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NATUREZA DO HOMEM E DA POLÍTICA EM ROUSSEAU

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NATUREZA DO HOMEM E DA POLÍTICA EM ROUSSEAU

Dina Maria Miotto

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RESUMO

Este artigo desenvolve o argumento da atualidade da teoria de Rousseau, bem como discute a questão da unidade do seu pensamento, argumentando que essa unidade está presente na especificidade do pensamento rousseauniano, ou seja, no próprio desenvolvimento de sua teorização política.

ATUALIDADE DE ROUSSEAU

Antes de tratar do tema a que me proponho, faz imperativo questionar porque ROUSSEAU é atual?

Durante toda a sua vida, ROUSSEAU recusa-se a trabalhar as idéias ligadas a experiências, a um sistema causal de qualquer espécie. Suas reflexões partem da influência histórico-social do homem como bem demonstra nos Discursos e no Contrato Social. Em suas obras não aplica a idéia de causalidade, não analisa a realidade do homem a partir da vivência político-social, em suas obras vê-se a orientação social e política, onde até hoje os atores políticos as utilizam conscientemente.

As suas idéias estão presentes nos debates políticos atuais, na medida que o sistema democrático vai além da mera escolha de governantes como alternativa de poder entre os segmentos competitivos.

A atualidade do pensamento de ROUSSEAU centra-se na idéia de

moralidade política na democracia. Se não mobilizarmos energias suficientes para

realizar mudanças profundas e significativas no sistema democrático, não seremos

capazes de escapar desse contexto político viciado e fundarmos uma nova perspectiva

na política. Neste sentido o seu pensamento leva-nos a reflexões criativas tornando a sua

referência indispensável em termos teóricos.

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A atualidade de ROUSSEAU pode ser vista na forma como seus escritos provocaram, estimularam e incomodaram. E não é isso que a sociedade hoje necessita?

De idéias que mexam com “o imaginário latente do povo”?

Não me proponho neste artigo a tarefa de repetir as etapas da obra de ROUSSEAU, mas analisar os pontos que na minha visão são os mais interessantes e polêmicos que enumerarei em três características.

O primeiro ponto é polêmico, já que me referirei a questão da oposição entre as suas duas obras principais: Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens e o Contrato Social..

No segundo ponto tratarei a respeito da questão central de sua obra: O povo e a vontade geral.

O terceiro ponto trata da questão teórica da Democracia, vista por ROUSSEAU como o único governo legítimo, onde o poder legislativo deve pertencer a totalidade dos cidadãos, a quem caberia igualmente designar as pessoas encarregadas de fazer executar as leis. Por esta visão pretendo analisar a atualidade das suas obras.

1 – Existe uma oposição entre os escritos do Discurso e o Contrato Social?

Esta questão é extremamente pertinente e embora polêmica pode-se analisá-la a partir de um conceito dialético, pois a oposição está perfeitamente fundamentada, já que na idéia de liberdade está contida dialeticamente o conceito de governo, pois o que ROUSSEAU pretende nos Discursos é explicar a questão da liberdade, o seu nascimento, o seu progresso irreversível na evolução da vida do homem. No Contrato Social, deixa a idéia do homem histórico para analisar a essência do homem em coletividade, organização social e política fundada sobre um governo.

A filosofia nos Discursos e no Contrato se funda em uma oposição não

de idéias acerca do homem e de sua organização social e política mas do ponto de vista

de enfoque, onde o fato da perda de autoridade do homem nos Discursos se completa

no Contrato Social quando ROUSSEAU estabelece as regras no que concerne a idéia

de “liberdade coletiva e atividade do governo em um poder constituído”.

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A reflexão teórica dos Discursos e do Contrato Social conduz a uma mesma análise: a liberdade do homem, onde nos Discursos nos mostra o homem em sua evolução e no Contrato o homem como poderia ser em uma sociedade organizada politicamente.

A idéia de oposição entre a filosofia dos Discursos e O Contrato Social é um mito no sentido de que alguns críticos de ROUSSEAU interpretam ou fazem uma leitura unilateral em relação as obras citadas. A idéia de oposição não pode ser interpretada de uma forma negativa, a oposição existe mas não no sentido de contrapor idéias, mas de complementação de análise, onde o pensamento é o mesmo, os assuntos e as teses é que diferem.

No Contrato Social está escrito: “O homem nasce livre, e em toda parte encontra-se a ferros. O que se crê senhor dos demais, não deixa de ser mais escravo do que eles”. (ROUSSEAU – 1997. Pág. 53).

