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Relatórios de Estágio realizado na Farmácia Sousa Gomes e no Hospital de Braga

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Academic year: 2021

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Farmácia Sousa Gomes

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Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto

Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas

Relatório de Estágio Profissionalizante

Farmácia Sousa Gomes

Março de 2018 a Julho de 2018

Joana Catarina Araújo Lima

Orientador: Dra. Sílvia Peixoto

Tutor FFUP: Prof. Dra. Irene Rebelo

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Declaração de Integridade

Declaro que o presente relatório é de minha autoria e não foi utilizado previamente noutro curso ou unidade curricular, desta ou de outra instituição. As referências a outros autores (afirmações, ideias, pensamentos) respeitam escrupulosamente as regras da atribuição, e encontram-se devidamente indicadas no texto e nas referências bibliográficas, de acordo com as normas de referenciação. Tenho consciência de que a prática de plágio e auto-plágio constitui um ilícito académico.

Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, 13 de setembro de 2018.

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Agradecimentos

O presente relatório simboliza o fim de uma etapa. Para alguns, será “apenas” a conclusão do seu percurso académico. Para mim, em particular, representa a concretização de um sonho.

A realização do estágio profissionalizante é a fase última de um percurso complexo e trabalhoso que só se torna possível com o apoio de várias pessoas, às quais gostaria de prestar o meu agradecimento.

Agradeço, em primeiro lugar, à Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, personificada por todos os Professores com os quais tive oportunidade de me cruzar, que são um exemplo de profissionalismo e competência. Mais concretamente, à Comissão de Estágio desta Faculdade, por me acompanhar nesta fase final e por tornar possível a construção desta ponte entre a vida académica e a vida profissional.

Neste sentido, dirijo também um profundo agradecimento à minha orientadora, Professora Dra. Irene Rebelo, pela sua paciência e colaboração, pois sempre me orientou e incentivou a fazer mais e melhor.

A toda a equipa da Farmácia Sousa Gomes, serei eternamente grata por tudo o que aprendi. À Dra. Rosa Sá Machado, Diretora Técnica, o meu especial agradecimento pela forma como me recebeu e me integrou na sua equipa, pela partilha de conhecimento e pelo apoio em todos os projetos que me propus desenvolver. À minha orientadora, Dra. Sílvia Peixoto, gratifico por, mesmo no meio da correria que é o seu dia-a-dia, ter sempre um pouco de tempo para me ensinar, para esclarecer todas as minhas dúvidas, para me transmitir valores essenciais para a minha vida profissional e pessoal e por me apoiar em todas as circunstâncias. Ao Sr. Carlos agradeço, por tudo quanto me ensinou, do auge dos seus iminentes quarenta anos de experiência profissional, sempre com boa disposição. Ao Dr. Filipe, à Dra. Gisela e à Dra. Cátia, sou grata pela amabilidade com que me receberam, pelos conselhos e ensinamentos e pela paciência que tiveram comigo.

Aos meus pais, pilar fundamental da minha vida, agradeço por me apoiarem sempre e por nunca me deixarem desistir.

Aos meus amigos que me acompanharam nesta jornada, obrigada por estarem sempre presentes.

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Resumo

A realização do estágio curricular visa complementar a formação académica e proporcionar um primeiro contacto com o mundo laboral, constituindo uma oportunidade única de preparação dos estudantes para o exercício da profissão.

O Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto integra esta experiência, facultando aos alunos a possibilidade de a realizarem exclusivamente em farmácia comunitária ou em farmácia comunitária e em farmácia hospitalar.

“A farmácia comunitária é a face mais visível da profissão farmacêutica”1. Nos últimos anos, têm-se verificado que a farmácia é, na grande maioria das vezes, o primeiro local onde os utentes recorrem para expor os seus problemas de saúde ou as suas dúvidas. Esta mudança de paradigma tem levado a um crescente reconhecimento da profissão farmacêutica, que acarreta, naturalmente, uma maior responsabilidade a estes profissionais, exigindo uma maior e melhor preparação.

O meu estágio curricular em FC realizou-se na Farmácia Sousa Gomes, em Braga, e decorreu no período entre 1 de março a 13 de julho de 2018.

O presente relatório de estágio encontra-se estruturado em duas partes. Na primeira. é feita a descrição da Farmácia Sousa Gomes, do seu modo de funcionamento bem como, das principais tarefas realizadas no decorrer do estágio, sendo feita uma alusão aos aspetos legais associados aos diferentes assuntos. Na segunda parte é feita a descrição dos projetos de intervenção desenvolvidos na farmácia, que incidiram sobre a temática da acne, sobre a prevenção cardiovascular, a organização da medicação dos doentes polimedicados e o estudo do perfil do utente da Farmácia Sousa Gomes.

Relativamente ao projeto sobre a acne, foi desenvolvida uma intervenção ao nível das escolas de forma a ajudar os jovens neste que é um dos grandes desafios da adolescência.

No que concerne à prevenção cardiovascular, realizou-se um rastreio na Farmácia Sousa Gomes no âmbito da celebração do mês do coração.

A ideia de conceber um cartão para organizar os medicamentos dos doentes, surgiu da constatação da existência de vários doentes polimedicados que acabam por efetuar trocas relativamente aos momentos de administração ou posologia. Este cartão permite à farmácia prestar um serviço diferenciador a estes utentes.

Por fim, tendo em vista o estudo do perfil do utente da Farmácia Sousa Gomes, foi realizado um questionário destinado aos utentes que permitirá conhece-los melhor e aperfeiçoar o serviço prestado, indo de encontro às suas necessidades.

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Abreviaturas

BPFC- Boas Práticas de Farmácia Comunitária

CEDIME- Centro de Documentação e de Informação de Medicamentos CNP- Código Nacional do Produto

DCI- Denominação Comum Internacional DCV- Doenças Cardiovasculares

FEFO- First Expired First Out FSG- Farmácia Sousa Gomes MM-Medicamento Manipulado

MNSRM- Medicamentos Não Sujeitos a Receita Médica MSRM- Medicamentos Sujeitos a Receita Médica PAD- Pressão Arterial Diastólica

PAS- Pressão Arterial Sistólica PVF- Preço de Venda à Farmácia PVP- Preço de Venda ao Público

RCM- Resumo das Características do Medicamento RED- Receitas Eletrónicas Desmaterializadas REM- Receitas Eletrónicas Materializadas SI- Sistema Informático

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Índice

Parte I: Descrição da Farmácia e Tarefas Realizadas ... 1

1. Farmácia Sousa Gomes ... 1

1.1. Localização e caracterização ... 1

1.2. Espaço físico ... 1

1.3. Recursos humanos... 3

1.4. Fontes de informação ... 4

2. Gestão da Farmácia Sousa Gomes ... 4

2.1. Programa informático ... 4

2.2. Gestão de stocks ... 5

2.3. Encomendas e fornecedores ... 6

2.4. Prazos de validade e devoluções ... 8

3. Dispensa de medicamentos e produtos de saúde e bem-estar ... 9

3.1. Medicamentos Sujeitos a Receita Médica ... 9

3.1.1. Desmaterialização da receita médica ... 10

3.1.2. Validação das receitas e planos de comparticipação ... 11

3.1.3. Planos de comparticipação de medicamentos ... 12

3.1.4. Receituário e faturação ... 13

3.1.5. Casos específicos de dispensa e comparticipação ... 14

3.2. Medicamentos Não Sujeitos a Receita Médica ... 14

3.3. Outros produtos de saúde e bem-estar ... 16

3.3.1. Produtos de cosmética e de higiene corporal ... 16

3.3.2. Suplementos alimentares ... 17

3.3.3. Produtos para alimentação especial ... 17

3.3.4. Dispositivos médicos ... 17

3.3.5. Artigos de puericultura... 18

3.4. Medicamentos de uso veterinário ... 18

4. Preparação de medicamentos manipulados ... 18

5. Serviços prestados ... 19

5.1. Determinação de parâmetros biofísicos e bioquímicos ... 19

5.2. Administração de injetáveis ... 20

5.3. VALORMED® ... 20

5.4. Preparação individualizada da medicação ... 20

5.5. Dieta EasySlim ... 20

6. Cronograma das atividades desenvolvidas ... 20

Parte II: Projetos Desenvolvidos ... 22

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1. Introdução e pertinência do tema ... 22

