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Da prática à teoria: entrevistas aplicadas a rodas de conversa e a sua eficácia para o ensino-aprendizagem / From practice to theory: interviews applied to conversation circles and their effectiveness for teaching-learning

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Academic year: 2020

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Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 3, p. 14325-14330 Mar.. 2020. ISSN 2525-8761

Da prática à teoria: entrevistas aplicadas a rodas de conversa e a sua

eficácia para o ensino-aprendizagem

From practice to theory: interviews applied to conversation circles and

their effectiveness for teaching-learning

DOI:10.34117/bjdv6n3-341

Recebimento dos originais: 06/03/2020 Aceitação para publicação: 23/03/2020

Ana Cláudia Coelho Brito

Mestre em Educação pela Universidade Internacional de Lisboa Professora da Universidade de Fortaleza

Av. Washington Soares, 1321, Bloco H. Bairro Édson Queiroz, Fortaleza-CE E-mail: [email protected]

Yara da Silva Rodrigues

Graduanda em Psicologia pela Universidade de Fortaleza

Av. Washington Soares, 1321, Bloco H. Bairro Édson Queiroz, Fortaleza-CE E-mail: [email protected]

Susana Vasconcelos Acioli Lins Rocha

Mestre em Psicologia pela Universidade de Fortaleza

Av. Washington Soares, 1321, Bloco H. Bairro Édson Queiroz, Fortaleza-CE E-mail: [email protected]

Thiago de Cavalcante Alencar Soares

Graduando em Psicologia pela Universidade de Fortaleza

Av. Washington Soares, 1321, Bloco H. Bairro Édson Queiroz, Fortaleza-CE E-mail: [email protected]

RESUMO

O presente trabalho foi fruto de uma experiência desempenhada na disciplina de Psicologia da adolescência, vida adulta e velhice. Essa busca entender se as metodologias de entrevista e roda de conversa contribuem para o ensino-aprendizagem do aluno de fato, pois esses métodos são recorrentes em várias disciplinas. Então, para uma melhor compreensão acerca do tema citado, neste trabalho contamos com um formulário online que foi disponibilizado para os alunos da disciplina que continham um molde de cunho quantitativo e qualitativo. Conclui-se que os métodos estudados são ferramentas importantes para a efetividade do ensino-aprendizagem para os alunos.

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Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 3, p. 14325-14330 Mar.. 2020. ISSN 2525-8761

ABSTRACT

The present work was the result of an experience performed in the discipline of Psychology of adolescence, adult life and old age. This search seeks to understand if the interview and conversation methodologies contribute to the student's teaching-learning, as these methods are recurrent in several disciplines. So, for a better understanding about the mentioned theme, in this work we have an online form that was made available to the students of the discipline that contained a quantitative and qualitative template. It is concluded that the studied methods are important tools for the effectiveness of teaching-learning for students.

Keywords: Conversation wheel, Interview, Teaching-learning

1 INTRODUÇÃO

O presente artigo foi desenvolvido visando o projeto do programa de monitoria da Universidade de Fortaleza (UNIFOR), na conjuntura da cadeira de “Psicologia da adolescência, adulto e velhice”. Cujo objetivo é estudar e compreender as fases do desenvolvimento humano e como o indivíduo poderá enfrentá-las em cada circunstância das fases desenvolvimentais, levando em conta noções físicas do corpo, cognitivo, culturais e psicossociais do sujeito.

Em uma das últimas atividades do semestre foram solicitado aos estudantes da disciplina que realizassem uma entrevista semi-aberta em campo para entrar em contato com sujeitos de diversas fases do desenvolvimento levando em mãos um roteiro semi estruturado de perguntas que repercutem em cada fase. O objetivo da atividade era promover uma aprendizagem significativa, que segundo Ausubel (2003) é dada pela relação entre aprendizagem de materiais significativos — a aula expositiva de conteúdos — com a apresentação de material potencialmente significativo para os alunos — as experiências obtidas através da entrevista — para assim gerar nele uma aprendizagem significativamente

particular e única.

A atividade se baseou em três passos. A primeira etapa da prática era que os alunos se dividissem em grupos dos quais iriam ser sorteados qual sujeito deveria ser entrevistados pelo grupo, como por exemplo, um jovem adulto de 30 anos e classe social baixa.

A segunda parte pedia que o grupo realizasse uma pesquisa de natureza qualitativa a partir da técnica de entrevista, pois a partir desta metodologia pode-se obter respostas mais genuínas do que perguntas com somente alternativas (GODOY,1995). De acordo com Dias (2018), por adotarem meios mais flexíveis, permitem ao pesquisador e entrevistados um encontro mais viável para os membros envolvidos na pesquisa, assim, utilizando-se de

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Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 3, p. 14325-14330 Mar.. 2020. ISSN 2525-8761 informações mais subjetivas, desta forma, obtendo um estudo mais amplo e com maior riqueza de detalhes.

