RELATÓRIO
ANUAL DE ACTIVIDADES
Janeiro a Dezembro de 2020
Ordem dos
Advogados
de
Moçambique
Por uma Ordem Inclusiva ao Serviço do Advogado e do
Estado de Direito
ÓRGÃOS SOCIAIS
BASTONÁRIO MESA DA ASSEMBLEIA GERAL CONSELHO NACIONAL CONSELHO JURISDICIONAL CONSELHOS PROVINCIAIS Duarte da Conceição
Casimiro
Presidente – Delfim de Deus Júnior Presidente – Duarte da Conceição Casimiro
Presidente – Carlos Martins Presidente do Conselho Provincial da Cidade de Maputo – Benedito Matchole Vogal – Maria Cristina Hunguana Vice-Presidente – Orquídea
Massarongo-Jona
Vice-Presidente – José Manuel Roque Gonçalves
Presidente do Conselho Provincial de Maputo – Milagrosa Macuácua Vogal – Elina Gomes Tesoureira – Latifa Rijal Ibraimo Vice-Presidente – Bela Lithuri Presidente do Conselho Provincial de
Inhambane: David Foloco Júnior Secretário: Costa Mateus Amanze Carlos Agostinho Rodrigues
Coelho Filie Sebastião Sitoi
Vicente-Presidente: Justino Felisberto Presidente do Conselho Provincial de Sofala: Natalino Valentim Pedro Gomes Macarringue Fabrícia Henriques Presidente do Conselho Provincial de
Manica: Cremildo João
Maria Fernanda Rocha Lopes Jaime Manuel Sunda Presidente do Conselho Provincial da Zambézia: Ássia Ussene Vicente Aniceto Manjate Ermenegildo Eduardo Guilaze Presidente do Conselho Provincial de
Nampula: Josimar Carrilho Camissa Guilherme Dode Daniel Jaime Remígio Magumbe Presidente do Conselho Provincial de
Niassa: Billy Julane Gil Eusébio Cambule
Maria de Jesus Carneiro
Presidente do Conselho Provincial de Cabo Delgado: Momade Aboo Bacar
DIRECÇÃO EXECUTIVA
Directora Executiva – Sheila Manhiça
INFORMÁTICA
WEBCAD
COMISSÕES E DEPARTAMENTOS
COMISSÃO NACIONAL DEAVALIAÇÃO DE ESTÁGIO E EXAME
COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS INSTITUTO DE ACESSO À JUSTIÇA ÉTICA E DEONTOLOGIA PROFISSIONAL
COMISSÃO DE VERIFICAÇÃO DAS SOCIEDADES DE ADVOGADOS Presidente – Isabel Garcia Presidente – Ferosa Zacarias Patronos: Álvaro Pinto Basto
José Roque Gonçalves Maria Isabel Garcia
Salvador Nkamate Paulo Pimenta
Coordenadora – Mariana Figueiredo Assistente – Inora Cossa
Presidente – Ivan Nacapa Relator – Zara Jamal
Zaheer Lorgat Simão Pelembe
Agrato Cavele
Lucas Lucaze Vice-Presidente – Claúdio Foquiço
Coordenadora – Catarina Camal
Oficial de Administração: Carla Matlombe
Motorista: Sérgio Manhiça
Alcides Nobele Armando Chihale
Alfiado Pascoal Coordenadora – Augusta Eduardo
Álvaro Pinto Basto Álvaro Dias Duarte Amadeu Uqueio
Arlindo Guilamba Paulo Mabota
Dimétrio Manjate Abílio Sitoe Stela Santos Sandra Clifton Naftal Machava Aina Raside Mario Amisse Elias Moyo Jose Nhone Fanito Salatiel Isidro Júnior
MISSÃO
A OAM tem como missão:
Contribuir de uma forma mais eficiente e eficaz para a consolidação do Estado de Direito Democrático;
Ser mais actuante em tornar a Justiça mais acessível ao cidadão;
Defender a Constituição, os direitos fundamentais dos cidadãos e a dignidade e prestígio da profissão de
Advogado através do respeito, promoção e defesa dos seus princípios deontológicos.
VISÃO
A OAM tem como visão:
Ser reconhecida como um parceiro estratégico do Estado, indispensável na defesa da ordem jurídica nacional,
na defesa das instituições democráticas, na defesa dos direitos dos cidadãos e na promoção dos princípios de
justiça social.
VALORES
A OAM tem como valores:
Compromisso social;
Aprimoramento permanente;
Foco no processo e resultados:
❖
Eficiência
❖
Eficácia
❖
Efectividade
Ética profissional:
❖
Imparcialidade
❖
Impessoalidade
❖
Independência
❖
Transparência
OBJECTIVOS E ESTRATÉGIAS
São 3 os pilares em que assentam os objectivos e estratégias da OAM [para alcançá-los]:
Contribuir para a consolidação do Estado de Direito em Moçambique:
❖
Defender a legalidade: Intervir publicamente, emitindo pareceres, para advogar a favor do cumprimento
da legalidade em todos os actos públicos - político, económico ou social;
❖
Defender direitos humanos: Intervir publicamente, emitindo pareceres, para advogar a favor dos direitos
humanos (políticos, civis, económicos, sociais e culturais);
❖
Advogar e promover a justiça social: Acompanhar desenvolvimentos políticos, económicos e sociais e,
pontualmente, intervir, quer para prevenir ou para corrigir potenciais problemas, de carácter social, daí
resultantes, junto das instituições de direito responsáveis, através de pareceres públicos.
