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Resíduos sólidos urbanos: seus impactos e a compostagem e reciclagem como alternativas de tratamento

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ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO AMBIENTAL EM MUNICÍPIOS

VINICIO ZANCAN

RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS: seus Impactos e a

Compostagem e Reciclagem como Alternativas de Tratamento

MONOGRAFIA DE ESPECIALIZAÇÃO

MEDIANEIRA

2015

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VINICIO ZANCAN

RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS: seus Impactos e a

Compostagem e Reciclagem como Alternativas de Tratamento

Monografia apresentada como requisito parcial à obtenção do título de especialista na Pós Graduação em Gestão Ambiental em Municípios - Polo UAB do município de Concórdia, Modalidade de Ensino a Distância, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná - Câmpus Medianeira.

Orientador: Prof°. Dr. Valdemar Padilha Feltrin

MEDIANEIRA

2015

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Ministério da Educação

Universidade Tecnológica Federal do Paraná Diretoria de Pesquisa e Pós-Graduação Especialização em Gestão Ambiental em Municípios

TERMO DE APROVAÇÃO

Resíduos Sólidos Urbanos: seus Impactos e a Compostagem e Reciclagem como Alternativas de Tratamento.

Por

Vinicio Zancan

Esta monografia foi apresentada às 18 h do dia 04 de dezembro de 2015 como requisito parcial para a obtenção do título de Especialista no Curso de Especialização em Gestão Ambiental em Municípios - Polo de Concórdia, Modalidade de Ensino a Distância, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Câmpus Medianeira. O candidato foi arguido pela Banca Examinadora composta pelos professores abaixo assinados. Após deliberação, a Banca Examinadora considerou o trabalho aprovado.

______________________________________ Prof. Dr. Valdemar Padilha Feltrin

UTFPR – Câmpus Medianeira (orientador)

____________________________________ Profª. Drª. Dangela Maria Fernandes

UTFPR – Câmpus Medianeira

____________________________________ Profª. Ma. Renata Ruaro

UTFPR – Câmpus Medianeira

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A todas aquelas pessoas que transformam suas ideias e sonhos em projetos reais, ajudando a construir uma sociedade melhor.

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AGRADECIMENTOS

Em primeiro lugar, agradeço a Deus, pela vida, dando-me a chance de moldá-la com minhas próprias mãos. Agradeço sua magnitude e bondade em conceder-me saúde e dedicação. Com isso, consegui concluir mais uma etapa importante da minha vida.

Agradeço a dedicação, o carinho e o esforço que recebi de meus pais Ivo e

Zélia e da minha irmã Gabriela, por estarem sempre ao meu lado, me

apoiando, dando-me forças e sempre me ensinando os verdadeiros valores da vida. Amo vocês!

À minha namorada Patrícia, pela sua presença nesta caminhada, pelo amor, companheirismo, carinho, paciência, incentivo e compreensão. Amo você!

Aos colegas do curso. “As pessoas entram e saem das nossas vidas, mas elas não vão sós. Sempre levam um pouco de nós e deixam um pouco de si”.

Ao meu orientador Valdemar Padilha Feltrin, por ter me conduzido tão sabiamente ao alcance da conclusão deste trabalho e curso.

A todos os professores e aos tutores presenciais e a distância que me auxiliaram no decorrer da pós-graduação do curso de Especialização em Gestão Ambiental em Municípios, UTFPR, Câmpus Medianeira.

E a todos que contribuíram, direta ou indiretamente, para que este estudo se realizasse.

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RESUMO

ZANCAN, Vinicio. RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS: SEUS IMPACTOS E A

COMPOSTAGEM E RECICLAGEM COMO ALTERNATIVAS DE

TRATAMENTO. 2015. 63 folhas. Monografia (Especialização em Gestão Ambiental em Municípios). Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Medianeira, 2015.

Os resíduos sólidos são hoje, um dos maiores problemas ambientais-urbanos do mundo de perspectiva capitalista e tende a ser cada vez mais agravado, uma vez que os padrões de consumo impostos pelo capitalismo estimulam os indivíduos a acreditarem que quanto mais consumirem, melhor estarão colocados na escala social. Com o objetivo de reconhecer os impactos causados pelos Resíduos Sólidos Urbanos e buscar alternativas de tratamento, com ênfase na compostagem e na reciclagem, desenvolveu-se a referida pesquisa de cunho exploratório, baseado nas principais obras que abordam este tema. A análise dos dados ocorreu a partir das informações da literatura científica a respeito do assunto em pauta. Constatou-se que, os resíduos produzidos pelos seres humanos nas mais variadas atividades existentes são um dos graves problemas enfrentados por todos os atores sociais e políticos devido ao intenso consumo que ocorre na sociedade contemporânea, bem como, a poluição do ambiente e a ameaça à saúde pública decorrente do não tratamento, acumulação ou destinação final inadequada destes resíduos, ocasionando impactos ambientais, econômicos e sociais. Na tentativa de acomodar todos os problemas e impactos, manter a associação do consumo à qualidade de vida como característica fundamental da sociedade moderna, a reciclagem tem papel fundamental dentro do conceito de desenvolvimento sustentável. Cabe a cada um fazer sua parte e cobrar eficiência do setor público, a quem cabe gerenciar o resíduo urbano com eficiência e responsabilidade.

Palavras-chave: Resíduos Sólidos Urbanos. Impactos. Compostagem.

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ABSTRACT

ZANCAN, Vinicio. MUNICIPAL SOLID WASTE: ITS IMPACTS AND COMPOSTING AND RECYCLING AS TREATMENT OPTIONS. 2015. 63 leaves. Monografh (Specialization Environmental em Gestão em Municípios). Universidade Tecnológica Federal of Paraná, Medianeira, 2015.

Solid waste is today one of the largest environmental-urban problems of the capitalist perspective world and tends to be increasingly exacerbated, since consumption patterns imposed by capitalism encourage individuals to believe that the more consumed, the better will be placed the social ladder. In order to recognize the impacts of Solid Waste and seek alternative treatment, with emphasis on composting and recycling, has developed to such exploratory research, based on the major works on this topic. Data analysis was based on information from the scientific literature on the subject at hand. It was found that the waste produced by humans in various existing activities are one of the serious problems faced by all social and political actors due to heavy consumption occurring in contemporary society, as well as pollution of the environment and the threat to public health arising from your failure treatment, final accumulation or improper disposal of this waste, causing environmental, economic and social. In an attempt to accommodate all the problems and impacts, keep the association of consumption quality of life as a fundamental characteristic of modern society, recycling plays an important role within the concept of sustainable development. It is up to each do their part and charge public sector efficiency, which is responsible for managing municipal waste efficiently and responsibly.

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LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Tabela 1 - Brasil: Produção total e per capita de resíduo urbano conforme

distribuição populacional por municípios – 2000...16

Tabela 02 – Geração per capita de resíduos sólidos por Kg/dia de países e cidades...17

Quadro 1 – Doenças relacionadas aos agentes biológicos que fazem do resíduo sua fonte de alimentação...27

Figura 01. Bags com Material Reciclável Triado, Destinado ao Enfardamento.37 Figura 02. Materiais Reciclados Enfardados para Venda...38

