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Energia para a. sustentabilidade.

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Academic year: 2021

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ATÉ A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL, a sociedade utilizou-se de tecnologias simples para apro-veitar os elementos naturais disponíveis e de-les obter energia.

A ascensão de uma nova tecnologia no século XVIII, a máquina a vapor, capaz de usar calor para produzir trabalho, transfor-mou significativamente a organização social, criando outros modos de produção e níveis de consumo.

Nos dois séculos seguintes, o uso maciço de fontes fósseis (petróleo e carvão, principal-mente), como base da economia, imprimiu um ritmo sem precedentes à exploração dos re-cursos naturais, acarretando novos problemas e estratégias geopolíticas.

O aproveitamento tecnológico da eletrici-dade, desde o final do século XIX, contribuiu para a viabilização de inúmeras atividades e processos que modificaram os conceitos pro-dutivos e propiciaram o acesso a um novo ní-vel de qualidade de vida, proporcionado por outros bens de consumo e serviços.

Mais do que nunca, a capacidade do plane-ta para suporplane-tar a exploração intensiva de seus recursos é apontada como a principal motiva-ção para buscar alternativas adequadas e aten-der às exigências de energia. O fundamento é

Cleverson Siewert

P R E S I D E N T E D O G R U P O C E L E S C

Energia para a

sustentabilidade

coerente e digno: garantir condições adequa-das à vida presente sem comprometer o mesmo direito às gerações futuras. Em outras palavras, estamos falando de Sustentabilidade.

Um dos pilares da sustentabilidade é o modo como usamos os recursos naturais dis-poníveis, o que está relacionado diretamente às fontes de energia, seu uso e seus aprovei-tamentos. Por isso, entendemos que o conhe-cimento gerado pelas áreas de Eficiência Energética, pela Pesquisa e pela Inovação são fundamentais em diferentes contextos, tanto para países já intensamente industrializados como para aqueles em desenvolvimento.

Ao completar 60 anos de fundação, a Ce-lesc tem a satisfação de prover uma nova fren-te de informação para o próprio setor elétrico e áreas afins: a revista Eficiência & Inovação.

O propósito é justamente divulgar as suas ações de eficiência energética, inova-ção e os projetos de P&D que visam simulta-neamente estimular o uso eficiente e seguro da energia, oferecer mais conforto e qualida-de qualida-de vida para o cidadão catarinense e res-peitar o meio ambiente.

De forma simples, podemos dizer: é mais uma maneira de fazer a energia da Celesc ge-rar sustentabilidade.

A luta para sustentar

a existência humana

e criar melhores

condições de vida

sempre se orientou

pela busca de fontes

de energia

(4)

Numa economia baseada em conhecimento, a Inovação e a Eficiência passam a ser fundamentais no

dia a dia de uma empresa ou organização. E uma coisa tem a ver com a outra, pois os ganhos de

produtividade e eficiência são decorrentes de inovações tecnológicas em processos produtivos e de

práticas inovadoras e inteligentes de uso final da energia. Melhorar a competitividade do negócio e

construir uma imagem positiva perante a sociedade, por meio de ações criativas, inteligentes e inovadoras,

são estratégias básicas de sobrevivência nessa nova economia. Aos poucos, isso vem deixando de ser

apenas retórica e passa a ser uma prática sistemática e consistente em várias empresas, inclusive as

controladas pelo poder público. O que a Celesc vem fazendo nos últimos anos nas áreas de P&D e de

Eficiência Energética é exemplo de que é possível se livrar das tradicionais amarras burocráticas que

dificultam a inovação nas empresas e os avanços que a sociedade requer. Esta publicação é um passo a

mais nessa direção e ajuda a evidenciar os esforços e os resultados da Empresa nessas duas áreas”.

Máximo Luiz Pompermayer,

S U P E R I N T E N D E N T E D A A N E E L

Se são as ideias inovadoras que movem o mundo, a Divisão de Pesquisa e Desenvolvimento e Eficiência

Energética – o setor da Celesc voltado à inovação – teve um papel determinante nos avanços que a

Empresa logrou, nas últimas décadas, nos setores de qualidade e confiabilidade, de segurança e de

redução do consumo. O futuro da Celesc passa necessariamente pelas ideias que surgem nessa Divisão.”

James Alberto Giacomazzi,

D I R E T O R D E D I S T R I B U I Ç Ã O

É um orgulho fazer parte da história do PEE Celesc há treze anos e ver a evolução dos

projetos executados, tanto na qualidade dos materiais e serviços, quanto na diversidade de

equipamentos eficientizados e nos benefícios estendidos para um grupo maior de consumidores,

e perceber o impacto da redução de consumo de energia elétrica na vida dos beneficiados.”

Jandira Jeane Gadotti,

I N T E G R A N T E D A E Q U I P E D E P E E

Eficiência e Inovação na Celesc:

uma história sob vários ângulos

P O N T O D E V I S TA

Estamos trabalhando fortemente em busca de grandes avanços que possibilitem a transformação do

setor elétrico, com projetos voltados à eficiência energética, às fontes renováveis, ao combate às perdas

comerciais, à confiabilidade e qualidade dos serviços de energia elétrica e à segurança. A Celesc tem se

tornado referência pelos investimentos e principalmente por projetos de destaque em âmbito nacional.”

Marco Aurélio Gianesini,

G E R E N T E D A D I V I S Ã O D E P E S Q U I S A E D E S E N V O LV I M E N T O E E F I C I Ê N C I A E N E R G É T I C A D A C E L E S C D I S T R I B U I Ç Ã O

É tempo de comemorar mais esta conquista! Esta publicação é fruto do trabalho dos que se dedicaram

ao longo do tempo – os gerentes de projeto e pesquisadores, além dos profissionais que atuam no P&D e EE

– que acreditaram que poderíamos mudar para melhor e aprender com os novos desafios. A partir de agora,

é chegado o tempo de irmos para águas mais profundas e mostrarmos o quanto evoluímos e aprendemos.”

(5)

E D I T O R I A L

VEÍCULO DE DIVULGAÇÃO DOS PROGRAMAS DE EFICIÊNCIA ENERGÉTICA - PEE E PESQUISA E DESENVOLVIMENTO - P&D CELESC ANEEL

Officio (officio.com.br) E D I Ç ÃO Letícia Wilson JORNALISTA RESPONSÁVEL [DRT/RS 8.757] Maria Viccari C O O R D E N AÇ ÃO G E R A L

Arquivos Celesc/Autores dos projetos e bancos de imagens

F OTO S Cleverson Siewert

D I R E TO R P R E S I D E N T E Antônio José Linhares D I R E TO R D E A S S U N TO S R E G U L ATÓ R I O S E J U R Í D I C O S Rubens José Della Volpe D I R E TO R D E P L A N E JA M E N TO E C O N T R O L E I N T E R N O

Eduardo Cesconeto de Souza D I R E TO R C O M E R C I A L

Ênio Andrade Branco

D I R E TO R D E G E R AÇ ÃO , T R A N S M I S S ÃO E N O V O S N E G Ó C I O S

James Alberto Giacomazzi D I R E TO R D E D I ST R I B U I Ç ÃO José Carlos Oneda D I R E TO R D E F I N A N ÇA S E R E L AÇ Õ E S C O M I N V E ST I D O R E S Nelson Marcelo Santiago D I R E TO R D E G E STÃO C O R P O R AT I VA

Prezado leitor,

Ao completar 60 anos de fundação, a Ce-lesc consolida um novo meio de divulgação de suas ações de eficiência energética e de seus projetos de P&D, visando dar ciência sobre os conhecimentos adquiridos e sobre os benefí-cios resultantes disso.

Essa iniciativa está fortemente vinculada aos nossos Valores Corporativos, a saber: Re-sultados, Inovação, Valorização das Pessoas, Comprometimento, Responsabilidade Socio-ambiental, Ética e Segurança.

De várias formas, diz respeito também ao princípio de Sustentabilidade, que norteia a Celesc em todos os âmbitos de trabalho por meio da gestão voltada para o Planejamento Estratégico e a Eficiência Operacional. Para o nosso consumidor e cidadão catarinense, isso significa orientação sobre o uso eficien-te e seguro da energia, mais conforto e

qua-lidade de vida e respeito permanente ao meio ambiente.

Na prática, isso pode ser descrito com nú-meros. Desde 1989, com investimento de R$140 milhões em 84 projetos de eficiência energética, a Celesc Distribuição conseguiu reduzir 144GWh no consumo e 50,9MW na demanda do sistema elétrico em sua área de concessão.