2. Caracterização e patogénese da doença ... 22

3. Possíveis fatores causais da acne ... 23

4. O impacto da doença ... 24

5. Medidas não farmacológicas e o papel do farmacêutico ... 25

6. Tratamento farmacológico ... 25

6.1. Tratamento tópico... 25

6.2. Tratamento oral ... 27

6.3. Outros tratamentos ... 28

7. Projeto desenvolvido ... 28

Tema 2: Doenças Cardiovasculares - o rastreio como medida de prevenção ... 30

1. Introdução e pertinência do tema ... 30

2. Fatores de risco para Doenças Cardiovasculares ... 30

2.1. Fatores de risco não modificáveis ... 31

2.2. Fatores de risco modificáveis ... 31

3. Prevenção das Doenças Cardiovasculares e o papel do farmacêutico ... 32

4. Projeto desenvolvido ... 33

Tema 3: Organização da terapêutica em doentes polimedicados ... 36

1. Introdução e pertinência do tema ... 36

2. Polimedicação: Causas e Consequências ... 36

3. Papel do farmacêutico ... 37

4. A importância da adesão à terapêutica ... 38

5. Projeto desenvolvido ... 38

Tema 4: Estudo do perfil do utente da FSG ... 40

1. Introdução e pertinência do tema ... 40

2. Projeto desenvolvido ... 40

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Índice de Figuras

Figura 1: Esquema de armazenamento ... 8

Figura 2: Valor médio de PAS e PAD (mmHg) por género ... 34

Figura 3: Valor médio de colesterol total (mg/dl) por género ... 34

Figura 4: Valor médio de IMC (kg/m2) por género ... 34

Índice de Tabelas

Tabela 1: Cronograma das tarefas realizadas ao longo do estágio ... 21

Lista de Anexos

ANEXO I: Lista de Medicamentos manipulados realizados.

ANEXO II: Formações realizadas durante o estágio.

ANEXO III: Apresentação PowerPoint utilizada na palestra sobre a acne.

ANEXO IV: Fotografias da apresentação no colégio Paulo VI e no Colégio Teresiano.

ANEXO V: Cartão facultado aos utentes no rastreio.

ANEXO V: Tabela resumo dos valores obtidos no rastreio.

ANEXO VII: Cartão resumo regime terapêutico.

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Parte I: Descrição da Farmácia e Tarefas Realizadas

1. Farmácia Sousa Gomes

A Farmácia Sousa Gomes (FSG), fundada em 1905, é uma das mais antigas farmácias de Braga, tendo, inclusivamente, recebido a distinção de “Lojas com História”, atribuída pela Associação Comercial de Braga, que visa reconhecer a importância de alguns estabelecimentos comerciais, com especial valor histórico, no património cultural da cidade.2,3 Atualmente, a Direção Técnica encontra-se sobre alçada da Dra. Rosa Sá Machado Barbosa, que é, também, a legal proprietária.

1.1. Localização e caracterização

A FSG localiza-se em pleno centro histórico da cidade de Braga, especificamente na Rua D. Frei Caetano Brandão nº 22/40, pertencente à união de freguesias de Maximinos, Sé e Cividade. Possui, nas suas traseiras, o que resta da muralha romana que outrora circundava

Bracara Augusta. Nas suas imediações localizam-se duas outras farmácias.

Apesar de se situar num local de difícil estacionamento, a proximidade dos transportes públicos e o facto de ser um local de bastante movimento pedonal, fazem com que seja uma farmácia muito frequentada.

Os utentes da FSG são, na sua maioria, clientes antigos e fidelizados essencialmente pelo atendimento. No entanto, e muito devido à sua localização, é muito frequente encontrar também clientes ocasionais, particularmente turistas.

O horário de funcionamento é de segunda à sexta entre as 8h30 e as 20h e aos sábados entre as 8h30 e as 13h, encontrando-se encerrada aos domingos e feriados. A farmácia está de serviço permanente de 23 em 23 dias.

1.2. Espaço físico

O Decreto-Lei nº 307/2007, de 31 de agosto, alterado pelo Decreto-Lei nº171/2012, de 1 de agosto, impõem requisitos legais que as farmácias devem cumprir no que respeita às suas instalações.4,5 Do mesmo modo, o manual de Boas Práticas de Farmácia Comunitária (BPFC), faz menção a vários aspetos sobre infraestruturas e equipamentos que as farmácias devem respeitar.6

1.2.1. Espaço exterior

Tal como recomendado pelas BPFC, o aspeto exterior da FSG é profissional e facilmente visível e identificável.6 Para tal, apresenta o símbolo da “cruz verde”, devidamente iluminada durante o horário de atendimento, bem como, uma placa com a inscrição “Pharmácia Sousa Gomes” e o símbolo da mesma.

A FSG possui três entradas, duas das quais, destinadas aos utentes, se encontram permanentemente abertas durante o horário de funcionamento. A terceira, dá acesso direto ao

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2 O espaço exterior caracteriza-se ainda pela existência de sete montras, que permitem expor vários produtos e campanhas, ornamentadas de forma temática, com o intuito de despertar a atenção dos transeuntes.

Na entrada principal, encontram-se alguns esclarecimentos relevantes para os utentes, designadamente a propriedade e direção técnica, o horário de funcionamento e informação sobre a farmácia de serviço mais próxima, a sua localização e contacto, cumprindo com o disposto no Decreto-Lei nº171/2012, de 1 de agosto.4,5

1.2.2. Espaço interior

O espaço interior da FSG é bastante amplo e peculiar. Por um lado, a zona de atendimento propriamente dita, é uma relíquia pela decoração antiga, com mobiliário (armários e balcões) em madeira maciça e um arco a separar esta zona do backOffice, conferindo à farmácia um ar histórico. Em contraste, do lado oposto, onde se encontram expostos produtos de dermocosmética e puericultura, a decoração é despojada, com linhas simples, cores brancas, num estilo mais modernista. As duas áreas são separadas por um pequeno corredor onde se encontra o gabinete de prestação de serviços. Globalmente, o espaço é bem iluminado, com um ambiente profissional e harmonioso.

Relativamente à estrutura interna, é possível seccionar a FSG nas seguintes áreas: zona de atendimento ao público, backOffice, gabinete de prestação de serviços, gabinete de atendimento e laboratório.

Zona de atendimento ao público

A área de atendimento da FSG encontra-se junto à entrada principal. É constituída por quatro postos de atendimento, nos quais se encontram alguns panfletos informativos, bem como expositores de balcão com determinados produtos que importam destacar por diferentes motivos: campanhas de desconto, sazonalidade ou novidade.

Os armários, localizados atrás dos balcões, exibem vários Medicamentos Não Sujeitos a Receita Médica (MNSRM), organizados por indicação terapêutica, de acordo com os problemas de saúde que mais frequentemente requerem aconselhamento farmacêutico (ex. herpes, gripe e constipação, tosse, alergias, etc.). Contêm ainda, diversos suplementos alimentares e produtos da dieta promovida pela FSG.

Nesta área, existe também um mostruário, permanentemente renovado, no qual são colocados vários produtos com descontos promocionais, com rotação sazonal ou, que por algum outro motivo, mereçam especial realce.

Na extremidade oposta, perto do segundo ponto de acesso, localiza-se a zona de exposição de produtos cosméticos. Estes encontram-se dispostos em lineares próprios, agrupados por marcas comerciais. Dispersas pelo átrio da farmácia, encontram-se pequenas ilhas e expositores com o intuito de atrair a atenção dos clientes, dando maior visibilidade a certos produtos, promovendo uma maior interação com os mesmos, de modo lembrar ou criar uma necessidade.

