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ARIANE MENDES DA SILVA

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Academic year: 2021

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CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS CURSO DE HISTÓRIA BACHARELADO

ARIANE MENDES DA SILVA

OS ACORDOS DE WASHINGTON: NARRATIVAS DE JORNAIS SOBRE A AMAZONIA OCIDENTAL BRASILEIRA

RIO BRANCO ACRE

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ARIANE MENDES DA SILVA

OS ACORDOS DE WASHINGTON: NARRATIVAS DE JORNAIS SOBRE A AMAZONIA OCIDENTAL BRASILEIRA

Trabalho apresentado à Universidade Federal do Acre como requisito para obtenção do grau de bacharelado em História.

Orientador: Prof. Dr. Eduardo de Araújo Carneiro

RIO BRANCO ACRE

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Dedico este trabalho a minha querida E dedicada mãe que me incentivou E apoiou nos momentos difíceis sendo mãe e pai.

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AGRADECIMENTOS

A Deus, por ter conseguido concluir este trabalho, me sustentando.

Ao prof. Dr. Eduardo de Araújo Carneiro, pela dedicação e compromisso durante esses quatro anos, se mostrando

compreensivo nos momentos difíceis. Sua orientação foi fundamental. Desde a escolha do tema até a conclusão.

A minha família e amigos,

Por acompanhar-me durante essa caminhada, em especial Denise Gama.

Aos professores do curso,

pelo conhecimento adquirido, em especial aos professores Dr. Francisco Bento, Enock Pessoa e Sérgio Roberto.

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INTRODUÇÃO...07

CAPÍTULO I O BRASIL NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL E ASSINATURA

DOS ACORDOS DE WASHINGTON

...09

1.1 O Brasil e a Segunda Guerra no ano de

1942...09

1.2 A assinatura dos Acordos de

Washington...18

CAPÍTULO II OS ACORDOS DE WASHINGTON E A PRODUÇÃO DA BORRACHA NA AMAZÔNIA BRASILEIRA...23

2.1 Uma análise textual dos Acordos de

Washington...23

2.2 As implicações dos Acordos de Washington para à Amazônia ...34

CAPÍTULO III NOTÍCIAS SOBRE OS ACORDOS DE WASHINGTON NOS

JORNAIS CARIOCAS EM 1942...40 3.1 Jornal A Noite...40 3.2 Jornal Correio da Manhã...45 CONSIDERAÇÕES FINAIS...50 REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS...52

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RESUMO

A presente monografia tem por objetivo analisar os sentidos que os jornais carioca A noite e Correio da Manhã deram aos Acordos de Washington em 1942, principalmente no que diz respeito à produção da borracha na Amazônica. Tais Acordos foram amplamente divulgados pela impressa nacional e internacional. No entanto, para fins deste estudo, limitou-se o corpus à apenas dois jornais. Este trabalho está inserido teoricamente nas discussões sobre história política realizadas por autores da terceira geração dos Annales.

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INTRODUÇÃO

O presente trabalho de pesquisa tem como tema a repercussão dos Acordos de Washington sobre a produção da borracha na Amazônia em matérias publicadas nos jornais cariocas A noite e Correio da Manhã no ano de 1942. O objetivo foi analisar a forma como tais Acordos foram retratados pelos mencionados jornais.

A escolha desses dois periódicos aconteceu por serem os que mais atenderam às expectativas dessa pesquisa. Os jornais foram adquiridos através de pesquisas online no

site da Hemeroteca digital1. Com relação aos Acordos, muitos foram adquiridos através

de e-mails com os responsáveis pelo acervo histórico do Itamaraty, outros por meio de pesquisas online.

Ainda há necessidade de investigar como aconteceu o processo de elaboração e execução desses Acordos pelos governos norte americano e brasileiro. Por conta disso, iremos compreender a conjuntura nacional e internacional diante da crise da borracha para os países Aliados durante a Segunda Grande Guerra.

Este estudo também pretende renovar o interesse pelo assunto, visto que a historiografia nacional enfatizou a produção da borracha, a vida e o cotidiano dos soldados da borracha, secundarizando os Acordos firmados em 1942. E foi isso que levou-me a pesquisar o assunto.

A pesquisa trabalhou com jornais, pois há poucos autores que tentaram realizar trabalhos nesse sentido. Quisemos descobrir resultado dessa pesquisa manifestou como as relações políticas e diplomáticas entre o governo brasileiro e o norte-americano foram retratados pelos meios de comunicação da época, em especial A Noite e Correio da Manhã.

São vários os trabalhos que tratam sobre o segundo surto da borracha e os extratores da hevea brasiliense na Amazônia, analisam a importância da borracha para a vitória da causa Aliada, o caráter propagandistas dos Acordos de Washington, e tantos outros aspectos. Ao final, pudemos constatar que os jornais da época divulgaram os Acordos de Washington como um grande passo para o desenvolvimento econômico do Brasil.

O tema foi adequado à história política, pois abordou as relações entre Brasil e Estados Unidos no que diz respeito aos Acordos realizados entre as duas nações.

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Com relação à metodologia de pesquisa e das fontes para a obtenção dos dados, foi utilizado duas modalidades: Pesquisa Documentada e Pesquisa Bibliográfica. E analisados conforme cronograma.

Durante o trabalho também utilizei documentos escritos ou digitalizados que serviram como fonte de dados. A consulta se deu em jornais, documentos legais, livros que tratam sobre o tema, arquivos do período de 1942.

Os métodos utilizados para a realização da pesquisa foi descritivos e explicativos. Descrever o que aconteceu no período de 1942, pois é o período que os Acordos de Washington entraram em vigor e em destaque na imprensa.

No que diz respeito aos procedimentos técnicos, os métodos envolveu pesquisa bibliográfica, históricas e teóricos, além de documentos digitalizados como é o caso dos jornais A Noite e Correio da Manhã entre o período da pesquisa.

No primeiro capítulo o foco é os anos de 1942, analisamos como a Segunda Guerra Mundial realmente se tornou mundial, envolvendo outros continentes como América e Ásia. E ainda entender quais foram os fatores que colaboraram para a entrada do Brasil na guerra.

Estudamos o texto dos Acordos, analisar os trechos que versam sobre a produção da borracha e mencionar alguma das consequências sociais, humanas e econômicas para a Amazônia. Expondo também que não eram apenas sobre borracha, e assim se constituir o segundo capítulo.

Por fim analisamos a repercussão dos Acordos de Washington nos dois diários cariocas do período de 1942, O Jornal A Noite e Correio da Manhã.

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CAP. 1 ACORDOS DE WASHINGTON (1942): O CONTEXTO HISTÓRICO

1.1 O Brasil na Segunda Guerra Mundial

A chamada Segunda Guerra Mundial foi um dos fenômenos mais trágicos da história da humanidade, devido ao seu poder destrutivo que redundou em mais de sessenta milhões de mortes de seres humanos. Ela teve início em 1939 e terminou em 1945, e abrangeu geograficamente quase todos os continentes. Por isso é que o Eric Hobsbawm(1995) afirma que ela foi a experiência histórica mais próxima do que podemos rotular como um conflito militar total e global. Onde todas os continentes envolveram-se, já que tinham interesses direto ou indiretamente, muitas vezes de manter sua própria soberania local.

O período que antecedeu a guerra foi marcado na Europa pela crise do liberalismo econômico, pela grande depressão, pela ascensão do nazismo na Alemanha e do fascismo na Itália, além da proliferação de partidos comunistas e sindicatos de inspiração marxista por toda a Europa. As causas da guerra foram diversas, no entanto, pode-se dizer que a disputa por mercados e áreas de influência entre países capitalistas desenvolvidos foi a principal.

A Alemanha, país protagonista na inicialização da guerra, praticamente dominou a Europa em menos de dois anos, não conseguindo, no entanto, invadir a Inglaterra, entretanto países como a Polônia, Noruega, Bélgica, Holanda, e vários outros ficaram arrasados. Esses estados eram essenciais para a Alemanha, manter-se dominante na Europa e futuramente investir contra a Inglaterra. Assim, tornando-se realmente uma potência, e garantir sua independência econômica.