Figura 03. Incineração do Resíduo...39

Figura 04. Cinzas de Incineração do Resíduo à 900°C...39

Figura 05. Reator Concebido para Processar Resíduos Hospitalares...40

Figura 06. O Processo da Pirólise...41

Figura 07. Pátio com as Leiras de Compostagem...42

Figura 08. Área de Manejo de Compostagem...43

Figura 09. Aterro Sanitário...49

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ... 9

1.1 OBJETIVO GERAL ... 10

1.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ... 10

2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS DA PESQUISA ... 11

2.1 TIPO DE PESQUISA E COLETA DE DADOS ... 11

2.2 ANÁLISE DOS DADOS ... 12

3 REFERENCIAL TEÓRICO ... 13

3.1 O QUE SÃO OS RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS - RSU? ... 14

3.2 CLASSIFICAÇÃO POR ORIGEM DOS RESÍDUOS SÓLIDOS ... 19

3.3 CARACTERÍSTICAS FÍSICO-QUÍMICAS DO RESÍDUO ... 22

3.4 RESÍDUOS SÓLIDOS E SEUS IMPACTOS ... 23

3.5 POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS - PNRS ... 27

3.6 GERENCIAMENTO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS ... 30

3.7 COLETA SELETIVA ... 33

3.8 TRATAMENTO E DESTINAÇÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS ... 35

3.8.1 Triagem ... 36

3.8.2 Destruição por Intermédio da Incineração ... 38

3.8.3 Pirólise ... 39

3.8.4 Compostagem ... 41

3.8.5 Reciclagem de Materiais ... 43

3.8.6 Aterro Sanitário – Disposição Final ... 48

3.9 OS 3 Rs – REDUZIR, REUTILIZAR E RECICLAR ... 51

3.10 EDUCAÇÃO AMBIENTAL ... 53

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 56

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1 INTRODUÇÃO

Inúmeros são os problemas que preocupam e afligem as administrações municipais, tanto no Brasil, como no mundo. Um deles, e de relevância significativa, é a destinação dos resíduos gerados nas mais diversas atividades humanas e quando eliminados inadequadamente, resultam em poluição, contaminação e desperdício de recursos naturais.

Esta problemática, resultante da geração dos Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) é cada vez mais preocupante devido ao grande crescimento populacional e ao desenvolvimento tecnológico, o que levou ao aumento do consumo de bens e, consequentemente, da geração de resíduo.

Assim, percebe-se que um dos grandes problemas da atualidade são os resíduos. O homem colocando o resíduo no lixeiro ou jogando-o em terrenos baldios, resolve o seu problema individual, mas não percebe que as áreas de resíduo nas cidades estão cada vez mais escassas e que esses resíduos nos terrenos baldios favorecem o desenvolvimento de problemas de saúde pública e impactos ambientais. Por isso, para a preservação do meio ambiente, o resíduo deve ser considerado como uma questão de toda a sociedade e não um problema individual.

Deste modo, algumas técnicas de tratamento ou beneficiamento do resíduo têm sido relevantes na busca de soluções para esse problema.

Como exemplo de métodos bastante utilizados, cabe citar a compostagem e a reciclagem. Existe a necessidade da ação efetiva das comunidades locais na gestão dos RSU, no sentido de reciclar os materiais, prolongando assim, a vida útil dos aterros sanitários e, principalmente, fiscalizar as ações governamentais de gestão dos RSU, sobretudo no que diz respeito à continuidade de tais políticas para o seu pleno sucesso.

Contudo, percebe-se que as soluções normalmente empregadas para este problema sempre foram os aterros ou os lixões. A simples disposição do resíduo desperdiça um material que pode ter um destino mais nobre com a compostagem e a reciclagem, uma vez que lixões e aterros são ambientalmente inconvenientes, além da escassez de espaço. O reaproveitamento do resíduo, além de proporcionar melhorias significativas do

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ponto de vista ambiental (diminuir a quantidade de aterros, preservar os recursos naturais, impedir a contaminação de novas áreas, etc.) é uma alternativa economicamente vantajosa de gerenciamento de resíduos, pois introduz no mercado um novo material com grande potencialidade de uso, transforma os resíduos sólidos novamente em matéria-prima e gera novas oportunidades de emprego.

Portanto, vem sendo consensual a constatação de que é preciso minimizar o montante dos resíduos. Nesse sentido, é necessário reconhecer os impactos causados pelos resíduos sólidos urbanos e buscar alternativas de tratamento, com ênfase na compostagem e reciclagem.

1.1 OBJETIVO GERAL

Reconhecer os impactos causados pelos resíduos sólidos urbanos e buscar alternativas de tratamento, com ênfase na compostagem e reciclagem.

1.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

• Levantar informações sobre os Resíduos Sólidos Urbanos – RSU e seus impactos ao meio ambiente;

• Identificar as formas de tratamento dos Resíduos Sólidos Urbanos; • Incentivar sobre a importância da Compostagem e Reciclagem ao meio

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2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS DA PESQUISA

2.1 TIPO DE PESQUISA E COLETA DE DADOS

A referida pesquisa foi realizada através das principais obras que abordam o tema Resíduos Sólidos Urbanos, seus impactos e a compostagem e reciclagem como uma alternativas para o tratamento dos materiais.

Na realização de uma pesquisa, compreende-se que a metodologia é fundamental para se produzir um trabalho científico com qualidade. Nesse sentido, ela consiste em estudar e avaliar os vários métodos disponíveis, identificando suas limitações ou não à nível das implicações de suas utilizações, além de examinar e avaliar as técnicas de pesquisa, bem como a geração ou verificação de novos métodos que conduzem a captação e processamento de informações com vistas à resolução de problemas de investigação (BARROS, 1986 apud MELO, 2011, p. 17).

Sobretudo, não existe pesquisa sem o apoio de técnicas e de instrumentos metodológicos adequados, que permitam a aproximação ao objeto de estudo. Nesse sentido, o trabalho caracterizou-se como uma pesquisa exploratória que, segundo aponta Gil (1991) apud Silva e Menezes, 2005, p. 21, visa proporcionar maior familiaridade com o problema com vistas a torná-lo explícito ou a construir hipóteses. Envolve levantamento bibliográfico, entrevistas e análise de exemplos que estimulem a compreensão. Assume, em geral, as formas de Pesquisas Bibliográficas e Estudos de Caso.

Diante disso, o presente trabalho caracterizou-se como uma pesquisa bibliográfica que, segundo Cervo e Bervian (2002), procura explicar um problema a partir de referências teóricas publicadas em documentos e busca conhecer e analisar as contribuições culturais e científicas do passado existente sobre um determinado assunto, tema ou problema. Ressaltam ainda que a teoria é um conjunto de conceitos inter-relacionados, definições e proposições que apresentam uma concepção sistemática dos fenômenos mediante a especificação de relações entre variáveis, com o propósito de explicá-los e prevê-los.

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Assim, percebe-se que uma pesquisa de cunho bibliográfico, consiste em explicar sobre um determinado tema baseando-se em referências já publicadas, com objetivo de analisar as diferentes percepções de diversos autores sobre um mesmo assunto.

2.2 ANÁLISE DOS DADOS

A análise dos dados ocorreu a partir das informações da literatura científica a respeito do assunto em pauta. Diante disso, o trabalho foi subdividido em categorias de análise, sendo elas:

– Resíduos sólidos e seus impactos;

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3 REFERENCIAL TEÓRICO

O progresso e o desenvolvimento acelerado, juntamente com uma lógica cada vez mais consumista, fizeram com que cada vez mais os recursos naturais fossem consumidos numa velocidade maior. Assim, os resíduos que são produzidos desde o início da cadeia de produção até o descarte dos consumidores aumentaram vorazmente. E como os padrões de consumo impostos pelo capitalismo estimulam os indivíduos de um modo geral, quanto mais a população consumir, melhor estarão colocados na escala social.

A produção de resíduos sólidos faz, portanto, parte do cotidiano do ser humano e não se pode imaginar um modo de vida que não gere resíduos.

Um exemplo disso é o resíduo urbano, o qual se tornou um grande problema, pois é depositado nas ruas, acumulando-se e, durante as chuvas, dificultam a drenagem urbana, negligência tanto dos populares quanto dos administradores. Sendo assim, o descarte inadequado do resíduo, ou seja, o descarte sem tratamento causa danos ambientais relacionados ao solo, à água e ao ar, altera as características químicas, físicas e biológicas, além da formação de gases tóxicos pela decomposição dos resíduos no meio e promove a reprodução de roedores e insetos (RODRIGUES; CAVINATTO, 2002 apud MAFALDO; PINHEIRO, 2011, p. 353).

Portanto, a disposição inadequada do resíduo expõe a população a sérios riscos de contaminação, degradando o ambiente, indiscriminadamente.

No entanto, nos últimos tempos, a sociedade, felizmente, está apresentando mudanças no comportamento, já que está mais exigente em relação às questões ambientais, precisamente com os impactos provocados pelos indiscriminados lançamentos de resíduos sólidos ao meio ambiente.