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3 A FSG dispõe ainda de uma área denominada “Espaço animal”, composta exclusivamente por produtos de uso veterinário.

Por fim, é de realçar a área dedicada às crianças, que além de produtos cosméticos para bebé e produtos de puericultura, dispõe de uma mesa e cadeiras, que são dinamizadas com jogos e livros de pinturas.

BackOffice

O BackOffice localiza-se atrás da zona de atendimento ao público. Este espaço alberga simultaneamente uma área administrativa e o armazém. A primeira, encontra-se equipada com computador, telefone e impressora de etiquetas e destina-se, essencialmente, à receção e conferência das encomendas e ao arquivo da documentação associada às mesmas. Por sua vez, na área de armazenamento, os medicamentos são acondicionados em gavetas ou estantes, organizados alfabeticamente e separados consoante a sua forma farmacêutica. As embalagens excedentes são colocadas num armário e, neste caso, distribuídos por indicação terapêutica.

Os medicamentos psicotrópicos e estupefacientes estão arrumados num armário à parte que se encontra fechado. Os medicamentos de frio encontram-se armazenados no frigorífico, cuja temperatura se encontra permanentemente controlada.

Gabinete de prestação de serviços

Este é um espaço, contíguo à zona de atendimento, utilizado para a realização de testes bioquímicos, determinação da pressão arterial e administração de injetáveis.

Gabinete de atendimento

Consiste numa sala destinada a um atendimento personalizado, com condições que permitem um diálogo privado com o utente, tal como recomendado pelas BPFC.6 Este gabinete encontra-se afastado da área de atendimento, de forma a respeitar a confidencialidade do assunto que, em alguns casos, envolve aspetos mais sensíveis.

É igualmente utilizado em consultas de nutrição, podologia e em eventuais rastreios realizados esporadicamente.

Laboratório

O laboratório da FSG contém todo o material e equipamento indispensável à preparação de Medicamentos Manipulados (MM), à luz do disposto na Deliberação n.º 1500/2004, de 7 de dezembro.7

Desta forma, de uma maneira geral, o laboratório é constituído duas bancadas, uma maior, onde se preparam os medicamentos manipulados, com ligação a um lavatório, e uma mais pequena, destinada às pesagens, e na qual se encontram duas balanças, com diferentes precisões. Além disso, dispõe de vários armários de armazenamento de matérias primas, material de embalagem e material de trabalho (almofariz de vidro e porcelana, cápsulas, matrazes, provetas, funis, espátulas etc.), que se encontram devidamente organizados. Possui hotte, banho de água termostatizado e unguator.

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4 A equipa da FSG é constituída pela Dra. Rosa Sá Machado (Diretora Técnica e Proprietária), a Dra. Gisela Costa (Farmacêutica Adjunta), a Dra. Sílvia Peixoto, a Dra. Cátia Silva e o Dr. Filipe Gonçalves (Farmacêuticos) e o Sr. Carlos Esperança (Técnico de Farmácia). Tal como recomendado pelas BPFC e estipulado no Decreto-Lei nº307/2007, de 31 de agosto, todos os funcionários encontram-se devidamente identificados através de um cartão onde consta o seu nome e o título profissional.4,6

Os horários são rotativos, exceto no que toca aos dias com serviço noturno, uma vez que estes são, por norma, assegurados por pessoas fixas.

Assim, a FSG cumpre as especificações mencionadas pelo Decreto-Lei nº 171/2012, de 1 de agosto, que regula o quadro farmacêutico que deve vigorar nas farmácias.5

1.4. Fontes de informação

Segundo as BPFC, durante o exercício da atividade profissional, o farmacêutico ou técnico deve ter acesso a fontes de informação sobre o medicamento, às quais possa recorrer sempre que necessite e esclarecer-se acerca de aspetos como as indicações terapêuticas, contraindicações, interações, posologia e precauções a ter.6

A FSG possuí fontes de informação físicas ao dispor de todos os funcionários, nomeadamente o Prontuário Terapêutico e a Farmacopeia Portuguesa 9. Além disso, existem outras fontes de informação para consulta online, das quais se destaca o site do Infomed que permite o acesso ao Resumo das Características do Medicamento (RCM). O sistema informático é a fonte de informação mais utilizada na FSG quando surgem duvidas no momento da dispensa. Alternativamente existe também o Centro de Documentação e Informação de Medicamentos (CEDIME) que dá apoio em questões mais específicas.

2. Gestão da Farmácia Sousa Gomes

2.1. Programa informático

O Sifarma 2000 é um software de gestão e atendimento utilizado pela maioria das farmácias comunitárias em Portugal, incluindo a FSG.8 Este programa é bastante útil na medida em que fornece ferramentas que ajudam no processo de gestão e organização das farmácias. Neste âmbito, destaca-se o papel importante no processamento de encomendas, desde a sua elaboração, ao envio e receção. Auxilia, ainda, no controlo dos stocks, ao permitir estabelecer stocks mínimos e máximos, impedindo que haja acumulação ou rutura dos produtos com maior rotação. Outos aspetos relevantes passam, por exemplo, pela monitorização dos prazos de validade e a organização automática das receitas em lotes e séries.

É igualmente notável o apoio que fornece no momento do atendimento, uma vez que permite ao farmacêutico consultar informação essencial no ato da dispensa, nomeadamente precauções, contraindicações e principais efeitos secundários, contribuindo para um aumento da qualidade e da segurança do serviço prestado ao utente.

Além do referido, o Sifarma possibilita a criação de fichas de utente e/ou a realização de um acompanhamento farmacoterapêutico, através do qual há um seguimento mais próximo da

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5 saúde do doente. Para tal são registados os valores dos parâmetros bioquímicos e biofísicos que o utente mede na farmácia, assim como é efetuado o registo de toda a medicação dispensada.

Existem muitas outras funcionalidades que fazem do Sifarma um Sistema Informático (SI) de grande utilidade e facilitador das atividades do dia-a-dia de quem trabalha em farmácia comunitária. No entanto, as suas inúmeras funções e propriedades, acabam por torná-lo um pouco complexo, principalmente nos primeiros contactos, e esse foi um dos grandes desafios deste estágio. Contudo, e apesar do seu domínio requer alguma prática, é indubitável que, com destreza suficiente, acaba por tornar-se um grande aliado.

2.2. Gestão de stocks

De uma maneira generalista, e no que à farmácia diz respeito, é possível classificar os stocks como uma reserva de produtos constituída, essencialmente, para fazer face à procura dos clientes. A sua correta gestão requer habilidade e conhecimento profundo da realidade da farmácia e dos seus utentes de forma a dar resposta às solicitações destes, mas sem a necessidade de ocorrerem investimentos elevados.

Nos dias de hoje, um dos aspetos mais valorizados pelos utentes é a disponibilidade do produto e, como tal, a possibilidade de rutura, origina a construção de uma opinião negativa por parte destes, que não veem as suas necessidades supridas.

É sabido que, outra das razões pela qual as farmácias constituem stocks é para poderem comprar de forma mais económica, pois ao adquirirem produtos em grandes quantidades, o preço por unidade acaba por ficar mais barato. No entanto, isto nem sempre é viável porque formar stocks em grande número requer investimentos avultados que podem não ter retorno tão rapidamente quanto necessário/esperado e acarretar prejuízos para a farmácia, uma vez que representam capital imobilizado, além de que requerem um espaço maior de armazenamento. Como forma de contornar esta situação, é cada vez mais frequente as farmácias formarem grupos e assim poderem encomendar quantidades menores a preços mais vantajosos, que depois são distribuídos às respetivas conforme as necessidades de cada.

