INCLUSÃO SOCIAL E DIGITAL DA TERCEIRA IDADE
SOCIAL AND DIGITAL INCLUSION OF SENIORS
Altamiro Junior Lacerda Almeida Mestre em Administração Professor Universitário na UEMG - Unidade Carangola e grupo UNIS - UNIDADE FIC [email protected]
Tais Cristina da Silva Graduando do curso de Sistemas de Informação na UEMG [email protected]
Karol da Silva Graduanda do curso de Sistemas de Informação na UEMG [email protected]
RESUMO:
O presente estudo aborda a inclusão social e digital através do uso das Tecnologias da Informação e Comunicação, tendo como público alvo idosos que participaram de um projeto de extensão universitária desenvolvido pela UEMG, Unidade Carangola. O estudo apresenta uma abordagem legal que ampara e estimula o desenvolvimento de projetos para inclusão social e digital dos idosos que, muitas vezes, estão marginalizados do uso dessas tecnologias. Os relatos das ações desenvolvidas no projeto de extensão corroboram a justificativa de que é possível ressignificar o uso do espaço público e promover a inclusão.
Palavras-chave: Inclusão social. Inclusão digital. Terceira idade.
ABSTRACT:
This study analyzes the social and digital inclusion by using Information and Communication Technologies, which seniors who participated in a university extension project developed by UEMG Unit Carangola were the recipients of it. The study presents a legal approach that supports and encourages the development of projects for social and digital inclusion of elderly people who are often marginalized from the use of these technologies. The report of the actions increased in the extension project corroborate the argument that it is possible to reframe the use of public space and promote inclusion.
INTRODUÇÃO
O presente estudo tem por objetivos: discorrer sobre a inclusão social e digital de pessoas da terceira idade, deixando claros os direitos fundamentais do idoso; discorrer sobre a responsabilidade social nas universidades e apresentar, através de relato, a experiência vivenciada no projeto de extensão da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) denominado: Inclusão Digital da Terceira Idade. A metodologia utilizada para elaboração deste estudo baseou-se em pesquisa bibliográfica e pesquisa-ação. Para análise dos dados, buscou-se uma abordagem qualitativa, visando, através da técnica de análise de conteúdo, interpretar realmente o que está sendo dito.
O presente estudo justifica-se por atender a pré-requisitos legais, pela ressignificação da utilização do espaço público, pela inclusão e socialização dos idosos e por fomentar o aprendizado técnico, humano e conceitual dos discentes envolvidos.
É muito comum perceber o uso de tecnologias entre crianças, jovens e adultos. O uso das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), na era da globalização, tornou-se mais que uma premência. Contudo, mesmo sendo de tal importância, é pouco comum vermos idosos fazendo uso dessas TICs. A maior parte dessa população está de certa forma marginalizada do uso dos meios digitais existentes.
Roriz (2005) diz que a inclusão social é uma prática que deve acolher a diversidade humana nos diferentes tipos de atividades. O artigo 20 do Estatuto do Idoso (2013) trata a temática da inclusão, da educação e da inserção digital como um direito. Nesse sentido, o presente estudo relata as experiências positivas da inclusão digital e social dos idosos integrantes da primeira turma do projeto de extensão da UEMG, Unidade Carangola.
CONTEXTUALIZANDO A INCLUSÃO SOCIAL
Na atualidade, o assunto inclusão social vem sendo de grande proeminência em nossa sociedade, pois estamos vivendo numa época em que a garantia dos direitos sociais e o respeito às diferenças de cada pessoa, independentemente de suas características, têm surgido como uma questão ética, que reivindica por uma sociedade mais justa e igualitária. Roriz, Amorim e Rossetti-Ferreira (2005, p. 168) dizem que “[...] a temática da inclusão social traz, como pressuposto, a ideia de uma sociedade que considera e acolhe a diversidade humana, nos diferentes tipos de atividades e nas diversas redes de relacionamentos.”.
