• Nenhum resultado encontrado

Os impactos da reciprocidade entre teoria e prática na performance: Collegium Vocale Natal

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "Os impactos da reciprocidade entre teoria e prática na performance: Collegium Vocale Natal"

Copied!
78
0
0

Texto

(1)

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE ESCOLA DE MÚSICA

LICENCIATURA EM MÚSICA

TEREZINHA JÚLIA MENEZES MARCHI

Os impactos da reciprocidade entre teoria e prática na

performance: Collegium Vocale Natal

NATAL-RN 2020

(2)

Os impactos da reciprocidade entre teoria e prática na performance:

Collegium Vocale Natal

Monografia apresentada como exigência parcial para obtenção do título de Licenciado pleno em Música à Banca Examinadora da Escola de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Orientador: Prof. Ms. Máximo José da Costa

NATAL-RN 2020

(3)

Catalogação da Publicação na Fonte

Biblioteca Setorial Pe. Jaime Diniz - Escola de Música da UFRN M317i Marchi, Terezinha Júlia Menezes.

Os impactos da reciprocidade entre teoria e prática na performance: Collegium Vocale Natal / Terezinha Júlia Menezes Marchi. – Natal, 2020.

77 f.: il.; 30 cm.

Orientador: Máximo José da Costa.

Monografia (graduação) – Escola de Música, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2020.

1. Canto coral – Performance – Monografia. 2. Canto coral –

Reciprocidade teórico-prática – Monografia. 3. Performance musical – Monografia. I. Costa, Máximo José da. II. Collegium Vocale Natal.

III. Título.

(4)

Os impactos da reciprocidade entre teoria e prática na performance:

Collegium Vocale Natal

Monografia apresentada como exigência parcial para obtenção do título de Licenciado pleno em Música à Banca Examinadora da Escola de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Aprovada em: ___/___/___

BANCA EXAMINADORA:

_________________________________________________________ Prof. Ms. Máximo José da Costa

Orientador - UFRN

_________________________________________________________ Prof. Ms. Júlio César de Melo Colabardini

Membro da banca - UFRN

_________________________________________________________ Prof. Dr. Mário André Wanderley Oliveira

(5)
(6)

conclusão desta etapa tão importante em minha vida.

Agradeço, aos meus pais Irami Menezes e Agostinho Marchi (in memoriam), por toda a dedicação e educação que me foi dada. Minha mãe, merece agradecimentos em dobro, por tudo o que fez e faz por mim até hoje, e também pela elaboração e confecção do figurino do coral.

Agradeço, meus irmãos, sobrinhos e cunhado pela paciência e incentivo no decorrer de toda a minha vida, e ainda mais, de minha formação acadêmica.

Agradeço, imensamente, às oportunidades que a vida me deu de cruzar com pessoas de alma tão nobre e amiga como D. Helena (in memoriam). Embora a senhora já não esteja fisicamente mais entre nós, eu à agradeço imensamente, pois, graças a senhora eu tive a oportunidade de conhecer a música e levá-la como profissão. Também, graças a senhora, eu conheci o Projeto Canarinhos da Terra, que teve um incomensurável impacto em minha formação musical e humana.

Agradeço, ao Projeto Guri polo Campinas, que durante o ano de 2016, foi minha segunda casa, e onde obtive um valoroso crescimento musical.

Agradeço, a minha professora de teoria musical Ana Raquel, que além de professora foi uma grande amiga, e pessoa pela qual possuo grande apreço.

Agradeço, aos meus amigos por toda a paciência e ajuda durante todo o decorrer da graduação. Larissa Guedes, grande amiga, companheira de estágios, conselheira e maior leitora deste trabalho, muito obrigada!

Kelly Dantas, muito obrigada por todas as contribuições na vida e na música, obrigada pelos momentos aos quais disponibilizou para os ensaios com o coral.

Abner Moabe, querido amigo, muito obrigada por todas as horas e horas a fio de conversas, obrigada por estar ao meu lado nos mais diversos momentos da vida, e deste trabalho.

Dante, obrigada pela amizade, e pelo tempo disponibilizado em algumas apresentações com o grupo, sua presença foi muito importante.

André Rocha, muito obrigada por toda ajuda e conversas, pois, se não fosse você, não teria sido possível o desenvolvimento deste trabalho.

Karol, que mesmo de longe me amparou nos momentos difíceis, e me incentivou para que eu conseguisse alcançar meus objetivos, muito obrigada!

(7)

Fernando e Hemerson, por toda ajuda e disponibilidade.

Agradeço, aos meus queridíssimos coralistas, que foram a peça chave e fundamental para a pesquisa e escrita do trabalho. Além do mais, o Collegium Vocale Natal, foi a minha primeira experiência com a regência e que jamais será esquecida.

Agradeço, ao meu orientador Prof. Máximo José da Costa, por ter me dado todo o suporte e encorajado ao desenvolvimento e escrita do trabalho.

Agradeço aos professores Júlio César de Melo Colabardini e Mário André Wanderley de Oliveira, por terem aceito o convite para participar da banca.

Agradeço também aos demais professores e funcionários da EMUFRN por terem contribuído direta e/ou indiretamente para a conclusão deste trabalho.

Por fim, externo minha mais sincera gratidão a todos que participaram e contribuíram de alguma forma para a conclusão deste trabalho. Muito obrigada!

(8)
(9)

A pesquisa aqui proposta, versa sobre a reciprocidade teórico-prática na performance coral, que intenta, através de experiências empíricas, compreender quais serão os impactos no fazer performático. Então, através da revisão de literatura, utiliza-se como balizares no referencial teórico, as concepções e práticas socioeducativas do Canto coral, externadas pela educadora musical e regente coral Patrícia Costa (2009a, 2009b). É válido que se verse brevemente sobre a fala de Costa (2009a), e sua abordagem, que considera a prática coral dentro de instituições de ensino, fazendo colocações sobre o universo coral, a inserção, e criação de um grupo com estudantes adolescentes. O objetivo desta pesquisa é compreender os impactos gerados na performance a partir da reciprocidade entre teoria e prática, pautando o trabalho em um tripé que considera a inter-relação entre teoria, prática e performance, como a base da formação musical do grupo em questão. O trabalho, se configura como uma pesquisa-ação, em que serão apresentados os dados através da análise dos questionários, bem como, através dos breves relatos sobre o que se pôde observar no decorrer da pesquisa. Vislumbrando uma consideração de dados concisa, foi realizada uma amostra dos dados, pois, ao longo da pesquisa foram aplicados três questionários, totalizando quarenta questões, entretanto, foram consideradas as dez que se relacionassem com a pesquisa, pois o objetivo inicial da aplicação dos questionários era apenas de ter um contato mais direto com os estudantes e suas ideias. A pesquisa foi realizada na E.E.T.I Winston Churchill, uma das escolas públicas da cidade de Natal/RN, através de um projeto da autora desta abordagem, intitulado “O Canto coral e a cultura Nordestina”. O projeto em questão, já foi escrito contemplando as considerações deste trabalho, e objetivando a escrita da abordagem. Durante a realização da pesquisa, foi possível compreender não apenas as dificuldades existentes ao desenvolvimento teórico-prático, mas também, visualizar que existem uma série de lacunas a serem sanadas e, não obstante, um longo caminho a ser percorrido, além da busca por um melhor desenvolvimento metodológico, que esteja em consonância com o desenvolvimento e a realidade social dos estudantes.