Reforçar a capacidade institucional da Ordem dos Advogados de Moçambique:
❖
Garantir a sua sustentabilidade financeira: A Ordem deve sistematicamente operar com um orçamento
equilibrado entre entrada e saída de dinheiro. Uma vez que as receitas operacionais são exíguas, a
Ordem deve identificar e estabelecer relações duradouras com parceiros de financiamento (Estado e
Doadores);
❖
Garantir satisfação dos parceiros de cooperação e Advogados: A Ordem deve avaliar constantemente a
satisfação de seus parceiros e Advogados e proceder, com base nessas avaliações, à medidas
correctivas;
❖
Tornar fácil o relacionamento da Ordem com os parceiros de cooperação e com os Advogados: A
Ordem deve tornar fluidas as relações com Advogados e Parceiros, de forma a eliminar barreiras e
desperdícios de tempo e energia por parte destes na sua interacção com a Ordem;
❖
Garantir a excelência operacional da Ordem: A Ordem deve ser efectiva, eficiente e eficaz em todas as
actividades produtivas;
❖
Desenvolver: A Ordem deve desenvolver e reter quadros com as melhores competências técnicas e
humanas, desenvolver e manter uma adequada base tecnológica, adquirir e sustentar activos produtivos
adequados e melhorar continuamente o seu clima organizacional para aumentar a eficiência, eficácia e
efectividade das suas operações.
Apoiar e capacitar profissionalmente o Advogado:
❖
Treinar advogados para lidar com novas exigências profissionais e sociais: Implementar programa de
treinamento contínuo sobre desafios correntes e sobre a sustentabilidade profissional do Advogado;
❖
Desenvolver um processo de Estágio que permita formar, com altos padrões éticos e deontológicos,
profissionais capazes de oferecer as melhores soluções ao cidadão
ÍNDICE
Acrónimos………...…..
Sumário Executivo……….……….….……
Introdução……….…...….
Actividades Planificadas vs Resultados Alcançados………..………
Do Realizado – Análise dos Resultados………..
Componente 1………
Componente 2………..
Componente 3……….
Actividades Não Planificadas mas Realizadas……….
Desafios Encontrados……….……….…...
Lições Aprendidas……….………...…….
Conclusão………..……….……….
Foto Galeria………
ACRÓNIMOS
ACDH-UEM –
Associação Centro dos Direitos Humanos da Universidade Eduardo MondlaneCDH –
Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados de MoçambiqueIAJ –
Instituto de Acesso à JustiçaOAM
– Ordem dos Advogados de MoçambiquePE
– Plano EstratégicoSUMÁRIO EXECUTIVO
O Plano de actividades e orçamento do ano 2020 foi projectado visando alcançar os objectivos definidos nos três pilares que norteiam a actuação da Ordem dos Advogados de Moçambique, designadamente:
• Contribuir para a consolidação do Estado de Direito em Moçambique;
• Reforçar a capacidade institucional da Ordem dos Advogados de Moçambique; e • Apoiar e capacitar profissionalmente o Advogado;
O ano de 2020 ofereceu desafios à OAM pois foi o ano da realização da Assembleia Eleitoral para a eleição dos novos órgãos sociais da OAM ao nível da Sede, bem como ao nível de todas as províncias do País. De recordar que a Assembleia Eleitoral
tinha sido previamente planificada para 2019, o que não se verificou devido à impugnação levantada por um dos candidatos às eleições. Outro grande desafio foi a elaboração do Plano Estratégico para o período 2021 a 2025, o que foi antecedido do Diagnóstico da execução do Plano Estratégico 2014-2019.
Deste modo, para o ano de 2020, foram planificadas actividades que, no entender do Bastonato cessante, responderiam de forma plausível aos objectivos estratégicos da OAM: promoção e defesa dos direitos humanos, Intervenções de Emergência, Comunicados, Conferências de Imprensa, alargamento do atendimento e assistência jurídica, implantação do ponto focal de Inhambane, formação e implantação de 9 conselhos provinciais e palestras. Com vista à implantação dos Conselhos Provinciais, urgia preparar e aprovar o respectivo Regulamento.
Na componente de angariação de fundos e parcerias e com o objectivo de garantir a sustentabilidade financeira da OAM e cobrir as actividades anteriormente financiadas pela OXFAM e OSISA, a OAM planificou a identificação e celebração de memorandos de entendimento com instituições como o IMD e a Fundação Rosa Luxemburgo.
Assim, na componente do Acesso à Justiça e ao Direito, destaque vai para o atendimento e assistência jurídica aos carenciados, onde foram atendidas, ao longo dos primeiros seis meses do ano, 202 cidadãos economicamente carenciados, contra a previsão de atendimento de 500 cidadãos por mês; houve intervenções de emergência sendo de destacar a visita às minas de rubi de Nhamanhumbir (província de Cabo Delgado), bem com intervenções no âmbito do cumprimento das medidas decretadas pelo Estado de Emergência. Neste âmbito, verificou-se a suspensão temporária do atendimento e assistência jurídica presencial (Abril a Setembro de 2020). Com a retoma do atendimento e assistência jurídica, a OAM passou a assistir não só os carenciados, como também os cidadãos que viram os seus direitos violados ou postergados.
Durante o ano findo, a OAM foi notificada em relação às acções judiciais de litigância de interesse público pendentes visando a defesa dos direitos humanos das comunidades afectadas pelos grandes projectos de investimentos, designadamente o projecto
da JINDAL e VALE, bem como levar a cabo acções de seguimento e monitoria das várias acções depositadas junto do Tribunal Administrativo bem como o acompanhamento das decisões proferidas pelo mesmo tribunal e monitoria do caso das dívidas ocultas onde a OAM se constituiu como assistente.
Na Componente de Reforço da Capacidade Institucional da OAM, há a destacar a realização da Assembleia Eleitoral onde foram eleitos os novos órgãos sociais encabeçados pelo Ilustre Bastonário o Professor Dr. Duarte da Conceição Casimiro, o início da elaboração do Plano Estratégico da OAM 2021-2025; a aprovação do Regulamento dos Conselhos Provinciais; a realização da I Assembleia Geral Ordinária para a aprovação do relatório e contas de 2019, bem como a realização da II Assembleia Geral Ordinária para a aprovação do Plano de Actividades e Orçamento para 2021).
Na Componente do Apoio e Capacitação Profissional do Advogado, o destaque vai para o início da primeira fase de Estágio do ano de 2020 integrando184 Advogados Estagiários sendo 66 mulheres e 118 homens. De referir que, devido à sua natureza, as actividades compreendidas no estágio tiveram de ser interrompidas a partir de 1 de Abril de 2020, logo após decretado o primeiro Estado de Emergência no País, não tendo sido tal estágio retomado até ao fim do ano de 2020.
