Métodos e benefícios da aplicação da carboxiterapia na lipodistrofia localizada

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localizada

Pavislena Fortunato de Souza1 pavysfotunato@gmail.com Dayana Priscila Maia Mejia2

Pós-graduação em Fisioterapia Dermato Funcional – Faculdade Cambury Resumo

A carboxiterapia é um método utilizado para tratamento de irregularidades da pele, gerando melhora na pressão parcial de oxigênio e perfusão tecidual e de parâmetros locais de circulação, sendo uma terapia eficaz na melhora da elasticidade cutânea, adiposidade localizada e arteriopatias, com grande resultados no tratamento da lipodistrofia localizada, foco principal deste trabalho. A lipodistrofia localizada consiste no excesso de tecido adiposo em alguma área específica do corpo. Nas mulheres, geralmente as áreas mais acometidas são coxas e quadris e nos homens, a região abdominal. Este acúmulo de gordura está associado a fatores hormonais, alimentares e a própria genética do indivíduo.O principal objetivo é investigar a carboxiterapia como um dos principais recursos fisioterapêuticos utilizados no tratamento da lipodistrofia localizada.

Palavras-chave: Carboxiterapia; Lipodistrofia localizada; Tratamento.

1. Introdução

A Dermatologia é uma das antigas especialidades médica separada do ambiente hospitalar que se tornou, depois da II Guerra Mundial, uma especialidade complexa pela velocidade na aquisição de novos e constantes conhecimentos científicos (AZULAY & AZULAY, 1999). Segundo Horibe (2000) atualmente a sociedade relaciona a importância da beleza com determinados valores que se entrecruzam, como a exigência de uma boa aparência imposta pelo mercado, a exposição da imagem no meio de convívio, como na mídia e a rotulação do consumismo por uma valorização de estilo de vida narcisista.

Guirro e Guirro (2004) pontuam que algumas dessas alterações estéticas que condicionam um incômodo pessoal, são as estrias, podendo desencadear um comprometimento emocional e psicológico diante da insatisfação corporal, principalmente nas mulheres, nas quais se manifestam com maior frequência.

A Fisioterapia Dermato-funcional vem acabando com o dogmatismo de muitas das formas de tratamentos estéticos, uma vez que vêm atuando na comprovação científica dos métodos e técnicas utilizados para o tratamento de patologias como fibroedemagelóide, lipodistofria localizada, flacidez tecidual, estrias, rugas, envelhecimento cutâneo, pré e pós-operatórios e outras (GUIRRO & GUIRRO, 2004).

A lipodistrofia é o acúmulo de excesso de gordura, que normalmente ocorre em regiões específicas do corpo, sendo denominada de adiposidade localizada. O acúmulo deste excesso de gordura depende de vários fatores como sexo, hormônios e genética. Existem três formas de distribuição de tecido adiposo, classificados de acordo com sua localização anatômica, que são andróide, quando a gordura se deposita predominantemente na região abdominal, mais comum nos homens; ginóide, quando a gordura é predominante nas coxas e quadris, sendo

1 Pós-graduanda

em Fisioterapia em Dermato Funcional. 2

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mais comum em mulheres e mista, quando ocorre uma associação dos dois tipos anteriores (MENDONÇA et al., 2008).

A carboxiterapia representa outro recurso utilizado no tratamento das estrias vermelhas a fim de aumentar a vasodilatação e melhorar a drenagem vasolinfática, melhorando a circulação e perfusão local e reorganizando das fibras pertencentes no tecido (DOMINGUES; MACEDO, 2006).

A carboxiterapia é um método, utilizado para tratamento de irregularidades da pele, estudos realizados demonstram melhora na pressão parcial de oxigênio tecidual, da perfusão tecidual, e também, de parâmetros locais de circulação. Com isso, a carboxiterapia já vem sendo utilizada para o tratamento de arteriopatias, psoríase, úlceras, varizes, na redução de adiposidades localizadas, por seu efeito oxidativo sob os lipócitos. Os mesmos estudos fazem referências aos resultados positivos obtidos com a aplicação de gás carbônico sobre a elasticidade cutânea (BRANDI et al, 2004).