Sobretudo, sabe-se que ainda há muito caminho a ser trilhado, pois conforme apontam Mano, Pacheco e Bonelli (2005, p. 99), após a produção ou utilização de qualquer material sólido, tanto em nível urbano, quanto industrial ou agrícola, sobram resíduos e, especialmente em locais menos desenvolvidos, esses resíduos são descartados aleatoriamente e apenas em alguns casos é que obedecem a um tratamento regular.

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Sendo assim, o resíduo sólido ainda é considerado um problema crônico na sociedade, seu mau gerenciamento propicia verdadeiras mazelas ambientais, além de comprometer a qualidade de vida da população. Nesse sentido, o presente trabalho busca tratar sobre os Resíduos Sólidos Urbanos – RSU.

3.1 O QUE SÃO OS RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS - RSU?

Sabe-se que os resíduos sólidos urbanos são vulgarmente denominados por lixo urbano. Nesse sentido, Demajorovic (1995, p. 89) destaca que o termo "lixo" foi substituído por "resíduos sólidos", e estes, que antes eram entendidos como meros subprodutos do sistema produtivo, passaram a ser encarados como responsáveis por graves problemas de degradação ambiental. Além disso, "resíduos sólidos" diferenciam-se do termo "lixo" porque, enquanto este último não possui qualquer tipo de valor, já que é descartado, os resíduos sólidos possuem valor econômico agregado, por possibilitarem reaproveitamento no próprio processo produtivo.

A base antrópica do conceito de resíduo permite defini-lo sob diferentes pontos de vista. Sendo assim, de acordo com Bidone ([20--?]), em diferentes considerações, resíduo é definido pela Organização Mundial da Saúde como qualquer coisa que o proprietário não quer mais, em certo local e em determinado momento. Já para a Comunidade Européia, é toda substância ou objeto cujo detentor se desfaz ou tem a obrigação de se desfazer em virtude de disposições nacionais em vigor. A definição francesa considera resíduo como todo rejeito do processo de produção, transformação ou utilização, toda substância, material, produto ou bem móvel abandonado ou que seu detentor destina ao abandono.

Novas concepções, apontadas por Lima (2004, p. 09), é que é comum defini-lo como todo e qualquer resíduo que resulte das atividades diárias do homem na sociedade. Estes se compõem de sobras de alimentos, papéis, papelões, couros, madeira, latas, vidros, gases, vapores, poeiras, sabões, detergentes e outras substâncias descartadas pelo homem no meio ambiente.

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De acordo com Araújo e Lima (2008, p. 20), os resíduos são restos das atividades humanas, considerados pelos geradores como inúteis, indesejáveis ou descartáveis. Alguns se apresentam no estado sólido, semi-sólido ou semilíquido, participantes de conteúdos insuficientes para que o líquido possa fluir sem ser pressionado na natureza.

A Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT 10004 no item três, tem definido os resíduos sólidos e semi-sólidos como aqueles:

[...] que resultam de atividades da comunidade de origem: industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Ficam incluídos nesta definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamento. E instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos de água que exijam, para isso, soluções técnicas economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível (ABNT, 2004).

Pela definição anterior, os resíduos sólidos são provenientes de diversas fontes geradoras e tem apresentado características diferentes. Uns, mais volumosos, como o entulho da construção civil; outros apodrecem rapidamente, como é o caso de cascas de frutas e restos de alimentos; outros são tóxicos, pilhas e baterias são citadas como exemplo (HEMPE; NOGUERA, 2012, p. 686).

Os principais fatores que regem a origem e produção dos RSU são: o aumento populacional e a intensidade da industrialização. O aumento populacional exige maior incremento na produção de alimentos e bens de consumo direto. A tentativa de atender esta demanda faz com que o homem transforme cada vez mais matérias-primas em produtos acabados, gerando assim, maiores quantidades de resíduos que comprometem o meio ambiente. Já o processo de industrialização se constitui num dos fatores principais da origem e produção de resíduo (LIMA, 2004).

O fato mais preocupante é que a população mundial cresce em ritmo acelerado e isso implica na expansão automática da industrialização, uma vez que maiores quantidades de alimentos e bens de consumo serão necessários para atender esta nova demanda, o que pode gerar consideráveis volumes de resíduo. Assim, o não tratamento desta massa pode contribuir

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significativamente para a degradação da biosfera, em detrimento da qualidade de vida no planeta.

Nesse sentido e, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE (2002), apud Mól, 2007, p. 23, pode-se observar a produção diária de resíduo nas cidades brasileiras através da tabela a seguir:

Tabela 1 - Brasil: Produção total e per capita de resíduo urbano conforme distribuição populacional por municípios – 2000

Municípios Produção Kg/Hab/dia) Total de

resíduo urbano produzido (ton/dia) Nº de Habitantes Total População Resíduo Domiciliar Resíduo público Resíduo urbano Brasil 5507 169489853 0,74 0,22 0,95 161.015,4 Até 9 999 2644 13865155 0,46 0,20 0,66 9.151,3 De 10 000 a 19 999 1382 19654601 0,42 0,16 0,58 11.399,58 De 20 000 a 49 999 957 28674236 0,48 0,16 0,64 18.351,04 De 50 000 a 99 999 300 20836724 0,56 0,15 0,71 14.794,04 De 100 000 a 199 999 117 16376710 0,69 0,15 0,84 13.756,4 De 200 000 a 499 999 76 23200154 0,78 0,14 0,91 21.112,14 De 500 000 a 9999 999 18 12554978 1,29 0,43 1,72 21.594,16 Mais de 1 000 000 13 34327295 1,16 0,35 1,50 51.4909,5 Fonte: IBGE (2000, p. 52).

Ressalta-se que existem algumas limitações nas informações existentes nesta tabela, pois a PNSB (2002) alerta que apenas 64,7% do resíduo do país é efetivamente pesado. Apenas 5,7% das cidades possuem equipamentos de pesagem dos resíduos. Este pequeno percentual é proveniente das grandes e médias cidades brasileiras. Portanto a PNSB (2002), trabalha com estimativas por falta de dados mais concretos (MÓL, 2007, p. 23).

Considerando a tendência futura destes dois fatores básicos e suas implicações na produção e origem do resíduo, Lima (2004) expõe sobre o conceito de inesgotabilidade do resíduo, ou seja, afirma que o resíduo urbano é inesgotável ou irreversível, pois os mecanismos de origem e produção dos resíduos advêm de processos irreversíveis.

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Assim sendo, os problemas gerados pelo resíduo no meio ambiente são irreversíveis caso não seja feito nada para contê-lo.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (2000), a geração

per capita de resíduos sólidos se faz diferente conforme o grau de desenvolvimento do país, como se pode observar em alguns exemplos, de países e cidades, abaixo relacionados:

Tabela 02 – Geração per capita de resíduos sólidos por Kg/dia de países e cidades

PAÍS/CIDADE GERAÇÃO PER CAPITA RSU

Canadá 1,900 kg/dia Holanda 1,300 kg/dia Japão 1,000 kg/dia Índia 0,400 kg/dia E.U. A 1,700 kg/dia Suíça 1,200 kg/dia

Europa (outros) 0,900 kg/dia

Cidade do México 0,900 kg/dia

Rio de Janeiro 0,800 kg/dia

Buenos Aires 0,740 kg/dia

San José (E.U.A) 0,680 kg/dia

San Salvador (El Salvador) 0,520 kg/dia

Tegucigalpa (Honduras) 0,500 kg/dia

Fonte: Organização Mundial de Saúde – OMS (2000)

Como se pode observar, todos nós produzimos nossa cota diária de resíduo, portanto, devemos ser responsáveis por ele.

Para Prado Filho e Sobreira (2007, p. 52):

Os resíduos sólidos urbanos se caracterizam como importantes agentes causadores de degradação do ambiente urbano e natural e se constituem meios para o desenvolvimento e proliferação de vetores que transmitem doenças infecciosas.

