correspondências que vocês enviam demonstram carinho e amizade cristã. Quero incentivá-lo a nos

Texto

(1)

Olá amigo, estamos iniciando mais um programa da série "Através da Bíblia". Você que tem nos

1

acompanhado sabe que temos por propósito estudar toda a Palavra de Deus. Fazemos isso porque Deus tem nos chamado para proclamar com integridade a Sua genuína Palavra e porque vocês têm escrito compartilhando sobre o privilégio de termos um programa com interpretações seguras e relevantes. As correspondências que vocês enviam demonstram carinho e amizade cristã. Quero incentivá-lo a nos escrever sobre suas boas experiências no estudo da Palavra. Foi sobre essas experiências que recebemos uma carta do GLB de Rolandia, no estado do Paraná que nos enviou a seguinte mensagem: “Fiquei feliz ao receber a resposta da minha carta. Agradeço a Deus, pois vejo que através do programa o senhor tem sido um canal de bênção por todo esse país e quiçá pelo mundo. Um forte abraço”.

Querido irmão, louvamos a Deus por sua vida e por sua fidelidade em estudar a Sua Palavra com fidelidade. Certamente Deus tem lhe recompensado. Também agradecemos a sua disposição em orar por nós e é para isso que temos convocado a todos vocês, a se unirem em oração em nosso favor. Nosso desejo é sermos um canal de bênção para todos que nos dão o privilégio da sua audiência. E exatamente para orarmos que te convido agora. Vamos orar: “Pai querido, obrigado pela tua direção e pela misericórdia que tu nos dás. Pedimos a iluminação do Teu Espírito para o programa de hoje. Que ele sirva para edificação de cada um dos nossos ouvintes. Pai pedimos isso baseados na Tua misericórdia, em nome de Jesus. Amém”.

Querido amigo, hoje o nosso alvo é estudarmos os capítulos 23 e 24 de Jó, onde verificaremos a resposta que Jó ao seu amigo Elifaz. Esse, na verdade é o oitavo discurso de Jó.

Depois de ouvir aquela tremenda acusação que, felizmente terminou com algumas palavras confortadoras, acusação essa, que se fosse verdadeira certamente, demoliria a nossa admiração de Jó como o homem correto e honesto que estava sendo submetido a tão grande prova. Mas, nessa resposta Jó que ele deu, ele para um Juiz imparcial que certamente o atenderá. Por isso o título sugerido é

O desejo pela comunhão com Deus

(2)

Introdução

2

As palavras finais de Elifaz, registradas no capítulo 22 parecem ter feito muito bem a Jó. Isso é confirmado, pois nessa resposta de Jó percebemos como ele demonstra grande anseio de voltar à comunhão com Deus. É importante notarmos que Jó não respondeu as acusações levantadas por Elifaz, mas na sua resposta ele vai diretamente à uma das razões do seu sofrimento. As suas orações não eram respondidas (23.2-17) e parece que as orações dos oprimidos ficam sempre sem respostas (24.1-25).

Por isso, como frase desafiadora para aplicarmos em nossas vidas proponho essa sentença:

Diante das dificuldades e circunstâncias adversas devemos desejar ansiosamente pela comunhão com Deus.

Neste texto encontramos cinco expressões que revelam o anseio pela comunhão com Deus.

A 1ª expressão pela comunhão com Deus se vê no desejo por reconciliação, em 23.1-7 Nesses versos Jó abre o seu coração e fala francamente.

Nos seus muitos questionamentos Jó deu a idéia de que era alguém revoltado contra Deus e contra tudo.

Entretanto, não é isso que transparece neste seu discurso. Ele é um homem aflito e jogado num mar de sofrimento, sem achar razão para o seu sofrimento, as suas palavras devem ser bem entendidas. Ele não tinha prazer em se queixar; pelo contrário, desejava reprimir o seu gemido, mas como poderia fazer isso? Vira-se para os lados, e não encontra quem lhe dê uma ajuda, uma palavra realmente confortadora, e isso agrava a situação. Em face de tal situação ele procura o tribunal divino, para um julgamento verdadeiro.

Certo de que para ele não havia solução entre os homens, virou-se uma vez mais para Deus. Deus esta no Seu tribunal, embora ele, Jó, nem saiba bem onde (v. 3). Se soubesse onde o encontrar, então teria muitos argumentos e exporia a sua causa, certo de ser ouvido.