(10)

performance, which tries, through empirical experiences, to understand what will be the impacts on performing. Then, through the literature review, the socio-educational concepts and practices of choral singing, expressed by the musical educator and choral conductor Patrícia Costa (2009a, 2009b) areused as references in the theoretical framework. It is valid to talk briefly about Costa's speech (2009a), and his approach, which considers choral practice within educational institutions, making statements about the choral universe, insertion, and creating a group with adolescent students. The objective of this research is to understand the impacts generated on the performance from the reciprocity between theory and practice, guiding the work on a tripod that considers the interrelationship between theory, practice and performance, as the basis of the musical formation of the group in question. The work is configured as an action research, in which the data will be presented through the analysis of the questionnaires, as well as, through the brief reports on what could be observed during the research. Glimpsing a concise data consideration, a sample of the data was performed, as three questionnaires were applied throughout the research, totaling forty questions, however, the ten that were related to the research were considered, as the initial objective of the application of the questionnaires it was just to have a more direct contact with the students and their ideas. The research was carried out at E.E.T.I Winston Churchill, one of the public schools in the city of Natal / RN, through a project by the author of this approach, entitled “O Canto chorale ea Cultura Nordestina”. The project in question, has already been written considering the considerations of this work, and aiming at writing the approach. During the research, it was possible to understand not only the difficulties existing in the theoretical-practical development, but also to see that there are a number of gaps to be solved and, nevertheless, a long way to go, in addition to the search for a better methodological development, which is in line with the development and social reality of students.

Keywords: Theoretical-practical reciprocity; Performance; Choral singing.

(11)

Figura 2 – Apresentação, Concerto Didático na ONG, Felipe Camarão. (08/11/19)...76

(12)

INTRODUÇÃO... 12

1 1.1 Regendo a teoria: as bases epistemológicas e as inter-relações entre teoria-prática e performance na vivência coral... Revisão de Literatura... 18 18 1.2 Relação teórico-prática na contemporaneidade... 20

1.3 1.4 Canto coral... Relação teórico-prática... 22 25 2 Regendo a prática: bases teórico-metodológica da pesquisa e a inter-relação com o grupo... 29

2.1 A metodologia... 29

2.2 A escola... 32

2.3 Os coralistas... 35

2.4 Collegium Vocale Natal... 36

2.5 Protótipo de um material didático... 39

2.6 Estrutura e relação prática... 40

3 Regendo a performance: resultados e discussões... 47

3.1 A relação com a teoria... 47

3.2 3.3 3.4 4 A relação com a performance... As apresentações... A relação do grupo com a proposta teórico-prática... "Caminhando e cantando e seguindo a canção": Considerações finais... 48 50 52 65 REFERÊNCIAS... 69 APÊNDICE A – Questionário... APÊNDICE B - Programa do concerto didático ...

73 74

(13)

INTRODUÇÃO

A presente pesquisa parte da relação teórico-prática, que sempre foi uma das faces latentes em minha formação musical. Entretanto, não de forma recíproca, mas sim, desconexa. A não reciprocidade entre teoria e prática impactou de forma negativa em meu desenvolvimento musical, e foi o que me motivou a escrita deste trabalho monográfico. Embora tenha sido o aspecto motivador desta pesquisa, a problemática que circunda o ensino da teoria musical vem passando por uma série de questionamentos no decorrer dos anos e, consequentemente, sendo motivo de discussões na área, já que por vezes tanto no campo empírico como dentro da própria Educação Musical, a teoria musical – e seu ensino – ainda se mostra muito alicerçada em um viés tradicional, sendo assim, o maior “medo” dos estudantes de música. Portanto, vejo por bem, que seja brevemente considerada a minha carreira musical até chegar a academia, considerando também os meus percalços e problemáticas em relação a formação teórica e, que por consequência, me levou a desenvolver a referida abordagem.

Os meus primeiros contatos com a música se deram através da curiosidade, ao ver pessoas tocando violão. Mas, por morar em uma região periférica, não tinha acesso às aulas de música. Então movida pela curiosidade, ganhei meu primeiro violão e fui aprendendo a tocar por revistas, em que eu basicamente copiava a forma dos acordes escritos, e tentava acompanhar as músicas. Foi então que em 2013, conheci o Projeto Canarinhos da Terra (UNICAMP)1, e passei a integrar o coro infanto-juvenil; em 2015, já no grupo jovem, tive a oportunidade cantar “Mass of the children” (John Rutter), em que houve uma parceria entre o coral e a Orquestra Comunitária da UNICAMP. Foi, então, ao cantar a obra de Rutter, que despertei para a música erudita, e para a regência coral. No ano de 2014, em paralelo ao Canarinhos da Terra, entrei para o Projeto Guri polo Campinas, e estudei violino por dois anos. No Projeto Guri, tive um desenvolvimento significativo na leitura de partitura e contato com o instrumento, chegando a participar das práticas de orquestra.

Durante o decorrer de minha formação musical, fui a congressos, cantei em eventos e tive a chance de conhecer mais sobre a prática coral, que por sinal, me despertava cada vez mais interesse. O fato de participar de projetos culturais e morar em uma região periférica sempre fez com que eu me questionasse acerca do porquê tantas

1 O Projeto Canarinhos da Terra, tem parceria com a Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), e

trabalha com a integração entre arte e cultura. De forma breve, é um coral cênico, dividido em três grupos, infantil, infanto-juvenil e jovem, atendendo cantores dos 6 aos 21 anos.

(14)

pessoas em meu bairro, nem sequer, faziam ideia da existência e da importância de projetos culturais e da formação em música; e então, foi aí que optei por prestar o vestibular para Música. A escolha por música como carreira e como profissão, começou a me gerar inquietude sobre a relação entre teoria e prática, em que através da minha experiência eu já visualizava as dificuldades da não reciprocidade teórico-prática, pois eu não conseguia aliar o que eu fazia na prática com a teoria, gerando um atraso em meu desenvolvimento musical. A partir desse episódio, conclui que assim como eu passei por dificuldades durante o processo de aprendizagem, com certeza, outras pessoas também estariam passando pelo mesmo. Então foram justamente as lacunas em meu processo formativo que me motivaram a cursar a Licenciatura e, por conseguinte, desenvolver esta pesquisa, pois a problemática dentro da academia me suscitava ainda mais questões e preocupações, fortificando a ideia e os questionamentos existentes. A chegada à graduação, fez com que as inquietudes crescessem, porém, me instigaram a buscar e compreender o meio em que eu estava inserida, e a partir disso vislumbrar que o aprendizado musical poderia ser gerado por meio de trocas, e que havia possibilidades deste ensino baseado na reciprocidade teórico-prática, partindo da fala de autores como KOELLREUTTER (apud KATER, 2018, p.88) “A estética e a teoria da música do nosso tempo partem do conceito de um universo sonoro que é considerado como um todo dinâmico e indivisível, que sempre inclui o homem num sentido essencial”.

Portanto, a partir deste breve preâmbulo sobre a relação da minha carreira e estudos musicais com a referida pesquisa, é pertinente que sejam abordados os objetivos do trabalho e sua relevância para o desenvolvimento, não apenas do trabalho, mas também dos coralistas. O objetivo geral, consiste em compreender os impactos gerados na performance a partir da reciprocidade entre teoria e prática. Ou seja, a partir da compreensão dos impactos que a reciprocidade gera na performance, prosseguir com os estudos sobre teoria, prática e performance durante o decorrer de minha formação acadêmica. Os objetivos específicos, têm como foco analisar a prática coral dentro de uma escola pública, partindo do pressuposto que a prática coral é pouco visualizada nas instituições de ensino. A partir disso, se vê como necessário, evidenciar a relação que o grupo formado na escola possui com a teoria musical. Aliada às questões teóricas, também é válido que se tente compreender qual a relação que os estudantes teriam com o fazer performático, a fim de que pudesse acompanhar a evolução e desenvolvimento do grupo. Por fim, há a necessidade de se expor as reflexões metodológicas que sejam imanentes ao processo de pesquisa. Sendo assim, através dos relatos expostos no corpus

(15)

da abordagem, que culminaram na criação de um material – ainda em fase de desenvolvimento –, trazendo à tona a relação existente entre o problema de questão e as necessidades de mudanças metodológicas.

A metodologia do trabalho consiste em uma Pesquisa-ação, pois serão propostas análises, compreensões, discussões e ações que irão compor o percurso desta abordagem. Assim sendo, conforme citam Baldissera (2001) e Thiollent (1986), será considerada uma pesquisa-ação quando houver uma ação por parte dos envolvidos a fim de que se busque solucionar ou discutir questões que partem do grupo em questão. A coleta dos dados, foi efetuada através dos questionários aplicados ao grupo, durante o ano de 2019 e início de 2020. Como foram aplicados três questionários e totalizaram quarenta questões, optei por uma seleção dos dados expostos, considerando questões que clarificassem a problemática da pesquisa em questão, buscando elucidar alguns aspectos existentes no trabalho e dar voz aos estudantes que participaram da pesquisa.

