O objetivo maior da perícia criminal é materialização do delito, oferecendo os elementos para identificar o autor do fato.

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Classificação dos locais de crime

O objetivo maior da perícia criminal é materialização do delito, oferecendo os elementos para identificar o autor do fato. Para isto utiliza um conjunto de procedimentos científicos relacionados à elucidação de um evento delituoso. Sua qualidade depende de uma série de cuidados a serem tomados, desde a requisição de exame pericial até a análise do laudo pericial por parte da autoridade judiciária. Faz-se necessário então entender sobre a cadeia de custódia. A legislação brasileira não contém sistematicamente a cadeia de custódia de forma precisa.

Assim, a cadeia de custódia inicia-se no local de crime, onde o perito criminal analisa o local e procede à prova pericial, científica que se inicia primordialmente com o correto levantamento do local onde ocorreu o crime, onde para tanto, necessita que este local tenha sido devidamente isolado e preservado. Em que pese inexistir hierarquia de provas no processo penal, os operadores do Direito todos os dias verificam que na prática, a prova pericial vem se destacando das demais, por ser ela produzida com base científica, não estando, sujeita à subjetividade de testemunhos nem tampouco ao sabor dos desejos dos poderosos.

Seguindo, nesse raciocínio, existe grande variação dos

característicos particulares dos diversos locais de crime, entre si; esses locais, considerados relativamente aos seu tipos gerais, serão sempre os lugares situados ao ar livre, ou recintos, fechados. Assim, o Local de Crime é toda a área onde tenha ocorrido um fato que, pela sua

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natureza, assuma a configuração de delito – crime ou contravenção

-e qu-e, portanto, -exija as providências da polícia. A doutrina, t-em nos apresentado algumas classificações a respeito do Local de Crime, vejamos as classificações:

Quanto ao ambiente:

Local interno: quando o fato ocorre no interior de

um prédio ou dentro de um terreno cercado;

Local externo: é aquele ocorrido em logradouro

público, via pública ou dentro de um terreno baldio sem obstáculos;

Locais Relacionados: são duas ou mais áreas que

tenham implicação com um mesmo crime.

Quanto à natureza do fato criminoso:

✓ Local de Homicídio

✓ Local de Suicídio

✓ Local de Crime de Trânsito

✓ Local de Arrombamento

✓ Local de Incêndio

✓ Local de Explosão

✓ Local de Dano

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Quanto à preservação:

Local idôneo (preservado ou não violado): é aquele

no qual os Peritos encontram os vestígios da mesma forma que foram deixados na ação delituosa, ou seja, não sofreram quaisquer alterações após a consumação do fato.

Local inidôneo (não preservado ou violado): é

aquele que, quando da chegada dos peritos, encontra-se alterado o estado das coisas, ou encontra-seja, sofreu alguma alteração após a ocorrência do fato, sendo chamado também de local violado.

Quanto à disposição dos vestígios:

Local imediato - é considerado o local propriamente

dito, ou seja, o local onde ocorreu o fato e comumente se encontra o corpo da vítima.

Local mediato – compreende as adjacências da área

reservada ao ambiente imediato, ou seja, toda a área além da demarcada como área imediata. Nesta área é comum a constatação de marcas de pegadas, rastros

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de veículos, coisas ou objetos caídos quando de luta corporal, instrumentos utilizados na prática do crime etc.

Local relacionado – é aquele que tem relação do

mesmo fato em outros locais, por exemplo, em outros locais são encontrados objetos que tenham relação com o fato ocorrido naquela área.

Com isso, vale a pena falarmos sobre o isolamento e preservação de local de crime. Pessoal, o advento da Lei Federal número 8.862/94, e depois atualizado pela Lei 11.690/2008 que segue abaixo:

"O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1o Os arts. 155, 156, 157, 159, 201, 210, 212, 217

e 386 do Decreto-Lei no 3.689, de 3 de outubro de 1941

Código de Processo Penal, passam a vigorar com as seguintes alterações:

“Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial, não

podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos

elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas.

Parágrafo único. Somente quanto ao estado das pessoas

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“Art. 156. A prova da alegação incumbirá a quem a fizer, sendo, porém, facultado ao juiz de ofício:

I – ordenar, mesmo antes de iniciada a ação penal, a

produção antecipada de provas consideradas urgentes e

relevantes, observando a necessidade, adequação e

proporcionalidade da medida;

II – determinar, no curso da instrução, ou antes de

proferir sentença, a realização de diligências para dirimir dúvida sobre ponto relevante.” (NR)

“Art. 157. São inadmissíveis, devendo ser

desentranhadas do processo, as provas ilícitas, assim

entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais.

§ 1o São também inadmissíveis as provas derivadas

das ilícitas, salvo quando não evidenciado o nexo de

causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas

puderem ser obtidas por uma fonte independente das

primeiras.

§ 2o Considera-se fonte independente aquela que por si só, seguindo os trâmites típicos e de praxe, próprios da investigação ou instrução criminal, seria capaz de conduzir ao fato objeto da prova.

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§ 3o Preclusa a decisão de desentranhamento da prova declarada inadmissível, esta será inutilizada por decisão judicial, facultado às partes acompanhar o incidente.

§ 4o (VETADO)

“Art. 159. O exame de corpo de delito e outras perícias serão realizados por perito oficial, portador de diploma de curso superior.

§ 1o Na falta de perito oficial, o exame será realizado por 2 (duas) pessoas idôneas, portadoras de diploma de curso superior preferencialmente na área específica, dentre as que tiverem habilitação técnica relacionada com a natureza do exame.

§ 2o Os peritos não oficiais prestarão o compromisso de bem e fielmente desempenhar o encargo.