A despeito de saber que o Juiz é Todo-Poderoso, certamente ele o ouviria e lhe diria o que até agora ninguém lhe tinha dito. Este é o grito do homem aflito, injustiçado pela sociedade, atirado de um lado para outro, sem meios de defesa, porque ninguém o entendia. O supremo Juiz não agiria assim. Seria

(3)

severo, mas justo; e Jó pleitearia com ele a sua causa, e seria justificado. Mas onde esta o Juiz para

3

julgar o seu caso? Porém mesmo sem encontrá-lo de imediato ele cria Nele e só Nele ele teeria a solução do seu problema.

A 2ª expressão pela comunhão com Deus se vê no sentimento de que Deus é inacessível, em 23 8-17 Jó estava frustrado e mesmo que se voltasse para a esquerda ou para a direita (v. 9), não o via e nem descobria esse Juiz. Mas, de uma coisa, porém, ele sabia e isso era o seu consolo: O Juiz conhecia a sua situação, conhecia o seu caminho de sofredor. E a certeza de Jó, conforme o verso 10 era que Ele sabia do seu caminho e, se o provasse, ele sairia como ouro. Jó se considerava como o ouro no cadinho, sendo purificado das impurezas da terra embora não era isso 0 que os seus amigos diziam; mas ele sabia que se o justo juiz o provasse, todos veriam que era homem honesto e justo.

A idéia de um tribunal divino, onde justos e injustos prestam as suas contas, não era doutrina corrente entre os povos antigos, mas Jó conhecia a Deus e sabia que havia um lugar onde a justiça seria feita a todos, bons e maus. Ah! se não fosse esse tribunal!

De fato, aqui não há justiça. Inocentes vão para a cadeia, enquanto criminosos se mostram nos sal6es sociais. Os ricos, que, a custa das ladroeiras, encheram as suas contas bancárias, levam a vida cheia de prazeres; os pobres, que foram roubados ou explorados, arrastam a sua miséria pelas sarjetas. Mas, haverá um dia, quando nem poderosos, nem presidentes de convenções, nem pastores, nem juízes da terra se destacarão; mas só o supremo Juiz, que há de julgar a todos dará a cada um o que merece.

Embora os seus amigos não entendessem isso, Jó sabia que esse Juiz julgaria imparcialmente a sua causa. E Jó lhe diria as palavras dos versos 11-12. Jó lhe diria que os seus pés tinham seguido os seus passos e tinha guardado o seu caminho e o seu mandamento fora obedecido por ele. Era isso que Jó diria ao seu Juiz, embora para os seus amigos dizer tais coisas era perder tempo. Nem sempre encontramos o nosso Juiz para o nosso momento, mas sabemos, como Jó, que ele existe e nos julgará no ultimo dia (Apoc.20:11,12). Este dia seria terrível para os que não confiam em Deus, mas será de

(4)

grande alegria para os que sabiam da sua existência e do seu juízo.

4

Não podemos, nem devemos atribuir a Deus todos os nossos sofrimentos, pois muitas vezes eles resultam de nossa conduta; entretanto, a verdade é que nem sempre entendemos o que se passa, e, Jó

embora também não o soubesse, sabia que, se Deus tinha determinado alguma coisa contra ele, quem poderia impedir? (v. 13,14). Nos versos 15 e 16 Jó se perturbava e desmaiava diante de tão justa e poderosa presença e por isso mesmo desabafou no verso 17 demonstrando que não estava desfalecido por causa das trevas, mas por causa desse supremo juiz que por vezes se tornava inacessível. E, não é assim que as vezes você se sente? Parece que Deus está distante, não o escuta, mas de qualquer maneira você deseja comunhão com Ele, pois sabe que no final, só Ele pode lhe fazer justiça. Querido amigo, mantenha sua fé e confie no Senhor!

A 3ª expressão pela comunhão com Deus se vê na convicção da soberania de Deus, 24.1-12

Nos versos 1-4, aparentemente a grande pergunta que surge é: por que Deus, o Todo-Poderoso não estabelece tempos de julgamento? Há tantos transgressores, tantos malfeitores, tantos que removem os limites, que roubam rebanhos e os apascentam como seus; há tantos que hoje em dia aproveitam a tecnologia para roubarem e se enriquecerem; há tantos que usam a boa fé das pessoas, dos menos esclarecidos para enriquecerem. Então, por que o Juiz não entra em cena diante de tantas injustiças?

