Colóquio:
18 de setembro
Prof. José Fernando Lima
Presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE)
Conselho do MEC, subordinado à presidência Duas câmaras: Câmara de Educação Básica Câmara de Educação Superior
(doze membros cada, indicados pela presidência da república, com mandatos de dois anos)
Panorama da Educação Brasileira:
Políticas e Desafios
1. Primeira aproximação
(Dicionário, etimologia, etc.)
2. Histórico de sentidos
3. Existe propriamente um conceito?
Teorias de currículo
4. Diferentes formas de abordagem
(Diacrônicas e sincrônicas)
5. Em síntese: novas perguntas
Etimologicamente, currículo é um vocábulo de origem latina que significa corrida, o lugar onde se corre e, por metonímia, o que se faz durante a corrida.
(Mais detalhes in Infopédia, disponível em http://www.infopedia.pt/$curriculo).
Substantivo: cursus (carreira, corrida) e curriculum
Do latim Currere, que significa caminho, jornada, trajetória, percurso a seguir
Dicionário Aurélio
Currículo s.m.
Aportuguesamento da expr. latina curriculum. Curso. Parte de um curso literário. As matérias de um curso.
Dicionário Michaelis
Currículo sm (lat curriculu) 1.Ação de correr. 2. Pequena
carreira; atalho. 3. Curso. 4. Conjunto das matérias de um curso escolar. 5. Parte de um curso literário.
Do latim Currere, que significa caminho, jornada, trajetória, percurso a seguir . Por isso, encerra duas idéias principais: uma de seqüência ordenada, outra, de totalidade de estudos (Macedo, pág.22)
Alguma coisa a ver com curriculum
• Plano de estudos, ou seleção de conhecimentos para a formação em algum campo.
Essa idéia já estava presente desde a antiguidade, embora não se
denominasse como currículo e, então, tivesse o sentido de apresentar aquilo que se deve aprender.
(2). Histórico de sentidos
Platão já idealizava “propostas de estudo” em que se deveria basear a formação. E isso implicava em alguma forma de sistematização de áreas de conhecimentos, canto, leitura, escrita, poesia, dança, etc.
Na Antiguidade e na Idade Média: o Trivium (gramática, retórica e filosofia) e o Quadrivium (aritmética, geometria, astronomia e música) também organizavam o conhecimento a ser apreendido.
Trivium (três + vias) corresponde ao conjunto dos conhecimentos propostos para a formação, abrangendo três das sete artes liberais
Os pitagóricos consideravam a ciência matemática como passível de ser
dividida em dois ramos: um,
referente à quantidade (em si, ou em referência a outras quantidades) e, outro, à magnitude (estacionária ou em movimento).
Assim, a aritmética estuda as
quantidades e a música, as relações entre quantidades. Por sua vez, a geometria, diz respeito a magnitudes em repouso, enquanto a Astronomia à magnitudes (esféricas) sempre em movimento.
Quadrivium (quatro + vias) corresponde às demais artes
(aritmética, geometria, música e astronomia).
“Se puede afirmar que el Trivium y el Quadrivium son el antecedente
remoto del currículum escolar y si lo analizamos detenidamente,
podemos detectar la lógica de su planteamiento.
Se trataba de adquirir, con el
Trivium, los aprendizajes generales, y destrezas intelectuales para
enseñarlos a pensar, para
desarrollarles el criterio propio y prepararlos para el autoaprendizaje. Posteriormente se adquirían las disciplinas científicas, Quadrivium, que proporcionaba los elementos para conocer y dominar el mundo exterior”.
Aritmética
Música
Geometria
• Plano de estudos institucionais, associados à escolarização, em instituições de ensino
No século XVI e XVII, a palavra curriculum aparece em registros das Universidades de Leiden (1582) e Glasgow (1633)
2. Histórico de sentidos
Nessas instituições, há forte influência do calvinismo. Surge, nessa época, como referência à forma de organizar e controlar os ideários da formação escolar, associada às escolas protestantes, que surgiram com Calvino.
