Miguel
Orofino
conta
quem
são
os
verdadeiros
culpados
em
entrevista
ao
ZERO
Câncerjáé
•
a
terceira
causa
de
mortalidade
infantil
Uma
em
cada 600
crianças
brasileiras
terá
a
doença
antes dos 15
anos.
página
5Florianópolis
tem
nova
moeda
corrente:
os
passes
de ônibus
página
3..
�---A
história
de
.�:t três
grandes
craques
do
nossofutebol:
Albeneir,
Valdomiro
eOberdan
_____�página
16 ReproduçãoOs
44
anosTurismo�eolôgico
¢fu
d
. .Santa
Catarina
....Pág.'18
OprImeIro
.A
r�defi#içã().
do
•. 'filme feito
tratamentode
doent��
mentais
pág.
($
O
preçoda
reabilitação
do
vício•...•...•pág.lS
.Os 60
anosdo
Hospital
Santa Tereza
pág.7
Síndrome
do Pânico:
osreféns do medo
pág.14
nailha,
esquecido
emalgum
lugar
página8
(
ANO XVII- N° 2 JULHO DE 2001
JornalLaboratóriodo Curso de ornaIismo da Universidade Federal de Sant
catarina
FLORIANÓPOLIS
3° MelhorJornal-laboratório do Brasil 94
Jlelhor Peça Gráfica
I, II, m, xv, Ve XI Set Universitário 88,89,90,91,92,e 98 Jlelhor Jornal-Laboratório Prêmio Foca 1999
EXPEDIENTE
Coordenação
Prof.
Henrique
FtncoCoordenação
dereportagem
Profs.Francisco Karame
Henrique
FtncoProjeto
GráficoWag».erMaia
Diagramação
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Arte.&ráficaWagnerMaia
Edição
de
tepo
Henriq\te
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FranciSco
Kar8.111,
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Finço,
AlexandreBrandãoeMarcela
Albuquerque
Fotografia
Beatriz
8ônego
deLuca,
DeniseFerreira,
Elisa
Corrêa,
FernandaKrelling,
JeanneCallegari,
LeonardoLaps,
Louise
Lazzari,
Magda
Pamp10na
eMarcos FranzoniRepórteres
Cristiane de
Luca,
MarinaNagel,
MarcosFranzoniAlunos de
Redação
il,
doProf. Francisco Karam: AndressaBraun,
BeatrizSônego
deLuca,
CamilaBruna,
DeniseFerreira,
ElisaCorrêa,
FernandaKreIling,
FernandaMenegotto,
GiselleTiscoski,
Jeannecallegari,
LouiseOsórioLuz,
Magda
Audrey
Pamplona
eSabrinaDomingos
nustrações
Wagner
M� [email protected])
Tratamento de
Ima4ens
Wag».erMaia
REDAÇÃO
Universidade Federal de Santa Catarina
Centro
de
Comunicação
eExpressão
Cursode Jornalismo
Campus
da Trindade88040-900
-Florianópolis,
SC
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(48)331-9490
(48)331-9084
Fax(48)331-9898
Holl1e Page
www.jornalismo.ufsc.br
E-mail[email protected]
EDITORIAL
Esta
edição
do
Zero
contou
coma
participação
dos
alunos da
disciplina
redação
II,
ministrada
pelo
Professor
Karam.
Esta
colaboração
foi
fundamental
para que
nossojornal
laboratório
circulasse
dentro
do
prazo
-Ia
semestre
letivo de 2001.
Além
disto,
merecedestaque
oempenho
do aluno
Wagner,
que
é
monitor do Jornal
Laboratório.
Monitor
eentusiasta.
N
opróximo
semestre
estaremos
de
volta,
commais
força,
certamente.
Temos
acerteza
que
esta
edição,
oraapresentada
avocês,
é
de ótima
qualidade
e-como
é
freqüente
em nossoJ
ornaI
Laboratório
-apresentamos
umfuro:
aentrevista
com oengenheiro
Miguel
Orofino,
protagonista
de
um
dos
episódios
mais
barulhentos
da história
recente
de
Santa
Catarina,
entrevista
que
só
foi
conseguida
graças
aoempenho
do
aluno Marcos
Franzoni,
matriculado
na2a
fase do Curso de Jornalismo.
Bom
proveito,
eaté
apróxima
edição.
Julho de
2001
Jornal
Laboratório
ZEROPasses
viram
moeda
corrente
o mercado negro dos passes de
ônibus
e
vales-transportes
em
Florianópolis
Passes
de
ônibus
evale_s-transporte
agora
saomoeda corrente em
F lor ian
ó
[:>:'
i,3.
No c e ntro dacidade e na
Urll'v��0:"=-�
de
Santa
Catarina,
qualquer
umpode
transformar
seuspassesemdinheiro. Os vendedores instalados no centro afirmam que vendemporque
é
umaforma
f�e
sobreviver: "Naroça
eutrajja ava
mudo para
ganhar
três
roeis1
.,:.r;!,4::t,---::{1�
eufico
aquiparado
etiro
até
dez':
contaDarci
Rosa,
28
anos. Assim como amaioria
dosvendedores,
Darci
é
do interior do Estado ecomeçou
a venderpasses porque
estava
desempregado.
"Vim paraFlorianópolis
tentar avida,
nãodeu
muito
certo e acabeiaqui':
explica
PedroCosta,
que
veiode
São
Paulo.
Para
começar
onegócio,
osvendedores apenas compram a
primeira
cartelade
passes: ';4gente
compra
um,depois
com avenda compra
dois,
e assim pordiante
".
explica
oex-pintor
Roberto
Nascimento,
24 anos.Alguns
afirmam que começaram
trabalhando
para
umhomem,
ganhando
comissão,
mas nãoquiseram
identificá-Io.
Opreço
é
tabelado: eles compramopassede
patamar
dois,
por
exemplo,
aR$0,70
evendem
aR$0,75.
'.:4gente
tem sempre um lucrode
cinco centavospor
passe':
contao ambulante
Adelino
Santos,
41anos.
No
Terminal
Urbano Cidadede
Florianópolis
há
pelo
menosquinze
bancas
espalhadas,
compessoas
gritando
"Compro
evendo
passe!
",
e semprehá
quem
queira
fazer
negócio.