O estágio foi retomado para os estagiários que já se encontravam na segunda fase, a partir de Outubro de 2020, depois de garantidas as condições de distanciamento e de higienização. Estes estagiários viriam a realizar o Exame Nacional de Acesso (Escrito) em Dezembro de 2020.
A propagação do COVID-19 constituiu o maior constrangimento na realização do planificado para o ano de 2020, tendo a OAM sido obrigada a encerrar, temporariamente, as suas instalações, por suspeita de propagação, para efeitos de desinfecção. Tomadas todas as precauções, os escritórios da OAM registaram apenas um caso positivo e recuperado de COVID-19.
A pandemia do Covid-19 serviu para testar a nossa capacidade de recurso às novas tecnologias de informação e comunicação para a implementação dos diferentes planos de acção da Ordem. Serviu igualmente para se iniciar a criação de capacidade interna de teletrabalho, cuja abrangência é maior, com custos menores em deslocações e logística. Exemplo disso foram as realizações das Assembleias Gerais, tomadas de posse dos membros das comissões de trabalho, actividades comemorativas da Semana do Advogado, formato da realização do Conselho Nacional Alargado.
INTRODUÇÃO
O presente relatório anual tem como objectivo a apresentação do balanço das principais actividades realizadas no período compreendido entre os meses de Janeiro a Dezembro de 2020. Quando em Dezembro de 2019, o Plano de Actividades & Orçamento para 2020 foi aprovado em sede da Assembleia Geral, era imprevisível que o ano de 2020 seria severamente afectado pela pandemia do COVID-19.
Ainda com apenas 8 casos positivos e com o objectivo de evitar a propagação desta doença no País, o Chefe de Estado decretou o Estado de Emergência, por via do Decreto Presidencial n.o11/2020, de 30 de Março, por 30 dias, com início no dia 1
de Abril de 2020, ratificada pela Assembleia da República (AR), através da Lei n.o 01/2020, de 31 de Março.
A decretação do Estado de Emergência determinou a limitação e restrição de alguns direitos, liberdades e garantias fundamentais dos cidadãos, o que consideramos ter sido feito na medida do necessário para a prevenção e combate à pandemia da COVID-19, respeitando os princípios da proporcionalidade, adequação e igualdade. Dentre as várias medidas decretadas encontra-se a proibição de realização de eventos públicos primeiramente com mais de 20 pessoas e depois com mais de 50 pessoas, bem como a obrigatoriedade de distanciamento físico e o confinamento, implicando a redução da circulação e de aglomerados.
Apesar dos constrangimentos, foi possível a realização da Assembleia Eleitoral que culminou com a eleição da Lista B liderada pelo actual Bastonário, o Dr. Duarte da Conceição Casimiro, que tomou posse a 29 de Abril de 2020.
Ao longo do ano em análise, a OAM realizou as suas actividades, tendo alcançado os seguintes resultados:
No âmbito da promoção do acesso à justiça, foi realizada a assistência jurídica e atendidos 202 cidadãos economicamente
carenciados sendo 123 homens e 79 mulheres, realizadas acções de litigância a favor das comunidades afectadas pelos grandes investimentos (VALE, JINDAL), debates e mesas redondas em torno da experiências, desafios e perspectivas de protecção de direitos humanos e realização da justiça durante a Pandemia da COVID-19: Uma oportunidade para dialogar com a sociedade.
No âmbito do reforço da capacidade institucional da OAM, iniciou-se com o processo da elaboração do PE 2021-2025, o que foi
precedido do trabalho de dignóstico da execução do PE 2014-2019. No mesmo âmbito, foi elaborado e aprovado o Regulamento dos conselhos provinciais, bem como realizadas três assembleias gerais (Assembleia Eleitoral de Março de 2020 e duas assembleias gerais ordinárias). À excepção do início da primeira fase de estágio profissional, as actividades referentes à capacitação profissional do Advogado ficaram suspensas e re-calendarizadas para mais tarde, devido à covid-19.
O presente relatório destaca os principais resultados alcançados durante o ano e encontra-se estruturado de acordo com as três componentes que fazem parte do Plano Estratégico da OAM designadamente:
Componente 1 – Acesso à Justiça e ao Direito; Componente 2 – Reforço da Capacidade Institucional da OAM e Componente 3 – Apoio e Capacitação Profissional do Advogado. O relatório é igualmente informativo em relação às actividades que embora não tenham, foram realizadas. Para terminar, o relatório aborda os desvios e os desafios encontrados, os riscos identificados bem como as acções de mitigação, as lições aprendidas e a conclusão.
DO REALIZADO
ANÁLISE DOS RESULTADOS
1.Componente 1: Acesso à Justiça e ao Direito / Contribuir para a Consolidação do Estado de Direito
em Moçambique
No âmbito do atendimento e assistência jurídica, a OAM espera contribuir para a consolidação do Estado de Direito em Moçambique defendendo a legalidade, defesa e promoção dos direitos humanos e promoção da justiça social. Para o efeito a OAM, propõe-se a intervir publicamente, a emitir pareceres, a atender e assistir gratuitamente cidadãos (em especial aqueles economicamente desfavorecidos) e a acompanhar desenvolvimentos políticos, económicos e sociais e, pontualmente, intervir, quer para prevenir ou para corrigir potenciais problemas, de carácter social, daí resultantes, junto das instituições de direito responsáveis.
1.1. Aumentado o número de cidadãos/cidadãs carenciados que têm acesso à justiça no país
O Instituto de Assistência Jurídica (IAJ) planificou atender e assistir em todo o país, durante o ano de 2020, uma média de 500 cidadãos por mês, mas devido às restrições impostas pelo COVID-19, apenas foram assistidos 432 cidadãos economicamente carenciados nestes doze meses em alusão. Destes, 281 são homens e 161 mulheres. Relativamente à tipologia dos casos
apresentados, o destaque vai para o laboral (168), criminal (90), cível (86) e família e menores (86). Este número, aquém das expectativas, tem a ver com as restrições impostas pela pandemia do COVID-19 o que levou à suspensão do estágio e consequente suspensão do atendimento e assistência jurídica essencialmente nas províncias onde as actividades são asseguradas por Advogados Estagiários. Houve igualmente, e pelos mesmos motivos, a suspensão das visitas aos Estabelecimentos Penitenciários imposta pelas autoridades penitenciárias que ainda não levantaram tal medida; a realização das Caravanas Jurídicas, que implica mobilidade de advogados e estagiários bem como aglomerações de pessoas, foi igualmente suspensa.