É conveniente expressar que durante o decorrer desta pesquisa foi clarificada sua relevância, não apenas para a Educação Musical, mas também para a performance, já que serão abordadas aqui, as questões pedagógico-musicais assim como tópicos que discorram sob as perspectivas performáticas. A Pesquisa-ação proposta nesta abordagem imergirá não apenas no que tange a confluência entre aspectos teóricos, práticos e performáticos, mas abordará questões inerentes ao processo de musicalização com um grupo coral juvenil23. Considerar um coral como o locus desta abordagem, relaciona-se com o fato da prática coralística ser promotora de aspectos sociais, humanos, e sobretudo artísticos. Portanto, ao abordar a prática coral aliada a tópicos como: faixa etária, contexto de ensino e aspectos de vulnerabilidade social, é que se pode dar luz ao processo confluente de ensino, bem como elucidar pontos que fazem parte da dinâmica do grupo pesquisado. Além do mais, ao observar Costa (2009a), pode-se notar e refletir sobre os aspectos que embasam o contexto de ensino musical, com ênfase na prática coral em escolas de educação básica, em que não é proveitoso dissociar o fazer musical das mais variadas dúvidas, preocupações e problemáticas que fazem parte do dia a dia desses adolescentes. Dúvidas e questões essas que podem vir a abalar – em maior ou menor grau - a dinâmica proposta. Contudo, as reflexões sobre o processo de ensino-aprendizagem,

2 Segundo Franchini (2015), é considerado coro juvenil, àquele que costuma ser formado por

adolescentes.

3 Segundo o ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente (BRASIL, 1990), considera-se adolescente quem

(16)

que permeiam a relação recíproca entre teoria e prática necessitam ser trazidas à tona, para que esses coralistas tenham a oportunidade de aprofundar-se sobre a música como uma área de conhecimento, em que possam tornar-se críticos e reflexivos, podendo vivenciar – ainda que brevemente – sua musicalidade própria.

É pertinente que se expanda o olhar sob a prática coral, a partir de seu viés formativo e social que resulta na produção musical de um coro. Conforme destaca Dias (2014), que considera as interações pedagógico-musicais através do desenvolvimento da sociedade e do crescimento das grandes metrópoles, em que a prática coral encontra-se como um grande impulsionador da sociabilidade e da música. Portanto, ao compreender a importância do canto e do fazer-musical em grupos (CARMINATTI; KRUG, 2010), é que a visualização do canto coral dentro dos aspectos educacionais, sociais e musicais passa a tornar-se mais clara e significativa para o desenvolvimento dessas comunidades e sociedades que buscam conhecer-se musicalmente a fim do desenvolvimento pessoal, e em várias esferas de sua atuação humana e social.

Abarcando uma melhor sistematização sobre a construção deste trabalho, é válido que sejam abordados brevemente cada um dos capítulos propostos. Faz-se necessária a ponderação de que o presente trabalho sofreu alterações do decorrer da pesquisa, pois fatores externos – a pandemia do Covid-19 – impactaram de forma direta no prosseguimento. Não obstante, é necessário considerar que observo a existência de lacunas, entretanto, buscarei saná-las no decorrer do meu percurso acadêmico e do desenvolvimento da expertise musical. Além do mais, é oportuno reiterar que o presente trabalho intenta por um longo percurso de pesquisas e contato com outros estudantes e outras perspectivas, objetivando fortificar o ensino musical e considerar as várias lacunas que ainda são visualizadas no decorrer da formação musical, sobretudo quando se é considerado o ensino teórico-prático. Portanto, é válido considerar que esse trabalho é um pontapé inicial que aborda o tripé TEORIA>PRÁTICA>PERFORMANCE, como uma proposição metodológica em uma fase muito inicial.

No capítulo 1, proponho uma revisão de literatura que contemple a tripé, teoria > prática > performance. Então, a partir da literatura, em que serão abarcadas as três esferas, aliada aos conhecimentos empíricos, há uma revisão sobre a relação teórico-prática na contemporaneidade, alicerçada na fala de autores que versam sobre os desafios enfrentados nesta dicotômica relação (BRITO et al., 2013; FUKS, 1995; LIMA, 2010). Após, há colocações sobre o canto coral, pautando-se na fala de Costa (2009a, 2009b) sobre a prática em escolas de Ensino Médio e, também, sobre alguns aspectos cênicos

(17)

que são considerados como atrativos despertando o interesse do jovem em participar da atividade coralística; bem como na fala de Figueiredo (2006), que versa sobre a relevância da prática coral, e suas considerações sociais. Por último, é proposta uma revisão sobre prática e performance, buscando delimitar cada um dos termos dentro da pesquisa, e assim, desmistificar e relacioná-los. Pois, como é analisado no decorrer da escrita, existem dúvidas quanto a delimitação do que é performance dentro do âmbito musical. Além disso, é pertinente que seja colocada e analisada a inter-relação existente entre os dois termos, a fim de que a ideia de performance atrelada a um alto desempenho seja desconsiderada nesta abordagem, e a partir disso a prática musical e a performance possam ser visualizadas sob outros prismas, como por exemplo, musicológico, social, cognitivo e artístico.

No capítulo 2, é possível imergir nos aspectos metodológicos que regem o trabalho, e mais detalhadamente na coleta dos dados, bem como nos teóricos que versam sobre a metodologia proposta (BALDISSERA, 2001; THIOLLENT, 1986). Logo após, são abordados dados sobre a escola na qual a pesquisa foi realizada, trazendo à tona breves considerações sobre a tradição e importância que a instituição configura para a sociedade potiguar. Além disso, abordo uma contextualização sobre o tempo que os estudantes passam na instituição, o lugar em que se encontra a prática coralística e sua inserção no meio escolar, seguida das questões socioeconômicas e realidade do grupo. Prontamente, é possível mencionar a realidade dos coralistas, considerando a relação que eles possuem com a música, suas vivências sociais, a formação coral e a quantidade de cantores, caracterizando assim os protagonistas que compõem a escrita desta abordagem. Por conseguinte, se versa sobre o coral Collegium Vocale Natal em si, abordando a relevância da prática coral, o projeto lançado à escola, o repertório, figurino e outras questões que compõem o fazer artístico do grupo. Por último, verso sobre o protótipo do material didático, em que se evidencia o que motivou a criação de um material a partir da compilação de alguns livros e métodos; seguido desta contextualização, pode ser compreendida a estrutura prática do material proposto.

No capítulo 3, são consideradas as relações que o grupo dispõe com a teoria musical, em que se pode verificar, através de breves relatos como foi para esses estudantes os primeiros contatos com o universo teórico, expondo assim dificuldades iniciais e soluções propostas para o avanço musical. Em seguida, se pode compreender a relação que o grupo detinha com a performance, e para além disso, verificar a relação que a performance possui com os estudos teóricos, partindo de considerações sobre as questões

(18)

cognitivas. Em coerência com a performance, são abordadas duas, das sete apresentações feitas pelo grupo; que, além de estarem diretamente ligadas à performance, também se relacionam com questões sociais e de disseminação da prática coral. Por fim, são apresentados os dados que puderam ser colhidos durante as aplicações dos questionários. Dados esses, que trouxeram à tona como o projeto foi impactante na vida desses estudantes, as dificuldades da relação teórico-prática, a percepção da sistematização de um material que fizesse sentido ao grupo em questão, entre outras considerações relevantes para o prosseguimento da pesquisa em outros momentos.