"Todo
mês sobram
unsvales-transporte
que
eu recebo dopatrão,
eaqui
posso vender egaphar
um dinheiro extra".
afirma a
secretária
Marly
Garcia. "Sealguém
tem umpasse
sobrandoequer
ganhar
dinheiro,
vemaqui
trocar.Não é nada
ilegal,
afiscalização
nãofaz
nada
".
explica
o ex-motoristaEzequiel
Campos,
40
anos,que
chega
alucrar
R$420
por mês.
Afiscalização
aque ele
serefere
é
ada
Secretaria de Urbanismo
eServiço
Público
(Su
sp).
que
Vendedor depassasnocentroque não
quis
serfotografado
controla
ocomércio
noTerminal.
"Eles
[os
fiscais]
levam ascaixas
ebancos
que agente
usa,mas não
levam
ospasses
",
contaPedro
Costa. ';4intenção
dosfiscais
é dificultar
nossotrabalho,
já
que sem asbancas na
calçada,
agente
não tem onde expor os passes ". Umfuncionário da
Susp
quenão
quis
seidentificar
nega
ques�a
esse omotivo,
afirmando que
isso
é feito porque
asbancas
atrapalham
apassagem
dos
pedestres.
Eledisse
também que
osvendedores
não
sãoilegais
e nãohá nada
queos
impeça
de vender: "Os
passes
são
dos
vendedores,
eles fazem
oque
quiserem".
Mesma
opinião
tem oSindicato
das
Empresas
de
o
preço
é
tabelado: eles
compram
o
passe
de
patamar
dois,
por
exemplo,
a
R$O,70
e
vendem
a
R$(),7S
Julho de 2001
Transporte
Urbano de�
Florianópolis
(Setuf): "Depois
de....
f
vendidos,
nós
não temos como'"
&:
controlarautilização
dos
passes3l
evales-transporte
",
justifica
o....
S
secretário executivo
João Savas.�
E continua:"O
problema
está
�
nautilização.
Se
um estudantelU
.t:,
compra o passeaqui
como .
/
ti desconto e
vende,
nos nãoI't
podemos
fazer
nada ". Savas diz que nãohá
nenhumprejuízo
para osindicato:
"O
único
prejudicado
é
oempreqedot;
porque ele
é
queestá
pagando
o vale aos trabalhadores.
"
O
Setuf
é
oórgão responsável
pela
venda dos passes aos
usuários.
Os
vendedores
de doces foramos precursores desse
tipo
decomércio,
porque
começaram atrocar os
prod
utos por passes erevendê-los.
'.:4gente
que está
trabalhandoaqui
tem que fazerqualquer
negócio
".
explica
Adelino
Santos,
41 anos.Ele
disse
que sempre foi mais fácil
trabalhar com passes, e que olucro
é
maior doque
quando
um doce
é
vendido pordinheiro. A
ex-empregada
doméstica
Zenilde
Costa confirma:"Quando
as pessoasnão
têm
dinheiro,
pagam
compasse e eu revendo
depois
". 'Para mimé
umbom
negócio,
por que um doce
é
R$O,
60 evendo
por
umpasse
querevendo a
R$O,
75",
comentaSérgio
Valter,
19
anos.Na
Ufsc,
os estudantesjá
seacostumaram ausarpasses para
comer:
'Assim
eupossocomprar
um
salgado quando
não tenho dinheiro" conta o estudante MarceloZialta.
A estudante CarlaMarceles
concorda:"Sempre
quenão
tenho dinheirovenho
aqui
e,quando
quero
economizar,
também
compro passesnobar". Além de
ajudar
osestudantes
efuncionários da
UFSC,
osdonos
de
bares
da
universidade
consideram uma economia
aceitar
passes."Eu
os repassoaos meus
iuncioruirios
epago
menos
pelo
transporte deles':
explica
odono do bar do
CCE,
Sérgio
Jakubiak Neto.
�exto:
Denise
Ferreira
4
o
rISCO
de
se
fazer intercâmbio
Quando
a
conquista
de
um
sonho
pode
se
transformar
em
pesadelo
"mãe" da família
hospedeira
demonstravam ciúmes da boa
relação
que tinha com o"pai".
Dessavez, foi afamíliaque pe
diu para ele sair.""s
r
,-Ó"{\c""""1:�7�bém
aqui
os
jovens
que vão estudar no exterior têm que enfrentarsozinhos,
além da saudade decasa edasdiferenças
culturais,
problemas
com asfamílias
hospedeiras
e com asagências
de intercâmbio. Muitosjovens
têm o sonho de fazer
interçâmbio
cultural no exterior. As van
tagens dessa
experiência
podem
ser muitas:aprender
outro
idioma,
conhecer diferentes culturas efazer no vas amizades. Os intercam bistas ficam de seis a dez
meses
freqüentando
umaescola
pública
ehospedados
numa família anfitriã que não rece
be nenhum pagamento para ficar
com oestudante. Aoinvésde dinhei
ro, as famílias querem conhecer
uma nova cultura com o
hóspede
temporário.
Ospais
dessesjovens
achamque é umaoportunidade
úni ca na vida dos filhos e, apesar da saudade que vãosentir,
os encorajam
para embarcar na nova aventura. O que muito desses
pais
não sabem,
e nem queremimaginar.
équeo sonho
pode
acabar virando um pesadelo.
Aos 16 anos, a estudante Isabela Passos, de Belo horizonte
(MG)
viveu um
pesadelo.
Elaintercâmbio de um ano
Inglaterra
para melhorar conhecer nova sonhoaté at estava na In pagou cerca presa Educa com sedeeMuitas vezes é a família
hospedeira
queencontra problemas na convivência com o
estudante. A
própria
famíliade
Daniel,
o casalJorge
eMárcia Ribeiro, de Flori _
-polis, já
recebeu3,�
interc�t�fdelas,
a estudante Brenda Munoz, da
Costa
Rica,
chegou
a ficar decastigo
por ter saído de noite para uma festa sem avisá-los. "Osjo
vens que fazem intercâmbio são ado lescentes e, como os filhos dagente,
também têm
problemas",
afirma Jor ge.Segundo
ele,
muitas famílias hospedeiras
não se sentem naobrigação
de aceitar os
problemas
do intercam bista ouajudar
naorientação
dessesjovens
e isso acabagerando
desen tendimentos.''Às
vezes, os intercambistas que rem trocardefamJ7iapor motivos quenãopassam de
problemas
culturais':destaca Isabela Passos. Mas os pro
blemas enfrentados
pelos
estudantes são variados.Começam
pelo
desafio de seadaptar
a uma nova cultura e aconviver diariamente compessoases
tranhas até enfrentar os ciúmes de membros da família
hospedeira,
como o que aconteceu com Daniel e com a estudante Federica Toldo. Ela veio da Itália fazer intercâmbio em
Florianópolis
em 98 e reclamava dosciúmesque a "mãe" e a "irmã"dafa
mília
�ospedeira
demonstravam emt$laç.ªo
àatenção
que o"pai"
dedica-va aela.k
.