Nesse sentido, o RSU é um problema de saúde pública, que envolve questões de interesse coletivo, profundamente influenciado por fatores econômicos, manifestações da sociedade, aspectos culturais e conflitos políticos (PHILIPPI JR., 2005).

Vale salientar que muitos são os fatores que influenciam a origem e formação do resíduo no meio urbano. Dentre eles, cabe citar:

• Número de habitantes no local; • Área relativa de produção; • Variações sazonais;

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• Condições climáticas;

• Hábitos e costumes da população; • Nível educacional;

• Poder aquisitivo;

• Tipo de equipamento de coleta; • Segregação na origem;

• Sistematização da origem;

• Disciplina e controle dos pontos produtores;

• Leis e regulamentações específicas (LIMA, 2004).

Ainda, outros fatores também influenciam na formação e caracterização do resíduo. São eles:

• Teor de umidade: representa a quantidade de água contida na massa do resíduo;

• Peso específico: representa a relação entre o peso e o volume; • Teor da matéria orgânica: representa a quantidade, em peso seco, de matéria orgânica contida na massa do resíduo em geral (LIMA, 2004).

Diante do exposto, pode-se considerar quão importante é o conhecimento prévio dos mecanismos que dão origem aos resíduos produzidos no meio urbano; que o tratamento ou eliminação destes resíduos se constitui num sério problema por envolver aspectos sociais, ambientais e econômicos, problema este que somente o bom senso, aliado aos recursos da ciência e da tecnologia podem resolver satisfatoriamente.

Em função das conceituações anteriores, a noção de resíduo deve ser considerada relativa tanto no tempo quanto no espaço, pois, de acordo com Bidone ([20--?], p. 04), um valor de uso ou utilidade nulo para um detentor pode corresponder a um valor de uso positivo para outro. O status de resíduo é, portanto, provisório e transitório, sendo dependente dos estados de economia, da tecnologia e da informação. No entanto, o futuro do resíduo, seu abandono ou sua conservação pelo detentor, é fortemente condicionado pelo contexto psicológico e sociológico, fatores que também evoluem no tempo e no espaço.

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Além disso, quando ocorrem variações na economia, os reflexos são imediatamente percebidos nos locais de disposição e tratamento do resíduo. Ou, se o sistema econômico entra em desaquecimento, certamente haverá menores quantidades de resíduo. O inverso também é verdadeiro, apesar de que pode haver certa tendência para a estabilização, quando atinge certo nível de consumo (LIMA, 2004, p. 12).

Compreende-se, portanto, que a definição e a conceituação do termo resíduo têm diferido conforme a situação em que seja aplicada e que existem vários autores que já vem realizando pesquisas sobre esta problemática.

3.2 CLASSIFICAÇÃO POR ORIGEM DOS RESÍDUOS SÓLIDOS

Quanto à classificação dos Resíduos Sólidos, os detalhes técnicos são obtidos na NBR-10004 da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. Esta norma trata da classificação dos resíduos em uma forma ampla, dividindo-os em três categorias:

Resíduos Classe I – Perigosos: aqueles que apresentam

periculosidade, ou seja, possam causar risco à saúde pública, provocando mortalidade, incidência de doenças ou acentuando seus índices e/ou possam causar risco ao meio ambiente, quando o resíduo for gerenciado de forma inadequada, ou apresentem uma dessas características: inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade. Exemplos: solventes, borras de tintas, soluções galvanoplásticas, pós e fibras de amianto, lâmpadas, óleo lubrificante usado ou contaminado, fluido e óleo hidráulico usado, cinzas provenientes de incineração;

Resíduos Classe II-A – Não Inertes: aqueles que não se

enquadram nas classificações de resíduos classe I ou de resíduos classe II-B, nos termos da norma. Estes resíduos podem ter propriedades tais como: biodegradabilidade, combustibilidade, ou solubilidade em água. Exemplos: resíduos de restaurante (restos de

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alimento), sucata de metais ferrosos, sucata de metais não-ferrosos, resíduos de papéis e papelões e resíduos de plástico polimerizados; • Resíduos Classe II-B – Inerte: quaisquer resíduos, que quando

amostrados de uma forma representativa e submetidos a um contato dinâmico e estático com água destilada ou deionizada, à temperatura ambiente, não tiverem nenhum de seus constituintes solubilizados a concentrações superiores aos padrões de potabilidade de água, executando-se aspecto, cor, turbidez, dureza e sabor. Exemplos: resíduos de madeira, resíduos de entulho, rochas, tijolos, vidros e certos plásticos e borrachas que não são decompostos prontamente.

Sob uma forma específica e usual de gerenciamento de resíduo, é mais prático e didático classificá-lo como:

Resíduo Domiciliar: aquele originado na vida diária das

residências, constituído por restos de alimentos, produtos deteriorados, jornais e revistas, garrafas e embalagens, papel higiênico e fraldas descartáveis, além de uma infinidade de itens domésticos;

Resíduo Comercial: originado nos estabelecimentos comerciais

e de serviços, tais como supermercados, bancos, lojas, bares, restaurantes, etc. Os resíduos destes estabelecimentos tem um forte componente de papel, plástico, embalagens, material de asseio tais como papeis-toalha, papel higiênico, etc;

Resíduo Público: são originados dos serviços de limpeza pública

urbana, incluídos os resíduos de varrição das vias públicas, limpeza de praias, de galerias, de córregos e terrenos baldios, podas de árvores, etc. Inclui-se a limpeza de locais de feiras livres ou eventos públicos;

Resíduo Hospitalar: constituem-se os resíduos sépticos os que

contêm germes patogênicos. São produzidos em serviços de saúde, tais como: hospitais, clínicas, laboratórios, farmácias, clínicas veterinárias, postos de saúde, etc. Este resíduo é constituído de agulhas, seringas, gazes, bandagens, algodões, órgãos e tecidos

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removidos, meios de culturas, animais usados em teste, sangue coagulado, remédios, luvas descartáveis, filmes radiológicos, etc; • Resíduo Especial: é o resíduo encontrado em portos, aeroportos,

terminais rodoviários ou ferroviários. Constituem os resíduos sépticos, que podem conter agentes patogênicos oriundos de um quadro de endemia de outro lugar, cidade, estado ou país. Estes resíduos são constituídos por material de higiene e asseio pessoal, restos de alimentação, etc;

Resíduo Industrial: é aquele originado nas atividades industriais,

dentro dos diversos ramos produtivos existentes. O resíduo industrial é bastante variado e pode estar relacionado ou não a um tipo de produto final da atividade industrial. Está representado por resíduos de cinzas, óleos, lodo, substâncias alcalinas ou ácidas, escórias, corrosivas, etc;

Resíduo Agrícola: resíduos sólidos das atividades agrícolas e da

pecuária, como embalagens de adubos e agrotóxicos, defensivos agrícolas, ração, restos de colheita, etc. Em várias regiões do mundo, este tipo de resíduo causa preocupação crescente. Cabe destacar as enormes quantidades de esterco animal geradas nas fazendas de pecuária intensiva. Também as embalagens de agroquímicos diversos, em geral tóxicos, têm sido alvo de legislação específica (GRIPPI, 2006).

Lima (2004, p. 14), também destaca a classificação do resíduo. Considerando-se o resíduo quanto à sua natureza e estado físico, pode ser classificado como sólido, líquido, gasoso e pastoso. Quanto ao critério de origem e produção, pode ser classificado como:

Residencial: também chamado como resíduo domiciliar ou

doméstico, é constituído por sobras de alimentos, invólucros, papéis, papelões, plásticos, vidros, etc;

Comercial: oriundo de estabelecimentos comerciais. Seus

componentes mais comuns são papéis, papelões, plásticos, restos de alimentos, embalagens de madeira, resíduos de lavagem, etc;

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Industrial: é todo e qualquer resíduo resultante de atividades

industriais. Em geral, esta classe é responsável pela contaminação do solo, ar e recursos hídricos, devido à forma de coleta e disposição final, que na maioria dos centros urbanos fica a cargo do próprio produtor. Assim, é frequente observar o lançamento de resíduos industriais ao relento e nos recursos hídricos, o que gera problemas extremamente graves;

Hospitalar: compreendem tanto restos de alimentos, papéis,

invólucros, etc – resíduos comuns – oriundos das salas de cirurgia, das áreas de internação e isolamento – resíduos especiais;

Especial: trata-se de resíduos em regime de produção transiente,

como veículos abandonados, podas de jardins e praças, mobiliário, animais mortos, descarga clandestina, etc. Em geral, as prefeituras ou empresas de limpeza dispõem de um serviço de coleta para atender tais casos;

Outros: estão incluídos os resíduos não contidos nos itens

anteriores e aqueles provenientes de sistemas de varredura e limpeza de galerias e boca de lobo.

