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Braz. j. . vol.75 número6

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Academic year: 2018

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BRAZILIAN JOURNALOF OTORHINOLARYNGOLOGY 75 (6) NOVEMBRO/DEZEMBRO 2009

http://www.bjorl.org.br / e-mail: [email protected]

O próximo grande desafio

EDITORIAL

Um novo ano se inicia, como sempre, trazendo desafios novos para todos. Para a nossa revista não há ex-ceção. Mas dessa vez, o desafio é maior do que o normal. A nova classificação do periódicos da CAPES, a princípio, não deveria trazer dificuldades para nenhum periódico nacional. Porém a mudança dos critérios de conceituação dos programas de pós-graduação que veio atrelada a essa nova classificação é que colocou os periódicos brasileiros, sobretudo aqueles relacionados a especialidades cirúrgi-cas, impôs-nos um horizonte muito além do esperado. O sarrafo subiu. E subiu demais. Elevar o sarrafo é sempre importante, para estimular-nos a sempre alcançar um nível mais alto de efciência e excelência. Mas subir demais, às vezes, pode fazer-nos desitir. Tanto que deu até matéria n’O Estado de São de 6 de julho de 2009, com o título “Ranking Coloca Revistas Científicas Brasileiras em Risco de Extinção”. Em formidável editorial publicado na Revista Clinics (2009; 64(8):721-4) o seu editor chefe Mauricio Rocha e Silva chega a sugerir o brado “Abaixo o Novo Qualis! Restaure-se o realismo!” e mostra de maneira pri-morosa o descompasso entre o que ele chama de exercício de numerologia da CAPES e a realidade (ou as distintas realidades) da ciência no Brasil. Vale a pena conferir.

Mas voltando ao que falamos no começo, sozinho, sem a mudança nos critérios para a pós-graduação, o Novo Qualis não traria maiores dificuldades. À primeira, a nossa revista, que passou do conceito A (Nacional) para B3, teria seu conceito rebaixado. Mas não é bem assim. Vou explicar: imaginem que se classifiquem as alturas dos indivíduos em A, B e C. Sendo que a classe A agrupa as pessoas acima de 2m de altura; a B, aqueles de 1,5m

a 2m; e a C, os que têm menos de 1,5m. Agora pensem que, num determinado momento, resolveram mudar essa classificação para A, B, C e D, sendo A indivíduos acima de 2,5m, B de 2m a 2,5m, C de 1,5m a 1,99m e D menores do 1,5m. Veja bem: os indivíduos que tinham 1,6m, que antes estavam na classe B passaram a ser classe C. Ora, isso não significa que ele diminuiu de tamanho. Apenas que deram uma letra diferente pra ele, que representa a mesma faixa de altura que ele tinha antes com outra letra. O problema só surgirá se resolverem que só os indivíduos da classe B ou superior terão direito a determinado pri-vilégio. Pois bem, é exatamente isso que está ocorrendo com as revistas científicas brasileiras, particularmente, da área médica.

A nossa revista, portanto, não caiu de classificação. Era Medline e continua sendo Medline. Mas apenas ser Medline já não é mais atrativo aos olhos dos nossos cursos de pós-graduação, que precisam manter um bom conceito junto à CAPES. E, repito, o sarrafo subiu além do razoável.

Obviamente a ciência médica brasileira não pode se curvar diante de um horizonte distante. Antes pelo contrário. É certo que amargaremos tempos difíceis, mas, assim como em outros momentos, também é certo que superaremos este novo e grandioso desafio. A luta agora é em duas frentes: uma através da união de forças con-tra um sistema de qualificação de revistas e programas anos-luz distante da nossa realidade; a outra através da indispensável busca da melhor qualidade possível. Se é ISI que eles querem, ISI NELES!

Referências

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