1.2 Realizado o 1
oSimpósio Provincial sobre o Acesso à Justiça na Província de Maputo
Realizado no dia 5 de Novembro de 2020, o 1o Simpósio Provincial sobre o Acesso à Justiça na Província de Maputo, contou com
a participação de mais de 100 pessoas dentre Advogados, Advogados Estagiários, Juízes, Procuradores, Polícias e diferentes actores da justiça. O evento ainda contou com a participação da Secretária do Estado da Província de Maputo, a Dra. Victória Diogo.
Reduzido o número de violação dos direitos humanos no país
Foi desencadeado o processo de elaboração do Relatório Bienal (2018-2019) dos Direitos Humanos. Para o efeito foi lançado um Concurso para a selecção do consultor no dia 20 de Janeiro de 2020. Este relatório tem a particularidade de cobrir 2 anos (2018 e 2019) justamente para responder às críticas efectuadas nos primeiros 3 relatórios (extemporaneidade dos assuntos abordados). A ACDH-UEM foi a consultora seleccionada para a elaboração do relatório bienal. O lançamento do relatório tinha sido previsto para o mês de Dezembro de 2020 entretanto e devido aos atrasos na elaboração do mesmo, o relatório apenas foi lançado em Janeiro de 2021. Dentre os vários aspectos abordados o destaque vai para os seguintes temas: I)Direito de Acesso à Justiça (Morosidade Processual, Prazos de Prisão Preventiva, Superlotação dos Estabelecimentos Penitenciários, Execuções Sumárias, Direito à Alimentação, Direito à Saúde entre outros Direitos decorrentes da Situação Prisional do Recluso). (O Papel da PGR no Combate a Criminalidade);Direito de Acesso à Informação e Liberdade de Imprensa; Direito à Associação; Direito à Saúde; Igualdade de Género; Direitos da Criança; Direitos Humanos e Indústria Extractiva; Ordem, Segurança e Instabilidade Política (Zona Norte e Zona Centro de Moçambique);Participação Política: Direito Eleitoral e Conflito Eleitoral (Eleições Autárquicas realizadas em 2018 e Eleições Gerais realizadas em 2019).
Estava prevista a Implantação do Ponto Focal em Inhambane, e a realização de palestras sobre acesso á justiça, visitas de Monitoria aos Estabelecimentos Penitenciários. Estas actividades não foram realizadas. Anteriormente prevista para ocorrer em 2019, a implantação do Ponto Focal de Inhambane ficou condicionada à realização das eleições dos novos órgãos sociais que conforme acima avançamos apenas veio a realizar-se em Março de 2020.
As palestras sobre o Acesso à Justiça
foram suspensas enquanto vigorar o estado de emergência no país. Devido à suspensão das actividades, não foram realizadas visitas aos estabelecimentos penitenciários, a CDH apenas participou em encontros do Conselho Técnico do Estabelecimento Penitenciário Preventivo onde foram para analisados e deliberados os pedidos de liberdade condicional e processos disciplinares dos reclusos.Entretanto, foram realizadas Intervenções de emergência, Comunicados e Conferências de Imprensa e acções de litigância, em defesa e promoção dos direitos humanos.
➢ Nos dias 12 a 15 de Fevereiro de 2020, foi efectuada uma visita às Minas de Nhamanhumbir (Distrito de Montuepuéz) –para averiguação das causas da morte de 14 garimpeiros ilegais. Seguidamente, foi publicado um comunicado de imprensa de repúdio sobre as mortes. Este processo corre os seus trâmites legais.
➢ Nos dias 19 e 20 de Maio de 2020, houve intervenção da CDH no caso da morte por asfixia de mais 60 cidadãos Etíopes em Moatize, encontrados num camião de transporte de carga na Província de Tete. O processo encontra-se em instrução criminal. OAM equaciona constituir-se em assistente no processo.
➢ No dia 11 de Junho de 2020, houve intervenção da CDH no caso da recolha de mais de 150 crianças pelo Comando Provincial da Polícia de Nampula alegadamente por desrespeitarem as regras de distanciamento social;
➢ Seguimento ao caso de violação das menores no Distrito de Manhiça (desde 2019), nos dias 23 de Junho e 02 de Julho de 2020, a CDH efectuou diligências junto do Tribunal Distrital de Manhiça, Procuradoria Provincial da Matola e Procuradoria da Machava com vista a constituição de assistente para a defesa das menores. O julgamento que havia sido marcado para o dia 27 de Julho, no Tribunal Judicial do Distrito Manhiça foi adiado para uma nova data (remarcado para o dia 14 de Outubro e adiado novamente
➢ No dia 22 de Junho a CDH interveio no caso de enforcamento de um detido, na 4ª Esquadra da Munhava, na Cidade da Beira. Das intervenções feitas nas duas Esquadras, a CDH aferiu que o detido em causa, algumas horas antes de se enforcar, já vinha com intencoes de tirar a sua vida uma vez que soube-se que algumas horas antes tinha ingerido Baygon e uma hora depois dirigiu-se a casa de banho onde enforcou-se com um lençol.
➢ Na sequência da manifestação havida em frente do Conselho Municipal da Cidade de Maputo, protagonizada pelos ex-moradores (vítimas do desabamento da lixeira de Hulene em Fevereiro de 2018), que reveidicavam a falta de subsidio de renda de casa (10.000,00Mt), no dia 10 de Julho de 2020, uma equipa da CDH deslocou-se à localidade de Pussulane (em Marracuene) para verificar se no local identificado para a construção de casas para as vitímas estavam a ser construídas residências para as famílias que ficaram sem as suas casas aquando do desabamento da lixeira.
