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pt 1980 265X tce 26 01 e3400015

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demanda e tipo de atendimento realizado em Unidades de

pronto atendimento do mUnicípio de FlorianÓpolis, Brasil

Sonia da Silva Reis Cassettari1, Ana Lúcia Schaefer Ferreira de Mello2

1 Mestre em Enfermagem. Enfermeira da Secretaria Municipal de Saúde. Florianópolis, Santa Catarina, Brasil. E-mail: soninhareis@

gmail.com

2 Doutora em Enfermagem. Professora do Departamento de Odontologia do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem e do

Programa de Pós-Graduação em Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, Santa Catarina, Brasil. E-mail: [email protected]

resUmo

objetivo: caracterizar a demanda de usuários e o tipo de atendimento realizado em Unidades de Pronto Atendimento do município de Florianópolis, Santa Catarina, Brasil, no ano de 2013.

método: trata-se uma pesquisa descritiva e analítica com abordagem quantitativa. Foram coletados dados secundários, obtidos por meio de relatórios gerais e gerenciais do sistema de informação, utilizado pela Secretaria de Saúde da capital.

resultados: constatou-se que os usuários utilizam a Unidade de Pronto Atendimento que está mais próxima de residência e que procuram o serviço por motivos não urgentes, que poderiam ser atendidos na atenção primária.

conclusão: a maioria dos usuários era proveniente do mesmo distrito sanitário da unidade e os motivos dos atendimentos não eram,

precisamente, caracterizados como urgência e emergência. Percebe-se a necessidade de qualiicar a atenção primária como ordenadora do

cuidado e orientar a população sobre quais as atribuições de cada ponto da rede.

descritores: Serviços de saúde. Necessidades e demandas de serviços de saúde. Assistência pré-hospitalar. Serviços médicos de emergência.

demand and tYpe oF care proVided in emerGencY serVices in

tHe citY oF FlorianÓpolis, Brazil

aBstract

objective: this study’s aim was to characterize the demand of patients and the type of care provided in 2013, in emergency services, in the city of Florianópolis, SC, Brazil.

method: this is a descriptive and analytical study with a quantitative approach. Secondary data were collected from general and managerial reports provided by the information system used by the city’s department of health.

results: patients seek the emergency services nearest to their homes for situations not characterized as emergencies and that could be taken care of by primary health care units

conclusion: most patients originate from the same health district in which the emergency service is located and their reasons for seeking care could not be characterized as urgent or emergency situations. There is a need to qualify primary health care as the coordinator of care and instruct the population regarding the role of each service in the network.

descriptors: Health services. Health services needs and demand. Prehospital care. Emergency medical services.

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demanda Y tipo de atenciÓn realizado en Unidades de

emerGencia de la mUnicipalidad de FlorianÓpolis, Brasil

resUmen

objetivo: caracterizar la demanda de usuarios y el tipo de atención en Unidades de Emergencias de la municipalidad de Florianópolis, Santa Catarina, Brasil, en el año 2013.

método: investigación descriptiva y analítica con abordaje cuantitativo. Fueron recolectados datos secundarios, obtenidos a través de relatorías generales y gerenciales del sistema de información, utilizado por la Secretaría de Salud de la capital.

resultados: se constató que los usuarios utilizan la Unidad de Emergencia que está más próxima de la residencia y que procuran el servicio por motivos no urgentes, que podrían ser atendidos en la atención primaria.

conclusión: la mayoría de usuarios era proveniente del mismo distrito sanitario de la unidad y los motivos de atendimientos no eran

precisamente, caracterizados como de urgencia y emergencia. Se percibe la necesidad de caliicar la atención primaria como ordenadora

del cuidado y orientar a la población sobre cuáles son las atribuciones de cada punto de la red.

descriptores: Servicios de salud. Necesidades y demandas de servicios de salud. Asistencia pre-hospitalaria. Servicios médicos de emergencias.