Na FSG o processo de gestão de stocks, é auxiliado, em grande medida, pelo Sifarma 2000 que permite definir quantidades mínimas e máximas a ter para cada produto, bem como avaliar a sua rotação através da análise das últimas compras e vendas e deste modo concluir acerca do tempo médio de permanência no armazém. Assim, por norma, os produtos de rotação diária, cuja procura é similar durante todo o ano e para os quais as encomendas são feitas diretamente ao armazenista, estão referenciados e os seus níveis de stock são controlados pelo SI. Por sua vez, os produtos que são comprados diretamente ao laboratório, de que são exemplo os produtos cosméticos e de ortopedia, requerem uma análise mais cuidada e a sua gestão fica a cabo do farmacêutico responsável por esta área, que esporadicamente, também revê os níveis estipulados no SI para os restantes produtos procedendo a ajustes sempre que necessário.

Um dos aspetos relevantes a ter em conta na constituição dos stocks é a obrigatoriedade da farmácia dispor permanentemente três medicamentos genéricos do grupo dos cinco com preços mais baixos pertencentes ao mesmo grupo homogéneo (PVP5). 4,10,11

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6 Não obstante da gestão de stocks ser realizada predominantemente de forma automática e informatizada e, apesar de ser cada vez menos comum, por vezes ocorrem erros de stock que podem dever-se a trocas no ato da dispensa ou durante a receção de encomendas ou, eventualmente, furtos de produtos expostos. Durante o estágio presenciei, algumas vezes, este

acontecimento e antes da correção ser feita, tentou-se perceber a causa que pudesse estar por trás do erro e só depois se procedeu à retificação do inventário através do SI.

2.3. Encomendas e fornecedores

Realização de encomendas e fornecedores

A realização de encomendas é um processo indispensável para que as farmácias possam fazer face às suas necessidades correntes. Diariamente, é imperativo repor os produtos vendidos, de forma a garantir níveis de stock capazes de dar resposta à procura dos clientes. Para tal a FSG trabalha essencialmente com três distribuidores grossistas: Alliance Healthcare, OCP e, em menor grau, A. Sousa.

Na realização das encomendas diárias é fundamental o auxílio do SI, pois ao possibilitar definir quantidades mínimas a ter para cada produto, permite que, aquando da venda, o stock seja atualizado e, ao atingir o mínimo, seja originada uma proposta de encomenda. Por norma, ao final da manhã e antes do fecho, o profissional responsável por este processo, analisa a lista de produtos gerada pelo SI, efetua alterações pertinentes conforme as necessidades da farmácia e envia o pedido de encomenda, mediante as condições comerciais oferecidas, aos distribuidores supramencionados.

A maioria das compras são feitas ao grupo Health Porto, ao qual a FSG pertence, e cujo transporte é assegurado pela Alliance HealthCare. Os produtos que não estão na plataforma do grupo, a sua compra é distribuída pelos 3 armazéns de acordo com a melhor condição comercial e celeridade de entrega.

Além das encomendas diárias, é também comum a realização de encomendas instantâneas que são igualmente asseguradas pelos armazenistas. Estas decorrem da necessidade de satisfazer pedidos específicos do cliente, que a farmácia não tem em stock. São geralmente concretizadas durante o próprio atendimento, através do SI, ou em casos mais particulares, por telefone. Neste caso o produto fica reservado para o utente ao qual é entregue um talão para posterior levantamento.

Existem ainda as encomendas por “via verde do medicamento”. Este processo consiste numa via excecional de aquisição de determinados fármacos, à qual a farmácia recorre quando não os tem em stock, assegurando o acesso ao tratamento. O pedido é feito ao distribuidor aderente, exclusivamente mediante apresentação de receita médica, o qual possui um stock reservado para este canal previamente atribuído pelo titular de Autorização de Introdução no Mercado.12 Este sistema surgiu numa altura em que alguns medicamentos escassearam devido ao excesso de exportação e permitiu garantir que todos os utentes, a quem estes medicamentos são prescritos, têm acesso a eles quando necessitam.

A FSG efetua também encomendas diretamente aos laboratórios. Estas ocorrem mais frequentemente para produtos cosméticos e de ortopedia e são realizadas pelo farmacêutico

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7 responsável pela gestão que, analisa os stocks, as saídas do produto, as possíveis campanhas ou descontos e a partir daí decide acerca da necessidade de encomenda.

Receção de encomendas

Este processo inicia-se com a chegada dos produtos à farmácia, devidamente acondicionados em pequenos contentores fechados, identificados com o nome da farmácia e acompanhados da respetiva fatura ou guia de remessa. Os produtos de frio são transportados em contentores apropriados, de cor diferente e com a designação “produto de frio” para mais rápida identificação. Assim que chegam à farmácia são transferidos para o frigorífico tão rápido quanto possível.

De seguida procede-se à introdução dos produtos no SI, através da leitura ótica ou inserção manual do Código Nacional de Produto (CNP), conferindo-se simultaneamente a fatura. Durante este procedimento, verifica-se o estado de preservação da embalagem, o prazo de validade de cada produto, o Preço de Venda à Farmácia (PVF) bem como o preço marcado. Aos produtos cujo Preço de Venda ao Público (PVP) é definido pela FSG, é aplicada a margem de comercialização que é calculada tendo em conta o tipo de produto, o seu preço de custo e o seu IVA (ex. fraldas e leites são marcados com margens mais baixas). Os produtos em falta surgem enumerados no final da fatura e são transferidos informaticamente para outros fornecedores, pois, antes de terminar a receção da encomenda, é produzida uma lista com as faltas que será tida em consideração na realização das encomendas diárias.

No que diz respeito às benzodiazepinas e psicotrópicos, a sua receção requer especial atenção. Quando estes medicamentos são encomendados à OCP, é enviado juntamente com a fatura um documento da requisição destas substâncias e o respetivo duplicado. Alternativamente, a Alliance Healthcare apenas envia no final do mês um documento que compila, respetivamente, todas as benzodiazepinas e psicotrópicos enviados e as devidas quantidades. Em ambos os casos, no final de cada mês, o duplicado é assinado pela Diretora Técnica e carimbado, sendo posteriormente enviado para o fornecedor e ficando o original arquivado na farmácia, por um período de 3 anos.

Armazenamento

Após receção das encomendas, é realizado o armazenamento dos produtos que, à luz das BPFC, deve respeitar as condições de iluminação, temperatura, humidade e ventilação específicas dos medicamentos e dos restantes produtos farmacêuticos.9

Na FSG, a temperatura e humidade da zona de armazenamento, assim como do frigorífico, são monitorizadas com recurso a um termohigrómetro. A temperatura do espaço deve situar-se entre os 15º e os 25º e a humidade relativa entre 30 a 60%. A temperatura do frigorífico deverá manter-se entre 2º a 8º. Semanalmente são recolhidos e impressos os dados registados pelos aparelhos e justificadas eventuais desconformidades com os valores de referência, tal como recomendado pelo Decreto-Lei n.º 307/2007, de 31 de agosto.4

Um correto armazenamento é um processo que implica a dedicação de algum tempo. No entanto, a sua boa execução vai permitir agilizar o ato do atendimento, diminuir potenciais

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8 erros causados por trocas e facilitar o correto escoamento de stocks segundo o principio First

Expired First Out (FEFO) que vigora na FSG. Portanto, a organização adequada dos produtos

contribuí para um melhor serviço prestado ao utente na medida em que é a base para um atendimento mais rápido e

seguro. Na FSG os

medicamentos são armazenados de acordo com o esquema representado.

As quantidades excedentes são armazenadas num armário à parte, organizados por indicação terapêutica. Semanalmente é feita uma revisão às gavetas que são repostas conforme necessidade e espaço, respeitando sempre o FEFO. Existe, ainda, uma estante destinada a produtos de maiores dimensões como fraldas e dispositivos médicos.

Os medicamentos psicotrópicos encontram-se acondicionados num armário fechado, ao passo que os produtos de frio são armazenados no frigorífico.

2.4. Prazos de validade e devoluções

Na FSG, o controlo dos prazos de validade inicia-se aquando da receção das encomendas, pois ao dar entrada dos produtos no SI, este é um dos principais aspetos a ter em consideração. Deste modo, quando o produto que chega tem validade inferior aos que estão em stock, atualiza-se este parâmetro no SI. Todos os produtos que, no momento da receção, tenham um prazo de validade inferior a seis meses são devolvidos.

