CENTRO DE EDUCAÇÃO E CIÊNCIAS HUMANAS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO ESPECIAL
EXCLUSÃO COM ESTÍMULOS VISUAIS E MÚLTIPLAS RELAÇÕES DE CONDICIONALIDADE NA LINHA DE BASE
Claudia Kami Bastos Oshiro
ii UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS
CENTRO DE EDUCAÇÃO E CIÊNCIAS HUMANAS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO ESPECIAL
EXCLUSÃO COM ESTÍMULOS VISUAIS E MÚLTIPLAS RELAÇÕES DE CONDICIONALIDADE NA LINHA DE BASE
Claudia Kami Bastos Oshiro
Orientadora: Profa. Dra. Deisy das Graças de Souza
Dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação em Educação Especial da Univeresidade Federal de São Carlos como parte dos requisitos para a obtenção do Título de Mestre em Educação Especial.
Financiada pela FAPESP (Processo # 02/06142-7).
Ficha catalográfica elaborada pelo DePT da Biblioteca Comunitária da UFSCar
O82ee
Oshiro, Claudia Kami Bastos.
Exclusão com estímulos visuais e múltiplas relações de condicionalidade na linha de base / Claudia Kami Bastos. -- São Carlos : UFSCar, 2004.
138 p.
Dissertação (Mestrado) -- Universidade Federal de São Carlos, 2004.
1. Métodos de ensino. 2. Controle de estímulos. 3. Discriminação condicional. 4. Controle por seleção. 5. Controle por rejeição. 6. Comportamento emergente. I. Título.
“O conhecimento não é uma percepção elaborada do mundo externo na mente do cientista, mas, ao contrário,
iv AGRADECIMENTOS
A Deus, princípio de tudo, pelas oportunidades em minha vida.
Aos meus avós, José e Aparecida, pelos sábios ensinamentos passados através das gerações.
Aos meus pais, Kenji e Fátima, que me deram todas as oportunidades e apoio (emocional e financeiro) para eu caminhar e conquistar meus objetivos e, principalmente, pelo amor incondicional que me fez crescer. Obrigada por me ensinarem a não ter medo da vida !
À minha irmã Fernanda e sua cachorrinha Victoria, pela amizade, convivência, força, apoio e inúmeras acolhidas em sua casa em Ribeirão.
Ao meu futuro marido, Evandro, pela compreensão e paciência durante os momentos de frustração, pela motivação e incentivo dado a cada passo bem sucedido, fazendo-se sempre presente nos momentos importantes de minha vida. Obrigada pela compreensão, às vésperas do casamento, de minha falta em compartilhar as idéias, dúvidas, sonhos e planos para o futuro. Aos cachorros-quentes tarde da noite, após um dia inteiro de trabalho...
À Família Bastos e à Família Oshiro que me ensinaram a importância dos estudos, vibrando sempre com minhas conquistas.
ensinaram o inglês, idioma essencial nessa minha caminhada. Ao apoio vindo dos telefonemas aos domingos...às inúmeras visitas que eu fiz, marcadas por episódios engraçados e tristes.
À minha orientadora e professora Dra. Deisy G. de Souza, pelo modelo de competência profissional e pela orientação e sugestões importantes oferecidas durante o estudo, ensinado-me os princípios básicos de como realizar um ótimo trabalho. Obrigada pelo apoio afetivo e emocional durante essa caminhada e pelas infinitas sugestões dadas para seguir meu caminho. Minha imensa gratidão e carinho.
Ao professor Dr. Júlio César C. de Rose, pelas valiosas contribuições dadas durante todo esse trabalho.
À professora Dra. Aline A. da Costa, pelas inúmeras contribuições teóricas e práticas, sempre se mostrando disposta a ensinar e a revisar o texto, o procedimento, os dados. Obrigada por tudo.
À professora Dra. Lúcia Williams, que sempre se mostrou aberta para me ouvir e ajudar. Obrigada pelas dicas e pela força.
À professora Dra. Maria de Jesus Dutra dos Reis, pelas horas de desabafo no LECH e sugestões importantes para a pesquisa.
vi Às minhas companheiras de casa, Claudia Saad e Joviane Marcondelli, pelos momentos de apoio e força quando um desânimo grande aparecia...Obrigada por me ajudarem com a Brittany (cachorrinha de estimação mais mimada !) e pelos momentos divertidos que passamos juntas.
Às minhas amigas especiais, Gabriela Reyes e Tatiana Gaia, que me agüentaram em todos os momentos difíceis e me deram força para superá-los. Aos nossos encontros de Quarta à noite na casa da Gaby, às besteiras ditas, aos jantares realizados...aos e-mails trocados e às atualizações sempre feitas pela Gaby, lá da Bahia...À Tati, sempre disposta a me ajudar nas pesquisas, nas coletas na escolinha, na revisão das normas da APA, nas horas intermináveis de LECH, ao apoio emocional em muitos momentos difíceis vividos....
Ao Fernandão Calzavara, que entrou de pára-quedas nessa história e permaneceu firme e forte, com sua amizade, força e apoio. Às longas conversas à noite, discussões teóricas, leituras de peças teatrais, risadas, choros. Obrigada pelo acolhimento em sua casa.
A todas as pessoas do Programa de Pós-graduação em Educação Especial da UFSCar que colaboraram de maneira direta ou indireta na minha formação científica.
À FAPESP pelo apoio financeiro durante a realização do trabalho.
Resumo... Abstract... Introdução... Experimento I... Método... Participantes... Situação e Equipamentos... Estímulos... Procedimento... Resultados e Discussão... Conclusão... Experimento II... Método... Participantes... Situação e Equipamentos... Estímulos... Procedimento... Resultados e Discussão... Conclusão... Experimento III...
Método... Participantes... Situação e Equipamentos... Estímulos... Procedimento... Resultados e Discussão... Conclusão... Discussão Geral... Referências... Anexo 1 - Parecer do Comitê de Ética... Anexo 2 - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido... Anexo 3 – Solicitação à escola...