introdUÇÃo

Na perspectiva da estruturação da Rede de Atenção à Saúde (RAS), os pontos de atenção pres-tadores de ações e serviços de saúde têm a mesma relevância no que tange ao alcance dos objetivos comuns à produção da saúde da população. A atenção primária à saúde (APS) deve ser porta de entrada preferencial e canal de comunicação com todos os demais pontos que compõem a RAS, seja de atenção secundária ou terciária, os quais ofer-tam os serviços de maior densidade tecnológica. Entretanto, cada nível de atenção à saúde possui suas atribuições e especiicações na produção da atenção e assistência à saúde.¹

A APS deve apresentar três funções essen-ciais: a resolubilidade - resolver mais de 85% dos problemas de saúde da sua população; a comuni-cação - articular-se com os demais pontos da rede, sendo capaz de ordenar os luxos e contra luxos das pessoas nesses pontos; e a responsabilização - ser responsável pelas ações de saúde de seu território de abrangência. Para os pontos de atenção secundária e terciária não existe uma coniguração única de rede capaz de atender às necessidades de saúde da população. Para tanto, organizam-se redes temáticas a im de atender às necessidades integrais de saúde da população. A atenção à saúde é estruturada em redes temáticas de saúde como, por exemplo, redes de atenção à saúde mental; redes de atenção às mu-lheres e às crianças, rede de atenção às urgências e às emergências, dentre outras.¹

Especiicamente, a Rede de Atenção às Urgên -cias (RAU) no Sistema Único de Saúde (SUS), vem sofrendo grandes avanços. A Política Nacional de Atenção às Urgências (PNAU) formulou uma rede de serviços regionalizada e hierarquizada de

cuida-dos integrais, que visa ao atendimento das situações de urgência, seja qual for o nível de atenção, com o intuito de eliminar a exclusividade de atendimento nos prontos-socorros hospitalares.²

A RAU no Brasil é composta pelos seguintes componentes: Atenção Básica em Saúde (ABS), Serviço Móvel de Urgência (SAMU), Centrais de Regulação dos Serviços Móveis de Urgência, Sala de Estabilização, Componente pré-hospitalar ixo - Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), Com-ponente Hospitalar, Atenção domiciliar, promoção, prevenção, vigilância à Saúde e Força Nacional de Saúde do SUS.³

Nesse cenário, o atendimento pré-hospitalar ixo, por meio das UPAs, foi deinido como a pri -meira assistência ofertada ao usuário em casos de quadros agudos, traumas e quadros psiquiátricos, que possam leva-lo à morte ou sequelas, visando proporcionar um atendimento e/ou transporte adequado para rede referenciada, hierarquizada, regulada e integrante do Sistema Estadual de Ur-gência e EmerUr-gência, quando necessário.4

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Percebe-se, atualmente, que os serviços de urgência e emergência no Brasil sofrem com a super-lotação da população que não possui acesso regular aos demais níveis de atenção à saúde. Outros fato-res, também, inluenciam essa superlotação, como a falta de leitos para internação na rede pública e o aumento da longevidade da população, o que acaba resultando em lotação dos serviços de urgência e emergência com portadores de doenças crônicas.6

Assim, as UPAs realizam atendimentos que não são de sua plena atribuição, absorvendo uma demanda de usuários que poderiam ser atendidos em outros pontos da rede. Vários são os fatores que “incham” as UPAs com usuários do serviço que poderiam ter seus problemas de saúde resolvidos na APS. Essa lotação consome tempo, recursos hu-manos, equipamentos e produz gastos inanceiros, os quais deveriam ser direcionados a pacientes em situações de urgência e emergência.7

Nesse sentido se questiona: quais são os prin-cipais motivos que levam os usuários a buscarem atendimento em uma UPA? Quais os principais tipos de atendimento prestados pelas UPAs? Será que essa demanda corresponde, em sua maioria, a casos de urgência e emergência? Qual a origem dos usuários que buscam atendimento nas UPAs? Dian-te do cenário apresentado, o presenDian-te estudo Dian-tem como objetivo caracterizar a demanda de usuários e o tipo de atendimento realizado em Unidades de Pronto Atendimento do município de Florianópolis no ano de 2013.

mÉtodo

Trata-se de uma pesquisa descritiva e ana-lítica com abordagem quantitativa. O estudo foi realizado em duas UPAs do município de Floria-nópolis-SC, Brasil. As UPAs funcionam 24 horas, possuem pelo menos cinco anos de funcionamento e operam segundo as diretrizes da PNAU e suas posteriores alterações.