Os projetos de P&D, por sua vez, têm pro-piciado continuamente maior qualidade e confiabilidade na distribuição de energia. São projetos alinhados às últimas tendências vol-tadas à superação de desafios tecnológicos e de mercado na área de Energia, como a confi-guração e consolidação de redes inteligentes. Atualmente, estão em andamento 34 projetos de P&D e outros quatro estão em contratação, somando R$80 milhões em investimentos.

Desejamos a todos boa leitura!

O futuro, a curto prazo

Eng. Marco Aurélio Gianesini

CHEFE DA DIVISÃO DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO E EFICIÊNCIA ENERGÉTICA DA CELESC DISTRIBUIÇÃO

Equipe da Divisão Pesquisa e Desenvolvimento e Eficiência Energética da Celesc Distribuição: Luiz A. P. Athayde Fº, Jandira J. Gadotti, Mario C. Machado Jr., Rafael Lemos, Fabrício M. Engelkes, Marco A. Gianesini, Marcio S. Lautert, Arthur Rangel Laureano, Maria Viccari, Luiz A. Zabot, Sérgio F. Fragoso, Thiago Jeremias e Roberto Kinceler

(6)

Sumário

6

H I S T Ó R I A

Pesquisa, desenvolvimento

e eficiência

9

P E E 1 | H O S P I T A I S

Cooperação com a saúde

12

P E E 2 | B Ô N U S E F I C I E N T E

Eletrodomésticos mais eficientes

para redução do consumo de energia

14

P E E 3

Energia garantida para a

| I N D Ú S T R I A

produção industrial

17

P E E 4 | C A L A M I D A D E

Iniciativas que beneficiam

milhares de consumidores

20

P & D 1

Rede monitorada com

| Q U A L I D A D E

segurança e precisão

22

P & D 2 | T R A C I O N A M E N T O

Dinamômetro eficiente

24

P & D 3 | M O N I T O R A M E N T O

Sensores facilitam a

identificação de falhas

26

P & D 4 | I S O L A D O R E S

Equipamentos sustentáveis

28

P & D 5 | A C E S S O R E M O T O

Medição e acesso remoto

30

P & D 6

Melhoria da continuidade e

| M A T E R I A I S I

maior durabilidade

(7)

EFICIÊNCIA

& INOV

AÇÃ

O | NÚMERO 1 | ABRIL 2016

P & D 7 | M A T E R I A I S I I

Mais qualidade, eficiência

e segurança

32

P & D 8 | C O N T R O L E

Acompanhamento do

consumo em tempo real

34

P & D 9 | A E R O G E R A D O R E S

Produção de alimentos e

geração de energia

36

P & D 1 0 | P L A N E J A M E N T O

Menos incertezas, maior eficiência

38

P & D 1 1 | R E L I G A M E N T O

Informações interligadas,

agilidade na reenergização

40

P & D 1 2 | S E G U R A N Ç A

Sistema de realidade virtual

ajuda a evitar acidentes

42

P & D 1 3 | T R A N S F O R M A D O R E S

Diagnóstico rápido e seguro

44

P & D 1 4 | F A S E A M E N T O

Menos acidentes e mais agilidade

46

P & D 1 5 | R E D E S G E R A D O R A S I

Redes distritais para

integrar microgeradores

48

P & D 1 6 | R E D E S G E R A D O R A S I I

Microgeração integrada

50

C E L E S C 6 0 A N O S

Seis décadas de muita

(8)

PEE

UMA PARTE FUNDAMENTAL do contexto de sustentabilidade diz respeito ao bom uso de recursos naturais e das fontes de energia. Por isso, a eficiência energética tem recebido des-taque crescente em virtude de seus objetivos principais, como obter melhor desempenho na produção de bens e serviços com menor gasto de energia.

A Celesc trabalha nessa frente de ação, desde 1999. De lá até 2015, por meio de 84 projetos de eficiência energética, conseguiu reduzir 144GWh no consumo de energia trica e 50,9MW na demanda do sistema elé-trico em sua área de concessão. Nesse perío-do, os investimentos chegaram a R$140 milhões. Umas das ações mais relevantes foi o subsí-dio à substituição de tecnologia com a troca de aparelhos de refrigeração antigos por no-vos, que beneficiou 35 mil unidades consu-midoras residenciais.

A elaboração de projetos de eficiência energética é complexa, pois eles precisam ser viáveis tecnicamente para que a distribuidora possa executá-los, conforme determinada a le-gislação do agente regulador, no caso, a Agên-cia Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).

Segundo especialistas da área de Ener-gia, mais de 80% das chamadas públicas das distribuidoras brasileiras não conseguem

Pesquisa,

desenvolvimento

e eficiência

Há 15 anos, conforme determina

a lei, a Celesc Distribuição investe

parte de sua receita em projetos de

Pesquisa & Desenvolvimento e de

Eficiência Energética. Resultados desses

programas têm papel importante na

melhoria da qualidade da energia

e dos serviços prestados.

Por Vânia Mattozo

(9)

Para o restante da popula-ção, foi elaborado o projeto Bônus Eficiente por meio do qual

a Celesc subsidiou a compra, por seus consu-midores, de aparelhos refrigeradores, congela-dores ou condicionacongela-dores de ar de tecnologia mais moderna e eficiente. O resultado foi a re-dução de até 30% no consumo daqueles que participaram.

Indústria

Em Santa Catarina, o setor industrial res-ponde por 42,5% do consumo de energia elétri-ca. Pelo Programa de Eficiência Energética, a Celesc desenvolveu projetos para auxiliar esse setor na implantação e execução de ações para

renovar o parque fabril catari-nense e reduzir os custos com energia elétrica de suas indús-trias, tornando-as mais competitivas.

O Projeto Indústria+Eficiente, por exem-plo, foi mais uma grande ação desenvolvida para combater o desperdício de energia elé-trica. O projeto selecionou e financiou, com juro zero, ações de eficiência energética em instalações industriais. Foram investidos R$19 milhões, em 2013, para promover a re-novação do parque fabril e reduzir custos com energia elétrica, permitindo, assim, que a indústria catarinense se tornasse mais competitiva. A seleção dos projetos foi feita por chamada pública.

atingir seus propósitos, pois grande par-te dos projetos submetidos não é ade-quada para atender às especificidades dos editais. “São necessários cálculos de engenharia para atender às exigên-cias do órgão regulador, como os dados estimados da economia de energia re-sultante do projeto”, aponta o chefe da Divisão de Pesquisa & Desenvolvimento e Eficiência Energética da Celesc, eng. Marco Aurélio Gianesini.

Para garantir confiabilidade às esti-mativas de economia, existem metodolo-gias consagradas internacionalmente e adotadas pela ANEEL que reduzem os riscos do projeto, desde a sua concepção até a conclusão: “No entanto, a elaboração desses projetos exige conhecimentos diversos de engenharia, eletricidade, economia e esta-tística”, aponta Gianesini.

Prioridade para Baixa Renda

Por lei, boa parte dos investimentos das distribuidoras em Eficiência Energética deve ser destinada aos consumidores de baixa ren-da. Em Santa Catarina, 74.765 unidades (6% do total de 1,9 milhão de unidades consumido-ras) possuem esse perfil e são contempladas por projetos que preveem a substituição de lâmpadas e de refrigeradores, a instalação de aquecedores solares e de trocadores de calor.

Os agentes da Eficiência

Em 1989, em acordo com o Progra-ma Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel) da Eletrobras, foi criado o Procel Celesc, para incentivar ações de uso eficiente e correto da energia elé-trica. O programa tinha até mascote, o

Wattinho, que aparecia em todos os

materiais impressos e até nas faturas, nas quais apresentava dicas de econo-mia de energia aos consumidores.

Em 2004, do Procel Celesc nasceu, o ProCeleficiência que, entre outras ações, lançou um portal de internet que divulga projetos da área de eficiên-cia energética, fornece dicas e informa-ções e oferece um simulador do consu-mo de energia. A partir do Pro Cel­

eficiência, vieram o Procel nas Escolas,

que atuava entre os estudantes do ensi-no fundamental; o Celesc na sua casa, que se deslocava em um ônibus

espe-cialmente preparado com um sistema multimídia para palestras e apre sen-tações, entre outros.

O mascote Agente Celesc, um dete-tive bem-humorado que combate os vi-lões do desperdício, foi criado para o

Celesc na sua casa. Há 10 anos, o Pro­ Celeficiência transformou-se no PEE Celesc e a reformulação pela qual

pas-sou teve reflexos no Agente Celesc, que se tornou ainda mais “descolado”, cheio de recursos tecnológicos e de dicas.