/
ram
problemas
duranteo intercâmbio. Para a
psicóloga
Andréia
Sebben,
autora datese "Um estudo
explorató
rio do intercâmbio culturalcom a
contribuiçâo
daPsicologia
Interculturale da Educação
Intercultural':
osprin
cipais problemas
do estudante emintercâmbio cultu ral estão relacionados ao do
mínio da
língua
estrangeira
e aoestranhamento do espa
ço físico e de aspectos como
valores, formas de sociabili dade e hábitos da família
hospedeira.
O estudante Daniel Ribei-da e o
"psi" queria
o aborto. Apartir
daí,
conta que tudo eramotivo de
briga
e sempre acabava sendo descontado nela.
Quando
comunicou a EF sobreo que aconteceu e o
desejo
detrocar de
família,
a coordena dora local aproibiu
de falarcom seus
pais
no Brasil. Disse que era frescura não que rerficar
naquela
famíliae que, seinsistisse,
iria mandá-la de volta. Elaconseguiu
comunicar o que estava acontecendo para os
pais
em Belo Horizonte e outros estudantes brasi
leiros em intercâmbio no Rei
no Unido.
Depois
de muitapressão
conseguiu
trocar defamília. "Se os programas de
intercâmbio selecionassem as
familiasanfitriãs
direito,
osIn tercambistas não teriam tan tosproblemas",
diz Isabela.Ela relata queaEF
garantiu
que fariaumarígiQpl.
seleção
da fa míliahq1?P
deacordo
�,st1.1ti{tI).
-ve buscar alter
ações
difíceis
queo
J]ltercambista",
a élpsicóloga.
O:
Luciana
Os
�
Jornal
Laboratório
ZERO(
Câncer
na
infância
e
adolescência
Uma
em
cada
600
crianças
brasileiras
terá
a
doença
antes
dos
15
anos
Crianças
têm câncer.eadolescentesApesar
detambémser uma está"Ospediatras
numestágio avançado.
não acreditamdoença
mais comum em adul- que ospacientes podem
de tos, no Brasil esta é a terceira causa senvolver adoença.
Desta de morte na infância e adolescência. forma, o tratamentopode
De acordo
coi-h,,%�lJesquisas
médicas,
complicar",
lamenta.k _. . .
�
.. - .Apesar
de ��
todos r/l QI Ilt uma em cada 600crianças
brasileiras seráportadora
dadoença
antes decompletar
15 0.. os. Os dadosepió�gicos
também : di-avanços ci entíficos e�
altos índicesg.
de cura, o�
impacto
�
psicológico
�
causado '0.0 I A.s
pe o cancerrf:
é muitogrande
nos doentes e em suas fa mílias. NoHospital
In-fantil.
médicos,
assistentessociais,
psicólogos
e voluntários trabalham
juntos
com oobjetivo
de diminuir o sofrimento. De acordo com a
Dra.
Senen,
nunca se devementir aos
pacientes:
"As
vezes ospais
mepedem
paraesconder dos seus filhos o
que eles
têm,
mas eujamais
escondo. Preciso manter
uma
relação
deconfiança
com os meninos. Além disso,
precisam
saber paraquê
estão lutando ". Conforme a
médica,
tratarcrianças
eadolescentes é mais fácil do que adultos porqueestessão mais
"amargos
". Oimpacto
econômico da
doença
também é
grande:
o tratamentocompleto
custa entre 50 e100 mil reais - sem contar as
despesas
com examesperiódicos
e medicamentos(uma
pequena caixa deles seis mil novoscasos por ano.
Em
Florianópo
lis,
no Ambulatório de Oncolo- Amédica Senencom um
paciênte
gia-Hematologia
Pediátrica do Hospital
Joana de Gusmão(Infantil),
cer ca de 150pacientes.
Nototal, eles fazem 2500 consultas por ano.
Há
diferenças
entre o câncer emcrianças
e adolescentes e o que atinge adultos. Uma delas é a resposta ao tratamento:
geralmente, crianças
e adolescentes
respondem
melhor àssessões de
quimioterapia.
Além disso, os tumores
infanto-juvenis
alastram-se
pelo
corpo
maisrapidamen
te. Os casos mais
freqüentes
nessafaixa etária são as leucemias
(câncer
de
sangue),
os tumorescerebrais,
abdominais,
dosolhos,
dos músculos e dos ossos.
Atualmente,
mais de 60%deles podem ser curados através de
quimio
terapia,
cirurgias,
radioterapia
e tra tamentos de suporte, como porexemplo,
antibióticose examede sangue. No entanto, conforme a médica
oncologista
SenenDyba
Hauff,
ocâncer em
crianças
e adolescentes costuma ser
diagnosticado quando
já
-
AUmentos
gordurosos
os
salgados
eos
pode
valer cerca deR$70Q,QQ).
Dor e carinho Mesmo sendo mais oti mistas do que os
adultos,
osjovens pacientes
sãobastante afetados
psicologicamen
te. "O que mais osaborrece nãoé tanto a consciéncie de que
podem
morrei; mas aperda
do convivia social e adegradação
tisico(perda
decabeloeatémembros ampu
tedos)"
aponta apsicóloga
Teresa
Girard,
que trabalhou muitos anos no Ambulatóriode
Oncologia
doHospital
In fantil. Nesses momentos, ocarinho e a
atenção
tornamse fundamentais para não
deixaro
paciente
desmotiva do."Quem
temdepressão,
não resiste", alerta a
psicó
loga.
Em muitos casos, o tra tamento não écapaz deven cer a
doença. É
nesse momentoque a
figura
do médi co torna-se maispresente.
