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Gerir a diversidade em sala de aula

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Academic year: 2021

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Curso “Práticas Inclusivas” Módulo 2 – Documento 1 – texto de aprofundamento – Planeamento estratégico de aulas

Gerir a diversidade em sala de aula

Planeamento estratégico de aulas

Gerir a diversidade em sala de aula atendendo à participação e aprendizagem efetivas de todos os alunos, obriga à operacionalização de mecanismos de planeamento e gestão curricular com caráter intencional e estratégico. Neste sentido, entende-se a gestão curricular como um processo de tomada de decisão quanto ao modo de fazer que se

julga mais adequado para produzir a aprendizagem pretendida1, implicando

necessariamente determinar o que ensinar e porquê, como, quando, com que prioridades, com que meios, com que organização e com que resultados. Por exemplo, se um professor ou um grupo de professores pretende trabalhar a interpretação de informação, planeamento e condução de pesquisas2 nos alunos, terá de decidir,

partindo de um conhecimento prévio da situação, como o vai fazer e porquê, partindo de onde, em que momentos, com que ferramentas e com que estratégias de articulação. Além disso, terá necessariamente que determinar mecanismos e instrumentos de avaliação das aprendizagens e da estratégia adotada, tendo em vista a regulação atempada (a aprofundar no Módulo 3). Deste modo, enquanto processo de tomada de decisão, a gestão curricular levanta um conjunto de questões relativas à visão pedagógica, às respetivas prioridades e princípios de ação, à organização das aprendizagens, aos métodos e estratégias de ensino e de avaliação, aos modos de organização da escola e das aulas e à monitorização3 (cf. figura 1). (Para

aprofundamento, consultar Roldão & Almeida, 2018).

1 Roldão & Almeida, 2018, p. 23

2 Área de competência de Raciocínio e resolução de problemas (cf. Perfil dos alunos à saída da

escolaridade obrigatória)

(2)

Figura 1. Níveis e campos de decisão curricular (adaptado de Roldão & Almeida, 2018)

A gestão curricular decorre, assim, de um planeamento com intencionalidade estratégica, operacionalizada no modo como se organiza a dinâmica pedagógica, conciliando as aprendizagens a desenvolver e as características de todos alunos em questão (cf. unidade 1.3.). O planeamento curricular constitui uma apropriação

contextualizada do currículo, adequada à consecução das aprendizagens e ao

desenvolvimento integral dos alunos4. Este modo de conceber o planeamento curricular

assume, por um lado, o caráter contextualizado do currículo e o significado atribuído às aprendizagens5, e por outro lado, o conhecimento da turma ou grupo de alunos como

condição para a definição intencional das dinâmicas pedagógicas. Planear dinâmicas pedagógicas eficazes implica um posicionamento estratégico, isto é, desenhar um caminho orientado para um dado fim, neste caso, a aprendizagem de todos os alunos.

4 Decreto-lei n.º 55/2018

5 Cf. conceito de Aprendizagens Significativas

Nível institucional Nível central Nível grupal Nível individual Opçoes e prioridades Organização das aprendizagens Métodos e estratégias de ensino e de avaliação Modos de funcionamento e organização da escola e das aulas Avaliação Visão pedagógica

(3)

Isto é determinado pela resposta a 3 questões-chave: (1) O que pretende que os alunos

aprendam nesta aula/unidade?; (2) Como vai organizar a estratégia da aula para isso? E porquê?; (3) Como vai verificar se aprenderam o que pretendia?

Figura 2. Questões chave para o planeamento curricular

A estratégia é, assim, a conceção global de toda a ação pedagógica operacionalizada pelo caráter intencional e orientador de um conjunto organizado de ações para a melhor

consecução de uma determinada aprendizagem6. Por conseguinte, distingue-se de uma

tarefa, atividade ou técnica, ainda que as implicando de forma articulada com outras dimensões da estratégia (cf. tabela 1). Menos ainda pode ser confundida com a mera listagem de atividades a desenvolver.

Tabela 1. Exemplo de estratégia, atividade/tarefa e técnica

Estratégia* Atividade/Tarefa Técnica

Através do uso da técnica de

Brainstorming, o professor pergunta aos

alunos: “O que é a tolerância?”. O professor anota no quadro as ideias dos

Brainstorming sobre o significado de tolerância; Brainstorming Questionamento 6 Roldão, 2009

O que pretende que os alunos aprendam nesta aula/unidade?

Como vai organizar a estratégia da aula para isso? E porquê? Como vai verificar se

aprenderam o que pretendia?

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alunos. No final, identifica as palavras mais representativas e procura formular o conceito juntamente com os alunos. O professor propõe o visionamento do vídeo “TOLERANTIA”. Após o visionamento do filme, o professor pede aos alunos que, em pares, deem um título ao clip e expliquem porquê. Os alunos apresentam os títulos justificando. No final da apresentação o professor coloca uma nova pergunta: “Quais as consequências sociais se não formos tolerantes?”

Visionamento e exploração da curta-metragem animada: “TOLERANTIA”.

* Excerto de descrição narrativa da estratégia global de uma aula de Educação Moral, Religiosa e Católica (cedida pelo autor)

Desenhar a planificação de uma aula, de um módulo ou de um trimestre implica, partindo das questões-chave acima indicadas, determinar: (1) objetivos de aprendizagem, tomando por referência as competências e valores do Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória e as aprendizagens comuns constituídas por conhecimentos, capacidades e atitudes das áreas e disciplinas expressas nas Aprendizagens Essenciais e outros documentos curriculares; (2) o conhecimento prévio acerca da situação dos alunos que considere dificuldades previsíveis, potencialidades, ligação com interesses e características dos alunos e do contexto e estratégia e ações prévias eficazes e ineficazes; (3) a estratégia global consubstanciada numa descrição que articule finalidades e ações para fazer os alunos aprender (cf. unidade 1.3.); (4) o desenvolvimento das atividades que operacionalizam a estratégia incluindo sequência, atividades, materiais, tempos, recursos, entre outros; (5) os mecanismos de avaliação, incluindo modalidades, instrumentos, momentos, entre outros (Para melhor compreensão, consultar proposta de planificação e guia de análise de planificação. O desafio é pensar a dinâmica de aula garantindo que todos os alunos têm oportunidades para participar e aprender.

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Referências

Roldão, M. C. (2009). Estratégias de ensino. O saber e o agir do professor. VNG: Fundação Manuel Leão.

Roldão, M. C. & Almeida, S. (2018). Gestão curricular para a autonomia das escolas e

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