• Nenhum resultado encontrado

Cad. Saúde Pública vol.26 número5

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2018

Share "Cad. Saúde Pública vol.26 número5"

Copied!
1
0
0

Texto

(1)

850

Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 26(5):850-851, mai, 2010

Importante superpopulação, crescentes taxas de ocupação, que no país alcançam 150% da capacidade prevista chegando a 300%, celas mal ventiladas e sem iluminação solar, alta prevalência de HIV... são muitas as razões para que a tuberculose (TB) represente um ur-gente problema para as pessoas privadas de liberdade (PPL). Em alguns estados, a taxa de incidência de TB entre as PPL chega a ser 35 vezes superior à da população geral!

Para enfrentar esse flagelo e assegurar às PPL o direito à saúde, os profissionais de saú-de que atuam nas prisões são pouco numerosos, mal remunerados, com contratos saú-de tra-balho precários e grande rotatividade. Os programas de controle da TB e HIV/AIDS, quan-do existem, são freqüentemente verticais e prescritivos, em detrimento de uma abordagem global da saúde. São também mal inseridos nas redes de saúde extramuros que, em alguns locais, estabelecem cotas para o sistema penitenciário, limitando o acesso à baciloscopia. A integração saúde e justiça nos diferentes níveis de governo e sua articulação com as or-ganizações da sociedade civil ainda é insuficiente. O controle social dos serviços de saúde nas prisões está mal definido.

Apesar disso, alguns elementos positivos têm aparecido sob a égide dos Ministérios da Saúde (MS) – PNCT, PN AIDS e Área Técnica de Saúde no Sistema Penitenciário – e da Justi-ça (MJ), e do Projeto Fundo Global (FG). Ações para controle da TB nas prisões estão sendo implementadas: reforço da detecção passiva, implantação da detecção ativa, especialmen-te entre ingressos, melhor supervisão do tratamento e conscientização das PPL, de seus familiares e do pessoal penitenciário. Em vários estados, a capacidade de diagnóstico foi reforçada com a criação de laboratórios intramuros, sob o controle técnico de laborató-rios de referência, para responder à alta demanda de baciloscopia. A sustentabilidade des-ses laboratórios vem sendo assegurada por estados ou municípios que, em alguns locais, têm disponibilizado técnicos em tempo parcial. Pela primeira vez, o manual técnico do MS destinou um capítulo ao controle da TB nas prisões. Um curso de saúde no sistema peni-tenciário está sendo elaborado para que gestores e profissionais de saúde possam melhor adequar suas práticas às especificidades do contexto carcerário. Projetos de pesquisa vêm sendo desenvolvidos nesse campo, fornecendo bases científicas e técnicas às instâncias decisórias, inclusive um programa de iniciativa do FG em parceria com o Departamento Penitenciário do MJ e MS, que busca estabelecer diretrizes para construção e reforma de prisões que levem em conta os imperativos sanitários. Finalmente, a superpopulação das prisões é atualmente considerada como um problema que requer soluções urgentes. No que se refere à TB e HIV/AIDS, reuniões regionais recentemente realizadas por iniciativa do MS, MJ, FG e ONUDC devem permitir melhor organizar o controle destas endemias nas prisões e inscrevê-las na agenda das políticas públicas. Essas atividades articulam-se com a revisão em curso do Plano Nacional de Saúde no Sistema Penitenciário. No entanto, é preciso insistir, o atendimento das necessidades mínimas das PPL está longe de ser alcan-çado. São necessários importantes investimentos em recursos humanos e financeiros para assegurar aos 473 mil brasileiros privados de liberdade o acesso à saúde, não como privilé-gio ou por compaixão, mas como um direito constitucional.

Controle de tuberculose nas prisões brasileiras: novas abordagens

para um antigo problema

EDITORIAL

Alexandra Roma Sánchez

Programa de Controle da Tuberculose, Coordenação de Gestão

em Saúde Penitenciária, Secretaria de Estado de Administração

Penitenciária do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil; Assessora

Técnica do Projeto Fundo Global TB-Brasil.

Vilma Diuana

Programa de Controle da Tuberculose, Coordenação de Gestão

em Saúde Penitenciária, Secretaria de Estado de Administração

Penitenciária do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil.

Bernard Larouzé

Departamento de Epidemiologia e Métodos Quantitativos

em Saúde, Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca,

Referências

Documentos relacionados

In dealing with the reasons that determine the practice of infanticide of various indigenous societies, the authors overlook a fundamental is- sue, namely the normative

As to the suggestion of an intent “ establish some relationship of continuity between indig- enous infanticide practices and the modern prac- tices of abortion and neonatal

In order to assist decision-making on new vaccines, the World Health Organization (WHO) has developed a framework that poses a series of questions in the form of a checklist,

After the adjusted analysis, poor self-rated health remained associated with female gender, older age, higher education, more time working in municipal primary healthcare, a

In the log-binomial regression (Table 5), in the four models presented, the hazard of death was associated (p < 0.01) positively with greater severity, with medical service

In light of the above, this study aims to descri- be factors associated with schistosomiasis in the village of Carne de Vaca, Goiana city, on the north coast of Pernambuco and

Another intriguing finding in this study in- dicates that being overweight or obese prior to pregnancy is a risk factor for excessive weight gain, but having low pre-pregnancy BMI

The objectives of the current study were to analyze influenza vaccination in non-institution- alized elderly in the catchment area of a primary healthcare unit in southern Brazil