=Muitsscriancinhas,
poucoantes demorrer,
pedem
queeu assegureno colo", conta
emocionadaa Dra. Senen. A
médica costuma
comparti
lhar o drama da morte com afamíliados doentes. "Tem pos
atrás,
umpai
de umaCrÍ ançaprestesa morrerIiqev»
de hora em hora para dizer
que sua tilbinh» estavapa
rando de
respirar:
Eu dizie aele, serenamente:
'Segure
amãozinha dela porque está
morrendo '". A médica diz queaconvivênciacomcrian
ças doentes "mostrou-lhea
fragilidade
da vide.'Texto:
Fernanda
Menegotto
A
História
de Juliana
S.F.R.,
que
teve
câncer
aos onze anos
Há seisanos,a mãedeJuliana R. notou a presença
de
gânglios espalhados
emváriasregiões
do corpoda menina.
Apavorada,
resolveu' procurar imediatamenteumpediatra.
Noentanto,
omédico nãodescobriu o que tinha. Outros
especialistas
foram,
então,
procurados.
Nada.Assim,
durante seis meses,Juliana
perambulou
com seuspais
por clínicas econsultórios de várias cidades e estados até sua
doença
serdiagnosticada.
A menina de apenas 11anos que adorava estudar e andar de
rol/er,
descobriu ser
portadora
de umtipo
de câncer nosistema
linfático,
aDoença
deHodgkin.
"Quando
soube
disso,
chorei muito. Maseu eramuitocriança,
então nãotinhaaverdadeiranoção
de como eragravemeu
estado",
lembraJuliana,
hoje
com 17anos.Temnamoradohá cincoefaz cursinho
pré-vestibular
paratentaro
ingresso
naFaculdade de Medicina daUFSC.Ao
longo
de dois anos, ela enfrentou tortuosassessões de
quimioterapia, radioterapia,
além detertomado dezenas de medicamentos. "Até
hoje
lembro dassessões
dequimioterapia.
Vomitava muitoe o meubraço
ficavatodoroxo com aspicadas.
Tambémpodia
sentirocaminhoqueosremédiospercorriam
no meucorpo, porqueasveias
ardiam,
queimavam",
contaaestudante.
Juliana levava uma vida
"quase
normal" durante otratamento,
só nãofreqüentava
aescola."Nunca,
masnunca mesmodeixei de andarde
roller.",
lembra. Elaficou abaladacom a
perda
doscabelos,
masdriblou oproblema
com umboné verde. Preconceito?Nuncaligou
muitoparaisso."Quando
encontravaasmeninasda minha
idade,
elas semprecochichavam,
entreolhavam-secomcuriosidade.Masnãoestavanemaí",
diz Juliana.Ela
guarda
muitas·Iembranças
daépoca
em queesteve
doente,
dasquais
tirouváriaslições
de vida.Erelataumadelas: "Parei de reclamartantodascoisas. Uma vez,fuiaSãoPaulo fazerexames eviumasenhora tambémcom
câncer,
que choravadesesperadamente
porque não
podia
mais levantar para lavaralouça.
Aquilo
memarcoumuito."Hoje,
Julianaestá curada. Mesmoassim,
continuaafazer exames
periódicos (até
cinco anosdepois
de curada há risco dadoença voltar).
- Salte da
condução
doispontos
antes,
ouestacioneumpoucomais
longe
ecaminhe.
-Troque
oelevadorpelas
escadas.
-Aproveite
ahora doalmoço
paraumacaminhada.
- Leveo
cachorro para passear.
- Laveo
carro,cuide do
jardim,
varra a casa.-Levante para mudarocanal da tvaoinvés
deusar ocontrole remoto.
-Saia para
dançar
devezemquando.
-Saladas, legumes
- Grãosecereais
inte-grais
-Leiteei dosouse-Queijo
-Frango(s
peixe
-Azeite,
.ão,
alho,cebola,
,cebolU1ha,coentro,
etc-Frutas frescasesecas - Alimentos
preparados
novaporoucozidosenlata
-x..etté
integral
-Queijo
amarelo
-GaJ:11c8vermelha,
salame, salsicha,
presun
to,
mortadela,
lingiça,
c8tc-lVIaionese,
cremeeleleite,
molho
desoja,
sal...
Salgadinhos,
biscoitos,
ba
.
frita
tos
frito"
chUl'-- Sirva
porções
pequenasenãorepita.
- Evite
tentações
comodocesebiscoitos.
-Quando
bater"aquela"fome
notrabalho tenhaumafrutaà mão.
- Nãováaomercado
comfome.
Você
pode
acabarcomprando
mais doqueonecessáriorasco
Faça
30minutosdiários de atividadefísica,
leveou
moderada,
mantendoumafuequênciad.iária.
Não esqueça de procurarum
especlallsta
antesde começarum
programa
de exercícios.
Vo
c
Ê:
si?
As
atividades
físicas
fortalecem
o corpo ea mente,aumentando
obem-estar
ediminuindo
oestresse.cê
<
s
?
O
excessode
peso
pode
aumentarorisco
de
doenças
graves comoalguns
tipos
de
câncer,
diabetes
eproblemas
nocê
S
Uma
alimentação
balancea-da
ajuda
aprevenir
ocâncer
evárias
outrasdoenças.
5
Julho de
2001
Doentes
podem
sair
dos
manicômios
A
lei,
aprovada
em
abril,
redefine
o
modelo de
tratamento
de doentes
mentais
no
Brasil
O
Congresso
aprovoue o pre
sidente da
República
sancionou, nomêsde
abril.
alei quetrata da
proteção
do doente mentale define o modelo assistencial
psi
quiátrico
que será adotado no Brasil,
priorizando
osserviços
ambu latoriais substitutivos. Oprojeto
estavaem
tramitação
hádoze anos,quando
foiproposto
pelo
deputado
PauloDelgado
(PT).
A coordenadora do Núcleo de
Atendimento Psicossocial
(Naps)
deFlorianópolis,
Tânia MarisGrigolo,
diz que, apesar doprojeto
original
ter sido
alterado,
aaprovação
da leié um avanço. O texto
original
estipulava
prazo para acabar com oshospitais
psiquiátricos.
Para o Presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB Dariam
Esteves,
a lei do
deputado
PauloDelgado
éextremamente
importante.
Ele explica:
"É
uminstrumento escrito queindica um ideal a ser
conquistado.