O currículo teria “nascido”, portanto, associado à disciplina, que é um conceito importante na prática social calvinista.
Assim, de certa forma a palavra vem associado à escolarização, disciplina, classe, a um dada forma de organização escolar. De certa forma, tem origem como um conjunto de normas a serem seguidas (antecipando seu sentido de prescrição).
• Programa de estudos, planos de estudo, lista de conhecimentos ,
organizações do conhecimento a ser ensinado (não exatamente
ainda num sentido amplo como o atual) (A partir do século XIX). 2. Histórico de sentidos
No início do século XX:
Bobbitt (1918) ao publicar The Curriculum, estabelece um marco no surgimento da idéia de currículo. Suas discussões não são proposições de currículos específicos, mas orientações para ações, inspirado na administração científica de Taylor.
Nessa mesma época, há os trabalhos de Dewey, dentre eles, The child
and the curriculum (1902), em que a abordagem é a antítese da
anterior.
Publicado em português sob o título de “A Criança e o
Uhum...
Currículo é o que se deve aprender ou o que se deve
ensinar? Ou é a mesma coisa?
A organização do
ensino
secundário
(Não se utiliza a
designação de
currículo)
(3) Existe propriamente um conceito?
Teorias de currículo e as compreensões sobre currículo.
Currículo é um conceito polissêmico... Currículo é um campo de disputas...
O currículo não é um conceito, mas uma construção cultural. Não se trata de um conceito abstrato, que tenha algum tipo de existência fora e previamente à experiência humana. É, antes, uma forma de organizar uma série de práticas educativas.
Quando definimos currículo estamos descrevendo a concretização das funções da própria escola e a forma particular de enfocá-las num momento histórico e social determinado, para um nível ou modalidade de educação, numa trama institucional, etc.
Como conceito (?), característica dos tempos atuais, associada à discussão de
Ou seja, para falar do conceito, é preciso uma teoria?
O que seria uma teoria de currículo? Poder-se-ia pensar em algo semelhante
às teorias da aprendizagem? O que são teorias da aprendizagem?
Como teorias, onde vão “buscar” o suporte teórico para suas proposições?
E, se fosse similar, onde as teorias de currículo deveriam ir buscar seu próprio
suporte teórico? A existência de uma teoria implica em uma reflexão sobre o
currículo, e não apenas a proposição e discussão de um currículo. Quer dizer, exige uma compreensão mais ampla e
Segunda metade do século XX - Pós segunda guerra: novas demandas pelo planejamento da educação e novas demandas para a própria educação.
(Por exemplo, Tyler, 1949).
Este pequeno livro procura desenvolver uma base racional para considerar, analisar e interpretar o currículo e o programa de ensino de uma instituição educacional. Não é um livro texto, pois não oferece uma orientação pormenorizada de leituras para um curso. Não é um manual para elaboração de currículos, porque não descreve nem enumera em detalhes os passos a serem dados por uma determinada escola ou faculdade que procura elaborar um currículo. Este livro apresenta, em linhas gerais, um modo de encarar um programa de ensino como instrumento eficiente de educação. O estudante é instigado a examinar outras bases racionais e desenvolver sua concepção pessoal dos elementos e relações implicados num bom currículo (p.1).
A base racional aqui desenvolvida começa por identificar quatro questões fundamentais que devem ser respondidas quando se desenvolve qualquer currículo ou plano de ensino. Ei-las aqui:
Que objetivos educacionais deve a escola procurar atingir?
Que experiências educacionais podem ser oferecidas, que tenham possibilidade de alcançar seus propósitos?
Como organizar eficientemente essas experiências educacionais?
Como podemos ter certeza de que esses objetivos estão sendo alcançados?
Este livro sugere métodos para estudar as questões acima. Não se faz nenhuma tentativa de respondê-las, uma vez que as respostas variarão, dentro de certos limites, de um nível de educação e de uma escola para outra. Em lugar de responder às questões, são
explicados os procedimentos pelos quais é possível responde-las. Isso constitui uma base racional par ao exame dos problemas de currículo e ensino.