O Programa de Eficiência Energética da Celesc proporcionou, desde sua cria-ção, redução de, aproximadamente, 161 mil MWh/ano, equivalente ao consumo mensal de 780 mil residências. Somente em 2014, foram investidos R$38 mi-lhões, beneficiando principalmente co-munidades de baixa renda, hospitais fi-lantrópicos e consumidores residenciais.

A sequência de mascotes da Eficiência Energética da Celesc: o Wattinho mais antigo, dos anos 1980, e o moderno, dos anos 2000. O Agente Celesc antes e depois de 2004, ano da reformulação e incorporação do ProCeleficiência ao PEE Celesc.

(10)

ƒQuantidade de projetos mantidos pelo P&D da Celesc e seus temas entre 2000 e 2015

P

&D

Na busca por soluções para superar os desa-fios tecnológicos e de mercado em sua área de concessão, tendo como diretrizes a eficiên-cia operacional e a confiabilidade do sistema elétrico, a Celesc tem investido crescente-mente em seu Programa de P&D. Em 2014, mais de R$20 milhões foram aplicados.

A Celesc iniciou seu programa de P&D em 2000, com a criação da lei que estabelece que as concessionárias devem investir anualmente 0,75% de sua receita operacional líquida em pesquisa e desenvolvimento e 0,25% em pro-gramas de Eficiência Energética.

Os projetos de P&D desenvolvidos no de-correr dos anos têm sido responsáveis pela

qualidade percebida por mais de 2,7 milhões de unidades consumidoras na área de conces-são, que corresponde a 92% do território de Santa Catarina.

Os recursos são procurados por empresas e instituições de pesquisas brasileiras de mé-rito reconhecido de todo o País.

Nos últimos anos, os projetos do P&D da Celesc têm sido direcionados a temas que se-guem as últimas tendências do setor: qualida-de e confiabilidaqualida-de na distribuição qualida-de energia, transmissão de dados via rede elétrica, efici-ência energética e medição.

Todos os anos é organizado um workshop de P&D para divulgar os investimentos realiza-dos e tornar públicos conhecimentos e resul-tados decorrentes da conclusão desses

proje-tos. Outro objetivo é a troca de experiências e interação entre a Celesc e empresas, institui-ções de ensino e segmentos da sociedade com interesse potencial nessas informações, como Poder Público, corporações de Bombei-ros e Defesa Civil, entre outBombei-ros.

Em novembro de 2015, a Celesc organizou um encontro sobre inovação do qual participa-ram, além dos parceiros do programa de P&D, representantes de várias empresas e entidades: Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), Companhia Estadual de Água, Esgoto e Saneamento (Casan), SCGás, Associa-ção Catarinense de Empresas de Tecnologia (ACATE), SENAI, Corporação de Bombeiros Mili-tares de Santa Catarina e Agência Reguladora de Serviços de Santa Catarina (ARESC).

Atualmente, estão em desenvolvimento 34 projetos de pesquisa, que somam investi-mento de R$64 milhões, e outros quatro proje-tos estão em contratação, com recursos esti-mados de R$16,2 milhões. Mais outros quatro projetos foram aprovados na última chamada pública e vão acrescentar mais R$35 milhões ao Programa P&D.

O presidente da Celesc, Cleverson Siewert, destaca essas metas: “No orçamento e plane-jamento estratégico para 2016, já agregamos receita para novos negócios. Vamos começar pequenos, mas a tendência é evoluir ao longo do tempo”.

42

35

22

21

15

13

10

10

9

1

Segurança Meio ambiente Operação de sistemas de energia elétrica Fontes alternativas de geração de energia elétrica Qualidade e confiabilidade dos serviços de energia elétrica Eficiência energética Medição, faturamento e combate a perdas comerciais Planejamento de sistemas de energia elétrica Outros Supervisão, controle e proteção de sistemas de energia elétrica

H I S T Ó R I A

(11)

Cooperação

com a saúde

O projeto Hospitais

Filantrópicos

per-mitiu a redução do

consumo de

ener-gia de 28

estabele-cimentos de saúde

do Estado de Santa

Catarina, por meio

da troca de

equipa-mentos obsoletos

por outros novos e

eficientes.

OS HOSPITAIS filantrópicos – instituições de caráter privado, sem fins lucrativos, responsá-veis por 80% dos atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Santa Catarina – são conhecidos tanto pelo espírito altruísta de seus fundadores quanto pelas dificuldades econômicas que enfrentam para se manterem em funcionamento. São, então, sempre bem--vindas quaisquer ações que tenham como objetivo conservar abertas as portas desses estabelecimentos, promover redução de seus custos de operação para, assim, viabilizar ou-tros investimentos.

Esse cenário fez surgir, entre os integran-tes do PEE da Celesc, ideias de projetos que reduzissem o custo financeiro desses hospi-tais, no que tange aos gastos com energia elétrica e com a manutenção de equipamen-tos elétricos antigos e ineficientes, por meio da sua substituição por equipamentos com

Selo PROCEL/INMETRO de eficiência energé-tica. Inicialmente, em 2009, foram executa-dos projetos em dois hospitais, nos quais o diagnóstico apontou a viabilidade de substi-tuição da iluminação, motores, condicionado-res de ar e autoclaves.

A partir dessa experiência e de seus re-sultados animadores, criou-se um único pro-jeto que abrangeu 26 hospitais e acrescentou refrigeradores à gama de equipamentos a se-rem substituídos. Executado nos anos de 2011 a 2013, o Projeto Hospitais Filantrópicos teve início com a medição do consumo de energia elétrica e da demanda na ponta dos equipamentos antigos pelo período de uma semana. Foram utilizadas as opções A e B do Protocolo Internacional de Medição e Verifi-cação de Performance (PIMVP), nas quais a energia medida é exclusivamente do equipa-mento a ser avaliado.

(12)

As medições subsidiaram a elaboração do diagnóstico energético de cada institui-ção, o qual apontou a viabilidade de execu-ção (definida pela Relaexecu-ção Custo/Benefício – RCB < 0,80), os equipamentos a serem substituídos e o investimento por hospital. Posteriormente, ca da entidade assinou o Termo de Cooperação Técnica com a Celesc, que estabeleceu os objetivos, as res pon

lidades das partes, cronogramas físico/fi-nanceiro e as condições para a substituição dos equipamentos.

Na sequência, teve início a etapa de obras, com a substituição dos equipamentos inefi-cientes, os quais foram encaminhados para o descarte ambientalmente correto, comprovado pela emissão de certificados. Foram instalados cerca de 58.000 equipamentos, entre lâmpadas

fluorescentes compactas e tubulares T5, lumi-nárias com refletor facetado em alumínio ano-dizado de alta pureza, refrigeradores, condicio-nadores de ar split quente/frio com controle re-moto digital, re-motores de alto rendimento e au-toclaves com duas portas (tipo barreira). “O pro-jeto também promoveu a adequação da ilumi-nação dos ambientes e da potência dos condi-cionadores de ar, em observância às normas

Cada sistema foi medido antes e depois da substituição

dos equipamentos. A diferença obtida equivale à economia

de energia e à demanda retirada no horário de ponta.

Resultados do projeto Hospitais Filantrópicos da Celesc Distribuição

Hospitais Município leitos

E q u i p a m e n t o s s u b s t i t u í d o s

Investimento

(R$) (MWh/ano)EE (kW)RDP Luminárias Lâmpadas Condicionadores de ar Refrigeradores Autoclave Motor