Não é o fato de
promulgar
uma leiem um dia que, no dia
seguinte,
ascoisas deixam deser
aquilo".
O advogado,
preocupado
com o futurodos
doentes,
alerta: "O Estado nãotem a menor
preocupação
em in vestirnosdoentesmentais,
elesnão constituem umaforça
de trabalho.Muitos familiares não têm condi
ções
de cuidar do doente. Há umprocesso de exclusão".
o Estado
não
tem
amenor
preocupaçao
eminvestir
nosdoen
tes
mentais,
eles
não
constituem
umaforça
de
trabalho
Substituição
do AtendimentoExistem
hoje
mais de 200serviços
que substituem oshospitais
psiquiátricos.
Entre eles estão osNaps,
os Centrosde
Atenção
Psicossocial(Caps),
Hospital
Dia e Mora diasProtegidas.
Restam,
ainda, 256
hospitais
psiquiátri
cos. Conforme o
deputado
estadual Volnei Morastoni
(PT),
o estado de
Santa Catari
na
gasta
80 milhões de reais por ano empsiquia
tria e 90% da verba recebi da vai para ainternação.
Odeputado
dis se tambémque 40% dos
pacientes
ocupam os mesmos leitos há vá
rios anos.
Segundo
TâniaGrigolo,
existem
portarias
do Ministério da Saúde quedestinam re cursos para o funcionamento
dos
serviços
substitutivos.Para ela, o
principal problema
équeodinheiro não
chega
aosmunicípios.
Em Santa Catarina existem 11
Naps,
queaten-demnomáximo 60mil
Principais
Pontos da Lei
1. O estado deve desenvolver uma
política
desaúde
mental,
dar assistência e promoverações
para os
portadores
de transtornospsíquicos.
Ela deve contar com aparticipação
da família e da sociedade. O atendimento deve ser feito em entidades ou
instituições
que prestem essetipo
detratamento.
2.
Qualquer
modalidade deinternação
só seráindicada
quando
os recursosextra-hospitalares
forem insuficientes. O tratamento deve ter a fi nalidade de promover a
reinserção
social do pa ciente. Alémdisso,
ainternação
deve oferecer assistênciaintegral
aoportador
de transtornospsíquicos (serviços
médicos,
assistência social eatendimento
psicológico
ocupacional,
entre outros)
.3. A
internação psiquiátrica
involuntária deveser comunicada ao Ministério Público Estadual
no prazo de 72 horas. A alta também deve ser
informada. O términoda
internação
involuntáriadeve ocorrer por
solicitação
escrita defamiliar,
responsável legal
ouespecialista
a cargo de tra tamento.4.
A
internação compulsória
é determinadapelo juiz,
quelevará
em contaascondições
de segurança doestabelecimento
ql,l.aí"l.to
à salvagl,.lar("lªi:fopªCiente,
("los
deUJaisj�tE:)rpados
efun cionários.pessoas. Em Florianó
polis,
no bairroAgro
nômica,
oserviço
atende 45pessoas por dia.
Segundo
apsicó
loga,
não existe nenhum
apoio
do estado para que novasNaps
sejam
construídos.O Centro de Convi
vência SantAna. de São
José,
iniciou a reforma há seis anos,
após
uma vistoria doMinistério da
Saúde,
que constatou
irregu
laridades. O atualdire
tor do centro, Marcos
Zaleski
explica:
"NaqfHijia
época
euera di Fizemosovimento de
jl.!!2t6
aos fa(x:/fil
direito àapqfie.otadol'ia,
para que cuidassem do seupaciente.
Ou elesfaziam isso ou um cura
dor do
hospital
ficariaresponsável
pela
apo-não tem vagas para novos rança, quenãoéumapena normal.
É
moradores.
Hoje,
está divi- umapenaprivativa
deliberdade,
emdido em Instituto de
Psiqui-
que os doentes são considerados criatria,
que interna apenas pa-minosos",
explica
oadvogado
Dori cientes em surtoagudo,
e am Esteves. A penapode
serde um aCentro de Convivência três anos. O
portador pode
voltar aoSant'
Ana, onde ficam os
hospital
decustódia,
caso cometaal-. abandonados
pelos
familia- gum crime ouen��
surto.res.
Segundo
odiretor,
exise..._J''J�
.:I';;_dfc"�'
ianópolis
foi funtemmoradores que estãono dado em 1971. Na
época,
ohospital
hospital
desdesuafundação,
abrigava
45 doentes.Hoje,
existeumahá 60 anos. No Centro de
superlotação
das celas: 100 doentesConvivência,
cumprem pena. OHospital
de Custóos leitos são dia de
Florianópolis,
localizadojunto
divididos em aocomplexo penitenciário,
no bairr=enfermarias
Agronômica,
é o único doestsJo.
para mora-
Apenas
10% dosintern�
cadores mas-
pital.
�f.�Jm�bl.�kz,ii"adora,
Ma culinos e fe- riaGuádáliipe.
ainstituição
não temmin i nos,
condições
nemde atender ao chamaunidades de do da
grande Florianópolis
e reclagestão parti-
ma: "Háépocas
que faltammedi-cipativa
e cementos. material dehigiene,
pen s õ e s espaçotisicoetemumapequena
equipe
técnicacapacitada,
já
queamaioriaédeagentes
prisionais"
.No Fórum Catarinense de
Saúde
Mental,
emmaiodeste ano, houve uma grave
denúncia de
violação
dos direitos humanos por parte dos
agentes
prisionais
que trabalham noHospital
de Custódia. Jailson Luiz
Belli,
cumprindo
pena há 15 anos, disse que foi amarrado e espancado
pelo
agente Gilberto Jacinto. O interno revela terpresenciado
muitastorturas e casos de
suicídio de
pacien
tesque não supor tavam as
agres-protegidas.
As
pensões protegidas
funcionam corno casas, emqueos
pacientes
têm suatelevisão e sua roupa
própria
obtidos com o dinheiro que
administram. Para a coorde nadora do
Naps,
aspensões
protegidas
significam
o momenta de
transição
da hospitalização
para o retorno a casa. Apsicóloga
alerta parao
perigo
daspensões
ficarem estacionadas: "Nãomepare ce que adireção
da ColôniaSantAna
queira
fecharohospital.