§ 3o Serão facultadas ao Ministério Público, ao

assistente de acusação, ao ofendido, ao querelante e ao acusado a formulação de quesitos e indicação de assistente técnico.

§ 4o O assistente técnico atuará a partir de sua admissão pelo juiz e após a conclusão dos exames e elaboração do laudo pelos peritos oficiais, sendo as partes intimadas desta decisão.

§ 5o Durante o curso do processo judicial, é permitido às partes, quanto à perícia:

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I – requerer a oitiva dos peritos para esclarecerem a prova ou para responderem a quesitos, desde que o mandado de intimação e os quesitos ou questões a serem esclarecidas sejam encaminhados com antecedência mínima de 10 (dez)

dias, podendo apresentar as respostas em laudo

complementar;

II – indicar assistentes técnicos que poderão apresentar

pareceres em prazo a ser fixado pelo juiz ou ser inquiridos em audiência.

§ 6o Havendo requerimento das partes, o material

probatório que serviu de base à perícia será disponibilizado

no ambiente do órgão oficial, que manterá sempre sua

guarda, e na presença de perito oficial, para exame pelos assistentes, salvo se for impossível a sua conservação.

§ 7o Tratando-se de perícia complexa que abranja mais de uma área de conhecimento especializado, poder-se-á designar a atuação de mais de um perito oficial, e a parte indicar mais de um assistente técnico.” (NR)

Dessa forma, os peritos passam a ter uma garantia legal para a preservação e o isolamento de locais de infrações penais, tarefa essa à cargo da autoridade policial, sob pena de responsabilização futura pelo juiz.

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Como podem ver, no art. 6º, incisos I e II, ficou expressamente determinada tal obrigatoriedade, vejamos:

" Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade policial deverá:

I - dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o estado e conservação das coisas, até a chegada dos peritos criminais;

II - apreender os objetos que tiverem relação com o fato, depois de liberados pelos peritos criminais."

Dessa forma, os peritos passam a ter uma garantia legal para a preservação e o isolamento de locais de infrações penais, tarefa essa à cargo da autoridade policial, sob pena de responsabilização futura pelo juiz.

Como podem ver, no art. 6º, incisos I e II, ficou expressamente determinada tal obrigatoriedade, vejamos:

" Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade policial deverá:

I - dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o estado e conservação das coisas, até a chegada dos peritos criminais;

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II - apreender os objetos que tiverem relação com o fato, depois de liberados pelos peritos criminais."

O isolamento e a consequente preservação do local de infração penal é uma garantia que o perito terá de encontrar a cena do

crime conforme fora deixada pelo (s) infrator (es) e vítima (s) e,

com isso, ter condições técnicas de analisar todos os vestígios. É também uma garantia para a investigação como um todo, pois teremos muito mais elementos a analisar e carrear para o processo judicial.

Ao mesmo tempo em que o art. 6º e seus incisos I e II determinam a autoridade policial que preserve o local e o corpo de

delito, também exige que o perito relate em seu laudo se a preservação

deixou de ser feita ou ocorreu com falhas, conforme expresso:

"Art. 169 Para o efeito de exame do local onde houver sido

praticada a infração, a autoridade providenciará

imediatamente para que não se altere o estado das coisas até a chegada dos peritos, que poderão instruir seus laudos com fotografias, desenhos ou esquemas elucidativos.

Parágrafo Único. Os peritos registrarão, no laudo, as

alterações do estado das coisas e discutirão, no relatório, as consequências dessas alterações na dinâmica dos fatos."

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Esse dispositivo veio trazer uma responsabilidade enorme ao perito criminal. Devemos compreender que esta exigência visa resguardar o local de crime, para que tenha o devido isolamento e preservação, assegurando a idoneidade dos vestígios a serem analisados.

É importante salientar que o perito não deve deixar de realizar o exame solicitado por falta de preservação ou qualquer outra alteração. Deve examinar da forma como encontrou e ter o cuidado de registrar tudo em seu laudo. Haverá, o perito, de ter muito bom senso nessa análise, e, se for absolutamente impossível realizar qualquer exame, deve, pelo menos, registrar, no livro de ocorrência e encaminhar relatório ao seu diretor descrevendo como se encontrava o local.

Do exposto, tem-se uma noção do caráter de abrangência que reveste os locais de crime a serem periciados e todas as situações a eles relacionadas são atingidas pelo alcance do pensamento e ideia periciais, por meio do raciocínio lógico abrangente das aparências, necessidades e presunções de formações de vestígios naturalmente presos às atitudes das vítimas e autores dos fatos delituosos.

O exame pericial nos locais de crime contra o patrimônio, o qual estudaremos mais a frente, deve ser encarado pelos peritos com extrema seriedade, como devem ser para quaisquer outros tipos de exames periciais, pois a sua aparente menor complexidade pode ser causa de graves erros a serem cometidos.

Por isso, para ser realizar um bom exame os peritos devem exercitar a:

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Paciência: ter calma na busca dos vestígios, sem eliminar

etapas do processo para não perder informações importantes;

Perseverança: Em determinadas situações é possível que

não alcancemos a plenitude do exame com completo

esclarecimento e convencimento próprio acerca dos fatos, no entanto, se formos perseverantes na busca de vestígios, via de regra, chegaremos a um resultado satisfatório.

Atenção: primordial para um diagnóstico correto da cena do

crime, pois um pequeno detalhe aparentemente insignificante poderá configurar-se um vestígio que será o ponto chave para iniciarmos a montagem do quebra-cabeça. Em perícia não se poder descartar nada em antes analisar sua veracidade e correlação com a cena do crime.

