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DOCUMENTO PROTEGIDO PELA LEI DE DIREITO AUTORAL

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Academic year: 2022

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(1)AU TO RA L. 0. UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”. LE I. DE. DI R. EI. TO. AVM FACULDADE INTEGRADA. EG. ID. O. PE. LA. GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA: ASPECTOS SOCIAIS, PSICOLOGICOS E SEXUALIDADE.. Orientadora: Fabiane Muniz. DO. CU. M. EN. TO. PR. OT. Por: Eliana Cabral da Silva. Rio de Janeiro 2014.

(2) 1. UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” AVM FACULDADE INTEGRADA. GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA: ASPECTOS SOCIAIS, PSICOLOGICOS E SEXUALIDADE.. Apresentação de monografia à AVM Faculdade Integrada como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em terapia de Família. Por: Eliana Cabral da silva. Rio de Janeiro 2014.

(3) 2. AGRADECIMENTOS. Primeiramente a Deus, o qual até aqui tem me sustentado me dando vitória. Aos meus irmãos, sobrinha(os), cunhados(as) que acreditaram no meu potencial, apesar de tantas lutas. À minha orientadora Fabiane que me incentivou, e muito colaborou para a conclusão deste trabalho. À equipe da UPH do Parque Equitativa pelo apoio e amizade. Aos meus colegas do curso de Terapia de Família, em especial Monica Lima e Allan. Aos Docentes do Curso de Pós-Graduação da Universidade Candido Mendes..

(4) 3. DEDICATÓRIA. A Deus, por iluminar os meus caminhos Aos meus pais, pelo exemplo e amor. As minhas filhas Taina e Larissa. Aos meus genros Edilson e Sergio. A minha querida neta especial Geovanna..

(5) 4. RESUMO. A gravidez na adolescência é considerada um problema de saúde pública com as gestações nessa faixa etária é necessário perceber a complexidade, desses fatores que tornam os adolescentes especialmente vulneráveis a essa situação. Frentes ás questões apresentadas, o presente trabalho justifica-se por trazer uma discussão importante sobre condições sociais, psicológicas, sexualidade e a gravidez na adolescência, a necessidade de medida socioeducativa sobre o tema. Devido a isso o presente estudo tem por objetivo fazer uma revisão bibliográfica dos trabalhos publicados sobre o tema em seus aspectos sociais, psicológicos, sexualidade e gravidez na adolescência. Realizou- se uma revisão narrativa, visando o levantamento bibliográfico das publicações que envolvam o tema em estudo. A fase da adolescência se constitui num período de transformações físicas e emocionais, não se pode descrevê-la como uma simples adaptação às mudanças do corpo, mas como uma importante fase no ciclo existencial da pessoa, tomada de posição social, familiar, sexual e entre o grupo. O número de adolescentes que engravidam aumentou progressivamente e em idades cada vez mais precoces. A falta de conhecimento dos meios contraceptivos tem sido considerada uma das principais causas da gravidez, principalmente na população carente, na qual existem adolescentes com total falta de desinformação em relação ao funcionamento do corpo humano e aos meios contraceptivos. É importante uma educação referente à prática sexual no período da adolescência, acabava promovendo os valores e princípios que vão moldar futuras gerações mais positivas e determinadas. Não se pode ter uma falsa ideia de que engravidar na adolescência seja inconsequente e desastrosa. Na projeção do trabalho das equipes de saúde com as famílias, o tema deve ser discutido para que a população e os profissionais de saúde reconheçam e tratem essa questão como um problema de saúde pública. Palavras chave: gravidez na adolescência, aspectos sociais, psicológicos, sexualidade..

(6) 5. METODOLOGIA. Para atingir os objetivos do presente trabalho realizou-se uma revisão narrativa, visando o levantamento bibliográfico das publicações que envolviam o tema em estudo de forma não sistemática. Para isso, foi realizada busca de livros e publicações nas bases de dados da Biblioteca Virtual em Saúde – BVS (Lilacs e Scielo), BIREME, buscando as palavras chaves (descritores): aspectos sociais, psicológicos, sexualidade e gravidez na adolescência. Como também a análise de diversos autores que discorrem sobre o referido tema em questão. Após identificação dos artigos científicos por meio das bases de dados, as referências citadas pelos autores desses artigos consideradas importantes também foram utilizadas..

(7) 6. SUMÁRIO. INTRODUÇÃO--------------------------------------------------------------------------------07 CAPÍTULO I - A DESCOBERTA DA SEXUALIDADE ------------------------------11 1.1 Aspectos psicológicos da gravidez na adolescência ------------------16 CAPÍTULO II - GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA: QUESTÃO SOCIAL--------18 2.1 - Gravidez na Adolescência -------------------------------------------------21 CAPÍTULO III - CONTRACEPÇÃO NA ADOLESCÊNCIA--------------------------24 3.1 Politicas de Saúde Públicas para prevenção de gravidez------------27 CONCLUSÃO ----------------------------------------------------------------------------------32 BIBLIOGRAFIA--------------------------------------------------------------------------------34.

(8) 7. INTRODUÇÃO. A adolescência corresponde ao período que vai dos 10 aos 19 anos de idade e defina-se como sendo a etapa da vida entre a infância e a idade adulta. O Estatuto da Criança e do Adolescente (1990) define adolescência como sendo uma passagem entre a infância e a vida adulta, definindo que adolescente está entre 12 aos 18 anos de idade. Sendo esta fase caracterizada pelo início da puberdade, momento em que as mudanças fisiológicas e morfológicas começam a impor-se fortemente, afetando sem dúvida alguma, o desenvolvimento da personalidade. É na fase da adolescência que o indivíduo procura a sua maturidade conquistando a sua própria e total autonomia (LIRA, DIMENSTEIN, p.37 – 45, 2004). E segundo MARTY (2006) o abandona da infância para adentrar no mundo da adolescência trás como certeza, um período de tristezas e angustias. Abandonar a infância e entrar no mundo da adolescência significa adentrar um período de angustias e incertezas. De um lado, a criança que se torna púbere se vê confrontada com transformações psicobiológicas inevitáveis, como a irrupção do desejo sexual antes inexistente e suas tensões decorrentes (MARTY, p.119 – 131, 2006).. Ainda segundo GOMES (2002) a fase de transição é entrelaçada por conflitos, onde ocorrem mudanças significativas, tanto a nível físico como a nível emocional, sendo importante neste momento que as informações através de diálogo aconteçam de forma contínua. A questão referente à queda da idade média da menarca do início da atividade sexual aparece entrelaçada à gravidez na adolescência, assim como a ausência de informação e a dificuldade de acesso aos métodos contraceptivos. Igualmente corrente é a assertiva de que a gravidez em mulheres menores de 20 anos tem incidência maior nas classes economicamente desfavoráveis (GOMES, p.408 – 414, 2002)..