Por último, todo o processo foi exposto por meio da metodologia ativa chamada roda de conversa, que consiste em “um instrumento que permite a partilha de experiências e o desenvolvimento de reflexões sobre as práticas educativas dos sujeitos, em um processo mediado pela interação com os pares, através de diálogos internos e no silêncio observador e reflexivo”. (MOURA; LIMA, 2014). Em que os alunos puderam expor suas pesquisas e gerar uma discussão embasando teoricamente com os autores que foram estudados em sala, assim, proporcionando a experiência prática de conhecer como os sujeitos entrevistados pensam e se estão de acordo com o que foi estudado ao longo da disciplina. Ao final da atividade têm-se expectativa que a aprendizagem pastêm-se de algo tanto teórico direcionado a um embasamento prático, fazendo a aplicação da ideia de aprendizagem significativa.

Segundo Sampaio et al. (2014), as rodas de conversa podem ser utilizadas como instrumentos para a potencialização das discussões acerca de alguma temática e uma meio para a formação de opinião crítica ou a autoafirmação da mesma devido a estimular o debate. Então, a partir da atividade de entrevista embasada em uma metodologia de cunho qualitativo e pelas rodas de conversa, foi feita uma pesquisa quantitativa e qualitativa a partir de um formulário online para a obtenção de dados dos alunos, assim, visando comprovar a eficácia - ou não - para a aprendizagem por meio das atividades citadas.

2 METODOLOGIA

Para a construção deste trabalho, foi desenvolvida uma pesquisa de natureza quantitativa, por meio da obtenção voluntária da opinião de alguns estudantes através de um formulário online que foi disponibilizado para estes por intermédio de um grupo em um aplicativo de celular. Esse método quantitativo foi escolhido por ser objetivo, facilitando a compreensão dos dados através da análise matemática (FONSECA, 2002, p. 20).

Para a obtenção de opiniões sobre a efetividade da atividade de entrevista aplicada às rodas de conversa influenciam de forma positiva, também contamos com o auxílio da pesquisa de natureza qualitativa para colher respostas dos entrevistados como uma forma de alcançar dados mais subjetivos e, propriamente, se a prática conquistou sucesso em seu processo de aprendizagem (DIAS,2000).

Dessa forma, o questionário apresentava dez questões: quatro a respeito do assunto estudado, com respostas objetivas e subjetivas que variavam de acordo com a pergunta, três

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Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 3, p. 14325-14330 Mar.. 2020. ISSN 2525-8761 acerca da disciplina como um todo, e três de caráter identificatório, contendo apenas idade, gênero e turma na qual o aluno estava matriculado.

Somando um total de 36 participantes: 80,7% do sexo feminino e 19,3% do sexo masculino; com faixa etária de 19 a 45 anos, sendo a maior parcela constituída por jovens de e 21 anos (27,6%) e 22 anos (20,7%). Desse total 63,9% estudam pela manhã e 36,1% à tarde, todos alunos de Psicologia e cursando a disciplina de Psicologia da Adolescência, Adulto e Velhice.

Ademais, para a revisão e enriquecimento dos dados obtidos, foi utilizado, também, uma revisão bibliográfica de cunho explicativo e exploratório.

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

A primeira pergunta de nosso formulário indagava ao entrevistado o seguinte questionamento: “Senti que a oportunidade de fazer entrevista em campo para realizar atividade na disciplina contribuiu com a minha aprendizagem”. Então respondia-se em cinco alternativas, no entanto para a resposta negativa era marcado a opção 1 a 2, a resposta neutra a alternativa 3 e para as respostas positivas 4 e 5, levando em conta: Discordo totalmente ou Concordo totalmente. Em seguida, tinham-se que se dar uma justificativa ao item marcado. O questionamento contou com uma grande parcela das respostas de modo positivo a pergunta (80,5%), enquanto se tinha poucos resultados negativos (8,3%) e também com poucas respostas neutras (11,1%). Contudo, quando nos debruçamos nas respostas que eram marcadas como “sim”, visando a justificativa do item, chegava-se a um mesmo elemento em comum: pode-se obter sucesso em encontrar a teoria na prática pelas entrevistas realizadas em campo.

De acordo com Bettoi e Simão (2002), a entrevista em campo realizada no curso de psicologia, pode proporcionar um ensino-aprendizado e apropriação da teórica através da experiência vivencial, pois a partir do diálogo entre o entrevistado e o entrevistador, pode-se obter dados significativos acerca do assunto em pauta.

Partindo desse pressuposto, para fortalecer a ideia que está sendo exposta aqui, contaremos com algumas respostas obtidas dos alunos, colhidas a partir do formulário: “Ter contato direto com o assunto dado em sala traz mais clareza no conteúdo e podemos observar de fato a realidade além do conhecimento teórico.”; “Contribuiu, porque foi uma oportunidade de ver na prática aquilo que estudamos na teoria, além de debater sobre o assunto.”