Por fim, é sempre importante e gratificante considerar o que foi este trabalho, não só na vida dos coralistas, mas também na minha. Durante o decorrer do ano de 2019, em que foi um ano dedicado à criação e desenvolvimento do grupo, houve também um crescimento artístico e profissional. A experiência de lidar com um grupo jovem, é de fato complexa e instigadora, faz com que consideremos novas perspectivas e ações, com o objetivo de contribuir de alguma maneira para o desenvolvimento da Educação Musical. Em suma, se pôde compreender com esta breve abordagem, que o caminho para um desenvolvimento musical integral ainda é longo, e que diversas considerações metodológicas ainda precisam ser sanadas, com objetivo de que hajam melhorias no desenvolvimento musical e educacional. Pois, como será visto no decorrer do trabalho, o tripé entre teoria >prática> performance, intenta por um desenvolvimento musical condizente com as realidades e lacunas encontradas no decorrer deste caminho tão complexo, e tão carente que é a formação teórico-musical. É vantajoso, também, que reflitamos acerca da dicotomia teórico-prática, e que, consideremos a reciprocidade como um dos vieses significativos à expansão de uma musicalidade já existente, mas que necessita de uma lapidação e uma consideração que seja significativa ao grupo ou comunidade em questão, em que a sociedade tenha acesso a arte de maneira completa, desmistificando a ideia de “dom”, e considerando a ideia de acesso ao conhecimento musical e artístico.

(19)

1 Regendo a teoria: as bases epistemológicas e as inter-relações entre

teoria, prática e performance na vivência coral

1.1 Revisão de Literatura

A problemática existente na relação entre teoria e prática vem apresentando um crescente em discussões, pesquisas e produção científica. Mais especificamente, no que se refere aos anos entre 2010 e 2015 (BRITO et al., 2013; CIRINO, 2015; DIRENE & PETERS, 2015; LIMA, 2010). Os autores versam sobre a realidade dicotômica e seus impactos para a formação integral do indivíduo e experimentação com o universo teórico e artístico musical, deixando em evidência questões que tangem – muitas vezes – de uma sistematização não condizente com a realidade, formações e crenças de seu público. Ou mesmo de uma “idealização” popular de que a teoria musical não é tão acessível assim e só atende às pessoas que possuem um “dom4”.

O processo dicotômico evidenciado neste trabalho se pauta nos problemas encontrados no campo empírico e, que, a posteriori foram alicerçados pelos autores supracitados. Pois, como já vem sendo visualizado por autores como KORROELLTHER (apud KATER, 2018) os aspectos musicais sobretudo, os teóricos vêm carecendo de reflexões e mudanças, já que o estudo teórico-musical possui uma imagem sempre tão enrijecida, parecendo estar cercada de ultra complexidades – que é aí onde entra a ideia de dom – que a sociedade em geral acaba por temer, questionar e acreditar que a música se resume em compreender os signos – que segundo eles, é algo muito difícil – e ser “agraciado” com o “dom” de conseguir tocar um instrumento e/ou cantar.

Portanto, ao identificar tal problemática constatada – tanto em experiências empíricas, assim como profissionais – passo a questionar, a partir de uma perspectiva prática e performática quais seriam os possíveis impactos – ou não – do ensino alicerçado na reciprocidade entre teoria e prática; ao ter como foco uma pesquisa-ação com um grupo de estudantes que não possuíssem um conhecimento musical teórico ou prático formal. E a partir dessa problemática já constatada, eu pudesse junto com os estudantes encontrar saídas ou promover diálogos que intentassem pela busca de um ensino recíproco, criativo e bem embasado.

4 A ideia de “dom” musical, é desmistificada através da abordagem de Rocha (2013), em que fica visível

que tal discurso emerge de questões sociais, e além disso – ao contrário do que se pensa – é uma ideia recente, e que vem sendo um dos discursos para o insucesso da Educação Musical. Ou seja, a ideia de que a música é algo inato ao ser humano, gera uma mistificação e crença, sendo nociva ao desenvolvimento do estudante, que por qualquer dificuldade no processo, acredita não ter esse “dom”, quando na realidade eram apenas dificuldades comuns, e não a falta de “dom”.

(20)

Levando em consideração o questionamento - De que maneira a reciprocidade entre teoria e prática poderia impactar na performance de um grupo coral? – unida a uma grande inquietude frente a essa dicotomia, é que surge o Coral Collegium Vocale Natal. O grupo é o laboratório experiencial desta problemática, em que os coralistas são alunos da E.E.T.I Winston Churchill5, todos cursando o Ensino Médio, e sem experiência formal com o contexto teórico-musical. Buscando uma maior exploração, trabalhei com um tripé que leva em consideração a inter-relação entre: TEORIA > PRÁTICA > PERFORMANCE6. Ao considerar esse tripé, é de grande valia destacar que o repertório também faz parte de toda a ideia formativa, considerando assim, que os coralistas ao (re)conhecerem o repertório poderão abrir-se às possibilidades musicais e criativas. Inobstante, também é válido salientar que ao buscar na literatura e explorar o que já há de produções, pude concluir que não há trabalhos que considerem o tripé aqui proposto, por isso, me apoiei em produções que contemplavam cada uma das propostas de forma separadas. Por exemplo, ZORZAL (2015) discorre sobre prática e performance musical, considerando o desenvolvimento da prática musical nos mais variados contextos. PRIORE (2013) aborda questões relacionadas ao importante papel da formação teórico-musical.

Portanto, comento brevemente os trabalhos destes autores com o objetivo de esclarecer quanto aos alicerces literários que foram ponderados no decorrer desta pesquisa, e também alertar para as considerações sobre esse tripé, partindo do fato de que embora o pareça ser um sistema enrijecido, a ideia que eu considero é de que o tripé está em confluência e é mutável, sendo assim podem ser alteradas as ordens de cada um dos conceitos. Logo, versar sobre esse tripé proposto sempre considerando a ordem: teoria, prática e performance, está muito aliado ao fato de que as experiências empíricas e em locus de pesquisa me deram margem para que eu o considere sempre seguindo essa mesma ordem, já que os aspectos teóricos passam por um amplo processo de significação diário.

Então, ao ponderar os dados expostos neste preâmbulo, durante o decorrer dos próximos subcapítulos, serão analisadas as falas de autores que versem sobre a temática proposta. No próximo subcapítulo, por exemplo, será abordada a relação entre teoria e prática na contemporaneidade, visando compreender qual o lugar social e prático em que

5 Escola Estadual em Tempo Integral Winston Churchill. 6 Figura 1 - O tripé: teoria > prática > performance.

(21)

a teoria e a prática se encontram, objetivando assim, que as reflexões propostas impactem de forma positiva no decorrer da formação dos coralistas.

1.2 Relação teórico-prática na contemporaneidade

Ao imergir na literatura em busca de outros trabalhos que compreendessem ou abordassem a dicotomia na relação entre teoria e prática, me deparei com questões de maior complexidade do que se poderia imaginar. Passa a ser notável a existência de uma gama de questões sociais, metodológicas e culturais envolvidas, mas que na verdade o centro gravitacional da problemática é mais evidente no que se tange às questões metodológicas que, por consequência geram um discurso e uma ideia de que “teoria musical é muito difícil” ou então, afirmam que “minha voz não é boa o suficiente”; ou pior: “não tenho o ‘dom’”. A partir dessas afirmações e da percepção prática das questões metodológicas, analiso Lima (2010), que através de um estudo de caso, alerta para qual seria o lugar da teoria e quais os objetivos da imersão e reciprocidade com a prática, assim expõe:

A teoria musical constitui-se em uma dimensão, que designa a compreender a acepção estrutural e expressiva do discurso musical. [...]. Ensinar os princípios da teoria musical como conhecimento independente, não conduz o aluno a conhecer a música como algo em que ele tenha empregado sua ação para originar um discurso musical. Do mesmo modo, ensinar ou aprender só a tocar um instrumento, também não garante que ocorra compreensão musical do que se toca. (LIMA, 2010, p.9)

Levando em consideração a fala de Lima (2010, p.9), bem como a realidade encontrada no campo de pesquisa, foi notável a presença dessa dicotomia. Por exemplo, no momento em que se faziam necessárias algumas exposições teóricas, era como se não houvesse essa compreensão musical concisa, parecendo que dentro da música não existem questões teóricas, nem muito menos a relação entre a teoria e prática. É como se a música fosse lançada ao ambiente sendo e existindo apenas como uma sucessão de sons, sem uma fundamentação e/ou um corpus epistemológico mais amplo.