(9) 8. Segundo o texto, a gravidez acontece principalmente nas classes menos favorecidas e em mulheres bem jovens. Assim, para a efetivação do Estatuto da Criança e do Adolescente, (de 16 de julho de 1990, Lei nº 8069), o estatuto preconiza as prioridades para a garantia de direitos desse seguimento que necessita de garantias para o seu pleno desenvolvimento. Das disposições Preliminares: Art. 1º. – Essa Lei dispõe sobre a proteção integral à criança e ao adolescente. Art. 2º. – Considera-se criança, par os efeitos desta Lei, a pessoa até 12 anos de idade incompletos, e adolescentes aquela entre 12 e 18 anos de idade. Art. 3º. – A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-lhes, por lei ou por ouros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e desigualdade. (p.19). Do direito à vida e à saúde: Art. 8º - É assegurado à gestante, através do Sistema Único de Saúde, o atendimento pré e perinatal. Parágrafo 1º A gestante será encaminhada aos diferentes níveis de atendimento, segundo critérios médicos específicos, obedecendo-se aos princípios de regionalização e hierarquização do sistema. Parágrafo 2º A parturiente será atendida preferencialmente pelo mesmo médico que a acompanhou na fase pré-natal. Parágrafo 3º Incumbe ao poder publico propiciar apoio alimentar à gestante e a nutriz que dele necessitem. Art.9º - O poder público, as instituições e os empregadores propiciarão condições adequadas ao aleitamento materno, inclusive aos filhos de mães submetidas à medida privativa de liberdade. (p.20). Sendo assim, o adolescente deve ter prioridade no atendimento e esse atendimento deve ser realizado em sua integralidade e não de forma fragmentada. Ainda segundo SANTOS (2006): Entende-se que os altos índices de gravidez precoce no Brasil, uma vez que 28 a 30% dos recém-nascidos são filhos de mães om idade inferior a 19 anos. Segundo a pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de adolescentes com idade entre 10 a 14 anos que esperavam um filho ou estavam no pós-parto quase dobrou entre 2000 e 2002 (SANTOS p.4 – 5, 2006)..

(10) 9. O autor propõe uma reflexão sobre os dados referente aos índices de gravidez precoce no país. O crescimento da concepção da liberação do comportamento social, em especifico, o da sexualidade, contribui significativamente para o elevado aumento da gravidez no período da adolescência, devido ao desconhecimento do próprio corpo enquanto função reprodutora, vinda da ausência de uma educação esclarecedora tanto no âmbito familiar como no escolar e social (BUENO, 2006). Segundo SANTOS (2006): Do ponto de vista social e cultural, esses fatores podem associar-se às transformações dos costumes sexuais e à maciça exposição a mensagens sexuais nos meios de comunicação. Porém, a liberação dos costumes nem sempre vem acompanhada com informação necessária sobre as consequências da atividade sexual iniciada precocemente e sem proteção (SANTOS p. 4- 5. 2006).. A gravidez na adolescência é considerada um problema de saúde pública mundial. REIS E RIBEIRO (2010, p.2), afirmam que “hoje, os meninos e meninas entram na adolescência cada vez mais cedo”. Afirmam ainda que os adolescentes estão entrando na vida social mais cedo. Ao adquirir personalidade própria, o jovem geralmente se distancia da família, procurando maior autonomia. Com isso, a sua vida social se modifica: passa a preferir a companhia de outro adolescente, recusando a dos pais e irmãos. Os amigos de mesma idade passam a ser as pessoas mais importantes. Começa a vestir-se de acordo com o figurino do grupo, a falar a sua linguagem, a frequentar lugares diferentes, a chegar mais tarde em casa. Ao engravidar, a jovem tem de enfrentar, paralelamente, tanto os processos de transformação da adolescência com os da gestação. Isto, nesta fase, representa uma sobrecarga de esforços físicos e psicológicos tão grandes que para ser bem suportada necessitaria apoiar-se num claro desejo de tornar-se mãe. Porem, geralmente não 20 é o que acontece: as jovens se assustam e angustiam-se ao constatar que lhes aconteceu algo imprevisto e indesejado. Só este fato torna necessário que seja alvo de cuidados materiais e médicos apropriados, de solidariedade humana e amparo afetivo especial. A questão e que, na maioria dos casos, essas condições também não existem..

(11) 10. E (LIRA; DIMENSTEIN) relatam que os fatores relacionados a essa faixa etária, estão em tudo entrelaçados e para melhor compreensão faz-se necessário o entendimento das vulneráveis que a eles estão associados. Para um melhor entendimento dos possíveis fatores associados às gestações nessa faixa etária é necessário perceber a complexidade e a multicasualidade desses fatores, que tornam os adolescentes especialmente vulneráveis a essa situação (LIRA; DIMENSTEIN, p. 37 – 45, 2004).. A gravidez nessa fase do ciclo de vida implica em alguns riscos obstétricos aumentados, pois embora a adolescente já possa gerar um filho, seus. órgãos. internos. ainda. não. estão. totalmente. preparados,. mas. principalmente emocionalmente. Assim entre as enfermidades que acometem as adolescentes que engravidam está a anemia, sendo a mais comum, principalmente naquelas de baixa renda, que tem alimentação precária e maior incidência de verminoses (WHO, 2007; LEVANDOWSKI; PICCININI; LOPES, 2008). Este. tipo. de. gravidez. frequentemente. vem. acompanhado. de. dificuldades, que podem ocasionar um desvio ou transtorno para a vida do adolescente. Destacam-se os “riscos biopsicossociais” tanto para a mãe quanto para seus filhos (BRASIL, 2000). A qualidade da relação do homem com seu filho tem impacto na qualidade de vida deste, inclusive nos indicadores de saúde voltados para os aspectos biológicos. O envolvimento paterno repercute na aceitação da gestação (MALDONADO, 2003). A utilização de métodos contraceptivos entre adolescentes são mais baixas de um modo geral, nesses casos são comuns os pensamentos “mágicos” com relação à contracepção: “tomar anticoncepcional me transforma; se me transforma, denuncia minha vida sexual; como isto não pode acontecer, então não deve tomar anticoncepcional” (HALBE, 2000). Neste contexto, este trabalho pode ressaltar a grande importância da atuação da equipe de Saúde, a identificar os fatores que interferem no uso de métodos contraceptivos. Desta forma, é possível elaborar ações de prevenção necessárias para redução de risco e da gravidez precoce, monitorando as gestantes com atendimento no pré-natal, parto e puerpério..

(12) 11. Diante das questões apresentadas, o presente trabalho justifica-se por trazer uma discussão sobre o tema: aspectos sociais, psicológicos e sexualidade. Abordando a importância de ações socioeducativas para reversão dessa problemática.. CAPITULO I - A Descoberta da Sexualidade. O período da adolescência pode ser considerado como uma atitude ou postura do ser humano durante uma etapa de seu desenvolvimento, pois permite a visualização e a reflexão das expectativas da sociedade sobre as características deste grupo. A adolescência é um papel social (BUENO, 2006). A fase da adolescência se constitui num período de transformações físicas e emocionais, sendo considerada desta forma, como um momento de inúmeros conflitos e de crises. Não se pode descrever a adolescência como simples adaptação às mudanças corporais, mas como uma importante fase entre o grupo (BUENO, 2006).. No início da adolescência, a ambivalência do jovem deriva em parte da ambiguidade ligada ao seu próprio corpo, como se ele não estivesse bem certo se deveria agir como criança ou como adulto. Por outro lado, esta dificuldade é reforçada pelos próprios pais, que também se mostram inseguros com relação à posição do adolescente dentro do próprio desenvolvimento (BRASIL, 2000). A autoestima das adolescentes de classes sociais desfavoráveis muitas vezes está limitada ao próprio corpo (procuram realçar suas formas usando tops e microssaias, deixando amostra: colo, costas, coxas e ventre), uma vez que não possuem uma família estruturada que ofereça segurança e apoio e nem méritos escolares que garantam uma valorização social. Portanto, essas moças tendem a exibir e valorizar excessivamente o corpo e acabam por usufruir da sexualidade e genitalidade precocemente (PANTOJA, p. 335 – 343 - 2003; TRINDADE, 2005). Segundo SANTOS (2006): A adolescência traz consigo o início da puberdade e o desenvolvimento das características sexuais, dos órgãos sexuais primários e secundários e um notável crescimento somático, os quais pressagiam o destino do corpo da criança em sua inevitável transformação. As transformações físicas acontecem devido ao elevado aumento da produção de hormônios neste período..