O município de Florianópolis possuía uma população estimada de 453.285 no ano de 2013.8 Está dividida em cinco Distritos Sanitários (DS), de acordo com sua distribuição geográica, possui 49 unidades básicas de saúde, quatro policlínicas, duas UPAs, quatro Centros de Apoio Psicossocial (CAPS), dois Centros de Especialidades Odonto-lógicas e quatro bases do SAMU sob gestão muni-cipal. O complexo regulador faz parte do SAMU, responsável por organizar o luxo nos casos de urgência e emergência, se o usuário necessitar de transferência para outro ponto da RAS. Dados de

2012 mostram que o município apresentava uma cobertura, pela Estratégia de Saúde da Família (ESF), de 92,85% da população.

O estudo foi realizado em três etapas. A pri-meira foi a coleta de dados secundários, obtidos por meio de relatórios gerais e gerenciais do Infosaúde, sistema de informação utilizado por todas as uni-dades saúde do município. Estudos desta natureza possuem a facilidade de obtenção dos dados e compilação de informações presentes no sistema. A análise da demanda e do tipo de atendimento, com base em dados secundários, é relevante para proporcionar informações para o planejamento, monitoramento e (re)estruturação dos serviços de saúde do município.

Os relatórios, gerados para posterior análise foram: quantitativo de usuários atendidos nas UPAs; procedência dos usuários; classiicação de risco de adultos nas UPAs; motivo do atendimen-to por código da Classiicação Internacional de Doenças (CID); e tipo de atendimento realizado. O intervalo de tempo selecionado para a coleta dos relatórios gerais e gerenciais foi de janeiro a dezembro de 2013, com o intuito de contemplar 12 meses completos e as particularidades de acordo com cada período/estação do ano. Nessa fase, foi gerado um total de 54 relatórios.

A segunda etapa foi a realização da limpeza dos dados, organização em planilhas Excel® para melhor visualização e posterior análise. Finali-zou-se a segunda fase com organização do banco de dados em oito planilhas. A terceira etapa foi a análise e a descrição dos dados obtidos por meio de estatística descritiva.

A pesquisa foi aprovada, em 2014, pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina, sob o número 526.152. As UPAs onde foram coletados os dados, foram identiicadas como UPA A e UPA B a im de manter o anonimato das instituições.

resUltados

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mais próximas de sua residência, procurando a unidade localizada em seu DS e, quando este não possui UPA, procuram a do DS mais próximo de sua origem. Os resultados indicam que 70,53% dos usuários atendidos na UPA A são residentes do mesmo DS em que está localizada, reforçando a preferência de atendimento por proximidade de sua residência. Com relação à origem dos usuários da UPA B, também ica evidenciado o atendimento por proximidade de residência, uma vez que 81,37%

dos usuários, atendidos eram residentes do mesmo DS em que a UPA B está localizada.