Estãomaquiando
a exclusão
atrav�$
deste
tipo
depensões
ouat'éa.rpudança
denome do
hospitel",
O coordenador de saúde
do estado de
Santa
Catarina afirma teracsito
o cargo dediretor para
11'
sformar ohospital
Col �contrário a
defende.
Jornal Laboratório ZERO
Hospital
Santa
Tereza
faz 60
anos
o
antigo leprosário
continua atendendo
pacientes portadores
de hanseníase
Há
sessenta anos, a hanseníase
- então conhecida como
lepra
-era uma
doença
assustado-ra, que causava
deformações
físicasnos
portadores
e muito medo na sociedade. Acreditava-se que
podia
sertransmitida
pelo
tato, o que tornavaobriqatórfê
�isolamento dos doen
tes. As
famílià�l,:Lcu�
d:"'U"danavam os
leprosos
e o preconceitotornou-se o
principal
inimigo
daque
les que conviviam com a
doença.
Com o
objetivo
de evitar a disseminação
dadoença,
o governo fede ral desenvolveu umprojeto
para cri�...
todos os estados brasileiros,umaco 'a destinadaa
abrigar
eiso lar os porta 'eI�Em
SantaCatarina erarealizado um censo para
verificar o número de contaminados,
obrigados
a ir para a Colônia SantaTereza, fundada em 1940 e localiza
daemSão Pedro de Alcântara.
Lá,
en contraramumagrande
estrutura, cri ada paratentarreconstruiravida que estavam deixando pra trás.Os doentes que
chegavam
eramacomodados em
pavilhões
e separados conforme o sexo. As famílias e os
pacientes
da colônia que casavamentre si +O que era muito comum
-ganhavam
uma pequena casa comdois quartos, sala, cozinha e banhei
ro. Toda a estrutura da colônia era
mantida
pelo
Estado. Os 14 médicose funcionários recebiam casa e ali
mentação.
Para os doentes, o Estado fornecia todos os medicamentos, roupas,produtos
dehigiene
erefeições.
Uma pequena cidade foi construí
da na Colônia Santa Tereza. A dele
gacia
cuidava dospacientes
que tentavam
fugir.
Para os mais rebeldes,existia uma pequena cela. Uma moe
da
própria
possibilitava
aos internos a compra dealgumas
mercadoriasconsideradas
supérfluas pelo
Estado,como
perfumes, cigarros
e batons.Para a diversão dos funcionários e
pacientes,
foi criado umteatro, onde também funcionava ocinemae asala dejogos.
Aaposentada
Angela
de Souza Stahelin. que trabalhou como escriturárianohospital,
de 1947a77,conta que "vinham muitas peçastea
trais, shows com
grandes
nomes daépoca,
e erampassados
os melhoresfilmes no cinema". Prefeitura, esco
la, um pequeno mercado,
igreja,
cemitério, uma rádio difusora e um
campo de futebol completavam a es
trutura da colônia.
Entre
aqueles
que trabalhavam nohospital
havia, noentanto, omedodecontrair a
doença.
Praticamente nãoexistia contato direto entre os funci
onários e os doentes. As correspon
dências escritas
pelos
pacientes
eramcolocadas em uma
bandeja
e esterilizadas em uma estufa. Os funcionári os eram
proibidos
de usarcalçados
-.
Casasde
hospedagem
nohospital
Santa Terezaabertos e os médicos recei tavam os remédios, distribu
ídos
pelos
próprios
pacien
tes.
Alguns
doentes trabalhavam naenfermaria,
ajudando
a fazer os curativos. As visitas eramfeitas todasas
quin
tas e
domingos,
através de umagrade
que separava doentes evisitantes.
Mudanças
Na década de
60,
a evolução
no tratamento reduziu onúmero de internos do hos
pital.
"Com o novo medicsmenta
(Sultana)
osportões
dacolôniscomeçaramaseabrir e
aqueles
que paracá vieram,sabendo quenuncamais iem
seir;agora
podiam voltarpara
casa", afirmou o enfermeiro e
supervisor
do programa dahanseníase do
Hospital
Santa Tereza, José
Augusto
da Silva Velho. Em1970,
houveum
esforço
nacional paraacabar com o
preconceito
contra a
doença.
As colôniasdetratamentopassarama ser
chamadas de
hospitais
e o nomelepra
foi substituídopor hansenÍase.
A saída de muitos doentes
causou um abandono da es
trutura do
hospital
e o estado
precário
deconservação
impossibilitou a
utilização
dealguns
dos espaçospelos
pa cientes e funcionários. Paramantero
hospital
funcionandoe
justificar
agrande
estru tura existente, foram criadosprogramas fora dotratamen
to dos
portadores
de hanse níase. Em87, através de umaparceria
com ohospital
psi
quiátrico
ColôniaSantana, foicriada aUnidade AnaTereza, com 50 leitos destinados aos
doentes classificados como
=crônicos iristitucionelize
dos", que
podem
convivercom outras pessoas mas não
têmamparo familiar. Noano
seguinte,
foi fundado o Centrode Convivênciae
Recupe
ração
da Saúde deDepen
dentesQuímicos.
Ern 98, o
Hospital
SantaTereza começou a ser refor mado. Os
pavilhões
e casasdos
antigos
pacientes
forampintados
e os telhados restaurados. Em maio deste
ano, corn a visita do gover
nador do Estado,
Esperidião
Amin. a secretaria de Saúde se comprometeu em finan
ciar as obras da enfermaria
e da cozinha. Já a recupera
ção
doantigo
teatro ficou acargo da
Fundação
Catarinensede Cultura.
MaraHonorato.Ela diz que, enquan
<IS
<�
to a enfermaria e a cozinha sãoin-S
dispensáveis
ao funcionamento do<IS
hospital,
é o teatro que traz diver�
são ealegria
para os que trabalham�
e vivem no Santa Tereza. Umproje
�
to para arecuperação
do teatro está�sendo
desenvolvidojunto
aoDepar
�
tamento deArquitetura
e Urbanis-1"1 mo da UFSC. Além das propostasparaosespaços do
antigo
teatro, umprojeto
depaisagismo
em todo ohospital
está sendo desenvolvidopelo
grupo, coordenadopela
profes
sora Ana Amora.