Os efeitos obtidos pela carboxiterapia são em decorrência da ação vasomotora do gás carbônico que atua, sobretudo, na microcirculação vascular do tecido conectivo, promovendo uma vasodilatação e um aumento da drenagem veno-linfatica (LÓPEZ, 2003).

A vasodilatação arteriolar do tipo ativa (ação direta do CO2 no miócito vascular), que

prevalece a nível local e indireto, consiste em uma forte vasodilatação, hipercapnia induzida e súbito fluxo sanguíneo capilar, aumentando o aporte sanguíneo e a taxa de oxigênio no local. Este efeito é sentido pelo paciente como uma sensação de “rachar a pele” acompanhado de edema momentâneo, sem causar qualquer dano estético (BRANDI et al, 2001).

Diante do exposto, torna-se necessário conhecer a carboxiterapia como recurso terapêutico utilizado, em especial da fisioterapia Dermato-Funcional, que visam o combate a essa patologia. Dessa forma os resultados obtidos poderão direcionar os demais fisioterapeutas no tratamento desta afecção a partir do suporte teórico proporcionado, além de ter o intuito de estimular a busca de outras pesquisas e ampliar a visão de tratamento da lipodistrofia localizada.

Sendo assim, este estudo apresentou como objetivos gerais investigar a carboxiterapia como um dos principais recursos fisioterapêuticos utilizados no tratamento da liposdistrofia localizada.

2. A pele

2.1 Tecido epitelial

A pele é uma complexa estrutura que tem como função principal o revestimento do organismo, protegendo assim as estruturas internas do corpo humano. Suas outras funções são: proteção imunológica, termorregulação e secreção. É dividida em três camadas. A primeira composta por células epiteliais escamosas estratificadas, a segunda pela derme subjacente coriácea e a terceira por um coxim de gordura subcutânea (COTRAN et al., 1994). 2.1.1 Epiderme

É a camada mais externa do tecido epitelial, onde é constituída principalmente por queratinócitos que produz a queratina com função protetora. Também constituída por melanócitos, células de Langerhans e células de Merckel. Dividida em camadas germinativa ou basal, espinhosa, granulosa e córnea, que é a mais

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2.1.2 Derme

A derme é a camada após a epiderme e composta principalmente por tecidos conectivos fibrosos de elastina e colágeno, que é uma proteína fibrosa estrutural. O colágeno é encontrado nos tendões, ligamentos e no revestimento dos ossos (HARRIS, 2005).

Essa camada é suprida por vasos sangüíneos, linfáticos e nervo. A derme é o local onde os fibroblastos são encontrados, sendo os responsáveis pela elasticidade e tonicidade da pele e por produzirem colágeno e elastina (VENTURA, 2003).

2.1.3 Hipoderme

É a camada mais profunda do tecido epitelial e composta principalmente por células adiposas (tecido conectivo gorduroso). É um depósito de gordura de reserva, um isolante térmico e protege o organismo mecanicamente (HARRIS, 2005).

2.2 Reparação tecidual

A regeneração de uma lesão no tecido epitelial inicia logo após a perda da comunicação entre células adjacentes, sendo liberados no local da lesão substâncias quimiotáticas que irão direcionar a migração das células originárias do tecido vascular e conjuntivo (KITCHEN, 2003).

Essa reparação vai depender da idade do paciente, da sua nutrição, da administração de corticosteróides, se diabéticos ou sofrendo influencia do hormônio de crescimento. Esse processo é dividido em três fases: inflamatória, proliferativa (proliferação celular) e de remodelamento (síntese de elementos para a constituição da matriz extracelular) (JÚNIOR et al., 2006).