Vários países europeus “neutros” exportavam parte dos seus recursos minerais para a Alemanha, ou eram os intermediários, evitando assim o controle inglês. O mapa político e geográfico da Europa sofreu profundas alterações, novos estados foram criados, outros foram incorporados aos impérios já existentes, estabeleceu novas fronteiras entre os países que se mostrarão instáveis.

A partir de 1941, as potencias do eixo, Alemanha, Itália e Japão, instauraram uma “nova ordem” no continente, tendo de enfrentar resistência civil, esse período é marcado pelo domínio do bloco no “velho mundo”.

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MAPA 1 – Conquistas alemãs na Europa, 1939-1942

Fonte: US Holocaust Memorial Museum

No mapa, podemos ver que a Alemanha protagonizou várias investidas e uma série de guerras rápidas, de modo que conquistou quase toda a Europa em menos de dois anos e alterando relações políticas e até fronteiras geográficas.

A França, assim como os Países Baixos, sofreu uma surpreendente derrota das tropas alemães. O temor da Inglaterra era a incorporação da esquadra francesa à marinha de guerra alemã, assim colocando em perigo toda a ilha britânica. Sabemos que os confrontos marítimos eram tão intensos quanto os terrestres, os bloqueios

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marítimos eram essenciais para atingir o inimigo e se mostravam muitas vezes decisivos, na guerra.

Os ingleses seriam os próximos alvos, e no início de 1941, o sul do país sofreu intenso bombardeio, se preparando uma possível invasão alemã. Enquanto isso os Estados Unidos enviaram toneladas de suprimentos a aliada Inglaterra, muitas vesses sofrendo ataques de submarinos inimigos.

Enquanto Alemanha conquistava espaço territorial na Europa e África, o Japão, que em anos anteriores passou por um processo muito rápido de industrialização e modernização, levou a guerra para o domínio do extremo Oriente.

A Alemanha diante da situação aproveitou para ampliar o seu território colonial invadindo terras que faziam parte da área de influência de outras potências capitalistas, como Inglaterra e Estados Unidos. Como comenta Vizentini (1989), o Japão era um país em ascensão, e como uma grande potência, também necessitava garantir a oferta de matéria prima necessárias às suas indústrias.

Foi assim que a Alemanha manteve exércitos na China e atacou Pearl Harbour em fins de 1941, uma base militar norte-americana situada no Havaí. Isso foi uma afronta aos interesses iaques e serviu como uma “gota d’água” para o ingresso dos EUA na guerra contra o Eixo. Uma vez que o fato mobilizou a opinião pública e estimulou o apoio civil ao governo do presidente Franklin Delano Roosevelt.

Assim, a importância de Pearl Harbour, foi mais política do que militar, sendo que as perdas sofridas foram logo restituídas. Sem ou com Pearl Harbour os Estados Unidos declarariam beligerância. Para completar, logo em seguida, o Japão invadiu a Malásia, principal fornecedora de borracha à indústria norte-americana, assim os nipônicos explora a vantagem inicial e consegue ocupar grande parte da Ásia, fazendo com que as derrotas do exército inglês e norte americano nessa região fossem grandes. A partir de 1941, com o ataque japonês a Pearl Harbour, e a tentativa de invasão alemã à extinta União Soviética, então a guerra adquiriu um status mundial e total.

Com a invasão da Malásia, os Aliados perderam uma das maiores zonas produtoras de borracha natural. O temor de que a guerra se prolongasse por muito tempo e acabasse com o estoque da goma foi o principal motivo pelo qual os EUA

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procurassem o Brasil a fim de firmar um acordo que reativasse os seringais da Amazônia.

A solução para uma possível crise de demanda da borracha estava nas seringueiras distribuída por toda a Amazônia e América Central. Desta forma, as atenções do governo norte americano se voltaram para o maior reservatório natural de borracha, que seria capaz de suprir as necessidades dos aliados por borracha.

A ofensiva alemã continuava, depois de vencerem os ingleses no Norte da África, o domínio dessa região dava uma vantagem estratégica para os países do eixo, além de ser uma área de ligação direta com a América. Segundo Ferraz (2005), o ponto mais ocidental da África, na colônia francesa de Senegal, pouco mais de duas mil milhas separavam a cidade senegalesa do ponto mais oriental da América do Sul, poderiam ser percorridas, por aviões, em oito horas.

Como podemos ver, essa região era um importante território que poderia ser usado para possíveis investidas contra a América e, consequentemente, contra os Estados Unidos. Não podemos mais considerar a distância como um fator que impeça os confrontos internacionais, a globalização da guerra está estreitamente ligada as mudanças trazidas pela Revolução Industrial, fazendo dos obstáculos naturais, e a distância entre os continentes tornassem insignificantes. Assim, as vitorias alemãs na Europa e o incontestável domínio do Eixo, aumentava a importância estratégica do Brasil como fornecedor de matérias primas.

O perigo mais iminente para o Brasil não partia do Eixo, mas das ameaças norte americanas de invadir o nordeste brasileiro caso o país, não permitisse o estabelecimento de bases militares americanas, a exemplo da instalada no Rio Grande Norte.

Logo a Guerra chega a América do Sul, no período, o Brasil era governado pelo presidente Getúlio Vargas, que ficou conhecido como Estado Novo (1937-1945) e que fora marcado pelo autoritarismo político, pelo nacionalismo ideológico e pelo discurso anticomunista. Tais características eram muito similares ao do nazismo alemão, motivo pelo qual a imprensa da época denunciava a proximidade entre o presidente brasileiro e Adolf Hitler.

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As semelhanças entre o governo ditatorial de Vargas e vários regimes instalados em países da América Latina e Europa foram evidentes, entretanto o namoro com o nazismo foi uma preocupação da parte norte-americana. Na Alemanha, as ideias do Partido Nacional Socialista ganharam muitos adeptos principalmente junto a camada menos abastada, e sem perspectivas, influenciados pelos discursos de Adolf Hitler a Alemanha inauguraria uma nova fase.

No Brasil Vargas também tinhas planos de fazer do país a maior potência sul-americana (BARRONE, 2013). Nos moldes fascistas implementou medidas de cunho nacionalista. Uma das mais populares dessas ações foi a destruição dos símbolos locais, estaduais e municiais, a partir de então foi inaugurado um verdadeiro culto aos símbolos nacionais.

Não bastasse isso, as relações comerciais com a Alemanha estava crescendo muito mais do que Brasil e EUA. Os vizinhos do norte continuaram apostando no livre comércio, um acordo entre os países latinos para aumentar as relações comercias, assim eliminando tarifas na importação e exportação de bens. A América Latina em geral, e em especial o Brasil, mostra-se um significativo mercado fornecedor de matérias-primas e consumidor de produtos manufaturados.

Os Estados Unidos já consideravam toda a América como sua área de influência desde a chamada Doutrina Monroe do século XIX, conhecida pela enigmática frase “América para os americanos”. Segundo Alves (2002) com o ingresso dos EUA na guerra, forçoso seria o ingresso de todos os países da América em apoio aos Estados Unidos, caso contrário, a posição de neutralidade seria vista como um ato de represaria aos interesses e decisões do governo de Roosevelt e como um ato de apoio aos interesses do Eixo.

Portanto, não havia muita margem para escolhas, muito menos para o discurso vazio de “neutralidade”. Dava-se o “direito” de se manter neutro apenas aos países que não era estrategicamente interessante aos países beligerantes. Isso nada tinha a ver com o direito internacional dos países em se manter ou não na guerra.

A imparcialidade não era isenção de interesses, mas uma declaração informal de guerra. Por exemplo: a Espanha oficialmente se dizia neutra, mas colaborou com o Eixo

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enviando tropas para lutar contra os soviéticos. Desta forma manter-se em uma situação apartidária se tornou uma missão quase impossível.

De modo geral, a América Latina teve um papel secundário, mas importante, com exceção do Brasil que mandou soldados para lutar no front de batalha na Itália, os países latinos acabaram fornecendo matérias primas para os dois blocos.

