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Acessibilidade em Eventos

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Academic year: 2022

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Acessibilidade

em Eventos

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Índice

1. Enquadramento 4

2. Diversidade de visitantes 8

2.1. Pessoas com deficiência e/ou com limitações motoras 13 2.2. Pessoas com deficiência e/ou com limitações visuais 15 2.3. Pessoas com deficiência e/ou com limitações auditivas 17 2.4. Pessoas com deficiência e/ou com limitações intelectuais 20

2.5. Segmento Sénior 22

3. Acessibilidade em Eventos em espaço exterior 25

3.1. Bilhética 29

3.2. Condições de acessibilidade da envolvente 32

3.3. Estacionamento 33

3.4. Instalação do evento 35

3.5. Entrada 37

3.6. Circulação no recinto 39

3.7. Utilização dos espaços e dos serviços 44

3.8. Instalações sanitárias 47

3.9. Restauração 49

3.10. Outros espaços 50

3.11. Fruição do evento 50

(3)

4.2. Localização do evento 68 4.3. Condições de acessibilidade da envolvente 69

4.4. Estacionamento 69

4.5. Entrada 70

4.6. Circulação no espaço 71

4.7. Sinalética 74

4.8. Instalação sanitária adaptada 76

4.9. Local de instalação do evento 78

4.10. Fruição do evento 83

4.11. Outros serviços 95

5. Acessibilidade em Eventos online 98

5.1. Inscrição 100

5.2. “Localização” do evento 101

5.3. Acesso aos conteúdos 103

6. Comunicação e divulgação 111

6.1. Comunicação Acessível e Inclusiva 112

6.2. Acessibilidade WEB 116

7. Qualificação dos Recursos Humanos 120

Ferramentas de apoio disponíveis 125

Glossário 128

Anexos 146

(4)

Enquadramento

O Turismo é dos setores económicos de crescimento mais rápido, dos mais rentáveis e dos mais influentes. Porém, embora esteja cada vez mais democratizado e economicamente acessível, para muitas pessoas, viajar (ainda) é desafiante.

Abordaremos a dimensão de um segmento do mercado, que ao lhe

incluirmos o universo das pessoas com deficiência e outras necessidades, o universo dos seniores e o das famílias com crianças pequenas, torna-se, afinal, numa parcela significativa do mercado mundial do turismo.

Para além de desmistificar o conceito de nicho, há que alterar a visão de que este tipo de turismo constitui apenas uma obrigação social. Também o é, decorrente da Convenção Internacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência, mas também é uma oportunidade de negócio. Não esquecer que uma pessoa com ou sem limitações é um cliente em potência.

A possibilidade de fazer turismo em conforto, segurança e com autonomia não é um favor ao turista, mas sim um direito de cada pessoa e uma

obrigação do setor. Os turistas com deficiência e outras necessidades específicas estão mais exigentes, têm vindo a ganhar o respeito do setor, mas nem sempre são vistos como clientes.

O tema da acessibilidade Universal | Turismo para Todos, escolhido em 2016 pela Organização Mundial de Turismo como tema dedicado, alavancou o desenvolvimento da acessibilidade e da inclusão no turismo.

(5)

Pessoas com deficiência e outras necessidades específicas ainda

encontram inúmeras barreiras, ao longo das suas viagens, que impedem, limitam ou marcam a sua experiência. Encontrar informação sobre a acessibilidade da oferta, serviços e infraestruturas no destino, participar em atividades, obter transporte, viajar em grupo, visitar um equipamento cultural, entre outras atividades, pode ser impossível, difícil e frustrante, afetando a autoestima do turista com deficiência e a dinâmica do grupo onde se insere. Pior, só quando os pressupostos de acessibilidade

anunciados estão errados ou são insuficientes.

Para além de um imperativo de cidadania, a promoção da acessibilidade é um fator de desenvolvimento sustentável, de competitividade e de criação de valor para uma organização.

A nível macro, o caminho para a acessibilidade requer o desenvolvimento de normas globais, a sua aplicação e fiscalização, insistindo na qualificação do sector.

Numa escala micro, a definição de uma estratégia de sensibilização do agente turístico e o respetivo apoio técnico e financeiro para a implementação de soluções permite às autoridades públicas liderar o desenvolvimento do turismo acessível.

O Programa All for All - Portuguese Tourism integra um conjunto diversificado e abrangente de iniciativas promovidas pelo Turismo de Portugal, com vista a estimular, informar, capacitar e apoiar todos os

agentes e entidades que integram a cadeia turística, em três eixos: adaptar a oferta turística, capacitar os recursos e atrair a procura.

(6)

Desde a sua implementação que foi desenvolvido muito trabalho ao nível da mobilização dos agentes turísticos e dos gestores de destinos turísticos e do incremento da oferta turística acessível.

Foram desenvolvidas várias ações integradas para destinos turísticos acessíveis que, para além de incluírem o alojamento, a restauração e a animação turística, incluíram também os espaços de cultura e lazer, as praias, os transportes e espaços públicos, o desenvolvimento da formação e de ações de sensibilização entre agentes e entidades turísticas e

públicas e a disponibilização de informação sobre a acessibilidade das infraestruturas e dos serviços na comunicação promocional dos destinos.

O Programa All for All dá um sinal importante aos destinos e aos empresários portugueses de como a acessibilidade melhorada pode desempenhar um papel fundamental no futuro da estratégia do turismo nacional.

O reconhecimento do trabalho efetuado pelo Turismo de Portugal e demais parceiros públicos e privados mereceu a distinção “Destino Turístico Acessível” em 2019, atribuída pela Organização Mundial de Turismo, que não sendo uma certificação, veio reconhecer o trabalho efetuado e veio incentivar a continuar a implementar mais iniciativas relacionadas com a acessibilidade turística do destino.

A pertinência do tema foi reforçada na Estratégia para o Turismo ET27, tornando clara e mandatória a melhoria da acessibilidade da oferta

turística, que não tem como voltar atrás, pois a procura existe e é cada vez mais numerosa, constituindo um mercado turístico relevante a satisfazer.

(7)

A acessibilidade nos territórios deve ser uma das prioridades da

atividade turística. Só uma oferta inclusiva e acessível a todos permite atingir a sustentabilidade social, ambiental e económica e reforçar a competitividade das empresas e dos destinos turísticos.

A promoção do “Turismo para Todos” é feita numa perspetiva de

desenvolvimento de ações de sensibilização e de capacitação das empresas e das organizações e o apoio a projetos que promovam a acessibilidade e o usufruto da oferta turística, nomeadamente, operações de adaptação e melhoria de infraestruturas, de equipamentos e de recursos turísticos.

Nesta Estratégia, os eventos são considerados como ativos qualificadores, na medida em que os mesmos adicionam valor à oferta dos territórios.

Nesse sentido, pretende-se continuar a incentivar a existência de oferta turística inclusiva, apoiando, em particular, a promoção de eventos cada vez mais adaptados a todos os públicos.

Assim, entende-se por eventos todas as iniciativas, de índole artística, cultural ou corporativa, cuja programação se centra numa temática previamente estabelecida, e que prosseguem objetivos de diversificar e qualificar a oferta e de captar públicos nacionais e internacionais, que ocorrem com regularidade e durante um período de tempo determinado, em salas de espetáculos, recintos para eventos ou em espaços exteriores delimitados.

(8)

Diversidade de visitantes

2

ATENDIMENTO INCLUSIVO

(9)

“Deixámos de considerar as pessoas com deficiência / incapacidade como pacientes com necessidade de cuidados, que não contribuem para a

sociedade, para serem olhadas como pessoas que têm necessidade de que as barreiras sejam removidas e eliminadas por forma a poderem ocupar o lugar que lhes assiste como membros de pleno direito a participarem totalmente na sociedade”. Este excerto do Plano de Ação sobre Deficiência / Incapacidade para 2006-2015 do Conselho da Europa reflete uma

mudança no conceito de deficiência, consequência da aprovação da

Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) pela Organização Mundial de Saúde em 2001.