Imediatamente após a lesão irá ocorrer uma limpeza e/ou defesa do local lesionado, onde os leucócitos (neutrófilos) fagocitam as células mortas e os macrófagos direcionam a formação do tecido de granulação. Essa fase dura de 24 a 48 horas, podendo chegar a mais 12 horas caso persista a irritação local. Possui como características o calor, o edema, o rubor e a dor (KITCHEN, 2003).

Na fase proliferativa ocorre um preenchimento da lesão pelos macrófagos, fibroblastos, novos vasos (angiogênese), tecido de granulação e células epiteliais. Sua duração é de 3 dias a 3 semanas As fibras sofrem uma reorganização ao longo das linhas de tensão e ocorre maior deposição de colágeno aumentando a resistência das fibras à ruptura (LIMA E PRESSI, 2005).

Em seguida, ocorre uma remodelação das fibras de colágeno que compõe o tecido cicatricial. Essa fase de remodelação é de longo prazo onde o tecido vai tomando uma aparência e forma normal. Geralmente com três semana finaliza essa fase apresentando uma cicatriz firme, resistente e não vascularizada onde pode demorar anos para essa cicatriz voltar ao normal (PRENTICE, 2004).

Logo, a inflamação tem como característica básica à formação de edema que é a exsudação de líquido e proteína plasmática, devido o aumento da permeabilidade vascular, e a migração de leucócitos, principalmente os neutrófilos. A média de absorção do processo inflamatório é de 2 a 7 dias (COTRAN et al., 1994).

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Fonte: http://cienciahoje.uol.com.br/materia/resources/images/che/pele2.jpg.. Figura 1: Estruturas da pele.

3. Lipodistrofia Localizada

O tecido adiposo é uma forma especializada de tecido conjuntivo, formado por células chamadas adipócitos. Podem ser encontradas de forma isolada ou em pequenos grupos, nas malhas de muitos tecidos conjuntivos, ou ainda agrupadas em grandes áreas do corpo, como no tecido subcutâneo. Existem dois tipos de tecido adiposo identificáveis pela estrutura, localização, cor, função, inervação e vascularização de suas células, sendo classificado em tecido adiposo amarelo e tecido adiposo pardo (DANGELO & FATTINI, 2004; SAMPAIO & RIVITTI, 2001).

O corpo humano possui capacidade limitada para armazenar carboidratos e proteínas, e a gordura contida no interior dos adipócitos representa o armazenamento de calorias nutricionais que excedem a utilização. Dessa forma, o tecido adiposo representa um reservatório de energia, principalmente em períodos de jejum prolongado, proteção contra frio ou quando o organismo está sujeito à atividade intensa (BORGES, 2006; GUIRRO & GUIRRO, 2002).

O abdômen consiste de tecido mole contido no interior de paredes predominantemente musculares. Suas únicas características ósseas são os limites, superior e inferior e, posteriormente, a coluna vertebral (BOLAN, 2009). Faz parte do tronco, situando-se entre o tórax, superiormente e a pelve, inferiormente. Porém, nem externa, nem internamente, essas divisões são nitidamente marcadas (DANGELO & FATTINI, 2004)

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A lipodistrofia localizada é o acúmulo de células gordurosas em áreas específicas, resistentes a dietas alimentares e exercícios físicos e estão diretamente relacionadas ao número de adipócitos (GUIRRO & GUIRRO, 2002).

Os depósitos de gordura localizados em determinadas regiões do organismo são difíceis de serem corrigidos por regimes alimentares ou exercícios. Exemplos deste tipo de adiposidade incluem a gordura acumulada na região abdominal inferior e na região dos quadris (culotes) e coxas (SAMAPIO & RIVITTI, 2001).

A distribuição da lipodistrofia localizada ocorre de maneira diferenciada no homem e na mulher, por questões hormonais ligadas ao sexo. A mulher passa por fases de alterações hormonais em sua vida, que incrementam a duplicação de células gordurosas.

A primeira destas fases é a puberdade, que induz a duplicação das células gordurosas que se depositam sobre abdômen, flancos, quadril, coxas, joelhos e mamas, conforme a carga genética, desenvolvendo as características sexuais secundárias da mulher (SAMAPIO & RIVITTI, 2001).