A inclusão está ligada a todas as pessoas que não têm as mesmas oportunidades dentro da sociedade. Deste modo, ela tende a fazer a sociedade se sentir pertencente, ser compreendida em sua condição de vida e humanidade. No entanto, a exclusão ocorre quando um determinado grupo da sociedade é, de alguma forma, excluído de seus direitos. Mas os excluídos socialmente são também os que não possuem condições financeiras dentro dos padrões impostos pela sociedade, são aqueles que têm seu acesso negado por ausência de informação, além dos negros, portadores de deficiências físicas e idosos. Euzéby (2011, p. 34) destaca que “[...] a expressão inclusão social é para designar a inserção social ou profissional dos excluídos ou sua integração no mercado de trabalho e na sociedade.”. Para Sposati
(2011), o conceito de inclusão social tende a substituir a pobreza, já que a ruptura e a deficiência de aspectos relacionados à falta de emprego, saúde, recursos financeiros, moradia e educação constituem para a autora questões sociais que ocasionam a exclusão.
A visão de Boneti (2006) sobre inclusão social está pautada no conceito de cidadania, que está relacionada à noção de ser incluído aos direitos constitucionais. No entanto, Odom e Diamond apud Roriz, Amorim e Ferreira (2005, p. 168)ressaltam que “não há uma definição comum sobre inclusão, havendo uma imensa diversidade de pessoas que a evocam como garantia de direitos”.
Segundo Mercadante (2004, p. 37), “[...] o Brasil é um país profundamente desigual e estruturalmente injusto.”. Ele diz que somos um dos países mais desiguais do mundo, e essa desigualdade tem sido durante anos uma forte característica da estrutura econômica e social do nosso país. Fato que pode proporcionar ou intensificar a exclusão social.
Precisamos entender que a situação de vulnerabilidade social vivida por muitos é, antes de tudo, uma questão de violação dos direitos humanos, a começar pelo mais básico deles, o direito à vida, direito de qualquer ser humano.
Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e sua família saúde e bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice e outros casos de perda dos meios de subsistência em circunstâncias fora de seu controle (Declaração Universal dos Direitos Humanos).
O implemento dos direitos sociais faz com que se prestigie a dignidade da pessoa humana e se reduzam as desigualdades sociais.
O mundo sempre esteve fechado para mudanças, em relação às diferenças de cada ser humano. Porém, a temática da desigualdade social necessita ser alvo de discussões mais frequentes, de modo que se torne um debate de toda sociedade. Pois “[...] a inclusão é um processo de transformações pequenas e grandes, de prazos diferentes, na mentalidade dos indivíduos.”. (PARRA et al., 2012, p. 31).
A inclusão, em suas diferentes faces, é efetivada por meio de políticas públicas que, além de oficializar, devem promover a participação e viabilizar a inserção dos indivíduos aos meios sociais. A prática da inclusão social, de acordo com Maciel (2000), deve ser parte de planos nacionais de educação, lazer, esporte, entre outros. Ela também lembra que uma sociedade inclusiva tem compromisso com todas as pessoas que sofrem a exclusão social, sendo um direito de todos que necessitam ser fortalecidos pelo Estado que, com verbas e projetos, deve atender a essa população. Assim, lutar a favor da inclusão social é responsabilidade de cada um e de todos coletivamente.
TERCEIRA IDADE E ATENÇÃO AOS DIREITOS FUNDAMENTAIS
Dentre os vários direcionamentos possíveis de inclusão, abordaremos aquele que trata dos direitos dos idosos em nossa sociedade.
Segundo definição do Estatuto do Idoso, Lei n° 10.741, de 01 de outubro de 2003, o artigo 1° estabelece como idosa a pessoa com idade igual ou superior a sessenta anos. Ou seja, considerar como idoso, o indivíduo com mais de sessenta anos, significa unir em um único grupo pessoas cuja idade pode variar em mais de trinta anos.
Estudos apontam que a população mundial de pessoas idosas vem aumentando progressivamente. “Em 2012, 810 milhões de pessoas tinham 60 anos ou mais, constituindo 11,5% da população Global.”. (Secretaria de Direitos Humanos).