A compreensão das características dos resíduos sólidos, bem como suas origens, constitui-se no passo inicial para que tanto a população quanto as autoridades competentes possam lidar com ele de forma mais efetiva. A correta identificação dos resíduos pela população é da maior importância para melhor administração dos resíduos que possam ou não ser reutilizados ou reciclados, bem como dar a população uma melhor conscientização na hora da aquisição de produtos (PEREIRA; CURI, 2013, p. 153).

3.3 CARACTERÍSTICAS FÍSICO-QUÍMICAS DO RESÍDUO

É muito importante conhecer as características físicas e químicas do resíduo, pois tais parâmetros possibilitam calcular a capacidade e tipo dos equipamentos de coleta, tratamento e o destino final.

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Nesse contexto, Lima (2004, p. 15), salienta que propriedades como o volume, por exemplo, determinam as dimensões dos locais de descarga ou estações de transbordo, além do tempo de vida de um aterro sanitário. Além disso, a composição serve para mostrar as potencialidades econômicas do resíduo, subsidiando informações para escolha do melhor e mais adequado sistema de tratamento e disposição final. Pode-se dizer ainda, que a eficiência dos sistemas de coleta e disposição final está fundamentada numa análise criteriosa das características físicas e químicas dos resíduos.

Já para um procedimento correto na análise do resíduo, deve-se levar em conta as oscilações do número de habitantes de um centro produtor de resíduo, a expansão física da área urbana e o incremento na taxa de produção

per capita. Os dois primeiros fatores são facilmente encontrados, pois algumas entidades públicas controlam sistematicamente tais fenômenos. Para se obter o último componente, faz-se necessário analisar os dados de coleta, considerando-se preferencialmente o sistema como um todo, ou seja, operando com valores globais. Nesta análise, deve-se verificar ainda os níveis de estabilidade de crescimento populacional, não esquecendo as influências econômicas significativas no comportamento desta variável (LIMA, 2004, p. 15).

3.4 RESÍDUOS SÓLIDOS E SEUS IMPACTOS

O desenvolvimento econômico, o crescimento populacional, a urbanização e a revolução tecnológica vêm sendo acompanhados por alterações no estilo de vida e nos modos de produção e consumo da população. Como decorrência direta desses processos, vem ocorrendo um aumento na produção de resíduos sólidos, tanto em quantidade como em diversidade, principalmente nos grandes centros urbanos. Além do acréscimo na quantidade, os resíduos produzidos atualmente passaram a abrigar em sua composição elementos sintéticos e perigosos aos ecossistemas e à saúde humana, em virtude das novas tecnologias incorporadas ao cotidiano (GOUVEIA, 2012, p. 1504).

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Nesse sentido, Odum e Barret (2008) apud Mafaldo e Pinheiro, 2011, p. 352, ressaltam que:

A gestão dos ecossistemas é um desafio para o futuro, devendo-se abordar econômica e tecnologicamente os complexos problemas que a cada ano ficam mais evidentes. A gestão dos chamados ecossistemas humanos utiliza-se de indicadores sociais e biológicos e é a abordagem que serve para resolver os problemas ambientais mundiais. Desta forma, todos os tipos de resíduos e poluentes são considerados parte dos ecossistemas, uma vez que são energias dos ambientes de saída destes.

Ainda nesse sentido, os Autores (2011) citam o resíduo como uma das ocorrências que põe em risco a integridade dos ecossistemas e que interferem negativamente na qualidade de vida das populações e expõe que não é possível a prática da gestão ambiental sem a presença do Estado, ao qual não se permitem omissões e eventuais conivências, e da sociedade civil, que não pode ser desinteressada ou indiferente aos problemas ambientais. Ambas devem trabalhar compartilhadamente, além de ter objetivos em comum.

Além disso, os resíduos sólidos tornaram-se graves problemas sociais, gerados por um conjunto de processos urbanos e, como tais, não se encontram alheios à vida social humana, mas são completamente penetrados e reordenados por ela, confundindo atualmente o que é “natural” com o que é “social” (FREITAS, 2003 apud MAFALDO; PINHEIRO, 2011, p. 352).

Atualmente, o homem percebe com maior nitidez que o desenvolvimento econômico busca a geração de riquezas e o conforto, o que vai na contra mão das iniciativas que precisam ser tomadas para a preservação ambiental. Atender a essas duas ações, simultaneamente, é a meta da civilização. Assim, torna-se cada vez mais imperioso encontrar formas de promover o desenvolvimento sustentável, diminuindo o impacto ambiental, já que todo sistema econômico gera resíduos, que constituem uma das principais dificuldades para uma comunidade que busca o desenvolvimento social, ambiental e econômico (MANO; PACHECO; BONELLI, 2005, p. 97).

Nesse sentido, considera-se impacto ambiental qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas, que afetem direta ou indiretamente o bem estar da população, além da qualidade dos recursos (CONAMA, 1986 apud LUIZ, 2012, p. 184).

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Para Gouveia (2012, p. 1505), como impactos ambientais têm-se como exemplo, a decomposição da matéria orgânica presente no resíduo que resulta na formação de um líquido de cor escura, o chorume, que pode contaminar o solo e as águas superficiais ou subterrâneas pela contaminação do lençol freático. Pode ocorrer também a formação de gases tóxicos, asfixiantes e explosivos que se acumulam no subsolo ou são lançados na atmosfera.

Além desses impactos mais imediatos no ambiente, o Autor (2012, p. 1506) acima mencionado cita ainda que a disposição de resíduos sólidos pode contribuir de maneira significativa com o processo de mudanças climáticas. A decomposição anaeróbica da matéria orgânica presente nos resíduos gera grandes quantidades de gases de efeito estufa, principalmente o metano (CH4), segundo gás em importância dentre os considerados responsáveis pelo aquecimento global. O potencial de emissão de metano aumenta com a melhora das condições de controle dos aterros e da profundidade dos lixões.

Como impactos socioambientais, Jacobi e Besen (2011, p. 135) citam a degradação do solo, comprometimento dos corpos d’água e mananciais, intensificação de enchentes, contribuição para a poluição do ar e proliferação de vetores de importância sanitária nos centros urbanos e catação em condições insalubres nas ruas e nas áreas de disposição final.

Como consequência, além dos vários impactos ambientais decorrentes das más disposições dos RSU, oferecem também riscos importantes à saúde humana. A disposição dos resíduos no solo, em lixões ou aterros, por exemplo, constitui uma importante fonte de exposição humana a várias substâncias tóxicas.

Complementarmente, o resíduo, disposto inadequadamente, sem qualquer tratamento, pode poluir o solo, alterando suas características, constituindo-se num problema de ordem estética e numa séria ameaça à saúde pública. Por conter substâncias de alto teor energético e, por oferecer disponibilidade simultânea de água, alimento e abrigo, o resíduo é preferido por inúmeros organismos vivos, ao ponto de algumas espécies o utilizarem como nicho ecológico (LIMA, 2004, p. 29).

Diante disso, salienta-se que o lixo é o ambiente perfeito para a proliferação de doenças. Quando disposto no solo sem nenhum tratamento, ele atrai grupos de seres vivos. Cita-se: as moscas, baratas, ratos, porcos,

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cachorros. As bactérias, os fungos e vírus são considerados de grande importância epidemiológica por serem patogênicos e, consequentemente, nocivos ao homem. Estes vetores são causadores de uma série de moléstias e encontram no lixo um dos grandes responsáveis pela sua disseminação.