Esta reinterpretação conceptual da OMS dissociou, finalmente, os conceitos “funcionalidade” e “incapacidade”, termos que, aliás, nunca foram sinónimos na língua inglesa. Deficiência (impairment) tem um

sentido biológico, já que representa uma anomalia estrutural ou funcional irreversível. O termo incapacidade (disability) refere-se à falta de

capacidade, resultado ou não de uma deficiência, e por isso uma situação transversal, intemporal e universal.

Ao centrar-se positivamente na pessoa com deficiência, a CIF veio assim abalar a predominância do modelo médico da deficiência, que a definia destacando o efeito da deficiência sobre a pessoa. Esse modelo preconizava que a incapacidade era um problema da pessoa, causado diretamente pela sua deficiência.

O conceito de “deficiência” proposto pela CIF bebe dessa distinção saxónica e do paradigma clínico, inevitável, mas acrescenta-lhe uma influência externa, ambiental.

(10)

Esta perspetiva defendida pelo modelo social considera a incapacidade não como um atributo da pessoa com deficiência, mas sim um problema criado pela sociedade.

Ou seja, a incapacidade resultaria da interação entre a deficiência da pessoa com o meio envolvente. É, portanto, neste contexto social, que a pessoa com limitações encontra barreiras, e não nas suas próprias limitações. As incapacidades causadas pela deficiência não são de foro biológico ou funcional, mas sim resultado de barreiras atitudinais, ou seja, limitações impostas àquela pessoa face às suas características, condicionando a sua participação plena e efetiva na sociedade.

A verdadeira inovação do conceito proposto pela OMS assenta no critério

“funcionalidade” e “incapacidade”, os quais resultam da combinação de três fatores, nomeadamente biológico (modelo clínico – a deficiência), social (modelo social – a imposição de barreiras) e psicológico (a pessoa).

A funcionalidade da pessoa com deficiência, ou a sua incapacidade, resulta da motivação que a pessoa tem para contrariar a sua deficiência (e inerentes incapacidades), e reverter as limitações que a sociedade lhe associa.

Por outras palavras, a funcionalidade da pessoa com deficiência resulta da interação entre as suas próprias capacidades e as capacidades de inclusão da sociedade onde se encontra. O grau de (in)capacidade e funcionalidade da pessoa com deficiência varia, por isso, consoante as condições que encontra no meio físico e social.

Tendo em conta esta nova abordagem, torna-se fácil perceber que o universo-alvo do turismo acessível é composto por uma grande

(11)

Estamos a referirmo-nos a:

Pessoas com deficiência:

motora, visual, auditiva e intelectual;

Seniores em que o processo de envelhecimento vai conduzindo à

diminuição progressiva das suas capacidades, perturbando ou diminuindo, não apenas as suas capacidades físicas (mobilidade, força, resistência, equilíbrio), mas também as suas capacidades sensoriais (visão, audição) e as suas capacidades intelectuais/cognitivas (compreensão, memória, atenção, raciocínio, orientação no espaço e no tempo);

Pessoas com sequelas de diversas patologias (cardíacas, respiratórias, neurológicas, oncológicas, etc.): patologias que a medicina já consegue controlar, mas que podem deixar limitações nas capacidades das pessoas, nomeadamente ao nível motor, visual, auditivo e psicológico;

Pessoas com caraterísticas físicas excecionais, nomeadamente em termos de estatura (nanismo e gigantismo), de peso (grandes obesos), que podem beneficiar do ajustamento dos requisitos da oferta turística;

Pessoas com redução pontual na sua mobilidade devido a acidentes, grávidas em final de gestação ou deslocação com crianças de colo ou com carrinhos de bebé, também elas podendo beneficiar do ajustamento das condições de acessibilidade e de serviço;

Pessoas com alergias e intolerâncias alimentares e respiratórias,

requerendo cuidados especiais por parte da oferta de serviços turísticos (alojamento e alimentação), ainda que de natureza diferente das

necessidades dos grupos anteriores.

(12)

Diversas Limitações versus Competências Profissionais necessárias

Para simplificação e operacionalização dos conteúdos, optou-se por agregar as tipologias de limitação que

necessitam de respostas idênticas por parte dos profissionais dos Eventos em causa.

(13)

2.1. Pessoas com deficiência e/ou com limitações motoras

A deficiência motora resulta de uma disfunção física ou motora, a qual pode ser congénita ou adquirida por doença ou acidente. Pode ser

permanente e ter um carácter evolutivo ou poderemos falar de limitações de carácter temporário, podendo assumir maior ou menor gravidade.

Pode, também, decorrer de lesões neurológicas, neuromusculares ou ortopédicas, afetando o indivíduo no que diz respeito à sua mobilidade e coordenação motora.

As pessoas com limitações motoras podem ter necessidade de produtos de apoio para a sua deslocação, tais como cadeiras de rodas (manuais ou elétricas), andarilhos, canadianas, próteses e de ter disponíveis lugares para se sentar e descansar.

(14)

Necessidades específicas das pessoas com limitações motoras:

ϭ

Respeitar as necessidades específicas, autonomia e valor pessoal;

ϭ

Informação precisa e atualizada sobre a acessibilidade do lugar e do evento em que vão participar (existência de degraus, rampas,

elevadores, largura das portas, de instalações sanitárias adaptadas, etc.);

ϭ

Acesso e respetiva utilização das infraestruturas essenciais daquele espaço, nomeadamente através de elevadores ou de outros

equipamentos mecânicos capazes de vencer diferentes planos;

ϭ

Disponibilização de ajudas técnicas e produtos de apoio para compensar as diversas barreiras que possam existir;

ϭ

Respeito pelo seu ritmo de marcha;

ϭ

Locais e assentos para descanso ao longo do percurso;

ϭ

Assistência para subir escadas, caso seja necessário;

ϭ

Assistência para a transferência da cadeira de rodas para outro assento;

ϭ

Pisos regulares e antiderrapantes;

ϭ

Assistência prioritária, em caso de emergência;

ϭ

Lugar de estacionamento reservado, com as medidas regulamentares e próximo do acesso ao edifício/equipamento.

(15)

2.2. Pessoas com deficiência e/ou com limitações visuais

A deficiência visual significa a perda ou redução da capacidade visual, com carácter definitivo, mas muitas vezes gradual, não sendo suscetível de ser melhorada ou corrigida com o uso de lentes e/ou com tratamento.

As limitações do campo visual abrangem não só a cegueira (perda total da visão), mas igualmente a visão parcial (baixa visão). No primeiro caso, a pessoa não vê, mas “sente” o que o rodeia através dos outros sentidos (tato, olfato, audição, gosto), em regra mais desenvolvidos. No segundo caso, a pessoa não vê bem, mas possui visão residual ou condicionada.

As pessoas com limitações visuais podem aprender Braille, um sistema de escrita que lhes permite fazer uma leitura tátil. Para além do Braille, existem cada vez mais tecnologias que permitem o acesso à informação, como audioguias com audiodescrição, por exemplo.

Sabia que...

Apenas uma percentagem limitada de pessoas com deficiência visual é cega?

E que o termo correto a utilizar é pessoa cega e não “invisual”?

(16)

Necessidades específicas das pessoas cegas ou com baixa visão:

ϭ

Respeitar as necessidades específicas, autonomia e valor pessoal;

ϭ

Comunicação baseada na troca de informação oral de carácter descritivo e explicativo;

ϭ

Possibilidade de tocar (nos objetos ou pessoas) para uma melhor identificação;

ϭ

Iluminação e contrastes cromáticos acentuados que possibilitem um maior grau de autonomia e segurança;

ϭ

Descrição clara do meio físico que as rodeia, a fim de perceberem a sua organização e poderem detetar o caminho e os obstáculos existentes para uma deslocação mais fácil. Pode ser solicitada uma visita

acompanhada para reconhecimento do espaço;

ϭ

Elementos táteis, cromáticos ou outros que sirvam como referência na orientação (pontos de referência no percurso), na identificação e reconhecimento de algo, na diferenciação de um produto específico num conjunto, e na advertência de perigo;

ϭ

Acesso a produtos de apoio (bengalas, áudio guias, etc.) e a ajudas técnicas (entrada de cães de assistência);

ϭ

Atenção prioritária em caso de emergência;

ϭ

Informação escrita em formato ampliado, em Braille ou informação digital.