E, no Brasil, não poderia ser diferente, pois
[...] a tendência de envelhecimento da população brasileira cristalizou-se mais uma vez na nova pesquisa do IBGE. Os idosos - pessoas com mais de 60 anos – somam 23,5 milhões dos brasileiros, mais que dobrou do registrado em 1991, quando a faixa etária contabilizava 10,7 milhões de pessoas. (UOL notícias, 2012).
Em pesquisas realizadas pela PNAD, no ano de 2011, foi visto que a Região Sudeste abriga a maior quantidade de pessoas idosas do Brasil, ultrapassando a marca de 10 milhões de pessoas. Notou- se ainda que Minas Gerais é o Estado com a segunda maior população de idosos da Região, somando 2,6 milhões de pessoas (UOL notícias, 2012).
Embora haja grande crescimento da população idosa, e transformações sociais dele decorrentes, ainda, estão longe de acabar as discussões sobre quem é o idoso e como se caracteriza o processo de envelhecer. Os estudos sobre envelhecimento envolvem as diversas possibilidades de se pensar qual é o lugar social ocupado pelo idoso na realidade brasileira.
Torres e Sá (2008, p. 2) afirmam que “[...] a velhice tem sido tratada como um mal necessário, da qual a humanidade não tem como escapar.”. Para as autoras, o idoso tem sido tratado como um “mal necessário” pela sociedade, visto que, ele já cumpriu sua função social, ou seja, alguém que já trabalhou, cuidou da família, contribuiu para a educação dos filhos, resta a ele somente esperar pelo fim de sua vida.
O artigo 8° do Estatuto do Idoso (2013) ressalva que o envelhecimento é um direito de cada pessoa e sua proteção é um direito social individual, como previsto na legislação vigente.
No Brasil o processo de envelhecimento tem crescido de forma rápida e em termos proporcionais, mas isso não significa que o país esteja preparado para lidar com o envelhecimento. Carolino, Soares e Cândido (2011, p. 6) afirmam que, “[...] durante muitos anos, o brasileiro ignorou o crescimento do número de pessoas que estavam se tornando idosas, deixando de proteger e garantir os direitos (cidadania) das pessoas que envelheceram.”.
Sem sombra de dúvidas, esse fenômeno implicará a necessidade de adequação das políticas sociais, particularmente daquelas voltadas a atender serviços sócios assistenciais, saúde, transporte coletivo, entre outros. Mas, infelizmente, o acesso aos serviços não é igual para todos, refletindo na desigualdade nas condições de vida e saúde dos idosos que vivem na sociedade brasileira.
Ainda no Estatuto do Idoso, o artigo 9° diz que “[...] é obrigação do Estado garantir à pessoa idosa a proteção à vida e à saúde, mediante efetivação de políticas públicas que permitam um envelhecimento saudável e em condições de dignidade.”.
No Brasil, os direitos dos idosos são regidos pelo Estatuto do Idoso (2013) e também pela Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 (CRFB/88) que é considerada um dos avanços na conquista dos direitos pessoais, coletivos, políticos e sociais. Cabe destacar, portanto, que o art. 230 da CRFB/88 prescreve que “[...] a família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas, assegurando sua participação, defendendo sua dignidade e bem-estar e garantindo-lhes o direito à vida.”.
As discussões sobre os direitos sociais da população idosa são preeminentes. Portanto, várias ações devem ser implementadas como forma de garantir os direitos básicos da população idosa na sociedade contemporânea e avalizar o que está estabelecido na legislação social.
RESPONSABILIDADE SOCIAL NO ÂMBITO DA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA
A responsabilidade social das organizações contribui de forma positiva para maximizar as discussões e, em alguns casos, o atendimento de alguns desses direitos sociais. Nesse sentindo, vale ressaltar o papel inovador e fundamental exercido pelas universidades para a elaboração e disseminação de projetos de responsabilidade, uma vez que essa, por natureza de sua constituição, é uma propulsora de ações que podem ser consideradas de responsabilidade social.Lopes (2014) aponta que um dos pilares da responsabilidade social está no desenvolvimento econômico, social e ambiental da comunidade em quem a organização está inserida. Além dessa questão relacionada à sociedade em geral, a responsabilidade social trata questões como melhoria da qualidade de vida e bem-estar do colaborador e a sustentabilidade para todos os envolvidos: acionistas, fornecedores, clientes e governo.