Pela análise deste posicionamento pode-se entender a coerência de idéias em ROUSSEAU, onde a concepção do homem nos Discursos se dá ao nível psicológico e filosófico e no Contrato parte da idéia de um homem centrado em direitos e deveres, o nascedouro da cidadania em uma sociedade civil. O que se apreende das duas grandes obras desse pensador, é que ele “lê” o homem pela evolução contínua psicológica e filosófica, para composição do homem como cidadão.

Existe em ROUSSEAU uma concepção do homem não uno mas social, pois nos Discursos o homem é concebido como um ser sem autoridade sobre si, sobre seus atos, ou seja, o homem vivendo fora de uma organização social e política. Já as idéias desenvolvidas no Contrato analisam o homem ligado a uma vontade geral, a uma soberania. A reflexão então desloca-se do homem uno para o homem dual em sociedade com direitos e deveres, tendo como maior sustentáculo, nesse nível de organização, a soberania como inalienável.

Ao se analisar as duas obras principais de ROUSSEAU, não se pode

dizer que elas são contraditórias, o que podemos perceber de diferente são as

abordagens , pois a primeira obra nos leva a meditar sobre as origens da organização

social, o homem em sua evolução filosófica e psicológica. Na segunda, a tese se desloca

para a existência do Estado analisando a vida social centrada nas leis da razão e da

justiça e como conciliar a vida social do homem com a sua visão filosófica e

psicológica.

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Em ROUSSEAU não há diferença, não há paradoxo, todos os fenômenos assumem um caráter não ambivalente, o que se descobre no pensamento rousseaniano são as premissas desenvolvidas em sua obra que podem levar a interpretações no sentido de oposição entre as suas teses.

Ao combinar obediência e liberdade, ele coloca que “ser livre é estar sujeito às leis, desde que estas não passam de registros de nossas vontades”, (ROUSSEAU – 1997. Pág. 107) afirmação que comprova o desenvolvimento original de sua tese, e não uma ambigüidade.

No corpo político instituído, idéia desenvolvida no Contrato Social, não é necessário recorrer ao uso da força, a coerção, para que haja obediência às leis civis, nem se recorrer a idéia jusnaturalista de um direito natural para assegurar e justificar os direitos e liberdades individuais. Nessa perspectiva teórica ele difere tanto de Hobbes (força) quanto de Locke (consentimento) sobre a idéia de obediência. Para ROUSSEAU são os próprios indivíduos como súditos, que instituem as leis enquanto cidadãos, obedecerão porque elas são soberanas, uma vez que originaram-se da vontade geral de uma sociedade organizada civil e politicamente pelo povo enquanto cidadãos.

Concluindo, as teses desenvolvidas nos Discursos e no Contrato, não são ambivalentes e nem um modelo que dita normas, mas uma reflexão política de como o homem pode ser livre e se organizar politicamente. As idéias desenvolvidas nas duas obras levam-nos a repensar, a ter alternativas de análise ao neoliberalismo que hoje domina parte das sociedades democráticas do mundo.

2 – Existe em ROUSSEAU, uma concepção de povo?

Povo e vontade geral formam a unidade?

Em geral ROUSSEAU não reflete sobre o povo no sentido de povo- histórico qualitativamente determinado, permeado ideologicamente. Ele se refere constantemente às experiências do homem no sentido de povo como sujeito da vida política (soberania inalienável, indivisível e imprescritível).

A idéia de liberdade é o destino do povo. Essencial na teoria rousseaniana

da vontade geral é em primeiro lugar o pressuposto de que existe uma relação inversa

entre a esfera de uma vontade una e a esfera da vontade geral. Onde a tradição da

vontade una permanece hegemônica não há processos cumulativos de desenvolvimento

da liberdade política.

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Em segundo lugar ROUSSEAU vê na vontade una a perda da liberdade, uma configuração social que aprisiona o homem, na qual não há lugar para os ideais éticos. ROUSSEAU analisa como resposta a essa situação a questão da soberania popular. O poder deve ser centrado no povo. O Contrato Social legítimo não é um contrato com bases político-estatal, mas um contrato de cada um consigo mesmo e que transforma cada indivíduo num “cidadão”. Povo, suficientemente informado, delibera por si e não através de sua representação, pois só assim surge a vontade geral.

No Contrato Social ele considera que o povo não é livre com o modelo de representação, pois é livre apenas durante a eleição dos membros do Parlamento (modelo inglês). Essa posição deriva-se do conceito de uma liberdade moral e civil, pois sem essa condição não pode existir liberdade.