A segunda fase acontece na gravidez, quando a interferência hormonal proporciona a duplicação de células gordurosas. Diversas mulheres, após a gravidez, alcançam seu peso anterior à gestação, porém ficam com depósitos de gordura localizada em regiões específicas como o abdômen.

Mesmo magra e com índice de massa corporal normal, a mulher fica com a silhueta inestética. Em condições em que a mulher engorda em demasia durante a gestação e acumula um grande sobrepeso, o estímulo é maior sobre as células adiposas e o aspecto inestético é mais agravado.

Com o avanço da idade, se a mulher aumenta seu peso corporal, o volume dos adipócitos aumenta e mais gordura é acumulada em depósitos localizados.

Os homens apresentam menor incidência ao acúmulo de gordura localizada, porém, quando isto ocorre, geralmente é na região abdominal e apresenta grande correlação com as doenças cardiovasculares (BORGES, 2006).

A gordura do organismo esta depositada nas células gordurosas as quais tem capacidade de aumentar e diminuir de volume de acordo com a maior ou menor quantidade de gordura absorvida no seu interior (BRAY, 1889).

Vários locais do corpo servem de acumulo para estas células. Abaixo da pele existe uma camada subcutânea denominada de subcutâneo. A maior parte dessas células deposita-se nesta zona. Existem, entretanto, outras regiões que também servem de deposito, como por exemplo, no interior da cavidade abdominal, entre as alças intestinais. A maior parte do tecido gorduroso (ou adiposo), entretanto, deposita-se no subcutâneo (BRAY, 1989).

Fatores genéticos são sem dúvidas elementos importantes no desencadeamento de um acumulo maior ou menor. Um mal hábito alimentar, sem divida pode desencadear a obesidade. É sabido que o exercício e as dietas têm condições de desencadear a queima de gordura e propiciar emagrecimento (BRAY, 1989).

Segundo Bray (1989), existem alguns exemplos clássicos:

·A região abdominal inferior. Á medida que a pessoa avança na idade, este depósito tende a ficar cada vez maior, formando uma saliência mais ou menos premoniente.

·A região dos quadris é outra que também pode ser sede de acúmulo localizado de gordura, formando os culotes.

4. Carboxiterapia

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Ergotismo também conhecido como “febre de Santo Antônio” que era causado por envenenamento pelo Esporão do Centeio (o fungo Claviceps purpurea) que com frequência ocorria nessa época.

De acordo com Lopez (2005) em 1624, o médico e alquimista Belga, Johann Baptiste Van Helmont (1577- 1644) confirmou que estes gases continham CO2 ou Dióxido de Carbono. As propriedades anti-infecciosas do Dióxido de Carbono foram descobertas e estudadas posteriormente por Boyle (1627 – 1691) e Lavoisier (1743 – 1794).

A primeira pesquisa médica do uso do CO2 foi praticada por Laloutte (1777) que descobriu que problemas crônicos da pele eram curados com aplicações seriadas de CO2 (SOLÁ, 2004). Em Bad Nauheim em 1845, foram descritas as mudanças em pele: “pele congestionada, vermelha e aveludada”. Piderit em 1836 e Beneke em 1859 descreveram uma sensação de calor e rubor na área da pele tratada com as águas enriquecidas com CO2 (BRANDI et al., 2002).

Lopez (2005) pontua que em 1911 Goldscheider discutiu a possibilidade de que o rubor da pele lavada em águas enriquecidas com CO2 deriva de um efeito vasomotor por estimulação sensorial pelo CO2. Heidger em 1928 foi o primeiro em demonstrar que o CO2 é absorvido através da pele intacta.

O mesmo autor salienta ainda que as aplicações subcutâneas de CO2 foram realizadas pela primeira vez em 1932 na França, na estação de Royat utilizando o gás natural da estação termal para tratar problemas arteriais, venosos e as úlceras de pele.