É
este oprojeto
que será encaminhado para a
Fun-dação
Catarinense de Cultura, responsável pela
reforma.Atualmente, o
Hospital
Santa Tereza conta com 117 funcionários e
158 leitos, sendo 63 ainda reserva
dosaos
pacientes
de hanseníase.Algunsdeles estãono
hospital
desdeacriação,
em 1940, porque não têm para onde ir.Segundo
o enfermeiroJosé
Augusto
da Silva Velho, faltouumtrabalho social
junto
corn a criação
das colônias de tratamento.Atualmente, omaior
problema
dadoença
éopreconceito
social,já
queos medicamentos
possibilitam
a cura ern pouco tempo. Osportado
res têm medo de serem excluídos
pela própria
família.Hoje,
o Brasil é osegundo
país
com maior númerode casos de hanseníase em todo
mundo, ficando atrás apenas da
Ín
dia.
Texto:
Camila
Brunae
Elisa Corrêa
o
que
é
hanseníase
onome
lepra
deulugar
aodehanseruase.Adoença
causadapelo
bacilo micobacteriumleprae,
é
transmítida pelas
viasrespiratórias,
principalmente
boca.E dedifíciltransmissão
já
que,paraumapessoasercontaminada, é
necessário que mantenhaumaconvivência íntima e
prolongada
com um doente nãomedicado contraahanseníase. Além
disso, é
preci
soqueascélulas dedefesada pessoaestejam
numnível m.uitoabaixo do normal.Até pouco
tempo atrás,
acreditava-sequea
lepra
eratransmitidapelo
tato,
oque
explica
oisolamentoobrigatório
dosdoentes.O bacilocausadorda hanseníasetem
preferência
por
terminações
nervosas,comoospés
e asmãos,
instalando-se no sistema nervoso
periférico.
Omicobacterium
leprae
reproduz-se lentamente,
oque fazcomqueosprimeiros
sintomasapareçamcercade
quatro
anosapós
acontração
dadoença.
Osprin
cipais
sintomas são: manchas(com
efeito deanestesia)
enódulos napele,
doresarticulares,
formigamento
napalma
das mãosedospés
e sensação
de areianosolhos.
Afalta desensibilidadenas mãose nos
pés
éaprin
cipal
causadas lesões. Muitosapresentam
queima
duras,
corteseferidascausadaspor acidentes provocados
pela sensação
deanestesianasextremidades.
Existem
quatro
tipos
diferentes dadoença,
sendo
dois transmlssíveisedois não. Osprimeiros
são tratadosnum
período
de seis meses. Ostipos
nãotransmissíveis levam deum adoisanosdetratamen
to. Mas mesmocom os novos
medicamentos,
adeformação
física
aindapode
ocorrer,comocegueira
eatrofias.
Situação
hoje
A enfermaria continua
funcionando com a mesma
estrutura de 60 anos, com o
piso
de madeira e sem separação
dos leitos, e aindaatende só os
portadores
dehanseníase. Com a reforma,
o
hospital
quer que a enfermaria possa atender
pacien
tes dos três programas exis
tentes no Santa Tereza e a
cornunidade em
geral.
Atualmente, os da Unidade Ana
Tereza e do Centro de Recu
peração
de DependentesQuímicos
são atendidos fora dohospital quando precisam
deinternação.
Asituação
da cozinha é mais grave. A antiga
não tem maiscondições
de funcionar e um espaço
provisório
foi montado parao preparo das
refeições
doHospital.
O teatro da colônia tam
bém está abandonado. O es
paço, antes
garantia
de diver são aos doentes e funcionários, agora está em ruínas.
"O teatro éosonho da gen
te", afirma a secretária de
direção
dohospital,
Janeo
Preço
da
Ilusão
completa
44
anos
Primeiro
longa-metragem produzido
em
Florianópolis
está
desaparecido
O
catarinense foiprimeiro
longa
feitometragemem 1957e, apesar das dificuldades técnicas efinanceiras, teveo mérito
de ser uma
produção
local numa cidade
praticamente
sem espaço paraa arte.
Na
Florianópolis
das décadas de 40 e 50 amoda dos cineclubes, com a proposta de assistir e discutir cinema,
contagiava
os artistas catarinenses do
Grupo
Sul, criadores do Clube de Cinema deFlorianópolis.
A idéia de
produzir
um filme catari
o
'�nense
surgiu
das.g
discussões sobre�
filmes brasileiros e�
sobre o cinemaCd novo, de Gláuber
S
Rocha. ''Já tinhs�
mos uma editora,o
b uma revista, um
lOt
grupo de teatro e
de artistas
plásti
cos, por que não fazer um
filme.'?",
indagava
oescritorSalim
Miguel.
Ele foi criadorjunto
com sua esposa,
Eglê
Malheiros, doargumentoe do
ro-Cenado filme
teiro do filme.
"O
primeiro
passo foi criarum argumento eroteiro
viáveis,
que dis sessemrespeito
àIlha que não existemais. A nossa
intenção
eramostrar a
Florianópolis
daépoca,
umacidade que não tinha esses
prédios,
essaparafernália
toda" afirma Salim. Caminhos do
Desejo
erao título
provisório,
entretanto, oprodu
tor, Armando Carreirão, mudou o nome para: O
Preço
da Ilusão, por considerá-lo mais atrativo.Oobjeti-8
vo era fazer um filme com
70% decenasexternas.APon
teHercílio
Luz,
o MercadoPúblico
Municipal.
asruasestrei tas, becos, bareserecantospi
torescos da ilha eram os
prin
cipais
personagens do filme. De acordo com oprodutor
erapreciso
buscar recursospara realizar otrabalho. 001'
çamenLo do filme foi de dois milhões de cruzeiros e o pa
gamento seria feito em duas
etapas. A
primeira
foi através do financiamento de cotas entre as pessoas interessadas,
amigos
e conhecidos. A segunda
deveria ser financiadapelo
Banco do Estado de SãoPaulo,
masdevidoa demora napreparação
do filme, a divisãoresponsável
por destinar o di nheiro foi extinta. Carreirão foi quem ficou com oprejuízo:
"Ninguém
meajudou,
eu tiveque fazer
mágica,
arrecadar dinheiro durante cincoouseis anos para pagar a divida"-lembra. "O filme não teve re
torno e me deumuita dor de
cabeça".
O
Preço
da Ilusão narravaduas histórias
paralelas
com um final comum: o términodos sonhos. A
primeira
história era sobre uma funcionária
pública
que sonhavacomo sucesso, e com a
ajuda
deumpatrocinador corrupto,
ganhou
o concurso ''Rainha do Verão".A outra, sobre ummenino que
arrecadava dinheiro paramon
tar um grupo de boi de ma
mão, mas viu-se
obrigado
agastar as economias em re
médios para a mãe doente.
