precisa escolher um ponto de referˆencia x0 e ela vale para pontos x no entorno de x (este entorno varia de problema para problema). A
expans˜ao de Taylor da fun¸c˜ao f no ponto x pr´oximo de x0´e dada por
f (x) ≈ f (x0) + f0(x0)(x − x0) +
1 2f
00(x
0)(x − x0)2
Essencialmente, todas as fun¸c˜oes que aparecem na pr´atica da an´alise de dados podem ser aproxi-madas pela expans˜ao de Taylor.
• Obtenha a express˜ao aproximada para f (x) = exp(x) para x ≈ x0= 0.
• Fa¸ca um gr´afico com as duas fun¸c˜oes, f (x) e sua aproxima¸c˜ao de Taylor de 2a. ordem, para x ∈ (−1, 2).
• Repita com x0= 1: obtenha a express˜ao aproximada para f (x) = exp(x) para x ≈ x0= 1.
• Fa¸ca um gr´afico com as duas fun¸c˜oes, f (x) e sua aproxima¸c˜ao de Taylor de 2a. ordem, para x ∈ (−1, 2).
Vocˆe deve obter gr´aficos iguais ao da Figura 1.
7. Na expans˜ao de Taylor, aproxima¸c˜oes numa regi˜ao mais extensa em torno do ponto de referˆencia x0podem ser obtidas usando um polinˆomio de grau mais elevado (o que implica calcular derivadas
de ordens mais elevadas):
f (x) ≈ f (x0) + f0(x0)(x − x0) + 1 2!f 00(x 0)(x − x0)2+ 1 3!f 000(x 0)(x − x0)3+ 1 4!f (4)(x 0)(x − x0)4+ . . .
Por exemplo, em torno de x0= 0 e usando a expans˜ao at´e a 4a. ordem , temos
ex cos(x) ≈ 1 + x + x 2+2x3 3 + x4 2
Fa¸ca um gr´afico de f (x) = ex/ cos(x) com a aproxima¸c˜ao at´e a segunda ordem (basta usar os
primeiros 3 termso acima) e at´e a quarta ordem para x ∈ (−1, 1). Vocˆe deve obter um gr´afico igual ao da Figura 2.
8. Considere a seguinte matriz 5 × 3 contendo dados de 5 apartamentos colocados a venda em BH:
X = 1 153 2 1 107 1 1 238 3 1 179 2 1 250 4
Figura 1: Aproxima¸c˜ao de Taylor at´e a segunda ordem de f (x) = ex em torno de x0= 0 e em torno de
x0= 1.
Figura 2: Aproxima¸c˜ao de Taylor at´e a segunda e a quarta ordem de f (x) = ex/ cos(x) em torno de
Cada linha possui dados de um apartamento distinto. A primeira coluna contem apenas o valor constante 1. A segunda coluna mostra a ´area (em metros quadrados) de cada apto. A terceira coluna mostra o n´umero de quartos do apto.
Seja β = (β0, β1, β3)tum vetor-coluna 3 × 1.
• Sejam v1, . . . , vk vetores em R5. Verifique que o conjunto das combina¸c˜oes lineares desses
vetores forma um sub-espa¸co vetorial do R5.
• Verifique que ´e v´alida a seguinte igualdade: Xβ = β0X0+ β1X1+ β3X3 onde X0, X1, X3s˜ao
os vetores-coluna da matriz X.
• O conjunto M(X) das combina¸c˜oes lineares das colunas de X ´e igual a M(X) = {Xβ | β ∈ R3}
e ´e um sub-espa¸co vetorial do R5. V ou F? Se V, qual a dimens˜ao do sub-espa¸co vetorial M(X)?