Hospital São José Criciúma 297 877 1.468 29 2 240.891,92 182,34 47,04 Hospital Nossa Sra. da Conceição Tubarão 410 2 144.883,86 8,98 42,15 Hospital e Mat. Nossa Sra. da Conceição Angelina 52 284 429 1 74.092,68 35,03 12,95 Hospital Regional de Araranguá Araranguá 126 913 1.107 9 10 15 187.548,53 167,66 30,00 Hospital Santa Isabel Blumenau 263 1.947 2.865 99 45 669.381,77 552,91 86,47 Hospital Maicé Caçador 110 950 1.432 18 7 11 303.009,67 243,48 39,54 Hospital Regional do Oeste Chapecó 298 1.955 3.327 17 7 27 617.104,40 518,55 94,33 Hospital São Francisco Concórdia 218 1.394 1.964 35 27 2 7 649.348,68 289,26 84,09 Imperial Hospital de Caridade Florianópolis 224 2.572 4.243 35 18 8 688.619,48 570,43 104,33 Hospital São Camilo Imbituba 97 535 720 4 110.888,97 72,40 16,20 Hospital e Mat. Marieta Konder Bornhausen Itajaí 344 2.345 3.599 34 35 641.389,61 509,21 80,72 Hospital Bom Jesus Ituporanga 60 847 1.099 9 6 1 3 258.029,79 141,11 42,68 Hospital e Matern. Jaraguá Jaraguá do Sul 126 531 781 26 8 205.393,05 168,86 28,05 Hospital Infantil Seara do Bem Lages 86 619 832 7 5 157.274,94 134,72 18,44 Hospital Nossa Senhora dos Prazeres Lages 197 696 970 14 5 227.199,16 173,46 29,93 Hospital Senhor Bom Jesus dos Passos Laguna 106 758 993 12 138.514,77 82,52 24,31 Hospital Municipal Henrique Lage Lauro Müller 99 272 315 1 5 66.121,98 52,90 12,47 Hospital e Mat. São Vicente de Paulo Mafra 76 885 1.422 9 8 4 244.974,96 176,10 30,95 Hospital São Marcos Nova Veneza 69 608 718 2 93.058,12 51,14 18,45 Fundação Hospitalar Santa Otília Orleans 53 339 385 9 1 1 81.120,17 45,35 12,77 Hospital Regional Alto Vale Rio do Sul 179 1.795 2.767 59 23 12 491.589,66 391,41 72,99 Hospital São Francisco de Assis Sto Amaro da Imperatriz 105 341 424 8 70.777,95 43,62 12,46 Hospital Padre João Berthier São Carlos 62 306 435 3 83.463,56 61,87 11,25 Assoc. Hospitalar Benefic. de Saudades Saudades 34 314 414 2 61.919,07 27,05 13,62 Hospital Dom Joaquim Sombrio 77 481 557 55.938,95 37,97 11,86 Hospital São José e Mat. Chiquinha Gallotti Tijucas 60 302 393 8 12 1 164.336,55 69,69 32,97 Hospital São José de Urubici Urubici 51 476 579 66.358,86 20,49 14,99 Hospital Salvatoriano Divino Salvador Videira 99 605 820 4 3 140.691,27 104,91 18,89 TOTAL 3.978 23.947 35.058 426 253 6 90 6.933.922,40 4.933,42 1.044,91

(13)

Ao final do projeto, em cada hospital, foi realizada uma palestra aos colaborado-res sobre as ações implementadas pela

Celesc e sobre as vantagens do uso racional da energia elétrica.

ƒAlexandre Dutra Alves e Jandira Jeane Gadotti (Celesc), com Vera Regina Novo Sobrosa – gerente administrativa do Imperial Hospital de Caridade de Florianópolis. Abaixo, um dos certifica-dos que comprovam o correto descarte dos equipamentos substituídos.

técnicas”, destaca a gerente do projeto, Jandi-ra Jeane Gadotti, da Celesc.

Todos os interruptores de energia do edi-fício receberam adesivos estampados com a frase “desligue ao sair”. Em cada instituição, após a conclusão das obras, foram

promovidas palestras aos colabo-radores, divulgando as ações rea-lizadas, os resultados alcançados e estimulando a consciência a res-peito dos benefícios do uso racio-nal de energia.

Por fim, foi efetuada uma pes-quisa de satisfação com o repre-sentante do hospital para avaliar a qualidade dos equipamentos

ins-talados e dos serviços executados. Todos os itens consultados receberam notas entre “bom” e “excelente”.

Concluídas as obras, foi realizada a medi-ção do sistema eficiente por mais uma sema-na. A comparação das medições antes e após a substituição permitiu apurar os resultados do projeto, em economia de energia e redu-ção da demanda na ponta.

IDENTIFICAÇÃO JUNTO À ANEEL

APLPEE5697_PROJETO_0003_S11 – Hospital São José, de Criciúma

APLPEE5697_PROJETO_0002_S10 – Hospital N. Sra. da Conceição, de Tubarão

APLPEE5697_PROJETO_0005_S15 – Hospitais Filantrópicos

EQUIPE CELESC

Jandira Jeane Gadotti (gerente), Marco Aurélio Gianesini, Alexandre Dutra Alves e Wamilton Silva

EMPRESA EXECUTORA

Padoin Engenharia e Proj. Elétricos Ltda

________________________________________ Este projeto foi apresentado no Citenel/Seenel 2015

O projeto Hospitais Filantrópicos da Celesc atendeu 28 estabelecimentos cata-rinenses de saúde – 3.978 leitos – com in-vestimentos na ordem de R$6,9 milhões, e resultou em quase 5 mil KWh/ano de economia de energia e 1.045kW de redu-ção de demanda na ponta. A energia economizada corresponde ao consumo anual de 3.425 residências.

(14)

COM A SUBSTITUIÇÃO de um eletrodoméstico e de cinco lâmpadas incandescentes, o percen-tual de redução de consumo de energia pode-ria atingir até 30%. Essa constatação foi a prin-cipal motivação para realizar o projeto de PEE “Bônus Eficiente – Substituição de Refrigera-dores, CongelaRefrigera-dores, Condicionadores de Ar e Lâmpadas – Tipologia Residencial”, que bene-ficiou milhares de consumidores catarinenses. Além de adquirirem um eletrodoméstico novo com até 50% de desconto, esses consumidores registraram uma economia de até 30% na fatu-ra de energia elétrica em função da maior efici-ência desses equipamentos.

Para viabilizar o projeto, a Celesc custeou parte do valor do bem adquirido em um dos 43 pontos de venda da

rede varejista contratada por meio de um processo licitató-rio. O consumidor recebia um bônus de até 50% do valor na compra de um eletrodoméstico - refrigerador, congelador/freezer ou condicionadores de ar – com Selo Procel e de cinco lâm-padas fluorescentes compac-tas. Em troca, o consumidor entregava seu equipamento antigo e ineficiente e cinco lâmpadas incandescentes.

A meta, além de atender aos aspectos regulatórios da ANEEL, era proporcionar aos consumidores residenciais economia de energia elétrica e redução na fatura. Essas pessoas puderam adquirir produtos abaixo do preço de mercado. “O projeto ainda trou-xe benefícios à concessionária, como redu-ção das perdas técnicas, reduredu-ção da deman-da e consequente adequação de seus inves-timentos”, destaca o gerente do projeto, Mario César Machado Junior, da Celesc. Ou-tros ganhos indiretos foram: a promoção da proteção ao meio ambiente, com o descarte correto dos equipamentos; o aumento de vendas no comércio, com a injeção de

recur-sos na economia e na mídia catarinen-se; o aumento da arrecadação de

impostos ao Estado; e, não me-nos importante, a dissemina-ção, à sociedade catarinense, dos conceitos do uso seguro da energia elétrica, gerando

mu-danças de hábitos, cidadania e qualidade de vida. Em

ape-nas 30 dias de comercializa-ção, o comércio varejista con-tratado pela concessionária realizou a comercialização de 24 mil eletrodomésticos, qua-se dez vezes a média de

ven-Eletrodomésticos mais

eficientes para redução

do consumo de energia

Projeto estimula a

substituição de

ele-trodomésticos e

lâm-padas, subsidiando

a compra, e

benefi-cia 330 mil pessoas

com produtos mais

eficientes e com a

redução de até

30% na fatura da

energia elétrica.

P E E 2 | B Ô N U S E F I C I E N T E

O projeto Bônus Eficiente foi premiado como Melhor Projeto de Eficiência Energética no CITENEL/ SEENEL, realizado em agosto de 2015, na Bahia.

(15)

Bônus Eficiente em números

Valor total do projeto

R$79.921.023,44

Investimento Celesc Distribuição

R$45.731.106,82

Contrapartida dos consumidores

R$34.189.916,62

Economia

44,29 GWh/ano

suficientes para abastecer

17.890 residências/ano

Redução de Demanda na Ponta

14,29 GW

Consumidores beneficiados

330 mil pessoas

Eletrodomésticos substituídos

61.197

Lâmpadas substituídas

413.105

CO2 a menos na atmosfera

30.800 toneladas

= ao plantio de 184.958 árvores. Doações a instituições beneficentes

R$3 milhões

Fontes: Celesc Distribuição / Ministério da Ciência e Tecnologia / Instituto Brasileiro de Florestas

das da loja para o mesmo período, sobrecar-regando a logística de entrega e a linha de produção do fabricante.