Essa foi a pergunta Jó e e a pergunta de muitos que ainda hoje são injustiçados e explorados. Jó colocou o seu caso como o de muitos, pois não é o único injustiçado. Certamente espera que a providência divina, um dia, julgue tudo isso e o seu caso também O desenvolvimento desta idéia de abandono, de que Deus não age é vista nos versos seguintes.

Assim, para Jó, conforme os versos 5-12 os pobres são desamparados. Os malfeitores são como asnos monteses no deserto, a procura de presa; literalmente, a procura de carne, para si e para seus filhos; e no campo segam o pasto próprio dos perversos, um alimento impróprio para seres humanos, e mesmo grosseiro para animais, embora seja o que merecem. Não apenas isso, mas ainda rabiscam a vinha do

(5)

pobre. Os pobres passam a noite nus, com frio, com falta de roupa para se cobrirem, vagando pelas

5

montanhas, molhados da chuva, como refugados da sorte. Sem refúgio, sem casa onde se abrigarem, escondem-se nas pedras. Essa é uma descrição patética do resultado da rapinagem dos perversos, que não respeitam ninguém e exploram os pobres.

Os pequenos órfãos são arrancados do seio materno, e aos pobres se toma penhor, de tal modo que ficam nus, sem roupa para se cobrirem. Entretanto, entre os muros das suas cidades, espremem o azeite roubado e pisam o lagar (v.11); não obstante, passam sede, porque o fruto do roubo não basta. Os homens roubados gemem desde as cidades, mas parece que Deus não os ouve, nem leva isso em conta.

Essa é uma descrição patética da situação do pobre roubado. Tudo isso acontece e não há para quem apelar, porque, aparentemente, nem mesmo o Deus do céu atende a isso. Então, Jó concluiria que só mesmo esperando por uma justiça futura é que se pode ter alguma consolação, porque agora não há esperança. Jó fala em tese; não nos diz onde tais coisas aconteciam, mas elas, de fato, são reais, acreditamos. Em Israel mesmo, fato parecido aconteceu, em tempos anormais, obrigando os líderes do povo intervirem com objetividade,(Nm. 5.5-6). Nas sociedades primitivas isso era comum: grupos de bandoleiros assaltavam vilas e roubavam do pobre o pouco que tinha. O que escandalizava Jó era não haver justiça na terra nem no céu. Por isso é válida a pergunta: onde está a soberania e o poder de Deus? essa é a sua pergunta hoje, você que está me ouvindo agora? Você se sente sozinho e em meio a injustiças? Parece que Deus te esqueceu? Creia e confie que Deus soberano ainda pedirá contas de tudo isso que te acontece!

A 4ª expressão pela comunhão com Deus se vê no desejo de que a impiedade seja julgada, 24.13-17 Parece que Jó desejava consolar-se com o fato de outros também sofrerem e o seu desejo é de haja castigo para os malfeitores. Os perversos são inimigos da luz, não conhecem os seus caminhos (v. 13).

Para Jó, os ímpios sempre andam por veredas diferentes. Uma relação dos seus crimes é apontada:

a) Homicídios. Levantam-se de madrugada, matam e roubam. Um crime chamando outro crime. b) De

(6)

madrugada cometem adultério, pensando que ninguém os via, porque usam máscaras, como

6

modernamente, usam perucas, para se disfarçarem e vão para motéis para se protegerem. c) Vagabundos e ladrões. Nas trevas minam as casas, de dia se conservam encerrados, nada querem com a luz (v. 16). Pois a manhã para todos eles é como sombra de morte; mas os terrores da noite lhes são familiares (v. 17). Esse é um triste quadro da desordem social, do desequilíbrio da vida humana. Se este livro descreve os tempos anteriores a Moises, então as desordens sociais do nosso tempo se espelham naqueles tempos e não são muito diferentes das daqueles dias.

Jó estava questionando e desejava que a impiedade fosse julgada. Se o ímpios, cometendo toda sorte de pecados, não eram punidos, por que ele, que andava corretamente diante de Deus estava sofrendo? Não havia algo de errado com Deus, o supremo juiz?

E, assim finalizando a sua resposta a Elifaz é essa a argumentação que vamos ver nesses próximos versículos.