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LISTA DE TABELAS Nº. e TÍTULO
EXPERIMENTO I
PÁGINA
1. Identificação dos Participantes... 15 2. Seqüência de etapas de ensino e de testes... 19 3. Número do bloco, estímulo modelo e estímulo de comparação, número de tentativas,
critério de aquisição e esquema de consequenciação no ensino de discriminações
condicionais (XY) no pré-treino... 23 4. Número do bloco, estímulo modelo e estímulo de comparação, número de tentativas,
critério de aquisição e esquema de consequenciação na linha de base inicial
(AB)... 29 5. Número do bloco, estímulo modelo e estímulo de comparação, número de tentativas,
critério de aquisição e esquema de consequenciação no estabelecimento das relações
AC... 34 6. Tipos de relações, número de tentativas e relações apresentadas em cada bloco da linha
de base AB/AC... 36 7. Tipos de relações, número de tentativas e composição das tentativas nos blocos de
formação de classes BC e CB... 42 8. Distribuição da escolha dos participantes pelas alternativas de escolha em cada um dos
quatro tipos de tentativas de sondas... 51 9. Desempenho dos participantes nos quatro testes de exclusão... 52
EXPERIMENTO II
10. Identificação dos Participantes... 58 11. Seqüência de etapas de ensino e de testes e relações condicionais ensinadas e
testadas... 61 12. Número do bloco, estímulo modelo e estímulo de comparação, número de tentativas,
critério de aquisição e esquema de consequenciação na linha de base inicial
AC... 62 13. Número do bloco, estímulo modelo e estímulo de comparação, número de tentativas,
critério de aquisição e esquema de consequenciação no estabelecimento das relações
BC... 63 14. Tipos de relações, número de tentativas e relações ensinadas em cada bloco de linha
de base AC/BC... 64 15. Tipos de relações, número de tentativas e composição das tentativas nos blocos de
formação de classes AB e BA... 71 16. Desempenho dos participantes nos testes de exclusão após o treino da linha de base
da linha de base... 79 17. Distribuição da escolha dos participantes pelas alternativas de escolha em cada um dos
quatro tipos de tentativas de sonda... 81
EXPERIMENTO III
18. Identificação dos Participantes... 87 19. Seqüência de etapas de ensino e de testes... 90 20. Número do bloco, estímulo modelo e estímulo de comparação, número de tentativas,
critério de aquisição e esquema de consequenciação na linha de base inicial
(AB)... 91 21. Número do bloco, estímulo modelo e estímulo de comparação, número de tentativas,
critério de aquisição e esquema de consequenciação na linha de base BC... 93 22. Número do bloco, estímulo modelo e estímulo de comparação, número de tentativas,
critério de aquisição e esquema de consequenciação no estabelecimento das relações
CD... 94 23. Tipos de relações, número de tentativas e relações apresentadas em cada bloco da
linha de base ampliada AB/BC/CD... 95 24. Tipos de relações, número de tentativas e composição das tentativas nos blocos de
formação de classes AD e DA... 102 25. Tipos de relações, número de tentativas e composição das tentativas nos blocos de
formação de classes CA e AC... 103 26. Tipos de relações, número de tentativas e composição das tentativas nos blocos de
formação de classes BD e DB... 104 27. Desempenho dos participantes nos três testes de exclusão... 111 28. Distribuição da escolha dos participantes pelas alternativas de escolha em cada um
dos quatro tipos de tentativas de sondas... 112 29. Desempenho dos participantes por procedimento (I, II e III) em termos de aquisição e
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LISTA DE FIGURAS
N.º E TÍTULO
EXPERIMENTO I
PÁGINA
1. Diagrama das relações ensinadas em cada um dos experimentos... 13
2. Conjuntos de estímulos utilizados como modelo e comparação nas tentativas de pré-treino e no estabelecimento de linha de base visual-visual... 17
3. Modelo de primeira tentativa visual-visual do pré-treino... 21
4. Modelo da terceira tentativa visual-visual do pré-treino... 22
5. Sondas de exclusão inseridas na linha de base inicial (AB)... 31
6. Tentativas de controle da novidade do teste de exclusão com linha de base AB... 32
7. Sondas de exclusão utilizadas no teste de exclusão 2... 38
8. Tentativas de controle da novidade utilizadas no teste de exclusão 2... 39
9. Porcentagem de acertos nos blocos de pré-treino para ensino das relações XY... 44
10. Porcentagem de acertos ao longo de blocos sucessivos para o estabelecimento da linha de base inicial AB e da linha de base ampliada (AB/AC), percentagem de respostas consistentes com o controle por S+ e S- nos testes de exclusão e porcentagem de respostas consistentes com a linha de base nos testes de equivalência... 47
EXPERIMENTO II 11. Conjuntos de estímulos utilizados como modelo e comparação nas tentativas de pré-treino e no estabelecimento de linha de base visual-visual... 60
12. Sondas de exclusão utilizadas no teste de exclusão 1... 66
13. Tentativas de controle da novidade do teste de exclusão 1... 67
14. Sondas de exclusão utilizadas no teste de exclusão 2... 69
15. Tentativas de controle da novidade utilizadas no teste de exclusão 2... 70
16. Porcentagem de acertos nos blocos de pré-treino para ensino das relações XY... 74
17. Porcentagem de acertos ao longo de blocos sucessivos para o estabelecimento da linha de base inicial AC e da linha de base ampliada (AC/BC), percentagem de respostas consistentes com o controle por S+ e S- nos testes de exclusão e porcentagem de respostas consistentes com a linha de base nos testes de equivalência... 77
EXPERIMENTO III 18. Conjuntos de estímulos utilizados como modelo e comparação nas tentativas de pré-treino e no estabelecimento de linha de base visual-visual... 87
19. Sondas de exclusão utilizadas no teste de exclusão 1... 97
20. Tentativas de controle da novidade do teste de exclusão com linha de base AB... 98
23. Porcentagem de acertos nos blocos de pré-treino para ensino das relações XY... 106 24. Porcentagem de acertos ao longo de blocos sucessivos para o estabelecimento da linha
de base AB e da linha de base ampliada (AB/BC/CD), percentagem de respostas consistentes com o controle por S+ e S- nos testes de exclusão e porcentagem de respostas
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RESUMO
Este trabalho investigou o responder por “exclusão”, um fenômeno comportamental robusto,
demonstrado experimentalmente pela seleção imediata de um estímulo de comparação indefinido,
diante de um estímulo modelo também indefinido experimentalmente (isto é, estímulos “novos” na
situação experimental), sem uma história prévia que torne o estímulo de comparação em
discriminativo para a resposta de seleção. A exclusão tem sido extensamente replicada com uma
preparação experimental de linha de base de discriminações condicionais auditivo-visuais em que o
participante aprende que a cada estímulo modelo corresponde um, e apenas um, estímulo de
comparação, mas pesquisa recente também demonstrou a ocorrência de exclusão quando os
participantes aprendem a relacionar um mesmo nome a figuras diferentes ou nomes diferentes a uma
mesma figura. O presente estudo teve como objetivo principal investigar se a exclusão ocorreria se
todos os estímulos fossem visuais, sem a palavra falada como estímulo nodal. Foram realizados três
experimentos que buscaram replicar alguns dos estudos prévios com estímulos auditivos, quanto à
linha de base para os testes de exclusão: um mesmo modelo relacionado a vários estímulos de
comparação (Experimento I), vários modelos relacionados a um mesmo estímulo de comparação
(Experimento II) e combinações de relações múltiplas e singulares (Experimento III). Em cada
experimento, crianças de 4 a 5 anos foram expostas à seguinte seqüência experimental: 1-
estabelecimento de uma linha de base de discriminações condicionais visuais; 2- sondas de exclusão;
3- ampliação da linha de base pelo ensino de novas relações; 4- novas sondas de exclusão; 5- testes de
formação de classes de estímulos. Todos os participantes adquiriram as discriminações condicionais e
apresentaram resultados positivos nas sondas de exclusão e nos testes de formação de classes de
equivalência. A regularidade dos dados permite a conclusão de que a seleção por exclusão ocorre com
linha de base constituída somente por estímulos visuais, tanto com relações de emparelhamento um
para um, como muitos para um, confirmando e estendendo descobertas prévias. Os dados têm
importantes implicações para a compreensão da aprendizagem relacional, da emergência de
comportamentos novos e da função simbólica e seu papel na aquisição de linguagem.
Palavras-chave: exclusão, comportamento emergente, discriminação condicional, topografia de
This study investigated responding by “exclusion”, which has been demonstrated as a robust
behavioral process, consisting in the selection of an undefined comparison stimulus, when the sample
is also an undefined stimulus (that is, both stimuli are new in the experimental setting), without any
previous history that could establish the comparison as a discriminative stimulus for the selection
response. “Exclusion” has been extensively replicated with an experimental preparation of conditional
auditory-visual discriminations in which the participant learns to relate a single sample to a single
comparison. Recent research has also demonstrated the occurrence of exclusion when participants
learn to relate a single name to different pictures and many names to single picture. The purpose of
this study was to investigate whether exclusion would occur with visual stimuli used both as sample
and comparison stimuli, without a spoken word as a nodal stimulus. Three experiments were
conducted using the same experimental arrangements used in previous studies, to establish the
visual-visual conditional discriminations baseline for the exclusion probes: each sample related to many
comparisons (Experiment I), many samples related to each comparison (Experiment II) and a
combination of both arrangements (Experiment III). In each experiment, children aged 4 to 5 years
were exposed to the following experimental sequence: 1) establishment of a baseline of conditional
discriminations with visual stimuli; 2) exclusion probes; 3) teaching new baseline relations; 4)
additional exclusion probes; 5) probes of equivalence class formation. All children learned the
conditional discriminations and showed positive results on exclusion probes and equivalence probes.
The regularity observed in the data supports the conclusion that responding by exclusion occurs under
a baseline of conditional discriminations including only visual stimuli, both with one-to-one pairings
and many-to-one (or one-to-many) pairings. These data confirm and extend previous findings and
have important implications for the comprehension of relational learning, the emergence of new
behavior and the symbolic function and its role in language acquisition.