O projeto foi executado em duas versões, uma realizada entre os anos de 2012 e 2013 e outra entre 2013 e 2015. Na primeira, 29.117 famílias foram beneficiadas com o desconto de 50% na substituição de seus eletrodomés-ticos e 35 mil famílias substituíram lâmpadas incandescentes por fluorescentes compactas. Assim, estima-se que 140 mil pessoas foram atendidas em 274 municípios da área de abrangência da concessionária. O investimen-to da Celesc com o “Bônus Eficiente” foi de R$21.132.138,99, o que representa 21,7GWh/ ano de energia economizada e 7GW de redu-ção de demanda na ponta, o equivalente ao abastecimento de cerca de 9.000 residências durante um ano. Completando o projeto, a ação social de todos os consumidores possibi-litou arrecadar cerca de R$1,3 milhão, recur-sos doados para a Federação das APAEs de Santa Catarina.

Na segunda fase, o bônus restringiu-se à compra de geladeiras e freezers. Em dois anos de comercialização de produtos, pouco mais de 26.990 geladeiras, 6.889 freezers e 238.105 lâmpadas foram substituídos em 47.621 resi-dências, beneficiando cerca de 190 mil catari-nenses com, aproximadamente, 30% de

redu-ção em suas faturas de energia. Nessa etapa, foram arrecadados R$1,7 milhão em doações dos consumidores, distribuídos a dez institui-ções beneficentes do Estado.

O processo

Uma estrutura com mais de 100 cami-nhões e um depósito exclusivo atendeu a lo-gística de entrega dos produtos novos e de re-tirada dos produtos antigos.

Condicionadores de ar

Refrigerador/Freezer

Lâmpadas

C O R R E S P O N D E M N A C O N TA D E E N E R G I A E L É T R I C A A A P R O X I M A D A M E N T E :

20%

28%

22%

S U B S T I T U I N D O P O R E Q U I PA M E N T O S C O M S E L O P R O C E L , A E C O N O M I A M É D I A É D E :

40%

R$6,90/mês ou R$82,80/ano R$6,00/mês ou R$72,00/ano

25%

R$14,00/mês R$168,00/ano

75%

Para viabilização da operação/logística do projeto, exigiu-se da contratada a utilização de um software de controle dos processos de co-mercialização, entrega do eletrodoméstico no-vo, retirada do eletrodoméstico antigo, logística da reciclagem, distribuição de lâmpadas, doa-ção à instituidoa-ção beneficente e Medidoa-ção e Veri-ficação (M&V). O sistema ainda acessava o banco de dados da Celesc e conferia a situação de adimplência do consumidor.

EMPRESAS EXECUTORA

Lojas Colombo e 3E Engenharia

GERENTE DO PROJETO

(16)

O POTENCIAL de economia de energia no se-tor industrial é de 31,5TWh/ano. Comparando esse potencial com o balanço energético do país, concluiu-se que um bom programa de eficiência energética no setor poderia resultar num grau de economia que se tornaria equi-valente à quarta maior fonte de energia elétri-ca no Brasil.

Ciente da importância do setor industrial, das vantagens em investir em projetos de efi-ciência energética nesse setor e buscando au-xiliar na renovação do parque fabril catarinen-se e na redução dos custos na indústria com energia elétrica, a Celesc desenvolveu o Pro-grama “Indústria+Eficiente”, que selecionou

e financiou, a juro zero, projetos de eficiência energética em instalações industriais.

O “Indústria+Eficiente” foi destinado a con-sumidores industriais, livres ou cativos. A sele-ção dos projetos foi feita por meio de chamada pública e estes deveriam obedecer aos critérios estabelecidos no Manual do Programa de Efici-ência Energética de 2008 da ANEEL. O valor dis-ponibilizado para a chamada pública foi R$20 milhões. A participação foi significativa. O Pro-grama contou com a apresentação de 25 proje-tos de diversas áreas do setor, a um custo total de mais de R$38 milhões.

Foram selecionados para receber verba do programa os projetos melhor

classifica-dos, conforme os critérios Energia Economi-zada, Redução de Demanda no Horário de Ponta e a Relação Custo Benefício (RCB). A Tigre, com um projeto, a Tupy, com dois, e a BRF, também com dois projetos, foram as empresas beneficiadas.

Tigre

A Tigre desenvolveu um projeto visando a eficientização de parte dos seus sistemas de refrigeração e força motriz, investindo na mo-dernização por meio da troca de equipamen-tos e automatização da operação. Foram substituí dos 2 chillers e 91 motores e instala-dos 81 inversores de frequência. O custo final

Energia garantida para

a produção industrial

Para o setor industrial, a energia é o insumo essencial e

correspon-de a 19% do custo direto correspon-de produção. Como 62% do parque fabril

brasileiro tem mais de 10 anos, a obsolescência de seus

equipa-mentos faz crescer o consumo sem aumento da produtividade.

Posição Projeto Energia Conservada (MWh/ano)

Redução de Demanda na Ponta (kW)

Relação Custo

Benefício (RCB) Nota Custo Total

1ª Tigre 5.345,56 632,65 0,67 2,19 R$5.935.910,37 2ª BRF - Chapecó 4.708,04 531,74 0,40 2,17 R$2.770.549,32 3ª Tupy - 69 kV 6.276,89 218,22 0,65 1,70 R$5.760.020,02 4ª BRF - Concórdia 2.638,43 253,68 0,33 1,52 R$1.305.155,99 5ª Tupy - 138 kV 4.797,96 183,26 0,61 1,43 R$4.078.830,77 TOTAL 23.766,90 1.819,55 0,53 R$19.850.466,46 ‚Projetos Selecionados

P E E 3 | I N D Ú S T R I A

(17)

Residencial 22,91% Industrial 42,09% Acima de 40 anos 2,09% 0 a 5 anos 13,19% 5 a 10 anos 25% 10 a 20 anos 29,86% 20 a 40 anos 29,86% Comercial 16,96% Rural 5,82% Demais Setores 12,22%

Projeto Custo Total Energia Conservada

(MWh/ano) Redução de Demanda na Ponta (kW) Relação Custo Benefício (RCB) Custo da Energia Conservada (R$/MWh/ano) BRF - Chapecó R$2.675.728,88 5.654,47 785.90 0.31 R$47.32 BRF - Concórdia R$1.270.617,24 2.991,71 269,00 0,28 R$42,47 Tigre R$4.526.165,58 5.285,00 744,05 0,52 R$85,64 Tupy R$9.741.025,23 10.642,60 394,57 0,66 R$91,53 TOTAL R$18.213.536,93 24.573,78 2.193,52 0,50 R$74,12 ‚Resultados Obtidos

desse projeto foi de R$4,53 milhões, gerando uma economia de energia de 5,28GWh/ano (redução de 33,1% em relação ao sistema an-tigo), além do corte de uma demanda de 758,4kW no horário de ponta. O custo da energia conservada (CEC) foi de R$85,64/ MWh e a relação de custo-benefício foi de 0,57. A economia mensal gerada é de aproxi-madamente R$88,4 mil.

BRF

Os dois projetos da BRF S.A. foram base-ados na eficientização energética de parte do sistema de força motriz com a substitui-ção de motores antigos e de baixo

rendimen-to por novos de alrendimen-to rendimenrendimen-to. Foram tro-cados 68 motores no projeto executado na unidade de Chapecó e 45 motores na unida-de unida-de Concórdia.

O projeto de Chapecó apresentou um cus-to final de R$2,67 milhões, gerando uma eco-nomia de energia de 5,65GWh/ano (redução de 4,31% em relação ao sistema antigo) e uma demanda de 785,9kW evitada no horário de ponta. O custo da energia conservada (CEC) foi de R$47,32/MWh e a relação de cus-to-benefício foi de 0,31. A economia mensal gerada é de aproximadamente R$94,6 mil.

Já o projeto de Concórdia apresentou um custo final de R$1,27 milhões, gerando

uma economia de energia de 2,99GWh/ano (redução de 5,34% em relação ao sistema antigo) e uma demanda de 269kW elimina-da no horário de ponta. O custo elimina-da energia conservada (CEC) foi de R$42,47/MWh e a relação de custo-benefício foi de 0,28. A economia mensal gerada é de aproximada-mente R$50,7 mil.

Tupy

Na Tupy, os dois projetos selecionados fo-ram reunidos em um só, baseado na eficientiza-ção de parte do seu sistema de força motriz, com a modernização dos sistemas por meio da troca de equipamentos e da automatização da Consumo de energia elétrica em Santa Catarina por setor (CELESC, 2014) e Idade média do parque fabril brasileiro (ABRAMAN, 2013).