(17)

2.3. Pessoas com deficiência e/ou com limitações auditivas

A deficiência auditiva pode ocorrer em qualquer idade. Pode estar relacionada com fatores de natureza hereditária ou congénita (malformações/alterações morfológicas), surgir na sequência de complicações durante o nascimento ou ainda decorrer de doenças ou acidentes.

A consequência mais grave da deficiência auditiva é a dificuldade de comunicação relacionada com o desenvolvimento da fala (oralidade) e da Língua. Por isso, muitos dos que têm dificuldades auditivas podem, igualmente, ter mais dificuldade na compreensão e na expressão escrita e oral.

De referir, que os Surdos, que usam a Língua Gestual Portuguesa como língua natural, têm dificuldade na compreensão da informação escrita e

Sabia que...

Em Língua Portuguesa a expressão “Eu vou sair pela porta”, em LGP é “Eu porta sair vou”! A LGP apresenta uma sintaxe muito diferente do Português. A ordem básica das frases apresenta-se: objeto- sujeito-verbo. Na oralidade é equivalente a dizer: Trabalho eu vou. Daí a dificuldade de uma pessoa surda em ler informações escritas.

(18)

Em alguns casos, as pessoas com deficiência auditiva podem aprender leitura labial, o que lhes permite compreender a Língua falada através da leitura dos movimentos dos lábios do seu interlocutor. Dependendo da situação e também do grau de incapacidade, podem usar próteses auditivas ou outros equipamentos de apoio, juntamente com o auxílio de sinais luminosos.

Internacionalmente utilizam-se os Sinais Internacionais (International Sign), que permitem uma comunicação básica a turistas Surdos de diversos países. Em Portugal utiliza-se, geralmente, a Língua Gestual Portuguesa (LGP). É importante conhecer algumas expressões básicas para transmitir um bom acolhimento e a perceção de que se conhecem as características do cliente Surdo.

Música e teatro: perceção

Cinema

Um surdo consegue “ouvir” música. Ou melhor, consegue sentir a vibração e com isso ter a perceção do som. Há espetáculos pensados especificamente para conseguirem chegar também ao público surdo.

Quanto ao teatro, a comunidade surda vai ganhando palco. Há cada vez mais entidades (companhias, instituições) empenhadas em tornar as peças acessíveis a todos.

No cinema há algumas obras a que vale a pena assistir e que o vão ajudar a perceber o quão importante é que todos saibam comunicar nesta que é uma das Línguas oficiais do país:

– “Filhos de um Deus Menor” (Children of a Lesser God) que, em 1986, valeu um Óscar à atriz surda Marleen Matlin;

(19)

Necessidades específicas das pessoas surdas e/ou com limitações auditivas:

ϭ

Respeitar as necessidades específicas, autonomia e valor pessoal;

ϭ

Um relacionamento interpessoal sereno e amigável (sem ser

paternalista), utilizando os acompanhantes para transmitir informação necessária;

ϭ

Respeito pela idade da pessoa;

ϭ

Agir de forma natural e inclusiva, para ir desmontando preconceitos;

ϭ

As informações podem ter que ser repetidas e a sua compreensão e memorização verificada, devendo investir-se na autonomia e responsabilização do cliente pela sua segurança;

ϭ

Utilização de simbologia fácil de entender (pictogramas);

ϭ

Atenção prioritária em caso de emergência.

Sabia que...

A surdez é uma das deficiências “invisíveis”! Uma pessoa surda não oraliza, não é surda-muda, é apenas surda. Uma pessoa muda é uma pessoa que tem problemas nas cordas vocais e não consegue emitir sons. A pessoa surda, não tendo esse problema físico,

consegue vocalizar, mas como não ouviu, não consegue repetir os sons, como as pessoas ouvintes, que aprenderam a falar, imitando os sons que ouviram. Na maioria das vezes uma pessoa surda prefere não oralizar, por receio de o fazer de forma diferente e ser discriminada.

(20)

2.4. Pessoas com deficiência e/ou com limitações intelectuais

A deficiência intelectual é a designação que caracteriza as alterações cognitivas que levam a dificuldades de aprendizagem, de pensamento abstrato e de adaptação a novas situações, afetando processos como a memória, a categorização, a aprendizagem e a compreensão, a resolução de problemas, a capacidade linguística ou de verbalização.

As pessoas com deficiência intelectual tendem a ser particularmente recetivas à componente afetiva da comunicação.

(21)

Necessidades específicas das pessoas com deficiência intelectual:

ϭ

Respeitar as necessidades específicas, autonomia e valor pessoal;

ϭ

Um relacionamento interpessoal sereno e amigável (sem ser

paternalista), utilizando os acompanhantes para transmitir informação necessária;

ϭ

Respeito pela idade da pessoa;

ϭ

Agir de forma natural e inclusiva, para ir desmontando preconceitos;

ϭ

As informações podem ter que ser repetidas e a sua compreensão e memorização verificada, devendo investir-se na autonomia e responsabilização do cliente pela sua segurança;

ϭ

Utilização de simbologia fácil de entender (pictogramas);

ϭ

Atenção prioritária em caso de emergência.

(22)

2.5. Segmento Sénior

O envelhecimento é geralmente um processo dinâmico e gradual onde se verificam modificações a vários níveis, que determinam a progressiva perda da capacidade de adaptação da pessoa ao meio ambiente, originando uma maior vulnerabilidade. O envelhecimento é um processo lento que se caracteriza pela diminuição progressiva de habilidades motoras, sensoriais e cognitivas. No entanto, apesar de se constatar uma diminuição do

equilíbrio e uma menor rapidez na execução dos movimentos, isso pode não significar perda de capacidade de deslocação nem problemas de dependência.

Uma vez que os constrangimentos acabam por aparecer, torna-se

(23)

Características e tendências do Turista Sénior ϭ

Disponibilidade para a realização de atividades turísticas fora das

épocas de maior procura;

ϭ

Crescente procura de atividades ligadas ao estilo de vida saudável, contacto com a natureza, incluindo atividade física e esforço

moderados;

ϭ

Maior exigência na qualificação dos prestadores de serviços devido a diversas fragilidades e condicionamentos decorrentes da idade;

ϭ

Maior exigência na oferta turística adaptada e inclusiva, tendo em conta a envolvente “família” e a sua diversidade.

(24)

Necessidades específicas do Cliente Sénior - comunicação e relacionamento interpessoal:

ϭ

Respeitar as necessidades específicas, autonomia e valor pessoal;

ϭ

Deferência no relacionamento interpessoal, valorizando o percurso de vida e as experiências do cliente sénior;

ϭ

Dar informação detalhada, através de frases simples e explicações claras. A comunicação deve restringir-se à informação mais pertinente.

Muitos clientes têm dificuldade de memorização de situações novas e diferentes das suas rotinas;

ϭ

Perguntar se o cliente entendeu a informação transmitida, e se necessário, repetir a mesma;

ϭ

Disponibilizar alguma informação em suporte de papel (com letras em grande formato, com contraste e com pictogramas), sem prejuízo de poderem, também, ser adotados recursos tecnológicos;

ϭ

Dar prioridade no atendimento e apoio para o transporte de bagagem (quando aplicável);

ϭ

Ter conhecimento de produtos de apoio, e caso necessário, alugar os mesmos, ainda que fiquem apenas de reserva por razões de segurança;

ϭ

Ter conhecimento (características e acessibilidades) do acesso ao local da atividade, serviço de transportes, alojamento e outros locais de interesse, que possam ser sugeridos ao cliente sénior;

ϭ

Disponibilizar um atendimento sentado, e zonas de espera com assento.