Um ótimo exemplo dessa participação foram os chamados Acordos de Washington 1942, no qual o Brasil se comprometia em fornecer matérias primas essenciais para a guerra moderna, que serão tratados logo adiante. Os Estados Unidos queriam dos países latinos, mais que um mero apoio político, queria exclusividade em relação ao comércio, e o mais importante usar as bases militares latinas. Alves (2002).

Até 1939, o Brasil desenvolveu com o Eixo o chamado comércio compensado, isto é, o Brasil fornecia matérias primas e a Alemanha produtos industrializados. Esse tipo de comercio não utiliza moeda para a intermediação das mercadorias. O objetivo do governo Vargas em adquirir tais produtos que naquele momento seriam necessários para o país, como também a esperança de equipar com armas modernas o exército nacional.

Vargas foi pressionado por todos os lados para apoiar o comércio com os Estados Unidos na figura de Oswaldo de Aranha, como em inclinar-se pro Aliados, Aranha de Washington exigiam que vetasse o Acordo de compensação com a Alemanha e o controle de câmbio, enquanto que o congresso nacional movido por sentimentos nacionalistas resistiam a reciprocidade com Washington. (BANDEIRA, 1978, p.243).

Apresar de todas a divergências internas do país os dois acordos se cumpriram. Uma recursa ao Acordo de compensação com a Alemanha prejudicaria a economia do país, pois esta comprava muitos produtos que os Estados Unidos não importavam, principalmente dos produtores do Sul.

Para a Alemanha continuar suas atividades industriais “aquecidas”, eram necessárias matérias primas. A própria Alemanha não poderia suprir todas as suas necessidades primarias, estas já há muito negadas pela União Soviética, nesse momento a América Latina se torna uma parceiro importante, onde o Brasil era o principal alvo.

O principal parceiro comercial do Brasil continuava sendo os Estados Unidos, mas esse incapaz de absorver o excedente da produção, abriu passagem para o então

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governo Vargas manter um jogo duplo, que foi extremamente vantajoso. O país mantinha relações comerciais com os dois blocos de poder em ascensão, oficialmente somente com Washington, mas sorrateiramente todo o excedente era negociado com o Eixo. As relações desenvolvidas com a Alemanha foram muito satisfatórias para os dois países, e o Brasil manteve sua inclinação pró Eixo até quando pôde. Alves (2002).

Claro que as relações Brasil – Alemanha incomodam aos Estados Unidos, mas era tolerável, pois publicamente o país era parceiro dos norte-americanos, ou seja, o acordo principal era com o livre comércio. Sendo que o propósito era fazer com que o país aderisse ao bloco, por sua influência e importância estratégica. A Alemanha mesmo desenvolvendo um vantajoso comércio com o Brasil, não demonstrava querer manter tal relação a longo prazo, era mais para resolver as necessidades emergências da indústria e da guerra.

Com a crescente rivalidade entre os dois blocos de poder e a pressão externar exercida pelos Estados Unidos, o Brasil se viu obrigado a “escolher” um lado. O país se mantinha resoluto em continuar “neutro”, isso porque os Estados Unidos se mostravam incapazes de garantir o fornecimento de produtos industriais, bem como material bélico para o exército nacional. Segundo Alves (2002), por mais irônico que pareça as únicas armas que os Estados Unidos enviaram para o Brasil eram de origem alemã.

As encomendas, pagas pelo Brasil através do comercio compensado antes do início da guerra na Europa, estavam tendo dificuldade de chegar ao país, devido à irredutibilidade britânica em permitir que armas alemães furassem seu bloqueio naval. Graças a prestigiosa ajuda diplomática norte-americana, a artilharia Krupp pôde chegar ao Brasil. (ALVES, 2002, p.129)

Devido ao fato de os países que compunha o Eixo expandirem o domínio territorial europeu com muita rapidez era necessário para os Aliados manter o apoio dos

países latinos a causa. A política da Boa Vizinha2 foi fundamental para isso, e supriu os

interesses norte-americano a respeito da América Latina, que assumir o papel de “quintal” norte americano. Maioria “consentiu” a construção de bases militares

2 Política da Boa Vizinha é a ideia de “cooperação interamericana”, assim visando desenvolver as

relações comerciais e culturais no sentido de incentivar a solidariedade e aprofundar o espirito de cooperação entre as Américas no interesse da defesa do hemisfério. Foi responsável pela aproximação entre os Estados Unidos e os países Latinos.

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americanas em território nacional, além de fornecer insumos necessários para os Aliados. “A boa vizinhança correspondia à necessidade de manter em calma o quintal enquanto se pelejava nas ruas”. (BANDEIRA, 1978, p.247).

Era essencial para os Estados Unidos que o Brasil se alinhasse ao bloco dos Aliados, pois este além de exercer influência na América Latina, também dispunha de comunicação aérea direta com a Europa e a África, através do Nordeste brasileiro. Através desse ponto de ligação com os dois continentes, era possível bombardear o canal do Panamá, e ainda realizar ataques ao território norte americano, o que serviu de argumento para que os diplomatas americanos pressionassem o governo brasileiro a aderir aos Aliados.

Enquanto os acordos com os Americanos seguem a questão da usina siderúrgica estava posta, os vizinhos do norte não tinham o menor interesse em atender ao pedido de Vargas, muito menos em permitir que o governo a conseguisse por outros meios. (BANDEIRA, 1978, p. 266.) a lealdade do Brasil tinha preço, além de promessas deveria ser pago, e cedo ou tarde os ianques compraram concedendo crédito para a siderúrgica. Além disso, Souza e Costa negociou a encampação da estrada de ferro-de-ferro Vitória-minas, jazidas de ferro-de-ferro da Itabira, programa destinado a extração da borracha e maquinas para a siderúrgica.

Roosevelt estava consciente da situação. Se o Brasil aceitasse o oferecimento da Krupp para a instalação da siderúrgica, observou Welles, a Alemanha predominaria, por muitos anos, sobre a sua vida econômica e militar. E estaria aberta a porta para a invasão do Continente pelos nazistas...Em 06 de julho, o Embaixador Carlos Martins informou que o governo americano agora estava interessado em negociar, o quanto antes, a questão da siderúrgica. (BANDEIRA, p. 270 à 272).

Getúlio Vargas sabia que deveria ser diplomático, e dificilmente manteria o Brasil neutro por muito tempo, e por conta das relações com os americanos e geograficamente a localização do Brasil, uma aliança com o eixo seria muito difícil. Assim soube fazer um jogo duplo benéfico e necessário para o período. Então o governo dos Estados Unidos assegurou um crédito de 20 milhões de dólares para a questão da siderúrgica. A guerra bateria as nossas portas cedo ou tarde.

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Diferente de Alves que não expõe muito a participação popular em prol dos Aliados, Santos (2006), atribui o envolvimento do Brasil na guerra, não só ao jogo diplomático entre os dois países e consequentemente os interesses por trás, mais ao apelo popular. Isso depois de alguns navios brasileiros serem afundados por tropas alemães.

A partir desse episódio houve um apoio da população para a entrada do Brasil na guerra, já não havia mais motivos para permanecer neutro.

O momento era tenso e todos os brasileiros cooperaram. Além da convocação dos efetivos e dos reservistas, militares coube uma parcela de responsabilidade a população civil. As mulheres se engajaram treinamento em hospitais para serem enfermeiras de guerra, e nas escolas os trabalhos envolviam temas como A Guerra, Os soldados, A Pátria, etc. Foram organizados grupos de jovens para discutir a participação da sociedade nos esforços de guerra... (SANTOS, 2006, p. 43).

Assim como na Europa, a guerra no Brasil tomou um apelo civil muito forte, que pressionou o presidente na sua decisão. O apoio ao envolvimento do país veio de todos os setores políticos, o apoio popular, não era por acaso, ou por ideologias semelhantes aos Aliados, este apoio veio a partir de meios de comunicação como o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP). Que se encarregou de informar e formar a consciência da população sobre a causa aliada.