Teoria?
(4). Diferentes formas de abordagem para
compreender o currículo /teoria de currículo:
(A) Abordagem histórica (tipo linha do tempo), apresentando a evolução das teorias nos últimos cinquenta
anos.
(Abordagem diacrônica)
(B) Abordagem tipo “Mapa”, Procurando desbravar o panorama
atual das teorias. (Abordagem sincrônica)
Ensino, Aprendizagem, Avaliação, Metodologia, Didática,
Organização, Planejamento, Eficiência, Objetivos
Ideologia, Reprodução cultura e social, Poder, Classe social, Relações sociais de produção, Conscientização, Emancipação,
Libertação, Resistência
Identidade, Alteridade, Diferença, Subjetividade, Significação e discurso, Saber-poder, Representação, Cultura, Gênero,
Raça, Etnia, Sexualidade, Multiculturalismo Teorias tradicionais
Teorias críticas
Teorias pós modernas
(A) Abordagem histórica
"Em meu ensaio "Teoria Tradicional e Teoria Crítica” apontei a diferença entre dois métodos gnosiológicos.
... A teoria em sentido tradicional, cartesiano, como a que se encontra em vigor em todas as ciências especializadas, organiza a experiência à base da formulação de questões que surgem em conexão com a reprodução da vida dentro da
sociedade atual. Os sistemas das disciplinas contém os conhecimentos de tal forma que, sob circunstâncias dadas, são aplicáveis ao maior número possível de ocasiões. A gênese social dos problemas, as situações reais nas quais a ciência é empregada e os fins perseguidos em sua aplicação, são por ela mesma
consideradas exteriores.
....A teoria crítica da sociedade, ao contrário, tem como objeto os homens como produtores de todas as suas formas históricas de vida. As situações efetivas, nas quais a ciência se baseia, não são para ela uma coisa dada, cujo único problema estaria na mera constatação e previsão segundo as leis da probabilidade. O que é dado não depende apenas da natureza, mas também do poder do homem sobre ele. Os objetos e a espécie de percepção, a formulação de questões e o sentido da resposta dão provas da atividade humana e do grau de seu poder."
(Max Horkheimer, Filosofia e Teoria Crítica, 1968, em Textos Escolhidos, Coleção Os Pensadores, p. 163) Escola de Frankfurt (Instituto para a Pesquisa Social)
Organização, seleção, planejamento em uma dada
estrutura (escola),
respondendo a algum objetivo
Na verdade, o currículo são as práticas que se estabelecem. Relações na
escola, valores, disputas, interesses, etc.
Para além dos objetivos explícitos, há os implícitos , relacionados à função da escola.
Para que serve a escola, desse jeito?
(B) Construção tipo “mapa”:
Currículo como conjunto de práticas escolares, alunos e professores, cotidianos
Currículo como expressão do papel da educação e da função da escola, relacionado às políticas educacionais, processo de dominação/reprodução, etc.
Currículo como organização, planejamento, projeto, prescrição, texto-proposição, discurso de princípios organizativos
Currículo proposto, currículo oculto, currículo vivido (Lopes/Macedo) Currículo como fato e currículo como prática (Goodson)
Currículo oculto (Apple) Diferentes autores:
Teorias de currículo não são, portanto, manuais de como fazer um currículo. No máximo, são indicações de como não fazer um currículo. Mas são aportes que incluem diferentes aspectos relacionados às atividades escolares.
Muita intersecções com as questões colocadas no campo da didática específica. Por isso mesmo, ao longo das últimas décadas, muitos autores propõem discussões em que o papel
da didática e do currículo são considerados como equivalentes, especialmente no ensino de ciências
Muitas intersecções com as questões relacionadas às políticas educacionais. Por isso mesmo, ao longo das últimas décadas, muitos
autores propõem discussões centradas em dos documentos e
entidades políticas . Tomam currículo como os documentos
(
5). Em síntese: muitas dúvidas e novas perguntas
Questão:
Se currículo é tudo, é o programa, é a
proposta, é a vida na escola, é a escola, é o embate de concepções diferentes, são as conversas no recreio, etc. , tudo isso não ajuda em nada, porque não caracteriza um espaço para compreensões relacionadas a suas próprias perspectivas.