Dentro da mesma perspectiva dicotômica de raciocínio, Fuks (1995) versa sobre a problemática existente entre teoria e prática, agregando a isso a ideia de que essa questão também pode partir de dificuldades de comunicação e compreensão mútua entre a Educação Básica e a produção científica realizada pela academia. De certa forma, os autores (BRITO et al. 2013; LIMA, 2010; FUKS, 1995) versam de forma semelhante quanto a realidade encontrada em diferentes regiões do país e em diferentes contextos

(22)

musicais e formativos, gerando assim, a compreensão de que tal problemática não é específica de algumas regiões, mas sim, de uma questão complexa envolvendo vários aspectos relativos a formação e propostas de aprendizagem musical.

Para além dos tópicos já evidenciados, é importante que se compreenda a relação teórico-prática não como obrigatoriedade na formação dos estudantes envolvidos, mas sim como uma das vertentes de ensino musical, em que o objetivo final não é “formar músicos”, mas sim, que estudantes em diversos contextos possam ter contato com essa ideia de reciprocidade entre as partes e que tenham o acesso básico, o direito e a oportunidade de imergir sob essa realidade. Pois, em concordância com autores como Direne e Peters (2015), que versam sobre a relação entre o aprendizado musical e os aprendizados diários, as autoras descrevem íntima reciprocidade entre a escrita musical e a matemática. Essa relação citada pelas autoras é, por vezes, o grande ponto em que o estudante passa a compreender que existe uma relação entre a música e o dia-a-dia, e que ambos podem vir a se complementar. E para além disso citam:

Do ponto de vista sentimental, vários autores ressaltam a influência da música sobre o desenvolvimento comportamental positivo da criança e do adolescente que chegam a influenciar inclusive na formação do caráter e outros valores que a educação escolar deve ajudar a desenvolver. (DIRENE; PETERS, 2015, p.71)

Portanto, ao destacar a relação teórico-prática sob a ótica desses autores é de grande valia que reflitamos sobre o desenvolvimento e a aplicabilidade do estudo teórico aliado a prática, gerando assim um sentido na formação musical, na vida do estudante, e em suas vivências de maneira que teoria e prática não sejam contrapostas ou sobrepostas. Pois, como já foi colocada, a sobreposição entre teoria e prática é passível a um desenvolvimento negativo no processo de ensino-aprendizagem, cercando o estudante de estigmas e inseguranças em seu desenvolvimento artístico, prático e teórico-musical.

Ao compreender o lugar em que a teoria se encontra, e buscando aliá-la a prática, é importante que seja notado também, o lugar em que se encontra a prática musical a partir do laboratório experiencial proposto, no caso, o coral. Portanto, no decorrer do próximo subcapítulo, será considerada a prática coral, a partir de seu viés musical e social, a fim de que se possa refletir e externar as benesses, e sobretudo considerá-la como um dos impulsionadores a busca e ao encontro com a música.

(23)

1.3 Canto Coral

Ao imergir sob a perspectiva coral, se compreende que antes de ser um coral, é um grupo, e dispõe de algumas reflexões sobre o fazer musical em tal contexto. Por isso, Carminatti e Krug (2010) esclarecem sobre a prática musical em grupo, fazendo as seguintes considerações:

Dentre as várias possibilidades de trabalho musical em grupos comunitários, pode-se citar o canto coral como um veículo de disseminação das prerrogativas atribuídas à música, como por exemplo, maior socialização, desembaraço, trabalho em equipe, ajuda na organização e sincronia no trabalho ou no divertimento, comunicação, concentração (autodisciplina) e autoconfiança dos membros participantes da atividade. (CARMINATTI; KRUG, 2010, p.85)

Assim partindo da fala dos autores é importante sempre deixar em evidência a importância que o canto coral dispõe à sociedade, principalmente quando levamos em consideração grupos formados por adolescentes, dentro de instituições de ensino, que é um ambiente onde existe uma “pressão” – sobretudo no Ensino Médio –, que se torna cada dia maior de acordo com suas escolhas de vida. Por isso, é significativo ressaltar as questões atreladas à socialização, desenvolvimento e bem-estar dos coralistas, almejando bons resultados para o desenvolvimento individual e do grupo, a fim de que a prática coral impacte de alguma maneira em sua formação social e humana.

É discutido no meio acadêmico (CARMINATTI e KRUG, 2010; FUCCI AMATO, 2007; COSTA, 2009a), que a prática do canto coral possui uma série de questões atreladas à socialização e formação pessoal dos coralistas, em que autoras como Costa (2009a) versa em seu trabalho justamente sobre a prática coral dentro de escolas e com adolescentes do Ensino Médio, deixando propostas claras aos regentes dos coros, bem como reflexões acerca da dificuldade encontrada em alguns ambientes, de que os alunos (re)conheçam a prática como benéfica e prazerosa ao seu desenvolvimento. Sobre a prática com jovens coralistas, a autora faz a seguinte afirmação:

No decorrer de minha experiência prática observei muitos dos efeitos positivos do canto coral em cantores adolescentes e jovens, por tal atividade dar conta de uma série de necessidades próprias dessa faixa etária, colaborando com a ampliação de sua visão de mundo, exercitando sua atuação em nossa sociedade com princípios de solidariedade, confiança, companheirismo e harmonia em grupo, oferecendo um veículo de expressão de suas descobertas, conflitos e anseios, além de ser um importante instrumento de musicalização. (COSTA, 2009a, p.84)

(24)

Portanto, ao observar a fala de Costa (2009a) sobre as particularidades do canto coral, cabe também discorrer sobre a pouca visualização da prática, resultando assim em considerações superficiais, no qual, cantar em um coro ou reger, não demonstra o mesmo “peso”, do que quando tratamos de tocar um instrumento ou estar à frente de um grupo instrumental. Então, cabe aqui abordar brevemente as questões imanentes à prática coral dentro de suas considerações musicais, buscando a desmistificação da superficialidade observadas na prática e, também fazer apontamentos que considerem tal prática dentro de sua integralidade sem que esteja sempre correlacionada aos aspectos cognitivos, sociais.

A música vocal possui uma série de questões corporais, fisiológicas e emocionais que se relacionam diretamente com a emissão. Por isso, um dos aspectos básicos do canto - a respiração - está em consonância com os sentimentos e emoções. Sendo assim, é essencial para o desenvolvimento do cantor que sejam abordadas essas particularidades do canto, deixando em evidência as questões técnicas, mas também as de ordem emocional. Pois, como evidência Figueiredo (2006, p.11), “A sonoridade de cada coro é única, na medida em que ela é o resultado da soma da qualidade vocal de cada um de seus cantores. Cada cantor que chega num coro traz consigo sua história vocal, com qualidades, defeitos, peculiaridades de timbre, etc.”. Então, a partir do momento em que se compreende a particularidade mais acentuada da prática, bem como, considera as questões humanas, é que se pode refletir sobre a sonoridade que se quer tirar do grupo e qual será o elo entre o grupo, a prática, a teoria e a performance, sempre se pautando no conhecimento e desenvolvimento vocal do coro.

Portanto, a partir do momento em que os coralistas passam a (re)conhecer os aspectos anteriores a uma performance vocal, passam também a disseminar os conhecimentos adquiridos. Sendo assim, atentam também ao fato de que a prática coral não é reduzida apenas a colocar pessoas em um palco e “só cantar”, mas compreendem que a prática musical de qualquer natureza dispõe de suas particularidades próprias, visando avanços e novas percepções que interferem no posicionamento prático deste cantor. Figueiredo (2006) aborda:

Trabalhar com coralistas deve ser um processo permanente de desenvolvimento musical e intelectual, em vários níveis. E não digo isso apenas em relação a coros iniciantes, mas em relação a qualquer coro, em qualquer estágio. Há sempre algo a ser desenvolvido num cantor de coro. (FIGUEIREDO, 2006, p.9)

(25)

Ou seja, a partir da fala de Figueiredo (2006), é relevante que sejam destacados os processos que compõe o desenvolvimento de um grupo, sempre considerando questões humanas e técnicas, independentemente do nível em que se encontra o coro. E além do mais, é importante que os grupos e os regentes considerem e visualizem a formação coralística como relevante ao desenvolvimento musical, sendo assim um instrumento de musicalização muito rico em aspectos teóricos, práticos e performáticos.