9. Uma manipula¸c˜ao alg´ebrica que ´e muito comum em estat´ıstica envolve uma decomposi¸c˜ao de soma de quadrados. Seja ¯x = (x1, . . . , xn)/n a m´edia aritm´etica de x1, . . . , xn. Verifique que:
• P i(xi− ¯x)2=Pix 2 i − n¯x 2. • Se a ∈ R, ent˜ao P i(xi− a) 2=P i(xi± ¯x − a) 2=P i(xi− ¯x) 2+ n(¯x − a)2.
• A partir do item anterior, conclua que o valor de a ∈ R que minimiza P
i(xi− a)2 ´e o valor
a = ¯x.
10. Nosso curso precisa usar v´arios resultados de ´algebra de matrizes. Seja x = (x1, . . . , xn) um
vetor-coluna n × 1 e A uma matriz n × n. A0 indica a matriz transposta de A. As seguintes identidades matriciais s˜ao fundamentais em nosso curso. Verifique que elas est˜ao corretas, checando que o lado direito ´e igual ao lado esquerdo.
• x0 A x =P i,jxixjAij • x0 x =P ix 2 i
• x x0 ´e uma matriz sim´etrica n × n com elemento (i, j) dado por x ixj.
11. O vetor gradiente ´e a extens˜ao do conceito de derivada para fun¸c˜oes de Rn para R. Para ser mais concreto, vocˆe pode imaginar a altura f (x) = f (x1, x2) de uma superf´ıcie f para cada posi¸c˜ao
x = (x1, x2) do plano R2. Seja
f : Rn −→ R x −→ f (x)
A derivada mede o quanto f (x) varia quando x sofre uma pequena perturba¸c˜ao. Os matem´aticos percebram que a quantidade desta varia¸c˜ao em f (x) dependia da dire¸c˜ao da perturba¸c˜ao com rela¸c˜ao a x! Isto ´e, a varia¸c˜ao em f (x) depende do ponto x em que estamos, de quanto nos afastamos desse ponto e, diferente do caso uni-dimensional, da dire¸c˜ao em que nos afastamos dele.
Por exemplo, se f (x1, x2) = x21+x22, a fun¸c˜ao f ´e chamada de parabol´oide e seu gr´afico pode ser visto
na Figura 3. Observe que a fun¸c˜ao f ´e igual `a distˆancia ao quadrado entre o ponto x = (x1, x2)
e a origem 0 = (0, 0). Portanto, se nos movimentarmos ao longo dos c´ırculos concˆentricos, o valor de f (x1, x2) n˜ao varia e sua derivada deveria ser zero. Isto ´e, suponha que estamos num ponto
x = (x1, x2) qualquer, distante r =px21+ x22da origem (0, 0). Se nos movimentarmos ligeiramente,
mas ainda mantendo a mesma distˆancia r da origem, a fun¸c˜ao f n˜ao muda de valor e portanto sua varia¸c˜ao ´e igual a zero. Assim, um ligeiro movimento ao longo da dire¸c˜ao tangente ao c´ırculo concˆentrico deveria implicar numa derivada iguala zero.
Por outro lado, se nos movimentarmos em outras dire¸c˜oes, a varia¸c˜ao de f pode ser positiva ou negativa. Por exemplo, se
There is a nice way to describe the gradient geometrically. Consider z = f (x, y) = 4x2+ y2.
The bottom of the bowl lies at the origin. The figure below shows the level curves, defined by f (x, y) = c, of the surface. The level curves are the ellipses 4x2+ y2 = c. The gradient vector < 8x, 2y > is plotted at the 3 points (p(1.25), 0), (1, 1), (0,p(5)). As the plot shows, the gradient vector at (x, y) is normal to the level curve through (x, y). As we will see below, the gradient vector points in the direction of greatest rate of increase of f (x, y)
12. O conceito de derivada pode ser estendido para fun¸c˜oes f de Rn
em Rm. Seja
f : Rn −→ Rm
x −→ f (x) = (f1(x), . . . , fm(x))
onde cada componente fj(x) ´e uma fun¸c˜ao de Rn para R. Derivada e’ matriz m × n?? contrario a
gradiente.