A tabela 1 aponta que 96,31% dos usuários atendidos na UPA A, no ano de 2013, eram ori-ginários de Florianópolis e 3,67% eram de outras cidades, estados ou países. Com relação a UPA B, 93,88% dos usuários atendidos, no ano de 2013, eram originários de Florianópolis e 6,10% eram de outras cidades, estados ou países.

tabela 1 - procedência dos usuários das Upa a e B, por local de origem. Florianópolis, sc, Brasil. Jan-dez de 2013

Unidade de pronto atendimento a Unidade de pronto atendimento B

local de origem nº de

atendimento % acumulada local de origem

nº de

atendimento % acumulada

Mesmo distrito

sani-tário da UPA A 133.153 70,54

Mesmo distrito

sanitário da UPA B 182.662 81,38

Demais distritos sanitários de Flori-anópolis

48.676 25,79

Demais distritos sanitários de Flori-anópolis

28.102 12,52

Santa Catarina 3.610 1,91 Santa Catarina 2.672 1,19

Brasil 2.625 1,39 Brasil 7.643 3,40

Exterior 702 0,37 Exterior 3.403 1,51

total 188766 100 total 224482 100

Fonte: Infosaúde, 2013.

No ano de 2013, 143.464 usuários foram clas-siicados de acordo com o acolhimento com classi -icação de risco (ACCR) nas UPAs de Florianópolis. Ressalta-se que apenas os usuários adultos clínicos passam pelo ACCR, realizado pelo enfermeiro. Os

pacientes cirúrgicos, pediátricos e odontológicos passam, diretamente, para consulta especializada.

A tabela 2 apresenta os atendimentos de adultos de acordo com a classiicação recebida pelo enfermeiro durante o ACCR.

Tabela 2 - Atendimento de adultos, segundo classiicação de risco, das Unidades de Pronto Atendimento

a e B, Florianópolis, sc, Brasil. Jan-dez de 2013

Classiicação de Risco Unidade de Pronto

atencimento a e B nº de atendimentos %

Ambulatorial 68.169 47,52

Intercorrência 63.259 44,10

Urgência 11.414 7,95

Emergência 622 0,43

total 143.464 100

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Os principais motivos de procura por atendi-mento médico, nas UPAs, podem ser observados na tabela 3, na qual foram listados os dez primeiros

códigos da CID registrados pelos proissionais, durante o período de janeiro a dezembro de 2013, no município.

Tabela 3 - Motivo de procura por atendimento, por Classiicação Internacional de Doenças, das Unidades

de pronto atendimento a e B, Florianópolis, sc, Brasil. Jan-dez de 2013

cid n %

Exame médico geral 16.000 7,59

Nasofaringite aguda [resfriado comum] 9.051 4,30

Amigdalite aguda não especiicada 7.326 3,48

Infecção aguda das vias aéreas superiores não especiicada 6.069 2,87

Exame geral e investigação de pessoas sem queixas ou diagnóstico relatado 5.990 2,83

Aconselhamento não especiicado 5.949 2,81

Diarreia e gastroenterite de origem infecciosa presumível 5.529 2,62

Tosse 4.331 2,05

Dor lombar baixa 3.941 1,86

Náusea e vômitos 3.822 1,81

Outros 142.958 67,78

total 210.966 100

Fonte: Infosaúde, 2013.

É importante lembrar que, no ano de 2013, foram registrados 210.966 códigos da CID nos prontuários eletrônicos dos usuários das UPAs do município de Florianópolis. Destes, um número expressivo de usuários foi atendido e teve registra-do em seus prontuários os códigos Exame médico geral, Exame geral e Investigação de pessoas sem queixas ou diagnóstico relatado, não sendo possí-vel uma análise mais minuciosa dos atendimentos. Assim, não se pode airmar que constituíam aten -dimentos classiicados como ambulatoriais, sem caráter de urgência.

Por outro lado, observando os dados da tabela 3, constatou-se que, excluindo os Exames médicos gerais, Exames gerais e Investigação, as demais causas de procura das UPAs não se caracterizam como sendo situação de emergência ou urgência, tais como nasofaringite, amigdalite, infecção aguda das vias aéreas superiores, aconse-lhamento, diarreia e gastroenterite, tosse, cefaleia, dor lombar, náuseas e vômito.