➢ Como acção de seguimento da actividade anterior (deslocação da CDH à Pussulane), no dia 20 de Julho 2020, a CDH, reuniu-se com Sua. Excia. Presidente do Conselho Municipal da cidade de Maputo, tendo salientado que numa das parcelas as obras encontravam-se paradas porque houve reclamação de uma família de nativos daquela zona, que arroga a titularidade do DUAT. No entanto, deu a conhecer que, está em curso o processo de renovação dos Contratos com as famílias para o pagamento dos 10.000,00Mt para as rendas de casa, estando, neste o momento, o expediente sob alçada do Tribunal Administrativo.
➢ Intervenção (dia 28 de Outubro) no caso de filmagem e posterior divulgação de um vídeo vexatório, humilhante e degradante a um par de jovens que se encontrava no interior de uma viatura particular, por seis agentes da Polícia da República de Moçambique. A CDH identificou e contactou uma das vítimas, que culminou com a apresentação de uma queixa-crime contra os agentes envolvidos, registada sob o nº 536/1ªESQ/2020, da 1ª Esquadra da PRM da Cidade de Maputo, pelo cometimento, entre outros, dos crimes de injúria, roubo qualificado, extorsão e violência moral e publicação de um comunicado de impensa em repúdio as violações de DH cometidos pelos agentes da PRM (no dia 29 de Outubro de 2020).
No âmbito do Projecto de Monitoria Legal de Direitos sobre a Terra e Segurança Alimentar das Comunidades Afectadas pelos Grandes Investimentos, a OAM através da CDH tem, desde 2017, vindo a realizar várias acções de litigância visando em primeiro plano defender as comunidades afectadas pelos grandes investimentos. Nestes primeiros 6 meses, foram publicados os seguintes comunicados (para mais informações sobre os comunicados visite: www.oam.org.mz ):
➢ Plenário do Tribunal Administrativo furta-se ao julgamento do mérito da causa sobre a nulidade do DUAT atribuído à exploração exclusiva;
➢ Tribunal Administrativo de Tete condena, mais uma vez, a mineradora JINDAL a proceder o reassentamento de novas famílias no Distrito de Marara – Acórdão Nr. 02/TAPT/2020;
➢ Acórdão Nr. 13/TAPT/2020 do Tribunal Administrativo de Tete intima o Governo do Distrito de Marara a divulgar os relatórios detalhados (2017 e 2018) sobre a implementação dos fundos relativos aos 2,75% das receitas da actividade mineira a que as comunidades locais afectadas têm direito;
Componente 2: Reforçar a Capacidade Institucional da Ordem dos Advogados de
Moçambique
Nesta componente, a OAM espera garantir a sua sustentabilidade financeira através da identificação e celebração de parcerias estratégicas. De modo a lograr este feito, a OAM propõe-se a tornar-se numa instituição efectiva, eficiente e eficaz através da melhoria do seu clima organizacional.
2.1 Eleitos novos Órgãos Sociais da OAM
Foi realizada no dia 7 de Março de 2020, uma Assembleia Geral Extraordinária, para a eleição dos novos membros dos órgãos sociais. Tal como acima referenciado, saiu vencedora deste pleito eleitoral a Lista B liderada pelo actual Bastonário, o Professor Dr. Duarte da Conceição Casimiro com 440 votos a favor contra 270 votos a favor da Lista A. A tomada de posse, ocorrida a 29 de Abril, foi feita de forma faseada de modo a respeitar as medidas impostas pelo estado de emergência. A tomada de posse foi igualmente transmitida na plataforma youtube. (Vide a página 2 deste relatório para mais detalhes sobre a composição dos novos Órgãos Sociais da OAM).
2.2 Reforçada a capacidade Institucional da OAM
Nesse âmbito, foi iniciado o processo de elaboração do Plano Estratégico 2021-2025, tendo o Consultor contratado para o efeito apresentado o seu trabalho final, em Janeiro de 2021. O PE da OAM servirá de instrumento orientador do processo da
planificação das actividades do período de 2021-2025. Foi igualmente elaborado um baseline (linha de base) que serviu de barómetro dos resultados alcançados ou não pela OAM durante os 5 anos da vigência do PE; concluído e aprovado o Regulamento dos Conselhos Provinciais, até inícios de 2016, a OAM contava apenas com 2 Conselhos Provinciais: Sofala e Nampula. Neste momento, a OAM tem eleitos 11 Conselhos Provinciais (uma em cada Província incluindo Maputo Cidade). À luz do Estatuto da OAM, os Conselhos Provinciais da OAM são constituídos por pelo menos 15 Advogados, o que significa que em todas as Províncias (incluindo a Cidade de Maputo) há pelo menos 15 Advogados. O Regulamento dos CP foi submetido aprovado pelo Conselho Nacional, visando a sua implementação a partir de Julho de 2020.
No dia 9 de Abril de 2020, foi realizada uma Assembleia Geral Ordinária, com recurso às TICs, em que foram aprovados os relatórios das actividades e da execução financeira referentes ao ano de 2019.
2.2. Realizado o Conselho Nacional Alargado
Realizado nos dias 30 e 31 de Outubro de 2020 o Conselho Nacional Alargado visando a planificação das actividades para o ano de 2021 e o alinhamento das estratégias para a implementação das actividades durante o ano de 2021. O encontro serviu ainda para a harmonização do Regulamento Interno dos CP’s, a apresentação do novo Plano Estratégico bem como a uniformização do calendário e formas de actuação durante o ano de 2021. O Conselho Nacional Alargado contou com membros do CN, Representantes dos Conselhos Provinciais e equipa da Direcção Executiva da OAM.
2.3 Elaborado o Novo Plano Estratégico da OAM
Porque o anterior PE (2014 - 2019) conheceu o seu término em 2019, a OAM iniciou em 2020 com o processo de elaboração do novo plano quinquenal (2021-2025) e para o efeito foram identificadas cinco áreas prioritárias para a OAM ao longo dos próximos 5 anos nomeadamente: 1. Melhoria da Capacidade, Defesa dos Direitos e Prerrogativas dos Advogados; 2. Consolidação do Estado de Direito; 3. Acesso ao direito e à Justiça; 4. Desenvolvimento Institucional; e 5. Sustentabilidade Financeira. Cada pilar estratégico subdivide-se em objectivos estratégicos e respectivas iniciativas. O PE 2021-2025 tem como objectivo global
“Defender a Constituição, os direitos fundamentais dos cidadãos e a dignidade e prestígio da profissão de Advogado,
2.4
Semana do Advogado
Anualmente celebra-se a 14 de Setembro o aniversário da criação da OAM e no ano de 2020 não se fugiu à regra.
