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Atividades do projeto de extensão universitária Biossegurança e cidadania: uma prática de saúde pública.

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Academic year: 2021

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Atividades do projeto de extensão universitária “Biossegurança e

cidadania: uma prática de saúde pública”.

Camila Pinelli, Câmpus de Araraquara, Faculdade de Odontologia, Odontologia, [email protected], Raul Andrade dos Santos, Câmpus de Araraquara, Faculdade de Odontologia, Odontologia, [email protected], Bolsa de Extensão Universitária, Andréa Gonçalves, Câmpus de Araraquara, Faculdade de Odontologia, Odontologia, [email protected], Fátima Aparecida Januário de Oliveira, Câmpus de Araraquara, Faculdade de Odontologia, Odontologia, [email protected], Elisete Ester Venâncio, Câmpus de Araraquara, Faculdade de Odontologia, Odontologia, [email protected].

Eixo: Eixo 2 – “ Os valores para Teorias e Práticas Vitais”

Resumo

O Projeto de Extensão Universitária “Biossegurança e Cidadania: uma prática de saúde pública” teve início em 2013 e conta com a participação de graduandos voluntários e bolsistas, servidores técnico-administrativos, docentes da FOAr-UNESP e voluntários da pós-graduação. O projeto promove a interação com toda a comunidade de acadêmicos, docentes, servidores e pacientes usuários da FOAr-UNESP e de serviços de saúde externos à UNESP. São realizadas palestras e informações sobre o tema “Controle de infecção e prevenção da infecção cruzada no atendimento clínico odontológico”, que são disponibilizadas por meio da entrega de folders e em cartazes com ilustrações, em palestras. Visitas em sala de aula e em ambientes de sala de espera, bem como eventos científicos em cadastrados na PROEX, voltados para acadêmicos, profissionais de Odontologia e sua equipe, com a participação de palestrantes convidados, também foram desenvolvidos. Além disso, o projeto proporcionou recentemente a inserção de alunos do ensino médio, por meio de iniciação científica - PIBIC Júnior - no período de 2014 a 2015, para o desenvolvimento de projetos de pesquisa.

Palavras Chave: Controle de Infecções, Odontologia,

Assistência à Saúde.

Abstract:

The Extension Project "Biosafety and Citizenship: a public health practice" began in 2013 and includes the participation of undergraduate volunteers and scholarship students, technical and administrative staff at the FOAr-UNESP faculty and post graduate volunteers. The project promotes interaction with the whole community of scholars, teachers, servers and FOAr-UNESP patients, and also users of health services external to UNESP. There are lectures and information on "Infection control and prevention of cross infection in the dental clinical care", which are made available through the distribution of folders together with speeches to the students and dental professionals' audiences. Further visits have been developed inside classroom and in the waiting room environment, as well as scientific events registered in PROEX with the participation of guest speakers. In addition, the project recently provided the inclusion of high school students through undergraduate - PIBIC Junior - in the period 2014-2015, for the development of research projects.

Keywords: Infection Control, Dentistry, Delivery of

Health Care

Introdução

O consultório odontológico é um ambiente

altamente contaminado por microrganismos

causadores de doenças infecciosas como Mycobaterium tuberculosis, vírus das Hepatites B e C (HBV e HCV), estafilococos, estreptococos, vírus da herpes simples tipo 1, vírus da imunodeficiência humana (HIV), vírus da caxumba, vírus influenza e vírus da rubéola, entre outros (Singh et al., 2011)

pois ficam em suspensão no ar ambiente ou em superfícies e equipamentos. Portanto, é preciso seguir rigoroso processo de limpeza, desinfecção e

esterilização após o atendimento odontológico a

cada paciente, a fim de controlar a transmissão de doenças relacionadas a sangue e a materiais potencialmente infectantes, via contato direto, indireto, respingos, aerosois e injúrias percutâneas (Puttaiah et al., 2011, Laheij et al., 2012).

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8º Congresso de Extensão Universitária da UNESP, 2015. Atividades do projeto de extensão universitária “Biossegurança e O cuidado meticuloso no preparo do

ambiente e materiais previamente à assistência demanda da equipe odontológica dedicação e adesão aos protocolos padrão. A falha na obediência às recomendações pode resultar em danos à saúde do paciente (Radcliffe et al., 2013; Close et al., 2013).

Há evidências de que o HBV seja uma ameaça real para o controle de infecção em Odontologia. Acredita-se que casos de transmissão não sejam percebidos pelos pacientes, ou pelos trabalhadores de saúde e por autoridades sanitárias e, portanto, a infecção cruzada é subnotificada na literatura e os riscos reais de transmissão são provavelmente maiores do que o esperado (Laheij et al., 2012).