Key-words: exclusion, emergent behavior, conditional discrimination, stimulus control topography,
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EXCLUSÃO COM ESTÍMULOS VISUAIS E MÚLTIPLAS RELAÇÕES DE CONDICIONALIDADE NA LINHA DE BASE
A questão abordada no presente estudo diz respeito a um tipo de controle de estímulos que, por sua regularidade e replicabilidade, vem sendo descrito na bibliografia especializada como um dos fenômenos mais robustos no que concerne ao comportamento humano. Trata-se da “exclusão” ou seleção controlada pelo estímulo negativo (Costa, McIlvane, Wilkinson, & de Souza, 2001; Dixon, 1977; Dixon, Dixon, & Spradlin, 1983; Ferrari, de Rose, & McIlvane, 1993; McIlvane & Stoddard, 1981; McIlvane, Wilkinson, & de Souza, 2000; Stromer, 1986; Wilkinson & McIlvane, 1997). Na situação experimental típica, com uma de linha de base de discriminações condicionais, geralmente instalada com o procedimento de emparelhamento com modelo, a exclusão consiste na rejeição de um ou mais estímulos de comparação previamente definidos e na seleção de um estímulo novo não definido, quando um nome novo (por exemplo, uma palavra desconhecida) é ditado como estímulo modelo.
faladas e eventos ambientais. Sugeriu-se que o desempenho por exclusão poderia depender de um repertório verbal bem desenvolvido.
Psicolinguistas e psicólogos do desenvolvimento também observaram, de uma outra perspectiva teórica, a ocorrência desse desempenho característico da exclusão em crianças, até mesmo na faixa de um a dois anos de idade (Baldwin & Markman,1989; Golinkoff, Hirsh-Pasek, Bailey, & Wenger, 1992; Kagan, 1981; Markman, 1987; Ninio & Bruner, 1978; Vincent-Smith, Bricker & Bricker, 1974), considerando-o um processo importante no desenvolvimento cognitivo e na aquisição de vocabulário.
Na análise do comportamento, a pesquisa sobre exclusão ganhou expressivo desenvolvimento a partir de pesquisas que tiveram como motivação inicial a busca pelo desenvolvimento de procedimentos para ensinar um vocabulário relativo a nomes de comidas a crianças com retardo mental severo (McIlvane & Stoddard, 1981; McIlvane, Serna, Dube, & Stromer, 2000).
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donut e o copo de suco no segundo tipo. A despeito de seu baixo nível de funcionamento intelectual, o adolescente apresentou exclusão na primeira sonda, isto é, escolheu ora a banana, ora o copo de suco, enquanto nas tentativas de linha de base ele continuava escolhendo o donut (diante da palavra Rho). Ele continuou apresentando exclusão em tentativas subseqüentes, com diferentes comidas e diferentes nomes ditados.
Muitos outros estudos se seguiram, demonstrando a robustez do fenômeno de exclusão (Costa et al., 2001; Dixon et al., 1983; Ferrari et al., 1993; McIlvane & Stoddard, 1981; McIlvane, Kledaras, Lowry, & Stoddard, 1992; McIlvane, Kledaras, Munson, King, de Rose, & Stoddard, 1987; McIlvane, Munson, & Stoddard, 1988) com participantes com graus variados de retardo e até mesmo com estudantes universitários (McIlvane et al., 1987). Com todos esses estudos, a suposição de que o responder por exclusão poderia depender de um repertório verbal bem desenvolvido foi descartada, uma vez que a exclusão também ocorria com indivíduos sem fala e com pessoas com retardo mental severo.
Em todos esses estudos, embora a resposta observável fosse direcionada ao estímulo correto, ela parecia ocorrer sob controle do estímulo considerado incorreto ou estímulo negativo (S-), o que levou Dixon (1977) a cunhar o termo que vem sendo empregado na análise do comportamento. “Exclusão”, nas condições do experimento conduzido por Dixon, implicava que o participante, ao ouvir um nome não definido1, ditado comomodelo, detectava que o nome não era o mesmo que o nome definido que havia sido relacionado com o estímulo de comparação previamente definido, e com base nisso rejeitava ou excluía o estímulo de comparação definido, selecionando, então, o estímulo de comparação não definido.
No estudo de McIlvane e colaboradores (1987), os pesquisadores procuraram responder algumas questões a respeito do controle de estímulos envolvido na exclusão. Foram realizados cinco experimentos que apresentaram três principais preocupações: 1) O estímulo selecionado
1Os termos “definido” e “não definido” se referem aos estímulos que foram ou não relacionados a outros estímulos na situação
na sonda de exclusão controla o desempenho do sujeito? Ou a seleção é um subproduto da relação entre o estímulo modelo novo e o estímulo que foi excluído? 2) A exclusão ocorre somente quando cada estímulo selecionado durante o treino está condicionalmente relacionado a apenas um estímulo modelo? e 3) Que procedimentos de treino favorecem o desempenho por exclusão e que procedimentos fazem com que eles não aconteçam ? Adultos com desenvolvimento típico aprenderam o emparelhamento de identidade com uma matriz de dois estímulos de comparação com numerais de três dígitos e emparelhamento arbitrário de sílabas sem sentido. O estímulo era mostrado num terminal de computador e as respostas consistiram em digitar o número ou a sílaba no teclado do computador. O Experimento I mostrou que as discriminações condicionais poderiam estar baseadas nas duas relações de controle: a) modelo-S+ (entre o modelo e o estímulo de comparação que foi selecionado); e b) modelo-S- (entre o modelo e o estímulo de comparação que foi rejeitado). O Experimento II mostrou que a exclusão não depende da disponibilidade simultânea do estímulo de comparação definido e indefinido; a rejeição de um estímulo de comparação definido na presença de um modelo também definido foi suficiente. Os Experimentos III e IV investigaram e concluíram que o desenvolvimento de relações entre estímulo modelo e estímulo de comparação dois-para-um e quatro-para-um não prejudicou o responder por exclusão. Desta forma, a exclusão não dependeria de relações um-para-um entre modelo e comparação. No Experimento V, o desempenho por exclusão foi afetado por procedimentos de punição. A punição em mais de um contexto, entretanto, foi necessária para produzir consistentemente o não responder generalizado por exclusão.
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de estímulos de comparação também não definidos, o participante poderia estar meramente relacionando os estímulos não definidos, em vez de estar respondendo “não” ao estímulo definido (McIlvane et al., 1987). De acordo com esta interpretação alternativa, os dois estímulos, a palavra e a figura, tem em comum o fato de serem experimentalmente não definidos e essa relação é que controlaria a resposta de escolha.
Os pesquisadores na área de desenvolvimento da linguagem chegaram a interpretações similares: embora empregassem o termo “mapeamento rápido”, eles descreveram um desempenho que era essencialmente o mesmo. Enquanto Markman (1987) considerava o mesmo raciocínio de Dixon, usando o termo “exclusividade mútua” para se referir a um processo similar à exclusão, Golinkoff usou o termo “N3C” (nome novo - categoria sem nome) para se referir à relação direta entre estímulos não definidos (Golinkoff et al., 1992), na mesma direção apontada por McIlvane e colaboradores (1987). Assim, pesquisadores de duas tradições independentes de pesquisa tinham identificado um mesmo fenômeno e chegado a interpretações semelhantes no que diz respeito a quais seriam as bases de controle de estímulos para sua ocorrência.
comparação, um estímulo vazio (uma “janela” similar às que enquadram os demais comparações) como uma alternativa de resposta. Desse modo, o procedimento padrão de emparelhamento com o modelo é transformado em uma tarefa do tipo “Sim” - “Não”. Depois que o indivíduo aprende a selecionar entre dois (ou mais) estímulos de comparação, o estímulo denominado “vazio” ou “máscara” é superposto a um deles, em cada tentativa. A máscara é superposta ao estímulo de comparação positivo em algumas tentativas e a um dos estímulos de comparação negativo em outras tentativas. Se o modelo corresponde a uma das figuras, então o participante seleciona a figura (o que é análogo a indicar “Sim, esta figura corresponde ao modelo”). Se não há uma figura correspondente presente, no entanto, o participante pode indicar isto selecionando o estímulo de comparação vazio (análogo a indicar “Não, nenhuma figura corresponde ao modelo”). Com esse procedimento, pode-se separar experimentalmente o responder por exclusão (ou exclusividade mútua), do responder por relação direta entre estímulos não definidos (responder por seleção ou N3C).
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responderam “sim” ao estímulo não definido, na presença de um estímulo modelo também não definido.