Em 1946 médicos da estação termal assinalaram e publicaram os benefícios reais da Carboxiterapia em matéria de celulite, a patologia estética de grande demanda na atualidade. Hentschel H.D publicou na Alemanha, nos anos 60 uma série de estudos clínicos nos quais descrevia os benefícios de Carboxiterapia nos problemas cardiovasculares. Conquanto o tratamento foi iniciado em França e introduzido na Itália em 1990 por Berlotti e De Bernardi não foi senão até 1995 que o termo “Carboxytherapy” foi cunhado por Luigi Parassoni durante o XVI Encontro Nacional de Medicina Estética, realizado em Roma pela sociedade italiana de Medicina Estética (SOLÁ, 2004).

Na França, o Instituto de Pesquisa Cardiovascular de Royat, instituição especializada em investigação sobre Carboxiterapia em problemas cardiovasculares segue marcando a pauta quanto ao uso do CO2 para benefício da saúde. Este instituto foi inaugurado em junho de 1946 e agora, com mais de 60 anos, conta com estudos e publicações científicas que respaldam a aplicação do CO2 em tratamentos médicos (SOLÁ, 2004).

Na Itália, desde 1993, sob a direção da escola italiana da Universidade de Siena, vários cientistas contribuíram com estudos clínicos de grande importância sobre a eficácia de Carboxiterapia em tratamentos médicos diversos (LOPEZ, 2005).

O aporte de cientistas de vários países Europeus, principalmente Alemanha, foi determinante no avanço das investigações sobre Carboxiterapia.

Atualmente, esta técnica está amplamente difundida em países de Europa, Ásia, América do Norte e América Latina.

4.1 Mecanismo de ação carboxiterápica

De acordo com Solá (2004) e Lopez (2005) a terapia com Dióxido de Carbono foi usada desde tempos antigos com a finalidade de curar problemas de pele, reumáticos e circulatórios. As observações científicas foram dando crédito às propriedades do CO2 quanto a regeneração de tecidos e melhora da circulação sanguínea.

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A Carboxiterapia melhora a microcirculação no tecido tratado, mecanismo de tratamento das olheiras, por dois mecanismos propostos: vasodilatação e indução de angiogênese (formação de vasos sanguíneos) (BRANDI et al., 2002).

Chegou-se a demonstrar que a terapia com dióxido de carbono é capaz de causar indução da síntese local do fator de crescimento vascular endotelial, o que resulta numa formação de novos capilares dependente de óxido nítrico (Circulation, 2005) Dr. Takashi, na Universidade de Oklahoma, EUA, demonstrou o benefício de Carboxiterapia na circulação da pele. Afirmou que os resultados obtidos em seu trabalho de pesquisa (publicado em J Invest Dermatol 93:259-262, 1989) no qual se evidencia incremento do fluxo sanguíneo em pele e melhora do metabolismo tissular, o dióxido de carbono poderia ser útil para a cura de feridas e problemas circulatórios na pele (LOPEZ, 2005).

A Carboxiterapia favorece a formação e a troca de colágeno e elastina.

Dr. Julio Tavares desenvolveu e publicou um estudo experimental em roedores, no qual demonstrou por meio de biópsias, que as injeções intradérmicas de CO2 incrementam a produção de colágeno na pele (Journal of Drugs in Dermatology, march 2008).

Os pesquisadores afirmam que a analgesia observada é consequência de um aumento local do fluxo sanguíneo (BROCKOW, 2000).

Parece ser que existe também um efeito mecânico ao aplicar o dióxido de carbono, sendo este efeito direto sobre os receptores dérmicos de Golgi e Paccini e ao serem estimulados se produz sínteses e liberação de substâncias como bradiquininas, histamina, serotonina e catecolaminas, estas substâncias podem ser as mediadoras do efeito analgésico e anti-inflamatório da carboxiterapia.