(13) 12 Essas alterações hormonais e as eventuais incapacidades ou relutâncias em adaptar-se às alterações físicas contribuem para alguns estados de depressão, característicos dos adolescentes. Alternadamente, se observam períodos de intensa energia física, entusiasmo e inquietação sem limites (SANTOS 2006).. O autor segundo o texto, diz que é na adolescência que se constroem as bases que vão sustentar a identidade e a responsabilidade, a sexualidade, a independência e a responsabilidade desses futuros adultos. Esse processo é complicado, de muitos aprendizados, e podem trazer conflitos. FIGUEREDO. (2002). vai. dizer. que. a. iniciação. a. puberdade. precocemente e prematura, ocasiona o amadurecimento também precoce e que esse amadurecimento não é condizente com o amadurecimento cognitivo e emocional da adolescente. A inserção na puberdade mais cedo, geralmente ocasiona um amadurecimento biológico que não necessariamente vai coincidir com o amadurecimento cognitivo e emocional, apresentando, portanto, como um fator de risco para um início da atividade sexual prematura e suas negativas consequências. As adolescentes do sexo feminino que entram na puberdade mais cedem do que a média, apresentam tendência maior a ter experiência sexual precoce (FIGUEREDO, p. 291 – 302, 2002).. Observa-se que cada vez precoce, às crianças assumem o papel social de adolescente, e consequência desse movimento, assumem o papel de adultos. É fundamental reafirmar que somente em alguns segmentos da sociedade é possível que a passagem para o mundo adulto seja feita progressivamente. Entretanto, países com alta concentração de pobreza e desigualdade, como o Brasil, segundo (PRESTA; ALMEIDA, 2008). a paternidade na adolescência pode aparecer como um elemento que, em muitas ocasiões, contribui para uma transição mais abrupta para o universo adulto, com a entrada precoce no mercado de trabalho, a evasão escolar, redefinição de sonhos, planos e abdicação de vivências típicas da adolescência, em função do sustento familiar e da dedicação à família (PRESTA; ALMEIDA, 2008)..

(14) 13. Assim, BUENO (2006), vai dizer que a puberdade feminina trás variações de pessoa para pessoa e que nesse momento surgem muitas mudanças tanto físicas, emocionais e de comportamento. A puberdade feminina apresenta seu início, geralmente entre 11 e 14 anos, variando de pessoa para pessoa. Em geral, a primeira menstruação (menarca) coincide com o surgimento de uma série de transformações do corpo que já se vinham manifestando na fase conhecida como pré-puberal. Consensual que a idade em que uma mulher atinge a puberdade é bastante variável e influenciada por fatores pessoais e ambientais. Não é incomum a puberdade começar um pouco mais cedo ou um pouco mais tarde que a média e entre os muitos fatores de influência, se inclui a hereditariedade, o grupo étnico, o tipo do corpo, nutrição, estilo de vida, toxinas ambientais, etc. (BUENO, 2006).. FREITAS (2003), também define que o surgimento da menarca nas meninas é um momento em que marca o estágio de amadurecimento para a reprodução, mesmo que ainda não tenha alcançado a totalidade das funções reprodutivas. O surgimento da menarca marca o estágio do amadurecimento uterino e aponta que o corpo está pronto para a capacidade de reprodução, mas não significa que a adolescente tenha atingido o grau máximo de função reprodutiva (FREITAS, 2003).. Uma gravidez na adolescência provocaria mudanças maiores ainda na transformação que vinha ocorrendo de forma natural. Ainda observa-se que neste caso, muitas vezes a adolescente precisaria de um importante apoio do mundo adulto para saber lidar com esta nova situação (HALBE, 2000). É importante saber que adolescente não são “pequenos adultos”, pois nesta fase da vida o cérebro passa por um longo período de aprendizado, de pelo menos dez anos. Por tanto, continua muito sensível às influências do ambiente, sejam essas influências boas ou más. BUENO (2006) relata que muitas transformações ocorrem no momento da. puberdade. e. que. essas. transformações,. podem. tanto. alterar. comportamentos e atitudes. Desta forma, pode-se dizer que a puberdade é marcada por transformações significativas, tanto biológicas como psicológicas e sociais. A transformação biológica do ponto de vista cultural é a transformação do estado não reprodutivo ao reprodutivo. Na mulher, observa-se alargamento dos quadris e maior deposição de gordura, aparecimento de pelos pubianos e axilares,.

(15) 14 desenvolvimento mamário, menarca e início dos ciclos ovulatórios. Mas a puberdade não proporciona apenas mudanças físicas, mas, sobretudo psicológicas. As alterações hormonais despertam a sensibilidade sexual e, consequentemente, é neste período que muitos adolescentes começam esporadicamente a ter relações sexuais (BUENO, 2006).. E nesse momento de transição e descoberta da sexualidade, surgem também as dificuldades de comunicação, muitas vezes isolamento e consequentemente a gravidez não planejada. A vida sexual de todas as pessoas é formada por fases, marcadas por fatos que mostram o início e o termino de mudanças significativas. Para a mulher, essas etapas são especialmente assinaladas por transformações orgânicas. A primeira menstruação, a primeira relação sexual, a primeira gravidez e a última menstruação (pubarca) evidenciam mudanças significativas que podem ser fontes de conflitos, ansiedades e inseguranças (GOMES, p.408 – 414, 2002).. Pode-se dizer que neste momento de transformações que fazem parte do ciclo de vida de toda mulher, o inicio da vida sexual é importante para que as outras fases aconteçam de forma plena e os conflitos que o autor em questão relata possam ser amenizados, para que no futuro as mulheres não venham a sofrer com as consequências de um início de vida sexual sem planejamento. A prática da sexualidade apresenta como base três condições que são mais relevantes, sendo elas: a história, a cultural, e social (SAITO, p. 692 – 693, 2003). De acordo com o ponto de vista histórico, a visão da sexualidade no tempo ajuda no entendimento não como proposta individual, mas sim vinculada a relações de poder de ordem político-econômica, cultural, social, religiosa, moral, ética, subordinando o comportamento sexual do indivíduo a valores e instituições que envolvem de forma dinâmica cada época e que podem ser sob múltiplos aspectos transpostos para os dias de hoje (BIÉ; DIOGENES; MOURA, p. 125 – 130, 2006).. Cada vez mais dependentes de padrões culturais, os papéis sexuais podem ser definidos como sendo o conjunto de comportamentos e condutas esperadas do indivíduo, conforme seu gênero. Esses papéis modificam de acordo com a época, local, e grupo, (HALBE, 2000)..