Sendo assim, a responsabilidade social ultrapassa os objetivos primários da organização (LOHN, 2011). Essa prática visa a transformar os padrões de comportamento, inserindo valores que contribuam para a melhoria da qualidade de vida e sustentabilidade. Para Ashley (2002), quando uma organização pratica a responsabilidade social, ela assume um compromisso de promover ações para transformação de uma realidade.
A prática da responsabilidade social nas universidades vai além dos pilares: ensino, pesquisa e extensão. Engers (2002) mostra que as universidades possuem o papel de ampliar o foco do ensino, desenvolvendo vínculos de identidade, valores e relações humanas com as comunidades que estão inseridas, dessa forma promovendo, através da pesquisa e extensão, projetos que contribuam para a transformação social.
INCLUSÃO DIGITAL E USO DA TIC
É incomum pensar na sociedade contemporânea sem o uso da tecnologia, principalmente sem o uso da informática, a grande teia de comunicação e de dados. Ela é usada para diferentes fins como, por
exemplo, a comunicação. Valente (1993 p. 5) diz que “[...] o uso da informática melhora a capacidade cognitiva dos indivíduos [...] e coloca as informações extremamente próximas das pessoas.”.
Diante do exposto, entende-se que, através do uso das TICs, há uma possibilidade de estreitar a convivência das pessoas e aumentar a possibilidade de inclusão dos indivíduos por meio da informação, trazendo-os uma nova experiência. Almeida (p. 72) diz que:
[...] o professor que associa a TIC aos métodos ativos de aprendizagem desenvolve a habilidade técnica relacionada ao domínio da tecnologia e, sobretudo, articula esse domínio com a prática pedagógica e com as teorias educacionais que o auxiliem a refletir sobre a própria prática e a transformá-la, visando explorar as potencialidades pedagógicas da TIC em relação à aprendizagem e à consequente constituição de redes de conhecimentos.
Para os jovens, estar incluído é fácil, pois cresceram vendo e acompanhando o avanço tecnológico, podendo lidar facilmente com a nova tecnologia. E a capacidade de sua aprendizagem é impressionante, pois conseguem, em um curto espaço de tempo, manusear um produto recém lançado, por exemplo. Na visão de Mark (2006, p. 21), “[...] a exclusão digital caracteriza-se não apenas pelo acesso físico a computadores e à conectividade, mas também a recursos adicionais, que permitem que as pessoas utilizem a tecnologia de modo satisfatório.”. Ainda de acordo com Mark Warschauer (2006), vivemos em uma economia e em uma sociedade pautada na informação. Nesse sentido, a TIC apresenta um potencial para apoiar estratégias de inclusão social.
A partir desses fatos, percebe-se que a inclusão digital resgata a essência dos conceitos apresentados para a inclusão social, direcionando-os às práticas da TIC. Pois, para Mark Warschauer (2006, p. 283) “[...]a tecnologia pode servir para amplificar práticas já existentes, [...]”, isto quer dizer que se existe um conhecimento prévio de tecnologia, tal conhecimento poderá ser aprimorado, caso contrário poderá ser adquirido.
De acordo com Silva Filho (2003), a inclusão digital deveria ser fruto de políticas públicas a fim de que fossem promovidas a inclusão e a igualdade de oportunidades a todos os cidadãos, levando em conta indivíduos de baixa renda, sem escolaridade, com limitações físicas e os idosos.
TERCEIRA IDADE, INCLUSÃO SOCIAL E DIGITAL
Quando falamos em utilização dos recursos digitais, observa-se uma predominância de indivíduos das seguintes faixas etárias: crianças, adolescentes, jovens e adultos. Os idosos geralmente possuem pouco acesso às TICs, principalmente por conta de sua interface ser desenhada para o público jovem. De certa forma, os idosos possuem dificuldades para se relacionar com a tecnologia, seja por medo, seja vergonha, por não saberem como usar um computador, um celular ou mesmo um novo um equipamento que disponível no mercado.