É preciso, também, procurar possíveis trajetos e escaladas que o

delinquente empreendeu para chegar ao interior do imóvel,

principalmente quando existem diversos obstáculos. Cuidado com as primeiras impressões pois são sempre superficiais;buscar vestígios que caracterizem e qualifiquem o furto; verificar a orientação dos danos para que possa estabelecer a dinâmica da ação do autor, desde via de acesso (arrombamento) até a via de fuga, que muitas vezes é diversa. Se não houver arrombamento procurar outra via de acesso, como emprego de chave falsa, acesso com a própria chave, etc.

Seguindo, é preciso avaliar se há coerência entre a aplicação de um determinado instrumento para ter acesso, seus resultados e os

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vestígios encontrados, pois a violência física contra um material só não deixará vestígios característicos se forem tomadas precauções extremas, fato improvável quando do delito. Quando da utilização de instrumentos no local encontraremos vestígios que indiquem a intensidade da força, do ângulo, da direção e sentido, da forma e área de contato e por vezes sua composição (metal, madeira, plástico, etc.).

Assim, constatada a utilização de instrumentos para acesso ao imóvel avaliar os seguintes elementos: suporte (local de aplicação do

instrumento), instrumento (alavanca, corte, serra, etc), vestígios

(fissuras, mossas, amolgaduras, trincas, etc), resultados (Remoção, rompimento, deslocamento, entortamento, desencaixe, etc) além de observar se os vestígios encontrados são compatíveis com a utilização de instrumentos e dinâmica relatadas. E, verificar se existem outros arrombamentos no imóvel, especialmente nas portas internas e seus respectivos sentidos de produção.

Não pode esquecer de buscar demais vestígios possíveis:

fragmentos de impressões digitais, fragmentos vítreos, restos vegetais, material biológico, lixo, restos de comida, etc.

Verificar, também, consignando no laudo, os objetos furtados do interior do imóvel, tentando caracterizar alguns dos bens que foram retirados pelos vestígios deixados, como, por exemplo, uma área delimitada de uma estante, sem deposição de pó, onde estaria ali algum objeto, ou por verificação de fios de conexão rompidos.

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Procurar vestígios que indiquem o “modus operandi” do agente, seja pela forma de entrada no imóvel, seja pelos tipos de objetos furtados, seja por se passar por falso profissional (carteiro, empregada doméstica,etc), isso é fundamental!

Descrever com detalhes toda a desordem encontrada nos objetos, móveis e utensílios. Tais informações são importantes para se estabelecer se houve busca, conhecimento prévio do local, ou se o agente possuía um objetivo especifico.

Na próxima aula, vou aprofundar mais quando falar sobre principais vestígios encontrados em locais de Crime Contra a Pessoa e, em locais de Crime Contra o Patrimônio.

Vestígios, evidências e indícios

Pessoal, complementando esta aula e, principalmente, a aula passada, vamos falar mais sobre: vestígios, evidências e indícios.

Os peritos criminais, ao examinarem um local de crime, estarão procurando todos os tipos de objetos, marcas, ou sinais sensíveis que possam ter relação com o fato investigado. Todos esses elementos, individualmente, são chamados de vestígios.

Assim, vestígio é todo objeto ou material bruto constatado

e/ou recolhido em um local de crime para análise posterior. Assim

podemos dizer que o vestígio é tudo o que encontramos no local do crime que, depois de estudado e interpretado pelos peritos, possa vir a se

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transformar individualmente ou associado a outros - em prova. É claro que antes de se transformar em uma prova, passará pela fase da evidência.

Todos os vestígios encontrados em um local de crime, num primeiro momento, são importantes e necessários para elucidar os fatos, ou seja, na prática, o vestígio é assim chamado, para definir qualquer informação concreta que possa ter, ou não, alguma relação com o crime. A existência do vestígio pressupõe a existência de um agente provocador (que o causou ou contribuiu para tanto) e de um suporte adequado (local em que o vestígio se materializou).

Pessoal, há algumas classificações doutrinárias que acho

interessante abordamos. Os vestígios podem ser:

vestígios verdadeiros: é uma depuração total dos

elementos encontrados no local do crime, pois somente o

são aqueles produzidos diretamente pelos atores da

infração e, ainda, que sejam produto direto das ações do cometimento do delito em si;

vestígios ilusórios: é todo elemento encontrado no local

do crime que não esteja relacionado às ações dos atores da infração e desde que a sua produção não tenha ocorrido de maneira intencional. A presença deste tipo de vestígio é

devida principalmente pela falta de isolamento e

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vestígios forjados: todo elemento encontrado no local do

crime, cujo autor teve a intenção de produzi-lo, com o objetivo de modificar o conjunto dos elementos originais produzidos pelos atores da infração. Para os peritos criminais, sempre será mais difícil a constatação e análise de um vestígio ilusório ou forjado, pois terão que adicionar outros exames e análises para que possam chegar a conclusão de que se trata de situações não relacionadas diretamente à ação dos atores da infração;

vestígios propositais: são produzidos com o objetivo de

indicar uma qualidade, uma condição, um aviso, uma advertência. Como exemplos têm-se marca de indústria, distintivo de sócio, figura de um crânio humano com duas tíbias cruzadas como sinal de perigo, as placas e sinais de trânsito;

vestígios acidentais: são produzidos involuntariamente

pelo agente. São exemplos as impressões digitais, as manchas de material orgânico, pêlos, cinzas, fibras, sinais de luta, a posição do corpo;

vestígios perceptíveis: são aqueles que podem ser

diretamente captados pelos sentidos humanos (tato, visão, paladar, audição e olfato), sem a utilização de qualquer artifício ou aparelho, como manchas de sangue, sinais de arrastamento, armas eventualmente deixadas no local;

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vestígios latentes: necessitam da utilização de técnicas

ou aparelhos especiais para serem observados, como manchas esperma, resíduos provenientes de disparos de arma de fogo, impressões digitais, etc;

vestígios perenes: são aqueles que não desaparecem

com o tempo, sendo destruídos somente por evento

natural incomum e de grandes proporções. Como

exemplos, as ossadas, os danos decorrentes de acidentes automobilísticos, mossas, projéteis;

vestígios persistentes: permanecem indeléveis por um

longo tempo, permitindo sua análise posteriormente. Como exemplos, manchas de sangue em tecidos, pêlos, fibras, etc.