(16) 15. Sendo assim, o comportamento sexual do adolescente pode ser visualizado como sendo mais resultado de condições do ambiente do que meramente um efeito derivado de transformações hormonais, pois é no ambiente que se podem encontrar as condições que favorecem a sua manifestação (BUENO, 2006). A questão da influência da sociedade é determinante no comportamento sexual. É ela quem classificar este comportamento desde o “ficar” até o namorar. “Ficar” significa um tipo de relacionamento íntimo sem compromisso de fidelidade entre os parceiros. Num ambiente social (festa, boate, barzinho) dois jovens sentem-se atraídos, dançam conversam e ficam juntos aquela noite. Esta relação poderá acontecer beijos, abraços, colar de corpos e até uma relação sexual completa, desde que ambos queiram (BUENO, 2006).. No texto o autor faz menção à estimulação dos instintos natural de todo o ser humano, principalmente nesta fase em que os hormônios estão aflorando. É comum que adolescentes tenham curiosidade sobre sexo e vontade de experimentar algumas coisas. Mas isso deve acontecer de forma natural e não prematuramente de tal forma que venha prejudicar seu desenvolvimento. SANTOS (2006) vai dizer que o adolescente nesta fase deseja exibir seus instintos como forma de provar a sociedade que já é um “homem”. O impulso pelo adolescente, de efetuar a exibição de seus instintos, juntamente com a necessidade de provar a si mesmo sua virilidade e sua independente determinação em conquistar outra pessoa do sexo oposto, contraria com facilidade as normas tradicionais da sociedade e os aconselhamentos familiares e começa, avidamente, o exercício de sua sexualidade (SANTOS p. 4–5, 2006).. Assim, o momento de transição e surgimento dos instintos naturais no ciclo humano tanto no homem como na mulher, na fase adolescente passa por dificuldades que podem repercutir em seu meio social segundo FIGUEIREDO (2002). Mesmo com todo desenvolvimento social, cultural e tecnológico ocorrido no século XX, informações relacionadas aos aspectos de crescimento e desenvolvimento biopsicossocial, não tem alcançado de forma ampla e adequada a maior parte dos adolescentes, ocasionando entre estes altos índices de desinformação sobre diferentes aspectos (FIGUEREDO, p. 291-302, 2002)..

(17) 16. 1.1 Aspectos psicológicos da gravidez na adolescência. O adolescente é portador de um saber, o saber inconsciente de que está caminhando em uma direção inexorável, a vida adulta o que faz se defrontar como uma série de escolhas que deverão ser feitas, a seu tempo, antes que chegue o momento final de tronar-se adulto. De qualquer forma, não se é mais criança, e esse fato coloca sobre o adolescente a tarefa de constituir sua nova identidade, com vistas a reorganizar suas próprias narrativas sobre si mesmo e também com o intuito de representa-lo satisfatoriamente perante seus pares. Uma indecisão que está na beira de decidir, ou seja, uma posição de angústia de tensão interna pelo saber inconsciente de que seu lugar no laço social o confronta todo o momento de que está se direcionando para a esfera da decisão – a posição no laço social em que somos inteiramente responsáveis por nossos atos e decisões (Revista Aurora, p. 18-21, 2013).. Por tanto é um momento de incertezas que provoca angústias internas, que em dado momento vai repercutir no seu meio de convívio social. Segundo (LEVANDOWSKI, PICCININI, LOPES, 2008), uma jovem ao engravidar precocemente se vê em meio a um “turbilhão” de sentimentos. Uma jovem adolescente ao saber que esta gravida é cercada de fortes sentimentos. Suas reações geralmente são de três padrões: (alegria), negativa (nervosismo, preocupação medo, rejeição) e ambivalente. Os medos mais comuns estão relacionados ao parto, a saúde da criança, ao risco de aborto, a troca de papéis (antes filha, agora mãe) e a insegurança de não saber cuidar do bebê. A dificuldade de enfretamento desses medos está diretamente relacionada à falta de apoio do parceiro e da família da jovem (LEVANDOWSKI; PICCININI; LOPES, 2008).. E os sentimentos exacerbados pela adolescente numa gravidez não planejada e não desejada, gera conflitos que vai desde a insegurança, rejeição e a não aceitação social. Segundo OLIVEIRA, GONTIJO, MEDEIROS (2008), a gravidez pode ser entendida como um momento em que se processa o amadurecimento da adolescente, pois se vê obrigada a ter os cuidados necessários ao bebe, passando subitamente da fase jovem, ou adolescente para a fase adulta..

(18) 17. Onde as responsabilidades são maiores e cobradas pelos adultos em seu meio social. A gravidez pode ser entendida como um momento de amadurecimento, as responsabilidades do cuidado com o bebê e o reconhecimento social como mãe contribui para esse salto de maturidade. Pode-se entender que um indivíduo saiu da adolescência e iniciou a fase adulta quando faz 20 anos, ou quando sai da casa dos pais e adquire sua independência financeira ou quando se torna pai ou mãe. A demarcação dessas fases de vida é complexa e envolve vários conceitos do “ser adulto”. Podemos inferir que muitas das adolescentes que engravidam fazem essa transição (OLIVEIRA, 2008; GONTIJO; MEDEIROS, 2008).. As jovens gravidas têm uma visão romântica da maternidade, o sentimento de alegria por estar gravida tem um imaginário da formação de uma família perfeita e cercada de felicidade. Nesse imaginário tem-se a visão da beleza de ser mãe e da crença de ser aquela uma relação duradora de amor genuíno. Essa visão começa a mudar ao nascimento da criança com a chegada da responsabilidade podendo a mesma relatar que a criança é um peso em sua vida (GONTIJO; MEDEIROS, 2008; TRINDADE, 2005). A insegurança e o medo em relação às reações do parceiro e da família acompanham muitas jovens. A dinâmica familiar, na casa da mãe adolescente solteira, tem de sofrer um remodelamento. A relação do namoro ou um casamento que se inicia é cercado de mudanças que geram insegurança e medo na jovem mãe. A adolescente tem de assumir a responsabilidade por sua gravidez, mudar seu comportamento social e assumir o cuidado do filho que vai nascer. Esse comportamento é esperado pela rede de apoio familiar (TRINDADE, 2005; SILVA; TONETE, 2006). Elas se sentem inseguras em relação às mudanças corporais da gravidez e ao momento do parto. E o medo do desconhecido e as dificuldades econômicas que muitas vezes leva a jovem a pensar em interromper a gravidez. Algumas delas tentam fazer uso de medicamentos abortivos e ou se submetem a procedimentos perigosos para tentar abortar (TRINDADE, 2005). Ao adquirir personalidade própria, o jovem geralmente se distancia da família, procurando maior autonomia. Com isso, a sua vida social se modifica: passa a preferir a companhia de outro adolescente, recusando a dos pais e.

(19) 18. irmãos. Os amigos da mesma idade passam a se pessoas mais importante. Começa a vestir-se de acordo com o figurino do grupo, a falar a sua linguagem, a frequentar lugares diferentes, a chegar mais tarde em casa. Ao engravidar, a jovem tem de enfrentar, paralelamente, tanto os processos de transformação da adolescência com os da gestação. Assim, observa-se nesta fase, a representação de uma sobrecarga de esforços físicos e psicológicos tão grandes que para ser bem suportada necessitaria apoiar-se num claro desejo de torna-se mãe. Porém, geralmente, não é o que acontece: as jovens se assustam e angustiam-se ao constatar que lhes aconteceu algo imprevisto e indesejado. Só este fato torna necessário que seja alvo de cuidados materiais e médicos apropriados, de solidariedade humana e amparo afetivo especial. Entretanto a questão e que, na maioria dos casos, essas condições também não existem, não ocorre apoio nem psicológico nem de qualquer outra espécie, pois a família também não esta adequadamente preparada para a nova situação.. CAPÍTULO II - Gravidez na adolescência - Uma questão social.. A gravidez na adolescência quando ocorre não planejada em todo Brasil é um. problema. que. se. apresenta. de. forma. intensa. em. países. em. desenvolvimento, como é o caso do Brasil. As consequências de gravidez não planejada e não desejada para o país ocasiona além de conflitos familiares que acabam por repercutir na sociedade, também aumentam os gastos com saúde pública, tendo em vista que a maioria das adolescentes grávidas não possuem plano de saúde. Assim, o significado da gravidez varia muito de acordo com o contexto social em que adolescente está inserida e observa-se que nas classes socioeconômicas mais baixas a vontade de ter filhos aparece precocemente, com valorização maior da gravidez. Os estudos e a carreira no mercado trabalho faz com que essas adolescentes encontrem na gravidez e no papel social de ser mãe um objetivo para suas vidas. ROCHA, MINERVINO (2008), vai dizer que a adolescente grávida tem um ideal de maternidade que pode trazer-lhe conforto, tanto do parceiro como da.