Os resultados obtidos com o método do comparação vazio foram replicados com 52 crianças brasileiras com desenvolvimento típico, com idades variando de 3 a 13 anos e, também, com portadores de deficiência mental (Costa et al., 2001). Depois de estabelecida uma linha de base de discriminações condicionais entre figuras familiares (cachorro, árvore e casa) e seus nomes ditados, a máscara foi introduzida. Em metade das tentativas, quando a palavra era ditada (por exemplo, “casa”) a criança encontrava, entre os estímulos de comparação, duas das figuras definidas e a máscara (uma das figuras correspondia à palavra ditada). Na outra metade das tentativas a figura correspondente não se encontrava entre os estímulos de comparação (por exemplo, “cachorro” como palavra ditada e casa, árvore e máscara como comparações). Os participantes aprenderam, em uma única sessão, a selecionar a figura definida quando ela estava presente, e a selecionar a máscara quando a figura não estava presente. Com esse repertório estabelecido como linha de base, quando um nome indefinido, “pafe”, foi ditado e a matriz de comparações incluía uma figura definida, uma indefinida e a máscara, todos os 52 participantes escolheram a figura indefinida. Em uma tentativa de controle, quando foi ditado um outro nome indefinido “xede” e a matriz incluia duas figuras definidas e a máscara, todos os participantes escolheram a máscara. Em três tentativas adicionais do mesmo tipo da primeira, com os nomes ditados “xula”, “quita” e “zigo”, todos os participantes replicaram a escolha da figura indefinida na presença do nome indefinido.
levam ao mesmo resultado comportamental, tornando-o altamente provável. Em uma das rotas, a topografia de controle por seleção, o indivíduo observa o modelo e o estímulo de escolha correto – a relação de controle é dada pela relação entre esses dois estímulos (modelo – S+). Na topografia por rejeição, o indivíduo observa o modelo e pelo menos um dos estímulos de comparação negativos. A escolha do estímulo de comparação positivo ocorre sob controle do modelo e do estímulo de comparação negativo (modelo – S-).
Outra questão importante apontada na literatura da área diz respeito á possível relação entre os fenômenos da exclusão e da formação de classes de equivalência. No estudo de Wilkinson e McIlvane (1997), os autores propuseram uma alternativa explicativa para a relação entre a exclusão e a equivalência de estímulos. Esta explicação estava baseada na noção de classe de estímulos da exclusão. No estudo de McIlvane e colaboradores (1987), foi sugerido que a exclusão seria demonstrada sempre que o experimentador tivesse preparado as condições que produzem, de modo inequívoco, a formação de classes de equivalência.
Segundo Sidman (2000), as relações de equivalência fazem parte de um conjunto de processos comportamentais básicos por descreverem a interação entre o organismo e o ambiente, além de serem conseqüências das contingências de reforçamento.
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Embora a estratégia de exclusão seja tão robusta e tenha sido observada em indivíduos pertencentes a grupos muito diferentes (quanto à idade, níveis de potencial intelectual, e história experimental), algumas questões ainda merecem investigação, para caracterizar melhor as condições sob as quais a exclusão ocorre e estabelecer os limites de sua generalidade. As respostas a essas questões têm implicações também para o ensino, não só pelo seu potencial para a expansão de vocabulário, mas também porque existem circunstâncias em que o responder por exclusão não é adaptativo, como é o caso, por exemplo, da aquisição de sinônimos: a eventual fixação em uma única correspondência nome - referente levaria o indivíduo a rejeitar mais de um nome para um único referente. Portanto, seria importante identificar tanto condições facilitadoras, como aquelas que reduziriam ou eliminariam a tendência a responder por exclusão.
A maioria dos estudos experimentais sobre exclusão empregou uma linha de base de discriminações condicionais entre estímulos em uma relação um-para-um, ou seja, cada estímulo modelo é relacionado a um, e apenas um, estímulo de comparação. Isto levantou a possibilidade de que o efeito observado fosse estreitamente dependente do procedimento experimental (Stromer, 1986), o que reduziria a generalidade do fenômeno. Contudo, além das observações naturalísticas, que evidenciam que o responder por exclusão é observado em situações de aquisição de linguagem muito mais amplas e variadas que a situação experimental típica, dois estudos experimentais mostraram que o responder por exclusão continuou a ocorrer mesmo depois de uma história experimental em que os indivíduos aprenderam a relacionar um mesmo comparação a vários modelos ou vários comparações a um mesmo modelo (Costa et al., 2002; McIlvane et al., 1987).
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ARRANJOS EXPERIMENTAIS
As perguntas que se pretendeu abordar nos Experimentos I e II, requerem arranjos de treino diferentes. Na preparação padrão à qual se sobrepõe sondas de exclusão são estabelecidas discriminações condicionais um-para-um, entre um estímulo modelo e um estímulo de comparação – mesmo que isso se repita para várias discriminações diferentes. No presente estudo, porém, pretendia-se ensinar aos participantes que um mesmo estímulo poderia ser relacionado a dois outros. Para que um mesmo estímulo modelo seja relacionado a dois ou mais estímulos de comparação (seja um modelo a dois comparações ou vice-versa), em geral o que se faz é estabelecer, inicialmente, discriminações condicionais entre estímulos de dois conjuntos, por exemplo, A e B. Se cada conjunto tem, por exemplo, três estímulos, ao final do treino, o estímulo A1 deverá estar relacionado ao B1, o A2 ao B2 e o A3 ao B3. Passa-se então a estabelecer um segundo conjunto de discriminações condicionais entre estímulos de um desses mesmos conjuntos e estímulos de um terceiro conjunto. Para relacionar um mesmo modelo a mais de um estímulo de comparação, os estímulos do conjunto A devem passar a ser relacionados, também, aos estímulos de um conjunto C. Dessa forma, ao final do segundo treino, A1 terá sido relacionado a B1 e C1, A2 terá sido relacionado a B2 e C2 e A3 terá sido relacionado a B3 e C3. Para estabelecer relações entre um modelo e vários comparações, o início do treino é o mesmo (por exemplo, estabelecimento de relações AC); a seguir, ensina-se novas relações mantendo-se os mesmos comparações (estímulos do conjunto C), mas empregando novos modelos (por exemplo, estímulos do conjunto B). Estas duas estruturas de treino diferem quanto ao estímulo nodal (um modelo ou um comparação). No presente estudo, o Experimento I empregou o modelo como nódulo (estrutura SAN)2 e o Experimento II empregou o estímulo de comparação como nódulo (estrutura CAN)3. Já no Experimento III foi empregada uma estrutura linear (A, B, C,
2Do inglês “sample as node”
D) em que os estímulos A funcionaram apenas como modelo e os D foram comparações, mas os estímulos B e C foram empregados ora como modelos, ora como comparações, exercendo função nodal. Essas diferentes estruturas de treino têm sido investigadas, com resultados ainda não conclusivos sobre se elas afetam diferencialmente ou não a aquisição das discriminações condicionais e a formação de classes derivadas desse tipo de treino (de Rose, Kato, Thé, & Kledaras, 1997; Fields & Verhave, 1987; K. Saunders, Saunders, Williams, & Spradlin, 1993; R. Saunders, Drake, & Spradlin, 1999; Saunders, Wachter, & Spradlin, 1988; Saunders & Green, 1999; Spradlin, & Saunders, 1986).
As estratégias para estabelecer as linhas de base nos Experimentos I, II e III permitiram examinar os resultados de sondas de exclusão após cada etapa de treino, isto é, depois dos emparelhamentos iniciais entre dois conjuntos de estímulos, depois dos emparelhamentos entre três conjuntos, e depois de testes de formação de classes de equivalência entre os estímulos empregados no ensino da linha de base. Assim, o procedimento tornou possível verificar a replicabilidade, com estímulos visuais, da emergência de exclusão, após diferentes arranjos e estágios de treino. Um aspecto importante a ressaltar é que a linha de base apresentava as condições apropriadas para testes de formação de classes de equivalência e isto foi feito, buscando, adicionalmente, verificar a hipótese de que a exclusão e a equivalência de estímulos podem ter origem nas mesmas relações de controle de estímulos na linha de base (McIlvane et al., 2000).
C. Modelo/Comparação como nódulo (LINEAR) A. Modelo como nódulo (SAN) B. Comparação como nódulo (CAN)
A2 A1
B1
C1
D1
A3 A4
B2
C2
D2
A5
B3
C3
D3
A6
B4
C4
D4
B
C
A
C
A
B
EXPERIMENTO I
Sondas de exclusão sobre uma linha de base com um mesmo modelo para dois estímulos de comparação
MÉTODO4 Participantes
Participaram desse estudo quatro crianças com idades entre 4 e 5 anos, com desenvolvimento típico e idades equivalentes no Peabody Picture Vocabulary Test (PPVT – r; Dunn & Dunn, 1981). Elas foram recrutadas por meio de convite, na própria escola que freqüentavam. A participação contou com a autorização da escola (Anexo 2) e dos pais ou responsáveis, mediante assinatura em protocolo em que autorizaram a participação da criança (Anexo 3). A Tabela 1 apresenta a caracterização dos participantes, incluindo os resultados do PPVT-r.