Segundo Barrone (2013), o estopim para enfim o Brasil se aliar aos Aliados foram os naufrágios de navios brasileiros enquanto o país não estava em guerra, teoricamente naufrágios feitos pelos alemães. Há muitas teorias que apontam os norte-americanos como culpados. Mas sem ou com naufrágios a beligerância brasileira já estava decidida. Sendo que, a partir daí, o governo brasileiro, através de vários meios de comunicação, tratou de formar um sentimento de vingança na população brasileira.

O país aderir a guerra era algo dado por certo, entretanto como participar de uma guerra com uma proporção tão grande, com um poder bélico até então nunca usado. Devemos considera que o país não estava em condições de participar de tal empreitada, não disponibilizava de armamento, pessoal ou mesmo treinamento militar para realmente ser uma ameaça ao Eixo.

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Para Santos (2006), nesse momento o DIP, foi de fundamental importância, pois tinha o dever de engrandecer as Forças Armadas brasileira e idealizar nos soldados o sentimento de condição de lutar na guerra. O recrutamento para lutar na Itália ou ir para Amazônia nem sempre foi feito de forma voluntaria, houve muitos homens obrigados e outros iludidos com as propagandas feitas pelo governo de enriquecimento rápido, havia duas opções ou lutar e passar pelo perigo real na Itália ou ir para a Amazônia e contribuir grandiosamente para o esforço de guerra e com o bônus do enriquecimento “rápido e fácil”.

Assim o andamento de inserção do Brasil na Segunda Guerra Mundial foi um processo característico pela participação não só militar, mas principalmente diplomática, que, por sua vez, se mostrou ineficaz, levando em consideração que o Brasil foi forçado a ser beligerante em torno da causa Aliada.

Os Estados Unidos poderiam até tomar atitudes militares em relação a uma possível negativa em apoiar os Aliados, mas isso seria o último recurso, pois isso significaria manter tropas no Brasil que deveriam ir para a Europa, que era o centro da guerra. As possíveis represarias seriam parecidas com as tomadas contra a Argentina, que sofreu um bloqueio econômico, mas no caso o principal parceiro comercial dela era a aliada Inglaterra.

Claro que a neutralidade argentina não era bem vista pela Inglaterra, mas não poderia fazer muita coisa, precisavam da matéria prima exportada e não era inteligente tirar o foco do centro da guerra. A Alemanha foi a maior beneficiada, pois continuaria mantendo uma espécie de comércio compensado muito parecido com o do Brasil. Enfim o imperialismo ianque ganhou a batalha da diplomacia.

1.2 A assinatura dos Acordos de Washington

Quando os Estados Unidos declarou guerra à Alemanha, o Brasil não teve escolha a não ser oficialmente emprestar seu apoio aos americanos, e estreitar as relações entre os dois países para a manutenção do livre comércio.

Os acordos entre os Estados Unidos e o Brasil se intensificaram ainda mais. O Brasil ofereceu apoio as investidas ideológicas norte americanas sobre a América

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Latina, com as políticas de Boa Vizinhança, o american way of life3, todos amplamente divulgados pelos meios de comunicação. Não preciso dizer que todos os esforços feitos para essas políticas tiveram os efeitos esperados.

De acordo com Martinello (1985), a modernidade, baseada em grande parte nos veículos automotores, transformou a borracha em produto de grande necessidade, as grandes demandas da indústria de guerra se baseava principalmente em três produtos básicos o aço, o petróleo e a borracha. O aço e petróleo não eram o problema, mas a borracha. Pois a borracha sintética ainda não mostrava boa qualidade e precisava ser misturada com a natural para se ter os resultados esperados.

Com a tragédia de Pearl Harbour e a consequente extensão do conflito no Pacífico e no Índico, uma das consequências mais devastadoras para os Aliados, em especial para os EUA, foi a perda dos ricos seringais de plantio da Malásia, Borneo etc., responsáveis pelo suprimento da quase totalidade da goma elástica nos mercados ocidentais. Já no início de 1942 os japoneses tinham se apoderado de 97% das zonas produtoras da borracha, pondo em sério risco o esforço de guerra dos Aliados. (MARTINELLO, 1985, p.77)

Após a tomada dos seringais de plantio na Ásia pelos japoneses, o suprimento de borracha para os Aliados ficou em crise, levando em consideração que esses seringais supriam toda a necessidade de borracha tanto industrial como bélica, a perda destes, poderia significar grandes riscos a causa Aliada. A essa altura a Amazônia já tinha há muito perdido o mercado internacional e a capacidade de concorrer diretamente com as plantações de cultivo na Ásia.

Muitos autores transforma a participação da região amazônica na Segunda Guerra Mundial como algo decisivo para o conflito:

Alarmados pela extensão e intensidade do conflito no Pacífico e temendo um verdadeiro colapso civil e militar, em decorrência da falta do que era considerado o nervo da guerra, os EUA intensificaram ao máximo o seu programa de procura e compra da borracha, como também o seu programa de produção e pesquisa. (MARTINELLO, 1988, p. 83).

3

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O mencionado autor expressa uma série de dificuldades para a implementação de políticas de revigoramento dos seringais amazônicos, porém sem deixar o discurso grandioso sobre a necessidade de borracha amazônica. Acreditamos que os Acordos de Washington e, consequentemente, a produção da borracha nesse período não tenha sido insignificante, tanto que os Acordos de Washington não foram os primeiros tratados com relação a borracha durante a Segunda Guerra Mundial. Porem ficou longe de ser o “nervo da guerra”.

Em 14 de maio de 1941, o Brasil e os Estados Unidos assinaram um Acordo sobre insumos também feitos por trocas de notas, entre as matérias primas requisitados estava a borracha, sendo que este Acordo foi feito messes antes da tomada dos plantios de borracha na Malásia em 08 de dezembro de 1941.

Não podemos usar tal Acordo como “prova significativa” que os Estados Unidos realmente se interessaram pela borracha Amazônica, pois este tratado firmado em 14 de maio de 1941, possuiu mais conotação diplomática, pois foi uma forma de pressionar o governo de Vargas a cortar relações com o III Reich. Assim, tais Acordos tiveram importância não definitivamente como produto decisivo para a guerra, mais principalmente para forçar as relações políticas e econômicas brasileiras exclusivamente com os Aliados.

Muitos empecilhos estavam entre a necessidade de borracha por parte das atitudes imediatistas norte-americana e a capacidade produtiva das áreas desarticuladas da região amazônica. Não havia mão de obra que suprisse o trabalho, não havia transporte eficiente, o sistema de produção havia sido desarticulado há muito. A região estava incapaz de atender as expectativas e a busca de reorganizar a produção amazônica estavam além da capacidade do governo norte americano, dos seringalistas e do governo brasileiro.

Martinello (1988), expressa várias dificuldades para reorganização das unidades produtoras de borracha na Amazônia desde a mobilização de trabalhadores, a questão das distancias, à ordem logística como a estrutura das cidades que não apresentavam condições para abrigar os vários departamentos e repartições á exemplo Manaus etc. A Segunda Guerra Mundial caiu de paraquedas na Amazônia que estava na penúria. Porém o capital estrangeiro desconsidera qualquer empecilho.

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Continuando, Martinello (1985), a perda da supremacia brasileira da borracha foi motivada, entre outros fatores, pelos altos custos da extração do produto, que impossibilitavam a competição com as plantações do Oriente, pela inexistência de pesquisas agronômicas em larga escala devidamente amparadas pelo setor público, pela falta de visão dos empresários brasileiros ligados ao comércio da borracha, pela insuficiência de mão-de-obra barata, isso tudo aliado a falta de capital estrangeiro, junto com a distância e condições naturais da região.

Em determinados pontos, coaduna com as abordagens do mencionado autor, no entanto, devemos entender também que o Brasil por várias vezes se mostrou negligente na exploração de no que diz respeito a suas riquezas naturais, e com a borracha não foi diferente, e essa negligencia aliada com todos os fatores discutidos acima não poderia findar em um resultado mais esperado do que a perda de todo o mercado para os produtores asiáticos.