Várias foram as iniciativas levadas a cabo, dentre elas o destaque vai para:
• Debate sobre o Advogado no sec. XXI ministrada pelo Bastonário Doutor Gilberto Correia;
• Debate sobre o papel da OAM na defesa e consolidação da democracia – Dr. Ericino de Salema e Dr. Eduardo
Chiziane
• Debate sobre o papel da OAM no combate à corrupção;
• Debate sobre o papel do advogado na defesa da liberdade de expressão – Dr- Tomás Vieira Mário;
• Debates televisivos com diferentes interveninetes do sistema da administração da justiça na defesa dos direitos
;
• A visita pelo Ilustre Bastonário ao Jornal Canal de Moçambique;
• Tomada de posse dos Presidentes e Vice-Presidentes dos Conselhos Provinciais de Gaza e Tete;
• Assistência e atendimento jurídico gratuito e distribuição de máscaras na Cidade da Beira;
• Defesas oficiosas;
• Visita aos estabelecimentos penitenciários em Inhambane, Gaza, Manica;
• Caravana da justiça em Inhambane, Gaza, Manica e Niassa
• Intervenção da OAM nas esquadras e cadeias de Manjacaze para mitigar a superlotação das cadeias;
• Tomada de posse dos Presidentes e Vice-Presidentes dos CP de Gaza e Tete;
• Palestras sobre diversos temas com enfoque sobre a procuradoria ilicita, etica e deontologia profissional do
advogado;
2.5 Conselho Jurisdicional
2.5.1Das Acções Disciplinares
Está previsto, nas atribuições estatutárias da OAM, o exercício do poder disciplinar sobre os seus membros, função que compete ao Conselho Jurisdicional, como órgão supremo de jurisdição desta colectividade.
No ano 2020, deram entrada no Conselho Jurisdicional, cinquenta e duas (52) participações contra advogados e advogados estagiários, um número que representa uma grande redução em 46 %, comparativamente ao ano 2019 no qual deram entrada noventa e sete (97) participações. Entretanto, o Conselho Jurisdicional tramitou neste ano um total de 117 processos, 65 dos quais transitaram do mandato cessante e 52 novos processos referentes à 2020.
No quadro abaixo, indicamos com detalhe, o número de processos concluídos em 2020, alguns referentes aos anos anteriores, com sanções que variam desde suspensão das actividades de seis meses a dois anos e multa de dez mil meticais (10.000MT). Alguns processos foram arquivados (por motivos diversos), outros remetidos à Comissão de Combate à Procuradoria Ilícita e ao Instituto de Instituto de Acesso à Justiça por se tratarem de casos de prática ilegal de profissão, tendo os restantes transitado para 2021.
Proc. 2020
Concluídos em 2020
Suspensos Nulidades Multa Arquivados Despachos
Devol. IAJ* e IB* Em curso 2021 Alguns 52 58 2 de 39 3 1 13 2 66
2020 6 de 2019 42 de 2018 2 de 2017 2 de 2016 4 de 2015 1 de 2013
* IAJ- Instituto de Acesso à Justiça
* Ilustre Bastonário da Ordem dos Advogados de Moçambique
A maioria das participações decorreram de violação, por parte dos advogados e advogados estagiários, das normas estatutárias atinentes à Ética e deontologia Profissionais. Por outro lado, houve dois (2) casos de procuradoria ilícita, facto que levou a emissão de despachos de devolução dos processos do Conselho Jurisdicional para à Comissão de Combate à Procuradoria Ilícita.
Quanto aos processos concluídos em 2020, foram registadas, uma (1) multa, trinta e nove (39) suspensões, três (3) declarados nulos por inexistência de infracção disciplinar, duas (2) constatações de procuradoria ilícita, treze (13) participações foram arquivadas por não provadas as infracções
O Conselho Jurisdicional elaborou ainda dois (2) pareceres sobre matérias ligadas ao Estatuto Geral da Ordem dos Advogados de Moçambique.
Componente 3: Apoiar e Capacitar Profissionalmente o/a Advogado/a
3.1 Advogados/Advogados Estagiários profissionalmente capacitados
Com o objectivo de Formar de forma contínua os seus membros (Advogados e Advogados Estagiários) de modo a que possam responder satisfatoriamente às novas exigências profissionais e sociais; e com vista a desenvolver de um processo de Estágio que permita formar, com altos padrões éticos e deontológicos, profissionais capazes de oferecer as melhores soluções ao cidadão foram planificadas várias capacitações para Advogados e Advogados Estagiários. As capacitações incluíamOil & Gas & Mining, Contratos Internacionais, Produção Legislativa, Litigância de Interesse Público, mas estas actividades foram reprogramadas e espera-se que aconteçam assim que as condições o permitirem. Além das capacitações, estavam previstas Palestras em Ética e Deontologia Profissional, exame nacional, Capacitação dos Formadores da CNAEE (Comissão Nacional de Avaliação do Estágio e Exame Nacional). Infelizmente o grosso das actividades planificadas para esta componente não foi realizado devido à pandemia.
3.1.1 Realizado o Exame Nacional de Acesso
Foi realizado em todo o país (zonas Sul, Centro e Norte) o único exame nacional de acesso do ano de 2020 (normalmente a OAM realiza 2 exames por cada ano). O exame foi realizado no dia 11 de Dezembro de 2020. Foram no total submetidos aos exem 343 candidatos dentre Advogados Estagiários e Técnicos Jurídicos do IPAJ. Destes 198 foram admitidos ao exame oral. O processo ainda não conheceu o seu término pois as provas orais estão agendadas para os dias 26 e 27 de Março de 2021. Os aprovados nesse exame irão aumentar o número dos Advogados que agora situa-se em 2318 inscritos (incluindo falecidos e suspensos).