1 ' -r ..._.� � ...1\'71
o
Preço
da Ilusão
narravaduas
histórias
paralelas
comumfinal
você não
aparece'?".
Apré-estréia
foi bemdivulgada,
masnemtão bemexecutada. Devido à demora na prepara
ção,
o filme não havia sidoprojetado
anteriormente e na hora da
exibição
oficial verificou-se apéssima quali
dade do som, a
mixagem
ruim, incoerentevisão de montagem, emá
qua-lidade da
cópia
em 35 mm.
Julho
de
200
1
Numa noite de chuva o ga
roto sai
apressado
par comprar os remédios e assiste à
cena em que o carro. onde
estavam a
protagonista
e ovilão, cai da ponte Hercílio Luz.
Espantado,
o garoto começa a correr e deixa o di nheiro cair das
mãos e ser
leva-do
pelo
vento.Salim relem
bra momentos
curiosos das fil magens: '�
cena erade pra
ticamente um
minuto e demo-rou anoite toda para ser grava
da. A
sequéncie
passava-se no Poema-Bar
(antigo
bar localizadoperto da praça 15 deNovembro), e erapreciso
que osfiguran-tes
fingissem
estarbebendo.,�Mas,
elesse recusaram a to�
marrefrigerante,
queriam
'<10
g
beber mesmo! O resultado:....beberamtantoque talvez por
�
causadisso tenham sesafdoalb
" ;;:: em na cena.�
O elenco foi escolhido em.s
testes feitos nopróprio
eso
lOtcritório de contabilidade de
Carreirão, na rua Jerônimo
Coelho, no centro de Floria
nópolis.
Aestudante
de Direito, Lílian Bassanesi, entre
200 concorrentes,
ganhou
opapel
daprotagonista
Maria daGraça.
O único ator contratado com
alguma experi
ênciafoi Celso
Borges,
nopapel
de Vilão. Além do elencoprincipal,
participaram
do filme centenas de
figurantes.
A
campanha
publicitária
propunha:
"Venha assistir OPreço
da Ilusão, quem sabeDo filme O
Preço
da Ilusão foram feitas trêscópias
em 3 5 mm e uma em 16 mm. Umadascópias
de 35mm o grupo abando nou devido agrande
quantida-de de falhas téc nicas, outradesapareceu quando
eraexibida nointerior de Santa Catarina. Aterceira
cópia
35mm sumiu miste riosamente do Cine SãoJosé,
em1970.
É provável
que acópia
de 16mm
esteja
emalgum
laboratório deSão Paulo, onde um montador
junto
com outroamigo
sepropôs
a remontar o
filme,
trabalho que não concluiu devido umabriga
entre os dois."O
grande
méritode OPreço
da Ilu são foia suaprópria
realização,
riurnecidade totalmente rarefeita às coisas da arte, e numa
época
em queequi
pes
profissionais
muitas vezes aban donavam umfilme,
inacabado, diante das dificuldades,
já
é uma vitória um grupo de amadores ter levado atarefa atéofim. Ecom
pouquíssimos
recursos, financeiros e
técnicos,
feitoporpessoasquenunca IÚJ!7am lIi�'
to cinema nos bastidores."*
*do livro: Cinema em Santa Cata
rina.
Pires,
JoséHenrique.
comum: o
término
dos
Texto:
FernandaKreIling
Jornal Laboratório ZERO
(
Miguel
Orofino foio
superin
tendente da
construção
daponte Pedro Ivo
Campos
de março de 1987 a março de 1991. Aobra, que tem cerca de 1400 me
tros de
comprimento
eliga
ailha deFlorianópolis
ao Continente, custou57 milhões de dólares. Uma
perícia
realizada no início da década de 90
pelos
engenheiros
Celito Cordiolli eWilson
Kopsch
constatou um super faturamento de 24 milhões de dólares. Foi com baseneste trabalho que
a
justiça
condenouMiguel
Orofinopor desvio de verbas.
O
engenheiro
foiprocurado pela
Polícia Federal durante cinco anos.
Ele foi encontrado em outubro de
1997 na cidade deSintra, em Portu
gal.
Orofino ficou preso emregime
fechado durante três anos no quar tel da PolíciaMilitar,nocentrode Flo
rianópolis.
Desde o dia 11 de março deste ano oengenheiro
está em li berdade condicional, vivendo nobairro do Kobrasol, em São José.
"Caso Orofino"
ainda
não
foi
esclarecido
A defesa do
engenheiro
Miguel
Orofinopediu
aoConselho
Regional
deEngenharia
e
Arquitetura
de Santa Catarina
(Crea-SC)
aexpulsão
dosengenheiros
Celito CordiollieWilson
Kopsch,
responsáveis
pela
perícia
feitana pontePe dro IvoCampos
no início dadécada de 90. O
trabalho
foi peça central dacondenação
deOrofino, que rendeu aoexsuperintendente
da obra 11anos de pena
pelo
desvio de24 milhões de dólares. O
advogado
deOrofino,
Leoberto Caon,
protocolou
no Crea o
pedido
deexpulsão
dos
peritos
nodia 31 de maio. Ele acredita que essa conquista
devaajudar
o engenheiro a provar a inocência
no caso. Caon está também
esperançoso por causa da
solicitação
de uma nova perícianasobrasdaponte, fei
ta através de uma
ação
ordinária de reconhecimento.de direito. O Tribunal de Justi ça acolheu o
pedido
para análise e atualmente o pro cessoaguarda
parecer do Mi nistério Público.O
pedido
deexpulsão
não visa unicamente àpunição
dos
peritos.
Miguel
Orofino esperausá-locomonovoelemento de defesa nos
proces-sos que corremna
justiça.
"Aexpul
são deles vai
pressionar
ajustiça
arealizar uma nova
per/cia
que vaidesmistificar tudo".
Em 99 o Crea
já
penalizou
os doisengenheiros responsáveis pela perí
cia com uma advertência reservada
-a mais branda das
punições
que oConselho
pode aplicar.
Em março deste ano eles foram considerados,pelo
próprio
Crea, "incapazes
tecnicamentepara realizaro trabalho".