A autoridade legislativa de todo o povo, a sua virtude moral, é superior a qualquer espécie de governo, que expressa apenas a forma indispensável do poder físico do Estado.

ROUSSEAU recomenda como resposta ao ato de associação a idéia de público e de privado, onde o povo coletivamente e em particular cidadãos participantes da autoridade soberana, e súditos ou públicos, como submetidos a essa autoridades soberana.

O povo assim entendido, como indivíduo participante, se encontra comprometido duplamente, ou seja, compromete-se como membro do soberano em relação ao privado e como membro do Estado em relação ao soberano, em um situação de público.

Ele advoga, sem reservas, o pacto social. Existe necessidade de se

entender o pacto social como sendo de uma natureza própria, onde o povo faz um

contrato consigo mesmo, o povo como corpo soberano. ROUSSEAU não teve nenhuma

dificuldade em inovar a idéia de povo, pois em si mesmo essa assertiva não tem porque

levar a qualquer perda de liberdade, pois os particulares não estando sujeitos senão ao

soberano, e a autoridade soberana não sendo outra coisa que a vontade geral, cada

homem obedecendo ao soberano, não obedece senão a si mesmo. O pacto só é

repressivo quando serve de fundamento para a máquina política sem a soberania e

consentimento do povo e usada para fins destrutivos da liberdade do homem. Inscrito

em novas relações sociais, o pacto é um instrumento de poder que longe de explorar os

homens, libera os compromissos legítimos tanto públicos quanto particulares. Isso

porque para ele o povo é o participante da vontade geral, cada homem obedecendo ao

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soberano, obedece a si mesmo e portanto o homem é mais livre com o pacto do que no estado de natureza.

No nível de associação proposto por ROUSSEAU não há uma ética de aceitação do mundo moderno como destino, o que há é o desafio na ética da recusa, pois quando todo povo legisla para todo o povo, a lei estatuída é geral assim como a vontade que legisla e estatui é também geral. Se assim não for a organização política, o povo, eticamente deve recusar o contrato.

A configuração de liberdade e lei na vida política dos homens é uma das características mais marcantes de sua teoria.

Não se pode subestimar o fato de ele ter ido sondar profundamente a idéia de povo e de vontade geral, quer em seus conteúdos, quer em suas formas e expressões. Ele não provou ser, em o Contrato Social, o desbravador de um domínio inexplorado nos escritos de sua época? Não foi ele resgatar uma parte essencial da redenção política do homem?

Não é difícil se constatar que o real objeto para ROUSSEAU, interessado em criar idéias novas em relação ao homem social e político, terá que ser, forçosamente ligado as questões humanas numa dependência direta da política. O mal e o bem são para ele valores essencialmente políticos, onde a humanidade é a única criação capaz de fazer a sua própria história.

3 – Quais seriam as condições segundo as quais a vida social poderia tornar-se coerente com as leis da razão e da justiça?

As reflexões sobre essas condições estão ligadas à consciência do despertar da sociedade, em transformar praxis a dimensão reflexiva, redimindo o passado, onde os homens constróem a democracia para usufruir da igualdade.

No estado de natureza as pessoas tem o direito natural (idéia jusnaturalista) e como tal exerce esse direito soberano sobre si mesmo. Como e por que ceder o seu direito natural à coletividade? Na visão de ROUSSEAU o povo cederia o seu direito soberano com a condição de participar na formação da vontade geral da constituição plena do Estado.

Nesse sentido, o Estado se organiza para proteger os interesses da

maioria dos cidadãos. A apreensão desse princípio nos leva a entender que para ele o

único governo legítimo seria a democracia direta, ou seja, um governo onde o poder

legislativo pertencesse à totalidade dos cidadãos, cabendo a eles designar as pessoas,

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encarregadas de fazer executar as leis. A originalidade dessa abordagem teórica está no fato de que ROUSSEAU não admite a delegação de poderes, a coletividade exerce o poder diretamente. A vontade do Estado é a vontade da maioria dos cidadãos, sendo a maioria obrigada a aceitar essa vontade geral ou então estará fora do processo político democrático fundado na e pela vontade geral.

Ao refletir sobre a autonomia do povo e sobre a vontade geral, ele nos traz a idéia de independência com um significado de autonomia, onde o homem é livre em Estados constituídos a base da liberdade, onde os seus súditos fossem soberanos, ou seja, onde o povo se governava. Aqui se nota que o conceito de soberania popular está ligada à idéia de que todos os cidadãos exercem autoridade absoluta através de assembléias legislativas. A vontade comum é a base do exercício da soberania popular.