Em suma, a prática coral no presente trabalho possuirá destaque a fim de que reflitamos sobre os impactos já mencionados. Além da revisão de literatura, será mais perceptível a importância do coral, no capítulo 3.4, em que através das análises dos dados, a fala dos participantes se torne um referencial importante para que a considere em ambientes escolares, principalmente em instituições públicas, que tanto carecem deste desenvolvimento formativo, artístico e social. É interessante que seja considerado também o fato de que, historicamente a prática coral ainda é pouco visualizada em escolas públicas, e que embora Villa-Lobos (1887-1959) tenha sido um dos grandes impulsionadores – através do canto orfeônico7 – e, para além disso, uma grande referência quando se é abordado o processo de musicalização em massa através de práticas vocais, é concreto que essas tradições corais tenham se perdido em meio aos processos históricos e de expansão social, e que se parece algo muito distante e inalcançável de se abordar no meio em que vivemos hoje. Por isso, é visível através das colocações de JUNKER (1999) que ainda é necessário percorrer um longo e árduo caminho quando abordamos a inserção da prática coral em escolas públicas, sobretudo quando consideramos também a produção científica sobre a temática e formação de novos regentes e grupos.

No próximo subcapítulo, será abordada a relação existente entre prática e performance, objetivando assim, que se possa visualizar as diferenças, e inter-relações existentes entre ambas as realidades. Além disso, é interessante que se façam tais considerações pautadas na literatura, pois existem ainda implicações para compreender o lugar de cada um desses termos, gerando dúvidas e não compreensão do que, de fato, é a performance e quais suas vertentes.

7 O Canto Orfeônico tinha como objetivo questões nacionalistas, dentro de um viés que considerasse a

música folclórica brasileira e o “[...] despertar a cidadania” (LEMOS JÚNIOR, 2011, p.279). Não obstante, é oportuno evidenciar que segundo SOUSA (2012), ao considerar o canto orfeônico e o canto coral, ambos partem de naturezas semelhantes, ou seja, da prática do canto coletivo, entretanto possuem objetivos que se diferenciam, pois, o canto orfeônico está relacionado aos valores éticos e cívicos, e a prática coral se alia mais ao desenvolvimento artístico.

(26)

1.4 Prática e performance

É válido que seja considerada nesta abordagem a diferenciação e inter-relação entre prática e performance, objetivando reflexões acerca das suas terminologias, bem como diferenciá-las dentro do corpus desta abordagem. Sobretudo, a proposição de uma revisão de literatura sobre prática e performance, leva também a que saibamos compreender ambas as realidades, sem deixar de considerar as inter-relações as quais possuem. Portanto, neste subcapítulo será considerada a fala de Arroyo (2002), que versa sobre as práticas musicais como uma gama de ações em que existam um indivíduo que produza a ação e outro que corresponda, configurando uma troca de experiências e, sendo assim, os resultados gerados nesta troca de ações e conhecimento será compreendida uma prática musical.

Portanto, ao equiparar a ideia de prática musical abordada por Arroyo (2002), com a ideia desta abordagem, pode-se compreender que as práticas se efetivam por meio de trocas e experiências musicais. Sendo assim, a atividade coralísitca que vem sendo desenvolvida com esses estudantes se configura como uma prática musical, pois as trocas de experiências e de conhecimentos partem também de uma organização didática e metodológica, que em certa medida está vinculada aos aspectos básicos e prévios do conceito colocado pela autora. Ou seja, a partir do momento em que iniciam as abordagens musicais, levando em conta as questões teóricas já há um start à prática, aliada a um processo de ressignificação e inserção no meio escolar, partindo de conhecimentos dos coralistas e do grupo em questão. A ideia de start à prática, relaciona-se não apenas com o fazer-musical em si, mas com esrelaciona-se início em que o estudante tem contato com os aspectos e objetos musicais teóricos a fim de que se possa transformar e manusear esses objetos, levando-o a um processo de interação e compreensão em que a partir da experimentação ele poderá compreender as aplicabilidades de cada um dos objetos propostos e estudados. Além disso, pode ser compreendido também, a partir do momento em que o estudante enxerga o fazer-musical como uma das mais variadas possibilidades de desenvolvimento artístico, gerando assim o início à imersão e conhecimentos epistemológicos mais amplos.

Como performance, cabe refletir de diversas visões e compreender quais os impactos e inter-relações existentes. Alguns autores versam sobre os aspectos envolvidos nos fazeres performáticos (RIBEIRO, 2017; GALVÃO, 2006; FRANÇA & SWANWICK, 2002), levando em consideração diferentes visões sobre o que é a performance, e assim possibilitando uma imersão em algumas das vertentes que a

(27)

considerem importante, e que conduzem a uma série de reflexões que permeiam esse campo epistemológico tão vasto. Ao falarmos em performance, a primeira dúvida que surge é sobre, o que em si é considerado, bem como a etimologia da palavra. Por isso, ao buscar o termo performance no dicionário, as considerações sempre têm íntima relação com desempenho ou apresentações no geral; entretanto, parece gerar mais dúvidas sobre o que é, ou se a prática e a performance são a mesma coisa, ou ainda, se são acessíveis a todos.

Então, ao observar essas questões, será considerada a performance neste trabalho, de acordo com a fala de Ribeiro (2017), que compreende a ideia de performance musical como “um processo sociointerativo que envolve a evocação, produção e compartilhamento de experiências e significados individuais e coletivos” (RIBEIRO, 2017, p.14). Portanto, ao partir da ideia de que a performance emerge do processo sociointerativo, cabe aqui que reflitamos sobre os outros prismas do conhecimento performático. França e Swanwick (2002), a compreendem atrelada a outros fatores, mencionando sua importância para o desenvolvimento da Educação Musical e, não obstante, tiram a performance de suas considerações virtuosísticas e inalcançáveis, a fim de que o fazer performático seja acessível aos estudantes. Galvão (2006) aborda a performance a partir da relação entre música e cognição, onde imerge em reflexões consideráveis sobre o processo cognitivo – e interativo – no qual a performance se insere. As considerações de Galvão (ibidem) me apresentaram ponderações sobre o processo e a forte ligação existente entre as emoções e a performance, atentando ao fato de que “A reação humana ao discurso musical raramente é de indiferença. Isso traduz a experiência musical como uma experiência emocional [...]” (GALVÃO, 2006, p.169), sendo assim, o fazer musical e performático é visto como um conjunto de ações e reações ao desenvolvimento do músico.

Conquanto, a partir do momento em que se visualiza a prática musical como uma troca de experiências, levando em consideração todos os aspectos tangíveis ao desenvolvimento de um estudante, e ao compreender que o fazer performático também se relaciona com essa troca de experiências e ideias, é que se confere como ambas as realidades possuem inter-relações. Por exemplo, assim como a inter-relação teórico-prática, a prática e a performance também se inter-relacionam. Portanto, as considerações sobre performance e prática nesta abordagem relacionam-se, pois, ao compreendermos o processo sociointerativo colocado por Ribeiro (ibidem) e, unido a isso considerar tal

(28)

relação sob o viés artístico e produtivo da performance, entende-se que essas relações se estendem, também a uma troca entre performers e plateia.

A relação entre performers e plateia é colocada por França e Swanwick (2002), que a veem dentro da educação musical sob um olhar em que o fazer performático não é visto apenas como uma apresentação, mas, consideram também como performance, a releitura de uma canção ou um acompanhamento com percussão corporal. Sendo assim, esses são alguns exemplos do que os autores consideram, dentro da educação musical, indo além da interação entre os integrantes do grupo, e se estendendo também à plateia, permitindo assim, uma maior troca de experiências e conexões. Ou seja, as inter-relações existentes, permitem que a prática e performance caminhem conectadas, e a partir dessa conexão, geram a ideia artística de um grupo musical levando os cantores e a plateia a sentir a música das mais diversas formas, envolta em questões emocionais que fazem com que haja intensa troca musical e sentimental entre os envolvidos.