A 5ª expressão pela comunhão com Deus se vê na percepção de que se impedirá a injustiça 24.18-25 A pergunta que Jó faz é quem faria justiça a esta gente? E argumentou com seus amigos: Vocês que dizem que os perversos são levados rapidamente verifiquem que não é isso que ocorre. Esta era a doutrina de Elifaz e seus companheiros, eles que afirmavam que os ímpios logo se acabam tinham que constatar que nem sempre é assim. É certo que o crime não compensa, embora os perversos tenham vida longa muita vez. São duas opiniões divergentes. Os amigos de Jó, para mostrar que ele estava colhendo o que havia semeado, tiveram de admitir que os bons é que sobrevivem.

Quando passamos os olhos pelas colunas de um jornal, onde são descritas as misérias dos homens sem lei, pensamos justamente como os amigos de Jó, e, na realidade, há muitas semelhanças. E uma vida amaldiçoada, onde se joga a liberdade de ir e vir. Miserável sociedade, incapaz de se curar de uma chaga como esta. Só o evangelho daria jeito. Infelizmente, poucos o querem; e os que resvalam para o crime não se interessam por ele de modo algum. Por isso as igrejas devem redobrar os esforços para

(7)

ajudar a curar a sociedade. E nesses versos a idéia é que o contrário é que está certo.

7

O contrário da posição dos amigos de Jó é que parece correta, pelo menos em certa medida. Conforme o verso 22 parece que Deus por sua força prolonga dos dias dos poderosos e dá descanso aos que confiam em suas forças (v. 23). Parece que Deus vê os caminhos deles e não toma providencias, disse Jó no verso 23. Parece que Deus, pelo seu poder, prolonga a vida deles, e eles se erguem quando pensavam que iam cair. Mas, eles são exaltados por breve tempo; depois passam (v. 24). Até onde podemos aceitar este argumento? Temos que reconhecer que há um limite que não nos é dado determinar. O fato é que os perversos duram muito, especialmente se são grandes e vivem bem; quando morrem e os vermes os têm como alimento, mesmo assim recebem grandes honrarias, têm enterros de luxo e as suas sepulturas são bem guardadas. Estas são as injustiças da sociedade humana, e muitas delas são as tramas de Satanás, que tem grande papel no drama da vida humana. Nos versos 24 e 25 Jó estava defendendo uma tese contraria a de seus amigos, que sustentavam: os ímpios logo se acabam.

Entretanto, afirmou Jó: os ímpios vivem muito tempo, parecendo até que Deus abençoa os seus caminhos. Mas, finalmente morrem como os demais. E, quem pode desmentir Jó? (v. 25). Ele desafia os amigos a provarem o contrário.

E, quanto a nós? Devemos notar que Jó coloca o sofrimento dos oprimidos ao lado da impiedade dos maus. As injustiças deles são gritantes, O dilema de Jó não só com o seu sofrimento particular. Ele se incomodava com o que via ao seu redor. Os fatos pareciam estranhos à doutrina de um Deus santo, justo e bom. E não é assim que você também se sente? A pergunta sempre é a mesma: Se Deus é amor, por que tanta violência, miséria, fome e acidentes naturais que matam pessoas? Por que os grandes incêndios, por que as grandes chuvas e enchentes? Por que as secas? Por que? Porque a violência recai, na maioria das vezes sobre os pobres e necessitados?

Muitas vezes não entendemos porque Deus permite que tudo isso ocorra sem fazer nada para mudar a situação. Não podemos falar como os amigos de Jó, colocando todas as pessoas dentro de classes fixas

(8)

de interpretação, não podemos culpar a Deus por todos os males que ocorrem, assim como não

8

podemos atribuir ao demônio todas as aflições com que somos afetados. Temos que considerar que muitos sofrimentos são causados pelo próprio ser humano, às nossas fragilidades e às conseqüências gerais da queda que nos condicionou à uma vida de limitações e de sentimentos e práticas pecaminosas.

Diante das considerações vistas nesse estudo devemos ter atitudes maduras e positivas em relação ao sofrimento. Temos que reconhecer essas verdadeiras causas do sofrimento. E quando agimos assim certamente, teremos maior facilidade de lidarmos com as nossas desventuras.

2803

Imagem

Referências

temas relacionados :