Além desta verificação, a FSG realiza um controlo mensal através da emissão de uma lista com todas as existências cujo prazo de validade expira nos seis meses subsequentes (apesar de estar estipulado quatro meses, o farmacêutico responsável por este procedimento opta por razões de segurança, convencionar uma margem superior). Esses produtos são então retirados e colocados em quarentena, numa zona específica para o efeito e sempre que possível é dada prioridade à sua venda. Na FSG, existe inclusivamente uma lista na qual, de forma periódica, são colocados alguns destes produtos com maior potencial de saída e produtos com pouca rotação para os quais são estabelecidos prazos de venda, funcionando como um objetivo coletivo. Não sendo possível escoar atempadamente estes produtos, procede-se então à devolução dos mesmos aos armazenistas ou laboratórios.

Relativamente às devoluções, estas podem acontecer por diversos motivos, nomeadamente os já referidos curtos prazos de validade, erros no pedido, produtos com embalagens danificadas ou recolhas de lotes por indicação do Infarmed. Este procedimento é realizado com auxílio do SI, que permite a comunicação direta à Autoridade Tributária. Aquando da devolução é imperativo enunciar o fornecedor, o produto a devolver e a quantidade, o preço de custo, o PVP, o lote, o motivo da devolução e o número da fatura de compra. A nota de devolução é então impressa em triplicado, assinada e carimbada, ficando a terceira cópia para a farmácia e as restantes acompanham o produto devolvido. Posteriormente, se aceite, o

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9 fornecedor emite uma nota de crédito à farmácia. Caso contrário, envia novamente o produto justificando o motivo da recusa. Neste caso, e dependendo do motivo que levou à devolução por parte da farmácia, o produto é inserido novamente em stock ou enviado para quebras.

Durante o estágio, ajudei no controlo mensal dos prazos de validade desde a emissão da lista no SI à verificação individual dos produtos. Do mesmo modo, realizei também diversas devoluções, a maior parte das quais, por erros de pedido e embalagens danificadas.

3. Dispensa de medicamentos e produtos de saúde e bem-estar

A dispensa de medicamentos, face mais visível da profissão farmacêutica, é um processo complexo que vai muito além da mera cedência de produtos. O farmacêutico deve garantir que as prescrições são dispensadas de forma segura e eficiente e neste sentido, deve avaliar a adequação da terapêutica ao doente, a necessidade do medicamento, a posologia e eventuais contraindicações. Além disto, cabe a este profissional facultar os esclarecimentos necessários para a correta administração dos fármacos, alertando o utente para possíveis efeitos adversos e interações. É importante ter em conta que, o momento da dispensa é, por vezes, o último contacto do utente com um profissional de saúde e, como tal, o farmacêutico tem um papel crucial na adesão à terapêutica e no correto uso dos medicamentos.9

Por outro lado, é à farmácia, e ao farmacêutico em particular, que os utentes recorrem numa primeira abordagem quando se vêm confrontados com problemas de saúde que envolvem sintomas menores. Nestes casos, o farmacêutico tem capacidade e conhecimento cientifico suficiente para indicar MNSRM apropriados a cada situação.

Deste modo, podemos dizer que o processo de dispensa envolve dois grandes grupos de medicamentos: os que requerem prescrição médica (Medicamentos Sujeitos a Receita Médica (MSRM)), ou os que resultam da indicação farmacêutica (MNSRM).

3.1. Medicamentos Sujeitos a Receita Médica

De acordo com o Decreto-Lei nº176/2006, de 30 de agosto, estão sujeitos a receita médica todos os medicamentos que:

 Constituam um risco para a saúde do doente, caso sejam utilizados sem vigilância médica, mesmo quando usados para o fim a que se destinam;  Possam constituir um risco para a saúde, quando utilizados com frequência e

em quantidades consideráveis para fins diferentes daquele a que se destinam;  Contenham substâncias, ou preparações à base dessas substâncias, cuja

atividade ou reações adversas seja indispensável aprofundar;  Destinem-se a ser administrados por via parentérica.

Deste modo, estes medicamentos apenas podem ser dispensados na farmácia mediante a apresentação da prescrição médica na qual, segundo a Portaria 224/2015, de 27 de julho, deve constar obrigatoriamente a Denominação Comum Internacional (DCI) da substância ativa, a forma farmacêutica, a dosagem, a apresentação, a quantidade e a posologia.13

Esta norma estabelecida permite ao utente escolher o medicamento a adquirir de entre os que pertencem ao mesmo grupo homogéneo, isto é, de entre o conjunto de medicamentos

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10 que partilham a mesma composição quantitativa e qualitativa em substâncias ativas, a mesma forma farmacêutica, a mesma dosagem e via de administração, e, portanto, beneficiar a nível económico se assim o entender.14

No entanto, a mesma portaria prevê que a prescrição possa ser realizada pelo nome comercial do medicamento nos casos de não existir medicamento genérico comparticipado ou mediante justificação válida do prescritor quanto à impossibilidade de substituição do medicamento prescrito. Neste último caso, apenas são admissíveis como justificações técnicas os seguintes casos: 13

 Exceção a: Prescrição de medicamento com margem ou índice terapêutico estreito.

 Exceção b: Intolerância ou reação adversa prévia a um medicamento com a mesma substância ativa, já reportada ao Infarmed.

 Exceção c: Medicamento destinado a assegurar a continuidade de um tratamento com duração estimada superior a 28 dias.

Sempre que se verifique alguma destas exceções, o prescritor deve mencioná-la em local próprio da receita e o medicamento dispensado não poderá ser alterado, salvo no caso da “Exceção c” em que o utente poderá optar por um medicamento equivalente com preço igual ou inferior ao prescrito. 13

3.1.1. Desmaterialização da receita médica

As Receitas Eletrónicas Desmaterializadas (RED), vulgarmente designadas “receitas sem papel” adquiriram caráter obrigatório a 1 de abril de 2016, para todas as entidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS) através do Despacho 2935-B/2016. 15

A prescrição eletrónica tornou mais seguro e efetivo o processo de emissão de receitas bem como a sua dispensa, contribuindo para um maior controlo e acompanhamento farmacoterapêutico dos doentes, para a racionalização no acesso ao medicamento, a par da diminuição dos custos de prescrição.15 Este processo, atualmente, culmina com a emissão da receita, à qual o utente tem acesso através de mensagem via telemóvel ou via email. Esta inclui um “Código de Acesso e Dispensa” para validação da dispensa dos fármacos e um “Código de Direito de Opção”, que permite ao utente, no momento do atendimento, escolher entre os medicamentos pertencentes ao mesmo grupo homogéneo, tal como já detalhado. Durante a consulta, é também fornecido ao utente o guia de tratamento, em formato papel ou através do email que, além de registar informações sobre a toma da medicação, contém os dados e códigos necessários à dispensa dos medicamentos na farmácia. Alternativamente, é também possível aceder a este guia através da “Área do Cidadão” no portal do SNS.15

Este modelo eletrónico é uma mais-valia na medida em que permite a prescrição simultânea de MSRM e MNSRM, medicamentos agudos e crónicos, permitindo compilar num único receituário todos os produtos que o utente necessita, sejam eles comparticipados ou não. Além disto, concede ao utente a possibilidade de aviar todos os produtos prescritos de uma só vez ou de forma parcelar, sendo inclusivamente possível, levantar os restantes em locais e datas diferentes conforme o que lhe for mais conveniente.15 Está previsto que estas receitas possam

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11 incluir simultaneamente, em linhas de prescrição distintas, produtos de saúde e medicamentos, até um máximo de duas embalagens de cada. Excetuam-se do disposto, os medicamentos destinados ao tratamento prolongado, por exemplo os anti-hipertensores e antilipémicos.15,16 Nestes casos, podem ser prescritos até um máximo de seis embalagens por receita.15

Não obstante da obrigatoriedade da prescrição eletrónica, é permitida, excecionalmente, a prescrição manual em situações específicas nomeadamente, perante falência informática, inadaptação comprovada do prescritor, em casos de prescrição ao domicílio ou em outras circunstâncias até um limite de 40 receitas médicas por mês.13 Podem ser prescritos no máximo quatro medicamentos ou produtos de saúde (em receitas diferentes) não sendo possível, de forma alguma, ultrapassar o limite de duas embalagens por medicamento ou produto, nem o total de quatro embalagens por receita.13 Este modelo implica a de utilização de vinheta identificativa do médico prescritor.