Também, é possível compreender que todo processo de estudo musical é visualizado como uma teia rodeada de inter-relações. A prática e a performance emergem de características semelhantes, características essas que levam a um processo social e de interação, no qual existem agentes promotores de trocas e experiências, que culminam em um vasto processo de ensino-aprendizagem. Ademais, também é pertinente observar a fala de ZORZAL (2015) que traz à tona reflexões sobre essa área de estudos e pesquisa, onde levanta análises sobre a ligação entre prática e performance vislumbrando um processo de autonomia ao estudante durante seus estudos e práticas musicais. Portanto, ao analisar o que a literatura destaca sobre as inter-relações entre performance, a prática e a teoria é que passo a refletir sobre as propostas de sistematização que contemplem cada vez mais tal confluência, a fim de que sejam aplicáveis as reflexões aqui propostas.

Não obstante aos dados já colocados também é válido que reflitamos acerca das problemáticas e ligações que permeiam o termo “performance”, sempre estando atrelado as questões de alto desempenho – dado que pode ser comprovado ao pesquisar a palavra no Google Imagens – e também é versado por PEREIRA (2012) que faz a seguinte consideração:

O termo performance é de corrente utilização na língua portuguesa, embora cooptado, no que se diz respeito a determinada série de significação e aplicação, de línguas anglo-saxônicas. Dessa tradição, para essa palavra, atribuímos os sentidos de: desempenho, resultado, atuação, execução, apresentação, competência, modo de comportamento, representação, reapresentação. (PEREIRA, 2012, p.294)

(29)

Logo, ao compreender essa ligação entre o termo estando atrelado às questões de desempenho, visualizo que não apenas o termo, mas também as vivências práticas que integram esse fazer performático parecem estar muito distantes da realidade da grande maioria das pessoas, principalmente de estudantes no início do contato musical, em especial dos estudantes que vem das escolas públicas em que não há um contato tão próximo, ou não são discutidas tais questões. Diante desse cenário e de tal problemática – que foi constatada na literatura e, tão logo, no campo empírico – é que venho a considerar neste subcapítulo as diferenças e em particular as inter-relações existentes entre a prática e a performance.

No próximo capítulo, serão abordadas as questões metodológicas desta pesquisa, bem como a relação entre teoria, a prática e a performance, a partir da realidade encontrada no locus desta pesquisa. Neste capítulo, serão considerados tópicos como: metodologia, a escola, os coralistas, o Collegium Vocale Natal, o protótipo de um material didático e a estrutura e relação prática. Portanto, a partir destes subcapítulos, será possível imergir de forma mais concisa e versar sobre o que foi vivenciado na prática, a fim de que os resultados sejam geradores de propostas para um maior desenvolvimento dos coralistas envolvidos no grupo e, também de estudos posteriores.

(30)

2 Regendo a prática: bases teórico-metodológicas da pesquisa e a

inter-relação com o grupo

Neste capítulo, serão abordadas as bases teórico-metodológicas que embasaram a problemática em questão. Ou seja, objetiva-se que no decorrer do capítulo os leitores possam compreender a metodologia proposta, aliada as observações e considerações feitas em campo.

2.1 A metodologia

É de suma importância destacar aqui, que devido a pandemia do Covid-19, foram necessárias algumas alterações metodológicas na presente abordagem, bem como acerca dos olhares, reflexões e questões que envolvem a premissa. A metodologia que será levada em consideração, consiste em uma Pesquisa-ação (BALDISSERA, 2001; THIOLLENT, 1988) entretanto, devido ao atual momento o contato com o campo de pesquisa passou a não ser mais considerado, então os dados que foram evidenciados no corpus deste trabalho são do ano de 2019 e início do ano de 20208. Por considerar esse hiato gerado pela pandemia, é sempre valoroso explicitar que as reflexões posteriores serão versadas em outros trabalhos que virão durante meu percurso acadêmico, bem como, em escritas de artigos científicos. Portanto, neste trabalho foram expostos os dados já coletados, buscando evidenciar não apenas o que foi encontrado no campo de pesquisa, mas também a maneira com que o atual momento foi decisivo, fazendo com que os coralistas e eu não tivéssemos mais um contato direto e, impossibilitando-os de prosseguirem com as aulas do coral em formato remoto, pois a falta de recursos somada ao abalo emocional se tornou um grande obstáculo.

Tendo em vista tais considerações, propus na primeira parte do trabalho uma concisa imersão no campo epistemológico através de uma revisão de literatura da área, que imerge sobre o problema de pesquisa. Assim, levo em conta aspectos como: a relação entre teoria e prática, visando aprofundar-nos sobre a problemática; os impactos da reciprocidade teórico-prática dentro da performance; a prática do Canto Coral, observando a faixa etária e contexto no qual está inserido; a realidade e questões sociais e escolares desses coralistas, e como poderiam impactar no processo de formação do grupo.

8 Antes do início da pandemia do Covid-19.

(31)

No decorrer deste capítulo, proponho uma Pesquisa-ação pautada na fala de BALDISSERA (2001) e THIOLLENT (1986) inferindo à compreensão dos aspectos que circundam a vivência do problema de questão aqui evidenciado. Para isso, levo em consideração a fala de BALDISSERA (2001), que versa o seguinte sobre a metodologia aplicada:

Uma pesquisa pode ser qualificada de pesquisa-ação quando houver realmente uma ação por parte das pessoas implicadas no processo investigativo, visto a partir de projeto de ação social ou da solução de problemas coletivos e estar centrada no agir participativo e na ideologia de ação coletiva. (BALDISSERA, 2001, p.6)

Ou ainda, corroborando com THIOLLENT (1986, p.14), que identifica a presente metodologia como “[...] um tipo de pesquisa social com base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo [...]”. Por isso, ao considerar a fala dos autores e compreender o meu locus de pesquisa, aliado aos meus objetivos e problema de pesquisa, considero que a presente metodologia me permitirá a construção de uma base sólida, promovendo uma interseção entre as reflexões no campo empírico, o referencial teórico proposto, as necessidades e resoluções de problemas emergentes da pesquisa e, também das minhas experiências como estudante de música anterior a academia. Além disso, é cabível considerar que os objetivos desta premissa estão intrinsecamente confluentes dentro da proposta de um tripé que compõe três esferas da formação musical, apontando para um olhar teórico, prático e performático, mas que compreendam outros aspectos inerentes ao processo de musicalização e inserção de jovens no fazer musical coralístico.

Na terceira parte dessa abordagem, objetivo clarificar o desenvolvimento de uma abordagem metodológica a partir dos dados que puderam ser extraídos do grupo com a Pesquisa-ação, e naturalmente, considerando as leituras e reflexões que foram feitas na revisão de literatura. Dentro do desenvolvimento dessa abordagem metodológica, levo em conta os três aspectos base que movem a premissa. Além disto, levo em consideração as necessidades do grupo, que muitas vezes variavam de acordo com a proposta colocada e os anseios desses coralistas com as práticas e necessidades diárias que foram encontradas no decorrer de seu desenvolvimento humano, social e artístico-musical. É factível notabilizar a existência e o desenvolvimento de um material didático, onde tal abordagem será colocada aqui como um piloto, e evidenciada como uma das alternativas que buscaram colaborar com o enriquecimento e formação musical dos estudantes

(32)

envolvidos. Sendo assim, concordo que sejam necessários mais estudos, vivências e questões formativas que serão levadas em consideração no decorrer da minha formação acadêmica.

Assim sendo, ao me amparar nas considerações supracitadas, é útil esclarecer que a Pesquisa-ação aqui colocada parte de uma revisão de literatura, entretanto baseia-se fundamentalmente no campo empírico e no trabalho desenvolvido com um coral juvenil. O coral citado é o Collegium Vocale Natal, que é um grupo formado na Escola Estadual em Tempo Integral Winston Churchill, que fica localizada na região metropolitana de Natal/RN. É valoroso também, evidenciar que os coralistas do grupo, até então não haviam tido contato com o universo teórico-musical, e nem coral – inclusive, não ter um contato prévio com a teoria lhes acarretava um certo “medo” ou receio de expor o que eles acreditavam ser esses estudos -. Alguns dos estudantes já tinham um contato direto com a prática musical, cantando com os amigos, na igreja e tocando, entretanto, nunca haviam cantado em um coral e também não tinham muito acesso ou conhecimento sobre os processos, “rituais”, e práticas que envolvessem tal premissa. Além da perspectiva coralística ser novidade para os estudantes, também era uma grande novidade para a comunidade escolar no geral – pais, professores e gestores -. Posto isso, o fato da comunidade escolar não ter conhecimento ou contato direto com a prática coral, me suscita a mais reflexões e ações que busquem incorporá-la nos mais variados contextos de ensino e sociais, tornando-a mais acessível à sociedade.