De acordo com o Estatuto do Idoso (2013), no Artigo 20, “[...] o idoso tem direito à educação, cultura, esporte, lazer, diversões, espetáculos, produtos e serviços que respeitem sua peculiar condição de idade.”. Já no Artigo 21, tem-se que “[...] o poder público criará oportunidades de acesso do idoso à educação, adequando currículos, metodologias e material didático aos programas educacionais a ele destinados.
”, ou seja, as pessoas responsáveis têm que se adequarem ao ritmo deles. O §1º no Artigo 21 do Estatuto do Idoso (2013) ressalta que “[...] os cursos especiais para idosos incluirão conteúdo relativo às técnicas de comunicação, computação e demais avanços tecnológicos, para sua integração à vida moderna”. O idoso tem direito de aprender o que há de moderno, e o educador deverá estimular esse interesse.
A Lei Geral de Acesso à Informação do Brasil, sancionada em 18 de novembro de 2011 e em vigor desde 16 de maio de 2012, foi um grande avanço para o país nesta área. A configuração desse marco legal estabelece regras que demarcam o papel do Estado como fornecedor de informações por ele geradas aos cidadãos e cidadãs, e pela diminuição da exclusão digital (UNESCO, 2015).
O acesso à informação é direito de todos e as TICs podem contribuir muito com essa questão, sendo dessa forma importante para o Estado viabilizar a inclusão do indivíduo a essa tecnologia. Uma pessoa possuir ou comprar um computador, não significa que estará incluída na era digital, pois de que adianta ter um computador, e não possuir o conhecimento para poder utilizá-lo de forma adequada. É preciso que haja nos currículos uma forma para contemplar os benefícios e as ferramentas que os meios digitais oferecem.
A inclusão digital, para Silva et al, (2005, p. 30), “[...] deve ser vista sob o ponto de vista ético, sendo considerada como uma ação que promoverá a conquista da ‘cidadania digital’ e contribuirá para uma sociedade mais igualitária, com a expectativa da inclusão social.”. Portanto, é possível formular uma base conceitual para inclusão digital, com fundamentos na inclusão social e com o espírito de ética universal.
O PROJETO INCLUSÃO DIGITAL DA TERCEIRA IDADE – UEMG – UNIDADE
CARANGOLA
Através de uma metodologia voltada para a integração, o docente responsável e as discentes integrantes do projeto desenvolveram um curso de sessenta horas para capacitar ao uso e incluir, na era digital, idosos da comunidade de Carangola, Minas Gerais. O projeto contou com a participação de vinte idosas com faixa etária entre sessenta e oitenta e cinco anos. Foi realizado nos laboratórios de informática da UEMG e UAITEC nos meses de julho de 2015 a dezembro do mesmo ano.
Para estruturação e implementação do projeto, buscou-se sistematizar o conhecimento a partir da compreensão da realidade, verificada com a pesquisa bibliográfica, fato que contribui para a aproximação dos discentes e o contexto que seriam inseridos. Após essas pesquisas, foi elaborado o programa de materiais didáticos utilizados no curso.
O programa do curso teve como unidades: Ligar e desligar os equipamentos, acesso a arquivos, pastas e documentos. Visualização de fotos e pesquisas de arquivos. Elaboração de documentos. Abertura de conta de e-mail. Comunicação via e-mail. Abertura de conta em redes sociais. Comunicação via redes sociais. Uso de celulares para comunicação via redes sociais, entre outros. O curso foi ofertado duas vezes por semana, com duração de duas horas aula. Durante o curso, as participantes tiveram a oportunidade de conhecer a IES e aproveitar os espaços destinados ao público em geral.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Percebe-se, através deste estudo, que o campo da inclusão social e digital é muito amplo. É importante desenvolver possibilidades para aumentar a discussão sobre os temas. Além disso, verifica-se a necessidade de se desenvolver projetos que promovam a inclusão social e digital para todas as faixas etárias.