(18)

operação. Foram substituídos 297 motores e instalados 139 inversores de frequência. O custo final desse projeto foi de R$9,74 mi-lhões, gerando uma economia de energia de 10,64GWh/ano (redução de 17,71% em rela-ção ao sistema antigo) e uma demanda de 394,6kW evitada no horário de ponta. O custo da energia conservada (CEC) foi de R$91,64/ MWh e a relação de custo-benefício foi de 0,66. A economia mensal gerada é de aproxi-madamente R$169,6 mil.

No total, o Programa Indústria+Eficiente investiu mais de R$18 milhões na troca de 2

chillers e de 501 motores, e em centenas de

ações de automação, gerando uma economia total de 24,57GWh/ano e uma redução da de-manda no horário de ponta de 2,21MW. Essa economia corresponde ao consumo de mais de 10 mil residências durante o mesmo perío-do e à redução de mais de 3,5 mil toneladas de CO2 emitidos para a atmosfera.

Hidráulica 430,9 Gás natural 69,0 Biomassa 46,4

Eficiência no Setor Industrial 31,5 Derivados de petróleo 26,6 Carvão e derivados 15,8 Nuclear 14,6 Eólica 6,6

1

% Eólica

2,3

Nuclear%

2,5

% Carvão e derivados

4,1

% Derivados de petróleo

5

% Eficiência Setor Industrial

7,2

%

Biomassa

10,7

Gás natural%

67,2

Hidráulica%

O custo médio da energia conservada foi de R$74,12/MWh, que está abaixo da média nacional alcançada (R$104,40/MWh) por projetos de eficiência energética participan-tes do PEE da ANEEL. Esse custo também fi-cou abaixo do valor marginal de expansão do sistema elétrico nacional (R$139,00/MWh -

Resumo Final

Nº de empresas beneficiadas 4 (Tigre, BRF Chapecó, BRF Concórdia e Tupy) Valor Investido R$18.213.536,93

Energia Conservada 24.572,94MWh/ano

Demanda Evitada na Ponta 2.207,86 kW

Relação Custo-Benefício 0,51

Custo da Energia Conservada R$74,12/MWh

Ações Realizadas Troca de equipamentos (2 chillers e 501 motores) e Automação de processos (instalação de 220 inversores)

Usos finais eficientizados Força Motriz e Refrigeração

EPE, 2014), comprovando que ações de efici-ência energética no setor industrial são al-ternativas viáveis. Ou seja, a mesma quanti-dade de energia pode ser disponibilizada, a preços mais baixos, sem a necessidade de novas obras e com efeitos positivos no meio ambiente.

Potencial de eficiência energética no setor industrial na matriz elétrica brasileira (EPE, 2014 e CNI,2009).

P E E 3 | P R O D U Ç Ã O

EMPRESAS EXECUTORA

APS Engenharia e Acxxus Engenharia

GERENTE DO PROJETO

Arthur Rangel Laureano

(19)

Projeto “Calamidade Pública” atende 5.500 consumidores de baixa

renda de 13 municípios atingidos pela grande enchente e pelos

deslizamentos ocorridos em 2008 com a troca de refrigeradores e

instalação de sistemas de aquecimento solar de água. O projeto

“Energia do Bem”, por sua vez, promove benfeitoria semelhante a

milhares de consumidores inscritos na Tarifa Social, em 43 cidades.

SANTA CATARINA constantemente registra fortes chuvas intermitentes. No entanto, em novembro de 2008, um elevado volume de chuva caiu ininterruptamente durante vários dias seguidos em 49 cidades catarinenses, resultando no maior índice pluviométrico já registrado no Estado desde 1852, quando esse monitoramento passou a ser feito. A consequência foi a ocorrência da maior en-chente da história de Santa Catarina e de deslizamentos de grandes proporções. Ape-nas em Blumenau, a precipitação estimada foi de 300 bilhões de litros de água, o sufi-ciente para abastecer a cidade de São Paulo por três meses. No total, 13 municípios decla-raram situação de calamidade pública, 79 mil pessoas tiveram de deixar suas casas, 6 mil

casas foram completamente destruídas e mais de 130 mortes foram contabilizadas.

A tragédia mobilizou todo o País e milhares de brasileiros enviaram ao Estado doações em solidariedade, desde alimentos e roupas a itens básicos de limpeza e higiene. Essa situação sem precedentes motivou a Celesc Distribuição a lan-çar o projeto de eficiência energética “Calamida-de Pública”, por meio do programa “Calamida-de Eficiência Energética ANEEL. Tratou-se do investimento de R$9.030.728,42 em benefício de 5.500 consumi-dores de baixa renda, atingidos pela enchente e deslizamentos da região do Vale do Rio Itajaí, es-pecificamente nos municípios de Benedito Novo, Blumenau, Brusque, Camboriú, Gaspar, Ilhota, Itajaí, Luiz Alves, Nova Trento, Pomerode, Rio dos Cedros, Rodeio, Timbó.

Os recursos foram empregados para a substituição de 3.000 refrigeradores antigos por refrigeradores novos, com etiqueta A do In-metro e Selo Procel, beneficiando os consumi-dores que perderam suas casas e, também, evi-tando a inserção no sistema elétrico de equipa-mentos obsoletos, que eventualmente seriam adquiridos por eles. Adicionalmente, foram ins-talados 2.500 sistemas de aquecimento solar de água para banho em conjuntos habitacio-nais construídos para as famílias atingidas, as-sim como em residências dos programas COHAB, Instituto Ressoar, Instituto Guga Kuer-ten, Programa Minha Casa, Minha Vida e ou-tras indicadas pelas Secretarias de Assistência Social e Defesa Civil dos municípios atingidos. “Com a economia de energia e a redução de

Iniciativas que beneficiam

milhares de consumidores

(20)

ƒNa primeira foto, casas doadas por produtores de petróleo árabes instaladas em Luiz Alves. Tanto essas quanto as de Ilhota (foto seguinte) foram erguidas com painéis de PVC preenchidos com concreto. Na terceira foto, casas da Cohab em Brusque que, assim como as outras, receberam sistemas solares de aquecimento de água.

demanda no horário de ponta, além de contri-buir com o Programa de Eficiência Energética da ANEEL, proporcionou economia na fatura de energia dos clientes. De certa forma, é um re-curso financeiro economizado que o cliente pode aplicar para melhoria da sua qualidade de vida”, ressalta o gerente do projeto, Thiago Je-remias, da Celesc.

Metodologia e logística

Para atingir a viabilidade econômica do pro-jeto (RCB), foram adotadas estratégias diferen-ciadas. No caso dos refrigeradores, moradores e voluntários organizaram-se em mutirões para a entrega dos equipamentos, dispensando, assim, o custo de entrega e recolhimento. As prefeitu-ras também disponibilizaram mão de obra e veí-culos para auxiliar nessa etapa. Outro ponto po-sitivo foi o convênio celebrado entre a Celesc e a Prefeitura de Blumenau, possibilitando ao

exe-cutivo municipal assumir os trâmites licitatórios, o que permitiu maior agilidade nos processos. Por meio desse convênio, foram adquiridos 450 refrigeradores em caráter de urgência e entre-gues diretamente nos abrigos.

Em relação aos sistemas de aquecimento solar, foram priorizadas as famílias com três ou mais membros, de forma a maximizar a economia de energia. Os levantamentos dos possíveis beneficiados foram feitos com o au-xílio das Secretarias de Assistência Social e da Defesa Civil dos municípios.

Para mensurar os resultados de economia de energia e de redução de demanda na ponta para os refrigeradores, foram utilizadas as op-ções A e D do Protocolo Internacional de Medi-ção e VerificaMedi-ção de Performance – PIMVP. As medições em 50 residências foram distribuídas ao longo do ano, em condições climáticas dife-rentes (verão e inverno), feitas no dia anterior e

no dia seguinte à ação de eficiên-cia energética. Com a medição, chegou-se a um modelo de consu-mo dos refrigeradores em função da temperatura externa. Como al-gumas famílias perderam suas ca-sas e, consequentemente, seus eletrodomésticos, a opção D foi aplicada para estimar o consumo de equipamentos antigos que dei-xaram de entrar no sistema elétri-co. Con siderou-se como consumo a média dos equipamentos existentes.