Segundo João Antônio de Paula (1980), os motivos para a perca da soberania brasileira em relação ao mercado está nas precárias condições da extração do látex na floresta tropical. A produtividade do trabalho é baixa e as possibilidades de aumenta-las são escassas, na medida em que o processo de extração do látex obedece ao regime de coleta, subordinado à localização dos seringais na floresta.

Em suas colônias asiáticas, o capital inglês penetra no processo produtivo da borracha, revolucionando-o, introduzindo sua lógica, sua disciplina, seu ritmo, sua especificidade, será justamente essa a causa da perda da hegemonia brasileira na produção da borracha. Enquanto a produção asiática far-se-á a partir de métodos capitalistas, sendo o excedente gerado no processo mesmo da produção, a produção brasileira continuará a se dar a partir da dominação do capital mercantil. (PAULA,1980, p. 10)

Concordamos com Carneiro (2015) todo o sistema empregado para o cultivo da hevea brasilienses fora montado para atender as demandas oriundas do centro da Economia-Mundo capitalista. Terminado o interesse externo a crise da economia gumífera seria inevitável.

O que de fato provocou a queda dos preços foi a chegada da borracha asiática ao mercado mundial. O preço de produção da goma asiática ficou abaixo dos custos de produção da borracha amazônica. Isso significa que a borracha oriunda de seringais de

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cultivo chegava ao mercado internacional a um preço que, no Brasil mal dava para cobrir as despesas com a produção. (CARNEIRO,2015, p.61)

Não se pode afirmar que os movimentos de cultivo de hevea brasilienses, em regiões do Oriente, fossem desconhecidos na Amazônia. Jornais que circulavam no Território do Acre publicaram diversos artigos tratando sobre o tema, como se observa na edição do dia 22 de fevereiro de 1907, do O Cruzeiro do Sul. O texto abordou a crescente exploração da borracha nos países do Oriente por ingleses, norte-americanos e alemães, ressaltando que este fato deveria “em muito preocupar o governo brasileiro e particularmente interessar aos seringalistas, pela poderosa concorrência que esse enorme triunfo europeu trouxe ao mercado

da borracha”.4

Na mesma edição, o citado jornal publicou um quadro demonstrativo (tabela 04) elaborado pelo então ministro da Indústria e Viação, Dr. Miguel Calmon, com o quantitativo de acres cultivados com hevea brasilienses em alguns países e a previsão de que, em um período de 10 anos, a produção atingiria cerca de 20 mil toneladas de borracha, mesmo que novas áreas de cultivo não fossem acrescidas as já existentes, o que o ministro classificou

como “improvável”.5

Tabela 04: Cultivo da Hevea brasilienses em acres no Oriente.

Países Acres cultivados

Ceilão 40.000

Malásia 38.000

Java e Sumatra 1.500

Índia e Birmânia 96.000

Fonte: Jornal O Cruzeiro do Sul, edição nº 33, ano II de 22 de fevereiro de 1907, p. 01

4 O Cruzeiro do Sul, 24 de fevereiro de 1907, nº 33, ano II, p. 01. 5 Idem.

(24)

Segundo Oliveira (2003), em fevereiro de 1942, durante uma missão aos Estados Unidos, enviado pelo governo brasileiro, chefiada por Souza Costa, esta afim de negociar com governo norte-americano, o fornecimento dos insumos necessários ao esforço de guerra, também deveria acertar a redução dos prazos para a construção da usina siderúrgica, e o mais importante a encomenda do material bélico. Esta missão não apresentou os resultados esperados, pelo menos no que diz respeito a borracha.

Tanto para Oliveira (2003) como para Martinello (1985), se a missão tivesse sido chefiada pelo então ministro das Relações Exteriores, Oswaldo de Aranha, que já tinha se mostrado um excelente diplomata na Conferência de Chanceleres realizada no Rio de Janeiro, as vantagens e ofensivas brasileiras seriam bem maiores e consequentemente os resultados obtidos pelo governo bem mais satisfatório. Porém o então presidente Vargas, tratou de escolher Souza Costa, porque esse não tinha planos presidenciais, e não ameaçava a sua cadeira, enquanto que Aranha estava ganhando muita visibilidade política.

Chega ser ilusória a ideia de enviar Oswaldo de Aranha, ou qualquer outro diplomata brasileiro faria com que o governo conseguiria barganhas melhores, vejamos o Brasil era dependente dos Estados Unidos, este era o principal parceiro econômico do país. A cautela adotada pelo diplomata brasileiro, pode ser justificada por essa dependência e como forma de evitar qualquer represália norte-americana. Não importando que diplomata fosse enviado essa relação expressava efetivamente relações de poder.

O resultado das alianças feitas entre Estados Unidos e Brasil durante essa Missão, ficou conhecido como Acordos de Washington. Em 3 de março de 1942, foram assinados os primeiros Acordos de vários que viriam. Assinaram 28 acordos, metade correspondente aos interesses pela borracha e a outra metade sobre outros insumos como café, arroz, castanha, mamona, ferro, aniagem, algodão etc. Fonseca (1950).

Por meio destes Acordos os Estados Unidos forneceram créditos no valor de US$ 100.000.000 para o desenvolvimento da produção de materiais estratégicos e matérias-primas indispensáveis à indústria de guerra américa, foram destinados mais 14.000.000 de dólares para o desenvolvimento dos depósitos de ferro de Itabira e da estrada Vitória-Minas, e 5.000.000 de dólares para o melhorar a qualidade da produção da borracha vegetal na Amazônia (MARTINELLO, 1988, p. 95)

(25)

Como mostramos acima esses eram os primeiros grandes investimentos prometidos pelos Estados Unidos, na região, ambiciosos demais para ter como único motivo a borracha, mesmo está sendo essencial para a guerra, era investimentos muito altos e não era apenas, planos de incentivo a borracha para a indústria bélica na Amazônia, mas também no resto do pais, “Previa uma verdadeira Companhia de Cartel formada por brasileiros e norte-americanos para desenvolver a região amazônica, levaria o nome de Corporação do Brasil para o Desenvolvimento da Bacia Amazônica” (MARTINELLO,1988, p. 92), mesmo a guerra assombrando nossos vizinhos do Norte, esta teria realmente incentivado promessas de investimentos tão altos?

Um projeto de desenvolvimento da bacia amazônica em escala tão importante, que, mesmo para um país engajado em uma guerra de crucial importância, parecia mais um plano de propaganda política e diplomática que um programa econômico.

Assim os Acordos de Washington não era somente uma forma de abastecer os Estados Unidos de matérias primas necessárias para sua permanência na guerra, ou um incentivo a industrialização do Brasil, mas também, mais uma forma de pressionar o governo brasileiro a entrar na guerra ao lado dos Aliados, como já foi discutido no princípio, o Brasil como outros Estados, foi coagido a ser beligerante, e os Acordos de Washington foi mais um meio para isso.

Algo semelhante ao term of agreement6de 24 de junho de 1941, este nada mais

foi que um conjunto de pressões e manobras, realizada pelo governo dos Estados Unidos, para forçar Vargas a ceder as bases militares brasileiras e consequentemente aderir aos Aliados. Bandeira (1978).

Fazer com que a Amazônia voltasse ao seu tempo de gloria exigiria muito trabalho e muito investimento, levando em conta que toda a estrutura montada no primeiro surto da borracha já não mais existia e a região estava esquecida pelo governo federal, desde quando perdeu mercado para as plantações na Ásia. Os antigos seringais já não produziam como antes, se mostravam desgastados, era necessários entrar mais no interior da floresta, esse se mostrou um grande problema para as empresas americanas, localizar áreas com um bom potencial produtivo.

6

(26)

Os dois governos envolvidos estabelecem seus representantes na aplicação dos Acordos, pelos Estados Unidos estavam a Rubber Reserve Company (RRC), logo substituída pela Rubber Development Corporation (RDC), o Brasil criou a Comissão de Controle dos Acordos de Washington (CCAW), subordinada ao Ministério da Fazenda. Paula (1980).