Portanto, os efeitos adversos dos resíduos sólidos no meio ambiente, na saúde coletiva e do indivíduo são reconhecidos e causam preocupação.

Philippi e Silveira (2004) apud Luiz, 2012, p. 187, demonstraram que os impactos ambientais sobre a saúde podem ser descritos como:

• riscos tradicionais: falta de acesso à água potável; saneamento inadequado nas residências; contaminação de alimentos com elementos patogênicos; destino inadequado de resíduos sólidos; acidentes ocupacionais na agricultura e indústria, além dos desastres naturais;

• riscos modernos: poluição das águas em áreas populosas, industriais e agricultura intensiva; poluição do ar por automóveis, termelétricas e indústrias; acumulação de resíduos sólidos perigosos; riscos de ameaças químicas e radioativas pela utilização inadequada da ciência e tecnologia na indústria e agricultura; emergência de doenças infecto-contagiosas por motivos culturais e biofísicos; desflorestamento, degradação do solo e outras mudanças ecológicas no plano regional e local com efeitos sobre o microclima local.

Além desses impactos sobre a saúde, destaca-se que os resíduos sólidos passam a configurar-se como abrigo para ratos, moscas e baratas e tornam-se foco de atração de outros animais, geralmente peçonhentos como serpentes, aranhas e escorpiões que buscam nestes locais outros animais que se caracterizam como sua fonte de alimentação (SILVA; LIPORONE, 2011, p. 25).

Quanto às doenças, por meio do Quadro 1, é possível identificar algumas relacionadas aos agentes biológicos que fazem do resíduo sua fonte de alimentação ou abrigo.

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Doença Vetor Sintoma

Febre Tifóide Moscas Febre contínua, manchas no

tórax e abdome, cefaléia, diarréia.

Ancilostomose Moscas Distúrbios intestinais,

perturbações do sono,

vômitos e dores abdominais.

Amebíase Moscas e baratas Desinteria (fezes com

sangue).

Poliomielite Baratas Febre, náuseas, cefaléia,

vômitos, paralisia.

Gastroenterites Baratas Diarréia, vômitos e febre.

Elefantíase Mosquitos Aumento dos vasos,

derramamento, edema

linfático.

Febre Amarela Mosquitos Febre, calafrios, náusea,

vômitos, pulso lento,

cefaléia, icterícia.

Leptospirose Ratos Febre alta, coriza, cefaléia,

hemorragia, icterícia.

Peste Ratos Inflamações hemorrágicas,

baço-fígado-pulmões e

sistema central.

Toxoplasmose Suínos e urubus Calcificações

intracerebrais, distúrbios

psicomotores.

Hepatite infecciosa Contato com agulhas Febre, náuseas, icterícia,

fadiga, dores abdominais. Quadro 1 – Doenças relacionadas aos agentes biológicos que fazem do resíduo sua fonte de alimentação

Fonte: Noil A. de Cussiol (2005) apud Silva; Liporone 2011, p. 24.

Em função de todos os impactos causados pelos resíduos sólidos urbanos, tem-se a necessidade de se repensar as ações humanas em relação ao meio ambiente, no sentido de propor alternativas para que a sociedade possa viver em um ambiente melhor, já que a preocupação com a qualidade de vida da população, seja esta urbana ou rural, ultrapassa os limites das instituições governamentais. Diversas pesquisas são realizadas buscando minimizar os impactos no meio ambiente produzidos pela sociedade humana (LUIZ, 2012).

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Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), através da Pesquisa Nacional em Saneamento Básico de 2008, 50,8% dos resíduos gerados no Brasil, apesar de coletados, não receberam a apropriada destinação, sendo depositados em vazadouros a céu aberto, que popularmente são conhecidos por lixões, ou em aterros irregulares (HEBER; SILVA, 2014, p. 914).

Nesse contexto extremamente grave e, ainda de acordo com Heber e Silva (2014, p. 914), após cerca de 20 anos de pressões de setores da sociedade envolvidos com a questão dos resíduos, das discussões de diversas comissões especiais que foram criadas no Congresso Nacional com a finalidade de debater o assunto, foi aprovada a Lei Federal n° 12.305/2010. Essa Lei instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e foi sancionada pela Presidência da República em 2 de agosto de 2010 e regulamentada pelo Decreto n° 7.404, de 23 de dezembro de 2010.

A PNRS dispõe sobre os princípios, objetivos e instrumentos, bem como sobre as diretrizes relativas à gestão integrada e ao gerenciamento de resíduos sólidos, incluídos os perigosos, as responsabilidades dos geradores e do poder público e os instrumentos econômicos aplicáveis. Esta, possui definições específicas em seu Capítulo II sobre os termos de gerenciamento e gestão integrada, sendo estes, respectivamente:

X - gerenciamento de resíduos sólidos: conjunto de ações exercidas, direta ou indiretamente, nas etapas de coleta, transporte, transbordo, tratamento e destinação final ambientalmente adequada dos resíduos sólidos e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos, de acordo com plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos ou com plano de gerenciamento de resíduos sólidos, exigidos na forma desta Lei;

XI - gestão integrada de resíduos sólidos: conjunto de ações voltadas para a busca de soluções para os resíduos sólidos, de forma a considerar as dimensões política, econômica, ambiental, cultural e social, com controle social e sob a premissa do desenvolvimento sustentável (BRASIL, 2010 apud PEREIRA; CURI, 2013, p. 155). Para Lima (2004), o conceito de gestão de resíduos sólidos abrange atividades referentes à tomada de decisões estratégicas com relação aos aspectos institucionais, administrativos, operacionais, financeiros e ambientais, ou seja, a organização do setor para esse fim envolve políticas, instrumentos e meios.

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Ainda de acordo com o referido autor, gerenciamento de resíduos sólidos refere-se aos aspectos tecnológicos e operacionais da questão, envolvendo fatores administrativos, gerenciais, econômicos, ambientais e de desempenho: produtividade e qualidade, por exemplo, e relaciona-se com a preservação, redução, segregação, reutilização, acondicionamento, coleta, transporte, recuperação de energia e destinação final de resíduos sólidos.

Desse modo, o gerenciamento integrado de resíduos sólidos urbanos é um conjunto articulado de ações normativas, operacionais, financeiras e de planejamento que uma administração pública municipal desenvolve para coletar, segregar, tratar e dispor os resíduos de sua cidade (D’ALMEIDA; VILHENA, 2000 apud PEREIRA; CURI, 2013, p. 156).

Este plano estabelece ainda, metas nacionais e regionais gradativas para a redução da disposição final de resíduos sólidos recicláveis em aterros sanitários. As metas nacionais são de redução gradual de 22% (2015), 28% (2019), 34% (2023), 40% (2027) e 45%, em 2031. A execução das metas está relacionada principalmente ao sucesso da implantação dos sistemas de coleta seletiva pelos municípios e de logística reversa, conforme instituído na PNRS e nos acordos setoriais a serem firmados (BESEN et al, 2014, p. 259).

No Brasil, verifica-se que o serviço de coleta seletiva é operado pelos próprios municípios, de forma terceirizada, ou em parceria com catadores organizados em associações/cooperativas de trabalho, que ainda têm uma participação pequena no total de resíduos recuperados. Contudo, a Política de Resíduos Sólidos do Brasil preconiza o estímulo e o fortalecimento da coleta seletiva com a integração de catadores organizados, na prestação de serviço. Embora a gestão dos resíduos sólidos urbanos seja uma atribuição municipal, a PNRS estabelece mecanismos de indução deste modelo de coleta seletiva por meio da disponibilização de recursos para municípios que elaborem seus Planos de Gestão Integrada de Resíduos seguindo esta diretriz. Em 2008, a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico apontava a existência de 994 municípios (18% dos municípios do país) com coleta seletiva, a maioria deles (65,7%) com catadores organizados (IBGE, 2010, apud BESEN et al, 2014, p. 260).