Verificou-se, também, uma economia de energia adicional relacionada a efeitos interati-vos na ordem de 6%, como a redução de perdas elétricas e a reciclagem dos materiais descarta-dos nos refri geradores. Para isso, utilizou-se te-oria semelhante àquelas utilizadas em projetos de troca de material reciclado por bônus na fa-tura. Estima-se que, para cada tonelada de me-tal reciclado, são economizados 5,3MWh; a mesma quantidade de vidro economiza 0,64MWh; enquanto que a reciclagem de pa-pel e plástico proporcionam, respectivamente, 3,5MWh e 5,06MWh. O descarte dos refrigera-dores resultou na reciclagem de 81 toneladas de metal, de 10,7 toneladas de plástico e à eco-nomia 483,8MWh. Se esse montante for distri-buído ao longo da vida útil do projeto, a econo-mia média será de 32,25MWh/ano.

(21)

“Energia do Bem”

ƒNo total, 3.000 refrigeradores foram substituídos por novos, mais eficientes. Os antigos foram corretamente descar-tados e reciclados. Moradores e voluntários auxiliaram no transporte dos equipamentos.

Consumidores inscritos na Tarifa Social de Energia Elétrica (TSEE) da Celesc participaram do Diag-nóstico Energético promovido pela Empresa no Projeto de Eficiência Energética “Energia do Bem”. No to-tal, 35.000 unidades consumidoras, de 43 cidades, foram vistoriadas por técnicos para avaliação do refrigerador existente, da viabilidade de instalação do sistema de aquecimento solar de água e para o cadastramento da quanti-dade de lâmpadas ineficientes.

A partir de então, estabeleceu-se a gência do projeto: substituição de 18.000 refri-geradores, instalação de 5.000 sistemas de aquecimento solar de água e a troca de 150.000 lâmpadas incandescentes por fluores-centes compactas. Ao todo, foram investidos cerca de R$50 milhões no projeto, que excluiu apenas aqueles consumidores que já haviam sido beneficiados por outros projetos seme-lhantes. “Estima-se uma economia de energia de aproximadamente 21.000MWh/ano, o que equivale ao consumo anual de 8.500

residên-cias”, afirma o gerente do projeto, Marcio dos Santos Lautert. Segundo Marcio, os consumi-dores que receberem refrigerador, aquecimen-to solar e lâmpadas terão uma redução de até 70% no valor da conta de energia.

O projeto “Energia do Bem” era iniciado com palestras para a comunidade sobre economia e segurança, além de reforçar a importância de se ter uma ligação de ener-gia regular e de estar adimplente com a

Ce-lesc. Passava-se, então, àetapa de Diagnós-tico EnergéDiagnós-tico para avaliação dos equipa-mentos e lâmpadas existentes nas residên-cias dos consumidores participantes da Tari-fa Social de Energia Elétrica, pessoas cadas-tradas na Celesc e beneficiárias de algum programa social do governo, como Bolsa Fa-mília, por exemplo. Todos os refrigeradores e lâmpadas recolhidas foram encaminhados para a reciclagem.

Consumidores satisfeitos com o Energia do Bem manifestaram seu contenta-mento à Celesc. Alguns, por meio de cartas.

EMPRESA EXECUTORA

APS Engenharia, Cetel, Quantum Engenharia, Gazin

GERENTES DO PROJETO

(22)

A AGÊNCIA NACIONAL de Energia Elétrica (ANEEL) criou, em 2008, os Procedimentos de Distribuição de Energia Elétrica no Sistema Elétrico Nacional (PRODIST), que normatizam e padronizam as atividades técnicas relacio-nadas ao funcionamento e desempenho dos sistemas de distribuição de energia no Brasil. O PRODIST exige, das empresas de distribui-ção, padrões de qualidade para a energia en-tregue ao consumidor.

Para conservar esses padrões, as distribui-doras precisam manter a contínua monitoração dos níveis de tensão e corrente em suas redes, não só na entrada de energia do consumidor, mas também em vários pontos do sistema elétri-co, da geração às subestações e às linhas de transmissão de média tensão. Para isso, atual-mente são empregados equipamentos de medi-ção ligados diretamente à linha viva, o que, além de representar alto risco de operação decorrente de potenciais falhas de isolação, não atendem plenamente as exigências do PRODIST.

Foram esses fatores que inspiraram a Re-ason, empresa de tecnologia com base em Florianópolis, a apresentar ao P&D da Celesc Distribuição o projeto de um Sistema Óptico

de Medição de Qualidade de Energia Elétrica para Média Tensão (SOMQEE-MT), com tec-nologia totalmente nacional. O desenvolvi-mento do projeto aconteceu entre fevereiro de 2013 e fevereiro de 2015.

Inicialmente, os pesquisadores do proje-to estudaram outros equipamenproje-tos de moni-toração existentes no mercado. A pesquisa de patentes identificou dois sistemas es-trangeiros. O holandês OptiSense, que saiu do mercado em 2014, deixou como única opção o inglês PowerSense. Uma análise mais profunda demonstrou que, por esse último, apenas a corrente é medida optica-mente, enquanto a tensão é monitorada por meio de divisor resistivo, a mesma tecnolo-gia utilizada pelos sistemas convencionais.

O protótipo do SOMQEE-MT desenvolvi-do pelo projeto, portátil e de fácil instalação, é composto por três Transdutores Ópticos de Corrente e Tensão (TOCT) conectados direta-mente às três fases da linha viva de Média Tensão, sem que essa seja desligada. O fun-cionamento do TOCT é baseado no efeito Faraday, que consiste na interferência de um campo eletromagnético sobre as ondas de

luz. Essa interferência pode ser medida e va-ria de acordo com os valores de corrente en-volvidos. Exposto ao sistema elétrico, um sensor óptico do TOCT mede a corrente elé-trica no ponto amostrado, enquanto os sinais de tensão e temperatura são coletados por uma placa eletrônica. Esses dados são, en-tão, enviados através de fibras ópticas ao Módulo de Processamento e Controle (MPC), acoplado ao poste e composto por placas eletrônicas e sistemas ópticos de medição controlados por um computador dedicado, com software de aquisição de dados.

O MPC, então, por meio de um modem celular, comunica-se com a central remota de análise por internet transmitindo os da-dos de Qualidade de Energia Elétrica e a po-sição geográfica do procedimento. Esta é obtida graças a um GPS que também faz parte do sistema.

Na Central de Análise, um conjunto de

software entra em operação:

» SOMQEE_config – responsável pela configuração do MPC.

» SOMQEE_monit – monitora as formas de onda medidas.

A concepção do SOMQEE-MT, que permite a monitoração

do sistema de distribuição de energia diretamente em linha

viva e com total segurança, garante mais qualidade ao

produto entregue ao consumidor.

P

& D 1 | Q U A L I D A D E

Rede monitorada com

segurança e precisão

(23)

» SOMQEE_calib – permite ajustes no procedimento.

» SOMQEE_conect – realiza o processo de comunicação remota.

» Análise e Power-QEE – Analisa grafica-mente os dados recebidos.

O protótipo desenvolvido foi submetido a testes de alta tensão em laboratórios da Ce-lesc. Em campo, sob condições reais de uso, o SOMQEE-MT foi instalado em uma linha de 13,8 mil volts.

Nos ensaios com o sistema de medição de potencial, foram adotadas duas faixas de me-dição (B e C). Para o sistema B, de 0 a 5kV, o

padrão apresentava uma boa classe de exati-dão, porém, com faixa de medição reduzida, ao passo que para o sistema C, de 0 a 13,8kV,

o padrão apresentava uma maior faixa de me-dição, enquanto a classe de exatidão era infe-rior. Os resultados iniciais desses ensaios es-tão na tabela abaixo.

O SOMQEE foi aprovado nos ensaios dielétricos de tensão aplicada à frequência industrial, até 70kV, realizados nas dependên-cias da Celesc.

A patente do SOMQEE-MT foi requerida junto ao INPI. O equipamento significa não só a independência da Celesc – e do Brasil – de

TOCTs

MPC GPS

Cabos de fibra óptica

Rede

Internet (modem celular)

CENTRAL DE

ANÁLISE

Manutenção

e testes

laboratoriais

O funcionamento do SOMQEE-MT: Transdutores Ópticos de Corrente e Tensão (TOCTs) conectados à linha viva ligam-se ao Módulo de Processamento e Controle (MPC) via cabos de fibra óptica. Os dados, incluindo a posição geográfica, são enviados por internet à Central de Análise na sede da Celesc. Testes e manutenção podem ser feitos com a utilização de um cabo de rede.