Ser tudo é ser nada...
Currículo é cultura, é poder, é política, é programa, é complexo, mas até agora não sei exatamente o que é isso...
Então, para falar de currículo é preciso ter uma teoria?
Os PCNs são currículo? E as Propostas Curriculares do
Estado?
Na década de 60, surgiram os projetos como PSSC, BSSC e CSSC. Podem ser considerados
como currículo?
O que os PCNs têm a mais do que uma organização de
conhecimentos?
E como “escolher” uma teoria? Uma só é suficiente?
O Ensino a
distância precisa também de um currículo?
Proposta de trabalho:
A partir da leitura de dois textos, dentre o conjunto
apresentado, destacar dois aspectos ou duas dimensões
relevantes, do seu ponto de vista, acerca de currículo , de
forma que possamos construir, coletivamente, um panorama
sistematizado (mais ou menos...) dos sentidos de currículo
com que vamos trabalhar
1. Apresentação dos textos lidos:
Texto (A), Título, breve síntese (dois ou três parágrafos) Alguns dos aspectos sobre currículo abordados Texto (B), Título, breve síntese (dois ou três parágrafos) Alguns dos aspectos sobre currículo abordados 2. O que é importante privilegiar, do seu ponto de vista,
nas discussões sobre currículo?
D
Experiências de inovação educativa: O currículo na prática da escola
Miguel G. Arroyo (Cap. 8) (p.131 a 164)
Propostas pedagógicas ou curriculares Subsídios para uma leitura crítica
Sonia Kramer
(Cap 9) (p.165 a 183)
Currículo, utopia e pós-modernidade
Antonio Flavio Barbosa Moreira (Cap. 1) (p.9 a 28)
Escola e Cultura:
As bases sociais e epistemológicas do conhecimento escolar
Jean Claude Forquin (Introdução) (p.9 a 26)
Currículo: teoria e história
Ivor F. Goodson
Petrópolis, RJ, Vozes, 1995 (Capítulo 1) (p.16 a 28)
Currículo: a invenção de uma tradição
Currículo
Lopes e Macedo
(Capítulo 1) (p.19 a 42)
Teorias de Currículo
Currículo: teoria e história
Ivor F. Goodson
Petrópolis, RJ, Vozes, 1995 (Capítulo 2) (p.29 a 43)
Etimologias, epistemologias e o emergir de um currículo
Documentos de Identidade:
Uma introdução às teorias do currículo
Tomaz Tadeu da Silva Introdução (p.11 a 17)
Teoria do currículo: o que é isto?
O currículo: uma reflexão sobre a prática
J. Cimeno Sacristán (Capítulo 1) (p.13 a 53)
DOMINGO, José Contreras
Outras escolas, outra educação, outra forma de pensar o currículo Em Saberes e incertezas sobre o currículo, SACRISTAN, J.G. (org.) Porto Alegre, Penso, 2013.
GOMES, Ângela de Castro Correia e VIEIRA, L. Aparecida
O currículo como instrumento central do processo educativo: uma reflexão
etimológica e conceitual Atas do IX Congresso nacional de Educação, Curitiba, 2009 (p.3223/3231)
HAMILTON, David
Sobre as origens dos termos classe e curriculum, Teoria & Educação 6, p.33-51, 1992.
LOPES, Alice Casimiro e MACEDO, Elisabeth Teorias de Currículo, São Paulo, Cortez, 2011.
MACEDO, Roberto
Currículo: Campo, conceito e pesquisa Petrópolis, RJ, Editora Vozes, 2008.
SACRISTÁN, J.G.
O que significa o currículo? Em Saberes e incertezas sobre o currículo, SACRISTAN, J.G. (org.) Porto Alegre, Penso, 2013. (O gráfico é na página 19)