O programa de enviar borracha para o esforço de guerra se mostrou extremamente complexo, para fazer com que o programa desse certo o governo brasileiro criou vários órgãos, submetidos ao CCAW, entre eles estavam o Departamento Nacional de Imigração (DNI), o Serviço de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia (SEMTA) e a Comissão Administrativa de Encaminhamento de Trabalhadores para a Amazônia (CAETA), a Superintendência do Abastecimento do Vale Amazônico (SAVA), o Serviço Especial de Saúde Pública (SESP), o Serviço de Navegação e Administração dos Portos do Pará (SNAPP), e para financiar tudo isso foi criado o Brando de Crédito da Borracha (BCB). Oliveira (2003).

Na teoria essas organizações deveriam exercer seu papel especifico, no tocante ao esforço de guerra, mas a prática se mostrou bem diferente, a burocracia, os conflitos jurídicos, os ressentimentos administrativos, tudo isso foi pouco a pouco minando os esforços de guerra.

Às vezes, nos parece que, a história desse esforço, no que diz respeito à produção da borracha para guerra, é uma história de pequenas intrigas, lutas e ciúmes, quase sempre prejudicando o resultado global. É bem verdade que, para o Brasil se tratava mais de uma questão comercial, que de matéria de sobrevivência nacional. Os funcionários no Rio de Janeiro, queriam obter lucros e concessões dos vizinhos do Norte que encaravam o problema pelo lado da sobrevivência. (CORRÊA, 1967, p. 1967)

Assim todo o investimento supostamente cedido pelo governo norte americano foi extraviado em um sistema amplo burocrático, jurídico, e principalmente corrupto. Como podemos ver acima, os Acordos de Washington para o governo brasileiro era mais uma forma de conseguir privilégios e ganhos concretos para o país, para os Estados Unidos era um modo de conseguir as matérias primas necessárias para a sua permanência na guerra e como mais uma estratégia de pressionar o Brasil a aderir ao confronto, para a Amazônia era a oportunidade de retornar ao sonho do El Dourado, anos de muita fartura e dinheiro fácil, a tempos de satisfação econômica e social. Eis

(27)

esse o maior problema. No Brasil, na maioria das vezes se deu preferência pelo ganho sem esforço.

CAPÍTULO II: OS ACORDOS DE WASHINGTON E A PRODUÇÃO DA BORRACHA NA AMAZÔNIA BRASILEIRA

2.1 Uma análise textual dos Acordos de Washington

Dos 28 Tratados entre os Estados Unidos e Brasil nesse capitulo foi analisado alguns sobre borracha e outros insumos. O primeiro Tratado foi firmado em Washington, 3 de Março de 1942, sob o nome “Exchange of notes constituting Agreement Between the United States of America and Brazil relating to a program of economic co-operation for the mobilization of productive resources of Brazil”7. A partir desse Acordo deram origem outros.

O Acordo número dois a “Missão econômica brasileira” (1942), propõe a expansão da produção de borracha no Vale Amazônico. No Acordos três de 3 de outubro de 1942, “Acordo sobre borracha celebrado, por trocas de notas, entre Brasil e os Estados Unidos da América”. O objetivo foi adquirir todo saldo exportável de borracha brasileira.

O Tratado quatro “Acordo Suplementar sobre Borracha" firmado em 29 de setembro de 1943, estabelece a fixação do preço da borracha. O Acordo cindo de 8 de fevereiro de 1944 reafirmou os valores de compra da borracha já estabelecido pelos Acordos anteriores. O sexto Acordo de 12 de dezembro de 1944, relativo ao pagamento de prêmio sobre borracha”, esse é suplementar ao anterior. O sétimo Acordo de 2 de maio de 1945 estabelece a distribuição de borracha natural. O Acordo número oito de 27 de junho de 1945 prorrogou os anteriores. O nono Acordo de 31 de outubro de 1945 revoga o anterior.

De acordo com o primeiro Acordo, o Brasil comprometer-se-ia durante a Terceira Reunião dos Ministros das Relações Exteriores das Repúblicas Americanas realizado no Rio de Janeiro, juntamente com outras nações a cooperar a cooperar

7

“Troca de notas que constitui o Acordo entre os Estados Unidos da América e o Brasil relativo a um programa de cooperação econômica para a mobilização de recursos produtivos do Brasil”. Tradução do autor.

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grandemente para a defesa do hemisfério. Para isso o Brasil comprometeu-se em mobilizar seus recursos no sentido de aumentar a produção de materiais necessários a serem enviados aos Estados Unidos e também a manutenção das economias do país e de Repúblicas Latino americanas.

O governo brasileiro, representado pelo embaixador Arthur de Souza Costa, expõe a necessidade de constituir uma nova organização para investigar e promover o desenvolvimento de materiais estratégicos e outros recursos naturais do Brasil. A Comissão de Controle dos Acordos de Washington seria um novo departamento do governo subordinada a este, que fiscalizaria todos os projetos suscetível de formar o desenvolvimento da produção de borracha amazônica.

O governo brasileiro passou a se responsabilizar pela citada organização, que era sem fins lucrativos e tinha o objetivo principal de potencializar exploração de matérias primas e assim satisfazer os interesses do Brasil como dos outros países latinos. O novo órgão teve apoio técnico dos Estados Unidos, disponibilizou um fundo de aproximadamente $ 100.000.000, (Cem milhões de dólares) para as despesas. De acordo com os documentos assinados, o crédito era concedido conforme fosse necessário e era administrado diretamente pelo governo brasileiro.

O Acordo ampliou e fortaleceu as relações entre os dois países, também concordou em abrir uma linha de crédito no valor pedido, através do Export-Import Bank of Washington, (Banco de Exportação-Importação de Washington).

O governo americano comprometeu-se em disponibilizar uma quantidade de maquinas, material, suporte técnico e contribuir de maneira significativa para o esforço de guerra, assim como para a segurança do hemisfério.

Fui informado pelo Secretário de comércio que é agradável para a abertura de umalinha de crédito de até US$ 100.000.000 para efeitos de financiamento das despesas em dólar no âmbito dos projetos específicos a ser empreendido pelo Governo brasileiro, agindo através do departamento de comércio, e que assistência adequada de técnicos e especialista dos EUA deve ser disponibilizada conforme necessário8. (WASHINGTON, 1942, p.2)

8

I have been informed by the Secretary of Commerce that he is agreeable to the opening of a line of credit of up to $ 100,000,000 for the purpose of financing dollar expenditures in connection with specific projects to be undertaken by the Brazilian government, acting through the Department of Commerce, and that appropriate US technical and expert assistance shall be made available as necessary.

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Desta forma, o Brasil ficou encarregado de aumentar ao máximo possível a produção de borracha e apoiar a economia interna e dos países latinos. Diferente do que ficou acordado o país não proporcionou a ajudar necessária ao esforço de guerra nacional, muito menos as Repúblicas vizinhas.

...o governo brasileiro se comprometeu a cooperar no mais alto grau com as demais Republicas Americanas na mobilização de seus recursos econômicos com especial objetivo de aumentar a produção de matérias estratégicos, essenciais à defesa do Hemisfério e à manutenção das economias da Brasil e das outras Republicas Americanas. (WASHINGTON, 1942, p.1)

Ao analisar essa parte do texto pode-se evidenciar como o governo norte americano direcionou o discurso para a defesa das democracias nas Américas. Garantia assim, um desfecho de ordem diplomática entre nações para a confluência da segurança hemisférica que a partir desse Acordo ficaria cada vez mais atreladas a luta contra o Nazi-fascismo.

O segundo Tratado propõe um projeto audacioso, e para que se concretize, a expansão da produção de borracha no Vale Amazônico deveria aumentar. O governo Norte Americano por meio da Rubber Reserve Company, estabeleceu um fundo de cinco milhões de dólares destinado ao desenvolvimento do Vale.

A partir desse fundo, o Brasil se comprometeu afirmou em exportar borracha para os ianques em volume anual não inferior a vinte e cinco mil toneladas. Desta forma o governo brasileiro se comprometeu integralmente com o governo norte americano.

