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Relatório estágio profissional

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Academic year: 2021

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Vitor M. Pedroso

Aluno 2008230 Junho 2014

RELATÓRIO

FINAL

Estágio profissionalizante

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Í

NDICE

INTRODUÇÃO ... 2

Objectivos gerais ... 2

Objectivos específicos ... 3

DESCRIÇÃO DAS ACTIVIDADES ... 4

Medicina... 4

Cirurgia ... 5

Medicina Geral e Familiar ... 5

Pediatria ... 6

Ginecologia e Obstetrícia ... 6

Saúde Mental ... 7

Outras actividades... 7

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RELATÓRIO

FINAL

Estágio profissionalizante

INTRODUÇÃO

O estágio profissionalizante, compreendendo o exercício orientado e programado da Me-dicina por áreas médico-cirúrgicas, e incidindo, preferencialmente, nas vertentes do diagnóstico diferencial e terapêutica, deve ser capaz de introduzir, ao aluno em fim de curso, a realidade da prática clínica autónoma.

Este relatório serve o propósito de descrever a experiência vivenciada durante o estágio profissionalizante do 6º ano do Mestrado Integrado em Medicina. Através deste, pretende-se dar a conhecer: quais os objectivos e expectativas formativas para o estágio; como é experienciado pelo aluno o contacto com os diversos estágios parcelares; e de que forma é feita a preparação para a prática clínica autónoma, preconizada como objectivo nas fichas de todas as unidades curriculares do estágio profissionalizante.

Adicionalmente, o presente documento servirá como uma ferramenta de reflexão. Esta reflexão recairá, por um lado, sobre o cumprimento ou não dos objectivos inicialmente propostos, e, por outro, sobre a progressão e aprendizagem verificadas, nomeadamente aos níveis pessoal, académico, científico e clínico.

OBJECTIVOS

Objectivos gerais

De entre os objectivos gerais para este conjunto de estágios, destaco a aquisição e con-solidação de competências teóricas e práticas necessárias à prática autónoma da Medicina, par-ticularmente a obtenção de história clínica, a execução do exame físico cuidado, a requisição e interpretação adequadas de exames complementares de diagnóstico, e a tomada de decisões

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terapêuticas apropriadas a cada caso. Pretendia adquirir um conhecimento mais aprofundado da relação custo-benefício de determinados exames complementares de diagnóstico ou opções te-rapêuticas, bem como quais as situações em que o pedido de um ou outro exame é, ou não é, adequado.

Outro objectivo importante passava pela integração activa nas diversas equipas, ganhan-do um espaço próprio no trabalho desenvolviganhan-do diariamente nas várias actividades ganhan-dos serviços.

Objectivos específicos

Com base nos pressupostos descritos na introdução, a proposta pessoal no início do es-tágio passava pelo treino de competências que permitissem aumentar a minha confiança na to-mada de decisões relativamente à marcha diagnóstica, destino, ou terapêutica dos doentes. Concomitantemente, e de forma inerente a esta proposta de atitude, o conhecimento científico adquirido nos anos anteriores e a capacidade de fazer a transição da teoria para a prática seriam colocados à prova. Deste modo, seria possível auto-avaliar a necessidade de eventuais ajustes nos métodos de trabalho e de actuação nos diversos estágios. Como tal, um dos objectivos es-senciais a priori era o de tomar uma atitude participativa, crítica e interventiva durante os vários momentos de discussão.

Adicionalmente, era também um objectivo primário ter a possibilidade de advogar a favor dos doentes ao meu cuidado nos diversos momentos de trabalho; isto é, estar presencial e acti-vamente envolvido na discussão destes casos com colegas de outras especialidades e na refe-renciação de doentes a outros serviços. Mais, era para mim um passo importante alargar o cam-po de acção ao contacto com os familiares dos doentes, não só para obtenção de informação adicional, mas também, e sobretudo, para o treino da comunicação do desenvolvimento clínico aos interessados. Desta forma, esperava conseguir evoluir ao nível da comunicação interpessoal num largo espectro, tanto com doentes e seus familiares como com outro pessoal de saúde.

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Além do mais, ser capaz de adaptar a linguagem de forma apropriada à compreensão dos doen-tes, nomeadamente em situações particulares como na Psiquiatria ou Pediatria, era também uma importante competência a desenvolver durante este período.

DESCRIÇÃO

DAS

ACTIVIDADES

O estágio profissionalizante do 6º ano está estruturado em seis estágios parcelares, cor-respondentes às áreas clínicas de Medicina, Cirurgia, Medicina Geral e Familiar, Pediatria, Gine-cologia e Obstetrícia, e Saúde Mental. Nas próximas páginas será feita uma descrição das acti-vidades desenvolvidas em cada um dos estágios parcelares, seguindo-se uma breve referência a actividades extra-curriculares, entendidas como importantes no desenvolvimento académico e pessoal vivido durante o estágio profissionalizante.