A idoneidade dos vestígios é fator primordial no contexto de uma perícia, uma vez que poderemos comprometer todo o trabalho e, com isso, estarmos prejudicando o conjunto da investigação criminal e do processo judicial posterior. Entende-se por evidência, quando o expert chega à conclusão, após análise sobre o conjunto dos elementos coletados, que determinado vestígio está ligado, de fato, com o caso em exames, deixando assim de ser um simples vestígio para passar a ser denominado de evidência.

A evidência, segundo o Dicionário da Língua Portuguesa, significa:

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evidenciar.) tornar evidente; mostrar com clareza; comprovar; p. aparecer com evidência; mostrar-se, patentear-se. No conceito da criminalística evidência significa qualquer material, objeto ou informação que esteja relacionado com a ocorrência do fato. Assim, evidência é o vestígio analisado e depurado, tornando-se uma prova por si só ou em conjunto, para ser utilizada no esclarecimento dos fatos.

As evidências, por decorrerem dos vestígios, são elementos exclusivamente materiais e, por conseguinte, de natureza puramente objetiva.

Seguindo, o Código de Processo Penal define indício, em seu artigo 239, como sendo:

“Art. 239 – Considera-se indício a circunstância conhecida e provada, que, tendo relação com o fato, autorize, por

indução, concluir-se a existência de outra ou outras

circunstâncias.”

Claro que nesta definição legal do que seja indício, estão, além dos elementos materiais, outros de natureza subjetiva, ou seja, estão incluídos todos os demais meios de prova. Todas as investigações criminais se relacionam com pessoas ou com coisas. Somente pessoas cometem crimes, mas elas invariavelmente o fazem por intermédio de instrumentos. São estas coisas que, juntas, constituem o vasto campo dos vestígios.

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Assim sendo, podemos deduzir que a evidência é o vestígio que, mediante pormenorizados exames, análises e interpretações pertinentes,

se enquadra inequívoca e objetivamente na circunscrição do fato

delituoso. Ao mesmo tempo, infere-se que toda evidência é um indício, porém o contrário nem sempre é verdadeiro, pois o segundo incorpora, além do primeiro, elementos outros de ordem subjetiva.

Segundo a doutrina se um determinado vestígio após

devidamente analisado e interpretado com os resultados dos exames

complementares, em conjunto com os dados da investigação policial, tiver uma relação com o fato delituoso e com as pessoas com este relacionadas, este terá se transformado em indício.

Para fecharmos essa parte, vamos aos principais vestígios

encontrados em locais de crime. A boa técnica pericial determina que

o perito deve considerar como vestígio material somente o que ele próprio constatar como tal, jamais aceitando que terceiros lhe apresentem possíveis “corpos de delito” que estariam fazendo parte de um local de crime por ele examinado e não constatado no ato.

Dependendo do tipo de delito, os locais de crimes poderão ter conteúdo variado de vestígios, como, por exemplo, nos crimes contra a

pessoa, que possuem evidências específicas, relacionadas à vítima. Já nos crimes contra o patrimônio, os vestígios apresentados

relacionam-se à coisa. Ressalta-relacionam-se que no local de crime relacionam-serão pesquisados elementos físicos que configurarão as provas materiais para a tipificação

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do delito e a busca de sua autoria, sendo definidos como sendo, os vestígios que determinada ação criminosa deixa.

Por outro lado, a importância dos vestígios não se encontra adstrita somente ao que eles representam, mas, é de vital importância, também, as posições em que se encontram e suas possíveis relações com outros vestígios, que podem não serem analisados de imediato. Todavia, apesar de ser extremamente evitado modificar o estado das coisas, ocorrem casos em que algumas medidas destas se fazem necessário, tais como cobrir o cadáver, objetivando impedir que a chuva, ou outra intempérie destrua vestígios importantes como manchas de fluídos corpóreos ou esfumaçamento.

Meus caros, seguindo, e retomando o início desta aula, é preciso entender que a primeira providência dos peritos quando chegam ao local do crime é fazer uma observação geral (isso já foi cobrado em prova) e à distância do ponto central (que normalmente é onde está o cadáver), a fim de dividir a área a ser examinada em local imediato e em local mediato, visando a sistematização dos seus procedimentos ao longo de todo o exame naquela área. A perícia em local de crime contra a pessoa,

o chamado local de morte violenta, é uma das áreas da criminalística

que mais oferece riqueza de vestígios, capaz de propiciar ao perito criminal um trabalho de desafio ao raciocínio lógico e à metodologia científica que deve ser aplicada em cada caso.

Em um local de crime, as manchas de sangue podem variar em volume, tamanho, quantidade, forma de preservação, ligação com outros

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objetos. As manchas não apresentam um padrão único e isolado dos outros, e devido a isso, sempre existe o questionamento sobre o tipo de mancha avaliada e com que tipo de ação a mancha está relacionada.

