CONHECIMENTO E A EXPERIÊNCIA EDUCATIVA SEGUNDO JOHN DEWEY Nivaldo de Souza Aranda
Graduando em Filosofia pelo Centro Universitário do Leste de Minas Gerais – UnilesteMG
Profª Maria Aparecida de Souza Silva
Professora de Prática de Ensino e Didática do Centro Universitário do Leste de Minas Gerais – UnilesteMG
RESUMO
Este artigo vem mostrar em uma breve definição o que é conhecimento, como é visto e em que se configura. Quaisquer que sejam as madalidades que o conhecimento assuma, sua finalidade intrínseca em todas elas é produzir sentido para nossa existência histórica. Tendo como principal objeto de conhecimento a “experiência educativa” o presente trabalho define educação como o processo de reconstrução e reorganização da experiência. Salienta também por onde perpassa o processo educativo, sua finalidade e sua participação no meio social.
Palavras-chaves: Conhecimento, experiência, educação.
ABSTRACT
This article comes to show in a brief definition that is knowledge, as it is se en and in that is configured. Any that are the forms that the knowledge assumes, its intrinsic purpose in all they are to produce sense for our historical existence. Tends as main knowledge object the
“educational experience” the present work defines education as the reconstruction process and reorganization of the experience. He/she also points out through where it elapses the educational process, its purpose and its participation in the social way.
Key-words: Knowledge, experience, education.
INTRODUÇÃO
“Conhecimento é a relação de índole entre um sujeito e um objeto, que consiste em uma espécie de penetração mútua em ambos. O conhecimento é visto como um processo, originário da vivencia da subjetividade, de construção dos objetos de nossa experiência do real, que não precisa buscar fundamentos fora de seu próprio exercício.”
O conhecimento se configura em linhas gerais, como o esforço do espírito humano para compreender a realidade. Esta compreensão, se dá mediante a explicitação da ligação entre os objetos e as situações da realidade, ligações que sejam aptas a satisfazerem as exigências intrínsecas dessa subjetividade ao mesmo tempo, que viabiliza alguma modalidade de intervenção pratica do homem sobre esses objetos e situações.”
A finalidade do conhecimento é uma constante busca. Quando falamos de conhecimento pressupõe falar do homem e de suas experiências educativas.
O principal objeto de nosso conhecimento será a “experiência educativa segundo John Dewey”. A experiência educativa é uma experiência em que participa o pensamento, através do qual se percebe relações e continuidades antes não percebidas. A experiência amplia os conhecimentos, enriquece o espírito e dá significação mais profunda à vida. É nisso que consiste a educação. Educar é crescer, não no sentido puramente fisiológico, mas no sentido espiritual, no sentido humano, no sentido de uma vida cada vez mais rica e bela, em um mundo cada vez mais adaptado e propicio ao homem.
DESENVOLVIMENTO
De acordo com Dewey podemos definir educação como processo de reconstrução e reorganização da experiência e com isso nos habilitamos a melhor dirigir o curso de nossas experiências futuras. A continua reorganização e reconstrução da experiência constitui o mais particular da vida humana. Essa reconstrução em que consiste a educação tem por fim melhorar pela inteligência a qualidade da experiência. Analisando-a mentalmente, percebendo as relações que ela nos desvenda, ganhamos os conhecimentos necessários para dirigir, com mais segurança, nossas experiências futuras.
Na infância, idade adulta ou velhice, todos participam ou podem participar do caráter educativo; assim a educação restitui o seu lugar natural na vida humana. Ela é uma categoria, por assim dizer, dessa vida, um resultado inevitável das experiências .
A vida se caracteriza, mesmo em seus modestos aspectos. Quando um indivíduo sucumbe ou morre, a vida continua em outros seres, cada vez mais complexa, mais readaptada e mais perene, tendo em si mesma o segredo de sua perpetuidade. Se assim é com a vida física e
animal, também acontece com a vida social. A vida social se perpetua por intermédio da educação. O que a nutrição representa para a vida fisiológica, a educação representa para a vida social. Isso é intuitivo, quando consideramos que a vida social é um complexo de crenças, costumes, instituições, idéias, linguagem adquiridas e transmitidas das mãos dos mais velhos para as dos mais novos. Sem essa transmissão de valores entre as gerações os grupos sociais retornariam às condições de primitivismo.
A vida social da qual estamos falando para se perpetuar não exige somente, esse ensinar e aprender que constituem a educação, o seu próprio modo de ser, o processo de vida coletiva, consiste nesse ato.