Medicina

A actividade durante o estágio centrou-se no internamento de Medicina Interna do Hospi-tal de Santa Marta, englobando as actividades intrínsecas ao funcionamento do serviço, como a visita clínica e as sessões clínicas, passando também pelo serviço de urgência. Adicionalmente, como parte integrante da Unidade Curricular, estive presente nos seminários e desenvolvi e apresentei um trabalho de grupo.

Durante este estágio estive completamente integrado no trabalho da equipa, com respon-sabilidades constantes e adequadas no trabalho diário na enfermaria, sempre exercidas de for-ma tutelada. Pude ainda participar activamente na discussão de determinados casos com cole-gas de outras especialidades, bem como comunicar com os familiares dos doentes em diversas ocasiões.

Por último, a presença simultânea de alunos do 3º ano do curso na enfermaria, a terem o seu primeiro contacto com o meio hospitalar, apresentou-me uma nova realidade. Assim, como

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seu colega mais velho, tive a oportunidade de passar por uma nova experiência, ajudando-os na integração no serviço e na transmissão de alguns conhecimentos.

Cirurgia

O estágio de Cirurgia, realizado no Hospital Beatriz Ângelo, teve a sua prática centrada no bloco operatório, na enfermaria e na frequência da urgência e consulta externa de Cirurgia Geral. Adicionalmente, estive presente nas sessões teóricas e desenvolvi e apresentei um caso clínico no Mini-Congresso da unidade curricular. Tive também a possibilidade de frequentar um estágio opcional na especialidade de Anestesiologia, durante o qual contactei sobretudo com as realida-des do bloco operatório e das técnicas de Gastrenterologia do ponto de vista anestésico, tendo ainda passado pela urgência desta especialidade.

Durante este estágio tive a oportunidade de participar como segundo ajudante em vários procedimentos cirúrgicos e, na Anestesiologia, de realizar alguns gestos técnicos nunca feitos até então, como a entubação oro-traqueal e a colocação de sonda naso-gástrica. Na enfermaria, fiz frequentemente a observação dos doentes internados, contactando de perto com outros pro-fissionais de saúde, nomeadamente enfermeiros e nutricionistas, optimizando o acompanhamen-to peri-operatório dos doentes.

Medicina Geral e Familiar

O estágio de Medicina Geral e Familiar foi realizado na Unidade de Saúde Familiar D. Jordão, na Lourinhã. Durante o período deste estágio parcelar, acompanhei sempre a minha tu-tora na sua actividade de consulta, contactando com as suas diversas valências, nomeadamente a saúde materna e infantil, o planeamento familiar, as consultas dos grupos de risco, como dia-béticos e hipertensos, os programas de rastreio, e ainda as consultas do dia. Através deste largo espectro de acção médica ao nível dos cuidados de saúde primários, pude contactar, num único

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período de trabalho, com patologia afecta a diversas especialidades médico-cirúrgicas, algo

al-tamente infrequente a nível hospitalar.

Pediatria

A actividade durante o estágio, realizado no Hospital D. Estefânia, centrou-se no interna-mento da Pneumologia, englobando as actividades inerentes ao funcionainterna-mento do serviço, como a visita e as sessões clínicas, passando também pelo serviço de urgência e consulta externa. Adicionalmente, frequentei a consulta externa de Medicina Física e Reabilitação e de Imunoaler-gologia, e tive a oportunidade de visitar o serviço de Cardiologia Pediátrica do Hospital de Santa Marta. Por último, como método de avaliação, desenvolvi e apresentei um trabalho de grupo e uma história clínica.

Neste período contactei com uma realidade até então desconhecida da Pediatria. Lidei com doenças crónicas e raras, cujo diagnóstico diferencial constituía um desafio e exigia uma abordagem multi-disciplinar. Assim, pude treinar competências de comunicação e, sobretudo, relacionais, pelo elevado cariz emocional que o cuidado continuado e permanente destas crian-ças implica.

Ginecologia e Obstetrícia

A actividade durante o estágio, realizado no Hospital Beatriz Ângelo, pode ser dividida em três componentes complementares: Ginecologia, Obstetrícia e Serviço de Urgência. Na Gineco-logia, contactei essencialmente com o bloco operatório e várias valências da consulta externa, como a Senologia e a Ginecologia Geral. Na Obstetrícia, a actividade centrou-se no internamen-to, na consulta externa e ecografia. No Serviço de Urgência acompanhei diversas situações atri-buíveis a cada uma das áreas da especialidade, incluindo o bloco de partos. Adicionalmente, estive presente nas várias reuniões do serviço e, como método de avaliação, desenvolvi e apre-sentei um trabalho de grupo.

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Durante o estágio, pude treinar gestos do exame físico que não tinha executado até en-tão, como o toque vaginal, a palpação uterina bimanual, o exame com espéculo e a colheita de exsudados vaginal e anal, o quer permitiu adquirir alguma autonomia no período de aprendiza-gem. Além disso, participei como ajudante no bloco operatório e assisti a múltiplos partos vagi-nais e por cesariana.