(25)

Acessibilidade em Eventos em espaço exterior

3

(26)

Nos eventos em espaço exterior podem incluir-se eventos breves ou

continuados que aconteçam ao ar-livre. De forma geral, são eventos que se enquadram numa das seguintes categorias: artes performativas (música, dança e teatro); artes plásticas; artes de rua; cinema e literatura, sem

descurar outros temas específicos (gastronomia, por exemplo), celebrações de âmbito variado e eventos desportivos.

Cartaz do Rock in Rio com divulgação inclusiva “para TODOS”

(27)

ϭ

Pensar em Todos os visitantes e em nenhum em particular, porque todas as pessoas podem sempre beneficiar de alguma coisa, seja por conveniência, preferência ou necessidade.

ϭ

Considerar requisitos de acessibilidade para o público, mas também em relação aos colaboradores, participantes e voluntários.

ϭ

Incluir a acessibilidade desde o início e não no final, como um acrescento.

ϭ

Inteirar-se com quem precisa e desenvolver com quem sabe, evitando erros, desperdícios e incongruências. Não se esqueça de prever um tempo de execução mais longo.

ϭ

Oferecer um serviço adequado às necessidades das pessoas, acautelando diversos tipos de serviço e de funcionalidades.

ϭ

Investir na qualificação de quem faz o atendimento e nas competências humanas (prestabilidade) dos colaboradores.

ϭ

Equacionar a proporção de espaços ou serviços acessíveis versus inacessíveis.

ϭ

Garantir, no mínimo, resposta às seguintes situações: estacionamento, entrada, circulação, utilização e evacuação.

ϭ

Assegurar condições de conforto e segurança a Todos.

ϭ

Adotar uma terminologia adequada para se referir à deficiência e à acessibilidade. Evite usar termos como “deficientes” ou “portador de deficiência”- prefira “com deficiência” ou “com limitações de…”;

“invisual” - use “cego” ou com “deficiência visual”; “surdo-mudo” - a mudez é muito rara, o correto é só surdo; “linguagem gestual” -

substituir por “Língua Gestual Portuguesa”; “deficiência intelectual” - O que é “razoável” para o seu evento ser considerado acessível?

(28)

ϭ

Bem comunicar e comunicar bem.

ϭ

Promover e divulgar os seus esforços de acessibilidade e inclusão.

ϭ

Faça uma lista de assuntos-chave a estudar:

Como chegar ao local;

estacionamento;

o local (entrada, circulação, piso);

instalações sanitárias adaptadas;

sinalização e sinalética;

sensibilização e preparação (preferencial) para formas atípicas de comunicação interpessoal;

fornecer informações de acessibilidade;

escrita simples;

acessibilidade web;

identificar e sinalizar uma pessoa de contacto.

(29)

A bilheteira deve ser acessível, nomeadamente ao nível do acesso

(nivelado), da largura da passagem (maior ou igual a 87cm) e da zona de permanência interior para uma pessoa em cadeira de rodas, sozinha ou com um acompanhante, a qual deve assegurar 1,50m de diâmetro.

A compra de bilhete no local do evento deve cumprir com o Decreto-Lei n.º 58/2016, que confere a determinados cidadãos o direito a um atendimento prioritário.

O balcão de atendimento deve facilitar a comunicação do funcionário com todo o tipo de clientes, sejam eles de menor estatura ou utilizadores de cadeira de rodas. Para que nenhum cliente fique posicionado num nível inferior que transmita uma sensação de menoridade, o balcão deve ter cerca de 85cm de altura, e se possível, condições para uma aproximação frontal em cadeira de rodas (c.75cm de largura e c.60cm de profundidade).

Se não for possível ter um balcão rebaixado, o Terminal de Pagamento Automático deve ser móvel, para chegar mais facilmente a quem não alcança o topo do balcão.

3.1. Bilhética

(30)

Por forma a fomentar uma maior igualdade e evitar a discriminação positiva, a tabela de preços deve apenas seguir as habituais exceções relacionadas com o tamanho e composição do agregado familiar, grupos e turmas escolares, faixa etária, situação económica (estudante e

desempregado) e estatuto de profissional técnico, excluindo descontos em situações de deficiência.

Porém, reconhecendo-se haver falta de acesso aos conteúdos ou

inacesso aos espaços onde a ação tem lugar, o promotor do evento pode optar por aplicar uma redução tarifária nos bilhetes de pessoas com deficiência, já que as condições de fruição, bem como o produto em si, estão comprometidos, com uma evidente desvantagem para esse cliente.

Em situação alguma deve ser solicitado um comprovante da condição de deficiência do cliente.

Importa também definir previamente a posição relativamente a um

eventual assistente pessoal. O facto de a pessoa com deficiência se poder fazer acompanhar de um assistente pessoal, uma presença indissociável e não um mero acompanhante, não deveria acarretar um custo extra. Ou seja, não deverá ser cobrado um segundo bilhete, ou, se cobrado, o valor deverá ter uma redução.

Dica!

Se realmente quiser praticar um tarifário diferente para pessoas com deficiência, considere um desconto e não a gratuitidade, devido à caridade pressentida no ato.

(31)

A venda online deve procurar cumprir com os requisitos de acessibilidade web estabelecidos pelo W3C. Adiante, no capítulo 6.2, falaremos dos mesmos.

Se a aquisição de bilhetes for feita em dispensadores automáticos, os

mesmos deverão cumprir pelo menos com a altura dos botões de comando, para que públicos de menor estatura ou utilizadores de cadeira de rodas possam interagir com o painel de botões e concretizar o pagamento.

Não sendo possível, recomenda-se que haja voluntários para auxiliar no procedimento.

O promotor do evento deve ainda estar recetivo a meios alternativos para a aquisição de bilhete, a converter, posteriormente, num bilhete convencional, como por exemplo uma reserva por email ou por telefone, e pagamento por transferência bancária, se isso significar mais facilidade para o interessado.

Zona de participação para público com mobilidade condicionada

Pontos-Chave

(32)

O espaço que vai albergar o evento deve ter em consideração a sua envolvente próxima e o recinto onde o mesmo terá lugar.

Recomenda-se avaliar as suas condições de acessibilidade, informação da maior importância se o evento for dirigido a um público em particular ou se for expectável receber um grande número de participantes que integrem um determinado segmento, evitando-se, assim, incongruências entre as características do espaço, o teor do evento e o tipo de público visado.

A possibilidade de intervir no espaço envolvente é pouco provável. No entanto, pode ser feito um levantamento prévio das suas características, e assegurada uma solução que colmate eventuais lacunas.

Não havendo transportes públicos próximos, pode haver uma navette em circulação entre alguns pontos-chave, ou mesmo desde o parque de estacionamento que serve o recinto. Havendo transportes públicos, os mesmos devem ser identificados, localizados e dados a conhecer.

A sinalética de orientação deve existir nos acessos viários e pedestres e ser instalada ainda na zona de estacionamento. Caso exista alguma situação particular, como uma entrada para fornecedores, para a organização e artistas, ou uma entrada alternativa destinada a públicos com requisitos de acessibilidade, as mesmas deverão também estar devidamente sinalizadas, bem como os respetivos percursos. No caso de essas entradas não estarem abertas em permanência nem contarem com porteiro, deve ser dada

3.2. Condições de acessibilidade

da envolvente

(33)

A zona de estacionamento deve prever lugares reservados a pessoas com mobilidade reduzida, não apenas utilizadoras de cadeira de rodas, mas que possam ter algum condicionamento na realização de deslocações mais longas como por exemplo famílias com carrinhos de bébés ou grávidas. Os lugares devem existir pelo menos na proporção imposta no Decreto-Lei n.º 163/2006.