De acordo com as pesquisas realizadas, esta técnica atuaria estimulando receptores Beta adrenérgicos no tecido adiposo, o que originaria lise da gordura armazenada no adipócito. Esta ação teria como intermediária a enzima adenilato ciclase e ocasionaria incremento do AMP cíclico tissular e liberação de triglicerídios à corrente sanguínea. Brandi et al (2002) demonstraram com estudos anátomo-patológicos lise dos adipócitos sem dano no tecido conectivo adjacente e concluíram assinalando à carboxiterapia como um procedimento válido para o tratamento de adiposidades localizadas.

Estes são quatro pontos importantes a conhecer para compreender como é a dinâmica de atuação da terapia com Dióxido de carbono nos tecidos e consegue obter resultados satisfatórios quanto à cicatrização de feridas, alívio da dor, melhora na qualidade de pele, e redução da gordura localizada e o problema estético da celulite.

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5. Metodologia

A metodologia aplicada na realização deste trabalho foi uma revisão bibliográfica, baseada empesquisa de livros e periódicos das bibliotecas de instituições da cidade de Manaus e acervos pessoais de especialistas da área. Também foram pesquisados artigos em base de dados do Ministério da Saúde, Bireme (Lilacs e Medline) e Pubmed.

Para a pesquisa dos artigos foram utilizadas as seguintes palavras-chave: carboxiterapia, lipodistrofia localizada e gordura localizada, sendo realizado o cruzamento posterior entre as mesmas.

Os artigos foram pesquisados nas línguas portuguesa e inglesa, compreendidos entre o período de 1994 a 2014, visando um amplo estudo sobre o uso da carboxiterapia como tratamento para a lipodistrofia localizada. Além disto, foram utilizados alguns artigos e livros de outros anos por estarem de extrema relevância para a pesquisa e serem citados por outros autores.

6. Resultados e discussão

Os paradigmas da beleza vêm se alterando no decorrer dos anos. O conceito de beleza hoje se difere muito do que era considerado belo há alguns anos. A preocupação faz parte da nossa cultura, as pessoas sentem necessidade de estar dentro do padrão de beleza ditado como ideal pela sociedade para se sentirem parte dela. A preocupação com a gordura localizada e com o peso ganha grande importância dentro da sociedade (MELLO et. al., 2009; XAVIER & PETRI, 2009).

O Excesso de tecido adiposo é um sério problema de saúde, pois reduz a expectativa de vida pelo aumento do risco de desenvolvimento de doenças cardíacas coronarianas, hipertensão, diabetes, osteoartrite e certos tipos de câncer. Este excesso de gordura pode existir mesmo em pessoas que não possuem um peso elevado, o que explica a presença do famoso culote mesmo em mulheres aparentemente magras (BORGES, 2006; GARCIA et. al., 2006).

O tecido adiposo é uma forma de tecido conjuntivo, formado por células chamadas adipócitos. Elas podem ser encontradas de forma isolada ou em pequenos grupos, nas malhas de muitos tecidos conjuntivos, ou ainda agrupadas em grandes áreas do corpo, como no tecido subcutâneo (GUIRRO & GUIRRO,2004).

O dióxido de carbono é produzido naturalmente pelas células. É transportado no sangue e expulso através dos pulmões. Estudos diversos, vêm demonstrando que a terapia com dióxido de carbono é segura e, em função de suas propriedades lipolíticas, possui efeito positivo na elasticidade da pele e papel útil como complemento à lipoaspiração cirúrgica para o tratamento da irregularidade persistente da pele.

A Carboxiterapia é um termo recente em medicina, muito embora a administração terapêutica do anidro carbônico (também denominado gás carbônico ou CO2) tenha se iniciado nos anos 30 na França. Há publicações cientificas do método a partir dos anos 50, embora a maior parte concentre-se entre 1985 e 2002.

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Trata-se de uma nova técnica que utiliza o gás carbônico (CO2) aplicado sob a pele. Quando trata de suas propriedades, Lopez (2005) elucida que o CO2 é um gás inodoro e não provoca alergias. Utilizado corretamente é isento de complicações e não apresenta toxicidade.