A transmissão do HIV de paciente para paciente na prática odontológica parece ser baixa (Lahjeij et al., 2012), embora tenha sido particularmente relatada como resultado de precário controle de infecção em países em desenvolvimento (McCarthy et al., 2002). O risco de transmissão do HIV no ambiente de assistência odontológica aumenta proporcionalmente com o aumento da prevalência do HIV e com os recursos precários para o atendimento seguro, tais como equipamentos obsoletos, processos de esterilização inadequados, uso de peças de mão não esterilizadas em autoclave e frequente reutilização de materiais descartáveis (McCarthy et al., 2002).

Com relação ao bacilo da tuberculose (M. tuberculosis), os cuidados para evitar a transmissão cruzada no ambiente odontológico não estão limitados às medidas padrão de controle de infecção, como uso de EPIs, higiene/ desinfecção das mãos, uso de máscaras apropriadas, mas incluem a minimização da geração de aerossol/ respingos, evitando o uso de instrumentos ultrassônicos ou de spray de água, atender apenas casos de emergência em ambiente preparado com ventilação adequada e adiar o tratamento odontológico eletivo, até que o paciente receba tratamento efetivo contra a tuberculose (McCarthy et al., 2002).

Outros microrganismos capazes de serem transmitidos no consultório odontológico estão relacionados às bactérias multirresistentes, transmitidas por contato direto ou indireto via superfícies contaminadas. As espécies mais problemáticas são o Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA), o MRSA da comunidade (CA-MRSA), Enterobactérias produtoras de beta-lactamases - enzima que destrói os antimicrobianos betalactâmicos, como a penicilina - (ESBL), e as bactérias produtoras de carbapenemase (Enterobacter sp., Escherichia coli,

Salmonella sp, Proteus mirabilis, Serratia sp e outras) (Laheij et al., 2012).

Estudo prévio avaliou a percepção de pacientes odontológicos na Nigéria, quanto ao risco de contágio (Azodo et al., 2011) e 75,6% apresentaram preocupação em se contaminar durante o atendimento odontológico, considerando HIV (47,4%), HBV e HCV (15,5%), herpes (3,5%) e tuberculose (1,7%). Aproximadamente 25% dos entrevistados evitaria o tratamento odontológico por apresentar medo de contrair o vírus HIV, ou seja, o medo de contágio teve impacto negativo sobre a busca por cuidados odontológicos.

Outros estudos investigaram a percepção de pacientes em relação ao risco de contágio pelo HIV durante o atendimento odontológico nos EUA (Thomson et al, 1997), Brasil (Discacciati et al, 1999) e no México (Irigoyen-Camacho et al., 2003). Houve a percepção de um baixo risco de contágio (Thomson et al, 1997), bem como a percepção de grande preocupação em continuar o tratamento se o dentista fosse ou atendesse pacientes HIV positivo (Discacciati et al, 1999; Irigoyen-Camacho et al., 2003). Entretanto, estudos sobre as percepções dos pacientes quanto ao controle de infecção no atendimento odontológico ainda são escassos.

Assim, a Biossegurança envolve um conjunto de condutas e medidas técnicas, administrativas e educacionais que devem ser empregadas por profissionais da área de saúde para promover a proteção da equipe, dos pacientes e do ambiente de assistência odontológica, minimizando o risco de transmissão de doenças infecto contagiosas, prevenindo acidentes. Os pacientes usuários do serviço de saúde são parte importante do processo de biossegurança, uma vez que se tornam o objetivo do atendimento odontológico. O treinamento recorrente, a supervisão continuada, a motivação e o trabalho em equipe são fatores essenciais para alcançar e manter a adesão aos protocolos e às políticas de controle da infecção cruzada e de prevenção de acidentes com material biológico contaminado. Desse modo, o projeto de extensão “Biossegurança e cidadania - uma prática de saúde pública”, realizado na Faculdade de Odontologia de Araraquara, propõe aumentar a difusão do conhecimento sobre as práticas de biossegurança e saúde, entre a comunidade (acadêmicos, pós-graduandos, docentes e servidores técnico-administrativos) e os pacientes usuários, por meio de palestras educativas e orientações. Os acadêmicos envolvidos no projeto é um agente multiplicador, quanto ao conteúdo de biossegurança, enriquecendo sua formação como recurso humano, desenvolvendo atividades

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inseridas em ações integradoras da Universidade com a população assistida. Pesquisas tem sido realizadas a partir da atividade desenvolvida pelo projeto de extensão, interligando ensino, pesquisa e extensão.

Objetivos

Este projeto visa a orientação para a melhoria das práticas de Biossegurança e controle de infecção em Odontologia, com foco na promoção de saúde da equipe odontológica e na segurança do paciente. Participam tanto o público interno da FOAr-UNESP (acadêmicos, docentes, servidores, pós-graduandos e pacientes), quanto externo (pacientes e equipe odontológica), por meio de atividades educativas com a participação conjunta de instituições do município de Araraquara e região.

