181) JESUS RESSUSCITA NA TERCEIRA PARTIDA
Nos dois jogos iniciais o Brasil olímpico, contra África do Sul e Iraque, não tirou o zero do placar. Mas no terceirojogo quem “pagou o pato” foi a Dinamarca, perante a qual nossos garotos olímpicos foram bem e se destacaram: 4x0. Gols de Gabigol (26’/1ºT), Gabriel Jesus (39’/1ºT) e Gabigol (35’/2ºT). Um fato ficou claro: o problema era a grande pressão que os guris sentiam. O time jogou coletivamente e com alguns destaques individuais, como Luan e Walace (Grêmio-RS), Gabigol (Santos-SP) e Neymar (Barcelona-ESP). Se jogarem assim os outros jogos, a Seleção é séria candidata à medalha de ouro. Talvez o que reabilitou o astral da gurizada foi o fato de atuar no Estádio Fonte Nova, em Salvador (BA), onde a Seleção Brasileira jamais perdeu. Por ser uma partida decisiva o risco de eliminação da Rio-2016, no caso de derrota era iminente. Treinar na véspera no Estádio Pituaçu significou a fonte de alegria, acumulação de energias para recuperar o tempo perdido e evitar novo vexame, o que possibilitou ao time avançar às quartas de final da Olimpíada contra a Colômbia, em 13/8/16 na Arena Corinthians (SP). Na certa, tudo embalado pelo bom humor dos filhos da terra – os soteropolitanos: “Axé, Seleção!” – saudavam. Na boa, não havia melhor lugar para o capitão Neymar e companhia estarem do que a capital dos baianos. “Salvador é um lugar que nos traz sorte, aqui foi meu primeiro gol com a Seleção e temos uma torcida que nos apoia muito. Em um momento difícil como o que estamos vivendo, é importante ter a torcida do nosso lado. Com o apoio deles, seremos mais fortes” (Renato Augusto, camisa 5 da Seleção). Para dar a volta por cima, o técnico Rogério Micale contou com a energia de seus conterrâneos e os santos da Bahia: “Vou fazer o jogo mais importante da minha carreira. Gostaria que meu povo abraçasse a Seleção e demonstrasse a felicidade que tem. Gostaria que iniciássemos aqui a busca por um sonho que não é só meu, mas sim de todo povo brasileiro” – disse. Segundo ele, ainda, há uma pressão excessiva nas costas de Neymar, o camisa 10. “Trata-se de um jovem de apenas 24 anos, que não atingiu toda sua maturidade. Um jogador chega ao ápice físico, técnico e mental aos 28 anos. E o Neymar tem que lidar com a pressão de ser um jogador expoente desde os 17 anos” – concluiu Micale. Tite (Adenor Bachi),
comandante da Seleção principal, visitou o grupo olímpico e palestrou cerca de 20 minutos no Estádio de Pituaçu. Assim como esteve, duas vezes, na Granja Comary, em Teresópolis (RJ), enquanto o time se preparava para a Rio-2016. Em, 10/8/2016. Brasil 4x0 Dinamarca. Motivação: Olimpíadas Rio-2016. Estádio Arena Fonte Nova, em Salvador (BA). Juiz: Alireza Faghani (Irã). Público: 45 mil pagantes. O sucesso obtido na Arena Fonte Nova foi em virtude da sinergia havida entre jogadores e torcedores, i.é, houve “simultaneidade de forças concorrentes” para um só fim (Michaelis/2000, p.1947, vol.2). Muita festa e até uma roda de capoeira se fez presente num jogo ofensivo insinuante, organizado e coletivo. O Brasil conseguiu golear, embora Neymar não tenha marcado gol, mas teve grande atuação, distribuindo dribles e passes. Vaias só quando a Dinamarca pegava a bola! O repeteco nas arquibancadas não demorou: “E o campeão voltou” – cantava a torcida. Com a entrada de Luan, o Brasil passou a jogar com quatro atacantes. Neymar mais centralizado, com outros três atacantes atrás dele, num esquema 4-2-3-1, em que todos se mexiam