“O número de lugares reservados deve ser pelo menos:

1) Um lugar em espaços de estacionamento com uma lotação não superior a 10 lugares;

2) Dois lugares em espaços de estacionamento com uma lotação compreendida entre 11 e 25 lugares;

3) Três lugares em espaços de estacionamento com uma lotação compreendida entre 26 e 100 lugares;

4) Quatro lugares em espaços de estacionamento com uma lotação compreendida entre 101 e 500 lugares;

5) Um lugar por cada 100 lugares em espaços de estacionamento com uma lotação superior a 500 lugares”.

Contudo, sugere-se a reserva de mais lugares destinados a pessoas com necessidades específicas, para além do exigido por Lei.

Os lugares devem ser instalados em plano horizontal, com o mínimo de inclinação possível, assegurando uma saída rampeada ou nivelada para o passeio ou via de circulação, e estar próximos da entrada do recinto, de modo a evitar distâncias superiores a 200m.

ϭ

Estes lugares reservados não devem ter menos de 3,50m de largura, a menos que entre dois lugares reservados com 2,50m exista uma área partilhada com 1 metro.

ϭ

Os lugares devem estar devidamente sinalizados com uma ou duas

3.3. Estacionamento

(34)

Caso não haja lugares específicos ou os lugares reservados sejam poucos para a afluência prevista, sugere-se a possibilidade de reservar um lugar aquando da aquisição do bilhete, opção que deve ser dada a conhecer nos canais de comunicação do evento. Para além dos lugares reservados a pessoas com mobilidade reduzida, convém também garantir a existência de lugares para grávidas.

Faz ainda parte do planeamento do estacionamento providenciar um percurso acessível até à entrada do recinto. O tipo de piso, firme e estável, a inclinação (mínima), a distância (contemplando pontos de descanso) e a sinalética (escrita e pictográfica, de boa dimensão e com contrastes) são fatores a considerar, sem esquecer que à saída, possivelmente já de noite, é necessário que a iluminação esteja garantida.

Esquema de estacionamento acessível

Exemplo de boas práticas

As Festas da Madalena, nos Açores usam a sua página do Facebook (ligação) para dar instruções claras sobre o estacionamento

acessível

(35)

Considerar e fazer cumprir as condições de acessibilidade físicas talvez não seja uma prioridade nos eventos cujo espaço que ocupam vai

desaparecer no final da sua realização. Há o preconceito, errado, de que a relação entre as despesas com a acessibilidade e o volume de beneficiários é desproporcionada e não compensatória.

Independentemente do tipo de recinto, recomendam-se duas abordagens prévias no sentido de se apurar as suas condições de acessibilidade: fazer um diagnóstico das condições preexistentes e procurar informação sobre os pré-requisitos necessários. Este último compromisso é ainda mais importante se o evento for dirigido a um público em particular ou se for expectável receber um grande número de um determinado segmento.

Qualquer uma das abordagens pode solicitar a colaboração de entidades do terceiro setor, como por exemplo associações representantes de pessoas com deficiência. O promotor do evento fica assim sensibilizado para o que deve melhorar e disponibilizar. Desta forma são evitadas incongruências e fica garantido que as soluções e o próprio espaço são coerentes entre si e com as necessidades dos visitantes.

Resolvidos os pré-requisitos e diagnosticado o local, a caracterização do recinto deve ser partilhada com o público, para que este possa fazer mais e melhor uso dele. A informação antecipada permite o planeamento e a antecipação de eventuais dificuldades.

3.4. Instalação do evento

(36)

No âmbito da instalação do evento é ainda fundamental considerar

questões de evacuação. O pânico gera confusão e faz esquecer o cuidado com o outro, cria multidões desorganizadas e dispersa as pessoas, podendo separar um progenitor de uma criança ou um acompanhante de uma

pessoa com deficiência. Devem, por isso, ser pensados procedimentos adequados, percursos específicos para a retirada, sinalética complementar e pontos de refúgio, para que, de forma autónoma, qualquer pessoa,

inclusivamente aquela com deficiência, consiga ficar em segurança. Mais informações no Anexo 2.

Pontos-Chave

– Diagnóstico das condições preexistentes;

– Pré-requisitos necessários;

– Divulgação das condições reunidas;

– Plano de emergência e evacuação, contemplando os

procedimentos necessários para acautelar a segurança das pessoas com necessidades específicas

(37)

A menos que a entrada principal tenha obstáculos físicos, como inclinação e degraus, que não permita o acesso a públicos com deficiência motora, ou pais com carrinhos de bebé, a entrada deve ser a mesma para todos os visitantes.

No entanto, de recordar que uma cadeira de rodas ou outro equipamento de apoio à mobilidade, e também um carrinho de bebé, não passam

facilmente pelos torniquetes, devendo estar disponível uma outra passagem, contígua, sem barreira ou com uma barreira de batente.

O sistema de verificação dos bilhetes, se for automático, deve ter até 1,20m de altura, para que Todos o possam validar autonomamente.

Públicos com deficiência visual terão necessidade de uma referência táctil, quer no bilhete, junto ao código de barras, como na estrutura do torniquete, por forma a encontrarem o leitor.

A validação da leitura deverá ser anunciada simultaneamente com um aviso visual e sonoro, permitindo assim informar públicos com deficiência auditiva e visual. As cores verde e vermelho, respetivamente para “bilhete válido / leitura correta” e “bilhete inválido / erro de leitura”, deverão ser acompanhadas por um símbolo visual, evitando a descontextualização dos daltónicos.

Prevendo-se longas filas de espera, públicos com necessidades específicas de acesso devem ter prioridade na entrada. Não se esqueça das grávidas, que estão igualmente contempladas na lista de atendimento prioritário.

Para estes e para os outros, será importante proporcionar sombra. Os corredores de espera devem ser largos, e se possível, separados por

estruturas rígidas às quais as pessoas se possam encostar, aliviando o facto

3.5. Entrada

(38)

Pode ser útil permitir que visitantes com deficiência entrem no recinto antes da sua abertura oficial, não só para evitar enchentes, mas sobretudo para poderem fazer uma visita de reconhecimento ao local. Esta visita deverá ter sido previamente reservada.

Mal entre no recinto, o público deve ter acesso a um mapa, seja

distribuído individualmente ou afixado num painel. Atentaremos nas suas características no Capítulo 3.6.

Próximo à entrada deve ser instalado um centro de informação,

identificado com o “i” que normalmente identifica estes espaços. Também os seus colaboradores, dentro e fora desse espaço, se deverão fazer

identificar de forma clara e inequívoca.

Ponto de Informação/Outros serviços

Pontos-Chave

(39)

A circulação pelo recinto do evento deve dar continuidade às boas práticas já anteriormente mencionadas para o espaço público, nomeadamente a estabilidade, firmeza, homogeneidade e regularidade do piso;

horizontalidade dos planos de circulação; e existência de acessos verticais alternativos (rampas). Degraus isolados ou pequenos desníveis no piso devem ter contraste para se fazerem notar em relação à envolvente.

Caso o piso não seja favorável a uma circulação segura e confortável (se for, por exemplo, em areia, gravilha, cascalho, relva, paralelepípedos, etc.), sugere-se sobrepor um corredor que o permita; o mesmo não deverá ter menos de 90cm de largura, mas idealmente teria 1,50m.

Não é incomum encontrar nos festivais carrinhos de golf em circulação permanente, para apoio à circulação de pessoas com mobilidade reduzida, seniores e grávidas.

Independentemente da qualidade do piso, deve estar prevista uma rede de percursos acessíveis que permita a circulação confortável e segura de Todos, mas em particular das pessoas em cadeira de rodas, com carrinhos de bebé, seniores e grávidas. O percurso deve assegurar ligação pelo menos entre a entrada no recinto e as instalações sanitárias, o posto de primeiros socorros, o lugar ou zona reservada, e a restauração, sem prejuízo de poder também incluir outros pontos-chave.