Em ambos os casos referidos (receitas manuais e receitas sem papel), as prescrições têm uma validade de 30 dias, salvo os medicamentos que se destinam a tratamentos prolongados que têm validade de 6 meses.13

Paralelamente às anteriores, existem ainda as Receitas Eletrónicas Materializadas (REM). Estas são menos comuns e a sua emissão só é permitida em casos particulares como indisponibilidade do sistema de autenticação do prescritor, no âmbito de prestação de cuidados de saúde transfronteiriços e na prescrição de medicamentos biológicos, cuja dispensa é exclusiva em farmácia hospitalar. A receita materializada pode ser renovável, se contiver medicamentos para tratamento de longa duração, podendo ter até três vias, devidamente mencionadas. Este tipo de receitas requer obrigatoriamente a assinatura do médico prescritor.17

A grande maioria das receitas que chegam à FSG são receitas eletrónicas desmaterializadas. No entanto, e especialmente quando se tratam de pessoas mais velhas, é comum trazerem impresso o guia de tratamento que usam para levantar os medicamentos.

3.1.2. Validação das receitas e planos de comparticipação

No momento do atendimento, quando o utente se dirige à farmácia com a receita ou os códigos necessários para o seu acesso, são vários os parâmetros a ter em consideração pelo farmacêutico. Em primeiro lugar, é necessário assegurar a autenticidade da receita principalmente no caso de se tratarem de receitas materializadas (eletrónicas e manuais). Nestes casos, é também importante confirmar que as receitas cumprem as regras de prescrição e os requisitos para serem consideradas válidas de acordo com a portaria 224/2015, de 27 de julho, nomeadamente o número da receita e código (se aplicável), local de prescrição, identificação e assinatura do médico prescritor, nome e número de utente e entidade financeira responsável. É igualmente relevante assegurar que se encontra dentro do período de validade, geralmente 30 dias. A identificação do medicamento é feita por denominação comum internacional (DCI) e a receita tem de conter a forma farmacêutica, dosagem, dimensão e número de embalagens, data e assinatura do prescritor e, se aplicável, referência ao regime especial de comparticipação. Nas receitas manuais a identificação do médico prescritor é realizada obrigatoriamente com recurso

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12 a vinhetas e a identificação do local de prescrição é facultativa.13 Além disso, não podem conter rasuras, e o número de embalagens prescritas deve constar em cardinal e por extenso.16

Com as RED é simplificado o processo de dispensa e de validação da prescrição por parte do farmacêutico uma vez que o SI atribui diretamente o regime de comparticipação associado ao utente, ao mesmo tempo que alerta quanto à validade da prescrição e facilita a identificação dos medicamentos possíveis de dispensar ao utente.

Dada a obrigatoriedade da prescrição por DCI, concedendo ao utente a possibilidade de escolha de entre os diferentes laboratórios, na FSG é habitual interrogar-se os utentes acerca da medicação, de forma a perceber se a medicação é usual e qual o laboratório que normalmente usa, de modo a promover a adesão à terapêutica e evitar erros de posologia em polimedicados

3.1.3. Planos de comparticipação de medicamentos

O SNS foi criado e desenvolvido com o intuito de facultar o direito à saúde de todos os portugueses. Ao longo dos últimos anos, algumas das suas políticas têm vindo a ser alteradas sempre com o objetivo de promover a sua sustentabilidade e aumentar a sua eficiência. No que diz respeito à politica do medicamento, de forma a garantir o acesso aos medicamentos pelas pessoas que deles necessitam, o SNS dispõe de diferentes regimes de comparticipação, assegurados pelo Estado.19,20

Em 2010, o Decreto-Lei 106-A/2010, de 1 de outubro, veio implementar algumas medidas mais justas no acesso aos medicamentos e no combate à fraude e ao abuso na sua comparticipação. A partir de então, foi estabelecido que, para efeitos de comparticipação do Estado, o cálculo do preço de referência dos medicamentos deve corresponder à média dos cinco medicamentos mais baratos existentes no mercado que integrem cada grupo homogéneo. Atualmente a comparticipação do Estado no preço dos medicamentos é fixa e baseada

na classificação farmacoterapêutica. O regime geral de comparticipação, abrange todos os

utentes do SNS e consagra quatro escalões, A (90%), B (69%), C (37%) e D (15%). No entanto, a taxa de comparticipação pode ser majorada em função dos beneficiários e em determinadas patologias ou grupos de doentes, designados regimes excecionais. No primeiro caso, o apoio do Estado aumenta 5% para os medicamentos pertencentes ao escalão A e 15% para os que fazem parte dos escalões B, C e D para os pensionistas cujo rendimento anual não exceda catorze vezes o salário mínimo nacional ou o valor do indexante dos apoios sociais em vigor, quando este ultrapassar o primeiro montante. A comparticipação em função das patologias abrange determinadas doenças como Paramiloidose e a doença de Alzheimer, e requer a menção na receita ao diploma correspondente. Determinadas portarias impõem que a prescrição seja feita por um especialista para que possa ser realizada a comparticipação.19,21

Nas prescrições materializadas (eletrónicas e manuais), se a prescrição se destinar a um pensionista abrangido pelo regime especial de comparticipação, deve constar na receita a sigla «R» junto dos dados do utente. Do mesmo modo, se a prescrição se destinar a um utente abrangido por um regime especial de comparticipação em função da patologia, deve constar na receita a sigla «O» junto dos dados do utente e a menção ao despacho que consagra o respetivo regime no campo da receita reservado à designação do medicamento.13

(22)

13 Existem ainda outras entidades que podem, em regime de complementaridade com o SNS, comparticipar parte do medicamento, designando-se subsistemas de saúde. Adicionalmente, existem os seguros de saúde, nomeadamente Tranquilidade, Fidelidade ou Medis que também podem funcionar em regime de complementaridade. Nestes casos, o utente é obrigado a apresentar o seu cartão de beneficiário e no caso de se tratar de receita materializada é necessária fotocópia da mesma.

Relativamente aos doentes com diabetes, de acordo com a Portaria n.º 364/2010, de 23 de junho está fixada a comparticipação do Estado em 85% do PVP do custo de aquisição das tiras-testes e em 100% do PVP no caso das agulhas, seringas e lancetas para utentes do SNS.

Durante o estágio, aquando do inicio do atendimento ao balcão, sempre que confrontada com receitas manuais, sentia alguma dificuldade na identificação dos regimes de comparticipação e nos organismos associados informaticamente bem como na inclusão dos subsistemas. Pude aperceber-me que na FSG existem vários clientes com subsistemas de saúde associados nomeadamente EDP, CTT e SAMS.

3.1.4. Receituário e faturação

Na FSG a conferência e processamento do receituário realiza-se no final de cada mês. Este procedimento, tornou-se bastante mais simples com a entrada em vigor das receitas eletrónicas desmaterializadas que não necessitam de verificação física, uma vez que tudo é comunicado automaticamente no momento da dispensa.

A conferencia do receituário, consiste em analisar todas as receitas em suporte de papel dispensadas naquele mês, que devem conter no verso a impressão do documento de faturação, e confirmar o cumprimento dos requisitos legais impostos para a sua validação (assinatura do médico e vinheta), verificar se esta se encontra dentro da validade legal de aviamento, se a medicação dispensada corresponde à medicação prescrita e se a comparticipação foi feita corretamente, garantindo simultaneamente que se encontra assinada pelo utente. Se tudo estiver conforme, é colocado o carimbo, a data e a rubrica do conferente.