Assim, gerenciar os resíduos de forma integrada demanda trabalhar integralmente os aspectos sociais com o planejamento das ações técnicas e

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operacionais do sistema de limpeza urbana (MONTEIRO et al, 2001, apud PEREIRA; CURI, 2013, p. 169).

O desafio dirigido a soluções para o setor de resíduos sólidos está lançado. Cabe aos atores conduzir o processo de adequação ao marco regulatório do setor de forma democrática e participativa, envolvendo, sobretudo, a população, que deve ser prioritariamente considerada como o alvo da questão.

3.6 GERENCIAMENTO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS

De acordo com Grippi (2006), no início da era cristã, havia cerca de 200 milhões de pessoas no mundo. Já em 1750, a população mundial girava em torno de 1 bilhão de habitantes, número que praticamente se manteve até o final do século XIX. Entretanto, uma série de fatores - avanço da medicina e da tecnologia na agricultura – criaram condições para um crescimento extraordinário da população mundial.

E um tratamento para os resíduos sólidos urbanos deveria ocorrer em paralelo com esse crescimento populacional. Assim, de acordo com Reichert e Mendes (2014, p. 301), o correto gerenciamento dos resíduos sólidos é um dos principais desafios dos grandes centros urbanos no início deste novo milênio. Até bem pouco tempo atrás, no Brasil e na América Latina, as ações no campo dos resíduos sólidos se restringiam à limpeza urbana, ficando o tratamento e a disposição final dos resíduos completamente relegados. Ao longo das últimas duas décadas, várias ações e projetos têm sido propostos para a melhoria da disposição final e o tratamento dos RSU. Dados da Pesquisa Nacional Saneamento Básico (PNSB) apontam uma evolução de 1,1%, em 1989, para 27,7% dos municípios do Brasil, em 2008, que dispõem seus resíduos de forma correta em aterros sanitários. No entanto, o problema da disposição inadequada ainda permanece, principalmente nos pequenos municípios. Ainda, segundo a mesma pesquisa, somente 18% dos municípios têm algum programa de coleta seletiva, e o índice de compostagem é da ordem de apenas 1%.

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Muitas das soluções que têm sido propostas trazem em si o equívoco da autossuficiência. São soluções isoladas e estanques, que não contemplam a questão dos resíduos do momento de sua geração até a disposição final, passando pelo seu tratamento. Estas “soluções”, mesmo sendo boas em princípio, não conseguem resolver o problema como um todo (REICHERT; MENDES, 2014, p. 301).

Grippi (2006) aponta ainda que é aceitável a previsão para os próximos 30 anos de um aumento de 3 bilhões de habitantes. Todo este aumento populacional implicará no aumento do uso das reservas naturais do planeta, na produção de bens de consumo e, consequentemente, na geração de resíduo. Atrelado a isso, está o aumento da poluição do solo, das águas subterrâneas e do ar, o que leva a um contínuo e acelerado processo de deterioração do ambiente, com uma série de implicações na qualidade de vida de seus habitantes e nos seus bens naturais.

Percebe-se que os espaços de reserva dos resíduos estão diminuindo e a Terra parece se tornar pequena demais para a crescente população mundial. Como um agravante, a falta de avaliação de impactos ambientais para a instalação de aterros, por exemplo, contribui e omite este grave problema.

Conforme Grippi (2005, p. 29), o gerenciamento integrado do resíduo municipal deve começar pelo conhecimento de todas as características desse resíduo, pois vários fatores influenciam neste aspecto, tais como:

• Número de habitantes do município; • Poder aquisitivo da população; • Condições climáticas predominantes; • Hábitos e costumes da população; • Nível educacional.

O gerenciamento também deve levar em consideração as estimativas de resíduo geradas per capita no município, visando planejamento adequado das atividades de coleta, entre outros controles. Devem ser considerados os seguintes aspectos:

A. Kg/habitante/dia, obtido por amostragem ou 500g habitante/dia; B. População do município;

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C. Taxa de crescimento populacional;

D. Taxa de incremento futuro no serviço de limpeza pública;

E. Taxa de incrementação da geração per capita (GRIPPI, 2006, p. 29).

Assim, de acordo com o mesmo Autor (2006), a estimativa do resíduo gerado, conforme legenda acima, é feita através de:

1. Geração atual: A x B = kg/dia

2. Geração futura: {(1+D)x[A x (1+E)] X [B x (1 +C)]} = kg/dia

O gerenciamento inadequado dos resíduos sólidos urbanos gera diretamente outros impactos importantes, tanto ambientais quanto na saúde da população. Considerando-se a tendência de crescimento do problema, os resíduos sólidos vêm ganhando destaque como um grave problema ambiental contemporâneo (GOUVEIA, 2012, p. 1504).

Neste contexto, o Autor (2012, p. 1504) ainda menciona que busca-se contribuir para a reflexão sobre o impacto da gestão adequada dos resíduos sólidos no meio ambiente, bem como discutir caminhos para o enfrentamento dessa questão, o que privilegia ao mesmo tempo a inclusão social. Essa proposta está em consonância com um dos temas centrais da Rio+20, que é a busca do desenvolvimento sustentável com erradicação da pobreza.

E, no gerenciamento do resíduo sólido urbano, a compostagem e a reciclagem surgem como vias para reduzir os resíduos sólidos aterrados em solo. Diante disso, a construção da Agenda 21 é um grande passo para a realização de um verdadeiro compromisso com o desenvolvimento sustentável, que pode ajudar no gerenciamento do resíduo urbano.

Conforme aponta Grippi (2006, p. 121), a Agenda 21 é a principal referência do século XXI, em que as ações humanas deverão estar focadas acima de tudo, na preservação e na sustentabilidade do Planeta. É uma espécie de contrato do governo com a população para o gerenciamento das questões ambientais e sociais dentro de um espaço de tempo.

Além disso, um fator de sucesso para a melhoria da qualidade de vida das pessoas, através do gerenciamento adequado do resíduo do dia a dia, está o processo de educação ambiental.

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Conforme os Princípios da Educação Ambiental (2009) apud Mafaldo e Pinheiro, 2011, p. 352:

A educação ambiental deve promover a transformação e a construção de novas perspectivas e conceitos para os indivíduos e a sociedade. Com ações individuais e coletivas, através de planejamento e cooperação, ela busca o equilíbrio social, econômico, cultural, ecológico e ambiental, sempre objetivando formar cidadãos conscientes.

Desta forma, pode-se compreender que a educação ambiental é um processo de conscientização, onde as pessoas precisam aprender a mudar seu relacionamento com o meio ambiente. Para isso, exemplos do cotidiano devem ser cada vez mais aplicados para ajudar neste conhecimento.

Gerenciar resíduo na concepção da palavra significa cuidar dele do “berço ao túmulo” (GRIPPI, 2006). Essa expressão determina que o gerenciamento deva ocorrer desde sua geração, à seleção e finalmente sua disposição final. Assim, a política de gestão de resíduos sólidos inclui a coleta, o tratamento e a disposição adequada de todos os produtos finais do sistema econômico. Hoje, há consenso de que, além disso, esta política deve também atuar de forma a garantir que os resíduos sejam produzidos em menor quantidade já nas fontes geradoras.

3.7 COLETA SELETIVA

A coleta seletiva é caracterizada pela separação dos materiais na fonte, pela população, com posterior coleta e envio às usinas de triagem, cooperativas, sucateiros, beneficiadores ou recicladores. A implementação da coleta seletiva constitui a principal ação para o desenvolvimento da reciclagem e da reutilização. Os refugos sólidos urbanos são muitas vezes comparados a um “minério” do qual se podem recuperar diversos produtos, como papel, metais, vidro e plástico (MANO; PACHECO; BONELLI, 2005, p. 114).

Nesse sentido, pode-se afirmar que a coleta seletiva é um dos principais instrumentos de intervenção na realidade sócio-ambiental. Didonet (1999) apud Trindade, 2011, p. 07, informa que ela constitui um processo de valorização

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dos resíduos, em que estes são selecionados e classificados na própria fonte geradora, visando seu reaproveitamento e reintrodução no ciclo produtivo.