(20) 19. própria família, “Há uma idealização que uma criança possa trazer conforto, companhia e apoio de seu parceiro amado” (ROCHA; MINERVINO, p. 242-247, 2008). HOGA, vai também propor a reflexão que neste contexto a adolescente grávida acha na gravidez conforto e amparo. Diante dessa questão, a gravidez na adolescência apresenta como solução, e não um problema para essas jovens. Lembrando que essa jovem mãe tem mais risco de abandonar a escola e deve ter mais dificuldade para se inserir no mercado de trabalho após seu parto. Seu companheiro, muitas vezes, adolescente também, pode não ter condições para assumir financeiramente essa criança (HOGA, 2008).. Entretanto, na Conferencia Internacional de População e Desenvolvimento, evento esse que aconteceu na cidade de Cairo em 1994, ficou concebido os direitos da mulher em relação ao processo de reprodução e concepção, movimento que deixou mais claros os direitos das mulheres naquele pais e no mundo, sendo um importante marco histórico. Segundo MINAS GERAIS (2007). Observa-se que desde a Conferência Internacional de População e Desenvolvimento do Cairo, em 1994 e desde a conferência Mundial da Mulher em 1995, em Pequim ficou o conceito do direito ao planejamento familiar. O homem e a mulher têm direito à informação, à educação e a serviços para regular sua fertilidade, podendo assim decidir de forma responsável sobre o seu comportamento reprodutivo sexual e reprodutiva está incluída entre ações. Espera-se que se tenha uma equipe multidisciplinar preparada para abordar o adolescente na unidade de saúde e na escola e que os profissionais de saúde trabalhem com os atores sociais em sua comunidade. Entender a cultura local, fazer parceria com as escolas, trabalhar a família, e mobilizar a mídia são ações de responsabilidade da atenção primaria (MINAS GERAIS, p. 152, 2007).. O alto crescimento por parte da sociedade, da libertação de certos comportamentos, em especifico o sexual, leva ao favorecimento do aumento da gravidez no período da adolescência, em função do desconhecimento do próprio corpo enquanto função reprodutora (Bueno, 2006). A atividade sexual iniciada em idades mais jovens mostrou que a comunicação efetiva entre pais e filhos sobre questões sexuais pode deter a gravidez na adolescência (BRASIL, 2000). Segundo YAZLLE; FRANCO E MICHELAZZO (2009):.

(21) 20. A gravidez nessa fase da vida tem sido considerada como fator de risco, do ponto de vista médico tanto para a mãe como para o filho e, também como fator agravante ou desencadeador de transtornos psicológicos e sociais. Vários estudos fazem referencias a maior incidência de complicações durante a gestação de adolescentes, tais como abortamento espontâneo, restrição de crescimento intrauterino, diabetes gestacional, pré-eclâmpsia, parto prematuro, sofrimento fetal intraparto e parto por cesárea. Por ocasião do parto normal, tem sido referida maior incidência de lesões vaginais e perineais. São citados, ainda, maior frequência de deiscência de sutura e dificuldade de amamentação Em relação às repercussões psicológicas, tem sido relatado aumento do número de casos de depressão pós- parto. Dentre as complicações referentes ao recém-nascido, observam-se maus tratos e descuidos, o que pode se estender à criança com mais idade. Na infância, principalmente no primeiro ano de vida, tem sido referida maior incidência de desnutrição e acidentes domiciliares.. E segundo SANTOS (2006): O condicionamento de algumas atitudes individuais dos adolescentes é gerado tanto pela família quanto pela sociedade. A sociedade tem sofrido inúmeras transformações em sua estrutura, inclusive aceitando melhor a sexualidade na adolescência, sexo antes do casamento e também a gravidez na adolescência. Portanto, tabus, proibições e estigmas estão diminuindo e a atividade sexual e gravidez aumentando (SANTOS, p.4-5, 2006).. Segundo SANTOS (2006), instituir nas escolas em seu currículo escolar um espaço de discussão sobre a temática da gravidez na adolescência seria primordial para a prevenção de gravidez indesejada. A institucionalização nas escolas, de um espaço para discussão com adolescentes sobre aspectos relacionados ao seu desenvolvimento, vivencia e responsabilidades, além de contribuir para execução de praticas de educação em saúde, através de informações adequadas sobre os cuidados com a saúde, também pode possibilitar o questionamento, a discussão, a reflexão e o estabelecimento de juízo de valores necessários ao pleno desenvolvimento psicossocial (SANTOS, p.4-5, 2006).. Por tanto igualmente, se faz necessário um árduo trabalho de reflexão na sociedade para a compreensão referente aos agravos de uma gravidez na adolescência, principalmente em relação aos métodos utilizados atualmente. E necessário um aumento da compreensão referente a estes agravos no sentido de abordar questões.

(22) 21 relacionadas à sua dimensão social que envolve a vulnerabilidade da mulher frente às questões de gênero, inserção social, conhecimento sobre o assunto, participação dos pais, carência social, base educacional, idade de inicio da vida sexual, promiscuidade. Ou seja, é necessário o trabalho na medicina preventiva, educativa, sendo a educação em saúde pública primordial (GUANILO, p.58-61, 2006).. A principal finalidade da promoção da saúde é de manter a igualdade de oportunidades e oferecer os meios que permitem a todas às pessoas realizar completamente seu potencial de saúde.. 2.1 - Gravidez na adolescência. A frequência de gravidez na adolescência é bastante elevada e contínua crescendo, transformando-se num problema médico e social que tem preocupado os governantes. O número de adolescentes que engravidam aumentou progressivamente e em idades cada vez mais precoce, tem sido algo marcante na atualidade. E segundo FIGUEIREDO (2002) a cada ano as meninas menstruam mais cedo. ...pois a idade média da menarca tem diminuído em torno de quatro meses por década do século XX, sendo que a idade media é de 12,5 a 13,5 anos o que expõe a adolescente ao risco de engravidar cada vez mais cedo (FIGUEREDO, p.291-302, 2002).. Entretanto, segundo BUENO (2006), a gravidez na adolescência não é algo novo. A gravidez na adolescência não é um fato novo, ela sempre existiu. Porém, no passado sua frequência era muito baixa e suas repercussões mínimas; e com isso, não se constituía em problema medico ou social, interessava apenas as famílias envolvidas no caso (Bueno, 2006).. A gravidez na adolescência pode ser considerada uma consequência da emissão de um comportamento de risco da adolescente, como manter relações sexuais sem medidas contraceptivas, utilizá-las inadequadamente ou iniciar precocemente a atividade sexual. O planejamento da gravidez na adolescência, na grande maioria, não é realizado, acontecendo em decorrência de uma atividade sexual não planejada.