Saúde Mental

O estágio foi realizado no Centro de Saúde da Brandoa, podendo dividir-se a actividade entre a consulta no Centro de Saúde e o Serviço de Urgência. No Centro de Saúde assisti à consulta externa e tive a oportunidade de acompanhar uma das senhoras enfermeiras do centro nas visitas domiciliárias. No Serviço de Urgência, no Hospital Fernando da Fonseca, assisti à avaliação realizada em diversas situações em contexto agudo. Adicionalmente estive presente nas várias reuniões de serviço e, como parte do método de avaliação, desenvolvi e apresentei um trabalho de grupo e realizei uma história clínica.

Durante este período lidei maioritariamente com uma realidade previamente desconheci-da, a da Psiquiatria comunitária. Neste contexto de acção, pelo estadio habitualmente crónico das doenças em causa, o objectivo primário passava pela prevenção do aparecimento de surtos de agudização, sendo fulcral a relação de confiança entre o médico e o doente.

Outras actividades

Paralelamente à actividade curricular do estágio profissionalizante, ocupei durante a fase inicial deste ano lectivo um cargo na Direcção da Associação de Estudantes, como Vogal do De-partamento de Educação Médica, através do qual tive assento no Conselho Pedagógico da Fa-culdade. Aparte isso, fiz parte da organização do congresso iMed, que reuniu em Lisboa 4 laure-ados Nobel, entre outros oradores de renome. Mais tarde, fui eleito para o cargo de Presidente da Mesa da Assembleia Geral de Alunos da Associação de Estudantes. Durante este ano assisti

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também a congressos médicos das áreas da Radiologia de Intervenção e da Cirurgia Cardio-torácica. Por último, participei pela primeira vez num congresso, organizado pela Associação dos Médicos Auditores e Codificadores Clínicos, com uma comunicação oral com o títutlo “Do registo académico ao registo clínico”.

DISCUSSÃO

CRÍTICA

Globalmente, avalio o estágio profissionalizante como uma experiência muito positiva e enriquecedora no meu currículo académico, considerando ter cumprido os objectivos inicialmen-te propostos. Reconheço que, em parinicialmen-te, o cumprimento de alguns desinicialmen-tes objectivos só foi possí-vel porque tal me foi permitido, tendo para isso sido essencial a atitude extremamente pedagógi-ca e integradora da larga maioria dos tutores que me receberam. Muitas das competências que me propunha desenvolver, nomeadamente ao nível da auto-avaliação dos conhecimentos previ-amente adquiridos, ao ganho de confiança e desenvolvimento da comunicação interpessoal com colegas, outro pessoal de saúde e doentes e seus familiares, não teriam sido desenvolvidas, não fosse pela autonomia e liberdade que senti terem sido proporcionadas. Estas permitiram que o conceito de estágio profissionalizante passasse do campo conceptual para o prático, tendo cor-respondido às minhas expectativas.

Os diferentes estágios tiveram contribuições particulares para o cumprimento dos objecti-vos iniciais. O estágio de Medicina, enquanto disciplina médica mais abrangente, afirmou-se co-mo a base de conhecimentos e actuação para todos os outros. Na Ginecologia e Osbtetrícia e na Cirurgia pratiquei e aperfeiçoei gestos do exame físico. Na Medicina Geral e Familiar e na Pedia-tria, o desenvolvimento da empatia e relações interpessoais foram um importante contributo para a minha maturação emocional. Na Saúde Mental aprendi estratégias de adaptação e de condu-ção da entrevista clínica, que se revelarão úteis em qualquer especialidade médica.

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De uma forma global, considero a presença no serviço de urgência um momento impor-tante dos estágios, por mostrar uma realidade diferente da do internamento, na qual o médico é forçado a tomar decisões importantes num período de tempo muito breve. Este momento permite compreender a importância da avaliação dos doentes noutro contexto, e de quais dos seus sin-tomas devem ser, ou não, relevados.

No caso particular do estágio de Medicina, a presença de alunos do 3º ano no serviço fez-me deparar com uma nova realidade: a de ter colegas mais novos e a quem podia, dentro de determinados limites, dar alguma orientação. Sendo o ensino da medicina altamente dependente da transmissão de conhecimento dos mais velhos para os mais novos, considero ter feito um esforço no sentido de integrar e informar os colegas, acreditando ter havido um benefício para ambas as partes envolvidas.

Os vários trabalhos de grupo apresentados ao longo dos estágios foram mais uma ferra-menta que reforçou a ideia da necessidade do trabalho em equipa entre pares. Permitiu, ainda, o estudo mais aprofundado dos temas em causa, além de facultar a oportunidade de praticar a oralidade, tão importante na área médica.

Para finalizar, o conjunto de actividades extracurriculares desenvolvidas ao longo deste ano revelaram-se uma tremenda mais-valia na minha progressão. A participação em congressos representa uma necessidade premente para a actualização científica constante exigida na práti-ca clínipráti-ca corrente. Por outro lado, a ocupação de práti-cargos associativos contribuiu para o desen-volvimento do meu sentido de responsabilidade cívica, social e de pertença a uma classe. A cri-ação de oportunidades para os meus pares, como o iMed, e ser a sua representcri-ação no Conse-lho Pedagógico da Faculdade constituíram momentos formadores altamente gratificantes no meu percurso académico.

Referências

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