O Banco do Brasil responsabilizou-se em tornar-se o único comprador de borracha, tanto para exportar como para consumo interno, exceto a Rubber Reserve Company que obteve borracha por sua própria conta. Ainda neste parágrafo o governo brasileiro comprometeu-se depois de suas necessidades internas, estabelecer cotas de exportação, assim fornecendo aos Estados Unidos a maior quantidade possível de borracha.

Desta forma, a Rubber Reserve Company fez um acordo de cinco anos com o Banco do Brasil, para aquisição de borracha produzido em solo nacional. Ainda com o

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encargo de auxiliar o Instituto Agronômico do Norte para solucionar os eventuais problemas científicos que tangem a produção de borracha no Vale Amazônico.

Fazendo-se valer a Reunião Consultiva de Ministros das Relações Exteriores das Republicas Americanas, realizada no Rio de Janeiro, o governo dos Estados Unidos teve por sua responsabilidade promover os serviços da Divisão de Saúde e Saneamento determinada pelo Coordenador dos Negócios Interamericanos para os trabalhos de expansão do Vale do Amazonas e adjacências. O objetivo foi planejar melhorias nas condições sanitárias conjuntamente com outras Repúblicas Americanas.

Posto todos os deveres, o governo norte americano concordou e ressalvou que o presente acordo foi essencial para futuras relações econômicas entre os dois países.

...o governo brasileiro resolveu colaborar com as mesmas Repúblicas no mais alto grau possível para a mobilização dos seus recursos econômicos visando especialmente o aumento da produção dos materiais estratégicos essenciais à defesa do hemisfério contra a agressão armada e a manutenção da economia do Brasil e das outras Republicas. (WASHINGTON, 1942, p.1)

Podemos ver nesse Tratado que o governo brasileiro se comprometeu não só integralmente, mais exclusivamente com os nossos vizinhos do norte. Tal relação comercial proporcionou também muitas outras relações diplomáticas entre as ditas nações. O Acordo concedeu o monopólio da compra limita a compra de borracha somente pelo Branco do Brasil, exceto a Rubber Reserve Company, podemos entender como uma forma de controlar o comércio de borracha e assegurar o seu destino certo.

Em Tal acordo, uma das “finalidades” foi o plano de desenvolvimento do Vale Amazônico e adjacências, um projeto por deveras audacioso e caro levando em consideração a região ser de difícil acesso e está estagnada economicamente há anos.

A carta de aceitação do Secretário de Estado Summer Welles deixou claro os motivos do acordo.

I Acknowledge the receipt of your note of March 3, 1942 outlining a program for the development of further economic cooperation between the United States and Brazil...9. (WASHINGTON, 1942, p.2)

9

Reconheço o recebimento de uso de notas de 3 de Março de 1942, definindo um programa para o desenvolvimento da borracha no Vale do Amazonas e suas adjacências com um projeto para futura cooperação econômica entre os EUA e o Brasil. Tradução do autor.

(31)

Como se pode deduzir, tal plano de desenvolvimento nunca concretizou-se. Pois “desenvolvimento” refere-se a maior quantidade de borracha possível exportada. Nada tinha a ver com técnicas mais modernas de produção ou serviços de saúde e saneamento, isso ficou somente no papel, dezenas de pessoas continuaram morrendo de malária e várias outras epidemias que assolou a região, porém o objetivo se efetivou, o Brasil entrou na guerra ao lados dos Aliados e as futuras cooperações econômicas Brasil-Estados Unidos foram promissoras.

Os autores Gary e Rose Neeleman (2015), levantam a indagação que mesmo com documentos oficiais assinados pelos respectivos representantes dos dois governos, ainda hoje não se pode afirmar que os Estados Unidos pagaram ou não os $ 100.000.000 de dólares posto nos Acordos de Washington e depois os cinco milhões adicionais para explorar a borracha brasileira e desenvolver o Vale Amazônico. Como é sabido, o governo brasileiro também não cumpriu o prometido.

Passamos para o Tratado número três, o objetivo foi a exportação de todo saldo exportável de borracha brasileira sendo bruta ou manufaturada. Além da necessidade de cooperação e assistência entre os países, determinam o contingenciamento e fornecimento de pneumáticos e câmara de ar necessárias a indústria e guerra.

Deste modo o governo dos Estados Unidos estabeleceu as cotas trimestrais de pneumáticos e câmaras de ar para as nações americanas, posteriores as do terceiro trimestre de 1942, que foram as cotas já postas nos acordos anteriores, ao governo brasileiro ficou a responsabilidade de informar ao governo norte americano as cotas que comprometer-se em fornecer. Assim como também informar as outras nações americanas interessadas. No que diz respeito aos outros manufaturados de borracha seguiu a mesma lógica do plano de suprimento dos pneumáticos e câmara de ar.

Para a sua indústria de artefatos de borracha o Brasil ficou com uma cota anual de 10.000 toneladas de peso seco de borracha, isto inclui a borracha recuperada, setenta e cinco por cento desta cota se destinou a manufatura de produtos essenciais entre eles estão os pneumáticos e câmaras de ar, para o consumo interno do país. Vinte e cinco por cento se destinou a manufatura dos mesmos a exportação para os Estados Unidos considerados essenciais para as Repúblicas Americanas. Tais cotas poderiam ser ou não aumentadas ou diminuídas conforme a necessidade do esforço de guerra ou os interesses americanos.

(32)

Assim, enquanto vigorou o primeiro acordo de 3 de março de 1942, o governo brasileiro vendeu borracha a Rubber Reserve Company. O Acordo também estabeleceu que todo o excedente que não fosse necessário ao seu consumo interno poderia exportar para as outras Repúblicas americanas, dentro das cotas fixadas para cada país, obedecendo os ajustes que foi finalizado entre a Comissão de Controle dos Acordos de Washington e a Rubber Reserve Company. Os pneumáticos e câmara de ar foram cedidos aos exportadores no Brasil, seguindo os custos usuais, em adicional transporte, jurus bancários, se for necessário aumento nas tabelas e preço, assim somente os representantes dos dois governos teve autonomia para o reajuste.

A Rubber Reserve Company adquiriu o direito de exportar matéria prima para os Estados Unidos, sendo que o Brasil não cumprindo as cotas, estas poderiam ser preenchidas pelas Repúblicas Americanas. Também ficou sobre a responsabilidade do governo brasileiro providenciar que a borracha não fosse utilizada em artefatos não essenciais para guerra. Assim ficou estabelecido que as indústrias brasileiras deveriam fazer o possível para usar a borracha recuperada, esta pode ser de origem nacional ou estrangeira, este esforço foi para garantir a disponibilidade da borracha bruta, assim não ocasionando nenhum contra tempo.

Com o objetivo de fornecer pneumáticos, câmaras de ar e outros produtos de borracha à preço acessível destinados as necessidades essenciais dos países latinos, a Comissão de Controle dos Acordos de Washington e Rubber Reserve Company fez ajustes nos preços de exportação.

Deste modo o Brasil informaria as cotas para as Repúblicas Americanas e estas deveriam controlar os preços nos respectivos mercados, em vista disso os Estados Unidos se comprometeu a aplicar seus maiores esforços no sentido de equipar com os matérias necessário a indústria de borracha brasileira, igualmente como suprir o país com artigos industrializados de borracha com propósitos militares, industriais ou equipamento para fabricá-los.

Podemos perceber a preocupação em preservar a borracha bruta, principalmente para esta ser exportada, as cotas produzidas pelo Brasil estavam suscetíveis as necessidades americanas, um comércio por deveras frágil, pois como está nos Acordos assim que não fosse mais necessário, estes deixariam de existir.

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Com o objetivo de manter as disponibilidade de borracha bruta, os industriais brasileiros enviarão todos os esforços para usar a mesma proporção de borracha recuperada empregada na indústria dos Estados Unidos da América, utilizada para esse fim a borracha. (WASHINGTON, 1943, p.6)

O Acordo número quatro de 29 de setembro de 1943 estabelece a fixação do preço da borracha entre a Comissão de Controle dos Acordos de Washington e a Rubber Development Corporation, que passou a substituir a Rubber Reserve Company, a Agência oficial do Governo dos Estados Unidos da América, devidamente autorizada pelos dois governos resolveu ratificar e retificar o Acordo sobre borracha assinado entre a Rubber Reserve Company e o Governo brasileiro, em 3 de março de 1942, na cidade de Washington D. C.