(23) 22. e não protegida. E segundo FREITAS (2003), isso se deve ao fato do desconhecimento do próprio corpo, por parte dos adolescentes, entre outros. A falta do conhecimento do funcionamento do próprio corpo, a falta de suporte afetivo dentro das famílias, a busca de reconhecimento e aprovação constantes por parte dos grupos de companheiros e a deficiência de programas adequados têm sido em grande parte os responsáveis pelas estatísticas alarmantes de gravidez na adolescência (FREITAS, 2003).. Psicologicamente, as características gerais da adolescência (a curiosidade, o desejo de experimentação, o pensamento magico, a tendência a transgredir as normas em busca de autoafirmação, a grande intensidade emocional das paixões) contribuem por si mesmas, para tornar a adolescente mais vulneral á gravidez não planejada. A esses fatores gerais somam-se outros, de caráter circunstancial e pessoal. Algumas adolescentes engravidam para preencher vazios emocionais decorrentes da desestruturação familiar, da dificuldade de dialogo com os pais. Outras engravidam na tentativa de prender o parceiro ou de firmar a própria identidade. Segundo BUENO (2006) as adolescentes que iniciam a vida sexual precocemente ou engravidam nesse período, geralmente vêm de famílias cujas mães se assemelharam a essa biografia, ou seja, também iniciaram vida sexual precoce ou engravidaram durante a adolescência. Conforme o Ministério da Saúde (BRASIL, 2000), existem outras condições que também levam a este favorecimento, tais como: ausência de educação sexual nas escolas e de programas de planejamento familiar nos serviços públicos de saúde. As adolescentes gravidas estão inseridas num contexto de conflitos: criança ou mulher, filha ou mãe, não sabendo se comportar diante da gravidez e sem saber que atitude adotar diante da sociedade e consigo mesma. Segundo HALBE (2000), a questão da gravidez no período da adolescência faz parte do processo busca de identidade, procura na qual a adolescente pode ter dificuldade em relação ao espaço e ao tempo, e que a faz assumir atitudes de. rebeldia,. buscar grupos. menores. ou. até. marginalizados. que. a. compreendam tentar soluções mágicas para seus problemas, criar juízos de.

(24) 23. valores e desprezar o que os adultos lhe impuseram e por isto desenvolver atitudes agressivas com aqueles à sua volta. As consequências indesejáveis da gravidez no período da adolescência não basicamente biológicas, mas, sobretudo as psicossociais, culturais e econômicas. Atualmente a adolescência passou a ser considerada como período para atividade escolar e para preparação profissional no contexto de dependência familiar, tanto econômica quanto emocional. E segundo GOMES (2002, p. 405 -414), quando ocorre a gravidez a jovem tem de realizar, de uma só vez, tanto os ajustes exigidos por esse novo estado quanto os exigidos pela adolescência. E, naturalmente, quanto mais precoce a gravidez, maior a sobrecarga de conflitos a serem elaborados. O fato de virar mãe no começo da vida reprodutiva antecipa a maturidade biológica, e precipita momentos socialmente institucionalizados para a reprodução, com claras implicações para a constituição de família e a organização social dominante. Ainda, segundo (BRASIL, 2000): As expectativas sociais diante da idade para o inicio da reprodução, no entanto, alteram-se cultural e historicamente, e a gravidez, no período modernamente chamado de adolescência, é abordada de modo diferente de décadas passadas (BRASIL, 2000).. E segundo FREITAS (2003): Neste sentido, uma gravidez na adolescência pode não se configurar necessariamente como um transtorno ou uma perturbação na trajetória juvenil, pois a juventude guarda suas especificidades em termos de classe, gênero e etnia, perspectiva esta que se alinha à noção de construção social das idades (FREITAS, 2003).. Assim, observa-se que engravidar na fase da adolescência é um fato agravante tendo em vista as complicações em todos os aspectos da vida da adolescente. Engravidar nesta fase gera complicações, tanto no que diz respeito ao fator social como no fator biológico e delicado na vida de uma mulher: a adolescência e a gravidez (LIRA; DIMENSTEIN, p. 37-45,2004).. Pois a vida de uma adolescente muda completamente quando a mesma fica grávida, gerando também conflitos no meio familiar, na escola e até mesmo em seu núcleo de amigos..

(25) 24. SANTOS e SILVA (2000) dizem que é preciso vencer preconceitos, entender que as adolescentes vivem em uma fase de experimentações e que tudo é novo para elas nessa fase de transição.. CAPÍTULO III - Contracepção na adolescência. No momento em que o adolescente começa a pensar na anticoncepção, é porque já assumiu interiormente que as atividades sexuais fazem parte de sua vida. É comum no inicio da vida sexual a dificuldade de assumir as atividades como naturais e até planejadas. Quando as relações ocorrem de forma inesperada, porque “foi coisa do momento”, parecem menos carregadas de culpa segundo FREITAS (2003). No. Brasil,. pressões. legais. advindas. da. sociedade. dificultam. o. aconselhamento dos adolescentes sobre questões referentes à contracepção e as adolescentes brasileiras, iniciam sua vida sexual cada vez mais cedo. Outro fato agravante é que além de iniciarem sua vida sexual muito cedo, as adolescentes também são vítimas de abusos sexuais, por vezes até mesmo por parentes próximos. Observa-se também que algumas adolescentes precisam ter relações sexuais para afirmar sua feminilidade, e por trás disso, geralmente existe um substrato de problemas sociais ou econômicos, segundo Gomes (2002. P. 408 – 414). O uso de métodos contraceptivos não acontece de maneira eficiente na adolescência, e esta questão está entrelaçada inclusive aos fatores psicológicos inerentes ao período, pois a adolescente nega a possibilidade de engravidar essa negação é tanto maior quanto menor a faixa etária. O encontro sexual é mantido de forma eventual, não justificando, conforme acredita o uso rotineiro da contracepção. A. adolescente. possui. argumentos. para. relatar. as. vantagens. e. desvantagens de cada meio de prevenção, mas por imaturidade emocional, pelo sentimento de culpa em relação a sua sexualidade ativa e por uma serie de coisas que produz medo nas adolescentes (faz mal a saúde, engorda, produz câncer, deixa estéril), a utilização de métodos contraceptivos se torna.

(26) 25. complicada ameaçando a disposição para assumir qualquer um que seja. Os adolescentes. que. optam. por. medidas. anticoncepcionais,. geralmente. apresentam maior maturidade de ego. Ainda segundo (HALBE, 2000): O comportamento sexual mais desprotegido possuem dificuldades em desenvolver relações intimas com adultos e colegas e não planeja o futuro, tem impulsividade (HALBE, 2000).. De acordo com GOMES (2002): Na visão da medicina, a questão da anticoncepção na fase da adolescência não apresenta grandes desafios. Como em qualquer faixa etária, a escolha do método anticoncepcional deve ser livre e informada, respeitando os critérios de elegibilidade médica. É importante salientar que, contrariando preconceitos fortemente enraizados na cultura médica, mas sem fundamento cientifico, não há nenhum método anticoncepcional que não possa ser utilizado na adolescência depois da menarca (GOMES, p.408-414, 2002).. Existem inúmeras formas reversíveis, e todas estas, sejam elas de comportamentos, de barreiras, hormonais ou intrauterinos, podem com maior ou menor restrição, ser utilizadas no período da adolescência. Entretanto, apenas os preservativos masculinos ou femininos protegem também as doenças sexualmente transmissíveis. Em geral, os jovens não têm uma vida sexual regular, o preservativo, além da dupla proteção contraceptiva e contra as DSTs, tem vantagem de ser usado apenas no momento do ato sexual (BRASIL, 2000). Alguns exemplos de métodos comportamentais são a tabelinha, muco cervical e de temperatura, a estes fazem exigência de ausência de sexo no período fértil. Esses métodos apresentam pouca eficiência para a grande maioria dos adolescentes em consequência da dificuldade em seguir suas regras. Às vezes, as relações sexuais ocorrem sem planejamento prévio, podendo coincidir com o período que deveria ser abstinência implicando a quebra do uso do método. Exigindo uma prescrição e acompanhamento médico, aparecem os métodos hormonais ou intrauterinos. Nos dias atuais, a anticoncepção de emergência foi introduzida à lista de anticoncepcionais distribuídos pelo Ministério da Saúde ou serviços de.