Situação e equipamentos
As sessões experimentais, com duração de 25 minutos em média, foram realizadas em uma sala da escola da criança. A sala estava equipada com uma filmadora, para o registro de dados de observação, e com um microcomputador Apple Macintosh Performa 6360, com tela Mitsubishi, de 15 polegadas, sensível ao toque (Micro-touch) para controle experimental e registro automatizado das respostas.
O gerenciamento dos procedimentos foi feito por meio de um software desenvolvido especialmente para esse tipo de pesquisa (MTS, versão 11.7; Dube, 1991). Para fins de apresentação de estímulos a tela do monitor era dividida em uma janela central e quatro janelas quadradas, de 5 cm de lado, dispostas nos quatro cantos da tela.
4 O projeto de pesquisa foi aprovado pela Comissão de Ética da UFSCar e obedeceu às determinações da
Tabela 1
Identificação dos participantes, sexo, idade no início do experimento e idade obtida no Peabody Picture Vocabulary Test – revised (Dunn & Dunn, 1981). Experimento I.
Identificação Sexo Desenvolvimento Idade cronológica (anos e meses)
Idade pelo PPVT-r (anos e meses)
DA M Típico 4 a 1 m 4 a 2 m GB F Típico 4 a 7 m 4 a 2 m
A sala continha uma “lojinha” na qual ficavam dispostos pequenos brindes (itens de papelaria, brinquedos, livros de histórias), trocáveis por fichas coloridas de plástico, que eram apresentadas pelo experimentador como conseqüência para a participação nas sessões experimentais (suplementando os estímulos sonoros e visuais apresentados na tela após cada resposta). A lojinha era apresentada em uma caixa de plástico transparente, de 50 cm X 15 cm, que era aberta pela experimentadora logo após o término da sessão. As sessões eram realizadas três vezes por semana, em média. Embora o planejamento inicial fosse de cinco dias por semana, foi necessário compatibilizar os horários das sessões com os de outras atividades realizadas pelos alunos (natação, ballet e futebol) na própria escola.
Uma preocupação nesse estudo era a de como manter as crianças trabalhando nas atividades propostas, uma vez que eram crianças pequenas e a experimentadora seria uma pessoa estranha no início dos trabalhos. Pensando nessa questão, foi programada uma atividade que precedeu o início da coleta de dados. A experimentadora passou dois dias na escola, participando das atividades recreativas juntamente com os alunos e com a professora responsável pela sala. Desta forma, as crianças conheceram a experimentadora no contexto do período de recreação. Quando a coleta foi iniciada, a experimentadora não teve dificuldades para levar a criança à sala de coleta e aplicar o procedimento.
Estímulos
Foram empregadas figuras geométricas e figuras representacionais coloridas, mostradas na Figura 2. As figuras empregadas para ensinar a tarefa (pré-treino) não foram usadas nas demais fases do experimento.
ESTÍMULOS CONJUNTO DE
ESTÍMULOS
Pré-treino Visual-visual
Conjunto X Modelos
X1 X2 X3
Conjunto Y Comparações
Y1 Y2 Y3 “máscara”
Linha de Base Visual-Visual
Conjunto A Modelos
A1 A2 A3
Conjunto B Comparações
B1 B2 B3 “máscara”
Conjunto C Comparações
C1 C2 C3 “máscara”
pelo experimentador em um recipiente ao lado da tela e trocadas, ao final da sessão, por itens da “lojinha”.
Procedimento
O procedimento geral foi conduzido em uma seqüência de passos, visando instalar um repertório de discriminações condicionais entre estímulos visuais arbitrários como linha de base para as sondas de exclusão. A Tabela 2 resume a seqüência geral de passos do procedimento.
O registro de respostas de escolha, executadas pelo toque à tela sensível, foi feito automaticamente por meio do software MTS. Os registros pela filmadora permitiram o registro de observação para complementação dos dados (por exemplo, na identificação de evidências de respostas precursoras da resposta de escolha ou para conferir a configuração dos estímulos na tela).
Etapa inicial – Pré-treino de relações condicionais
Tabela 2
Seqüência de etapas de ensino e de testes do Experimento I.
SEQÜÊNCIA DE FASES RELAÇÕES CONDICIONAIS
1) Pré – Treino X1Y1, X2Y2, X3Y3
2) Introdução gradual de uma máscara em lugar de um dos estímulos de comparação
X1Y1, X2Y2, X3Y3
3) Treino de linha de base visual-visual AB (com máscara)
A1B1, A2B2, A3B3
4) Teste de Exclusão (1) Linha de base AB; sondas com figuras novas
5) Treino de linha de base visual-visual AC (com máscara)
A1C1, A2C2, A3C3
6) Linha de base total visual – visual AB/AC (com máscara)
A1B1, A2B2, A3B3 A1C1, A2C2, A3C3
7) Teste de exclusão (2) Linha de base AB/AC; sondas com figuras novas (diferentes das usadas no
Teste 1).
8) Teste de formação de equivalência BC
CB
B1C1, B2C2, B3C3 C1B1, C2B2, C3B3
experimentadora procurava assegurar que a criança tinha entendido as instruções e todas as eventuais dúvidas seriam respondidas nesse momento. Em seguida, o pré-treino era iniciado. As Figuras 3 e 4 ilustram a primeira e a terceira tentativa do pré-treino.
Nesse pré-treino, tanto os estímulos modelo, quanto os estímulos de comparação eram figuras, apresentadas na tela do monitor, que não seriam empregadas nas etapas seguintes. Os estímulos modelo eram três quadrados (X1, X2 e X3) coloridos (vermelho, azul e marrom) e os estímulos de comparação eram as figuras de morango, carro e cachorro (Y1, Y2, e Y3), cujas cores predominantes eram as mesmas dos modelos (ver Figura 2). O número de estímulos de comparação aumentava gradualmente, começando apenas com o comparação correto e aumentando depois para dois e para três estímulos de comparação. O pré-treino requeria minimamente a exposição a seis blocos, apresentados de forma consecutiva, na medida em que a criança ia atingindo o critério de aprendizagem em cada bloco. Caso o critério não fosse atingido, o procedimento era reiniciado com o bloco precedente. A Tabela 3 resume a seqüência de tentativas no Pré-treino.
O primeiro bloco era composto de dez tentativas, sendo que a relação ensinada era X1Y1. Na primeira tentativa aparecia, no centro da tela, a figura de um boneco estilizado, com a apresentação simultânea da seguinte instrução:
“Olhe a figura na tela. Agora coloque o dedo em cima do desenho”.
Se a criança colocasse o dedo em cima do desenho, eram apresentadas as conseqüências pelo computador (as estrelinhas coloridas apareciam, acompanhadas de uma seqüência de sons) e pela experimentadora (uma ficha era colocada no copo). Em seguida, o boneco aparecia no centro da tela e a seguinte instrução era apresentada simultaneamente:
“Toque a figura”
Tabela 3
Número do bloco, estímulos modelo e de comparação, número de tentativas, critério de aquisição e esquema de consequenciação no ensino de discriminações visuais-visuais (XY), no Pré-treino.
Blocos Modelo Comparações1 N.º de
tentativas
Critério de acerto para mudar para o bloco seguinte
Esquema de consequenciação
S+ S- S-
1
(X1Y1) um Boneco Figura de
Figura do Boneco
2
X1 Y1 1 100 % Crf
X1 Y1 Y2 2
X1 Y1 Y2 Y3 5
Total: 10
2
(X2Y2) X2 Y2 1 100 % Crf
X2 Y2 Y1 2
X2 Y2 Y1 Y3 5
Total: 8
3
X1Y1/X2Y2 X1 Y1 Y2 Y3
X2 Y2 Y1 Y3
4 de cada intercalados
Dois blocos consecutivos com
100 % Crf
Total: 8
4
X3Y3 X3 Y3 1 100 % Crf
X3 Y3 Y2 2
X3 Y3 Y2 Y1 5
Total: 8
5
XY (1,2,3) X1 Y1 Y2 Y3 4
X2 Y2 Y1 Y3 4
X3 Y3 Y1 Y2 8
Dois blocos consecutivos com
100 %
Crf
Total: 16
6
XY (fading) X1 Y1 Y2 Y3 8 100 % Crf
X2 Y2 Y1 Y3 8
X3 Y3 Y1 Y2 8
Total: 24
1 No bloco 6, de introdução da máscara pelo procedimento de
Depois dessas instruções, na tentativa seguinte era apresentado o quadrado vermelho no centro da tela juntamente com a instrução:
“Toque a figura”.
