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J. Bras. Patol. Med. Lab. vol.43 número1

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Academic year: 2018

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NOSSA CAPA OUR JOURNAL COVER

J Bras Patol Med Lab • Volume 43 • Número 1 • fevereiro 2007 ISSN 1676-2444

_________________________________________________________________________

Proced nº 041 disq

Data de entrada: 17/01/06

Publicação: JBPCML

Edição: 6/05

Seção: Nossa capa

Título: #####

Revisado por: Claudia

Em: 17/01/06

Observações:

_________________________________________________________________________

Durante os 15 anos em que esteve no Brasil como membro da missão francesa incumbida de criar a

Academia Imperial de Belas Artes do Rio de Janeiro, Jean Baptiste Debret foi um pintor absolutamente

integrado às questões e aos relatos sociais brasileiros. Da mesma maneira que atendia à corte, produzindo

gravuras que retratavam o cerimonial cotidiano dos nobres e atendendo pessoalmente a D. Pedro I, sentia-se

intimamente ligado à vida da cidade, com seus escravos e senhores, hábitos, costumes e tradições.

Em aquarelas, gravuras e litogravuras, Debret foi precioso na descrição visual da vida urbana do Brasil do

início do século XIX, revelando – sem pudor, mas sem exageros – a realidade da escravidão, os castigos aos

negros trazidos da África, a miscigenação que se iniciava e até mesmo a difi culdade experimentada pelos

negros já

libertos em conviver com a alforria e os costumes da vida simples, porém repleta de ícones da vida imperial

da corte portuguesa.

Na aquarela que ilustra a nossa capa, uma tela de Debret, datada de 1820-1830, intitulada Máscara que se

usa nos negros que têm o hábito de comer terra, um artifício que não impunha tortura física aos escravos,

mas limitações àqueles que traziam de sua origem miserável o hábito de enfrentar a fome com a ingestão de

terra, o que lhes trazia doenças e não raramente a morte.

In the 18th century, with the apogee of Enlightenment medicine, the tendency

to specialization was born. Cardiology, for example, originated from Antonio

Giuseppe Testa’s work (1764-1814). Cardiac diseases deserved special

attention from two French clinicians: Jean de Senac recognized asthma,

orthopedics, legs’ edema and hemoptysis as cardiac disease symptoms;

Jean Nicholas Corvisart (dês Marets) created the term carditis and was the

fi rst to call himself a heart specialist.

A pioneer clinician and obstetrics professor was William Smelle, which in

despite of jealous midwife attacks, demonstrated his art with a leather

manikin. The highest taxes of infantile mortality, and the teachings of

philosopher Rousseau and pedagogue Pestalozzi awakened the

con-science of the epoch to medical necessities of children. One of the fi rst

pediatrics works, called Nursing Assay and Children Care, belonged to

William Cadogan. Asylums and infantile hospitals were opened in London

during that century.

Advances in anatomy and physiology of eyes, stimulated by Leonardo da

Vinci’s visual attitude towards anatomy and optical science, were made by

several physicians of the century. Combined to physical studies on light and

color, those advances transformed ophthalmology in a scientifi c specialty.

Jacques Daviel taught the fi rst surgical proceeding to cataract extraction.

In Vienna, Maria Thereza founded in 1773 the fi rst ophthalmology school

of the continent and named Joseph Barth its fi rst lecturer.

The last years of the century presented a dramatic change of medical

posture in relation to mental illness, whose victims were until then treated

with extreme cruelty in sordid lazarettos. The French Philippe Pinel

(1745-1826), physician of Bicêtre Hospital, in Paris, obtained in 1799 permission

to unchain approximately 50 insane patients. He affi rmed that mental

illnesses were caused by pathologic modifi cations in the brain, and such

assertion transformed the expectation and the knowledge of then about

what in the future would be called psychiatry.

reconheceu a asma, a ortopedia, o edema das pernas e a hemoptise como sintomas de doenças cardíacas; Jean Nicholas Corvisart (dês Marets) criou o termo cardite e foi o primeiro a se autodenominar um especialista em coração.

Um clínico pioneiro e professor de obstetrícia foi William Smelle, que, a despeito dos ataques de parteiras ciumentas, demonstrou sua arte com um manequim em couro. As altíssimas taxas de mortalidade infantil e os ensinamentos do fi lósofo Rousseau e do pedagogo Pestalozzi despertaram a consciência da época para as necessidades médicas das crianças. Uma das primeiras obras sobre pediatria foi de William Cadogan, chamada Ensaio em Enfermagem e Cuidados com Crianças. Asilos e hospitais infantis foram abertos em Londres durante esse século.

Avanços na anatomia e na fi siologia dos olhos, estimulados pela “atitude visual” de Leonardo da Vinci em relação à anatomia e à ciência ótica, foram alcançados por vários médicos do século. Combinados aos estudos dos físicos sobre luz e cor, esses avanços transformaram a oftalmologia numa especialidade científi ca. Jacques Daviel ensinou o primeiro procedimento cirúrgico para a extração da catarata. Em Viena, Maria Thereza fundou, em 1773, a primeira escola de oftalmologia do continente e nomeou Joseph Barth seu primeiro conferencista.

Os últimos anos do século presenciaram uma dramática mudança na atitude da medicina em relação às doenças mentais, cujas vítimas eram até então tratadas com extrema crueldade em sórdidos lazaretos. O francês Phillippe Pinel (1745-1826), médico do Hospital Bicêtre, em Paris, obteve, em 1799, permissão para remover as correntes de cerca de 50 pacientes insanos. Ele afi rmou que as doenças mentais eram causadas por modifi -cações patológicas no cérebro, e tal assertiva transformou a expectativa e o conhecimento que se tinham até então sobre aquilo que no futuro seria chamado de psiquiatria.

Uma das caricaturas da profi ssão médica por Thomas Rowlandson. National Library of Medicine, Bethesda.

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