quando o time tinha a bola. Jesus perdeu diversas chances; depois que marcou seu gol, desencantou, e perdeu a inibição. O reconhecimento veio com aplausos da torcida e os abraços apertados de Micale em cada jogador. Enfim, classificado, ressurgiu a esperança e faltam apenas três passos para abocanhar e morder o ouro. Pela leitura do jogo percebe-se que o Brasil (6,6) esteve superior à Dinamarca (4,9), dentro das quatro linhas da Arena Fonte Nova, em Salvador (BA). Jogadores-destaques do Brasil: atacante Luan (8,0), o melhor. Chegou para buscar a bola no campo de defesa e se movimentou. Procurou alternativas, assistência e gol; lateral-esquerdo Douglas Santos (7,5). Deu passes para gols de Gabriel e Luan. Também foi bem marcado; atacante Gabigol (Gabriel) (7,5). Jogador mais regular na Olimpíada até aqui, usou boa dose de oportunismo para marcar seus dois gols. Jogadores-destaques da Dinamarca: atacante J.B.Larsen (5,5), o melhor; lateral-esquerdo Andreas Maxso (5,0); meia Lasse Vibe (5,0). Quanto aos técnicos: o brasileiro Rogério Micale (7,5) esteve superior ao adversário. Acertou na escalação inicial do Brasil. Seleção entrou em campo com postura diferente. Estratégia deu certo. Enquanto que o dinamarquês Niels Frederiksen esteve abaixo da média e não passou da nota 5,0. O Brasil um time com quatro
atacantes, uma pressão gigante, uma necessidade de vencer, um grupo jovem, parecia que tudo ia dar errado. Mas deu certo porque evoluiu bastante, conseguiu vencer e convencer. Embora tenha que melhorar bastante. Quanto ao esquema com quatro atacantes, Micale tomou decisão arriscadíssima daquelas em que o treinador fica numa linha entre “o besta e o bestial” e ele terminou como bestial. (Oto Glória por Portugal na Copa do Mundo/66). No geral, o Brasil foi uma bagunça organizada, i.é, liberdade total de movimentação. Os quatro atacantes não voltavam para marcar e trocavam totalmente de posição. Isso prendeu a defesa contrária e a elastecer o placar! Conclusão. Com a vaga garantida às quartas de final da Olimpíada, a Seleção Brasileira terá encontro com a Colômbia. Irônico ou não, o time colombiano foi adversário justamente das quartas de final da Copa do Mundo-2014, no Brasil. Venceu por 2x0, mas perdeu Neymar lesionado. Na ocasião, o megacraque do Barcelona (ESP) fraturou a vértebra após receber entrada dura e desleal do lateral-direito Zuñiga. Caso passe pela Colômbia, o Brasil ainda poderá ter mais um encontro com a Alemanha, dona do 7x1 naquela Copa. Na verdade, nas Olimpíadas Rio-2016 as mulheres do futebol é que estão arrasando. Comparativamente, no futebol, o baixo desempenho de Neymar em relação às ótimas atuações de Marta suscitam enormes polêmicas nos meios de comunicação. Cinco vezes melhor jogadora do mundo, Marta só não é tratada como Pelé do futebol feminino no Brasil. Para o resto do mundo ela efetivamente é. Nossa craque sofre da total falta de apoio que a modalidade tem no Brasil (tanto que tem realizado sua carreira futebolística no exterior). O futebol feminino, além disso, também padece de um enorme preconceito no país, por parte dos torcedores e da mídia. Tomara que o êxito da seleção das mulheres e essa veneração por Marta possam alterar essa realidade tão desencontrada. E viva a Olimpíada Rio-2016, a primeira no Brasil e também da América do Sul. (in L! nºs 6826/27; T/PR).
Escrita por: Martins Sebastião Kreusch
Autor dos livros: Oh, Morena! - Melhores e Piores Crônicas Dr. Kreusch -Historíolas Sem Retoque de Photoshop.