Um dos principais vestígios encontrados são as manchas de sangue. O estudo das mesmas é de suma importância e visa, sobretudo, determinar a principio, se realmente se trata de sangue humano, qual é o grupo sanguíneo e o fator RH, cujo exame será efetuado no laboratório criminal, depois de adequada colheita procedida pelo Perito, quando do levantamento do local. Cabe, entretanto, exame no próprio local, de aspecto formal da mancha, isto é da forma como se apresenta aderida a uma determinada superfície, a qual pode fornecer detalhes importantes para se estabelecer a possível dinâmica do evento.

Pessoal, na próxima aula, começo a falar sobre os vestígios encontrados nos crimes contra pessoa e contra o patrimônio, assim, vou aprofundar mais esta parte.

Vamos fazer algumas questões para ver como essa parte é abordada em prova. Até a próxima aula!

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Questões propostas

1) (CEFET-BA - 2008 - PC-BA - Delegado de Polícia) Assinale a alternativa correta.

A) Na classificação dos “Locais de Crime”, existem incontáveis espécies de “Locais”.

B) Quanto à natureza do fato, o local pode ser classificado como “Local de Homicídio”.

C) Não existe classificação de local interno.

D) Geralmente o isolamento do local é feito pela vítima do fato delituoso.

E) Por força de sua missão de investigar, o policial está impedido de promover o isolamento do local.

2) (CEFET-BA - 2008 - PC-BA - Delegado de Polícia) Identifique com V as afirmativas verdadeiras e com F, as falsas.

( ) Objetos encontrados num local de crime não devem ser manuseados por policiais ou curiosos, antes da chegada dos peritos.

( ) O primeiro policial que chega ao local do fato deve efetuar busca em qualquer veículo que esteja relacionado com o crime, sem esperar a conclusão dos trabalhos periciais.

( ) A coleta dos indícios, no local de crime, deve ocorrer após a tomada das fotografias.

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A alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo, é a A) V F V B) F F F C) V V F D) V V V E) F V F

3) (CEFET-BA - 2008 - PC-BA - Delegado de Polícia) Identifique com V as afirmativas verdadeiras e com F, as falsas.

( ) As manchas de sangue em local de crime não podem ser consideradas como indícios.

( ) A viatura deve ser estacionada o mais próximo possível do cadáver para facilitar o trabalho dos peritos, nos casos de homicídio.

( ) O policial, para verificar se a vítima tem sinais vitais, deve se aproximar por um caminho e se afastar por outro, de modo a garantir a integridade e preservação dos indícios.

A alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo, é a

A) V V V B) F F F C) V F V D) F V F

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E) V V F

4) (Inédita - Alexandre Herculano - 2013) Quanto à natureza do fato criminoso, podemos classificar os locais de crime em, EXCETO:

A) Local de Homicídio;

B) Local de Crime de Trânsito; C) Local imediato;

D) Local de Dano.

5) (Universa - Perito Criminal - GO - 2010) O Código de Processo

Penal brasileiro descreve uma série de procedimentos que,

adequadamente empregados, conferem qualidade ao serviço. Entretanto, existem outros fatores relacionados à processualística penal que influenciam em sua qualidade e que, por isso, são considerados importantes focos de estudo para a melhoria desse serviço. O objetivo maior da perícia criminal é caracterizar o delito e, se possível, identificar o autor do fato. Para isso, utiliza um conjunto de procedimentos científicos relacionados à elucidação de um evento delituoso. Acerca desses procedimentos em local de crime, assinale a alternativa correta.

A) A cadeia de custódia é o local utilizado para guardar e documentar as evidências usadas em processos judiciais.

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B) A cadeia de custódia inicia-se no laboratório de análise, após o registro do material, quando, então, o perito criminal analisa e procede à prova pericial científica.

C) A qualidade desses procedimentos depende de uma série de cuidados a serem tomados, desde a requisição de exame pericial até a análise do laudo pericial por parte da autoridade judiciária. Faz-se necessário então entender sobre a cadeia de custódia. A legislação brasileira não contém sistematicamente a cadeia de custódia de forma precisa.

D) Somente alguns procedimentos relacionados à evidência, como a coleta, exigem cuidados e condições mínimas de segurança.

E) Não é necessário que se estabeleça um controle sobre as fases iniciais desses processos.

6) (Universa - Perito Criminal - GO - 2010) Local do crime não se constitui apenas a região onde o fato tenha sido constatado, mas todo e qualquer local onde existam vestígios relacionados com o evento, que sejam capazes de indicar uma premeditação do fato

ou uma ação posterior para ocultar provas, que seriam

circunstâncias qualificadas do crime em investigação. Acerca desse tema, julgue os itens a seguir.

I Em algumas situações, a área de interesse policial pode ser limitada a um pequeno cômodo de uma casa; a equipe policial deve considerar o local do crime uma área menos abrangente,

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cujos elementos materiais, às vezes despercebidos, tornam-se importantes vestígios para o laudo pericial.

II Para que seja obtido resultado conclusivo oriundo de

levantamento de locais de crime, é de pouca importância a preservação da área a ser examinada e dos itens relacionados com o evento ocorrido (objetos diversos, manchas, cheiros etc.). III Em alguns casos, é possível detectar a não preservação do local, devido à impossibilidade de certos vestígios terem sido posicionados, em um movimento impensado da vítima e (ou) do autor para o ponto em que tenha sido encontrado, quando dos exames periciais. Em caso de adulteração, o perito sempre poderá determinar as circunstâncias em que tenha ocorrido o fato delituoso e retornar as peças aos seus locais de origem.

IV A boa preservação do local de crime dará suporte aos peritos para efetuar o seu trabalho da melhor maneira possível, para que

se possa chegar de modo mais abrangente e concreto às

circunstâncias e a autoria do crime, e para que se possa instruir, da melhor maneira possível, os inquéritos policiais, que são a peça administrativa que dará início à respectiva ação penal.