A partir de Thiollent (1986) serão delineados os aportes metodológicos referente a coleta de dados. A coleta e análise dos dados parte de duas considerações importantes para o desenvolvimento do trabalho, o primeiro, é a análise das repostas aos questionários aplicados no ano de 2019 e início de 2020; o segundo tem relação com os breves relatos que são evidenciados no decorrer da escrita do trabalho. A natureza dos dados que partem da análise das respostas, tem relação com três questionários que foram aplicados no decorrer de 2019/2020. Entretanto, devido ao extenso número de questões que compuseram os questionários, sendo 40 questões, além de no total de 29 repostas, eu optei por uma análise que segundo Thiollent (ibidem) é vista da seguinte maneira:

Seus partidários consideram que, para exercer um efeito conscientizador e de mobilização em torno de uma ação coletiva, a pesquisa deve abranger o conjunto da população que será consultada sob forma de questionários ou discussões em grupos. Tal postura é viável quando a população é de tamanho limitado. (THIOLLENT, 1986, p.61)

(33)

Entretanto, embora os três questionários que foram aplicados tenham sido disponibilizados no grupo do WhatsApp, sendo acessível para todos os coralistas, o número de respostas ainda era considerado baixo – isso considerando que o grupo tinha entre quinze e vinte cantores – e o maior número de repostas recebidas em um questionário foi de dez. Inobstante, também é válido versar sobre os caminhos que fizeram com que fosse considerada uma amostra dos dados e não a integralidade das repostas. O primeiro ponto, foi o fato da grande maioria das perguntas serem de cunho dissertativo, por vezes com respostas extensas; o segundo ponto, foi o fato de que muitas das perguntas feitas nos questionários se repetiam e outras não detinham de uma importância para compreender o trabalho – pois, o objetivo primário desses questionários foi conhecer os estudantes –, o que fazia com que algumas questões não detivessem a finalidade necessária. Além disso, algumas respostas não comunicavam com clareza ou não respondiam à questão, sendo por vezes repostas muito curtas – as vezes com uma palavra -. Por isso, o caminho de análise se deu com base em escolhas que respondessem as questões feitas.

Por fim, é valoroso reiterar que todo o material que compõe este trabalho foi coletado em aulas e apresentações, configurando o que pôde ser realizado antes da pandemia do Covid-19 e dos Decretos no Governo do Estado do Rio Grande do Norte9. No próximo subcapítulo, será feita uma breve contextualização da escola em que foi desenvolvida esta pesquisa, a fim de que se compreenda a realidade social, estrutural e educacional da instituição. Então, a partir da escrita desta contextualização, que poderão ser analisadas e consideradas questões que interferem e/ou somam durante o processo de musicalização dos estudantes, bem como o papel da instituição no processo e seus impactos sociais.

2.2 A escola

A Escola Estadual em Tempo Integral Winston Churchill fica localizada na Av. Rio Branco, 500 – Cidade Alta – 59025-001 – Natal/RN. É uma instituição de ensino com quase cinquenta e três anos de história, sendo uma das escolas mais tradicionais da cidade. Em 2017, a instituição passou a ser uma Escola em Tempo Integral. Por se tratar de uma

9 O primeiro Decreto do Governo do Estado do Rio Grande do Norte, n° 29.512, foi publicado dia 13 de

março de 2020, em decorrência da pandemia do Covid-19. Cada um dos Decretos relativo ao Covid-19, possuí caráter excepcional, ou seja, a cada quinze dias vem sendo prorrogado. Portanto, até o atual momento, as aulas nas redes públicas e particulares de ensino mantêm-se suspensas por tempo indeterminado, impossibilitando que seja possível prosseguir com a referida pesquisa.

(34)

escola em tempo integral, existem reuniões de planejamento semanais com os professores e funcionários, mas também com o grêmio estudantil que é muito presente e ativo no processo construtivo e social da escola, colaborando para uma boa convivência e comunicação entre o corpo docente e discente da instituição. De acordo com os dados citados no Projeto Político Pedagógico (2015), a escola tem em seu corpo estudantil, cerca de 1.700 alunos, de todas as regiões da cidade de Natal. No PPP da instituição, é possível notar que existe uma ampla preocupação com o desenvolvimento teórico e prático dos estudantes, clarificando e unindo-se com a perspectiva deste trabalho, em que se empenham em manter as bases e consolidar a reciprocidade teórico-prática através do diálogo com os estudantes.

Ao considerarmos a dinâmica de uma escola como o Winston Churchill, que faz parte de uma das escolas mais tradicionais e antigas de Natal, e ainda possui uma carga horária integral, é importante atentar sobre como o alunado da instituição responde a isso, e em especial como a prática coral é impactada e vista na escola. Os alunos entram na escola às 7h30 da manhã e saem às 17h00, sendo assim, tem uma carga horária de quase 10 horas diárias, totalizando cerca de 50 horas semanais. Dentro das 50 horas semanais, eles têm os ensaios do coral, que ocorrem uma vez por semana, das 13h20 às 15h00, ou seja, das 50 horas semanais que eles têm, apenas 1h40 são dedicadas ao ensaio do coro, e é justamente neste momento em que eles têm a chance de se desligar das disciplinas curriculares e imergir sob a prática musical.

Para além da carga horária escolar, é necessário trazer à tona que muitos destes estudantes estão em fase de vestibular; outros já percebem uma pressão social sobre o que “vão ser” quando terminarem a escola; alguns tem problemas de ansiedade e depressão; outros emergem de uma situação socioeconômica muito delicada, por vezes nem tendo o dinheiro da passagem para ir às aulas. Obviamente, que ao tratarmos de uma perspectiva coral os fatores supracitados irão impactar – em menor ou maior grau a depender do aluno -. E, não obstante a tal realidade, é natural que tais questões interfiram nos ensaios, cabendo a mim como professora e regente do grupo buscar compreender a realidade e junto à gestão escolar propormos saídas ao desenvolvimento dos cantores. Por isso, é relevante concordar com Costa (2018):

É, dessa forma, premente pensar que um dos princípios norteadores da educação formal consiste na construção de um olhar crítico e reflexivo sobre o mundo, por meio do conhecimento e das análises dos fenômenos históricos, da participação política e das interações socioculturais. Nesta direção, é necessário ressaltar que, no âmbito da

Referências

Documentos relacionados

Para analisar as Componentes de Gestão foram utilizadas questões referentes à forma como o visitante considera as condições da ilha no momento da realização do

Neste estudo foram estipulados os seguintes objec- tivos: (a) identifi car as dimensões do desenvolvimento vocacional (convicção vocacional, cooperação vocacio- nal,

segunda guerra, que ficou marcada pela exigência de um posicionamento político e social diante de dois contextos: a permanência de regimes totalitários, no mundo, e o

Declaro que fiz a correção linguística de Português da dissertação de Romualdo Portella Neto, intitulada A Percepção dos Gestores sobre a Gestão de Resíduos da Suinocultura:

dois gestores, pelo fato deles serem os mais indicados para avaliarem administrativamente a articulação entre o ensino médio e a educação profissional, bem como a estruturação

Para preparar a pimenta branca, as espigas são colhidas quando os frutos apresentam a coloração amarelada ou vermelha. As espigas são colocadas em sacos de plástico trançado sem

To demonstrate that SeLFIES can cater to even the lowest income and least financially trained individuals in Brazil, consider the following SeLFIES design as first articulated

the human rights legislated at an international level in the Brazilian national legal system and in others. Furthermore, considering the damaging events already