No momento da dispensa, é atribuído a cada receita um número de serie associado à venda. Depois de conferidas, as receitas são agrupadas em lotes de trinta e ordenadas numericamente, de acordo com a entidade responsável pela comparticipação. Quando um lote contendo trinta receitas se encontra completo, é fechado e impresso o verbete de identificação do lote que é devidamente carimbado, assinado e anexado ao respetivo lote. O verbete contém o nome e código da farmácia, mês e ano, entidade responsável pela comparticipação, o número sequencial do lote e de receitas, o PVP total dos medicamentos que fazem parte do lote, a importância relativa ao valor pago pelos utentes e a importância correspondente à comparticipação pelas entidades responsáveis.

Posteriormente, esta documentação é enviada para a Administração Regional de Saúde do Norte, no caso das receitas relativas ao SNS, ou à Associação Nacional de Farmácias, no caso das receitas associadas a subsistemas de saúde, para que os respetivos organismos possam repor à farmácia o valor correspondente às comparticipações. Caso seja detetada alguma irregularidade, as receitas são devolvidas para que se possa proceder à sua correção.

(23)

14 Se a mesma for possível, a farmácia poderá incluir a receita nos lotes a faturar do mês seguinte. Caso contrário, a farmácia terá de acarretar com o prejuízo.

Durante o estágio, ajudei no processo de encerramento do receituário, desde a verificação da conformidade das receitas e organização dos lotes à emissão dos verbetes.

3.1.5. Casos específicos de dispensa e comparticipação Psicotrópicos e estupefacientes

Os psicotrópicos e estupefacientes são medicamentos que requerem um maior controlo e supervisão uma vez que, devido às suas propriedades, são muitas vezes associados à prática de crimes e ao consumo de drogas. Por outro lado, quando utilizados de forma descontrolada podem induzir habituação, dependência física e psíquica, podendo inclusivamente modificar o comportamento do individuo, dada a sua ação ao nível do sistema nervoso.22 Por tudo isto, é imprescindível que a sua utilização respeite criteriosamente as recomendações clínicas e a sua dispensa seja regulada e só aconteça, impreterivelmente, mediante receita médica.

No momento da dispensa destes fármacos, é solicitado, informaticamente, o preenchimento de alguns dados do doente e da pessoa que efetua o levantamento da medicação (no caso de se tratarem de pessoas distintas), nomeadamente, o nome, a morada, a idade e o número do documento de identificação e a respetiva validade. Fica também registada a identificação do médico prescritor. Toda esta informação garante a rastreabilidade do medicamento e os seus intervenientes, desde a sua prescrição até que sai da farmácia.

No final do atendimento é emitido um talão relativo à medicação dispensada que deve ser armazenada juntamente com uma cópia da receita, caso se trate de receita materializada.

Na FSG, no final de cada mês é impresso o balanço de entradas e saídas destes medicamentos e conferido o stock. Verifica-se ainda se os dados preenchidos no registo de saída estão em conformidade com os dados da receita e posteriormente envia-se a listagem de saídas para o Infarmed.

Medicamentos manipulados

Os MM funcionam muitas vezes como alternativa quando não existem opções disponíveis no mercado que assegurem as necessidades do doente, quer perante a inevitabilidade de adaptação de dosagens ou formas farmacêuticas às carências terapêuticas, quer no caso de inexistência industrial da especialidade com igual substância ativa ou forma

farmacêutica pretendida.23

O MM tem direito a comparticipação de 30% do respetivo preço de venda ao público. No entanto, para tal, tem de ser prescrito mediante indicação, na receita médica, das substâncias ativas, respetiva concentração, excipientes e forma farmacêutica.24

No momento da dispensa, o farmacêutico deve garantir que são facultadas ao utente todas as informações essenciais, nomeadamente a posologia e modo de administração, condições de conservação e prazo de validade.

(24)

15 Os medicamentos cuja aquisição não carece de apresentação de prescrição médica, vulgarmente designados MNSRM, são essencialmente utilizados em distúrbios ligeiros e transitórios de saúde. Estes medicamentos, tal como os MSRM, têm de obedecer a critérios rigorosos de qualidade e eficácia para poderem ser comercializados, além de que têm um perfil de segurança bem conhecido, razão pela qual podem ser publicitados junto do público.25 Deste modo, a grande maioria das pessoas que recorre a este tipo de medicamentos, fá-lo por sua iniciativa (automedicação), porque viu a publicidade, ou porque conhece alguém que já tomou.

Pese embora, nos dias de hoje, seja possível adquirir alguns destes produtos em outros locais, que não farmácias, o Farmacêutico desempenha um papel fundamental no aconselhamento e dispensa deste tipo de medicamentos, uma vez que, apesar de terem uma grande margem de segurança, não são inócuos e podem acarretar riscos quando usados indevidamente, sobretudo durante um período prolongado de tempo ou numa dose superior à recomendada. Além disso a sua utilização pode mascarar sintomas, dificultar ou retardar a descoberta e tratamento de uma doença grave, a par da eventual ocorrência de reações adversas ou aparecimento de interações com outros medicamentos utilizados regularmente.26

Tendo em conta o papel fundamental do farmacêutico, foi instituída, em 2013, a classificação de MNSRM exclusivo em Farmácia. Esta visa garantir a segurança na utilização dos medicamentos que, pelas suas características, requeiram um aconselhamento farmacêutico mais detalhado, nomeadamente através de protocolos específicos relativos à dispensa.

Deste modo, a intervenção farmacêutica é crucial na indicação do MNSRM mais adequado ao utente e na promoção do seu correto uso. Para tal, é necessário perceber o quadro clínico do doente nomeadamente sinais e sintomas, a sua duração e intensidade. A partir desta informação, cabe ao farmacêutico aconselhar e dispensar o MNSRM que considerar apropriado e informar o doente quanto à posologia, via de administração, possíveis reações adversas e interações, bem como a duração do tratamento. Alternativamente, pode optar por encaminhar o doente para o médico se considerar que a situação requer cuidados especializados.

Os MNSRM não são comparticipáveis, salvo nos casos previstos na legislação que define o regime de comparticipação do Estado no preço dos medicamentos.10

No decorrer do estágio, o aconselhamento e dispensa de MNSRM foi, para mim, uma das tarefas mais complexas, que me suscitou inúmeras duvidas dado o desconhecimento que nutria em relação a muitos produtos, as suas propriedades e a sua aplicabilidade. Foi notória a procura acentuada de produtos para a tosse, gripe e constipação no inicio do estágio que incidiu sobre meses de inverno e primavera. A procura de produtos indicados na cicatrização de feridas, queimaduras, picadas de insetos ou alívio dos sinais e sintomas da doença venosa foi mais significativa nos meses de verão.

Medicamentos homeopáticos e fitoterapêuticos

Os medicamentos homeopáticos e os medicamentos tradicionais à base de plantas são classificados como MNSRM e a sua venda é regulada pelo Decreto-Lei nº 176/2006, de 30 de agosto.

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16 Segundo o referido diploma, os primeiros são obtidos a partir matérias-primas homeopáticas, de acordo com um processo de fabrico descrito na farmacopeia europeia ou, na sua falta, em farmacopeia utilizada de modo oficial num Estado membro.10 Apesar de poderem ser preparados a partir das mesmas matérias-primas de outros medicamentos como medicamentos à base de plantas, diferenciam-se destes, sobretudo, pelos métodos de fabrico utilizados na sua preparação que implicam quantidades mínimas de substâncias ativas.27

Os homeopáticos comercializados pela FSG são essencialmente do laboratório Boiron, dos quais são exemplo, o Stodal® para tratamento da tosse e o Arnigel® para hematomas.