Se a criança hesitasse e/ou olhasse em direção à experimentadora, esta apresentava a seguinte instrução:
“Pode colocar o seu dedo em cima da figura que apareceu na tela”.
Após a resposta de observação da figura (tocar no estímulo modelo), era apresentado o estímulo de comparação correto5 em um dos cantos da tela (a figura do morango – Y1). Se a criança hesitasse em tocar o estímulo de comparação, a experimentadora repetia a instrução oral apresentada anteriormente. O toque no estímulo de comparação produzia as estrelas coloridas na tela do computador e a experimentadora colocava a ficha dentro do copo, dizendo:
“Muito bem, você acertou! Vamos mais uma vez?”.
Na quarta tentativa, o mesmo estímulo modelo era apresentado no centro da tela (porém, não mais acompanhado pela instrução ditada); depois do toque ao estímulo modelo, dois estímulos de comparação eram apresentados nos cantos da tela: o correto e um incorreto. Nas tentativas seguintes era apresentado o mesmo estímulo modelo (X1) e dois estímulos de comparação (o incorreto alternava: ora o cachorro, ora o carro).
A partir da sexta tentativa e até o final do primeiro bloco passaram a ser apresentados os três estímulos de comparação, após o toque no estímulo modelo (X1). O critério de acertos
5 O termo correto (ou resposta correta) será empregado por conveniência de expressão para indicar que a criança
25
para passagem para o bloco seguinte era de 100% de acertos. Caso o critério não fosse alcançado, o Bloco 1 seria reapresentado. 6
Em todas as tentativas, se a resposta fosse correta (toque no estímulo relacionado ao modelo), as estrelas coloridas eram apresentadas na tela; caso a resposta fosse a de apontar outro estímulo, a tela escurecia por um curto período de tempo. A apresentação de estrelas coloridas na tela após respostas corretas e de uma tela escura por um curto período de tempo após os erros eram as conseqüências padrão em todas as tentativas de ensino para as quais estiveram previstas conseqüências no decorrer do procedimento. A posição em que os estímulos de comparação apareciam era randomizada em cada bloco de tentativas.
O segundo bloco do pré-treino era composto por oito tentativas. Neste bloco, a relação treinada era X2Y2, o que significava que em todas as tentativas o estímulo modelo seria X2. Esse bloco era igual ao bloco anterior, mas a instrução inicial não era repetida. Na primeira tentativa era apresentado apenas um estímulo de comparação; na segunda e terceira tentativas, dois estímulos de comparação; nas tentativas quarta à oitava, três comparações. Caso o critério de 100% de acertos não fosse atingido, o Bloco 2 era reapresentado. No terceiro bloco, composto por oito tentativas, as relações X1Y1 e X2Y2 eram misturadas com quatro apresentações de cada uma. Tanto a ordem de apresentação dos modelos, quanto a posição dos estímulos de comparação na tela eram randomizadas. O critério de passagem para o bloco seguinte era de dois blocos consecutivos de 100% de acertos. Como nos blocos anteriores, caso o critério não fosse atingido, o bloco era reapresentado. No quarto bloco, era ensinada a relação X3Y3. Esse bloco era composto por oito tentativas, em que o modelo era sempre X3. O número de estímulos de comparação era exatamente como nos Blocos 1 e 2: na primeira tentativa, apenas um estímulo de comparação (Y3); na segunda e terceira
6 Ao longo de todo o experimento, cada vez que um bloco tivesse que ser reapresentado era empregado um novo
tentativas, dois estímulos de comparação (Y3 e Y2); e nas quatro seguintes, três comparações (Y3, Y2 e Y1). O critério de aprendizagem desse bloco também era de 100% de acertos; se não fosse alcançado, isto resultaria na reapresentação do mesmo Bloco 4.
O quinto bloco misturava os três tipos de tentativas e era composto de 16 tentativas, quatro para as relações X1Y1 e X2Y2 e oito para a relação X3Y3 (visando igualar a quantidade de exposição a cada relação). Em todas as tentativas eram apresentados três estímulos de comparação na tela após a resposta de observação e todas as tentativas eram conseqüenciadas. Tanto a ordem de apresentação dos modelos, quanto a posição dos estímulos de comparação na tela (inclusive do comparação correto em cada tentativa) eram randomizadas no decorrer do bloco. O critério de aprendizagem desse bloco era de dois blocos consecutivos de 100% de acertos. Caso o critério não fosse alcançado, o quinto bloco era reapresentado até que o critério fosse atingido, com a condição de que não seriam feitas mais do que três reapresentações em uma mesma sessão.
27
Na etapa final, a matriz de estímulos de comparação apresentava duas figuras e o quadrado preto (daqui por diante referido como máscara). A máscara era superposta ao estímulo de comparação positivo em metade das tentativas e a um dos comparações negativos na outra metade. O procedimento de modelagem de estímulos e o pré-treino eram encerrados quando atingido o critério de 24 respostas consecutivas corretas.
Fase 1 - Linha de base de discriminações condicionais um para um da relação AB e teste de exclusão
Treino AB
Nesse treino, o objetivo era ensinar a criança a relacionar um estímulo visual (estímulo modelo arbitrário) a um outro estímulo visual arbitrário (estímulo de comparação). Os estímulos modelo eram as três figuras do conjunto A e os estímulos de comparação eram as três figuras do conjunto B (Figura 2).
para o ensino da terceira discriminação (A3/B3) era de dois blocos consecutivos de 100% de acertos nesse bloco; enquanto o critério não fosse atingido, o bloco continuava sendo repetido, mas a seqüência de tentativas e a posição de estímulos eram variadas. Depois de ensinar a terceira discriminação (A3B3), era apresentado um novo bloco em que tentativas dos três tipos (A1B1; A2B2; A3B3) eram apresentadas misturadas (quatro tentativas das duas primeiras e oito da última, para igualar a quantidade de exposição a cada tipo de tentativa). Esse bloco era apresentado até a obtenção do critério de dois blocos consecutivos com 100% de acertos.
O bloco final de linha de base, com quatro tentativas de cada tipo, era conduzido com a superposição da máscara a um dos estímulos de comparação. Este bloco era reapresentado até o critério de 100% de acertos. Quando o critério era atingido, o esquema de conseqüenciação era alterado de FR1 para VR-2, visando preparar a criança para os testes. A Tabela 4 apresenta um resumo das variáveis relevantes na seqüência de ensino das relações AB. Antes da mudança de esquema de reforçamento, aparecia na tela do monitor a figura do boneco estilizado, acompanhada da seguinte instrução:
“De agora em diante as estrelinhas aparecerão só de vez em quando; aperte o desenho”.
Teste de exclusão 1
O critério para introduzir as sondas de exclusão (Teste 1) era de 100% de acertos em um bloco de tentativas de linha de base AB, reforçadas intermitentemente.
Tabela 4
Número do bloco, estímulos modelo e de comparação, número de tentativas, critério de aquisição e esquema de conseqüenciação no estabelecimento das relações BC.
Blocos Modelo Comparações1 N.º de
tentativas acerto para Critério de mudar para
o bloco seguinte
Esquema de consequenciação
S+ S- S-
B1 C1 1 100 % B1 C1 C2 2
B1 C1 C2 C3 5
Crf 1
B1C1
Total: 8
B2 C2 1 100 % B2 C2 C1 2
B2 C2 C1 C3 5
Crf 2
B2C2
Total: 8
B1 B2
C1 C2 C3 C2 C1 C3
Dois blocos consecutivos com 100 % 3
B1C1/B2C2
4 de cada intercalados
Total: 8
Crf
B3 C3 1 100 % B3 C3 C2 2
B3 C3 C2 C1 5
Crf 4
B3C3
Total: 8
5
BC (1,2,3) B1 B2 B3
C1 C2 C3 C2 C1 C3 C3 C2 C1
4 4 8 Total: 16 Dois blocos consecutivos
com 100 %
Crf 6 BC (máscara) B1 B2 B3
C1 C2 C3 C2 C1 C3 C3 C1 C2
4 4 4 Total: 12
100 % Crf
7 BC (máscara) B1 B2 B3
C1 C2 C3 C2 C1 C3 C3 C1 C2
4 4 4 Total: 12
100 % VR – 2
1 A partir do Bloco 6, a matriz de comparações incluía a máscara que, em metade das tentativas cobria o S+ e, na
base, em esquema de reforçamento em VR-2. As conseqüências eram programadas de modo a garantir extinção para todas tentativas de sonda, assim como para uma parcela das tentativas de linha de base. As Figuras 5 e 6 mostram os estímulos apresentados, respectivamente, nas sondas de exclusão e nas tentativas de controle de novidade.