(27) 26. planejamento familiar. Mas só deve ser usada em casos excepcionais. O uso da anticoncepção de emergência é um indício da necessidade de orientação sobre o uso de meios de prevenção e proteção da sua saúde sexual e reprodutiva. De acordo com BORUCHOVITCH (1992): Os métodos com contraindicação absoluta na adolescência são os irreversíveis, dificilmente os jovens não tem uma opinião definitiva sobre o futuro de sua vida reprodutiva. Portanto, a laqueadura e a vasectomia não devem fazer parte de opções para o adolescente (BORUCHOVITCH, 1992).. De acordo com o autor os métodos que tem por finalidade a esterilização do adolescente, não deve ser uma prática na saúde pública brasileira. Ainda, segundo CABRAL (2003): ...quanto mais cedo o adolescente inicia o relacionamento sexual, menores são as possibilidades da utilização de métodos contraceptivos e, consequentemente maiores são as possibilidades de gravidez. Da mesma forma, é estabelecida uma correlação entre escolaridade e contracepção: quanto maior o grau de escolaridade do jovem, maiores são as chances de utilização de algum método tanto na primeira relação sexual quanto nas subsequentes. De acordo com esta autora, o parceiro frequentemente também adolescente, com as mesmas dúvidas e ansiedades, o que não contribui para aumentar a utilização de qualquer método de proteção (CABRAL, p.283-292, 2003).. Por tanto de acordo com SAITO (p.692-693, 2003), inexiste um método anticoncepcional exclusivo para ser utilizado na fase da adolescência. A realidade é muito mais complicada e, antes de se optar por um método, alguns critérios devem ser cuidadosamente observados como: a idade da adolescente, a estabilidade do casal, idade cronológica do parceiro sexual e seu interesse e motivação a pratica contraceptiva. E se a consulta é prévia ou não ao inicio das relações sexuais, a frequência das relações sexuais, a existência de gestações anteriores, o conhecimento dos pais ou responsáveis acerca das práticas sexuais, a existência de gestações anteriores, o conhecimento dos pais ou responsáveis acerca das práticas sexuais em questão, a maturidade física ou psicológica, o exame clinico geral e ginecológico, dentre outros..

(28) 27. 3.1 Politicas de Saúde Públicas para Prevenção de Gravidez. É também tarefa do município, por meio de sua Secretaria de saúde e educação, propor ações que visem à melhoria deste quadro crítico. Ações preventivas, para gravidez na adolescência é também para doenças sexualmente transmissíveis, as (DSTs), devem ser inseridas em vários níveis da sociedade, tendo sob a responsabilidade vários setores. O papel do Estado é fundamental, principalmente no caso de gravidez na adolescência que é relacionado por diversos pesquisadores como sendo em grande parte relacionada baixa escolaridade e a baixa renda. A gestação na adolescência é representada como um grande desafio para os profissionais da saúde, educação, governantes e a sociedade, podendo acarretar sérias consequências. Por tanto devem ser instituídos programas educativos para o esclarecimento sobre sexualidade, doenças sexualmente transmissíveis, métodos contraceptivos, riscos pela não adesão ao pré-natal, específicos para essas adolescentes. Buscando trabalhar com desenvolvimento das habilidades em saúde sexual e reprodutiva do adolescente, na perspectiva da promoção da saúde para a prevenção da gravidez precoce, se torna um desafio para a equipe de saúde da família. De acordo com NOBRE (2001), é fundamental priorizar a assistência médica à gestante adolescente no que se refere à saúde básica. Sabe-se da grande importância da inclusão da família na proteção ao adolescente acerca da sexualidade, por isso, politicas de saúde pública vem sendo ampliada por decretos, leis e portarias que promovam a saúde, educação e o bem estar a esse grupo e que o serviço de saúde e a sociedade entende o processo e conflito em que se encontram as adolescentes grávidas neste país. Por tanto cada vez mais se faz necessário que se intensifiquem as ações de saúde pública, para o trabalho preventivo para esse seguimento da sociedade, como portador de Direito. Assim, embora muitos adolescentes recebam orientação em casa sobre gravidez, ainda assim não estão preparados para o impacto da puberdade..

(29) 28. É de fundamental importância intensificar as ações educativas, em particular, sobre a sexualidade e prevenção da gravidez precoce, por meio de grupos de orientação ao adolescente, seja elas em conversações diretas com as jovens ou em comunidade, a fim de reduzir este fenômeno. Vale ressaltar que quanto maior for sua participação nesses programas de saúde e orientação sexual, melhor será o resultado da adesão a métodos que protejam a gravidez precoce. Assim, entende-se a importância da garantia de saúde a todas as pessoas (Lei 8080/1990): Art. 2º A saúde é um direito fundamental do ser humano, devendo o Estado prover as condições indispensáveis ao seu pleno exercício (LEI 8080/1990).. E a educação em saúde na adolescência deve considerar o contexto familiar e social dessa adolescente, para uma maior efetivação as medidas protetivas. Também a escola precisa estar inserida neste contexto de prevenção, tendo em vista que necessita trabalhar a educação de forma integral em todos os seus aspectos, como por exemplo, a educação sexual e os Parâmetros Curriculares Nacionais, já estabelece isso: A escola que se deseja deve ter uma visão integrada das experiências vividas pelos alunos. Buscando desenvolver o prazer pelo conhecimento, é necessário que ela reconheça que desempenha um papel importante na educação para uma sexualidade ligada à vida, à saúde, ao prazer e ao bem estar, que integra as dimensões do ser humano envolvidas nesse aspecto (PCN 1997, p. 78).. Assim, a escola pode também ser uma aliada na luta contra a gravidez na adolescência tendo em vista que faz parte de sua função preparar o indivíduo para o futuro em todos os seus aspectos, sendo por tanto uma peça fundamental neste seguimento. Entretanto observa-se que a sexualidade ainda é tratada de forma muito fragmentada nas escolas, cheias de tabus, sendo uma das possibilidades de tantas adolescentes grávidas no Brasil, tendo em vista que muitas adolescentes não conseguem dialogar abertamente com os pais..

(30) 29. Também nos Parâmetros Curriculares nacionais estabelece-se que a educação precisa ultrapassar os limites na construção de um cidadão sujeito de sua história com autonomia em todos os âmbitos. A escola, na perspectiva de construção de cidadania, precisa assumir a valorização da cultura de sua própria comunidade e, ao mesmo tempo, buscar ultrapassar seus limites, propiciando às crianças pertencentes aos diferentes grupos sociais o acesso ao saber, tanto no que diz respeito aos conhecimentos socialmente relevantes da cultura brasileira no âmbito nacional e regional como no que faz parte do patrimônio universal da humanidade (Parâmetros Curriculares Nacionais, 1997).. Assim, entende-se que a escola em todos os seus aspectos precisa trabalhar na valorização da construção da cidadania e na garantia do Direito de todas as crianças, inclusive dos adolescentes. Entretanto é importante que a escola esteja aberta a refletir sobre as temáticas vigentes como a gravidez na adolescência de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997). Nessa perspectiva, é essencial a vinculação da escola com as questões sociais e com os valores democráticos, não só do ponto de vista da seleção e tratamento dos conteúdos, como também da própria organização escolar. As normas de funcionamento e os valores, implícitos e explícitos, que regem a atuação das pessoas na escola são determinantes da qualidade do ensino, interferindo de maneira significativa sobre a formação dos alunos (Parâmetros Curriculares Nacionais, 1997).. Ainda sobre a inclusão da educação sexual nas escolas, dentro do currículo é um dos parâmetros estabelecidos nos planos curriculares (1997), como meta a ser alcançada. E no Brasil a inserção da educação sexual na escola deu-se a partir de várias discussões sobre a sexualidade de crianças e de adolescentes e a escola passa a ser um espaço também de intervenção preventiva para cuidar da saúde de adolescentes, embora ainda enfrente muitos tabus por parte da família que muitas vezes ainda se opõe a prática de orientação sexual como parte das ações pedagógicas..