Por sua vez, de acordo com a mesma fonte, os medicamentos fitoterapêuticos contêm na sua composição exclusivamente substâncias ativas de origem vegetal e/ou preparações à base destas. Podem, no entanto, resultar também da associação de várias plantas e conter vitaminas ou minerais com ação complementar às substâncias ativas.10

Na FSG é comum a procura destes produtos, sobretudo porque, hoje em dia, as pessoas preferem as alternativas naturais, quando estas existem, em detrimento dos produtos convencionais, por norma, químicos. Ainda recentemente, durante um atendimento, uma senhora me interpelou para saber se poderia trocar “o medicamento que usava para dormir” (benzodiazepina) por um mais natural, que não criasse habituação. Disse-lhe que teria de falar com o médico para que este avaliasse a sua situação e se oportuno a orientasse no sentido de realizar o desmame.

Assim os produtos fitoterapêuticos com maior rotatividade são, por exemplo, o Valdispert® utilizado em casos de ansiedade ou transtornos ao nível do sono, o Cholagutt® para distúrbios gastrointestinais e o Dulcolax® usado como laxante, entre outros.

3.3. Outros produtos de saúde e bem-estar

Hoje em dia, as farmácias já não são vistas apenas como um local de dispensa de medicamentos, pois nelas encontramos cada vez mais produtos que visam promover o bem-estar e a qualidade de vida dos utentes, colmatar eventuais carências e prevenir o aparecimento de problemas maiores, descurando um pouco a vertente retrograda de venda exclusiva de produtos para tratamento de doenças. Assim, nas últimas décadas, os profissionais desta área têm-se especializado de maneira a somar competências que lhe permitam o aconselhamento de produtos de cosmética, suplementos alimentares, dispositivos médicos, entre outros.

3.3.1. Produtos de cosmética e de higiene corporal

Atualmente, tem se verificado um aumento da preocupação pelo culto do corpo, enaltecendo-se cada vez mais o aspeto físico e como tal, são muitos os que procuram a farmácia e o farmacêutico em particular na busca de produtos que satisfaçam as suas necessidades e preocupações quanto a este aspeto.

Os produtos cosméticos e de higiene corporal englobam vários produtos que, segundo o Decreto-Lei nº 189/2008, de 24 de setembro, se destinam à aplicação na parte superficial do corpo designadamente na pele, cabelo, lábios, unhas, órgãos genitais externos bem como

(26)

17 dentes e mucosas bucais. Estes produtos são concebidos com o intuito de limpar, perfumar, modificar o aspeto, proteger, manter em bom estado ou corrigir os odores corporais.28

A FSG possui uma grande variedade de marcas nesta área, capazes de dar resposta aos consumidores mais exigentes. Destacam-se a Uriage®, Bioderma®, Vichy®, La Roche-Posay®, Caudalie® e Esthederm®. De forma a proporcionar um conhecimento mais aprofundado da marca, é comum a realização de formações, para que os profissionais possam prestar um melhor aconselhamento de acordo com as particularidades de cada produto.

3.3.2. Suplementos alimentares

Um regime alimentar adequado e variado, em circunstâncias normais, fornece a um ser humano todas as substâncias nutrientes necessárias ao seu bom desenvolvimento e à manutenção de um bom estado de saúde. Todavia, tendo em conta o atual estilo de vida sedentário aliado à má alimentação, este estado ideal nem sempre é alcançado e surgem os défices nutricionais que podem ser colmatados com suplementos alimentares. Segundo o Decreto-Lei nº 136/2003, de 28 de junho, estes são considerados géneros alimentícios que constituem fontes concentradas de nutrientes ou outras substâncias com efeito nutricional ou fisiológico e que se destinam a complementar e ou suplementar o regime alimentar normal. Não são considerados medicamentos, não se pode atribuir-lhes propriedades profiláticas nem de tratamento.29

Os suplementos alimentares podem ter diferentes finalidades consoante a sua composição. Os suplementos com maior saída na FSG são os multivitamínicos, dos quais realço o Viterra®, Absorvit® e Centrum® e os suplementos destinados ao desempenho cerebral, por exemplo, o Mentalaction®.

3.3.3. Produtos para alimentação especial

À luz do Decreto-Lei nº 74/2010, de 21 de junho, os géneros alimentícios destinados a uma alimentação especial são aqueles que se distinguem claramente dos alimentos de consumo corrente devido à sua composição especial ou a processos especiais de fabrico. Estes são produzidos de acordo com objetivos nutricionais predefinidos que correspondem às necessidades nutricionais especiais de doentes com condições fisiológicas particulares, nomeadamente, pessoas com distúrbios metabólicos e capacidade de assimilação alterada, lactentes e crianças com pouca idade, doentes acamados, oncológicos ou outros que possam beneficiar da ingestão controlada de determinadas substâncias contidas nestes alimentos.30

Os produtos disponíveis na FSG neste segmento são suplementos alimentares hipercalóricos, hiperproteicos, leites de transição, leites hipoalergénicos, papas, boiões entre outros essencialmente das marcas Fortimel®, Resource®, Aptamil® e Nutriben®.

3.3.4. Dispositivos médicos

O termo “dispositivos médicos” engloba uma grande variedade de produtos (instrumentos, aparelhos, equipamentos, softwares, materiais e artigos) utilizados isoladamente ou em combinação, que se destinam a serem utilizados para fins comuns aos dos medicamentos, tais como a prevenção, o diagnóstico, o controlo ou o tratamento de doenças. Contudo, o seu

(27)

18 objetivo passa por atingir o efeito pretendido através de mecanismos que não envolvam ações farmacológicas, metabólicas ou imunológicas.31,32

A FSG tem acompanhado a evolução do mercado quanto à oferta progressivamente diferenciadora deste tipo de produtos, cada vez mais procurados nas farmácias. No decurso do

estágio pude acompanhar o aconselhamento dos meus colegas e mais tarde também vender diferentes dispositivos médicos. É de frisar a especial procura de fraldas e pensos para incontinência; material ortopédico como canadianas, meias de descanso e meias de compressão, pulsos e joelheiras elásticas; material de penso como compressas e pensos; termómetros, medidores de tensão e testes de gravidez.

3.3.5. Artigos de puericultura

Os produtos de puericultura são outra classe de produtos que as farmácias podem fornecer ao público.4 A FSG possui uma grande variedade de artigos destinados ao bem-estar e proteção dos bebes nomeadamente, produtos de banho e de hidratação, cuidados adequados à muda da fralda, fraldas, chupetas, biberões, papas adequadas ao seu desenvolvimento, entre outros. As marcas mais trabalhadas pela FSG são a Uriage®, Chicco® e Klorane®.

3.4. Medicamentos de uso veterinário

As farmácias encontram-se legalmente autorizadas para venda de medicamentos destinados ao tratamento e prevenção de doenças em animais. Estes medicamentos, não só são cruciais para a saúde e bem-estar dos animais como desempenham um papel fundamental para a proteção da saúde pública.33

A FSG possui vários produtos de uso veterinário, sendo que, os mais procurados durante o meu período de estágio foram desparasitantes internos e externos, especialmente no início da primavera e verão. De entre as várias marcas existentes para estes produtos, aquelas com maior expressão na FSG são Advantix®, Frontline® e Seresto®. A par dos desparasitantes também verifiquei uma procura acentuada de anticoncecionais. Além disso, a FSG produz ainda alguns MM para uso veterinário com alguma regularidade, concretamente para insuficiência cardíaca e problemas urinários ou outros, quando solicitados.

4. Preparação de medicamentos manipulados

A preparação de MM deve visar um elevado padrão de qualidade e segurança e, como tal, deve respeitar as boas práticas a observar na preparação de MM, detalhadas na Portaria nº 594/2004, de 2 de junho.23

Como anteriormente detalhado, a FSG possui um laboratório que se encontra totalmente equipado com o material necessário para a preparação destes medicamentos. As matérias-primas encontram-se corretamente armazenadas, de acordo com as especificações e os respetivos boletins de análise devidamente arquivados. Quando a FSG recebe uma prescrição de um MM, esta é analisada pelos farmacêuticos responsáveis por esta área, que estudam a sua forma de preparação. Para tal recorrem a fontes bibliográficas apropriadas, nomeadamente o

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