Acredita-se que existe uma grande fragilidade no que tange à inclusão digital dos idosos. Percebe-se que a grande maioria deles está realmente marginalizada das TICs, Percebe-seja por falta de incentivo, por falta de oportunidades, por falta de hábito e/ou cultura. Contudo, percebe-se que existe uma grande necessidade e vontade desses idosos de estarem incluídos, de poderem vivenciar, conversar e usar as TICs para se relacionarem com seus conhecidos, parentes e amigos. As TICs possibilitam para seus usuários algo muito além da informação, elas contribuem para estreitar os laços, aproximar as pessoas, criar mecanismos para que as pessoas estejam incluídas no contexto atual.
Diante do exposto, a universidade possui um papel fundamental. As universidades podem, através de projetos de extensão, desenvolver ações para incluir esses marginalizados, uma vez que possuem espaços com equipamentos e pessoal qualificado para exercer essas atividades de inclusão.
Por fim, acredita-se que a UEMG, através do projeto de extensão, Inclusão Virtual da Terceira Idade, alcançou os objetivos propostos, pois possibilitou à equipe executora o aprimoramento de suas habilidades técnicas, humanas e conceituais. Dinamizou e ressignificou a utilização do espaço público e promoveu a inclusão social e virtual do público atendido no projeto.
REFERÊNCIAS
ASHLEY, P. A. Ética e responsabilidade social nos negócios. São Paulo: Saraiva, 2002.
BONETI, Lindomar Wessler. Exclusão e inclusão social: teoria e método. Contexto e Educação. [Online]. Joinvile, v. 21, n. 75, jun. 2006. p. 187-206. Disponível em: https://www.revistas.unijui.edu.br/index. php/contextoeducacao/article/view/1117/873. Acesso em: 6 ago. 2015.
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/ConstituicaoCompilado.htm. Acesso em: 8 set. 2015.
BRASIL. Declaração Universal dos Direitos Humanos. Biblioteca Virtual de Direitos Humanos da USP, São Paulo. Disponível em:
http://www.direitoshumanos.usp.br/index.php/Declara%C3%A7%C3%A3o-Universal-dos-Direitos-Humanos/declaracao-universal-dos-direitos-humanos.html. Acesso em: 7 ago. 2015.
BRASIL. Legislação sobre o Idoso. Edições câmara. 3. ed. Brasília, 2013. Disponível em: http://www2. camara.leg.br/responsabilidade-social/acessibilidade/legislacao-pdf/Legislaoidoso.pdf. Acesso em 07 Ago. 2015.
BRASIL. Secretaria de Direitos Humanos – Presidência da República. Dados sobre o envelhecimento
no Brasil. Brasília. Disponível em: http://www.sdh.gov.br/assuntos/pessoa-idosa/dados-estatisticos/
DadossobreoenvelhecimentonoBrasil.pdf/view. Acesso em: 22 Ago. 2015.
CAROLINO, Jacqueline Alves; SOARES, Maria de Lourdes; CÂNDIDO, Gesinaldo Ataíde. Envelhecimento e cidadania: possibilidades de convivência no mundo contemporâneo. Qualitas Revista Eletrônica, v. 1, n. 1, 2011. Disponível em: http://revista.uepb.edu.br/index.php/qualitas/article/viewFile/1182/597. Acesso em: 22 ago. 2015.
ENGERS, M. E. A. (Org.). O ensino superior no século XXI: visão e ação. Revista Educação, Porto Alegre, v. 25, n. 46, mar. 2002. p. 119-13.
EUZÉBY, Chantal. A inclusão social: o maior desafio para os sistemas de proteção social. In: SPOSATI, Aldaíza (Org.). Proteção social de cidadania: inclusão de idosos e pessoas com deficiência no Brasil, França e Portugal. 3. ed. São Paulo: Editora Cortez, 2011. Cap. 2, p. 33-55.
GODINHO, Francisco Alexandre Ferreira Biscaia. Uma nova abordagem para a formação de engenharia de reabilitação em Portugal. Vila Real 2010. Tese (Doutorado) – Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Engenharia Eletrotécnica e de Computadores.
HAYFLICK, L. Como e por que envelhecemos. Rio de Janeiro: Campus, 1997.