Assinale a alternativa correta. A) Nenhum item está certo. B) Apenas um item está certo. C) Apenas dois itens estão certos. D) Apenas três itens estão certos.

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E) Todos os itens estão certos.

7) (Universa - Perito Criminal - GO - 2010) Entre as modalidades

de exames de corpo de delito realizados por Peritos Criminais, incluem-se

A) desmoronamentos, lesões corporais, acidentes de trabalho. B) incêndios, arrombamentos, conjunções carnais.

C) crimes contra a pessoa, biológicos, exumações. D) crimes de trânsito, grafotécnicos, toxicológicos. E) necroscópicos, embriaguês, explosão.

8) (Universa - Perito Criminal - GO - 2010) Em local de alegado cometimento de suicídio, perpetrado mediante projétil disparado por arma de fogo, o perito criminal obrigatoriamente deverá

A) proceder à pesquisa de resíduos de tiro nas mãos da vítima e pormenorizada varredura, visando localizar eventuais cartas ou bilhetes.

B) confeccionar auto de exibição e apreensão de todos os objetos encontrados.

C) elaborar recognição visuográfica do evento.

D) proceder à gravação em vídeo de todas as entrevistas

realizadas.

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9) (FUMARC - 2013 - PC-MG - Perito Criminal) O Perito Criminal obtém os vestígios e as evidências físicas, EXCETO:

A) da vítima.

B) da oitiva das testemunhas. C) do suspeito e seu ambiente.

D) da cena do crime propriamente dita.

10) (FUMARC - 2013 - PC-MG - Perito Criminal) Quanto ao referencial de produção, classificam-se os vestígios, EXCETO como:

A) Ilusório. B) Forjado. C) Alternativo. D) Verdadeiro.

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Questões comentadas

1) (CEFET-BA - 2008 - PC-BA - Delegado de Polícia) Assinale a alternativa correta.

A) Na classificação dos “Locais de Crime”, existem incontáveis espécies de “Locais”.

B) Quanto à natureza do fato, o local pode ser classificado como “Local de

Homicídio”.

C) Não existe classificação de local interno.

D) Geralmente o isolamento do local é feito pela vítima do fato delituoso. E) Por força de sua missão de investigar, o policial está impedido de promover o isolamento do local.

Comentários:

Meus amigos, o Local de Crime é toda a área onde tenha ocorrido

um fato que, pela sua natureza, assuma a configuração de delito – crime

ou contravenção - e que, portanto, exija as providências da polícia. A doutrina, tem nos apresentado algumas classificação a respeito do Local de Crime, vejamos as classificações:

Quanto ao ambiente:

Local interno: quando o fato ocorre no interior de um

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Local externo: é aquele ocorrido em logradouro público, via pública ou dentro de um terreno baldio sem obstáculos.

Quanto à natureza do fato criminoso:

✓ Local de Homicídio

✓ Local de Suicídio

✓ Local de Crime de Trânsito

✓ Local de Arrombamento

✓ Local de Incêndio

✓ Local de Explosão

✓ Local de Dano

✓ Local de crime contra o Meio Ambiente

Gabarito: B.

2) (CEFET-BA - 2008 - PC-BA - Delegado de Polícia) Identifique com V as afirmativas verdadeiras e com F, as falsas.

( ) Objetos encontrados num local de crime não devem ser manuseados por policiais ou curiosos, antes da chegada dos peritos.

( ) O primeiro policial que chega ao local do fato deve efetuar busca em qualquer veículo que esteja relacionado com o crime, sem esperar a conclusão dos trabalhos periciais.

(31)

( ) A coleta dos indícios, no local de crime, deve ocorrer após a tomada das fotografias.

A alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo, é a A) V F V B) F F F C) V V F D) V V V E) F V F Comentários:

Pessoal, os policiais que, quase sempre, são os primeiros a chegarem nos locais de crime, têm que ter em mente que cabe a eles somente o isolamento do local, não podem ficar manuseando objetos ali encontrados, pois, poderão prejudicar a perícia que será realizada naquele local.

Cabe ressaltar que a fotografia assinala detalhes e

particularidades de uma a cena de crime e de suas evidências materiais. Nos locais de delitos, os peritos devem fazer fotografias do local antes que sejam tocados ou movidos vestígios ou cadáveres de suas posições originais, com o objetivo de perpetuar a situação encontrada.

(32)

3) (CEFET-BA - 2008 - PC-BA - Delegado de Polícia) Identifique com V as afirmativas verdadeiras e com F, as falsas.

( ) As manchas de sangue em local de crime não podem ser consideradas como indícios.

( ) A viatura deve ser estacionada o mais próximo possível do cadáver para facilitar o trabalho dos peritos, nos casos de homicídio.

( ) O policial, para verificar se a vítima tem sinais vitais, deve se aproximar por um caminho e se afastar por outro, de modo a garantir a integridade e preservação dos indícios.

A alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo, é a A) V V V B) F F F C) V F V D) F V F E) V V F Comentários:

Podemos perceber que todas as opções vão de encontro ao que abordei, ok? Primeiramente, sabemos que todos materiais (vestígios) encontrados no local de crime não podem ser descartados. E depois ao analisarem criteriosamente (análise técnica) os peritos podem concluir

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que tais objetos, ou até mesmo uma mancha de sangue, são indícios de um crime.

A viatura não poderá ser estacionada o mais próximo possível do local de crime, pois poderá prejudicar a perícia no local.

Ao chegar no local do crime, o policial tem que isolar o local de crime para a preservação daquele, logo, ele não poderá ir por um local e retornar por outro, pois assim "contaminará" mais ainda o local e os peritos ao chegarem é recomendado que utilizem o mesmo local feito pelos policiais, ok?

