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Texto 1:
Em 1872, Charles Darwin escreveu que o choro é um "incidente, tão sem propósito quanto a secreção de lágrimas provocadas por um golpe exterior ao olho". O naturalista britânico desvalorizava a capacidade emocional desse processo fisiológico, ignorando que envolve o sistema límbico (localizado no cérebro e responsável pelas emoções).
Contudo, as lágrimas emocionais (seremos, segundo o psicólogo holandês Ad Vingerhoets, os únicos animais a produzi-las) ajudam a cumprir a missão de serem vistas pelos outros para com eles criar laços, para demonstrar tanto tristeza como felicidade.
Um estudo da Universidade de Minnesota, nos EUA, constatou que 88% das pessoas pesquisadas sentiram-se aliviadas depois de chorar. Daí que reprimir essa resposta fisiológica seja um erro porque pode prejudicar a saúde mental. Como diria o psiquiatra britânico Henry Maudsley: "A tristeza que não encontra escape nas lágrimas pode fazer os outros órgãos chorarem”.
https://www.lusiadas.pt/blog/prevencao-estilo-vida/bem-estar/ciencia-explica-porque-choramos (Adaptado)
Texto 2:
Segundo o escritor Juan Murube, as lágrimas emocionais podem ser identificadas, em linhas gerais, como
“pedidos de ajuda” (dor física, medo, raiva, humilhação, solidão, tristeza) ou como “oferecimentos de ajuda”
(solidariedade, entrega religiosa, amor passional, amor humanitário, lembranças sentimentais, alegria).
Do choro do recém-nascido ao pranto no leito de morte, as lágrimas funcionam como palavras – que podem ser sinceras ou estratégicas, copiosas ou escassas. As pessoas que reprimem o próprio choro perdem um importante canal de diálogo.
As manifestações afetivas, como o choro, são também marcadas pelo momento histórico. Aos homens, na Grécia antiga, era permitido chorar – mas, entre as mulheres, tal gesto não era bem-visto. A expressão dos sentimentos, para os gregos, era uma atitude masculina.
“Estudar as diferentes culturas e suas manifestações é a melhor maneira de compreender o que significa chorar”, afirma o professor Tom Lutz, da Universidade de Iowa, nos Estados Unidos.
Existem as lágrimas de heroísmo e de consideração: quando Rolando, o guerreiro mais famoso da França medieval, morreu, conta-se que mais de 20 000 cavaleiros choraram tão profusamente que muitos desmaiaram e caíram do próprio cavalo.
https://super.abril.com.br/comportamento/por-que-choramos/ (Adaptado)
2 -
historiadasartes.com
Texto 5:
A obra da artista Raylander Mártis, presente na II Mostra do Programa de Exposições 2018, fala da ausência de representações do choro do homem ao longo da História da Arte; também fala, de acordo com a artista Maíra Vaz Valente, das “impossibilidades e interditos de uma estrutura de condicionamento das emoções do sujeito/homem. Não há representação do choro na Arte a não ser na representação do choro da mulher, que é curiosamente arquitetada por mãos masculinas. Homens não choram na História da Arte, mas pintam mulheres chorando.
http://centrocultural.sp.gov.br/2020/03/09/programa-de-exposicoes-2018-raylander-martis/ (Adaptado)
Considerando as ideias apresentadas nos textos e também outras informações que julgar pertinentes, redija uma dissertação em prosa, na qual você exponha seu ponto de vista sobre o tema: As diferentes faces do choro .
Autoria:Maria Aparecida Custódio
Folheto 1
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4 -
Critérios Fuvest
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Espera-se que, já no primeito parágrafo, os alunos apresentem o tema proposto, a saber, as diferentes manifestações do choro, reconhecendo tratar-se, no caso das emoções, de um tema universal e atemporal, presente apenas nos seres humanos. Os parágrafos de desenvolvimento serão reservados a argumentos que justifiquem o ponto de vista adotado (exemplos atuais ou passados, notícias, referências históricas, científicas literárias etc.) A conclusão deverár mostrar-se coerente com a tese e argumentação.
De tempos em tempos, os índios tupi-guaranis, que habitam o centro-sul do Brasil, deixam a aldeia onde estão estabelecidos e seguem para o leste, em busca da Terra sem Males – um lugar onde, segundo a tradição, não existe morte. Conta um relato antropológico da primeira década do século XX que, certa vez, um dos índios mais velhos da tribo desatou a chorar e não parou mais. Ele havia sonhado que o grupo devia abandonar imediatamente a aldeia. A emoção do velho com a proximidade da partida fez com que todos se comovessem e chorassem juntos. A choradeira, de horas a fio, teve conotação de despedida, mas também foi sinal de solidariedade e integração do grupo.
Há muito tempo as lágrimas têm sido associadas à santidade. Existe também a conotação de penitência, em que o choro funciona como meio de redenção. Os evangelhos contam a história da mulher pecadora que lavou os pés de Jesus Cristo com suas lágrimas.
Em competições, como os jogos olímpicos ou o campeonato mundial de futebol, o choro ganha diferentes significados. A busca por resultados e pela superação de limites, a pressão exercida pelas equipes e as emoções extremadas inevitavelmente levam às lágrimas. Existem os choros de tristeza diante da impossibilidade da vitória. Há as lágrimas de alegria, depois de uma conquista difícil, e de alívio, quando os resultados esperados são atingidos.
https://super.abril.com.br/comportamento/por-que-choramos/ (Adaptado)