A carboxiterapia é efetiva em diversas patologias da área de atuação do médico esteta: celulite, flacidez cutânea, estrias e como coadjuvante na gordura localizada. Em outras especialidades é utilizado na terapêutica de arteriopatias, flebopatias, úlceras vasculares, psoríase entre outras.

É o único método cientificamente comprovado para o tratamento da Paniculopatia edematifibroesclerótica (PEFS ou celulite, flacidez e gordura localizada). A PEFS é a expressão do fenômeno distrófico-degenerativo induzido ao tecido subcutâneo por uma alteração morfo-funcional da microcirculação, cujo elemento fundamental é a estase capitalvênula.

A carboxiterapia atua diretamente na melhora do fluxo microvascular, tornando-se assim método de escolha no tratamento da celulite. A carboxiterapia atua, principalmente, na microcirculação vascular, reverte este processo pela melhora da perfusão e ainda aumento do fenômeno de Bohr, com consequente efeito lipolítico oxidativo.

Outros estudos, como os de Brockow et al (2000), Kede; Sabatovich (2003) e Solá (2004) revelam que a carboxiterapia é um tratamento rápido, confortável e efetivo. Pode ser utilizado também em tratamentos para rugas ao redor dos olhos, celulite, gordura localizada e estrias. A Carboxiterapia é o termo popularmente empregado para a terapêutica através da administração subcutânea (hipodérmica) do anidro carbônico - CO2. Vários autores, citados por Souza et al (2005), relataram estudos e utilizações clínicas do CO2, aplicado pela via subcutânea, destacando-se:

- Tratamento de múltiplas patologias, com destaque para arteriopatias periféricas – Brandi et al (2002) relatam o impressionante número de 20.000 (vinte mil) pacientes atendidos em Royat todos os anos, para tratamento com CO2, tanto por via subcutânea como por via percutânea. O autor descreve os benefícios do tratamento através de diversos parâmetros, incluindo o aumento da distância percorrida sem claudicação. Relata ainda o mecanismo de atuação do gás estabelecido no consenso do Congresso de Fribourg Brisgau em 89: diminuição local da afinidade da hemoglobina pelo oxigênio, ou seja, potencializarão do efeito Bohr;

- Tratamento de arteriopatias periféricas – Brandi et al (2002);

- Tratamentos de patologias dolorosas em ortopedia e sistema locomotor – Lopez (2003). - Tratamento da lipomatose múltipla simétrica – Aniello; Brandi et al (1999) do Departamento de Cirurgia Plástica da Universidade de Siena, Itália.

- Uso complementar a lipoaspiração - Brandi et al (2002) do Dep. de Cirurgia Plástica da Universidade de Siena (anais do XVI congresso da ISAPS – Istanbul).

- Tratamento da adiposidade localizada - Brandi et al (2001) do Departamento de Cirurgia Plástica da Universidade de Siena, fazem um amplo estudo do uso por injeção subcutânea de CO2, demonstrando num estudo duplo cego controlado o aumento da perfusão tecidual (a Dopplerfluxometria), aumento da pressão parcial de oxigênio - PO2 e redução da circunferência das áreas tratadas (efeito lipolítico). Estes autores fizeram estudo histopatológico das áreas tratadas, ficando evidente: aumento da espessura da pele, fratura da membrana do adipócito e preservação total do tecido conectivo, incluindo-se estruturas vasculares e nervosas. Houve significância estatística com o p<0,01.

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Diversos autores demonstraram ainda a atuação do gás na microcirculação vascular da pele, com conseqüente aumento do fluxo. Resch et al (1994), realizaram ampla revisão bibliográfica do uso do anidro carbônico percutâneo. Concluíram, informando dos amplos benefícios desta terapêutica em variadas patologias, principalmente, no tratamento da arteriopatia periférica obliterante e nas ulceras tróficas.