Gabarito: B.

4) (Inédita - Alexandre Herculano - 2013) Quanto à natureza do fato criminoso, podemos classificar os locais de crime em, EXCETO:

A) Local de Homicídio;

B) Local de Crime de Trânsito; C) Local imediato;

D) Local de Dano.

Comentários:

Local imediato é a classificação quanto à disposição dos vestígios, já quanto à natureza do fato criminoso, temos:

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✓ Local de Suicídio

✓ Local de Crime de Trânsito

✓ Local de Arrombamento

✓ Local de Incêndio

✓ Local de Explosão

✓ Local de Dano

✓ Local de crime contra o Meio Ambiente

Gabarito: C.

5) (Universa - Perito Criminal - GO - 2010) O Código de Processo

Penal brasileiro descreve uma série de procedimentos que,

adequadamente empregados, conferem qualidade ao serviço. Entretanto, existem outros fatores relacionados à processualística penal que influenciam em sua qualidade e que, por isso, são considerados importantes focos de estudo para a melhoria desse serviço. O objetivo maior da perícia criminal é caracterizar o delito e, se possível, identificar o autor do fato. Para isso, utiliza um conjunto de procedimentos científicos relacionados à elucidação de um evento delituoso. Acerca desses procedimentos em local de crime, assinale a alternativa correta.

A) A cadeia de custódia é o local utilizado para guardar e documentar as evidências usadas em processos judiciais.

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B) A cadeia de custódia inicia-se no laboratório de análise, após o registro do material, quando, então, o perito criminal analisa e procede à prova pericial científica.

C) A qualidade desses procedimentos depende de uma série de cuidados a serem tomados, desde a requisição de exame pericial até a análise do laudo pericial por parte da autoridade judiciária. Faz-se necessário então entender sobre a cadeia de custódia. A legislação brasileira não contém sistematicamente a cadeia de custódia de forma precisa.

D) Somente alguns procedimentos relacionados à evidência, como a coleta, exigem cuidados e condições mínimas de segurança.

E) Não é necessário que se estabeleça um controle sobre as fases iniciais desses processos.

Comentários:

O objetivo maior da perícia criminal é materialização do delito, oferecendo os elementos para identificar o autor do fato. Para isto utiliza um conjunto de procedimentos científicos relacionados à elucidação de um evento delituoso. Sua qualidade depende de uma série de cuidados a serem tomados, desde a requisição de exame pericial até a análise do laudo pericial por parte da autoridade judiciária. Faz-se necessário então entender sobre a cadeia de custódia. A legislação brasileira não contém sistematicamente a cadeia de custódia de forma precisa.

Assim, a cadeia de custódia inicia-se no local de crime, onde o perito criminal analisa o local e procede à prova pericial, científica que se

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inicia primordialmente com o correto levantamento do local onde ocorreu o crime, onde para tanto, necessita que este local tenha sido devidamente isolado e preservado. Em que pese inexistir hierarquia de provas no processo penal, os operadores do Direito todos os dias verificam que na

prática, a prova pericial vem se destacando das demais, por ser ela

produzida com base científica, não estando, sujeita à subjetividade de testemunhos nem tampouco ao sabor dos desejos dos poderosos.

Gabarito: C.

6) (Universa - Perito Criminal - GO - 2010) Local do crime não se constitui apenas a região onde o fato tenha sido constatado, mas todo e qualquer local onde existam vestígios relacionados com o evento, que sejam capazes de indicar uma premeditação do fato

ou uma ação posterior para ocultar provas, que seriam

circunstâncias qualificadas do crime em investigação. Acerca desse tema, julgue os itens a seguir.

I Em algumas situações, a área de interesse policial pode ser limitada a um pequeno cômodo de uma casa; a equipe policial deve considerar o local do crime uma área menos abrangente, cujos elementos materiais, às vezes despercebidos, tornam-se importantes vestígios para o laudo pericial.

II Para que seja obtido resultado conclusivo oriundo de levantamento de locais de crime, é de pouca importância a preservação da área a ser

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examinada e dos itens relacionados com o evento ocorrido (objetos diversos, manchas, cheiros etc.).

III Em alguns casos, é possível detectar a não preservação do local, devido à impossibilidade de certos vestígios terem sido posicionados, em um movimento impensado da vítima e (ou) do autor para o ponto em que tenha sido encontrado, quando dos exames periciais. Em caso de adulteração, o perito sempre poderá determinar as circunstâncias em que tenha ocorrido o fato delituoso e retornar as peças aos seus locais de origem.

IV A boa preservação do local de crime dará suporte aos peritos para efetuar o seu trabalho da melhor maneira possível, para que se possa chegar de modo mais abrangente e concreto às circunstâncias e a autoria do crime, e para que se possa instruir, da melhor maneira possível, os inquéritos policiais, que são a peça administrativa que dará início à respectiva ação penal.

Assinale a alternativa correta. A) Nenhum item está certo. B) Apenas um item está certo. C) Apenas dois itens estão certos. D) Apenas três itens estão certos. E) Todos os itens estão certos.

(38)

Então pessoal, sabemos que a preservação do local é de suma importância para análise do ocorrido pelos Peritos, e que os objetos ali encontrados jamais poderão ser recolocado em outro lugar pois estariam descaracterizando o local de crime, passando, assim, ser um local inidôneo, ok? Logo, os itens II e III, estão errados!

Gabarito: C.

7) (Universa - Perito Criminal - GO - 2010) Entre as modalidades

de exames de corpo de delito realizados por Peritos Criminais, incluem-se

A) desmoronamentos, lesões corporais, acidentes de trabalho. B) incêndios, arrombamentos, conjunções carnais.