3.6. Circulação no recinto

Dica!

Considere a criação de uma rede de percursos acessíveis que permita uma circulação confortável e segura.

(40)

A circulação pelo recinto pode distinguir percursos acessíveis, ou seja, itinerários que se destaquem daquele considerado principal. Na base da diferenciação podem estar distâncias, tipo de piso, tipo de plano, ou outros critérios que garantam percursos adequados para públicos com necessidades específicas.

Os percursos devem ser dotados de sinalética de orientação, indicando os destinos possíveis desde aquele local e as distâncias a que se

situam. Ao nome dos espaços recomenda-se acrescentar pictogramas estandardizados, contornando questões de iliteracia, dificuldade em ver e desconhecimento do idioma usado. A sinalética será mais fácil de ser entendida se tiver a forma de uma seta indicando a orientação correta.

Junto a cada espaço pode haver plantas de localização, contextualizando aquele lugar específico no conjunto do recinto.

A orientação também pode ser conseguida por meio de elementos

aplicados ao nível do chão, cromáticos, tácteis ou estruturais. Num espaço ao ar-livre, o que resulta melhor serão pequenos lancis ao longo dos

caminhos, numa cor contrastante, mas pode-se intentar pintar faixas de cor no solo ou a aplicação de piso podotátil.

A instalação de beacons será particularmente útil ao público com deficiência visual. Ao passarem por um destes dispositivos, tomam conhecimento automático da sua localização.

Avisos e outras intervenções por altifalante podem não ser entendidas por todos, e podem também ser mal-entendidas devido ao barulho envolvente.

Considere complementá-las com mensagens escritas e outras notificações visuais.

(41)

Cuidados gerais com percursos ao ar-livre prendem-se com obstáculos que possam surgir ao longo do espaço de circulação. Valetas, grelhas de escoamento de águas, caldeiras de árvores, ou outros elementos afins ou mesmo específicos à realização do evento (cablagens, por exemplo) devem ficar, sempre que possível, nas laterais dos caminhos, de modo a interferir o menos possível na zona de circulação e na própria marcha.

Arbustos e elementos verdes devem estar bem aparados, não invadindo o espaço de circulação, não deve haver objetos que obriguem a desvios, como papeleiras, e aqueles que não puderem ser evitados, deverão, preferencialmente, assentar no chão, para que cães guia e bengalas de orientação os consigam detetar. Deve haver guarda-corpos sempre que haja a possibilidade de uma criança cair ou de uma pessoa com deficiência visual não se aperceber de determinado perigo ao nível do caminho por onde circula, como fontes e tanques, pontes ou passagens elevadas.

É fundamental que os itinerários tenham zonas de descanso pontuais, de preferência com sombra. Os bancos devem ter encosto para garantir o equilíbrio e uma boa postura, e se não tiverem nenhuma estrutura atrás, devem permitir que uma cadeira de rodas recue o suficiente para ficar alinhada com os bancos.

Num espaço desconhecido e com poucas referências visuais, é fundamental garantir que a iluminação é boa.

Devem também distribuir-se pontos de encontro, com identificações próprias (numa matriz) para uma localização mais fácil.

(42)

A circulação do público beneficia da existência de plantas do recinto.

Já foi sugerida uma planta à entrada, em grande escala, de preferência com relevo e Braille, disposição inclinada num suporte tipo mesa, que permita a aproximação frontal em cadeira de rodas. Assim, todos ficam a conhecer o espaço numa abordagem total. As plantas de situação, já sem tanta necessidade de estarem adaptadas com Braille e relevo, e os mapas impressos nos desdobráveis, são contributos igualmente importantes, mas para a orientação durante a permanência no recinto.

Uma planta do espaço deve incluir o itinerário principal e alternativo, caso exista, os pontos de interesse do evento (palcos, núcleos, zonas, etc.), os acessos, os serviços (posto de socorro, WCs, polícia, pontos de informação, etc.), os pontos de encontro e a(s) área(s) de restauração.

Planta do recinto do evento “AgitÁgua”, com indicação dos espaço e valências para pessoas com mobilidade reduzida

(43)

Em termos de apresentação, para conseguir um acesso geral à informação, deve-se procurar criar um contraste forte entre o conteúdo informativo e o fundo, usar caracteres grandes e não serifados e acrescentar imagens ou pictogramas ilustrativos de cada espaço ou serviço indicado. Pode também gerar-se um código QR que ofereça acesso à informação contida no mapa sob a forma áudio ou gestual.

Exemplo de planta de evento exterior NosAlive, com indicação da acessibilidade para visitantes com mobilidade reduzida

Pontos-Chave

– Características do pavimento;

– Sinalética de orientação e identificação;

– Plantas de localização;

– Iluminação;

– Rede de percursos acessíveis.

(44)

Apoio a Pessoas com Necessidades Específicas

Este serviço deve ser o primeiro a ser criado pois será importante não só durante a realização do evento, mas também ainda antes de começar e mesmo após o final.

O promotor do evento deve nomear alguém responsável pelos visitantes com necessidades específicas de acesso. Esta pessoa deverá estar sempre contactável e o seu número de contacto deverá ser partilhado com o público que procure este serviço.

Este serviço pode apresentar-se sob a forma de centro de apoio e

informação a pessoas grávidas e/ou com necessidades específicas, ou estar integrado na zona de acolhimento geral.

O coordenador deste serviço terá ao seu cuidado uma equipa

devidamente formada, a atuar em várias áreas de atendimento ao cliente, nomeadamente: virtualmente para responder a emails e num eventual chat online; presencialmente no centro de apoio; e também disponível para servir como hospedeiro, ou seja, acompanhar alguém que precise ou prefira ser acompanhado durante o evento. Toda a equipa deverá ter conhecimento dos serviços acessíveis e adaptações feitas para garantir a acessibilidade física e comunicacional do visitante.

3.7. Utilização dos espaços

e dos serviços

(45)

A formação da equipa é essencial para garantir conhecimento de causa relativamente às características das deficiências das pessoas que possam surgir e assegurar um atendimento respeitoso e adequado a quem

apresenta alguma particularidade distintiva. Dará a conhecer protocolos, como o livre-acesso dos cães de assistência, permitirá saber como operar uma cadeira de rodas e como guiar e dar orientações a alguém cego ou com baixa visão, e fará pensar em formas de comunicação que não usem a oralidade. Seria conveniente que alguém da equipa tivesse conhecimentos de Língua Gestual Portuguesa.

A esta equipa caberá ainda a sensibilização dos demais colaboradores que façam atendimento ao público, para que a estratégia de acessibilidade e inclusão seja coerente dentro da missão do evento e transversal em todos os seus domínios.

Cabe também a esta equipa a responsabilidade pela manutenção do espaço, produtos e serviços dirigidos aos visitantes “família” ou com necessidades específicas de acesso.

(46)

Neste espaço de apoio ao visitante com necessidades de acesso, o visitante pode ainda solicitar o empréstimo de produtos de apoio, nomeadamente carrinhos de bebé e cadeiras de rodas. Estas podem ser manuais ou

motorizadas, consoante o orçamento disponível. Um complemento útil para quem utiliza cadeira de rodas é o Swiss-Track, um equipamento de tração que se acopla nas cadeiras de rodas manuais, conferindo-lhes força, velocidade e mais autonomia. Pode ser considerado dispendioso, mas pode justificar-se, se as condições do terreno assim o indicarem.

Este é também o local para pedir uma pulseira de identificação. Esta não deverá estar limitada à utilização por crianças, podendo ser entregue a idosos, pessoas com deficiência intelectual, com doença mental, ou sempre que se verifique a sua necessidade.

Pode também ser aqui instalada uma sala de amamentação, para que mães tenham mais privacidade e alguns equipamentos essenciais disponíveis.