Uma das vantagens da coleta seletiva é a contribuição com a preservação do meio ambiente, pois diminui a quantidade de resíduo que chegam nos aterros sanitários e dessa maneira minimizam os impactos (VIDAL; MAIA, [20--?]).

Historicamente, Gonçalves (2003) apud Melo, 2011, p. 30, aponta que:

A primeira experiência sistemática de coleta seletiva de lixo realizada no Brasil foi implantada na cidade de Niterói, no bairro São Francisco, em abril de 1985. Difere dos demais programas de coletiva seletiva por sua ênfase sobre a descentralização e o caráter comunitário, privilegiando essencialmente a pequena escala.

De um modo geral, o programa de coleta seletiva pode ser realizado de duas formas:

Coleta porta a porta: realizada por caminhão, os materiais secos

são coletados separadamente ou todos juntos, dependendo do objetivo do programa implantado;

Postos de entrega voluntária (PEVs): geralmente instalados em

postos estratégicos, para onde a população pode levar seus materiais pós-consumidos, a serem colocados em caçambas e contêineres de diferentes cores (MANO; PACHECO; BONELLI, 2005, p. 115).

Ainda para os mesmos Autores acima mencionados, como aspectos favoráveis de coleta seletiva, podem ser citados:

• Boa qualidade dos materiais recuperados;

• Possibilidade de execução em pequena escala, com posterior ampliação;

• Possibilidade de formação de parcerias com catadores, empresas, associações ecológicas, escolas, sucateiros, etc;

• Redução do volume do resíduo a ser descartável; • Favorecimento do estímulo à cidadania.

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• Necessidade de caminhões especiais passando em dias diferentes dos da coleta convencional;

• Necessidade de um centro de triagem, onde os recicláveis sejam separados por tipo especificado.

O atendimento da população pelos serviços de coleta de resíduos domiciliares na zona urbana está próximo da universalização. Observa-se a expansão de 79%, no ano 2000, para 97,8% em 2008, de acordo com o IBGE - 2010. A coleta dos resíduos sólidos urbanos está cada vez mais privatizada, e o número de empresas filiadas à Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE) passou de 45, em 2000, para 92, em 2009, que coletaram cerca de 183 mil toneladas de resíduo diariamente em 2009 (JACOBI; BESEN, 2011, p. 139).

A implantação do programa de coleta seletiva passa necessariamente pela educação ambiental, peça fundamental para o sucesso de qualquer projeto. Esse sistema visa ensinar ao cidadão o seu papel como gerador de resíduo, e precisa ser cultivado desde cedo, principalmente em escolas de ensino fundamental, sem deixar de envolver a comunidade inteira.

3.8 TRATAMENTO E DESTINAÇÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS

Fatores como crescimento demográfico, melhora do nível socioeconômico da população, desenvolvimento de novos hábitos e intensificação do consumo, além de provocar modificações nas características dos resíduos sólidos gerados, acabam por trazer dificuldades técnicas e operacionais para a correta destinação final e o respectivo tratamento.

Grippi (2006, p. 04) destaca que nos últimos 30 anos, o Brasil mudou muito seu tipo de resíduo. O crescimento acelerado das cidades e ao mesmo tempo as mudanças de consumo das pessoas, trouxeram fatores que geram um resíduo muito diferente daquele que as cidades brasileiras produziam há 50 anos. O resíduo atual é diferente em quantidade e qualidade, em volume e em composição.

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Nesse sentido, estudos realizados mostram um cenário futuro difícil para humanidade, relacionado aos atuais problemas ambientais. Esses estudos também demonstram que para amenizar tais estimativas seria necessária a sociedade se reorganizar e desenvolver novas políticas e procedimentos para poder lidar com um mundo de recursos finitos (ODUM; BARRETT, 2008 apud MAFALDO; PINHEIRO, 2011, p. 350).

Contudo, de acordo com Jucá (2003) apud Prado Filho e Sobreira, 2007, p. 53 houve, nos últimos anos, melhora significativa nos cuidados com tratamento e destinação final de RSU no Brasil. Como consequência dessa evolução, nota-se redução da quantidade de resíduos acumulados em lixões e aumento da quantidade disposta em aterros controlados e sanitários, além de se verificar pequeno crescimento na separação de materiais constituintes dos RSU, visando à reciclagem e compostagem.

O resíduo urbano, depois de descartado, é geralmente enviado a um aterro sanitário, ou à triagem. Daí, o material é encaminhado para a reciclagem, ou à reutilização, e depois à compostagem e/ou incineração. Contudo, as instalações de reciclagem, incineração e compostagem precisam de um local onde sejam descartados, de forma apropriada, as sobras e os refugos provenientes do processamento do resíduo (MANO; PACHECO; BONELLI, 2005, p. 116).

No entanto, de acordo com Philippi Jr. (2005, p. 283), na maioria dos municípios brasileiros, os resíduos sólidos domiciliares se destinam a aterros que, muitas vezes, estão inadequados, sem tratamento prévio.

3.8.1 Triagem

Philippi Jr. (2005, p. 283), destaca que a triagem é uma operação que precede qualquer processo específico de tratamento, cujo objetivo é separar os materiais que se deseja recuperar, ou aqueles prejudiciais à qualidade do processamento ou à durabilidade dos equipamentos. A triagem pode ser executada manualmente em pátios, mesas ou esteiras rolantes, mas que métodos mecânicos e automatizados, como equipamentos magnéticos,

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peneiras, separadores balísticos e transporte também servem ao processo. A operação de triagem pode ser realizada em usinas, nos aterros, nos lixões e em outros locais.

Sobre as Usinas de Triagem, conforme apontam Mano, Pacheco e Bonelli (2005, p. 120), trata-se de uma instalação para onde são encaminhados os resíduos sólidos urbanos, após a coleta normal e o transporte, para serem submetidos ao processo de separação. Este processo é realizado em uma esteira rolante. Os materiais passíveis de reciclagem, como papéis, plásticos, vidros e metais, são separados na esteira de triagem. É comum existir uma unidade de compostagem da fração orgânica.

Desta forma e, como o próprio nome diz, o objetivo de uma usina de triagem é o local onde acontece a separação dos resíduos sólidos, sem deixar de considerar suas características físico-químicas e pode ser realizada manual ou automaticamente.

Figura 01 - Bags com Material Reciclável Triado, Destinado ao Enfardamento. Fonte: Município de Telêmaco Borba - COOPATB (2011) apud Melo, 2011, p. 40.

Nos processos manuais, quanto maior o grau de separação desejado e menor a quantidade de impurezas permitida, maior será a mão de obra envolvida. No caso da separação de materiais a recuperar, o grau de pureza e a limpeza do produto final influenciam sobremaneira o valor de mercado. Após a triagem, os materiais podem ser prensados a fim de baratear o transporte até os locais onde serão industrializados. A eficiência da mão de obra de triagem

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pode ser avaliada pela quantidade de resíduos triados por pessoa, por hora (PHILIPPI JR., 2005, p. 283). Contudo, os materiais passíveis de reciclagem recolhidos pelos caminhões de coleta tradicional podem ficar contaminados por outros componentes do resíduo.

Figura 02 – Materiais Reciclados Enfardados para Venda.

Fonte: Município de Telêmaco Borba - COOPATB (2011) apud Melo, 2011, p. 41.

3.8.2 Destruição por Intermédio da Incineração

Segundo Grippi (2006, p. 51), incineração é a queima de materiais em alta temperatura em mistura com uma quantidade apropriada de ar e durante um tempo predeterminado. No caso da incineração do resíduo, compostos orgânicos são reduzidos a seus constituintes minerais, principalmente dióxido de carbono gasoso, vapor de água e ainda sólidos inorgânicos (cinzas). Suas vantagens são:

• Reduções drásticas do volume a ser descartado, pois somente as cinzas são dispostas;

• Redução do impacto ambiental;

• Destoxificação (destruição de bactérias, vírus e patogênicos, além poluentes ambientais como dioxinas, ascarel e tetracloreto de carbono).

Referências

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