Material e Métodos

A etapa de “campo” junto a toda comunidade do projeto é cuidadosamente realizada, por meio de palestras ou com a entrega individual de cada folder, buscando “inserir” cada participante (acadêmicos, docentes, servidores, profissionais, pós-graduandos) dentro da importância da cooperação com as diretrizes de biossegurança na rotina diária do atendimento odontológico, bem como favorecer o empoderamento de cada paciente usuário do serviço odontológico, desenvolvendo habilidades na análise e julgamento sobre a segurança de seu atendimento.

Resultados e Discussão

Em 2014, o projeto de extensão universitária “Biossegurança e Cidadania: uma prática de saúde pública” proporcionou a divulgação e a orientação sobre práticas odontológicas para o controle de infecção entre profissionais e acadêmicos, docentes, pós-graduandos e servidores, bem como orientou pacientes usuários de serviços de saúde sobre a importância da observação de itens de segurança para o paciente odontológico. Com a participação dos acadêmicos e de toda a equipe, foi possível realizar as atividades educativas. As palestras foram realizadas e usamos alguns folders disponíveis os quais foram distribuídos durante essas atividades. Ressaltamos a parceria deste projeto obtida com uma unidade de saúde da cidade de Araraquara, externa à UNESP, o Serviço Especial de Saúde de Araraquara, que é referência na região (Até 1983, o SESA era o único serviço de saúde do município de Araraquara, sendo

responsável pelo atendimento de toda a população), e a parceria com membros da equipe de fiscalização da Vigilância Sanitária do Município de Araraquara (ANVISA), para aumentar o impacto externo de nossas atividades educativas entre pacientes usuários e cirurgiões-dentistas da cidade e região, que são visitados pelas ações da ANVISA. Nas palestras, a entrega individual de cada folder permitiu “inserir” cada “profissional-participante” (acadêmicos, docentes, profissionais pós-graduandos) dentro da importância da obediência aos protocolos de biossegurança na rotina diária do atendimento odontológico. Para os pacientes usuários de serviços de saúde da FOAr e externos a ela, essa distribuição de folder e palestras buscou favorecer o empoderamento de cada paciente usuário do serviço odontológico, enquanto capaz de aplicar o conteúdo do folder na análise e julgamento sobre a segurança de seu atendimento. Considerando o conteúdo das palestras e séries: acadêmicos de 1º ano – palestra sobre importância da atualização da carteira de vacinação; acadêmicos de 2º ano – responsabilidade de atualizar a vacinação e de realizar o exame Anti-HBs; acadêmicos de 3º ano - treinamento sobre normas de uso da área de expurgo: descarte de pérfuro-cortante, limpeza, processamento e uso de EPIs, embalagem e acondicionamento de materiais e instrumentos odontológico para envio à Central de Esterilização; acadêmicos de 4º a 5º ano, docentes, pós-graduandos e servidores da FOAr: palestra a pedido da CIPA-FOAr: “A importância das medidas de controle de infecção e biossegurança em Odontologia para você como paciente e para o profissional de saúde”. Além disso, nosso projeto esteve inserido numa participação conjunta ao evento Movimento Saúde 2014, no Câmpus de Araraquara, nas datas de 16, 21 e 28 de outubro e realizamos um evento científico com a participação de membro externo, como palestrante, a Dra Rosimar Minghim Planas, da ANVISA, para o evento cadastrado na PROEX intitulado “Vigilância Sanitária e o Consultório Odontológico: Orientações Práticas”. A seguir algumas fotos ilustram essas atividades:

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8º Congresso de Extensão Universitária da UNESP, 2015. Atividades do projeto de extensão universitária “Biossegurança e

Conclusões

Os Benefícios à comunidade são muitos desde a simplificação do conhecimento; disponibilizado por meio de informação atualizada sobre controle de infecção em Odontologia entre profissionais e pacientes usuários de serviços de saúde. Há que se considerar também a capacitação de acadêmicos voluntários e bolsistas que participaram do projeto, pois tem obtido maior conhecimento em biossegurança e controle de infecção em Odontologia bem como tem se desenvolvido ainda mais como recurso humano. O projeto tem permitido a realização de atividades de pesquisa, em nível de iniciação científica, e a divulgação em eventos. Palestra ministrada pela Dra. Rosimar Minghim

Planas. FOAr, 2014.

Palestra e distribuição de folders aos pacientes em sala de espera da FOAr-UNESP. FOAr, 2014.

Palestra e distribuição de folders aos pacientes em sala de espera do SESA. FOAr, 2014.

Palestra de orientação sobre vacinação aos acadêmicos. FOAr, 2015.

Palestra e distribuição de folders aos pacientes em sala de espera da FOAr-UNESP. FOAr, 2013.

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Agradecimentos

À Pró-Reitoria de Extensão Universitária – PROEX; À Faculdade de Odontologia de Araraquara – FOAr-UNESP; ao Serviço Especial de Saúde de Araraquara – SESA/ USP e à ANVISA de Araraquara.

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Referências

Documentos relacionados