discUssÃo

O contato com os serviços públicos de saúde deve ocorrer, preferencialmente, por meio de ser-viços de atenção primária, desenvolvidos com o mais alto grau de descentralização e capilaridade e, principalmente, pela proximidade geográica com o usuário.9-10 Dessa forma, entende-se que a

utilização das UPAs constitui uma opção dos usuá-rios para acesso aos serviços, justiicada mormente pela facilidade em percorrer distâncias mais curtas. Entretanto, considerando que, no período da coleta dos dados, já havia mais de 90% de cobertura na atenção primária, ofertada por meio de centros de saúde que realizam atendimento à população adstri-ta, no horário diurno, seria esperado que o usuário, primeiramente, procurasse sua Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência. Caso não conseguisse atendimento, poderia procurar outra unidade de saúde, adotando também o critério de proximidade, visto que qualquer unidade de saúde pertencente ao sistema deve receber e cuidar dos usuários em situações de urgência e emergência e encaminhá-los para outro serviço, caso necessário.10-11

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que inluenciam a decisão de procurar por este tipo de serviço.12 Nesse sentido, os autores airmam que considerar como “inapropriada” a busca por serviços de emergência para solucionar problemas que poderiam ser resolvidos na ABS depende do contexto e pode ser uma abordagem inócua para a organização dos serviços de saúde. Assim, o foco dos serviços de emergência deveria ser direcionado para fortalecimento das estratégias de triagem e classiicação de risco.12

O município estudado possui protocolo es-pecíico de ACCR, no qual os casos classiicados como emergência devem ser atendidos, imediata-mente, na sala de emergência; os casos classiica -dos como urgência devem ser atendi-dos com uma urgência maior e avaliados pelo médico, em até 30 minutos; os casos classiicados como intercorrência são urgências consideradas de menor gravidade, podendo ser atendidas em até 60 minutos; e por im, os casos classiicados como ambulatoriais, são casos considerados não urgentes, podendo esperar mais de 120 minutos ou encaminhar após contato com centro de saúde de referência.13 Observou-se

que apenas 0,43% dos usuários foram classiicados como emergência e 7,95% como urgência, apon-tando uma descaracterização do verdadeiro papel das UPAs, o qual seria atender, especialmente, os casos de urgência e emergência, compondo a Rede de Urgência e Emergência e acolhendo o usuário de forma ágil e oportuna, sem prescindir dos princípios da humanização e da integralidade.3

Por outro lado, 44,09% dos usuários foram classificados como intercorrência e 47,51% dos usuários foram classiicados como ambulatorial, ou seja, pacientes não caracterizados como casos urgentes, apresentando situações que poderiam ser potencialmente resolvidas na APS, proporcionando assim, acompanhamento mais longitudinal, após avaliação dos proissionais de saúde nesses locais.

A APS deve estar preparada para prestar o primeiro atendimento nas situações de urgências, por meio do acolhimento com escuta qualiicada e, também, com classiicação de risco. Assim, os usuários classiicados como casos ambulatoriais deveriam acessar aos serviços pela principal porta de entrada na RAS, seguindo os princípios do vín-culo, da continuidade do cuidado, da integralidade da atenção, da responsabilização, da universali-dade e da humanização e terem suas demandas respondidas, no limite das atribuições deste nível.10 Entretanto, um estudo de intervenção para integrar pacientes atendidos em serviços de urgência aos serviços de atenção primária, realizado nos EUA,

identiicou que as principais barreiras para atendi -mento na atenção primária foram falta de transporte e a diiculdade para deixar crianças/ilhos sob responsabilidade de alguém.14