Actividades não Planificadas mas Realizadas
1. Debate Eleitoral
Foi realizado, no dia 5 de Março de 2020 no Auditório do Instituto de Formação da TMCEL, o debate eleitoral entre os candidatos das duas listas concorrentes (Lista A e Lista B). O debate foi moderado pelo Dr. Tomás Viera Mário e contou com a presença de 93 Advogados e Advogados Estagiários: 37 mulheres e 56 homens.
2. Resposta da OAM à Covid-19
No dia 5 de Junho de 2020, a OAM através do Conselho Nacional liderada pelo Ilustre Bastonário convocou a imprensa para o balanço dos primeiros 30 dias do estado de emergência no país. Dentre os vários aspectos abordados, destacou-se a necessidade do respeito pelos direitos humanos, principalmente pelos agentes da lei e ordem (polícia) sobretudo no que tange ao uso da força e às detenções arbitrárias em caso de incumprimento das medidas do estado de emergência.
Foi igualmente deliberada uma redução na quota paga pelos Advogados e Sociedades de Advogados para minimizar os impactos negativos criados pelo COVID-19 aos Advogados. A redução consistiu em 20% para os Advogados com menos de 3 anos de exercício da advocacia e 15% para os Advogados com mais de 3 anos e Sociedades de Advogados. A decisão incluiu igualmente a redução das multas em 40% para os Advogados com menos de 3 anos e 30% para os demais Advogados e Sociedades de Advogados. Esta redução é válida para os meses de Maio, Junho e Julho.
A ORDEM DOS ADVOGADOS DE MOÇAMBIQUE (OAM), em virtude da apreensão ilegal de produtos de vendedores informais nas artérias da Cidade de Maputo e violação dos direitos humanos e do interesse público por parte dos agentes da Polícia Municipal, interpôs em Dezembro de 2020 um processo na forma de INTIMAÇÃO PARA COMPORTAMENTO contra O PRESIDENTE DO
CONSELHO MUNICIPAL DA CIDADE DE MAPUTO, tendo por base o seguinte:
A conduta arbitrária do Conselho Municipal da Cidade de Maputo (CMCM), no contexto da reorganização e limpeza da Cidade de Maputo e durante a Pandemia da COVID-19, que consiste na apreensão abusiva dos bens dos vendedores informais, os chamados vendedores de rua, com vista a impedir que os mesmos exerçam negócio informal nas artérias da Cidade de
Maputo, o que viola não só normas e princípios do direito administrativo como também a justiça social que é um direito fundamental por excelência.
Neste Processo, requer que seja intimado o Presidente do CMCM para se conformar com a lei no sentido de se abster de violar os direitos fundamentais dos vendedores informais ou de rua na cidade de Maputo e de violar normas do Direito Administrativo pela prática da apreensão arbitrária dos bens dos referidos vendedores nas artérias da cidade de Maputo.
Em Outubro de 2020 a ORDEM DOS ADVOGADOS DE MOÇAMBIQUE interveio, contra-alegando em defesa das comunidades
afectadas pela actividade da Vale Moçambique, num processo de recurso do Acórdão n.º 29/2020, referente ao Processo n.º
185/2019 – CA, do Tribunal Administrativo da Cidade de Maputo interposto por esta mineradora junto à Primeira Secção do Tribunal Administrativo. O Processo correu os seus trâmites e com desfecho final a favor da OAM, através do Acórdão n.º 119/2020, de 15 de Dezembro de 2020, referente ao processo n.º 131/2020 - 1ª, ficando, assim, a Vale obrigado a disponibilizar ao público em geral informação de interesse público sobre a actividade de exploração de carvão mineral em Moatize e que afecta a vida das comunidades.
Ainda em 2020, a OAM interpôs uma ACÇÃO POPULAR contra a empresa VALE MOÇAMBIQUE, no Tribunal Administrativo da Província de Tete a pedir que esta mineradora seja condenada a pagar às famílias afectadas as seguintes indemnizações e/ou compensações a que tem direito nos termos da lei devido a conduta da mesma empresa que consiste em não ter realizado um reassentamento justo, nem ter pago uma justa indemnização, mas também em ter estado a violar os direitos fundamentais das famílias afectadas pela exploração de carvão mineral no Distrito de Moatize, com destaque para, a comunidade da Cateme.
No dia 11 de Dezembro de 2020 a CDH realizou uma Mesa Redonda sobre “Experiências, desafios e perspectivas de protecção de Direitos Humanos e realização da justiça durante a pandemia da COVID-19, Uma oportunidade para dialogar com a sociedade”. A Mesa Redonda tinha como objectivo aproximar as instituições de justiça aos cidadãos para maior protecção dos direitos humanos e realização da justiça em tempos de COVID 19, O evento teve lugar no Hotel Vip Maputo, e contou com vários participantes dentre Advogados, Advogados Estagiários, Juízes e Procuradores tendo participado presencialmente 30 pessoas, sendo 18 mulheres e 12 homens e as outras participações formam via plataforma zoom.
3. Cooperação Institucional
Visando o reforço e a melhoria da cooperação institucional, a OAM tem estado a realizar visitas de cortesia a instituições de soberania do Estado. Dentre as visitas realizadas, o destaque vai para a visita à Procuradoria-Geral da República e ao Tribunal Supremo.
Foram assinados ao longo de 2020 Memoradum de Entendimentos com diversos parceiros CTA, CNDH, FIDELIDADE e OPTITÉLIA. Foi realizada a 03 de Dezembro de 2020 a palestra promovida pelo Conselho Jurisdicional sobre o Papel do Provedor de Justiça de Direito Democrático, via Youtube e contou com o Provedor de Justiça, Dr. Isaque Chande e Bastonário Doutor Tomás Timbane.
COOPERAÇÃO REGIONAL: De 11 a 14 de Março de 2020, realizou-se em Angola, Luanda a reunião do Conselho da SADCLA qu contou com a participação do Bastonário cessante Dr. Flávio Menete e o Bastonário Prof. Doutor Duarte Casimiro;
Realizou-se a 15 de Abril de 2020, uma reunião virtual do Conselho da SADCLA para adiamento da Reunião Anual marcada previamente para Agosto, para uma data a anunciar devido a situação da pandemia do Covid-19.