É através da educação que a sociedade se perpetua, é pela educação que as gerações transmitem as crenças, os costumes, os conhecimentos e as praticas da geração adulta, então, podemos dizer que educação é o processo pelo qual o individuo cresce, desenvolve- se, amadurece; poderia dizer que esse processo de crescimento se opera, por uma constante reorganização e reconstrução da experiência. A atividade educativa não se processa no vazio, ela é sempre uma resposta a estímulos específicos ou gerais, nascidos do ambiente em que o individuo vive. Os “civilizados” perpetuam a civilização. Os selvagens a selvajaria. Tudo isso por causa do meio educativo.
A escola é o meio organizado intencionalmente, com a finalidade de influir moral e mentalmente sobre os seus membros.É pois, na preparação desse meio especial de educação que devemos dispor as condições pelas quais a criança venha a crescer no saber. Para esse crescimento segundo Dewey há três características. Primeiro: “deve prover um ambiente simplificado, para permitir o acesso da criança ao meio educativo. Longe vão os tempos em que a própria vida ainda era tão simples que as crianças nela podiam diretamente participar”. A escola deve simplificar esse ambiente complexo para que a criança gradualmente venha conhecer os segredos e nele participar. Segundo: “deve organizar um meio purificado, isto é, de onde se eliminam certos aspectos reconhecidos maléficos do ambiente social”. A escola não visa perpetuar na sociedade com seus defeitos. Em uma sociedade progressiva, ela é o órgão especifico de uma constante melhoria pela qual desejamos transmitir a nossos alunos a possibilidade de um saber mais consistente do que o de seus antepassados. Terceiro: “deve prover um ambiente de integração social, de
harmonização de tendências em conflito, de larga tolerância inteligente e hospitaleira”. A escola deve ser lugar de confraternização e de harmonização.
O processo educativo é inerente ao individuo (homem) de modo que suas tendências, impulsos e inclinações façam parte do processo. A atividade educativa deve ser entendida como uma libertação de forças, tendências e impulsos existentes no individuo e por ele mesmo trabalhado e exercitado. Portanto a educação da criança não está sujeita a estímulos específicos que despertem respostas certas e definidas.
A educação tem por finalidade: “levar os educandos a ter as mesmas idéias que prevalecem entre os adultos e assim como membros do grupo social, dar as coisas e aos atos o mesmo sentido que os outros”. Compreende-se no entanto o cuidado que a escola deve ter ao educar uma criança.
A escola não deve ser oficina isolada onde se prepara o individuo, mas o lugar onde, individuo e sociedade, constituam uma unidade. A oposição entre a sociedade e o individuo, se originam de concepções isoladas e estáticas da sociedade ou do individuo.
“Não existe individuo sem sociedade e nem sociedade sem individuo, ambos são fatores de uma mesma situação – vida social – essa situação é resultado de elementos diversos”.
No processo educativo, o individuo e o meio social são dois fatores harmônicos e ajustados.
O meio escolar, deve fornecer as condições pelas quais o individuo liberte e realize a sua própria personalidade.
A capacidade humana de aprender, isto é, o poder de reter de uma experiência alguma coisa é de natureza indefinida. O homem não aprende por uma necessidade que depois de satisfeita, faça desaparecer a capacidade. Aprender é uma função permanente, é a atividade pela qual o homem cresce, mesmo quando o seu desenvolvimento biológico já se completou. Essa capacidade de aprender permite uma educação indefinida, um indefinido crescimento. Tal crescimento é muito visível na infância, onde tem mais intensidade, mas nem por isso deixa de perdurar por todo o período da vida.
A primeira condição para o crescimento é a imaturidade. Segundo Dewey, não podemos entender imaturidade como simples ausência ou falta, mas como força de desenvolvimento.
Considerada em si , não em relação ao adulto, a imaturidade da criança indica poder, força de crescimento e desenvolvimento, capacidade de construir o presente e um futuro cada vez melhor.
CONCLUSÃO
Considera-se que, conhecimento, experiência, educação não é, preparação nem conformidade, é vida. E viver é desenvolver-se, é crescer. O processo educativo,portanto, não tendo outro fim alem de si mesmo, é o processo de continua reorganização, reconstrução e transformação da vida. O habito de aprender diretamente da própria vida é fazer que as condições da vida sejam tais que todos aprendam no processo de viver, é o produto mais valioso que a escola pode alcançar. Toda a teoria de educação de Dewey insiste, como ponto principal, na restituição da aprendizagem ao caráter natural que ela tem na vida.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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