Na Inglaterra, a fragmentação ainda presente no sistema de saúde tem resultado em duplicação de esforços e diiculdades dos pacientes percorrerem a rede de forma eicaz. Adiciona-se o fato da nomen -clatura variada dos serviços causarem confusão, fazendo com que as necessidades dos pacientes não sejam atendidas pela primeira vez no lugar certo e por aqueles proissionais com habilidades certas. As evidências indicam que há, neste país, variação no padrão de acesso aos serviços de atenção primária, levando a muitos pacientes demandarem serviços de urgência e emergência para condições que pode-riam ser tratadas na atenção primária. Há também diferenças no manejo de pacientes com condições crônicas nos serviços de atenção primária, o que con-tribuiria para procura por serviços de emergência.15 Estudos apontam que a população procura as emergências em situações que não se caracteri-zam como urgência e emergência pela diiculdade de acesso aos outros pontos da rede. Os motivos incluem o horário reduzido de funcionamento das UBS, o que diiculta o acesso da população traba -lhadora, bem como a possibilidade de nas UPAs ter acesso a recursos de maior densidade tecnológica, sem ter que se deslocar a outros pontos da rede.14,16

Os dados coletados por meio dos relatórios do sistema Infosaúde não permitiram avaliar os horários de atendimentos dos usuários classiicados como intercorrência e ambulatorial, a im de avaliar se foram realizados, predominantemente, à noite, nos inais de semana ou em feriados, o que reforçaria o papel das UPAs em servir de retaguarda para APS. Em caso de uma a intercorrência ocorrer no período noturno, na impossibilidade de esperar até o dia seguinte, a UPA tem a atribuição de fornecer retaguarda para as UBSs, especialmente à noite, nos feriados e nos inais de semana.4

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doenças, em território delimitado, de prestar cuidado individual e familiar e de gerir projetos terapêuticos.18 Vale ressaltar que esses momentos de sofrimento, quando respondidos positivamente, são funda-mentais para a criação e fortalecimento de vínculos. Nesse momento, é comum que o usuário procure sua UBS pela proximidade de sua casa ou pelo vínculo estabelecido com o proissional em quem ele conia, e o fato de conhecer a história do indivíduo facilita a identiicação do problema e a resolução do mesmo pelo proissional de saúde da APS.18

Estudo de intervenção, realizado no Cana-dá, propôs um modelo de cuidado a residentes em instituições de longa permanência, os quais demandavam sobremaneira os serviços de emer-gência. A proposta foi baseada na melhoria do acesso e continuidade do cuidado com base na atenção primária, por meio da presença contínua de proissionais médicos, como foco nos cuidados primários, aprimoramento de ferramentas rela-cionais e informarela-cionais, bem como do suporte permanente, via telefone. As ações resultaram numa redução de um terço da demanda para serviços de emergência.19

Os usuários buscam os serviços de saúde de urgência e emergência por vários motivos, dentre eles por serem serviços com “porta-aberta”, com possibilidade de oferecer pronta resposta. Por isso, há uma diiculdade em modiicar este hábito, cultu -ralmente arraigado e fundamentado em fortes cren-ças.20 Muitos usuários têm uma visão distorcida das UPAs em comparação às UBSs. Acreditam que nas UPAs terão uma assistência mais resolutiva, mais rápida e munida de maior densidade tecnológica, com maiores recursos como exames, medicações e acesso a especialistas. Porém, na maioria dos casos em que o usuário procura atendimento emergencial, a APS teria as ferramentas necessárias para prestar um cuidado resolutivo e integral, que possibilitaria continuidade por meio do vínculo estabelecido com os profissionais da unidade. Sendo assim, é necessário fortalecer a orientação à população, estimulando novos hábitos com relação à procura por atendimento em saúde.14

A APS não é menos complexa do que os ní-veis de atenção secundário e terciário. Esses níní-veis apresentam maior disponibilidade de tecnologias densas, mas não mais complexas. A visão distorci-da dos usuários, muitas vezes, contribui para que busquem atendimento em um ponto de média e alta complexidade ao invés de procurar atendimento, primeiramente, em sua UBS.³ Assim, percebe-se a importância de se resgatar a APS como ordenadora

do cuidado e porta principal da RAS, valorizando não somente a ampliação da cobertura, mas também fomentando estratégias para aprimorar a qualidade do cuidado prestado. Necessário, também, forta-lecer estratégias de disseminação de informações sobre o funcionamento da RAS entre a população, as funções de cada ponto da rede e os critérios que devem ser usados pelos usuários para decidir por procurar serviços de APS ou UPA.