Integração de advogados moçambicanos no painel de arbitragem da SADCLA e formação.
4. FORMAS ALTERNATIVAS DE COBRANÇAS DE QUOTAS
No âmbito da Deliberação n.10/CN/2020, de 13 de Maio, houve necessidade de realizar a cobrança aos perto de 268 membros que se encontravam com dívidas há mais de 6 meses, resultando um acumulado de cerca de 4.975.287,50Mt excluindo os valores em multa, e os perto de 203 membros que se encontravam com dívidas há mais de 3 meses, resultando um acumulado de cerca de 1.262.630,45Mt. Para o efeito foram usadas ferramentas de envio de e-mails e sms personalizados com o valor, entidade e referência para os devedores, para o pagamento imediato ou a elaboração de um plano de amortização em até 6 prestações. Do exercício realizado, actualmente existem 285 membros com dívidas de mais de 6 meses, dos quais 51 passaram de devedor mais 3 meses para mais de 6 meses e 83 membros com dívidas de mais de 3 meses, sendo que destes 100
preencheram e enviaram o formulário de pagamento das dívidas em prestações. Houve o constrangimento da Deliberação ter sido omissa em relação ao tratamento a ser dado em relação às multas e a situação disciplinar. Há que ponderar a possibilidade de cobrança de quotas via débito directo, que resultará de menor esforço administrativo e maior segurança e certeza de
receitas. Para o efeito, poderá ser dada a oportunidade do membro efectuar o pagamento voluntário de quotas até o dia 30 de cada mês, e caso não o faça será debitado directamente na conta no dia 05 de cada mês seguinte. Por outro lado, é
importante que haja um sistema envio mensal de lembrete, quer seja por e-mail ou por sms, indicando o valor, código e referência.
5. ASSEMBLEIAS PROVINCIAIS
No âmbito da aprovação do Regulamento dos Conselhos Provinciais por Deliberação nº 26/CN/2020, de 01 de Julho, foram realizadas Assembleias Provinciais para eleição dos seus membros e para aprovação do plano de actividades e orçamento para 2021 dos respectivos Conselhos.
Desafios Encontrados
Tal como avançado na parte introdutória, a pandemia do COVID-19 trouxe desvios e ou adiamento de algumas actividades programadas para o primeiro semestre. As medidas decretadas pelo governo entram em choque com o modus operandi da maioria das actividades planificadas para estes primeiros seis meses. As actividades das Componentes 1 e 2 tiveram de ser redefinidas, por exemplo: o IAJ tinha programado o atendimento e assistência jurídica através dos gabinetes de atendimento, caravanas jurídicas nos mercados e estabelecimentos penitenciários mas viu-se obrigado a optar por informação jurídica (proposta avançada no plano revisto). As reuniões envolvendo um número superior a 20 pessoas tiveram de ser realizadas com o auxílio de tecnologias e informação e comunicação (zoom). A cerimónia de tomada de posse teve de ser feita por grupos. O estágio e o exame nacional de acesso foram suspensos. A assistência jurídica continuou ainda que de forma condicionada devido à suspensão do estágio em resposta às medidas decretadas pelo governo.
Lições aprendidas
A pandemia da Covid-19 e a consequente decretação do estado de emergência e as respectivas prorrogações (3) constituiu um desafio para a OAM ao longo destes primeiros seis meses o que resultou no cancelamento e ou adiamento da maioria das atividades previstas para este primeiro semestre. Tratou-se de um risco não calculado e por isso os seus efeitos foram nefastos para a OAM. Captamos como lição aprendida que ao projetar-se qualquer tipo de atividade devemos sempre colocar a possibilidade do uso das TIC’s. Na verdade este constrangimento acabou por ser uma oportunidade numa altura em que as organizações depararam-se com a problemática de falta de financiamento. Assim, por exemplo, a OAM pode reduzir grandemente o esforço financeiro que vinha registando em reuniões alargadas onde participavam membros de todas as províncias. Com o uso das TIC’s é possível realizar essas reuniões com custos reduzidos mas sempre salvaguardando-se os resultados esperados. O IAJ igualmente captou como uma lição, imposta pela Covid-19, que pode passar do atendimento e assistência jurídicas para a informação jurídica.
Por outro lado, a aproximação à fundação Rosa Luxemburgo mostrou que é possível fazer frente aos desafios actuais (crise financeira) através de parcerias com outras organizações, pois considerando os atributos estatutários da OAM, assim como a sua reputação, seriedade e (know-how) potencializa o apetite e possibilidade de outras organizações de se aproximarem da OAM para juntos desenvolverem objectivos comuns. Como lição apreendida registamos que as sinergias/parcerias com outras organizações com objectivos comuns contribuem para a poupança de recursos financeiros, agregam valor pela inclusão de recursos humanos especializados e concorrem para um impacto maior dos resultados pretendidos.
Conclusão
A situação da pandemia da Covid-19 impactou negativamente na realização das actividades do ano de 2020 e que continuará a impactar, de forma negativa, na realização das actividades durante o ano de 2021. Entretanto e apesar desses constrangimentos, a OAM foi a tempo de captar alguns resultados tais como o aumento à assistência jurídica por cidadãos economicamente desfavorecidos, a defesa e promoção dos direitos humanos, o cumprimento e respeito das normas internas (eleição dos novos órgãos sociais) dentre outros marcos. A OAM, encerra este primeiro semestre ciente de que mais de que um desafio, a Covid-19 constitui uma oportunidade para diversificar e massificar as suas acções bem como os seus beneficiários
directos pois com o uso apropriado das TIC’s deverá atingir um maior número de cidadãos. Com o encerramento do financiamento da Oxfam (31 de Dezembro de 2020), a OAM poderá ter no uso das TIC’s uma alternativa para o défice financeiro que irá resultar do enceramento do referido financiamento. O nome plano submetido e aprovado pela Oxfam (actividades para o segundo semestre de 2020) vem comprovar o acima descrito pois prioriza o uso das TIC’s e de outros meios de comunicação como as Rádios (em especial, as comunitárias) e as TV’s.