A ética nesse sentido não é lenta e nem reversível, os bens não são simbólicos, portanto é ilegítima para ele a representação da soberania por uma assembléia parlamentar. A representação política é incompatível com a liberdade do povo.

Para ROUSSEAU, Democracia não pode ser entendida como uma mera formalização política em um sistema organizado, mas antes de tudo deve-se basear na soberania popular, pois é a soberania que determina a forma de democracia de um povo e não uma imposição de poder: governo > bem público > sociedade.

Em “O Contrato Social”, trabalha a idéia de justiça política sendo esta a sustentação de um corpo político legítimo. Os indivíduos constituídos em assembléias assumiriam os direitos e deveres que eles, na idéia e concepção de povo, a si impuseram. A ação política partiria dos membros da sociedade, onde os indivíduos livres e iguais criariam uma autoridade política legítima.

O ideário máximo de ROUSSEAU por uma leitura mais atenta de suas obras, nos faz ver que a Democracia parte de uma conciliação entre a própria liberdade e o poder, pressupondo que os cidadãos tenham passado por um processo real de conscientização de que os interesses próprios não são importantes mas sim os interesses da coletividade, os homens integrados em um processo de “responsabilidade social”.

Para ele, Democracia não se entende pelo viés tradicional do termo, ou

seja, um governo da maioria, pois caberá nesse nível de entendimento teórico se

perguntar, quem é essa maioria? O povo? A elite política? As elites setoriais? Os

intelectuais?

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Democracia, então deve ser entendida como um integração entre a liberdade do homem e o poder, onde os cidadãos se entregam à coletividade, ao todo da sociedade, despojados dos interesse individuais. Nesse sentido os homens encontram os seus pontos de referência na sociedade e não em interesses individuais e egoístas.

Concluindo, não seria essa maneira de analisar a democracia hoje, quando os políticos e partidos parecem ser a força que impulsionam as decisões, em detrimento da coletividade? Não se pode talvez, nem falar em participação só em

“imagens” entre o público e o privado, onde o significado do mundo e as regras fundadas para essa significação contêm a afirmação e a negação, ao mesmo tempo que se trata de dar e doar e se trata de renunciar. Renúncia no sentido de participação pessoal, onde o povo e as suas aspirações são somente o reflexo dos políticos e dos partidos, onde deveria haver uma simultaneidade primeira e absoluta do povo. O povo não pode ser alvo de consumo de políticos e políticas voltadas para uma minoria, não pode ser ícone de uma liberdade vaga, mas deve ter uma importância real. O povo deve ser o agente de mudanças e nunca o contrário.

O problema principal da democracia é que, apesar de importantes, as eleições e os partidos não bastam, torna-se necessário de uma forma mais ampla e diversificada a participação, consciente e eficiente, de cada um.

Os escritos de ROUSSEAU nos deixam essa lição, o repensar da política, da ação política, da democracia.

Suas obras em especial “O Contrato Social”, obrigam-nos a uma reflexão política a partir da idéia da soberania, da vontade geral, da liberdade do homem. Levam- nos a apreender a idéia de governo / a essencialidade do homem.

O processo político (homem, sociedade, Estado) analisado por ROUSSEAU deve ser concebido dentro de uma atualização da estrutura da sociedade.

Existe nele uma atualidade nos temas e na forma como os aborda. Hoje, mais do que nunca se discute o homem, sua liberdade, bem como a questão da cidadania como forma de repensar a modernidade, a integração entre os Estados.

E assim, as teorias rousseanianas são imprescindíveis como forma de

repensar a idéia de Estado, do homem, da democracia.

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ABSTRACT

This article develops the argument of the modernity of Rousseau’s theory. It also discusses the question of the unity of his thought, explaining that this unity is present in the specification of Rousseau’s thought, that is, in the development of his political theory.

BIBLIOGRAFIA

CHEVALLIER, Jean Jacques. As grandes obras políticas de Maquiavel a nossos dias.. Rio de Janeiro, Abril, 1966.

DE ULHÔA, Joel Pimentel. Rousseau e a utopia da soberania popular. Goiânia – UFG, 1996.

FORTES, Luiz Roberto Salinas. Rousseau: da teoria a prática. São Paulo: Ática, 1976.

ROUSSEAU, J. J. Do Contrato Social.. São Paulo, Nova Cultural Ltda - 1997, Os Pensadores.

______________. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os

homens.. São Paulo, Nova Cultural Ltda – 1997, Os Pensadores.

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