Solá (2004) chega a revelar, referencialmente, que, como todo tratamento a Carboxiterapia apresenta algumas contra indicações, tais quais: Flebite; Gangrena; Epilepsia; Insuficiência cardíaca/respiratória; Insuficiência renal/hepática; Hipertensão arterial severa; Gestação, e, acrescento, alterações de comportamentos psiquiátricos. Especialistas da área afirmam, portanto que não existem importantes contra-indicações e não existem importantes reações adversas sistêmicas descritas, o método é de fácil execução e amplamente utilizado na Europa.

A Carboxiterapia é uma técnica estética não-cirúrgica, na qual gás carbônico é injetado no tecido subcutâneo utilizando- se de um aparelho com uma agulha muito fina. Isso melhora a circulação e oxigenação dos tecidos promovendo benefícios estéticos. As aplicações da carboxiterapia é indicada para o combate da celulite, gordura localizada e flacidez. Uma vez que a carboxiterapia também estimularia a formação de colágeno e novas fibras elásticas, ela também pode ser indicada para o tratamento de estrias, olheiras, rejuvenescimentos facial e corporal (HARTMANN et al, 1997).

Os resultados da carboxiterapia são relativamente rápidos. Zwaan et al (1996) revelam que se pode notar os efeitos depois da quarta aplicação, sendo que é possível fazer de duas a três sessões semanais. O tratamento costuma ser de 10 a 14 aplicações, geralmente com frequência de duas vezes por semana, e o efeito dura até seis meses. Além disso, o uso correto da carboxiterapia não apresenta riscos nem efeitos colaterais. É possível aparecerem pequenas manchas. A pessoa pode retornar às suas atividades normais ao final de cada sessão de carboxiterapia. A execução do método é não cirúrgico. O dióxido de carbono é infiltrado no tecido subcutâneo através de uma agulha 30G minúscula. Do ponto da injeção, o dióxido de carbono se difunde facilmente em tecidos adjacentes.

7. Conclusão

A lipodistrofia ou gordura localizada é o acúmulo de tecido adiposo em determinadas áreas do corpo. Os locais de distribuição da adiposidade acumulada no organismo variam de pessoa para pessoa. Alguns indivíduos acumulam gordura na região abdominal (tendência androide) e outros na região do quadril (tendência ginoide).

O grau de adiposidade de uma pessoa depende de vários elementos, entre eles destacam-se os fatores genéticos e o tipo de alimentação. Outros fatores externos como a má postura e o sedentarismo também induzem ao acúmulo de gordura.

Existem muitos métodos que se propõem a combater as queixas estéticas em consultório, mas nenhum deles é tão versátil e seguro quanto a carboxiterapia.

Este método, que começou a ser desenvolvido na França, na década de 30, evoluiu muito desde então e tem grande utilidade em diversas áreas da Medicina, inclusive no tratamento de feridas e males circulatórios. É metodologia aprovada amplamente na Europa, nos EUA e, também, aqui no Brasil. Tornou-se a terapêutica de escolha para tratamento contra celulite na Itália sendo, inclusive, importante terapêutica complementar pós-lipoaspiração, para garantir uniformidade dos tecidos.

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A carboxiterapia é eficaz contra a gordura localizada na região da barriga, coxas, braços, flancos e parte lateral das costas, desde que a área de tratamento não tenha uma grande quantidade de gordura.

Na carboxiterapia o gás introduzido leva ao aumento do fluxo sanguíneo e microcirculação, aumentando a oxigenação local, promovendo a renovação celular e aumento das fibras de colágeno que tornam a pele mais firme combatendo a flacidez.

Com o aumento da circulação local há uma aceleração na eliminação das toxinas e liberação de ácidos graxos, reduzindo o inchaço e promovendo uma quebra nas células que armazenam gordura.

Os resultados da carboxiterapia para gordura localizada podem ser observados, em média, após a 10ª sessão de tratamento. Para potencializar estes resultados recomenda-se fazer dieta e exercícios físicos regularmente.

Portanto, verifica-se a eficácia da carboxiterapia na lipodistrofia localizada, com tratamento indolor e inovador.

8. Referências

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