As duas primeiras sondas de exclusão apresentadas na Figura 5 pretendiam documentar o controle por seleção: diante de um modelo indefinido, a seleção do estímulo de comparação indefinido atestava o responder por seleção (os outros estímulos de comparação eram a máscara e uma figura definida experimentalmente). As duas últimas sondas apresentadas na Figura 5, visavam investigar a exclusão de estímulos de comparação definidos, diante de um modelo indefinido; as alternativas de escolha eram duas figuras da linha de base (definidas experimentalmente) e a máscara. O responder por exclusão era atestado pela escolha da máscara.
Nas tentativas de controle de novidade os modelos eram os definidos na linha de base, mas a matriz de estímulos de comparação incluía um estímulo novo (ver Figura 6). O objetivo era verificar um possível controle pela dimensão “novidade” (nesse caso, os controles estabelecidos na linha de base seriam suplantados pelo “novo”). Duas tentativas de controle de novidade apresentavam entre as alternativas de escolha uma figura relacionada ao modelo durante a linha de base, uma figura nova e a máscara. A escolha da figura nova indicaria um controle pela dimensão do novo e não pela relação de controle estabelecida na linha de base; a manutenção da relação de controle modelo definido–comparação definido, estabelecida na linha de base, indicada pela seleção do estímulo definido, permitiria descartar um possível controle pela novidade.
TENTATIVA
MODELO (novo ou
indefinido) COMPARAÇÕES
Exclusão 1 (Tipo S)
(I1) (I5) (B2)
■
Exclusão 2 (Tipo S)
(I2) (I6) (B3)
■
Exclusão 3 (Tipo R)
(I3)
■
(B3) (B1)Exclusão 4 (Tipo R)
(I4)
■
(B1) (B2)TENTATIVA
MODELO (definido na
linha de base) COMPARAÇÕES
Controle 1
(A1) (B1) (I7)
■
Controle 2
(A3) (B3) (I8)
■
Controle 3
(A1)
■
(B2) (I9)Controle 4
(A2)
■
(B3) (I10)33
apresentado nesta tentativa). Por exemplo, na terceira tentativa mostrada na Figura 6 o modelo era o estímulo A1 e os estímulos de comparação eram uma figura nova (I9), uma figura definida (B2), porém não relacionada àquele modelo na linha de base (a relacionada seria B1) e a máscara. A escolha da máscara indicaria manutenção do controle estabelecido na linha de base (“Não, nenhuma dessas figuras corresponde ao modelo”). A escolha da figura nova indicaria perda do controle estabelecido na linha de base e preferência pela novidade; a escolha da figura definida em outra relação indicaria perda do controle estabelecido na linha de base. A quarta tentativa era do mesmo tipo: o modelo era A2, e os estímulos de comparação eram um estímulo novo (I10), um estímulo de comparação definido, porém não correspondente (B3) e a máscara.
Fase 2- Ensino de discriminações AC: um mesmo modelo (A1, A2 ou A3) para uma segunda figura (C1, C2 ou C3)
Treino AC
Nessa fase, que visava ensinar uma nova relação entre um mesmo modelo e uma segunda figura, foram ensinados outros três pares de relações: o primeiro membro do par era um dos três modelos da Fase 1 (A1, A2 ou A3), mas o segundo era uma figura nova (C1, C2 ou C3), diferente das envolvidas nas discriminações AB. O procedimento e o critério para ensinar as três discriminações foram os mesmos que os empregados para ensinar as discriminações AB. A Tabela 5 resume as características das tentativas ao longo das seqüências desse treino AC.
Fase 3 – Linha de base ampliada AB/AC e testes Linha de base AB/AC
Número do bloco, estímulos modelo e de comparação, número de tentativas, critério de aquisição e esquema de conseqüenciação no estabelecimento das relações AC. O número mínimo de blocos e tentativas programados eram, respectivamente, 7 e 72.
Blocos Modelo Comparações1 N.º de
tentativas
Critério de acerto para mudar para o bloco seguinte
Esquema de consequenciação
S+ S- S-
A1 C1 1 100 % Crf
A1 C1 C2 2
1
A1C1 A1 C1 C2 C3 5
Total: 8
A2 C2 1 100 % Crf
A2 C2 C1 2
2
A2C2 A2 C2 C1 C3 5
Total: 8
A1 C1 C2 C3
3
A1C1/A2C2 A2 C2 C1 C3
4 de cada intercalados
Dois Blocos consecutivos com
100 % Crf
Total: 8
A3 C3 1 100 % Crf
A3 C3 C2 2
4
A3C3 A3 C3 C2 C1 5
Total: 8
A1 C1 C2 C3 4
A2 C2 C1 C3 4
5
AC (1,2,3) A3 C3 C1 C2 8
Dois blocos consecutivos com
100 %
Crf
Total: 16
A1 C1 C2 C3 4 100 % Crf
A2 C2 C1 C3 4
6
AC (máscara) A3 C3 C1 C2 4
Total: 12
A1 C1 C2 C3 4 100 % VR - 2
A2 C2 C1 C3 4
7
AC (máscara) A3 C3 C1 C2 4
Total: 12
1 A partir do Bloco 6, a matriz de comparações incluía a máscara que, em metade das tentativas cobria o S+ e, na
35
de exclusão. A programação está resumida na Tabela 6. Esse treino era composto por blocos de doze tentativas em que se misturavam as seis relações treinadas, sendo que cada uma era apresentada duas vezes em cada bloco. Em todas as tentativas, os estímulos de comparação pertenciam ao mesmo conjunto de estímulos, por exemplo, em uma tentativa A1B1, o modelo era A1 e os estímulos de comparação eram B1, B2 e B3; porém, em uma tentativa AC o mesmo modelo A1 era apresentado com os estímulos de comparação C1, C2 e C3. Todas as tentativas eram conseqüenciadas em esquema de reforço contínuo, e o critério de passagem para a etapa seguinte era de 100% de acertos. Caso a criança apresentasse um ou mais erros em um bloco, um novo bloco do mesmo tipo (com novo conjunto de tentativas) era conduzido, até que o critério fosse alcançado. Contudo, se fosse preciso repetir um bloco mais do que três vezes, a sessão era interrompida e o treino continuava na sessão seguinte, nunca no mesmo dia.
Após um primeiro bloco de linha de base total (AB/AC) um novo bloco misturava, em seqüência não sistemática, todos os tipos de tentativas AB e AC e inseria a máscara. Um bloco desse tipo era composto de 12 tentativas, sendo duas tentativas de cada relação. A máscara cobria o estímulo de comparação positivo em seis tentativas e um estímulo de comparação negativo nas outras seis. O critério era de dois blocos consecutivos com 100% de acertos para a passagem para o próximo bloco.
Tipos de relações, número de tentativas e relações apresentadas em cada bloco da linha de base AB/AC. Essa estrutura era mantida na repetição dos blocos, garantindo o rearranjo na distribuição das tentativas.
Blocos Tipos de Relações
Número de tentativas
Modelos Comparações1 Critério Esquema de conseqüenciação
S+ S- S-
2 A1 B1 B2 B3 2 A2 B2 B1 B3 2 A3 B3 B2 B1 2 A1 C1 C2 C3 2 A2 C2 C1 C3 1
Linha de base AB e AC (misturadas)2
2 A3 C3 C1 C2
100 % Crf
2 A1 B1 B2 B3 2 A2 B2 B1 B3 2 A3 B3 B2 B1 2 A1 C1 C2 C3 2 A2 C2 C1 C3 2
Linha de base AB e AC Com máscara
2 A3 C3 C1 C2 Dois blocos consecutivos
com 100 %
Crf
2 A1 B1 B2 B3 2 A2 B2 B1 B3 2 A3 B3 B2 B1 2 A1 C1 C2 C3 2 A2 C2 C1 C3 3
Linha de base AB e AC Com máscara
e Reforço intermitente
2 A3 C3 C1 C2 Dois blocos consecutivos
com 100 %
VR - 2
1 A partir da Fase 2, a matriz de comparações incluía a máscara que, em metade das tentativas cobria o S+ e, na
metade, um dos S-.