Algumas alternativas para frear o aumento do número de consultas realizadas em serviços de emergência estão sendo colocadas em prática pelo Serviço Nacional de Saúde inglês, não apenas para reduzir as ilas frequentes nestes serviços como também para contenção de custos. Estudo de revisão aponta que, juntamente com o reforço aos serviços de atenção primária, com vistas a au-mentar o acesso, novas formas de prover serviços de emergência estão sendo implantadas, para além das unidades tradicionais. São relatados serviços de apoio ao usuário por telefone, atendimentos domiciliares em situação de urgência, uso da tecnologia (telehealth), ampliação das atribuições legais dos proissionais enfermeiros, melhora dos luxos de admissão hospitalar, deinição de metas para os serviços de urgência e implementação de serviços especíicos para idosos.21

Estudos realizados com base em dados secun-dários e relatórios consolidados de atendimento possuem limitações. Este foi realizado com base nos relatórios gerados pelo sistema de informação utilizado pelo município sendo possível gerar, con-tabilizar e analisar apenas os dados registrados pelos proissionais que trabalham nas UPAs. Como são dados alimentados, continuamente, por diferentes proissionais em um serviço com demanda espon -tânea e alto volume de atendimento, pode haver subnotiicação de registro.

Além disso, tratam-se de dados referentes a um recorte de tempo especíico, não representando uma série histórica ou uma análise longitudinal. Devido às limitações inerentes ao sistema de infor-mação utilizado pelo município, na forma de produ-ção de seus relatórios, não foi possívelobter outros dados que poderiam contribuir na compreensão do objeto investigado.

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conclUsÃo

O presente estudo possibilitou caracterizar a demanda de usuários e o tipo de atendimento realizado nas UPAs do município de Florianópolis no ano de 2013.

Com relação à demanda dos usuários das UPAs, foi constatado que a maioria era provenien-te do mesmo DS em que a UPA está localizada, icando evidente a busca por atendimento no local mais próximo de sua residência. Percebeu-se que 96,31% dos usuários atendidos na UPA A e 93,88% dos usuários atendidos na UPA B são provenientes de Florianópolis.

O presente estudo demonstrou que os princi-pais motivos de busca por atendimentos, nas UPAs, não são devidamente caracterizados como urgência e emergência, ou seja, foram classiicados como intercorrência e ambulatorial. Esses casos, na sua grande maioria, poderiam ser atendidos e solucio-nados na APS, o que aponta uma descaracterização do verdadeiro papel das UPAs.

A pesquisa reforçou a necessidade do fortale-cimento da APS como primeira opção para entrada no sistema e, ainda, da efetivação de estratégias de educação em saúde que esclareçam aos usuários as atribuições de cada ponto da rede.

reFerÊncias

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janeiro de 2014: Altera a Portaria n. 342/GM/MS, de 4 março de 2013, que redeine as diretrizes para implantação do Componente Unidade de Pronto Atendimento (UPA 24h) e do conjunto de serviços de urgência 24 horas não hospitalares da Rede de Atenção às Urgências e Emergências (RUE), em conformidade com a Política Nacional de Atenção às Urgências, e dispõe sobre incentivo inanceiro de investimento para novas UPA 24h (UPA Nova) e UPA

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Correspondência: Sonia da Silva Reis Cassettari Rua Canto das Corujas, 415

88060-239 - Rio Vermelho, Florianópolis, SC, Brasil E-mail: [email protected]

Recebido: 20 de junho de 2015 Aprovado 12 de junho de 2016

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tabela 1 - procedência dos usuários das Upa a e B, por local de origem. Florianópolis, sc, Brasil
Tabela 3 - Motivo de procura por atendimento, por Classiicação Internacional de Doenças, das Unidades  de pronto atendimento a e B, Florianópolis, sc, Brasil

Referências

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