No final do evento a equipa de apoio a pessoas com necessidades específicas deve procurar obter informação dos visitantes sobre os

serviços prestados e as condições de acessibilidade disponíveis, para que, no futuro, possam ser melhoradas.

Pontos-Chave

– Qualificação da equipa;

– Apoio, assistência e informação;

– Empréstimo de produtos;

– Zona de descanso.

(47)

As instalações sanitárias devem ser identificadas com pictogramas universais, ou seja, estandardizados, não levantando dúvidas no seu

reconhecimento. Contando que pessoas estrangeiras podem também estar presentes entre o público, deve evitar-se a utilização das iniciais “H” e “S”.

As portas das cabines devem poder ser abertas pelo exterior, casa seja necessário forçar a abertura, e estar equipadas com um sistema de verificação de ocupação. No caso da cabine adaptada, mantê-la fechada à chave contribui para a sua limpeza, no entanto, imputa ao utilizador um grande transtorno.

3.8. Instalações sanitárias

Instalação sanitária acessível (temporária)

(48)

A iluminação por sensor de movimento, ou temporizada, deve ser evitada:

o reconhecimento da presença não é imediato, a temporização pode estar mal programada, exige movimentos à partida condicionados, e a intermitência de luz desorienta quem tem baixa visão. Cabides, acessórios e fraldário devem ter uma altura média de 1,20m.

Considere também a criação de I.S. familiares, complementares às I.S.A.

Lembre-se de que os eventos podem ser visitados por famílias e qualquer um dos progenitores pode ter que dar apoio à criança ou ser responsável pela muda de fraldas. E lembre-se, se o evento for infantil ou tiver uma forte vocação familiar, disponibilize I.S. infantis.

Especificamente nas instalações sanitárias adaptadas, apresenta-se uma lista dos principais aspetos a assegurar:

ϭ

Porta com largura mínima de 77cm, com abertura no sentido do utilizador;

ϭ

Zona de rotação interior com 1,50m de diâmetro, para que uma cadeira de rodas possa rodar a 360º graus (rotação completa);

ϭ

Dois acessos à sanita, numa das seguintes combinações:

dois laterais com 75cm de largura;

um lateral com 75cm de largura + um frontal com 1,20m de profundidade;

ϭ

Barras de apoio na sanita, numa das seguintes combinações:

duas barras rebatíveis;

uma barra no lado oposto ao da transferência (o mais estreito);

ϭ

O lavatório não deve ter coluna e a torneira deve ser do tipo monocomando.

(49)

No que toca à restauração, parte da acessibilidade advém do tipo de mobiliário disponível: o balcão deve ter até 85cm de altura e uma superfície adjacente que permita pousar um tabuleiro ou um porta- moedas. As mesas devem ter pelo menos 70cm de altura debaixo do

tampo, 75cm de largura e 60cm de profundidade. Os assentos não deverão ser fixos ao solo pois impedem a aproximação em cadeira de rodas.

Pelo menos um dos menus afixados deve permitir a aproximação do cliente para a sua leitura. Para quem o vê à distância ou se aproxima, os caracteres usados devem ser simples (estilo Arial, Calibri ou Verdana), grandes (28 pontos) e de cor contrastante com o fundo onde se encontram. Prevendo- se muito ruido envolvente, o que complica a comunicação oral, cada item deve ser acompanhado pelo respetivo preço e, se possível, de uma imagem que o ilustre (ou à categoria a que pertence).

Caso haja um sistema de senhas, as mesmas não devem apresentar apenas cor, pelas limitações associadas ao seu reconhecimento.

Sempre que possível, procure responder às necessidades de famílias com bebés, nomeadamente se lhe pedirem para aquecer qualquer coisa ou para lhes ser emprestado um acessório.

3.9. Restauração

Pontos-Chave

– Acesso e circulação;

– Atendimento ao balcão;

– Tipo de mobiliário;

– Grafismo das ementas.

(50)

3.10. Outros espaços

É conveniente que o recinto esteja equipado com outros espaços úteis complementares, nomeadamente posto de primeiros socorros, bengaleiro ou zona de cacifos, e zona de descanso / amamentação / recobro. Em

comum, todos eles devem garantir um acesso nivelado ou por rampa, e uma entrada com mais de 77cm de largura. Os cacifos devem estar

distribuídos a diferentes alturas, contrastar entre si e ser identificados por um algarismo ou carater contrastante e de grandes dimensões.

Outros equipamentos, como máquinas de auto-atendimento,

dispensadores de alimentos e bebidas e telefone público, devem ter altura acessível para a utilização por Todos.

3.11. Fruição do evento

A fruição do evento divide-se entre as condições do lugar que a pessoa com deficiência ocupa e os meios que tem disponíveis para aceder aos conteúdos que são transmitidos e o tipo de participação e envolvimento que lhe é concedido.

(51)

Por questões práticas, a pessoa com deficiência terá necessidade de ficar nas primeiras filas ou junto ao palco, para melhor ouvir, caso tenha deficiência auditiva, e melhor ver, se tiver falta de visão ou uma estatura mais pequena, e por causa da facilidade do acesso. Porém, pode haver quem não queira ou não precise dessa localização recomendada, pelo que esse lugar não deve ser imposto, apenas proposto.

Uma boa visibilidade, junto ao palco, abrange desde aqueles que são utilizadores de cadeira de rodas, e que estando num plano inferior aos restantes espectadores, não conseguem ver se tiverem obstáculos à sua frente; àqueles com baixa visão, que por razões óbvias veem mal ao longe;

e também a comunidade surda que precisa de estar mais perto da fonte emissora de som e / ou vai seguir o evento através do intérprete de Língua Gestual, que normalmente se encontra junto ao palco.

a) Lugar/local de permanência da pessoa com

necessidades específicas

(52)

A inclusão do público com necessidades específicas de acesso é conseguida com a distribuição dos lugares reservados pelo espaço, em vez de os

concentrar numa única zona. A pessoa com deficiência deve poder escolher de onde quer assistir ao evento, e ter a oportunidade de se integrar na restante assistência, permitindo-lhe sentir que faz parte da fruição do próprio evento.

Dica!

Esteja recetivo a que a pessoa com deficiência ocupe um lugar indiferenciado, se for da sua opção e se tal não interferir, por exemplo, com questões de segurança.

Especificamente para o público utilizador de cadeira de rodas, é recomendável instalar uma plataforma mais afastada do palco,

resguardando-o da multidão, e elevando-o em relação à assistência. O acesso à plataforma deve ser rampeado, com inclinação não superior a 7%. A zona de permanência deve ter um diâmetro maior a 1,50m, pois deve permitir a rotação plena em cadeira de rodas, mas também oferecer espaço para um assento para o acompanhante do espectador em cadeira de rodas.

A utilização das plataformas elevadas pode ou não carecer de inscrição, com vista a assegurar a sua disponibilidade. No entanto, convém que haja várias ou prever soluções alternativas quando as reservas esgotarem.

(53)

Plataforma elevada para Pessoas com mobilidade reduzida

Pontos-Chave

– Acesso e circulação;

– Localização e distribuição;

– Visibilidade e audibilidade;

– Acompanhante.

(54)

A oferta de soluções acessíveis de acesso aos conteúdos é semelhante em todo o tipo de eventos, porém, a sua aplicabilidade vai depender do contexto em que o evento se realiza.

O acesso aos conteúdos significa oferecer acesso à informação, para que a mesma possa ser apreendida, caso contrário, a experiência fica condicionada. Se para alguma audiência basta adaptar informação direta, como por exemplo, disponibilizá-la numa língua que lhe seja entendida, para outros espectadores é preciso oferecer meios complementares.