2 Ordem semi-aleatória, com a restrição de que um mesmo modelo não fosse apresentado mais do que três vezes
37
equivalência e de exclusão era de 100% de acertos em dois blocos consecutivos da linha de base com reforço intermitente. Enquanto esse critério não fosse atingido, novos blocos de linha de base continuavam sendo realizados.
Antes de iniciar o bloco com esquema intermitente, era apresentada a seguinte instrução (enquanto a figura do boneco era apresentada na tela):
“De agora em diante as estrelinhas aparecerão só de vez em quando; aperte o desenho”.
Teste de Exclusão 2
A estrutura do bloco de tentativas para este segundo teste de exclusão era semelhante à do bloco no Teste de Exclusão 1, com exceção das tentativas de linha de base, que incluiam todas as relações treinadas AB/AC. Assim, o bloco tinha 26 tentativas: 18 de linha de base (três para cada relação), quatro de exclusão e quatro de controle de novidade. As Figuras 7 e 8 apresentam as tentativas de sondas utilizadas neste teste.
As sondas de exclusão eram quatro, com a mesma estrutura das sondas do teste de exclusão anterior, ou seja, duas sondas verificavam o possível controle por rejeição (Tipo R) e duas sondas verificavam se ocorria seleção do novo. As duas primeiras sondas (seleção do novo) apresentavam uma figura indefinida como modelo, e uma figura previamente definida na linha de base, uma figura indefinida e a máscara como estímulos de comparação. O responder por exclusão seria caracterizado pela escolha da figura indefinida como estímulo de comparação. As sondas de rejeição eram constituídas de uma figura indefinida como modelo e, como comparações, duas figuras previamente definidas na linha de base e a máscara. O responder por exclusão seria demonstrado pela escolha da máscara.
TENTATIVA
MODELO (novo ou
indefinido) COMPARAÇÕES
Exclusão 1 (Tipo S)
(I11) (I15) (B1)
■
Exclusão 2 (Tipo S)
(I12) (I16) (C3)
■
Exclusão 3 (Tipo R)
(I13)
■
(C3) (C2)Exclusão 4 (Tipo R)
(I14)
■
(B2) (B3)TENTATIVAS
MODELO (definido na
linha de base) COMPARAÇÕES
Controle 1
(A3)
(C3) (I17)
■
Controle 2
(A2) (B2) (I18)
■
Controle 3
(A1)
■
(I19) (C2)Controle 4
(A3)
■
(I20) (B1)estímulos de escolha, uma figura definida na linha de base, relacionada ao modelo apresentado, uma figura indefinida e a máscara. No segundo tipo (tentativas 3 e 4) os estímulos de comparação eram uma figura definida na linha de base, porém não relacionada ao modelo apresentado, uma figura indefinida e a máscara. No primeiro tipo, a resposta correta de acordo com a linha de base, seria a escolha da figura definida na linha de base e no segundo tipo, a escolha correta seria a máscara (duas tentativas). Em qualquer dessas quatro tentativas, a seleção do estímulo indefinido indicaria controle pela novidade do estímulo (e, conseqüentemente, perda do controle estabelecido na linha de base).
Teste de formação de classes de equivalência
O objetivo deste teste era verificar a emergência de relações condicionais entre estímulos do conjunto B e do conjunto C, não ensinadas diretamente (ver diagrama na Figura 1).
Os testes de formação de classes entre os conjuntos B e C (BC e CB) eram feitos separadamente, ou seja, foram planejados blocos de tentativas para verificar a emergência das relações BC e blocos diferentes para verificar a emergência de CB. Um bloco de teste era constituído de dezoito tentativas. Dessas, doze eram tentativas de linha de base, duas de cada tipo (A1B1, A2B2, A3B3, A1C1, A2C2 e A3C3). As seis tentativas de sondas incluíam duas tentativas com cada par de estímulos BC (B1C1, B2C2, B3C3) no primeiro bloco e seis tentativas CB (C1B1, C2B2, C3B3) no segundo bloco. Todos os blocos de teste tinham este mesmo formato. Tentativas de sonda não eram conseqüenciadas. As de linha de base eram conseqüenciadas intermitentemente, de modo a manter, em média, uma tentativa reforçada para cada duas não reforçadas (VR - 2).
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ascendentes ou descendentes na porcentagem de respostas consistentes com o treino de linha de base em dois blocos consecutivos ou quando a porcentagem era de 100%. A Tabela 7 mostra a estrutura dos blocos de teste de formação de classes de equivalência.
Teste de exclusão 3
Esse bloco tinha como objetivo verificar o responder por exclusão após os testes de equivalência. O bloco era constituído de 26 tentativas, sendo 18 tentativas de linha de base (nove tentativas da relação AB e nove tentativas da relação AC) e oito tentativas de sondas. Esse conjunto de tentativas incluia as duas primeiras sondas de exclusão empregadas no Teste 1 (Figura 5) e as duas últimas sondas de exclusão empregadas no Teste 2 (Figura 7). Com relação às sondas de controle de novidade, foram utilizadas as duas últimas do Teste 1 (Figura 6) e as duas primeiras do Teste 2 (Figura 8). Portanto, dentre essas oito tentativas, quatro eram de sondas de exclusão e quatro eram tentativas de controle de novidade. A estrutura das sondas e do bloco era semelhante à dos testes 1 e 2, com exceção das posições e distribuição dos reforços. Não havia critério de desempenho para finalizar este bloco.
Alterações no procedimento inicial
Tabela 7
Tipos de relações, número de tentativas e composição das tentativas nos blocos de formação de classes BC e CB. O bloco BC era conduzido antes e independentemente do Bloco CB.
Comparações1 Tipos de relações Número de Tentativas Modelos
S+ S- S- TESTE BC
2 A1 B1 B2 B3
2 A2 B2 B1 B3
Linha de base AB
2 A3 B3 B2 B1
2 A1 C1 C2 C3
2 A2 C2 C1 C3
Linha de base AC
2 A3 C3 C2 C1
2 B1 C1 C2 C3
2 B2 C2 C3 C1
Sondas de Equivalência BC
2 B3 C3 C2 C1
TESTE CB
2 A1 B1 B2 B3
2 A2 B2 B1 B3
Linha de base AB
2 A3 B3 B2 B1
2 A1 C1 C2 C3
2 A2 C2 C1 C3
Linha de base AC
2 A3 C3 C2 C1
2 C1 B1 B2 B3
2 C2 B2 B1 B3
Sondas de Equivalência CB
2 C3 B3 B2 B1
1 A matriz de comparações incluía a máscara que, em metade das tentativas cobria o S+ e, na outra metade, um
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Nesses ajustes, os estímulos utilizados no Teste de Exclusão 1, tanto nas sondas de exclusão quanto nas tentativas de controle de novidade, foram mantidos. No Teste de Exclusão 2, as sondas de exclusão permaneceram com a mesma configuração da Figura 7. No Teste de Exclusão 3, após a linha de base ampliada, as sondas de exclusão eram constituídas de duas tentativas Tipo S e duas tentativas Tipo R. As tentativas de controle de novidade tinham a mesma configuração dos testes anteriores. O quarto Teste de Exclusão também era constituído da mesma forma que o terceiro Teste.
Também houve uma alteração nos critérios exigidos. Com os dois participantes iniciais, o critério era de apenas um bloco com 100% de acertos no treino da relação AC, nos blocos com máscara e com mudança de esquema de reforçamento de CRF para VR – 2. Para os demais participantes, o critério para esses blocos foi alterado para dois blocos consecutivos com 100% de acertos, para garantir um estabelecimento de linha de base mais preciso.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Serão apresentados os dados que permitem descrever o estabelecimento da linha de base (desde o pré-treino). Em seguida, serão apresentados os resultados nas sondas de exclusão e de formação de classes.
A Figura 9 apresenta o desempenho dos participantes DA, GB, FL e PE, respectivamente no pré-treino. O eixo X indica as relações treinadas e cada barra indica um bloco de treino. O eixo Y indica a porcentagem de respostas corretas.
Figura 9