SOMQEE Sistema Erro de relação (%) Erro de fase (graus) Faixa de medição Temperatura (ºC)

Sistema de medição de corrente A ±0.6 0,3 100 a 4.000 A 20 a 25

Sistema de medição de potencial B ±0.6 0,7 0 a 5 kV 20 a 25

C ±1,0 0,4 13,8 kV 20 a 25

Ensaios laboratoriais com o SOMQEE resultaram em números bastante satisfatórios

tecnologias estrangeiras de medição e moni-toramento de energia elétrica, mas também um produto nacional que pode ser comerciali-zado nos mercados interno e externo.

”Com a saída da OptiSense do mercado in ternacional, o SOMQEE-MT é, hoje, o único equipamento com sensores ligados direta-mente na média tensão, que possui uma com-pleta isolação óptica na medição de tensão e corrente”, garante Rafael Zimmermann Hom-ma, gerente do projeto. Existe, inclusive, a possibilidade de transformar o SOMQEE-MT em um produto para ser comercializado no Brasil e no exterior.

EMPRESAS EXECUTORA

Reason Tecnologia

EQUIPE DA EMPRESA EXECUTORA

Policarpo Uliana, Moacir Wendhausen, Antonio C. Zimmermann

EQUIPE DA CELESC

Rafael Z. Homma, Arildo J. Carvalho e Igor K. Khairalla E s t e p r o j e t o f o i a p r e s e n t a d o n o V I I I C o n g r e s s o d e I n o v a ç ã o T e c n o l ó g i c a e m E n e r g i a E l é t r i c a - C I T E N E L / S E E N E L / 2 0 1 5

(24)

O LANÇAMENTO e a tração de condutores exige atenção a um conjunto de parâmetros no mo-mento da instalação, de forma a assegurar o adequado desempenho da rede de distribuição. Sem a correta observação dos parâmetros ope-racionais, os condutores das redes são submeti-dos a trações inadequadas, o que pode levar à alteração do prumo ou ao envergamento do poste, a curtos-circuitos por toque acidental en-tre fases, à descontinuidade de fornecimento e, o mais grave, ao rompimento dos condutores. Nesse caso, as ocorrências têm elevada pericu-losidade. Cabos rompidos podem provocar le-sões e até a morte de técnicos e transeuntes.

Embora existam métodos já padronizados de tração seguidos pelas distribuidoras, estes não têm sido suficientes, nem práticos ou nem sempre são observados. Esse cenário motivou a criação de um dinamômetro automático e por-tátil por meio do projeto de P&D “Desenvolvi-mento de Talha para Traciona“Desenvolvi-mento de Condu-tores de Redes de Distribuição com Dinamôme-tro Inteligente Acoplado”, elaborado pela Bo-reste Sistemas e pela Celesc Distribuição. Sem similar no mercado nacional, o dinamômetro inteligente é destinado ao tra cio namento de condutores e inclui diversas funcionalidades, entre as quais a de selecionar a adequada tra-ção de montagem do condutor considerando a temperatura ambiente no ato da instalação, o vão regulador e o tipo do condutor aplicado.

Equipamento para

o tracionamento

de condutores de

redes garante maior

segurança a

opera-dores e cidadãos

Os procedimentos adequados de tração envolvem a medição da temperatura ambiente (pe lo equipamento) no ato da instalação e o conhecimento do vão regulador, o qual é calcu-lado a partir do projeto da rede e do tipo e bito-la do condutor. Com base nesses parâmetros, é calculada a tração de montagem a ser aplica-da. Atualmente, para aplicar a tração de mon-tagem calculada, o eletricista deve dispor de um dinamômetro e de um termômetro, conhe-cer o tipo e bitola do condutor e saber interpre-tar a tabela de trações de montagem, além da talha para aplicar a tração selecionada. Com o dinamômetro inteligente, o processo de identi-ficação dos parâmetros a serem empregados é rápido e automático, o que amplia a produtivi-dade das equipes de eletricistas e fiscais.

Como o equipamento tem de ser utilizado in

loco, os principais requisitos considerados no

seu desenvolvimento foram portabilidade, ro-bustez e peso reduzido. Outras características

importantes são a presença de fonte de ali-mentação própria, com baterias recarregáveis de grande autonomia; sensor de temperatura ambiente; célula de carga dimensionada para tracionamento de até 2.000kgf; empacotamento com design apropriado e material adequado para absorver impactos e resistir a poeira e água. “A equipe desse projeto inicialmente esta-va orientada ao desenvolvimento de uma talha com um conjunto de funcionalidades que atendesse aos objetivos desse projeto. Porém, avaliou-se que sua aplicação, dessa forma, se-ria comprometida pela necessidade de substi-tuição do parque de equipamentos existentes nas concessionárias e nas empresas prestado-ras de serviços de construção e manutenção de redes”, explica o gerente do projeto, Márcio Godoy, da Celesc. Assim, um dos principais di-recionamentos do projeto foi o desenvolvimen-to de um equipamendesenvolvimen-to que pudesse ser utiliza-do por todas as equipes de instalação e de

Dinamômetro eficiente

 Dinamômetro inteligente para tracionamento de condutores de redes de distribuição aérea.

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montagem de redes de distribuição aérea em conjunto com os equipamentos já existentes (talhas diversas). “O processo de instalação de condutores em redes de distribuição aérea uti-lizando o dinamômetro inteligente segue basi-camente a mesma rotina do processo usual; porém, o equipamento incorpora melhorias que asseguram um novo padrão de qualidade e segurança”, complementa Márcio.

Como funciona

Com base nos dados do projeto, o fiscal de obras insere, via teclado, os parâmetros no equipamento – como os comprimentos de cada um dos vãos do trecho da rede que está sendo instalada – e o dinamômetro inteligen-te calcula o vão regulador e o esforço adequa-do. Caso o projeto já disponibilize a informa-ção do vão médio, esta poderá ser inserida diretamente, sem a necessidade do valor indi-vidual de cada vão. Na sequência, o fiscal se-leciona o tipo de cabo e informa a fase que está sendo tracionada. Com base nessas in-formações e com a temperatura medida pelo próprio equipamento, o dinamômetro inteli-gente executa o algoritmo de cálculo da tra-ção de montagem, cujo resultado é apresen-tado no display e armazenado na memória do equipamento, juntamente com os demais da-dos de entrada e de temperatura.

O dinamômetro inteligente, então, é içado para o eletricista no alto do poste. Este deve, então, intercalar o equipamento entre o ponto de fixação no poste e a talha e iniciar o tracio-namento por meio desta. Quando a tração al-cança a faixa entre 80% a 95% do valor da tração de montagem, o dinamômetro inteli-gente emite sinais sonoros (bips) intermiten-tes. Quando a faixa de tração no condutor al-cança valores entre 95% a 105% da tração de montagem, o bip passa a ser contínuo, indi-cando a aproximação do valor desejado. Ain-da é previsto um sinal sonoro de alerta, caso se ultrapasse 105% da tração.

Nessa situação, a tração está finalizada e o condutor está em condições de ser ancora-do na estrutura de fixação, por meio de alça pré-formada ou grampo de ancoragem. O ele-tricista deve pressionar o botão “X” do dina-mômetro inteligente para gravar na memória do equipamento a tração final aplicada ao

máx 30º máx 30º

Posicionamento do Dinamômetro Inteligente entre a talha e o ponto fixação na estrutura.

 Início de lançamento de condutores em uma rede de distribuição de média tensão.

Condutores lançados em uma rede de distribuição de média tensão.

condutor. “Todo o procedimento de traciona-mento até o alcance da tração final aplicada, bem como a gravação desses valores, deve ser realizado nos três condutores de forma si-multânea, conforme preceituam as normas de tracionamento de condutores em redes de distribuição aérea”, alerta Márcio.

EMPRESAS EXECUTORA

Boreste Sistemas

EQUIPE DA EMPRESA EXECUTORA

Adrian Fritz, Amilcar Borin Bodini, Daniel Kraemer Aliaga, Francisco José S. Pimentel, Isaias Masiero Filho, Luiz Alberto de Miranda, Luiz Fernando Schrickte, Lúcio Tadeu Prazeres, Patrícia M. Bonina Zimath

EQUIPE DA CELESC

Márcio Luciano de Vargas Godoy, Jean Eduardo Constanzi, Fábio Machado Burigo

E s t e p r o j e t o f o i a p r e s e n t a d o n o V I I I C o n g r e s s o d e I n o v a ç ã o T e c n o l ó g i c a e m E n e r g i a E l é t r i c a - C I T E N E L / S E E N E L / 2 0 1 5

PROJETO 5697-6712/2012

Dinamômetro Poste

Referências

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