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Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 3, p. 14325-14330 Mar.. 2020. ISSN 2525-8761 O segundo questionamento segue do mesmo molde da primeira pergunta, onde se pede para marcar um item e justificar a alternativa marcada, considerando a mesma síntese das opções 5 a 4 para concordo, 3 como neutro e 2 a 1 para discordar. A segunda pergunta feita no formulário era a seguinte indagação: “Senti que a dinâmica da roda de conversa (discutir essas entrevistas em sala de aula) contribuiu com a minha aprendizagem.”

A indagação contou com respostas a favor da metodologia, contando com 80,5% resultados positivos. Já os resultados negativos somaram 13,9% das respostas obtidas e os dados neutros somaram 8,3%.

Os alunos quando tiveram que justificar sua alternativa marcada deram as mais variadas respostas, tais quais como: “creio que as rodas de conversa são maravilhosas para conhecer novos pontos de vista e diálogos diferentes da sua própria opinião, abrangendo ainda mais uma compreensão maior de um certo tema/caso.”; “Pois pude ouvir um pouco do ponto de vista vista das outras pessoas sobre os assuntos debatidos, o que enriquece o aprendizado.”

Sampaio et.al(2014) ressalta o que o discurso dos alunos repete quando diz que:

“Advoga-se por um lado que a roda de conversa é mais que disposições circulares de cadeiras e, por outro, que é um modo crítico de pensar os papéis socialmente construídos transversalizados pelas históricas e desiguais relações de classe, gênero e etnia. Por fim, com ele, busca-se reafirmar o compromisso com espaços que possibilitem o inesperado das vozes divergentes. Apontando tal fertilidade discursiva, é possível produzir um olhar sobre as rodas de conversa como estratégia metodológica, engajada na ação pedagógica-transformadora.” (p.1)

Portanto, pode-se compreender, de acordo com os dados coletados e os discursos dos alunos obtidos nessa pesquisa, que a atividade realizada foi satisfatória e eficaz para o processo ensino-aprendizagem destes.

4 CONCLUSÃO

Por se tratar de uma disciplina que estuda o desenvolvimento humano, a escolha da atividade analisa foi, de fato, produtiva, pois, as entrevistas diversas fases do desenvolvimento, os alunos puderam de fato interligar os assuntos estudados em sala de aula à prática de vivência de seus entrevistados, provocando assim uma aprendizagem significativa. Portanto, foi possível concluir que efetivamente que os métodos de entrevista e a metodologia ativa das rodas de conversas, como forma de pesquisa e discussão do

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Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 3, p. 14325-14330 Mar.. 2020. ISSN 2525-8761 conhecimento obtido, foram de fato eficazes para a aprendizagem dos alunos da disciplina. Estes, em sua grande maioria além de terem gostado de participar da atividade, afirmaram veementemente que tal atividade pôde trazer uma perspetiva prática para toda a teoria estudada em sala de aula.

Tais resultados aqui concluídos já eram esperados, pois através da revisão bibliográfica pode-se perceber que essas técnicas verdadeiramente já possuem eficiência constatada anteriormente, e em nossa pesquisa, aplicada à psicologia, não foi diferente, obteve sucesso igualmente.

REFERÊNCIAS

AUSUBEL, David P.. Aquisição e Retenção de Conhecimentos: Uma Perspectiva

Cognitiva. Lisboa: Plátano, 2003.

BETTO, Waldir; SIMÃO, Lívia Mathias (Comp.). Entrevistas com Profissionais como

Atividade de Ensino-Aprendizagem Desejável na Formação do Psicólogo. São Paulo:

Curso de Pós- graduação em Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2002. Disponível em:

<http://www.scielo.br/pdf/%0D/prc/v15n3/a15v15n3.pdf>. Acesso em: 05 ago. 2018. DIAS, Cláudia Augusto. GRUPO FOCAL: técnica de coleta de dados em pesquisas

qualitativas. Disponível em

<http://www.periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/ies/article/view/330/252>. Acesso em: 05 ago. 2018. FONSECA, João José Saraiva. Metodologia da pesquisa científica. Fortaleza: UECE, 2002.

GODOY, Arilda Schmidt. Pesquisa qualitativa: tipos fundamentais. Rev. adm. empres., São Paulo , v.35, n.3, p.20-29, June1995. Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-

75901995000300004&lng=en&nrm=iso>. accesso 13Aug.2018. http://dx.doi.org/10.1590/S0034-75901995000300004.

MOURA, Adriana Ferro; LIMA, Maria Glória. A REINVENÇÃO DA RODA: RODA DE CONVERSA: UM INSTRUMENTO METODOLÓGICO POSSÍVEL. Revista Temas em

Educação, João Pessoa, v. 23, n. 1, p.98-106, jan.-jun. 2014.

SAMPAIO, Juliana et al. Limites e potencialidades das rodas de conversa no cuidado em saúde: uma experiência com jovens no sertão pernambucano. Interface - Comunicação,

Saúde, Educação, [s.l.], v. 18, n. 2, p.1299-1311, dez. 2014. FapUNIFESP (SciELO).

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