Neste Tratado ficou estabelecido que o preço da borracha passou do preço básico de US$0,39 (trinta e nove "cents" - moeda americana), para US$0,45 (quarenta e cinco "cents" - moeda americana), o novo preço vigorou até 31 de dezembro de 1946, conforme houve necessidade o preço poderia ser reajustado. Em virtude da situação os Estados Unidos estavam pagando mais caro pela borracha brasileira, que antes da tomada das plantações de cultivo no Oriente.

O Acordo cinco de 8 de fevereiro de 1944 reafirmou os valores de compra da borracha já estabelecido pelos Acordos anteriores tanto para consumo interno como para exportação, o preço só poderia ser alterado ficando provado que os fabricantes de artigos de borracha não operaria com margem regular de renda, desta forma somente os representantes dos dois governos em acordo mutuo teve autonomia de alterar os preços, sendo que o documento reitera sobre a necessidade de inspeção de qualidade da borracha pela agencia Rubber Development Corporation por conta das inúmeras fraldes tão comuns. O Acordo também ratificava o preço fixo estipulado de quarenta e cinco cents sendo que não poderia ser alterado, assim toda a borracha oferecida a agencia norte americana, seguiu o preço fixo.

O preço pego pela agencia Rubber Development Corporation teve o objetivo de compensar a elevação dos salários na região Amazônica, promover o custo de vida e outros fatores que podem prejudicar o custo da produção da borracha, e criar um estimulo máximo para a produção

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Tendo em vista que a Rubber Development Corporation paga o prémio suprareferido com o objetivo de compensar a elevação de salários, do custo de vida e outros fatores que afetam o custo da produção de borracha, criar um estimulo a produção máxima... (WASHINGTON, 1944, p.2)

Ouve realmente incentivos durante a produção o dinheiro investido realmente chegou a produção dentro da amazônia, a qualidade ou salários melhoraram? Acreditamos que não, podemos ver que na prática quase nada do que foi acordado se concretizou levando em conta a real situação da região amazônica e adjacências, durante e após os Acordos de Washington.

Os trabalhos realizados nos seringais continuaram tão destrutivos como antes dos Acordos o maior estímulo que houve para a produção da borracha foi propagandear o esforço de guerra com o bônus do enriquecimento, assim influenciando dezenas de pessoas de todas as regiões do país para a Amazônia.

A Rubber Development Corporation ficou isenta de qualquer obrigação de fornecer produtos alimentícios ou de primeira necessidade, assim como de prover a preço inferior para seringueiros, desde de equipamentos a carvão, o Acordo considerava o fato da Rubber Development Corporation já ter concedido crédito no valor maior de 5.000.000 (cinco milhões de dólares), desta forma o Brasil concordou em assumir todas as despesas que se fizeram necessárias para o plano da extração da borracha, também ficou a cargo as responsabilidades com todas as futuras despesas de fornecimento para a construção de estradas no Sul de Mato Grosso e abonos aos trabalhadores. Ao “assumir” a reponsabilidade no lugar da agência o governo brasileiro, se mostrou incapaz de fornecer as assistências necessárias.

Com relação as estradas para facilitar ao máximo possível o incentivo a escoação e a abertura de novos seringais para o esforço de guerra o Brasil concedeu um montante no valor de 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), esse valor também deveria ser usado para o estabelecimento de trabalhadores nos seringais.

Em vista de todos os aspectos colocados acima o objetivo com o preço estabelecido da borracha seria promover o custo de vida na região Amazônica assim elevando a produção da borracha.

(35)

Portanto, o Acordo sexto de 12 de dezembro de 1944, este ratificava a necessidade da borracha crua e manufaturada, considerando a situação emergencial e a indispensabilidade de material estratégico para a indústria bélica e civil, além de ressaltar a necessidade de assistência mutua. Este Acordo modificou algumas das cláusulas do Acordo de 3 de outubro de 1944.

O governo brasileiro comprometeu-se a impedir a reexportação de qualquer quantidade de borracha sintética e outros plásticos similares fornecidos ao Brasil pelos Estados Unidos da América, por intermédio da Rubber Development Corporation, em virtude do presente entendimento, exceto se tais plásticos estiverem transformados em mercadorias manufaturados... (WASHINGTON, 1944, p.1,2)

Como vimos no Acordo acima o Brasil chegou a importar borracha sintética e outros plásticos similares livres de quaisquer direitos alfandegários dos Estados Unidos, porem estava impedido de revender o produto sendo que não se podia alterar o regime fiscal que concedeu as fábricas de artefatos de borracha a isenção de direitos para a importação de outras matérias primas.

O governo brasileiro comprometeu-se a reduzir as cotas anuais de consumo interno de 8.500 (oito mil e quinhentos) toneladas para a menor taxa possível, no menor prazo possível, e estimular ao máximo o consumo de borracha sintética e outros plásticos similares.

A redução da quantidade de borracha consumida internamente ressalta a necessidade de mandar a maior quantidade possível para o exterior, para haver disponibilidade de borracha natural, o Brasil pactuou em adotar pelos fabricantes de pneumáticos e câmaras de ar os mesmos métodos norte americanos para fabricação conhecidos como S-5 e S-7, nesse processo há maior quantidade de borracha sintética ou plásticos similares cerca de 35% em substituição a borracha natural, assim economizando o máximo possível, por meio da Comissão de Controle dos Acordos de Washington a Rubber Development Corporation deveria fornecer de forma gratuita o suporte técnico para o novo método de fabricação.

Assim sendo o governo brasileiro estava impedido de reexportar qualquer quantidade de borracha sintética ou plástico similares, fornecido pelo Rubber Development Corporation, só poderia ser reexportado se tais plásticos fossem

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transformados em mercadorias manufaturados, sendo que a mesma estabelece os preços de cada produto, e estes ainda poderiam ser alterados.

Logo a agência norte americana a fim de prestar a assistência técnica para o emprego da borracha sintética, comprometeu-se em enviar uma comissão técnica aos Estados Unidos onde adquiriu todos os dados técnicos essenciais e informações relativas aos melhores e mais aperfeiçoados métodos de usar borracha sintética e outros plásticos, o Brasil utilizando esses novos métodos pode reservar uma maior quantidade de borracha natural para a exportação.

No Acordo sete 2 de maio de 1945, em Buenos Aires pelas repúblicas do Brasil, Estados Unidos e Argentina, tinha o objetivo de determinar a distribuição e suprimento de borracha natural e sua conservação enquanto essa estivesse escassa, assim a República Argentina integra-se na Comissão representado pelo Secretario de Industria e Comercio, o senhor General D. Julio Checchi.

Para o esforço de guerra o governo argentino adotou medidas como garantir que a borracha e seus artefatos fossem exclusivamente empregados para satisfazer as necessidades essenciais do país, sendo que para uso interno a prioridade seria a borracha sintética.

O governo argentino também estava impedido de vender produtos de borracha e qualquer material importado para a fabricação destes a um preço superior, com margem de lucro, assim como evitar o contrabando de borracha natural e derivados produzidos por outros países americanos.

Também estava a cargo dos argentinos as providencias para a concessão de licenças para importar os materiais necessários para a produção de câmaras de ar e pneumáticos, para o funcionamento normal do Acordo Brasil-Argentina e Estados Unidos não poderia exceder a cota estabelecida ao país, este poderia exporta para o Brasil ou diretamente aos Estados Unidos seus produtos, o governo brasileiro era uma espécie de intermediário no Acordo. Claro que as exigências básicas que o texto coloca não era da Argentina, mas dos Estados Unidos conforme fosse necessário o esforço de guerra.

Os Estados Unidos da América por meio do Acordo oito de 27 de junho de 1945 prorrogou os Acordos acima mencionado em conformidade com a nota o Tratado de

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