C) crimes contra a pessoa, biológicos, exumações. D) crimes de trânsito, grafotécnicos, toxicológicos. E) necroscópicos, embriaguês, explosão.

Comentários:

Para os diferentes tipos de exames de Corpo de Delito (Perícias) existem duas classes de peritos oficiais:

PERITO MÉDICO LEGISTA: é o responsável pela

realização das seguintes perícias: necroscópicas,

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embriaguez, conjunção carnal, atentado violento ao pudor etc.

PERITO CRIMINAL: é o responsável pela realização

das seguintes perícias: local de crime contra a pessoa,

local de incêndio, local de explosão, local de

desmoronamento, local de acidente de trabalho, local de acidente de trânsito, local de danos à propriedade, local

de arrombamento, papiloscópicos, grafotécnicos,

contábeis, balística, toxicológicos, biológicos, avaliações, etc.

Gabarito: D.

8) (Universa - Perito Criminal - GO - 2010) Em local de alegado cometimento de suicídio, perpetrado mediante projétil disparado por arma de fogo, o perito criminal obrigatoriamente deverá

A) proceder à pesquisa de resíduos de tiro nas mãos da vítima e pormenorizada varredura, visando localizar eventuais cartas ou bilhetes. B) confeccionar auto de exibição e apreensão de todos os objetos encontrados.

C) elaborar recognição visuográfica do evento.

D) proceder à gravação em vídeo de todas as entrevistas realizadas. E) reduzir a termo todos os depoimentos obtidos.

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Comentários:

No caso de alegado cometimento de suicídio, é obrigatória a realização de pesquisa de resíduos produzidos por tiro nas mãos da vítima. Em determinados casos, tal pesquisa deverá ser também realizada nas mãos de eventuais pessoas que estavam no local no exato momento da ocorrência do fato. Ainda, neste tipo de caso, deverá o perito proceder pormenorizada varredura nos ambientes do local, visando localizar eventuais cartas ou bilhetes, documentos esses que, se encontrados, deverão ser coletados, assim como, ainda no próprio local do evento, peças padrões produzidas em vida pela vítima, com todo o material devendo ser encaminhado para a Seção de Documentoscopia, para os devidos exames laboratoriais.

Nos casos em que sejam encontrados no local de crime armas de fogo, projéteis ou estojos, estes devem ser fotografados e plotados em desenho esquemático, de modo a estabelecer detalhadamente suas posições em relação ao corpo da vítima.

Gabarito: A.

9) (FUMARC - 2013 - PC-MG - Perito Criminal) O Perito Criminal obtém os vestígios e as evidências físicas, EXCETO:

A) da vítima.

B) da oitiva das testemunhas. C) do suspeito e seu ambiente.

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D) da cena do crime propriamente dita.

Comentários:

Oitiva das testemunhas já está na fase do processo! Não cabe ao perito criminal.

Gabarito. B.

10) (FUMARC - 2013 - PC-MG - Perito Criminal) Quanto ao referencial de produção, classificam-se os vestígios, EXCETO como: A) Ilusório. B) Forjado. C) Alternativo. D) Verdadeiro. Comentários:

Alternativo não! Vejamos:

vestígios verdadeiros: é uma depuração total dos

elementos encontrados no local do crime, pois somente o

são aqueles produzidos diretamente pelos atores da

infração e, ainda, que sejam produto direto das ações do cometimento do delito em si;

vestígios ilusórios: é todo elemento encontrado no local

(42)

infração e desde que a sua produção não tenha ocorrido de maneira intencional. A presença deste tipo de vestígio é

devida principalmente pela falta de isolamento e

preservação do local;

vestígios forjados: todo elemento encontrado no local do

crime, cujo autor teve a intenção de produzi-lo, com o objetivo de modificar o conjunto dos elementos originais produzidos pelos atores da infração. Para os peritos criminais, sempre será mais difícil a constatação e análise de um vestígio ilusório ou forjado, pois terão que adicionar outros exames e análises para que possam chegar a conclusão de que se trata de situações não relacionadas diretamente à ação dos atores da infração;

vestígios propositais: são produzidos com o objetivo de

indicar uma qualidade, uma condição, um aviso, uma advertência. Como exemplos têm-se marca de indústria, distintivo de sócio, figura de um crânio humano com duas tíbias cruzadas como sinal de perigo, as placas e sinais de trânsito;

vestígios acidentais: são produzidos involuntariamente

pelo agente. São exemplos as impressões digitais, as manchas de material orgânico, pêlos, cinzas, fibras, sinais de luta, a posição do corpo;

(43)

vestígios perceptíveis: são aqueles que podem ser

diretamente captados pelos sentidos humanos (tato, visão, paladar, audição e olfato), sem a utilização de qualquer artifício ou aparelho, como manchas de sangue, sinais de arrastamento, armas eventualmente deixadas no local;

vestígios latentes: necessitam da utilização de técnicas

ou aparelhos especiais para serem observados, como manchas esperma, resíduos provenientes de disparos de arma de fogo, impressões digitais, etc;

vestígios perenes: são aqueles que não desaparecem

com o tempo, sendo destruídos somente por evento

natural incomum e de grandes proporções. Como

exemplos, as ossadas, os danos decorrentes de acidentes automobilísticos, mossas, projéteis;

vestígios persistentes: permanecem indeléveis por um

longo tempo, permitindo sua análise posteriormente. Como exemplos, manchas de sangue em tecidos, pêlos, fibras, etc.

(44)

1-B 2-A 3-B

4-C 5-C 6-C

7-D 8-A 9-C

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Referências