LOHN, V. M. Indicadores de responsabilidade social: uma proposta para as instituições de ensino superior. Rev. GUAL, Florianópolis, v.4, n. 1, p.110-128, jan/abr. 2011
LOPES, V. L.; IBDAIWI, T. K. R.; ALMEIDA, D. M.; LOPES, L. F. D.; COSTA, V. M. F.; ALVES, C. P. Responsabilidade social versus ação social, a percepção das empresas colaboradoras. Revista Brasileira de Administração Científica, Aquidabã, v. 5; n, 1, 2014. p. 269-287.
MACIEL, Maria Regina Cazzaniga. Portadores de deficiência: a questão da inclusão social. São Paulo Perspec., v.14, n. 2, São Paulo, jun. 2000. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_ar ttext&pid=S010288392000000200008. Acesso em 21 Ago. 2015.
MERCADANTE, Aloizio. Construindo estratégias para combater a desigualdade social: uma perspectiva socioeconômica. In: NOLETO, Marlova Jovchelovitch; WERTHEIN, Jorge (Org.). Pobreza e desigualdade no Brasil: Traçando caminhos para a inclusão social. 2. ed. Brasília: UNESCO, 2004. Cap. 3, p. 37-51.
NANÔ, Fabiana. Número de idosos dobrou nos últimos 20 anos no Brasil, aponta IBGE. UOL notícias, São Paulo, 21 set. 2012. Disponível em: http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2012/09/21/ numero-de-idosos-com-mais-de-60-anos-dobrou-nos-ultimos-20-anos-aponta-ibge.htm. Acesso em 22 Ago. 2015.
PARRA, Ana Carolina et al. O desafio da inclusão social no Brasil. Mal-Estar e Sociedade. [online]. Ano V. n. 9, p. 29-42. Barbacena, dez. 2012. Disponível em: http://www.uemg.br/openjournal/index.php/ malestar/article/view/204/225. Acesso em: 18 Ago. 2015.
PAULO, Ceris Angela; TIJIBOY, Ana Vilma. Inclusão digital de pessoas de terceira idade através da Educação a Distância. Novas Tecnologias na Educação, CINTED-UFRGS. V. 3, n. 1, Mai, 2005. Disponível em: http://seer.ufrgs.br/index.php/renote/article/view/13797/8002. Acesso em 15 Set. 2015.
REPRESENTAÇÃO DA UNESCO NO BRASIL. Comunicação e informação. Governança na internet no
Brasil. UNESCO 2015. Disponível em:
http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/communication-and-information/access-to-knowledge/internet-governance/. Acesso em 10 set. 2015.
RORIZ, Ticiana Melo de Sá; AMORIM, Katia de Souza, ROSSETTI-FERREIRA, Maria Clotilde. Inclusão social/escolar de pessoas com necessidades especiais: Múltiplas perspectivas e controversas práticas discursivas. Psicologia USP, São Paulo 2005, v. 16, n. 3, p. 167-194. Disponível em: http://www.scielo.br/ pdf/pusp/v16n3/v16n3a09.pdf. Acesso em 23 Jul. 2015.
SILVA, Helena et al. Inclusão digital e educação para competência informacional: uma questão de ética e cidadania. [online]. Brasília, v. 34, n. 1, p. 28-36, 2005. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ci/ v34n1/a04v34n1.pdf. Acesso em 12 nov. 2015.
SILVA FILHO, Antonio Mendes. Os três pilares da inclusão digital. Revista espaço acadêmico. Ano III, n.24, 2003. Disponível em: http://www.espacoacademico.com.br/024/24amsf.htm. Acesso em 12 nov. 2015. TORRES, Mabel Mascarenhas; SÁ, Maria Auxiliadora Ávila dos Santos. Inclusão social de idosos: um longo caminho a percorrer. Revista Ciências Humanas – Universidade de Taubaté (UNITAU). [online], Brasil, v. 1, n. 2, Taubaté, 2008. Disponível em: http://revistas.unitau.br/ojs-2.2/index.php/humanas/ article/viewFile/454/419. Acesso em 20 Ago. 2015.
VALENTE, José Armando. Computadores e conhecimento: repensando a educação. Campinas: UNICAMP, 1993.
WARSCHAUER, Mark. Tecnologia e inclusão social: a exclusão digital em debate. São Paulo: Senac São Paulo, 2006.