A disponibilização dos conteúdos acessíveis não tem que ser feita necessariamente no local do evento, podendo estar disponível no sítio web do evento ou do promotor do evento, através do uso de aplicações ou mediante a leitura de códigos QR que sejam incluídos no bilhete ou no material informativo.

b) Conteúdos

(55)

O público com deficiência auditiva pode aceder aos conteúdos se:

ϭ

Houver um sistema de indução magnética instalado nos palcos e / ou microfones, o qual permite ao espectador que usa aparelho auditivo selecionar uma determinada posição e aceder diretamente a um som limpo de ruídos. Podem também facultar-se auriculares;

ϭ

Houver interpretação em Língua Gestual Portuguesa (caso o cariz do evento seja marcadamente internacional, será de considerar um intérprete conhecedor de Gestos Internacionais). A interpretação pode ser feita presencialmente, junto ao palco ou ao próprio assistente com deficiência auditiva, ou através da projeção do intérprete numa tela no palco;

ϭ

A pessoa conseguir sentir as vibrações, caso se trate, por exemplo, de um evento musical. Um meio de assegurar essa sensação é proporcionando um piso flexível, como a madeira;

ϭ

Se lhe for disponibilizada uma transcrição simples, mas fiel, do

conteúdo oral. A deficiência auditiva não se resume à surdez, por isso, quem já teve ou mantém contacto com a comunidade ouvinte é capaz de fazer uso da escrita e leitura em português;

ϭ

Se houver legendas dos conteúdos orais a passar numa tela junto ao palco.

(56)

O público com deficiência visual tem necessidade de uma descrição visual do espaço, técnica a que se chama audiodescrição. Se estiver a assistir a um concerto ou discurso, o cenário será pouco mutável, pelo que lhe basta descrever a organização do espaço e a sua cenografia. Se for um espetáculo mais dinâmico, soma-se a indicação de situações mudas, como entradas e saídas do palco.

Para facilitar a orientação da pessoa com deficiência visual, pode também ser necessária uma caracterização geral do espaço e a descrição da

organização do recinto.

Como a deficiência visual inclui também situações de baixa visão e não apenas de cegueira, a transmissão do evento, em direto, num ecrã ou tela, permite uma visão ampliada com outras condições que o espectador pode não encontrar no local. Será algo útil a toda a assistência.

Dica!

Considere a possibilidade de o espectador com deficiência visual visitar previamente o palco, e deixe-o sentir a sua aura!

Será conveniente que aconteça antes do evento, por marcação.

(57)

Há ainda um outro segmento que precisa de atenção - o da deficiência intelectual. É fundamental alertar esse público para eventuais situações que possam causar ansiedade, como efeitos luminosos ou sonoros.

Para estes públicos é útil recorrer à escrita simples, acompanhada por ilustrações e pictogramas. A escrita simples assume frases curtas, diretas e claras, linguagem descomplicada, ideias bem organizadas e extensão controlada. Deve ser dada atenção complementar a aspetos gráficos, como o tipo de fonte escolhido, o estilo dos caracteres (minúsculas e sem itálico), a dimensão da fonte, o alinhamento utilizado nos parágrafos e o espaçamento de palavras e linhas. Siga a premissa “uma escrita simples, para uma leitura fácil”!

Exemplo de boas práticas

O Festival Internacional de Arte de Rua Imaginarius apresenta online as suas sessões inclusivas. (ligação)

Pontos-Chave

– Deficiência e falta de audição;

– Deficiência e falta de visão;

– Hipersensibilidade;

– Meio de acesso;

– Formatos alternativos.

(58)

Participar na programação está intrinsecamente ligado à fruição do evento e é indissociável do acesso aos conteúdos, na medida em que a programação pode complementar ou substituir esse acesso.

Numa ótica de inclusão, a programação deve incluir sessões adaptadas, ou seja, que contem com o meio de comunicação específico para a

participação de públicos, por exemplo, com deficiência auditiva e visual.

Suponha-se que uma determinada atividade se vai realizar quatro vezes;

uma delas pode ser adaptada a pessoas com deficiência, o que não significa que seja exclusiva para elas. A inclusão de Todos passa, precisamente, por não segregar ninguém.

c) Programação

(59)

Dentro da programação pode haver atividades especificamente dirigidas a determinado segmento, como tão frequentemente acontece com o

público infantil. Mais uma vez, não há necessidade de que sejam atividades exclusivas, porém, como requerem um maior acompanhamento e mais recursos, é aceitável se o forem.

A programação paralela pode ter lugar no palco principal / zona do evento, ou num outro local. Em qualquer caso, é preciso considerar um acesso nivelado, ou com rampa, para que uma cadeira de rodas aí possa aceder.

Exemplo de boas práticas

“(…) pretende um recinto ao máximo livre de barreiras

arquitetónicas, tentando adaptar os serviços, programas, jogos e atividades para que todos possam participar”, site do Festival Ritmo Jovem (ligação).

Um dos percursos dos Jogos de Oeiras foi pensado para incluir participantes com mobilidade reduzida (ligação).

(60)

A acessibilidade da informação não se aplica apenas no contexto pré- evento. Durante a sua realização, ao utilizar um programa, convêm que este cumpra com critérios gráficos, estéticos e linguísticos em tudo

semelhantes aos dos websites, mas também que a sua interpretação seja fácil. Para tal, os eventos devem estar organizados segundo um critério (categoria, dia, local); deve ser indicada a sua duração; deve ser sinalizada qualquer especificidade (destinado a…, adaptado a…), e mencionada qualquer característica que possa comprometer a fruição (ambiente escuro, barulhento, percurso longo, cenas violentas, etc.).

Pontos-Chave

– Acesso;

– Divulgação;

– Inclusão / Exclusividade;

– Formatos alternativos.

Dica!

O trabalho em rede entre os diversos agentes do setor turístico é fulcral para uma oferta concertada aos clientes, onde a vertente da acessibilidade é garantida. Os eventos não são exceção. Quando se é promotor ou parceiro de um evento cujo local de implantação nos é familiar ou com o qual temos facilidade em estabelecer contacto, é muito importante saber prestar informação sobre oferta acessível na envolvente do espaço onde o evento decorre (que alojamentos existem, que transportes, que restaurantes, etc.).

(61)

Síntese de boas práticas

para eventos em espaço exterior

ϭ

Acessibilidade na compra do bilhete;

ϭ

Existência de estacionamento reservado;

ϭ

Acesso em cadeira de rodas ao recinto e aos espaços principais (sem desníveis / desníveis ≤ 2cm / com rampa(s));

ϭ

Circulação no recinto: piso firme, estável, regular e homogéneo; inclinação ligeira; distâncias curtas;

ϭ

Sinalética de orientação e identificação, escrita e pictográfica, com tamanho grande e contrastes cromáticos;

ϭ

Planta de situação, com rede de percurso acessível;

ϭ

WC adaptado para público utilizador de cadeira de rodas;

ϭ

Serviço de informação e assistência a públicos com necessidades de acesso;

ϭ

Formatos alternativos de comunicação na divulgação do evento, no acesso aos conteúdos e na execução da programação paralela;

ϭ

Comunicação acessível, digital e impressa;

ϭ

Plano de emergência e evacuação, com procedimentos específicos para públicos com necessidades de acesso;

ϭ

Qualificação dos recursos humanos.

(62)

Acessibilidade em Eventos em espaço interior

4

(63)

Nos eventos em espaço interior incluem-se as seguintes categorias:

seminários, conferências e congressos; eventos culturais, cerimónias de entrega de prémios; e outras ocorrências com temas específicos, como, por exemplo, a gastronomia.

Os eventos indoor podem ter lugar em espaços edificados concebidos para uma utilização específica, como salas de espetáculo e auditórios, centros de congresso ou pavilhões multiuso; ou acontecer em estruturas polivalentes ou mesmo efémeras, como pavilhões e tendas, customizadas para o efeito.

Evento em espaço interior construído, onde estão a participar diversas pessoas em cadeira de rodas

Exemplo de boas práticas

Portugal é o 10.º país do mundo que mais recebe e organiza

congressos e convenções (Fonte: ICCA – Associação Internacional de Congressos e Incentivos 2019).

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