(31) 30. E segundo FREITAS (1999, 6 - 32): Outros autores diferenciam a educação sexual da orientação sexual considera a educação sexual derivada do conceito pedagógico de orientação educacional, definindo-se como um processo de intervenção sistemática na área da sexualidade, realizada principalmente em escolas por um educador ou outro profissional capacitado para tal, e aproxima-se do que denomina-se como educação formal.. Tendo o autor uma visão diferenciada sobre a educação sexual da orientação sexual, buscando refletir sobre o processo interventivo promovido pela escola através de capacitação para os profissionais envolvidos dentro da educação formal. Segundo FURLANI (1997, p. 35): A Educação sexual com adolescente deve ser feito de modo contínuo e permanente, ou pelo menos, deverá durar um bom tempo, para que possam ser discutidas, além de informações, novas atitudes nas pessoas, frente à sexualidade coletiva e a sexualidade individual, ele deve ter a característica de partir das dúvidas existentes nas crianças e jovens dos temas mais urgentes. Todos os jovens têm suas particularidades e interesses. No entanto, minha experiência de pesquisa aponta os seguintes temas, mais comuns, para adolescência: *Iniciação sexual com parceiros (a primeira transa – aspectos práticos e sociais); *Envolvimento sexual e afetivo com pessoa do mesmo sexo; *Autoerotismo (masturbação) em meninos e meninas; *Virgindade; *Sexo seguro (evitando a gravidez e as DSTs); *As desigualdades sociais frente aos sexos - discussão de gênero e como a sociedade vê homens e mulheres frente à sexualidade; *O ritual sociocultural na adolescência atual (o ficar).. A educação sobre sexualidade precisa ser realizada dentro de um contexto de aceitação por parte das adolescentes, tendo em vista que rejeitam tudo aquilo que é estranho ao seu grupo social e também a educação preventiva sobre sexualidade necessita ser trabalhada por profissionais capacitados. Por outro lado, embora para a sociedade o fato das adolescentes ficarem grávidas prematuramente e isso ser um motivo de grande.

(32) 31. preocupação, tanto para os pais, como para os Governantes que precisam investir cada vez mais em políticas públicas para esse seguimento. Assim, segundo JOFFITY(2003), a gravidez entre adolescente nem sempre é um fato inconsequente e desastroso, principalmente quando existe uma relação afetiva estável entre esses adolescentes, sendo por tanto sofrimento para os que estão em seu ciclo social e não propriamente para eles..

(33) 32. CONCLUSÃO. Este estudo colocou em evidência a informação e o conhecimento dos adolescentes em relação inadequado às questões de sexualidade e prevenção da gravidez na adolescência. A partir dessa revisão de literatura consegue-se apontar os aspectos psicológicos, sociais e da sexualidade dessas vivencias. Visualiza-se de acordo com este trabalho também, a precocidade da puberdade, que pode ser explicada não só como interferência do biológico, mas como interferência de fatores sociais, como o aumento da liberdade, a quebra de tabus, influência da mídia no comportamento. A adolescência é uma fase muito conturbada na maioria das vezes, em razões das descobertas, das ideias opostas às dos pais e irmãos, formação de identidade que ocorre em um processo lento e de longa duração, processo este que confronta dentro de si. Nesta fase a adolescente é obrigada a fazer uma mudança de sua imagem corporal e assumir o papel de mãe. Constatou-se que juntamente com a menarca antecipada têm inicio da atividade sexual, que expõe a adolescente um tempo mais longo de atividade sexual ativa, aumentando as chances de uma gravidez indesejada e de contrair DST. A proposta inicial e imediata é a criação de atividades que envolvam a educação sexual utilizando palestras educativas para orientar esse público alvo. Muitas meninas sofrem por constrangimentos e dúvidas tanto na hora da prevenção quanto a hora de procurar ajuda da família e da equipe de saúde, pois a sexualidade e um tema que deve ser cuidadosamente trabalhado para que a população e os profissionais de saúde passem a reconhecer e a tratar essa questão como um problema de saúde pública. Considerando também que estas propostas precisam estar respaldadas nas leis especificas que reage o assunto, dando condições reais aos jovens de exercitarem sua cidadania. Entende-se que as ações devem ser estruturadas de forma que este que confronta dentro de si, possibilita ao jovem ter oportunidade de refletir sobre valores e atitudes, fortalecendo-os diante de suas vulnerabilidades..

(34) 33. Sugere-se ainda, que haja um maior aprofundamento acerca dessa problemática, a fim de atender as necessidades de informações. E nas unidades de saúde são necessárias intervenções educativas multidisciplinares para esses jovens, para os pais e toda a comunidade. Conclui-se que através do presente estudo foi possível observar a crescente demanda de adolescentes gravidas pelo Brasil e que são atendidas pelo sistema único de saúde, sendo na sua maioria advindas de família pobres. Por tanto se faz necessário outras pesquisas sobre as medidas interventivas aplicadas nas unidades de saúde e uma reflexão cada vez maior sobre a efetividade dos métodos utilizados, tendo em vista que embora todas as tecnologias a disposição das adolescentes, sendo uma das formas de repasse de informação sobre medidas de prevenção a gravidez indesejada, observa-se que o número de adolescente grávida aumenta a cada ano. Assim a análise permitiu identificar o quanto é urgente à definição de novas metodologias de prevenção, a fim de prevenir que as adolescentes fiquem grávidas prematuramente e importância de se trabalhar a questão através de políticas públicas integradas..

(35) 34. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. BORUCHOVITCH, E. Fatores associados a não utilização de anticoncepcionais na adolescência. Revista Saúde Pública; São Paulo, v.26, n.6,1992. BIÉ, A.P.A.; DIOGENES, M.A.R.; MOURA, E. R. F. Planejamento Familiar: o que os adolescentes sabem? RBPS; 19 (3): 125 – 130, 2006. Ministério da Saúde. Prevenir é sempre melhor. Brasília: Ministério da Saúde, 2000. CORREA, A. C.P. Paternidade na adolescência: Vivencia e significados no olhar de homens que experimentaram. (Tese de Doutorado). São Paulo: Universidade de São Paulo, 2005. CABRAL, C. S. Contracepção e gravidez na adolescência na perspectiva de jovens pais de uma comunidade. Favelada do Rio de Janeiro. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, V. 19, Sup. 2: 283 – 292, 2003. FIGUEREDO, A. C. Condições de vida e saúde reprodutiva de adolescentes na comunidade de roda de Fogo. Revista Brasileira Materno Infantil, Recife, V.2, n. 3, p. 291 – 302, set. / dez. 2002. GOMES, R. et al. A visão da pediatria acerca da gravidez. Revista Latino Americana de Enfermagem. Ribeirão Preto, V. 10, n.3, p.408 – 414, mai. / jun. 2002. GONTIJO, T.O. ; MEDEIROS, M. “Tava Morta e Vivi”: significado de maternidade para adolescentes com experiência de vida nas ruas. Caderno Saúde Pública, V.24, n. 2, Rio de Janeiro, Fev. 2008. GUANILO, M. C. T. U. Papilomavírus Humano e Neoplasia Cervical: A Produção Cientifica dos Países da America Latina e Caribe nos últimos 11 anos. DST – J BRAS. Doenças Sex.Tranm 18 (1): 58 – 61, 2006. HOGA, L. A. K. Maternidade na adolescência em uma comunidade de baixa renda: expectativas revelados pela história oral. Rev.Latino – Am. Enfermagem, V. 16, n. 2, ribeirão Preto, Março / Apr.2008..

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